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Baleia-franca-austral

Eubalaena australis

Atualizado em

13 a 17 m (fêmeas maiores)Tamanho
40 a 60 toneladasPeso
50 a 70 anosExpectativa de vida
Costeiro temperado e subantárticoHabitat
InofensivaPerigo para humanos
Baleia-franca-austral adulta nadando de corpo inteiro em água clara

A baleia-franca-austral é um mamífero marinho costeiro que passa o verão se alimentando em águas frias da Antártida e migra no inverno para águas temperadas da América do Sul, África e Oceania para parir e amamentar. No Brasil, sua presença é concentrada entre junho e novembro no litoral de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

É facilmente reconhecida pela ausência de barbatana dorsal, coloração preta com manchas brancas na barriga e pelas calosidades brancas na cabeça, que funcionam como uma impressão digital individual. Chega a 17 metros e 60 toneladas, e apesar do tamanho é dócil e não oferece risco a humanos quando observada à distância.

Também conhecido como: Baleia-franca-do-sul, Baleia-franca, Southern Right Whale (inglês), Ballena franca austral (espanhol)

Faz parte de: Animais Marinhos do Brasil, Baleias e Golfinhos

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Galeria de fotos de Baleia-franca-austral

Baleia-franca-austral adulta nadando de corpo inteiro em água clara
Baleia-franca-austral adulta, note a ausência de barbatana dorsal e o corpo preto robusto.
Close da cabeça da baleia-franca-austral mostrando calosidades brancas
Calosidades brancas na cabeça, padrão único usado para identificar cada indivíduo.
Detalhe da pele e das calosidades da baleia-franca-austral com cracas
Detalhe das calosidades colonizadas por cracas esbranquiçadas.
Mãe e filhote de baleia-franca-austral em baía rasa costeira
Mãe e filhote em baía rasa, típica dos berçários do sul do Brasil.
Baleia-franca-austral saltando fora d'água
Salto, comportamento comum em filhotes e juvenis nos berçários.
Cauda da baleia-franca-austral exposta na superfície
Cauda em comportamento de vela, mantida ao vento por minutos.

Perfil rápido de Baleia-franca-austral

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População global em recuperação após a moratória da caça, mas ainda vulnerável a impactos costeiros.

População
crescente
Protegido por
Sim, protegida por moratória internacional (IWC 1986), Portaria IBAMA 117/1996 e APA da Baleia Franca no Brasil

Calendário

Chegada aos berçários do BrasilJFMAMJJASOND
Pico de nascimentos e amamentaçãoJFMAMJJASOND
AcasalamentosJFMAMJJASOND
Partida para áreas de alimentação na AntártidaJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
50 a 70 anos, com evidências de indivíduos com mais de 100 anos
Em berçário (Brasil)
Permanência de 2 a 4 meses entre junho e novembro

Reprodução

Maturidade sexual
8 a 10 anos
Sistema de acasalamento
Poligâmico promíscuo; grupos de competição com vários machos por fêmea
Gestação
12 a 13 meses
Nascimento
Vivíparo; 1 filhote de 5 a 6 m
Intervalo entre crias
3 anos em média
Cuidado parental
Exclusivo da mãe; amamentação por 8 a 12 meses

Habitat

Ambientes

  • Águas costeiras rasas e baías protegidas (berçários)
  • Águas temperadas e subantárticas
  • Zona pelágica aberta e frente polar (alimentação)

Biomas

  • Oceano Atlântico Sul
  • Oceano Índico Sul
  • Oceano Pacífico Sul

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Copépodes
  • Krill antártico (Euphausia superba)

Outros alimentos

  • Outros pequenos crustáceos planctônicos

Encontrado em 8 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Chile
  • Uruguai
  • África do Sul
  • Austrália
  • Nova Zelândia
  • Moçambique

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Mammalia
Ordem
Artiodactyla
Família
Balaenidae
Gênero
Eubalaena
Espécie
Eubalaena australis (Desmoulins, 1822)

Resumo

  • A baleia-franca-austral é a baleia sem barbatana dorsal, com calosidades brancas na cabeça que permitem identificar cada indivíduo.
  • Migra milhares de quilômetros entre áreas de alimentação na Antártida e berçários costeiros no Brasil, Argentina e África do Sul.
  • No Brasil ocorre de junho a novembro, com melhor observação em Santa Catarina, e está em lenta recuperação após a caça quase tê-la extinto.

Características

Ficha da espécie

GrupoMamífero
OrdemArtiodactyla (Cetacea)
FamíliaBalaenidae
Origem e distribuiçãoHemisfério Sul; entre 20°S e 65°S, com berçários no Brasil, Argentina, Chile, África do Sul, Austrália e Nova Zelândia
TamanhoFêmeas 15 a 17 m; machos 13 a 15 m; filhote 5 a 6 m ao nascer
PesoAdultos 40.000 a 60.000 kg; filhote ~1.500 kg
Corespretobranco (manchas ventrais)calosidades branco-amareladas
Profundidade0 a 50 m nos berçários; até 300 m em alimentação
HabitatÁguas costeiras rasas e temperadas no inverno; águas frias e produtivas no verão
AlimentaçãoFiltradora: copépodes e krill
ReproduçãoVivípara; 1 filhote a cada 3 anos; gestação 12 meses
Expectativa de vida50 a 70 anos, com registros acima de 100 anos
Estado de conservaçãoPouco preocupante (LC) - IUCN, em recuperação

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeMédio
InteligênciaAlto
VelocidadeBaixo
Capacidade de migraçãoMuito alto
Importância para o ecossistema marinhoAlto

Como identificar a baleia-franca-austral sem confundir

A baleia-franca-austral não tem barbatana dorsal, o que já a separa da jubarte e da baleia-de-bryde, as outras duas mais vistas no Brasil. O dorso é liso e largo, preto-azulado, e arqueia suavemente quando ela respira.

O detalhe definitivo são as calosidades: áreas de pele espessa e rugosa no topo da cabeça, ao redor do espiráculo e na mandíbula. Colonizadas por cracas esbranquiçadas do gênero Cyamus (piolhos-de-baleia), ficam brancas e formam um padrão único para cada animal. É por elas que pesquisadores foto-identificam indivíduos há décadas.

Outros sinais: cabeça enorme que ocupa até 1/4 do corpo, coberta de calosidades; espiráculo duplo em forma de V que solta borrifo de até 5 metros; nadadeiras peitorais curtas e largas em forma de pá; e ausência de sulcos na garganta. Filhotes são cinza-acastanhados e clareiam com o tempo, mas já nascem sem barbatana dorsal.

Onde vive e por que vem para o Brasil

É uma espécie exclusiva do Hemisfério Sul, circumpolar entre 20°S e 65°S. No verão austral alimenta-se em águas frias próximas à Convergência Antártica. No inverno migra para baías rasas, protegidas e temperadas para parir e amamentar.

No Brasil, a área de concentração reprodutiva vai do sul de Santa Catarina ao Rio Grande do Sul, com núcleo em Imbituba, Laguna e Balneário Rincão. Avistamentos regulares ocorrem também no litoral do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro, mas em menor número. A espécie prefere profundidades de 5 a 30 metros, a poucos quilômetros da costa, o que explica por que pode ser vista da praia.

Essa escolha por águas rasas não é por acaso. A pouca profundidade protege filhotes de orcas e facilita a amamentação, além de manter a água mais quente, economizando energia do recém-nascido que ainda tem pouca gordura.

Migração: um dos maiores deslocamentos costeiros

A baleia-franca-austral faz migração sazonal de até 8.000 km ida e volta entre Antártida e berçários. No Brasil, a temporada vai de junho a novembro, com pico em agosto e setembro.

Diferente de baleias oceânicas, ela migra costeando o continente, em velocidades médias de 3 a 5 km/h. Fêmeas prenhes chegam primeiro, seguidas por fêmeas com filhote do ano anterior, machos e juvenis. O retorno ao sul ocorre quando o filhote já ganhou peso suficiente, geralmente em outubro e novembro.

Estudos de satélite mostram fidelidade ao berçário: fêmeas voltam à mesma baía onde nasceram ou onde pariram antes. Isso torna populações locais vulneráveis a impactos costeiros, mas facilita o monitoramento. O Brasil compartilha parte da população com a Argentina (Península Valdés), com intercâmbio comprovado por foto-identificação.

O que come e como se alimenta sem dentes

Não tem dentes. Alimenta-se por filtração com 200 a 270 cerdas de barbatana em cada lado da boca, com até 2,8 metros de comprimento. Nada de boca aberta na superfície, técnica chamada skim feeding.

A dieta é quase exclusiva de copépodes e krill antártico (Euphausia superba). Em um dia de alimentação intensa pode filtrar até 1.500 kg de zooplâncton. Durante os meses no Brasil, adultos quase não se alimentam e vivem da reserva de gordura; filhotes dependem só do leite.

O leite é extremamente rico, com cerca de 40% de gordura. O filhote mama logo abaixo da superfície e pode ganhar cerca de 100 kg por dia nas primeiras semanas. Essa estratégia explica por que a mãe perde até 25% do peso durante a temporada reprodutiva.

Reprodução e maternidade na costa brasileira

A maturidade sexual chega entre 8 e 10 anos. O acasalamento ocorre nos berçários, mas a fecundação tem implantação tardia e a gestação dura cerca de 12 a 13 meses.

O intervalo médio entre crias é de 3 anos: um ano de gestação, um de amamentação e um de descanso. Nasce sempre um único filhote de 5 a 6 metros e 1.200 a 1.500 kg. Gêmeos são raríssimos e não sobrevivem.

A mãe é extremamente protetora e mantém o filhote colado ao corpo, ensinando-o a respirar e a se posicionar contra as ondas. Machos não participam do cuidado parental e competem em grupos de acasalamento onde vários machos cercam uma fêmea. Os testículos do macho são os maiores do reino animal, cerca de 500 kg cada, adaptação à competição espermática.

Comportamento: o que ela faz na superfície

É uma das baleias mais ativas na superfície. Comportamentos comuns:

  • Spy hopping: ergue a cabeça verticalmente para observar o entorno.
  • Batida de nadadeira e cauda (lobtailing): bate a cauda ou peitorais na água, gerando som alto.
  • Salto (breaching): projeta até 2/3 do corpo para fora d’água e cai de lado, comportamento mais frequente em filhotes e juvenis.
  • Vela: deixa a cauda exposta ao vento por minutos, possivelmente para termorregulação ou brincadeira.

Vocaliza em frequências baixas, abaixo de 500 Hz, com gemidos e pulsos que viajam quilômetros debaixo d’água. Mães e filhotes mantêm contato acústico constante. Apesar do tamanho, nada devagar, com velocidade de cruzeiro de 5 a 8 km/h, e mergulhos nos berçários raramente passam de 10 minutos.

É perigosa para humanos?

Não. Não há registro de ataque a humanos. É dócil, curiosa e muitas vezes se aproxima de embarcações por conta própria, mas isso não significa que seja segura para tocar ou nadar junto.

O risco real é acidental: um animal de 60 toneladas pode virar um barco com um movimento involuntário de cauda. Por isso a legislação brasileira (Portaria IBAMA 117/1996 e IN ICMBio 07/2015) proíbe aproximação a menos de 100 metros, desligamento de motor e perseguição. Nadar com baleias é ilegal no Brasil.

Para observação em terra, não há risco. Mantenha distância, não use drone baixo e nunca tente alimentar ou tocar. A baleia não é venenosa nem predadora de vertebrados.

Ameaças e conservação: da quase extinção à recuperação

Foi chamada de right whale (baleia certa) pelos baleeiros porque flutua quando morta, tem muita gordura e era lenta e costeira, fácil de caçar. Entre os séculos XVII e XX, a população global caiu de cerca de 100.000 para menos de 300 fêmeas reprodutivas.

Protegida internacionalmente desde 1935 e pela Comissão Baleeira Internacional em 1986, hoje soma cerca de 13.000 a 14.000 indivíduos e cresce 6 a 7% ao ano em algumas áreas. No Brasil, o monitoramento do Instituto Australis/Projeto Baleia Franca já catalogou mais de 600 indivíduos foto-identificados em Santa Catarina.

Ameaças atuais ainda são graves:

  • Emalhe em redes de pesca e colisão com embarcações, principal causa de morte no Atlântico Sul.
  • Ruído submarino e tráfego intenso que interfere na comunicação mãe-filhote.
  • Poluição química, plásticos e microplásticos ingeridos via zooplâncton.
  • Mudança climática que altera a distribuição de krill na Antártida e reduz o sucesso reprodutivo.

Em Santa Catarina existe a APA da Baleia Franca, com 156 km de costa protegida, e o turismo de observação embarcado só é permitido com autorização específica. A espécie segue como símbolo da conservação marinha brasileira.

Onde e como observar com responsabilidade no Brasil

A melhor janela é julho a outubro, com pico em agosto e setembro. Os melhores pontos são Imbituba, Laguna, Garopaba e Balneário Rincão (SC), onde há mirantes terrestres e passeios autorizados.

Prefira observação em terra com binóculo: é gratuita, silenciosa e não perturba. Se optar por embarque, escolha operadoras licenciadas pelo ICMBio, que respeitam distância mínima, tempo de permanência e número de barcos por baleia.

Característica Baleia-franca-austral Baleia-jubarte
Barbatana dorsal Ausente Presente, pequena e recurvada
Cabeça Com calosidades brancas Com tubérculos, sem calosidades
Cor Preta com mancha branca ventral Preta com branco nas peitorais e ventre
Borrifo Em V, até 5 m Colunar, até 3 m
Comportamento típico Lenta, muito parada na superfície Salta muito, canta por longos períodos

Leve agasalho, protetor solar e paciência: em dias de mar calmo e vento sul fraco as chances aumentam. Registre fotos da cabeça e da cauda e envie para projetos de ciência cidadã; sua foto pode ajudar a identificar um indivíduo.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre baleia-franca-austral e baleia-jubarte?

A franca não tem barbatana dorsal e tem calosidades brancas na cabeça; a jubarte tem barbatana dorsal pequena, nadadeiras peitorais muito longas e brancas e canta por longos períodos.

Quando ver baleia-franca-austral no Brasil?

De junho a novembro, com pico em agosto e setembro, principalmente no litoral sul de Santa Catarina (Imbituba, Laguna e Garopaba).

Onde é mais fácil ver baleia-franca-austral no Brasil?

Em mirantes terrestres de Imbituba e Laguna (SC), dentro da APA da Baleia Franca, onde as baleias ficam a poucos metros da praia.

A baleia-franca-austral ataca humanos?

Não. É dócil e não há registro de ataque. O risco é acidente por aproximação excessiva de barcos, por isso a distância mínima legal é de 100 metros.

O que a baleia-franca-austral come?

Filtra zooplâncton, principalmente copépodes e krill antártico, com as cerdas da barbatana. No Brasil, mães e filhotes quase não se alimentam.

Quanto mede e pesa uma baleia-franca-austral?

Fêmeas chegam a 17 m e 60 toneladas; machos a 15 m e 45 toneladas; filhotes nascem com 5 a 6 m e cerca de 1,5 tonelada.

Por que ela se chama baleia-franca?

Do inglês right whale, a baleia certa para os baleeiros: era lenta, costeira e flutuava depois de morta, o que facilitava a caça e quase a extinguiu.

Você sabia?

1

A baleia certa que flutua

O nome em inglês right whale vem da época baleeira: era a baleia certa para caçar porque tem tanta gordura que flutua depois de morta, facilitando o reboque. Isso quase a levou à extinção.

2

Impressão digital de cracas

As calosidades são colonizadas por crustáceos brancos chamados cyamids. Como o padrão nunca se repete, pesquisadores usam fotos aéreas da cabeça para identificar cada baleia, como uma digital.

3

Recordista em testículos

O macho tem os maiores testículos do reino animal, cerca de 500 kg cada e até 2 metros de comprimento total, adaptação para competir com o esperma de outros machos no grupo de acasalamento.

4

Filhote que engorda 100 kg por dia

Com leite com 40% de gordura, o filhote ganha em média 100 kg e cresce 3 cm por dia nas primeiras semanas, enquanto a mãe jejua e pode perder 25% do peso até voltar à Antártida.

Fontes

  1. IUCN Red List - Eubalaena australis
  2. NOAA Fisheries - Southern Right Whale
  3. ICMBio / Projeto Baleia Franca - Instituto Australis
  4. SeaLifeBase / WoRMS

Prós e contras: Baleia-franca-austral

Prós

  • Observável da praia sem precisar embarcar
  • Espécie dócil e com comportamentos vistosos na superfície
  • Símbolo de recuperação da conservação marinha
  • Foto-identificação permite acompanhar indivíduos por décadas
  • Turismo bem regulado gera renda para comunidades costeiras

Contras

  • Extremamente sensível a ruído e tráfego de embarcações
  • Depende de baías rasas, vulneráveis à ocupação costeira
  • Crescimento populacional lento (1 cria a cada 3 anos)
  • Risco alto de emalhe em redes e colisão com barcos
  • Mudanças climáticas afetam oferta de krill na Antártida
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a baleia-franca-austral é o melhor exemplo de como proteção legal e berçários costeiros funcionam: sem barbatana dorsal e com calosidades únicas, ela é inconfundível e ideal para observação em terra no sul do Brasil, mas justamente por depender de baías rasas exige turismo extremamente regrado.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.