🐟 Peixes

Arenque

Clupea harengus

Atualizado em

20 a 45 cmTamanho
Salgada marinhaTipo de água
12 a 20 anosExpectativa de vida
Pacífico e gregárioTemperamento
Não criado em aquárioDificuldade
Arenque-do-atlântico de perfil com corpo prateado alongado e dorso azul-esverdeado

O arenque é um peixe marinho pelágico pequeno e prateado, famoso por formar alguns dos maiores cardumes do oceano. As duas espécies principais são o arenque-do-atlântico (Clupea harengus) e o arenque-do-pacífico (Clupea pallasii), base alimentar para baleias, aves e peixes maiores.

Não é peixe de aquário nem de criação doméstica. Sua história está ligada à pesca comercial no Atlântico Norte e no Mar Báltico, onde sustenta ecossistemas e economias há mais de mil anos. No Brasil, aparece quase sempre como produto importado — defumado, em conserva ou salgado — e é frequentemente confundido com sardinha.

Também conhecido como: Herring (inglês), Hareng (francês), Hering (alemão), Arenque-do-atlântico, Arenque-do-báltico (Clupea harengus membras)

Faz parte de: Peixes de Água Salgada

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Galeria de fotos de Arenque

Arenque-do-atlântico de perfil com corpo prateado alongado e dorso azul-esverdeado
Arenque-do-atlântico (Clupea harengus), corpo prateado e alongado típico da espécie.
Close-up da cabeça do arenque mostrando boca pequena e escamas delicadas
Detalhe da cabeça do arenque, com mandíbula inferior levemente projetada.
Grande cardume de arenques nadando sincronizado em mar aberto
Cardume de arenques em mar aberto, comportamento gregário obrigatório.
Ovos adesivos de arenque grudados em cascalho e algas no fundo do mar
Ovos adesivos do arenque depositados no fundo costeiro durante a desova.
Captura de arenques frescos e prateados no convés de barco pesqueiro
Arenques recém-capturados, um dos peixes mais pescados do Atlântico Norte.
Filés de arenque defumado e arenque marinado em conserva com cebola
Formas tradicionais de consumo: arenque defumado e marinado em conserva.

Perfil rápido de Arenque

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População global grande e amplamente distribuída no Atlântico e Pacífico Norte.

População
Estável globalmente, com estoques locais em declínio ou recuperação
Protegido por
Não, mas com cotas e áreas de defeso em vários países

Vida útil

Na natureza
12 a 20 anos, maturidade entre 2 e 4 anos
Em estoques pescados
3 a 7 anos em média devido à mortalidade por pesca

Reprodução

Tipo de reprodução
Ovípara com fecundação externa
Tipo de ovo
Demersal adesivo, depositado no fundo
Fecundidade
20.000 a 100.000 ovos por fêmea por temporada
Época de desova
Primavera ou outono, conforme o estoque
Incubação
10 a 20 dias, dependente da temperatura
Cuidado parental
Nenhum após a desova

Habitat

Ambientes

  • Mar pelágico costeiro e oceânico
  • Plataforma continental até 200 m
  • Estuários e baías com cascalho para desova

Biomas

  • Oceano Atlântico Norte
  • Mar do Norte
  • Mar Báltico
  • Oceano Pacífico Norte

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Zooplâncton (copépodes Calanus, krill)

Outros alimentos

  • Fitoplâncton
  • Larvas de crustáceos
  • Ovos e larvas de peixes

Encontrado em 12 países

  • Noruega
  • Islândia
  • Reino Unido
  • Canadá
  • Estados Unidos
  • Rússia
  • Suécia
  • Dinamarca
  • Alemanha
  • Países Baixos
  • Japão
  • França

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Actinopterygii
Ordem
Clupeiformes
Família
Clupeidae
Gênero
Clupea
Espécie
Clupea harengus / Clupea pallasii

Resumo

  • O arenque é um peixe pelágico de água salgada do Atlântico e Pacífico Norte, que vive em cardumes de milhões de indivíduos e migra entre áreas de alimentação e desova.
  • Reconhece-se pelo corpo alongado e comprimido, dorso azul-esverdeado, ventre prateado e escamas grandes que se soltam com facilidade, sem linha lateral evidente.
  • É espécie de enorme importância ecológica e pesqueira, com status de Pouco Preocupante pela IUCN, mas com estoques locais sensíveis à sobrepesca e às mudanças climáticas.

Características

Ficha da espécie

Nome científicoClupea harengus (arenque-do-atlântico) / Clupea pallasii (arenque-do-pacífico)
FamíliaClupeidae
OrigemAtlântico Norte, Mar Báltico e Mar do Norte (C. harengus); Pacífico Norte (C. pallasii)
Tipo de águaSalgada, pelágica costeira e oceânica
Tamanho20 a 45 cm (comum 25 a 33 cm); 200 a 500 g
Expectativa de vida12 a 20 anos na natureza
Coresprateadoazul-esverdeadocinza-escuro no dorsoventre branco-prateado
AlimentaçãoZooplanctófago (copépodes, krill e larvas)
ReproduçãoOvípara, desova bentônica com ovos adesivos
VariedadesC. harengus harengus, C. harengus membras (arenque-do-báltico)

Perfil e comportamento

Facilidade de criaçãoMuito baixo
AgressividadeMuito baixo
SociabilidadeMuito alto
Nível de atividadeMuito alto
Exigência com a qualidade da águaAlto

Como reconhecer o arenque sem confundir com sardinha

O arenque tem corpo alongado, comprimido lateralmente e muito prateado, com dorso azul-esverdeado escuro e ventre quase branco. A cabeça é pequena, a boca é terminal e sem dentes visíveis, e a mandíbula inferior se projeta levemente.

Um detalhe que distingue o gênero Clupea é a quilha ventral com escamas em forma de serra, que você sente ao passar o dedo na barriga do peixe. As escamas são grandes, finas e se soltam com extrema facilidade, diferente da sardinha-verdadeira que tem escamas mais aderidas.

Outro ponto de identificação é a posição da nadadeira pélvica: no arenque ela fica abaixo ou ligeiramente atrás do início da nadadeira dorsal. Na sardinha e na anchova, essa posição muda. O arenque também não tem manchas escuras atrás do opérculo, comuns em sardinhas do gênero Sardinops.

Adultos medem entre 25 e 33 cm na maioria dos estoques, mas exemplares do Atlântico podem chegar a 45 cm. É um peixe de crescimento rápido nos dois primeiros anos e depois mais lento, o que ajuda a estimar a idade por anéis nos otólitos.

Onde vive e como migra no Atlântico

O arenque é pelágico e costeiro-oceânico, vive entre 0 e 200 metros de profundidade e prefere águas frias de 5 a 15 °C. Forma estoques distintos com rotas próprias, como o arenque norueguês de primavera, o do Mar do Norte e o do Báltico.

Durante o ano ele faz migrações verticais diárias: fica mais profundo de dia e sobe à noite para se alimentar de plâncton. Sazonalmente, migra centenas de quilômetros entre áreas de alimentação ricas em plâncton e áreas de desova costeiras.

No Atlântico, ocorre da Groenlândia e Islândia até o Golfo da Biscaia, incluindo Mar do Norte e Mar Báltico. No Pacífico, Clupea pallasii vai do Japão e Mar de Bering até a Califórnia. Não ocorre naturalmente no Brasil; o que chega aqui é importado.

No Báltico, a subespécie membras vive em salinidade muito mais baixa que no Atlântico aberto, mostrando a alta tolerância do arenque à variação de salinidade durante a desova em estuários.

Vida em cardume: comportamento e defesa

O arenque é o exemplo clássico de peixe gregário obrigatório. Fora do cardume, fica desorientado e vulnerável. Cardumes podem ter milhões de indivíduos e vários quilômetros de extensão, funcionando como um superorganismo.

A sincronia é mantida por visão e pela linha lateral muito sensível a vibrações. Ao menor sinal de predador, o cardume faz ondas de evasão, se divide em dois e se reagrupa em segundos, confundindo atacantes.

À noite, o cardume se dispersa para se alimentar e de dia se compacta. Essa dinâmica explica por que sonares de pesca detectam manchas densas e móveis que mudam de forma constantemente.

Apesar da vida social intensa, não há hierarquia ou territorialismo. A agressividade é praticamente nula entre indivíduos da mesma espécie, e a competição é apenas por alimento planctônico.

O que o arenque come e seu papel na cadeia alimentar

A dieta é quase toda de zooplâncton, principalmente copépodes do gênero Calanus e krill. Filtra a água com rastros branquiais muito finos e numerosos, capazes de reter presas de 1 a 2 mm.

Em fases jovens consome também fitoplâncton e larvas de crustáceos; adultos podem predar ovos e larvas de outros peixes, incluindo de outros arenques. Essa oportunismo mantém o crescimento mesmo quando o plâncton muda com as estações.

Ecologicamente, o arenque é peixe-forragem chave. Conecta a produção planctônica a predadores de topo como bacalhau, atum, salmão, baleias-jubarte, golfinhos, focas e aves marinhas como o papagaio-do-mar.

Quando um estoque de arenque colapsa, o efeito em cascata é imediato: predadores mudam de dieta ou declinam e a estrutura do ecossistema pelágico se altera por anos.

Reprodução e ciclo de vida

Diferente da maioria dos peixes pelágicos que liberam ovos flutuantes, o arenque tem ovos demersais e adesivos. A fêmea deposita de 20 mil a 100 mil ovos que grudam em cascalho, algas ou rochas no fundo costeiro.

A desova é em grupo e pode durar semanas. Existem populações de desova de primavera e de outono, com locais e épocas fixas que os pescadores conhecem há séculos. A temperatura da água na desova fica entre 6 e 12 °C.

Os ovos eclodem em 10 a 20 dias dependendo da temperatura. As larvas são transparentes, pelágicas e derivam com as correntes por meses até se transformarem em juvenis prateados. A maturidade sexual chega entre 2 e 4 anos.

A longevidade surpreende para um peixe pequeno: indivíduos podem viver 15 a 20 anos em estoques pouco explorados, embora a maioria capturada tenha 3 a 7 anos.

Como os estoques se mantêm

Cada estoque retorna à mesma área de desova ano após ano, usando memória de rota e sinais ambientais. Isso torna o arenque vulnerável: se uma área de desova é degradada ou sobrepescada, o estoque não migra facilmente para outra.

Importância econômica e pesca

O arenque sustentou a Liga Hanseática na Idade Média e foi chamado de “prata do mar” no norte da Europa. Curado com sal, permitiu conservar proteína por meses antes da refrigeração e financiou cidades inteiras.

Hoje é uma das espécies mais pescadas do mundo em volume, capturada com rede de cerco e trawl pelágico com sonares de alta precisão. Noruega, Islândia, Rússia, Canadá e Dinamarca lideram as capturas.

Boa parte vira filé defumado, marinado, em conserva com vinagre ou salgado, além de farinha e óleo de peixe para ração. No Báltico, o arenque pequeno é vendido como “strömming” na Suécia, base do polêmico surströmming fermentado.

A gestão moderna usa cotas por estoque, fechamento de áreas de desova e tamanho mínimo. Quando bem aplicada, permite recuperação rápida — o estoque norueguês de primavera colapsou nos anos 1960 e se recuperou após 20 anos de manejo rigoroso.

Estado de conservação e ameaças

Globalmente, Clupea harengus é classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN devido à ampla distribuição e grande população. Isso não significa ausência de risco local.

As principais ameaças são sobrepesca de estoques específicos, aquecimento da água que desloca o plâncton e poluição costeira nas áreas de desova. No Mar Báltico, contaminação por dioxinas já gerou alertas de consumo para arenques maiores e mais velhos.

Mudanças climáticas alteram o timing do plâncton: se as larvas eclodem fora do pico de alimento, a sobrevivência da coorte despenca. Esse descasamento já foi observado no Mar do Norte.

Na nossa avaliação, o arenque é um termômetro do Atlântico Norte. Proteger áreas de desova e manter cotas científicas é mais eficaz que focar só no volume total capturado, porque cada estoque funciona quase como uma população isolada.

Arenque na mesa e diferenças para sardinha e anchova

No Brasil, o arenque raramente é vendido fresco. O mais comum é arenque defumado ou em conserva agridoce importado da Europa e Canadá. Tem carne mais gordurosa que a sardinha, rica em ômega-3, e sabor mais suave que a anchova.

Para não confundir na compra:

  • Arenque: corpo mais alongado e ventre com quilha serrilhada, sem manchas, carne clara e gordurosa.
  • Sardinha: corpo mais alto e curto, escamas mais firmes, muitas vezes com mancha escura atrás da guelra.
  • Anchova (aliche): focinho mais pontudo, boca maior que ultrapassa o olho, sabor muito mais salgado e intenso quando curada.

Nutricionalmente, o arenque é denso em proteína, vitamina D, selênio e EPA/DHA, mas as versões em conserva podem ter alto teor de sódio. O consumo de arenque do Báltico deve seguir recomendações locais por causa de contaminantes.

Característica Arenque Sardinha Anchova
Tamanho comum 25-33 cm 15-25 cm 12-20 cm
Tipo de ovo Adesivo no fundo Pelágico flutuante Pelágico flutuante
Sabor curado Suave, defumado Moderado Intenso, salgado
Habitat principal Atlântico Norte frio Águas temperadas globais Costeira temperada

Perguntas frequentes

Arenque é o mesmo que sardinha?

Não. São famílias próximas (Clupeidae), mas gêneros diferentes. O arenque é maior, tem quilha ventral serrilhada e ovos adesivos no fundo; a sardinha tem corpo mais alto e ovos pelágicos flutuantes.

Onde o arenque vive?

Em águas frias do Atlântico Norte, Mar do Norte e Mar Báltico (Clupea harengus) e do Pacífico Norte (Clupea pallasii). Não ocorre naturalmente no litoral brasileiro.

Arenque pode ser criado em aquário?

Não. É pelágico, altamente migrador e precisa de cardumes de milhares de indivíduos e águas frias e ricas em plâncton, inviáveis em aquário doméstico.

Qual o tamanho do arenque?

A maioria mede 25 a 33 cm e pesa 200 a 400 g, podendo chegar a 45 cm e 500 g nos estoques do Atlântico.

O arenque está ameaçado de extinção?

Globalmente não, é classificado como Pouco Preocupante (LC). Porém estoques locais já colapsaram por sobrepesca e exigem cotas rigorosas.

Como o arenque é consumido?

Principalmente defumado, marinado em vinagre, salgado ou em conserva. No Brasil é encontrado importado em vidros e latas, diferente da sardinha nacional fresca.

Por que o arenque forma cardumes tão grandes?

A vida em cardume dilui o risco de predação, melhora a busca por plâncton e sincroniza a reprodução. É uma estratégia de defesa coletiva essencial para peixes-forragem.

Você sabia?

1

O peixe que financiou impérios

Entre os séculos XII e XV, o arenque salgado foi a principal commodity da Liga Hanseática. O controle das pescarias no Mar Báltico e no Mar do Norte gerou fortunas que construíram cidades como Lübeck e Bergen.

2

Ovos que grudam no fundo

Ao contrário de quase todos os peixes pelágicos, o arenque não solta ovos flutuantes. Eles são pegajosos e formam tapetes de até 4 cm de espessura sobre cascalho e algas, visíveis por mergulhadores na época de desova.

3

Cardumes que confundem sonar

Um único cardume pode conter mais de 4 bilhões de indivíduos e estender-se por 30 km. A bolha de ar da bexiga natatória reflete tanto o sonar que já foi confundida com o fundo do mar por navios.

4

Comunicação por pum

Arenques liberam bolhas de ar pelo ânus que produzem sons de alta frequência (Fast Repetitive Ticks). Estudos sugerem que usam esses estalos para manter contato no escuro dentro do cardume.

Fontes

  1. FishBase - Clupea harengus
  2. FAO - Species Fact Sheets
  3. IUCN Red List

Prós e contras: Arenque

Prós

  • Base da cadeia alimentar marinha, sustenta predadores e pescarias
  • Rico em ômega-3, vitamina D e selênio
  • Forma cardumes enormes, fácil de estudar ecologia pelágica
  • História cultural e econômica única na Europa
  • Recuperação rápida quando há manejo por cotas científicas

Contras

  • Não adaptado a aquário ou criação doméstica
  • Estoques locais vulneráveis à sobrepesca e ao aquecimento
  • Áreas de desova sensíveis à poluição costeira
  • No Báltico pode acumular dioxinas em exemplares velhos
  • Confundido com sardinha, o que dificulta informação ao consumidor no Brasil
Nossa opinião

O arenque é subestimado no Brasil por ser confundido com sardinha, mas é um dos peixes mais importantes do planeta para entender ecologia marinha e história econômica. Na nossa avaliação, vale conhecê-lo menos como "peixe de aquário" e mais como indicador da saúde do Atlântico Norte.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.