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Foca-anelada

Pusa hispida

Atualizado em

1,0 a 1,7 mTamanho
50 a 110 kgPeso
25 a 30 anosExpectativa de vida
Gelo marinho do ÁrticoHabitat
BaixíssimoPerigo para humanos
Foca-anelada nadando de corpo inteiro sob o gelo com pelagem de anéis claros

A foca-anelada (Pusa hispida) é a menor e mais abundante foca do Ártico, facilmente reconhecida pelos anéis claros com centro escuro espalhados pelo dorso. Diferente de outras focas que buscam praias rochosas, ela passa a vida inteira associada ao gelo marinho, onde cava tocas na neve e mantém buracos de respiração abertos com as garras.

Com distribuição circumpolar, ocorre do Polo Norte ao Mar Báltico e é a principal presa do urso-polar. Solitária e discreta, mergulha por até 45 minutos e cria um único filhote por ano em abrigos de neve que protegem do frio e de predadores.

Também conhecido como: Foca-anelada-do-ártico, Ringed seal (inglês), Phoque annelé (francês), Anillado - foca anillada (espanhol), Pusa hispida (nome científico)

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Galeria de fotos de Foca-anelada

Foca-anelada nadando de corpo inteiro sob o gelo com pelagem de anéis claros
Foca-anelada adulta em mergulho, com o padrão de anéis característico.
Close da cabeça da foca-anelada mostrando focinho curto e bigodes claros
Cabeça pequena e focinho curto ajudam a distinguir a espécie.
Detalhe da pelagem da foca-anelada com anéis claros e centro escuro
Os anéis claros com centro escuro são exclusivos da espécie.
Filhote branco de foca-anelada com a mãe dentro de toca de neve no gelo
Filhote na toca de neve que o protege do frio e de predadores.
Foca-anelada mantendo buraco de respiração no gelo espesso com as garras
Garras fortes mantêm buracos de respiração abertos todo o inverno.
Foca-anelada caçando sob o gelo marinho ártico
Caça bacalhau-polar e crustáceos em mergulhos sob o gelo.

Perfil rápido de Foca-anelada

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População global grande, mas dependente de gelo marinho e vulnerável às mudanças climáticas.

População
estável com declínio localizado
Protegido por
Sim, por acordos internacionais de proteção a focas e por legislação nacional no Báltico e lagos de água doce

Calendário

Nascimento dos filhotesJFMAMJJASOND
AmamentaçãoJFMAMJJASOND
AcasalamentoJFMAMJJASOND
Muda de peloJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
25 a 30 anos, com registros de até 43 anos
Em cativeiro
Raro em cativeiro; quando mantida, pode superar 35 anos com manejo especializado

Reprodução

Acasalamento
Anual, entre final de abril e junho, logo após o desmame
Estrutura social
Solitária e territorial; machos defendem áreas com buracos de respiração
Padrão sazonal
Monoéstrica com implantação tardia; nascimento em março-abril
Tipo de nascimento
Vivípara, 1 filhote por gestação
Ninhada
1 filhote (gêmeos são extremamente raros)

Habitat

Ambientes

  • Gelo marinho fixo e gelo de deriva
  • Banquisas e blocos de gelo com neve
  • Fiordes e baías árticas
  • Lagos de água doce (subespécies de Saimaa e Ladoga)

Biomas

  • Oceano Ártico
  • Mar Báltico
  • Tundra costeira ártica

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Bacalhau-polar
  • Anfípodes e krill
  • Arenque e outros peixes pelágicos

Outros alimentos

  • Camarões
  • Lulas pequenas
  • Copépodes

Encontrado em 9 países

  • Canadá
  • Estados Unidos (Alasca)
  • Groenlândia
  • Noruega
  • Rússia
  • Islândia
  • Finlândia
  • Suécia
  • Estônia

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Mammalia
Ordem
Carnivora
Família
Phocidae
Gênero
Pusa
Espécie
Pusa hispida

Resumo

  • A foca-anelada é a menor foca do Ártico, identificada pelos anéis claros no pelo escuro e pelas garras fortes que usam para manter buracos no gelo.
  • Vive associada ao gelo marinho circumpolar, alimenta-se de bacalhau-polar e crustáceos e cria o filhote em tocas de neve escavadas sobre o gelo.
  • Está classificada como Pouco Preocupante pela IUCN, mas sofre com as mudanças climáticas que reduzem o gelo e com a predação natural por ursos-polares.

Características

Ficha da espécie

GrupoMamífero
OrdemCarnivora
FamíliaPhocidae
Origem e distribuiçãoCircumpolar ártica: Oceano Ártico, Mar de Bering, Groenlândia, Svalbard, norte do Canadá, Alasca, Sibéria e Mar Báltico
Tamanho1,0 a 1,7 m de comprimento
Peso50 a 110 kg (fêmeas menores)
Corescinza-escurocinza-claropretobrancocreme
Profundidade0 a 500 m, mais comum até 100 m
HabitatGelo marinho fixo e de deriva, banquisas, fiordes e lagos costeiros árticos
AlimentaçãoCarnívora: bacalhau-polar, arenque, krill e anfípodes
ReproduçãoVivípara, 1 filhote por gestação de 9 a 11 meses
Expectativa de vida25 a 30 anos na natureza, até 43 anos em registros extremos
Estado de conservaçãoPouco Preocupante (LC - IUCN)

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeBaixo
InteligênciaAlto
VelocidadeMédio
Capacidade de migraçãoBaixo
Importância para o ecossistema marinhoMuito alto

Como identificar a foca-anelada sem confundir

A foca-anelada é a menor foca do Ártico e isso já ajuda na identificação. Adultos medem entre 1,0 e 1,5 m na maioria das populações, com algumas subespécies chegando a 1,7 m. O corpo é compacto, a cabeça pequena e arredondada e o focinho curto, bem diferente do focinho alongado da foca-barbuda.

O padrão da pelagem é inconfundível. O fundo é cinza-escuro a preto com anéis claros de centro escuro espalhados por todo o dorso e flancos. Esses anéis variam em tamanho e são mais nítidos que as manchas irregulares da foca-malhada ou da foca-da-groenlândia.

Outro detalhe são as garras fortes e grossas nas nadadeiras dianteiras, com mais de 2,5 cm. Elas são ferramentas para raspar e manter buracos de respiração no gelo com até 2 metros de espessura. As vibrissas são claras e as narinas em forma de V fecham hermeticamente no mergulho.

Onde vive: a foca do gelo que não larga o Ártico

A distribuição é circumpolar, cobrindo todo o Oceano Ártico e mares adjacentes. Ocorre no Canadá ártico, Groenlândia, Svalbard, Noruega, Islândia, Alasca, Sibéria e até no Mar Báltico, onde vive a subespécie Pusa hispida botnica.

Ela é a foca mais associada ao gelo marinho fixo (fast ice). Prefere gelo coberto por neve, onde pode escavar tocas. No verão, quando o gelo recua, usa blocos de gelo à deriva e raramente vai para terra firme. Isso a diferencia de focas que formam colônias em praias.

Existem cinco subespécies reconhecidas, incluindo as de água doce dos lagos Saimaa, na Finlândia, e Ladoga, na Rússia. São populações isoladas há cerca de 9 mil anos, desde o fim da última glaciação, e extremamente raras.

O que come e como caça sob o gelo

A dieta é oportunista e muda com a estação e a região. A base são bacalhau-polar (Boreogadus saida), arenque e anfípodes, além de krill, camarões e outros crustáceos pelágicos. Um adulto pode consumir de 2 a 4 kg de alimento por dia.

A caça acontece quase sempre sob o gelo e em mergulhos verticais. A foca-anelada mergulha em média 3 a 6 minutos e entre 10 e 100 m, mas pode chegar a 45 minutos e 500 m de profundidade quando precisa. Usa a visão e as vibrissas para detectar vibrações de presas no escuro polar.

No inverno, ela depende dos buracos de respiração que ela mesma mantém abertos. Um indivíduo pode cuidar de 6 a 10 buracos espalhados por seu território de alguns quilômetros quadrados, voltando a eles para respirar entre os mergulhos de caça.

Reprodução e ciclo de vida no gelo

A reprodução é intimamente ligada à neve. Entre março e abril, a fêmea escava uma toca de maternidade (lair) na neve acumulada sobre o gelo, com uma câmara oval e acesso direto à água. Ali nasce um único filhote, com 60 a 65 cm e cerca de 4,5 kg.

O filhote nasce com lanugo branco e espesso, que fica por 4 a 6 semanas. Essa pelagem branca não é impermeável, por isso a toca é vital: mantém o filhote seco e escondido de ursos-polares e raposas-do-ártico. A amamentação dura de 5 a 8 semanas, uma das mais longas entre as focas árticas.

O leite tem até 48% de gordura e faz o filhote dobrar de peso rapidamente. Após o desmame, a mãe acasala novamente; há implantação tardia do embrião, então a gestação total leva 9 a 11 meses. A maturidade sexual chega entre 5 e 7 anos nas fêmeas e 6 e 8 nos machos, e a longevidade pode passar de 40 anos.

Como a toca protege o filhote

A neve funciona como isolante térmico, mantendo o interior da toca em torno de 0 °C mesmo quando fora faz -30 °C. Quando a neve derrete cedo por aquecimento, a taxa de predação de filhotes dispara, o que explica a vulnerabilidade da espécie às mudanças climáticas.

Comportamento: solitária, silenciosa e dona dos buracos de respiração

A foca-anelada é predominantemente solitária. Fora da época reprodutiva, cada animal defende um sistema de buracos e tocas e evita contato próximo. Não forma haréns nem colônias barulhentas como leões-marinhos.

É uma espécie relativamente sedentária. Adultos mantêm áreas de vida de 5 a 30 km² no gelo fixo e se deslocam pouco, enquanto jovens podem dispersar centenas de quilômetros. Não faz migrações de longa distância, apenas segue o avanço e recuo sazonal do gelo.

Na água é ágil e arisca, mas no gelo é cautelosa. Fica sempre perto do buraco e entra na água ao menor sinal de perigo. Vocaliza pouco fora da água; debaixo d’água emite latidos, rosnados e trinados agudos usados na época de acasalamento.

A foca-anelada é perigosa para humanos?

Não. A foca-anelada não oferece perigo relevante para humanos. É pequena, tímida e foge ao avistar pessoas. Não há registros de ataques não provocados.

Como todo mamífero selvagem, pode morder se for encurralada, manuseada ou se sentir que o filhote está ameaçado. A mordida pode infeccionar e transmitir bactérias. A orientação é nunca se aproximar, tocar ou tentar alimentar, mantendo pelo menos 100 m de distância no gelo.

Para pesquisadores e povos indígenas que coexistem com a espécie, o risco maior é o inverso: a perturbação humana faz a mãe abandonar a toca, condenando o filhote.

Ameaças e estado de conservação

A IUCN classifica a foca-anelada como Pouco Preocupante (LC), com população global estimada entre 2 e 7 milhões de indivíduos. É a foca mais numerosa do Ártico, mas a tendência é de declínio em algumas subpopulações.

A maior ameaça de longo prazo é a perda de gelo e neve por aquecimento do Ártico. Sem neve suficiente para construir tocas, filhotes ficam expostos ao frio e à predação. A redução do gelo também diminui a disponibilidade de bacalhau-polar.

  • Predação natural: é a principal presa do urso-polar, que responde por até 70% da dieta do urso em algumas áreas. Filhotes também são predados por raposas-do-ártico, gaivotas e corvos.
  • Caça de subsistência: caçada há milênios por Inuit, Yupik e outras comunidades árticas para carne, pele e óleo, hoje com cotas regulamentadas.
  • Poluição e ruído: acumula organoclorados e mercúrio via cadeia alimentar e sofre com ruído de navios e exploração de petróleo que atrapalha a comunicação subaquática.
  • Emaranhamento: capturas acidentais em redes de pesca costeira, especialmente no Mar Báltico.

As subespécies de água doce são exceções críticas: a foca do Lago Saimaa tem apenas cerca de 400 indivíduos e é classificada como Em Perigo, com proteção integral na Finlândia.

Onde observar com responsabilidade

Avistar foca-anelada na natureza exige ir ao Ártico no inverno e início da primavera. Passeios de observação partem de Svalbard, Groenlândia, norte do Canadá e Alasca, sempre com guias e barcos que mantêm distância.

No Brasil não ocorre naturalmente. Pode ser vista apenas em alguns aquários e centros de pesquisa do Hemisfério Norte. Se viajar para o Ártico, escolha operadores que seguem o código de turismo responsável: sem desembarque no gelo com tocas, sem drones baixos e sem perseguição para foto.

Curiosidades que pouca gente sabe sobre a foca-anelada

Muita gente confunde qualquer foca manchada com foca-anelada, mas o anel claro com centro escuro é exclusivo. Outro erro comum é achar que ela vive em praias: ela praticamente não sai do gelo e, diferente da foca-comum, evita costas rochosas.

Na nossa avaliação, a foca-anelada é a mais subestimada das focas árticas justamente por ser discreta. Enquanto a foca-da-groenlândia rouba a cena com migrações massivas, a anelada sustenta sozinha o urso-polar e revela, antes de qualquer outra espécie, como o gelo está mudando.

Ela tem ainda uma adaptação curiosa: consegue detectar o cheiro de urso-polar através da neve e abandona a toca se sentir o predador por perto, mesmo sem vê-lo.

Perguntas frequentes

Foca-anelada é perigosa para humanos?

Não. É pequena, arisca e foge de pessoas. Só pode morder se for encurralada ou manuseada.

Qual o tamanho da foca-anelada?

Adultos têm de 1,0 a 1,7 m e pesam de 50 a 110 kg, sendo a menor foca do Ártico.

Onde vive a foca-anelada?

Em todo o Ártico circumpolar, sempre associada ao gelo marinho. No Brasil não ocorre naturalmente.

O que a foca-anelada come?

Principalmente bacalhau-polar, arenque, krill e anfípodes, caçados em mergulhos sob o gelo.

Quanto tempo a foca-anelada fica sem respirar?

Mergulhos comuns duram 3 a 6 minutos, mas pode ficar até 45 minutos submersa e descer a 500 m.

Quantos filhotes a foca-anelada tem?

Apenas um por ano, nascido entre março e abril dentro de uma toca de neve escavada sobre o gelo.

Qual a diferença da foca-anelada para outras focas?

Os anéis claros com centro escuro no pelo e as garras fortes para manter buracos no gelo são exclusivos dela.

Você sabia?

1

A unha que fura gelo

As garras das nadadeiras dianteiras são tão fortes que a foca-anelada consegue manter aberto um buraco de respiração em gelo com até 2 metros de espessura, raspando-o diariamente durante todo o inverno.

2

Berçário de neve

O filhote nasce em uma toca escavada na neve sobre o gelo e fica com o pelo branco por até 6 semanas. Sem essa toca, ele não sobrevive ao frio nem aos predadores.

3

Focas de água doce

Duas subespécies vivem isoladas em lagos de água doce na Finlândia e na Rússia há 9 mil anos. A foca do Lago Saimaa tem apenas cerca de 400 indivíduos e é uma das focas mais raras do mundo.

4

Cardápio do urso-polar

A foca-anelada é a presa preferida do urso-polar e pode representar mais de 70% da dieta do predador em algumas regiões do Ártico canadense.

Fontes

  1. IUCN Red List - Pusa hispida
  2. NOAA Fisheries - Ringed Seal
  3. SeaLifeBase / WoRMS
  4. ICMBio - Mamíferos Aquáticos

Prós e contras: Foca-anelada

Prós

  • Espécie-chave do Ártico e principal presa do urso-polar
  • Indicadora sensível da saúde do gelo marinho
  • População global ainda numerosa e amplamente distribuída
  • Adaptações únicas ao gelo, como tocas de neve e garras para respiradouros

Contras

  • Altamente vulnerável à redução de gelo e neve por mudanças climáticas
  • Filhotes sofrem alta predação se a neve derrete cedo
  • Subespécies de água doce criticamente ameaçadas
  • Acumula poluentes como mercúrio e organoclorados via cadeia alimentar
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a foca-anelada é o melhor termômetro vivo do Ártico: discreta, mas essencial para o urso-polar e extremamente sensível à falta de neve. Protegê-la é proteger o próprio gelo marinho, e não apenas uma espécie carismática.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.