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Foca-barbuda

Erignathus barbatus

Atualizado em

2,1 a 2,6 mTamanho
250 a 360 kgPeso
25 a 30 anosExpectativa de vida
Gelo marinho árticoHabitat
Muito baixoPerigo para humanos
Foca-barbuda adulta nadando de corpo inteiro sob a água no Ártico

A foca-barbuda (Erignathus barbatus) é a maior foca ártica e a única espécie do gênero Erignathus. Reconhecida pelos bigodes longos, densos e encaracolados quando secos, ela vive associada ao gelo marinho do Ártico e passa boa parte da vida mergulhando no fundo do mar em busca de alimento.

Solitária e vocal, é famosa pelo canto submarino dos machos na época reprodutiva e por ser a principal presa do urso-polar. Apesar do tamanho imponente, raramente representa perigo para humanos e é um indicador importante da saúde do ecossistema ártico.

Também conhecido como: Bearded seal (inglês), Phoque barbu (francês), Bartrobbe (alemão), Lachtak (nome Inuit/Yupik), Foca barbuda

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Galeria de fotos de Foca-barbuda

Foca-barbuda adulta nadando de corpo inteiro sob a água no Ártico
Foca-barbuda adulta em mergulho, com corpo robusto e pelagem acinzentada.
Close da cabeça da foca-barbuda mostrando focinho quadrado e bigodes longos
Detalhe do focinho quadrado e dos bigodes característicos que dão nome à espécie.
Fêmea de foca-barbuda com filhote sobre placa de gelo
Fêmea com filhote sobre gelo fino, onde ocorre o nascimento na primavera.
Detalhe dos bigodes longos e encaracolados da foca-barbuda
Bigodes densos e sensíveis usados para detectar presas no fundo lamacento.
Foca-barbuda caçando no fundo do mar revirando sedimento
Caça bentônica no fundo do mar, revirando a lama em busca de crustáceos e moluscos.
Foca-barbuda solitária descansando sobre gelo marinho no Ártico
Animal solitário descansando sobre gelo marinho raso, seu habitat preferido.

Perfil rápido de Foca-barbuda

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População global de cerca de 500 mil indivíduos, estável mas dependente do gelo marinho.

População
Estável com declínios regionais projetados
Protegido por
Sim, por legislações nacionais do Ártico e listada como ameaçada nos EUA (subpopulações de Bering e Okhotsk)

Calendário

Reprodução e nascimento dos filhotesJFMAMJJASOND
Muda de pelos sobre o geloJFMAMJJASOND
Pico de vocalização dos machosJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
25 a 30 anos, raramente até 32 anos

Reprodução

Estrutura social
Solitária, sem colônias; pares temporários apenas na reprodução
Época reprodutiva
Março a maio (parto) e acasalamento logo após o desmame
Gestação
Cerca de 11 meses com implantação tardia de 2 meses
Ninhada
1 filhote por ano, pesando 33 a 37 kg ao nascer
Desmame e maturidade
Desmame com 18 a 24 dias; maturidade sexual entre 5 e 7 anos

Habitat

Ambientes

  • Gelo marinho sobre plataforma continental rasa
  • Bordas de gelo e polínias
  • Fiordes, baías e estuários árticos
  • Bancos de areia e costas rochosas no verão

Biomas

  • Oceano Ártico
  • Mar de Bering e Mar de Chukchi
  • Tundra costeira ártica

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Camarões e caranguejos bentônicos
  • Moluscos bivalves e gastrópodes
  • Polvos e lulas de fundo
  • Peixes bentônicos como bacalhau-polar e solha

Outros alimentos

  • Vermes poliquetas
  • Pepinos-do-mar
  • Peixes pelágicos em menor proporção

Encontrado em 6 países

  • Canadá
  • Estados Unidos (Alasca)
  • Rússia
  • Noruega (Svalbard)
  • Dinamarca (Groenlândia)
  • Islândia

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Mammalia
Ordem
Carnivora
Família
Phocidae
Gênero
Erignathus
Espécie
Erignathus barbatus (Erxleben, 1777)

Resumo

  • A foca-barbuda é a maior foca do Ártico, com até 2,6 metros e 360 kg, identificada pelos bigodes longos e focinho quadrado.
  • Vive associada ao gelo marinho circumpolar e se alimenta no fundo do mar, mergulhando até 500 metros por camarões, caranguejos, moluscos e peixes bentônicos.
  • Está classificada como Pouco Preocupante pela IUCN, mas sofre com as mudanças climáticas que reduzem o gelo e com o ruído submarino que interfere em sua comunicação.

Características

Ficha da espécie

GrupoMamífero marinho (pinípede)
OrdemCarnivora
FamíliaPhocidae (focas verdadeiras)
Origem e distribuiçãoCircumpolar ártica: Ártico, Mar de Bering, Chukchi, Beaufort e Atlântico Norte frio
Tamanho2,1 a 2,6 m (fêmeas ligeiramente maiores que machos)
Peso250 a 360 kg (até 430 kg no final do inverno)
Corescinza-acastanhadocinza-escuromarrom-acinzentado
ProfundidadeAté 500 m, mais comum entre 50 e 200 m
HabitatGelo marinho sobre plataforma continental rasa, fiordes e áreas costeiras árticas
AlimentaçãoBentônica: camarões, caranguejos, moluscos, vermes e peixes de fundo
ReproduçãoVivípara, 1 filhote por gestação, desmame em 18 a 24 dias
Expectativa de vida25 a 30 anos na natureza
Estado de conservaçãoPouco Preocupante (LC) - IUCN

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeMuito baixo
InteligênciaAlto
VelocidadeBaixo
Capacidade de migraçãoBaixo
Importância para o ecossistema marinhoMuito alto

Como identificar a foca-barbuda sem confundir

A foca-barbuda é inconfundível quando vista de perto. O traço mais evidente são os bigodes longos, densos e claros, que chegam a 30 cm e se enrolam em espiral quando secam. Nenhuma outra foca ártica tem vibrissas tão abundantes.

O corpo é robusto e alongado, com focinho quadrado e relativamente pequeno em relação à cabeça. A coloração varia de cinza-acastanhado a marrom-acinzentado, mais escura no dorso e mais clara no ventre, sem manchas contrastantes como as da foca-anelada ou da foca-da-Groenlândia.

As nadadeiras dianteiras são grandes, quadradas e com garras fortes, adaptadas para se apoiar no gelo e cavar o fundo marinho. Adultos medem 2,1 a 2,6 metros e pesam entre 250 e 360 kg, sendo as fêmeas ligeiramente maiores que os machos, o que é raro entre focas.

Onde vive: o gelo como plataforma de vida

A foca-barbuda tem distribuição circumpolar ártica. Ocorre no norte do Canadá, Alasca, Groenlândia, Svalbard, norte da Noruega e Rússia, nos mares de Bering, Chukchi, Beaufort, Laptev e Kara.

Ela prefere gelo marinho fino e móvel sobre águas rasas da plataforma continental, geralmente com menos de 200 metros de profundidade. Evita gelo espesso e compacto do Ártico central e também não se afasta muito para o oceano profundo.

Passa o ano todo associada ao gelo, usando as placas como plataforma para descanso, muda de pelos e criação dos filhotes. No verão, quando o gelo recua, pode ser vista em bancos de areia, ilhas rochosas e fiordes. Não faz migrações longas, apenas deslocamentos sazonais curtos seguindo o avanço e recuo do gelo.

O que come e como caça no fundo do mar

A dieta é essencialmente bentônica, ou seja, focada em organismos do fundo do mar. Isso a diferencia da maioria das focas árticas, que caçam mais na coluna d’água.

Os itens principais são camarões, caranguejos, amêijoas, caracóis, polvos, vermes poliquetas e peixes de fundo como bacalhau-polar, solha e escamudos. Um único estômago pode conter mais de 50 espécies diferentes.

Para encontrar a presa, usa os bigodes como sensores táteis altamente sensíveis. Ao nadar rente ao fundo, ela varre a lama e detecta vibrações mínimas de animais enterrados, mesmo em água turva e sem luz. Depois usa as nadadeiras e o focinho para desenterrar o alimento.

É uma mergulhadora eficiente, mas não veloz. Mergulhos comuns duram 5 a 10 minutos entre 50 e 200 metros, embora possa chegar a 450 a 500 metros por até 20 a 25 minutos quando necessário.

Comportamento: solitária, arisca e cantora

A foca-barbuda é fortemente solitária. Raramente forma grupos, sendo vista sozinha ou em pares de mãe e filhote. No gelo, mantém distância de centenas de metros de outros indivíduos.

É também muito arisca. Ao perceber humanos ou ursos a distância, desliza rapidamente para a água. Essa cautela é uma adaptação direta à predação intensa por ursos-polares.

O comportamento mais surpreendente é o canto submarino dos machos. Durante a época reprodutiva, os machos mergulham e emitem trinados longos, assobios e glissandos descendentes que podem durar mais de 60 segundos. Essas vocalizações são audíveis a até 20 km e servem para atrair fêmeas e demarcar território acústico sob o gelo.

Na nossa avaliação, é uma das focas mais interessantes acusticamente do Ártico, mas justamente por isso é uma das mais vulneráveis ao ruído de navios, sondas sísmicas e quebra-gelos, que mascaram seu canto.

Reprodução e ciclo de vida no gelo

A reprodução ocorre na primavera boreal, entre março e maio. As fêmeas dão à luz sobre placas de gelo pequenas e instáveis, não em grandes colônias.

Nasce um único filhote por ano, com cerca de 1,3 metro e 33 a 37 kg. Ele já nasce com uma pelagem acinzentada e é capaz de nadar poucas horas após o parto, uma adaptação essencial porque o gelo onde nasce pode se quebrar a qualquer momento.

A amamentação é curta e intensa, durando apenas 18 a 24 dias. Nesse período, o filhote ganha peso rapidamente graças ao leite com até 50% de gordura. Após o desmame, a mãe o abandona e ele precisa aprender a mergulhar e caçar sozinho.

O acasalamento acontece na água logo após o desmame, mas o embrião passa por implantação tardia de cerca de 2 meses. A gestação efetiva dura 8 meses, totalizando quase 11 meses. A maturidade sexual chega aos 5 a 7 anos e a longevidade pode atingir 30 anos.

A foca-barbuda é perigosa para humanos?

Não. A foca-barbuda não é considerada perigosa. Não há registros de ataques a humanos na natureza. Ela é tímida e prefere fugir a confrontar.

O risco existe apenas em situações de manipulação por pesquisadores ou caçadores, pois um animal de 300 kg acuado pode morder e causar ferimentos graves com seus dentes e garras. Na água, mantém distância.

Para humanos, o perigo real é inverso: a espécie é extremamente sensível à presença humana. Aproximações de barcos, drones ou turistas no gelo podem fazer mães abandonarem filhotes ou interromperem a amamentação.

Ameaças e estado de conservação

A IUCN classifica a foca-barbuda como Pouco Preocupante (LC), com população global estimada em cerca de 500 mil indivíduos. A tendência geral é considerada estável, mas com declínios regionais.

A maior ameaça de longo prazo é a mudança climática. A redução do gelo marinho diminui plataformas para descanso e criação e altera a disponibilidade de presas bentônicas. Filhotes nascidos em gelo fino têm maior mortalidade por afogamento e predação.

  • Caça de subsistência: é tradicionalmente caçada por povos Inuit, Yupik e Chukchi para carne, pele e óleo, com cotas regulamentadas.
  • Predação natural: é a presa principal do urso-polar e também é predada por orcas e morsas em menor escala.
  • Poluição e ruído: acúmulo de contaminantes e ruído submarino de navegação e exploração de petróleo e gás.
  • Captura acidental: emaranhamento em redes de pesca de fundo, embora menos frequente que em outras focas.

Nos Estados Unidos, duas subpopulações (Mar de Bering e Mar de Okhotsk) estão listadas como ameaçadas pela Endangered Species Act devido à perda projetada de gelo.

Onde observar com responsabilidade

A foca-barbuda não ocorre no Brasil. A observação acontece em expedições ao Ártico no Canadá, Alasca, Groenlândia e Svalbard, geralmente entre abril e agosto.

Avistamentos são difíceis porque ela é solitária e arisca. O turismo responsável exige manter pelo menos 100 metros de distância, nunca desembarcar em gelo com filhotes e não usar drones baixos.

Prefira operadores certificados pelo AECO (Association of Arctic Expedition Cruise Operators) e siga sempre as orientações de guias locais e comunidades indígenas.

Curiosidades que tornam a espécie única

O nome científico Erignathus barbatus significa literalmente mandíbula pesada barbada, em referência ao focinho robusto e aos bigodes.

Ao contrário de outras focas que caçam peixes em cardume, ela literalmente ara o fundo do mar com o focinho, deixando rastros visíveis na lama que pesquisadores conseguem identificar em sonar.

Os filhotes não têm a lanugem branca típica de outras focas árticas. Já nascem com pelos acinzentados que os camuflam melhor no gelo sujo da primavera.

É a única foca do Hemisfério Norte em que as fêmeas são maiores que os machos, uma inversão rara que ainda intriga biólogos.

Perguntas frequentes

Qual o tamanho da foca-barbuda?

Adultos medem de 2,1 a 2,6 metros e pesam de 250 a 360 kg, podendo chegar a 430 kg no inverno. As fêmeas são ligeiramente maiores que os machos.

Onde vive a foca-barbuda? Tem no Brasil?

Vive apenas no Ártico circumpolar, em gelo marinho sobre águas rasas do Canadá, Alasca, Groenlândia, Svalbard e Rússia. Não ocorre no Brasil.

O que a foca-barbuda come?

Alimenta-se no fundo do mar de camarões, caranguejos, amêijoas, polvos e peixes bentônicos como bacalhau-polar, usando os bigodes sensíveis para achar presas enterradas na lama.

A foca-barbuda é perigosa?

Não. É tímida e foge de humanos. Não há registros de ataques na natureza; o risco só existe se o animal for acuado ou manipulado.

Quanto tempo a foca-barbuda fica embaixo d'água?

Mergulhos comuns duram 5 a 10 minutos entre 50 e 200 metros, mas pode mergulhar até 500 metros por 20 a 25 minutos.

Por que ela se chama barbuda?

Por causa dos bigodes longos, claros e muito densos que lembram uma barba e se enrolam em espiral quando secam.

A foca-barbuda está em extinção?

É classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com cerca de 500 mil indivíduos, mas é vulnerável à perda de gelo marinho causada pelas mudanças climáticas.

Você sabia?

1

Bigodes que viram saca-rolhas

Quando secam fora da água, os bigodes longos e densos da foca-barbuda se enrolam em espirais perfeitas, uma característica única entre as focas que ajuda pesquisadores a identificá-la à distância.

2

Canto que viaja quilômetros sob o gelo

Machos na época reprodutiva emitem trinados submarinos de até 60 segundos que podem ser ouvidos a 20 km de distância, e cada macho tem um repertório individual que mantém por anos.

3

Filhote que já nasce mergulhador

Com 33 a 37 kg ao nascer, o filhote entra na água poucas horas depois do parto e aprende a mergulhar sozinho após apenas 18 a 24 dias de amamentação, quando a mãe o abandona.

4

A comida favorita do urso-polar

Até 50% da dieta do urso-polar em algumas regiões vem da foca-barbuda, e ursos chegam a esperar horas imóveis ao lado de buracos de respiração feitos por ela no gelo.

Fontes

  1. IUCN Red List - Erignathus barbatus
  2. NOAA Fisheries - Bearded Seal
  3. WoRMS - World Register of Marine Species

Prós e contras: Foca-barbuda

Prós

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Contras

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Nossa opinião

Na nossa avaliação, a foca-barbuda é a mais subestimada das focas árticas: menos fotogênica que a foca-da-Groenlândia, mas muito mais importante ecologicamente por conectar o fundo do mar ao topo da cadeia alimentar. Protegê-la é, na prática, proteger o gelo marinho e toda a cultura de subsistência que depende dele.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.