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Baleia-jubarte

Megaptera novaeangliae

Atualizado em

12 a 16 m (fêmeas maiores)Tamanho
30 a 40 toneladasPeso
45 a 90 anosExpectativa de vida
Oceanos tropicais e polaresHabitat
BaixíssimoPerigo para humanos
Baleia-jubarte adulta nadando de corpo inteiro embaixo d'água

A baleia-jubarte é um mamífero marinho famoso pelos saltos espetaculares, pelo canto complexo e pelas nadadeiras peitorais mais longas entre as baleias. Fêmeas chegam a 16 metros e 40 toneladas, e cada indivíduo pode ser identificado pelo desenho único da parte inferior da cauda.

No Brasil, ela é a baleia mais avistada. Entre julho e novembro, milhares se concentram no Banco dos Abrolhos, na Bahia, para reproduzir e amamentar os filhotes antes de voltar às águas frias da Antártica para se alimentar.

Também conhecido como: Baleia-corcunda, Baleia-cantora, Humpback whale (inglês), Yubarta (espanhol)

Faz parte de: Animais Marinhos do Brasil, Baleias e Golfinhos

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Galeria de fotos de Baleia-jubarte

Baleia-jubarte adulta nadando de corpo inteiro embaixo d'água
Corpo robusto e nadadeiras peitorais longas, marca da jubarte.
Close da cabeça da baleia-jubarte mostrando tubérculos
Tubérculos com pelos sensoriais na cabeça.
Cauda da baleia-jubarte exibindo padrão ventral único
Padrão da cauda permite identificar cada indivíduo.
Baleia-jubarte fazendo rede de bolhas para caçar krill
Técnica da rede de bolhas para concentrar alimento.
Mãe e filhote de baleia-jubarte nadando juntos
Filhote permanece com a mãe por cerca de 11 meses.
Baleia-jubarte saltando fora d'água em salto completo
Salto consome enorme energia e serve como comunicação.

Perfil rápido de Baleia-jubarte

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População global em recuperação após a moratória da caça em 1966.

População
crescente
Protegido por
Sim, protegida por moratória da Comissão Baleeira Internacional e por lei federal no Brasil (proibição de caça e assédio)

Calendário

Migração para o Brasil (chegada)JFMAMJJASOND
Pico de reprodução e nascimentos em AbrolhosJFMAMJJASOND
Migração de retorno à AntárticaJFMAMJJASOND
Alimentação intensa na AntárticaJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
45 a 90 anos; maturidade entre 5 e 10 anos
Em cativeiro
Não mantida em cativeiro; espécie exclusivamente selvagem e migratória

Reprodução

Acasalamento
Poligâmico, em grupos competitivos com disputa vocal e física entre machos
Estrutura social
Fissão-fusão; grupos temporários, par estável apenas mãe-filhote
Padrão sazonal
Inverno em águas tropicais do Brasil (julho a novembro)
Tipo de nascimento
Vivípara
Ninhada
1 filhote por gestação; intervalo de 2 a 3 anos
Gestação e amamentação
11 a 12 meses de gestação; amamentação por 10 a 12 meses

Habitat

Ambientes

  • Zona costeira e oceânica tropical para reprodução
  • Águas polares e subpolares para alimentação
  • Bancos oceânicos rasos como Abrolhos (20 a 50 m)

Biomas

  • Oceano Atlântico
  • Oceano Pacífico
  • Oceano Antártico

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Krill antártico
  • Pequenos peixes pelágicos (sardinha, arenque, capelim)

Outros alimentos

  • Copépodes e outros crustáceos planctônicos

Encontrado em 12 países

  • Brasil
  • Argentina
  • África do Sul
  • Austrália
  • Estados Unidos
  • México
  • Colômbia
  • Chile
  • Moçambique
  • Madagáscar
  • Tonga
  • Noruega

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Mammalia
Ordem
Artiodactyla
Família
Balaenopteridae
Gênero
Megaptera
Espécie
Megaptera novaeangliae

Resumo

  • A baleia-jubarte é um mamífero de 12 a 16 metros que migra até 8 mil km entre áreas de alimentação na Antártica e áreas de reprodução no Brasil.
  • É reconhecida pelas nadadeiras peitorais de até 5 metros, pelos tubérculos na cabeça e pelo canto que pode durar mais de 20 minutos.
  • No Brasil ocorre de julho a novembro no litoral da Bahia ao Rio de Janeiro, com melhor observação em Abrolhos, e está classificada como Pouco Preocupante pela IUCN em recuperação.

Características

Ficha da espécie

GrupoMamífero marinho
OrdemArtiodactyla (Cetacea)
FamíliaBalaenopteridae
Origem e distribuiçãoCosmopolita, todos os oceanos; no Brasil de AP ao RS com concentração em Abrolhos (BA)
TamanhoMachos 12 a 15 m, fêmeas 13 a 16 m; nadadeira peitoral até 5 m
Peso30.000 a 40.000 kg; filhote nasce com 4 a 5 m e 900 a 1.200 kg
Corespretobrancocinza-escuromanchas brancas na barrigacauda
Profundidade0 a 200 m, mergulhos comuns até 150 m
HabitatCosteiro e oceânico, águas tropicais para reprodução e polares para alimentação
AlimentaçãoKrill e pequenos peixes (arenque, sardinha)
ReproduçãoVivípara, 1 filhote a cada 2 a 3 anos, gestação de 11 a 12 meses
Expectativa de vida45 a 90 anos na natureza
Estado de conservaçãoPouco Preocupante (LC - IUCN)

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeAlto
InteligênciaMuito alto
VelocidadeMédio
Capacidade de migraçãoMuito alto
Importância para o ecossistema marinhoMuito alto

Como identificar a baleia-jubarte sem confundir

A jubarte tem o corpo robusto e preto nas costas, com ventre branco ou malhado, e a marca definitiva são as nadadeiras peitorais extremamente longas, que chegam a um terço do corpo e têm bordas recortadas e brancas. Nenhuma outra baleia grande no Atlântico Sul combina esse tamanho de peitoral com cabeça cheia de calosidades.

Olhe também para a cabeça: ela é coberta por tubérculos com um pelo sensorial em cada um, estruturas que funcionam como sensores de vibração. A nadadeira dorsal é pequena e recurvada, bem diferente da dorsal alta do golfinho ou da ausência de dorsal da baleia-franca.

A identificação individual é feita pela face ventral da nadadeira caudal. O padrão de preto, branco e recortes é único, como uma impressão digital, e é usado por pesquisadores do Instituto Baleia Jubarte para foto-identificação. Quando ela mergulha fundo, ergue a cauda e expõe esse desenho.

Onde vive e por que migra tanto

A baleia-jubarte é cosmopolita e migratória. No verão, alimenta-se em águas frias e produtivas, principalmente ao redor da Península Antártica e Ilhas Geórgia do Sul. No inverno, migra para águas tropicais quentes para parir e acasalar.

A população que vem ao Brasil faz uma das maiores migrações de mamíferos do planeta: até 8.000 km em cada trecho, sem se alimentar no caminho. Ela sai da Antártica entre abril e junho e chega ao Banco dos Abrolhos (BA) e litoral do Espírito Santo ao Rio de Janeiro entre julho e novembro.

Prefere profundidades de 20 a 200 metros e áreas costeiras protegidas para o filhote não gastar energia contra correnteza forte. Fora da temporada reprodutiva, fica em mar aberto e raramente é vista perto da costa brasileira.

O que come e a técnica da rede de bolhas

Na Antártica, a dieta é quase só de krill antártico (Euphausia superba). Já no Hemisfério Norte, consome também pequenos cardumes de arenque e capelim. Um adulto pode ingerir até 1,5 tonelada de alimento por dia na temporada de alimentação.

Para caçar, usa a famosa rede de bolhas (bubble net feeding). Um ou mais indivíduos nadam em círculo soltando bolhas que formam uma cortina, concentrando o krill. Depois sobem verticalmente de boca aberta e filtram tudo nas barbatanas bucais.

No Brasil, praticamente não se alimenta. Vive da gordura acumulada na Antártica. Por isso mães com filhote perdem até 30% do peso durante a estadia em águas brasileiras, enquanto o filhote mama um leite com cerca de 40% de gordura.

Canto e comportamento social: o que torna a jubarte única

Só o macho canta, e o canto é uma das vocalizações mais complexas do reino animal. São sequências hierárquicas de gemidos, assobios e roncos que duram de 10 a 20 minutos e se repetem por horas. Todos os machos de uma mesma região cantam a mesma versão, que muda gradualmente ao longo dos anos.

O canto pode viajar mais de 30 km debaixo d’água e serve para atrair fêmeas e mediar disputa entre machos. Além do canto, ela usa saltos (breaching), batidas de cauda e de peitoral como comunicação visual e sonora.

É uma espécie socialmente fluida. Forma grupos temporários de 2 a 15 indivíduos que se desfazem em horas, exceto o par mãe-filhote, que permanece junto por cerca de 11 meses. Há cooperação na caça e comportamento de escolta, em que um ou dois machos acompanham a fêmea com filhote para tentar acasalar quando ela voltar a ovular.

Reprodução, filhote e ciclo de vida

O acasalamento ocorre no inverno brasileiro, em grupos competitivos onde vários machos disputam uma fêmea, com empurrões, cantos e exibições. A gestação dura 11 a 12 meses, então a fêmea que engravida em um ano só volta a parir dois ou três anos depois.

O filhote nasce com 4 a 5 metros e já sabe nadar, mas depende totalmente da mãe. Ele mama a cada 30 a 60 minutos e cresce cerca de 45 kg por dia nos primeiros meses. A mãe o empurra para a superfície para respirar e o protege de orcas e tubarões.

A maturidade sexual chega entre 5 e 10 anos e o intervalo entre crias é de 2 a 3 anos. Essa taxa reprodutiva lenta explica por que a caça quase a extinguiu e por que a recuperação, embora consistente, levou décadas.

A jubarte é perigosa para humanos?

Não. Ataques a humanos são virtualmente inexistentes. É curiosa e pode se aproximar de embarcações, mas não tem comportamento predatório contra pessoas. O risco real é acidental: um salto de 40 toneladas perto de um barco pequeno pode virar a embarcação ou ferir alguém com o deslocamento de água.

Mergulhadores relatam que ela costuma ser tolerante e até protetora, havendo registros documentados de jubartes que se interpuseram entre mergulhadores e tubarões. Ainda assim, a aproximação na água é proibida por lei no Brasil sem autorização.

A norma brasileira exige distância mínima de 100 metros da baleia e 50 metros do filhote, com motor em neutro. Perseguir, cercar ou entrar na água para nadar com baleias é infração ambiental.

Ameaças e estado de conservação

Caçada até 1966, quando a moratória internacional entrou em vigor, a população global caiu de mais de 150 mil para cerca de 5 mil indivíduos. Hoje está em recuperação e classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com estimativa de mais de 135 mil animais no mundo.

No Brasil, o salto foi notável: de cerca de 1.500 jubartes nos anos 1990 para mais de 25.000 em 2022, segundo censos aéreos do Instituto Baleia Jubarte e ICMBio. Mesmo assim, as ameaças atuais são colisão com navios, emalhe em redes de pesca, poluição sonora e plásticos.

O ruído de navios e sísmicas interfere diretamente no canto e pode separar mãe e filhote. O emaranhamento em redes fantasmas é a principal causa de morte de jovens encalhados no Nordeste. Projetos de monitoramento em Abrolhos e exigência de rotas alternativas para navios têm reduzido esses impactos.

Onde observar baleias-jubarte no Brasil com responsabilidade

A temporada oficial vai de julho a novembro, com pico em agosto e setembro. Os melhores pontos são Parque Nacional Marinho dos Abrolhos (BA), Vitória (ES), Arraial do Cabo e Rio de Janeiro (RJ), Ilhabela (SP) e Imbituba (SC). Abrolhos concentra mais de 80% dos nascimentos.

Escolha operadoras autorizadas pelo ICMBio, que seguem limite de tempo de observação (30 minutos), número de barcos por grupo e distância regulamentar. Evite passeios que prometem “nadar com baleias” ou que perseguem o animal quando ele tenta se afastar.

Leve binóculo, não use drone sem licença e nunca alimente ou toque. Se a baleia mudar de direção repetidamente, bater a cauda com força ou esconder o filhote, é sinal de estresse: o barco deve se afastar. Observar bem é garantir que ela volte no ano seguinte.

Perguntas frequentes

Quanto mede e pesa uma baleia-jubarte adulta?

Machos têm 12 a 15 m e fêmeas 13 a 16 m, com peso de 30 a 40 toneladas. A nadadeira peitoral sozinha pode ter 5 metros.

Onde ver baleia-jubarte no Brasil?

De julho a novembro, principalmente no Parque Nacional Marinho dos Abrolhos (BA), além de Vitória (ES), Arraial do Cabo (RJ) e Imbituba (SC).

A baleia-jubarte ataca humanos?

Não. Não há registros de ataques predatórios. O risco é acidental, por colisão ou virada de barco durante um salto próximo.

O que a baleia-jubarte come?

Quase só krill antártico e pequenos peixes pelágicos. No Brasil ela quase não se alimenta e vive da reserva de gordura.

Por que a baleia-jubarte canta?

Apenas machos cantam, para atrair fêmeas e mediar disputas. O canto dura 10 a 20 minutos, se repete por horas e muda a cada ano.

Quanto tempo vive uma baleia-jubarte?

Entre 45 e 90 anos na natureza, com maturidade sexual entre 5 e 10 anos.

Qual a diferença entre baleia-jubarte e baleia-franca?

A jubarte tem nadadeira peitoral muito longa, dorsal pequena e tubérculos na cabeça; a franca não tem dorsal, tem calosidades brancas e cabeça mais arqueada.

Fatos surpreendentes sobre a jubarte

1

Peitoral gigante com “dedos”

A nadadeira peitoral tem até 5 metros e, por dentro, cinco dedos como uma mão humana alongada. O nome Megaptera significa justamente “asas grandes”.

2

Canto que atravessa bacias oceânicas

O canto do macho muda todo ano e todos os machos de uma população aprendem a nova versão. Em 2023, pesquisadores registraram a mesma frase musical da Austrália à Polinésia.

3

Tubérculos com pelo tátil

Cada caroço da cabeça contém um folículo com um pelo rígido que detecta movimento da água e toque, ajudando a mãe a sentir o filhote no escuro.

4

Salto que consome energia de uma maratona

Um único breaching de um adulto de 35 toneladas gasta tanta energia quanto correr 2 km. Filhotes saltam dezenas de vezes por dia para treinar musculatura.

Fontes

  1. IUCN Red List - Megaptera novaeangliae
  2. NOAA Fisheries - Humpback Whale
  3. Instituto Baleia Jubarte / ICMBio
  4. SeaLifeBase / WoRMS

Prós e contras: Baleia-jubarte

Prós

  • Espécie bandeira para conservação e educação ambiental
  • Fácil de observar no Brasil na temporada certa
  • Canto e saltos tornam a observação memorável
  • População em forte recuperação, exemplo de sucesso de proteção
  • Grande importância ecológica na ciclagem de nutrientes dos oceanos

Contras

  • Extremamente sensível a ruído e assédio de embarcações
  • Risco de colisão com navios e emalhe em redes de pesca
  • Não pode ser mantida ou manejada em cativeiro
  • Migração longa a torna vulnerável a ameaças em vários países
  • Observação depende de sazonalidade e condições de mar
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a jubarte é o melhor caso de recuperação de grande baleia para contar no Brasil: visível, vocal e relativamente acessível em Abrolhos. Justamente por isso, o turismo precisa ser mais rigoroso que o entusiasmo, porque o assédio na temporada reprodutiva é hoje uma ameaça maior que a caça do passado.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.