🐋 Animais Marinhos

Foca-comum

Phoca vitulina

Atualizado em

1,4 a 1,9 mTamanho
55 a 170 kgPeso
25 a 35 anosExpectativa de vida
Costeiro temperadoHabitat
BaixoPerigo para humanos
Foca-comum nadando de corpo inteiro embaixo d'água

A foca-comum (Phoca vitulina) é um mamífero marinho costeiro e a espécie de foca mais amplamente distribuída do Hemisfério Norte. Conhecida também como foca-portuária, vive sempre perto da costa e é facilmente vista descansando sobre bancos de areia e rochas na maré baixa.

É uma foca verdadeira, sem orelha externa, que se locomove em terra arrastando o ventre e nada com as nadadeiras traseiras. Curiosa e relativamente tolerante à presença humana à distância, tornou-se símbolo da vida marinha temperada e importante indicadora da saúde dos ecossistemas costeiros.

Também conhecido como: Foca-portuária, Foca-malhada, Harbour seal, Common seal, Seehund, Phoque commun

Explore a wiki

Galeria de fotos de Foca-comum

Foca-comum nadando de corpo inteiro embaixo d'água
Foca-comum em natação subaquática, com corpo fusiforme e pelagem manchada.
Close da cabeça e olhos da foca-comum
Detalhe da cabeça arredondada, bigodes sensíveis e narinas em forma de coração.
Detalhe da textura da pele e pelos da foca-comum
Padrão único de manchas, usado para identificar cada indivíduo.
Foca-comum descansando em banco de areia e rochas na costa
Grupo em descanso na maré baixa, habitat costeiro típico.
Filhote de foca-comum ao lado da mãe no banco de areia
Mãe e filhote: filhotes já nascem prontos para nadar.
Grupo de focas-comuns descansando juntas
Agrupamento social durante o descanso fora d'água.

Perfil rápido de Foca-comum

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População global grande e amplamente distribuída, com tendência estável.

População
estável
Protegido por
Sim, protegida por legislação nacional nos EUA, Canadá e União Europeia

Calendário

NascimentosJFMAMJJASOND
AcasalamentoJFMAMJJASOND
Muda de pelosJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
25 a 35 anos (fêmeas vivem mais; machos até ~25 anos)
Em reabilitação/cativeiro
Até 35 anos com manejo veterinário

Reprodução

Acasalamento
Na água, poligínico, logo após o desmame (verão)
Estrutura social
Grupos de descanso; pares temporários na reprodução
Padrão sazonal
Sazonal anual, nascimentos entre maio e julho
Tipo de nascimento
Vivípara
Ninhada
1 filhote (gêmeos raríssimos)
Desmame
4 a 6 semanas
Maturidade sexual
3 a 7 anos

Habitat

Ambientes

  • Costas rochosas e praias de areia
  • Bancos de areia intertidais
  • Estuários e baías protegidas
  • Águas costeiras rasas até 100 m

Biomas

  • Zona costeira temperada
  • Estuário
  • Marinho nerítico

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Peixes costeiros (arenque, bacalhau, anchova, linguado)
  • Crustáceos (camarões e caranguejos)

Outros alimentos

  • Moluscos bivalves
  • Cefalópodes (lulas e polvos)

Encontrado em 12 países

  • Estados Unidos
  • Canadá
  • México
  • Reino Unido
  • Noruega
  • Alemanha
  • França
  • Islândia
  • Rússia
  • Japão
  • China
  • Dinamarca

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Mammalia
Ordem
Carnivora
Família
Phocidae
Gênero
Phoca
Espécie
Phoca vitulina

Resumo

  • A foca-comum é um mamífero da família Phocidae que vive em costas temperadas do Atlântico e Pacífico Norte, sempre em águas rasas e costeiras.
  • Pode ser reconhecida pela cabeça arredondada, focinho curto em forma de V e pelagem manchada única em cada indivíduo, além de não ter orelha externa.
  • Está classificada como Pouco Preocupante pela IUCN, mas sofre com poluição, redes de pesca e perturbação humana em áreas de descanso e reprodução.

Características

Ficha da espécie

GrupoMamífero
OrdemCarnivora
FamíliaPhocidae
Origem e distribuiçãoHemisfério Norte – costas temperadas e subárticas do Atlântico e Pacífico
Tamanho1,4 a 1,9 m (fêmeas 1,4 a 1,7 m; machos 1,5 a 1,9 m)
Peso55 a 170 kg (fêmeas 55 a 105 kg; machos 70 a 170 kg)
Corescinzamarrombegepretobranco
Profundidade0 a 500 m (mais comum até 100 m)
HabitatCosteiro, estuários, baías, bancos de areia e costas rochosas
AlimentaçãoCarnívora – peixes, crustáceos, moluscos e cefalópodes
ReproduçãoVivípara, 1 filhote por gestação, desmame em 4 a 6 semanas
Expectativa de vida25 a 35 anos na natureza
Estado de conservaçãoPouco Preocupante (LC – IUCN)

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeMédio
InteligênciaAlto
VelocidadeMédio
Capacidade de migraçãoBaixo
Importância para o ecossistema marinhoAlto

Como identificar a foca-comum sem confundir com outras focas

A foca-comum tem cabeça arredondada, focinho curto em V e narinas em forma de coração bem juntas. Diferente do leão-marinho, ela não tem orelha externa, apenas um orifício auditivo, e não consegue girar as nadadeiras traseiras para frente para caminhar.

Em terra ela se arrasta com movimentos de lagarta, enquanto na água é ágil e usa as nadadeiras traseiras como propulsão. Essa diferença já elimina confusão com otarídeos, que andam sobre as quatro nadadeiras.

A pelagem é outro marcador forte. Varia de cinza-claro e bege a marrom-escuro, sempre com manchas escuras e anéis claros únicos em cada indivíduo, como uma impressão digital. O ventre costuma ser mais claro que o dorso.

  • Olhos grandes e escuros com bigodes claros e muito sensíveis.
  • Corpo fusiforme e pescoço curto, sem separação nítida entre cabeça e tronco.
  • Nadadeiras dianteiras curtas com cinco dedos e garras escuras.
  • Tamanho médio: fêmeas menores e mais leves que os machos, sem dimorfismo extremo.

Onde vive: distribuição e profundidade no Atlântico e Pacífico

A foca-comum ocorre em todo o Hemisfério Norte temperado e subártico, em duas bacias principais: Atlântico Norte (do leste dos EUA e Canadá até o sul da Groenlândia, Islândia, Reino Unido, Mar do Norte e Báltico) e Pacífico Norte (da Baixa Califórnia ao Alasca, Ilhas Aleutas, Japão e norte da China).

É uma espécie estritamente costeira e fiel ao local. Raramente se afasta mais de 20 km da costa e retorna aos mesmos bancos de areia por anos. Prefere estuários, baías protegidas, praias de areia e lajes rochosas que ficam expostas na maré baixa.

Embora possa mergulhar até 500 metros, a maioria dos mergulhos de alimentação fica entre 20 e 100 metros e dura de 3 a 7 minutos. Mergulhos mais longos, de até 30 minutos, ocorrem em descanso ou quando foge de predadores como orcas e tubarões-brancos.

O que come e como caça em águas costeiras

A dieta é oportunista e varia conforme a região. Baseia-se em peixes costeiros como arenque, bacalhau, anchova, linguado e salmão juvenil, complementada por camarões, caranguejos, lulas e polvos.

Caça principalmente com a visão e com as vibrissas (bigodes) extremamente sensíveis, capazes de detectar a turbulência deixada por um peixe até 30 segundos depois. Isso permite caçar mesmo em água turva ou à noite.

Durante o mergulho, a foca-comum faz bradicardia: a frequência cardíaca cai de cerca de 100 para 10 batimentos por minuto e o sangue é desviado para órgãos vitais. As narinas e os canais auditivos se fecham automaticamente.

Em áreas com muita oferta, pode se alimentar de forma solitária ou em pequenos grupos, sem cooperação complexa. Engole presas pequenas inteiras e despedaça peixes maiores com movimentos laterais da cabeça.

Comportamento e vida social: fiel à costa e silenciosa

Fora da época reprodutiva, a foca-comum é moderadamente social. Forma grupos de descanso de dezenas a centenas de indivíduos, mas caça sozinha. Não é migratória de longa distância; faz apenas deslocamentos sazonais curtos de algumas dezenas a poucas centenas de quilômetros.

Passa cerca de 60% do tempo na água e 40% em terra, onde descansa, faz a muda de pelos e amamenta. O descanso em terra é essencial para termorregulação e economia de energia, e ocorre sempre na maré baixa.

É uma das focas mais silenciosas. Machos emitem vocalizações subaquáticas graves durante a reprodução, mas não há latidos altos como nos leões-marinhos. Em terra, comunica-se com bufos suaves e contato visual.

Quando perturbada, entra rapidamente na água. Por isso, a distância mínima recomendada para observação é de 100 metros. A habituação à presença humana pode parecer docilidade, mas aumenta o risco de estresse e abandono de filhotes.

Reprodução e ciclo de vida: filhotes que já sabem nadar

A reprodução é sazonal e anual. O acasalamento ocorre na água logo após o desmame, entre o final da primavera e o verão. A gestação dura cerca de 10 a 11 meses, incluindo pausa embrionária de 1,5 a 3 meses.

O nascimento acontece entre maio e julho, sempre em bancos intertidais. Nasce um único filhote de 8 a 12 kg e 70 a 90 cm, já com pelagem curta e capacidade de nadar poucas horas após o parto. Diferente de outras focas, ela perde o lanugo branco ainda dentro do útero.

A amamentação dura apenas 4 a 6 semanas, com leite extremamente gorduroso (até 50% de gordura). O filhote dobra de peso nesse período. A mãe jejua parcialmente e permanece muito próxima, reconhecendo o filhote pelo cheiro e vocalização.

A maturidade sexual chega entre 3 e 6 anos nas fêmeas e 4 a 7 anos nos machos. Fêmeas vivem mais, até 30 a 35 anos, enquanto machos raramente passam de 25 anos na natureza.

A foca-comum é perigosa para humanos?

Não. A foca-comum não é considerada perigosa e ataques a pessoas são extremamente raros. É um animal arisco que prefere fugir. Mordidas só ocorrem se for encurralada, manuseada ou se sentir o filhote ameaçado.

O risco real é o inverso. A aproximação excessiva causa estresse, gasto energético e separação de mãe e filhote, que pode ser fatal para o recém-nascido. Filhotes abandonados na praia não devem ser tocados nem devolvidos à água por leigos.

Como todo mamífero marinho, pode transmitir bactérias como Mycoplasma e vírus. Por isso, o manejo deve ser feito apenas por equipes autorizadas. No Brasil, onde a espécie não ocorre naturalmente, qualquer avistamento deve ser comunicado a órgãos ambientais.

Ameaças e estado de conservação

A IUCN classifica a foca-comum como Pouco Preocupante (LC), com população global estimada em 350 mil a 500 mil indivíduos e tendência geral estável. Algumas subpopulações, como a do Báltico e a do Mar de Wadden, são mais vulneráveis.

As principais ameaças são captura incidental em redes de pesca, colisão com embarcações, poluição química e por plásticos, ruído submarino e perturbação em áreas de descanso. Surtos do vírus da cinomose de focas já mataram dezenas de milhares de indivíduos na Europa em 1988 e 2002.

Mudanças climáticas afetam a disponibilidade de presas e aumentam a competição com pescarias. Contaminantes como PCBs e metais pesados se acumulam na gordura e afetam a reprodução.

A espécie é protegida por leis como o Marine Mammal Protection Act (EUA) e diretivas europeias de habitats. Áreas de proteção e regras de distância mínima para turismo têm se mostrado eficazes onde são fiscalizadas.

Curiosidades que tornam a foca-comum única

Cada foca tem um padrão de manchas irrepetível, usado por pesquisadores para foto-identificação sem marcação. O padrão não muda com a idade.

Os bigodes possuem cerca de dez vezes mais terminações nervosas que os bigodes de um gato e detectam variações de pressão na água com precisão milimétrica. É seu principal sentido de caça no escuro.

Filhotes vocalizam com um chamado agudo semelhante a um balido para chamar a mãe em meio a dezenas de outras focas. As mães respondem com um grunhido baixo e reconhecem a voz do próprio filhote em segundos.

Durante a muda anual, que dura cerca de 3 a 4 semanas no final do verão, as focas passam muito mais tempo em terra e o fluxo sanguíneo na pele aumenta, deixando-as mais sensíveis ao frio e à perturbação.

Perguntas frequentes

Foca-comum vive no Brasil?

Não. Ela ocorre apenas no Hemisfério Norte, em costas temperadas e subárticas do Atlântico e Pacífico. No Brasil podem aparecer apenas lobos e leões-marinhos do Hemisfério Sul.

Qual a diferença entre foca-comum e leão-marinho?

A foca-comum não tem orelha externa, não anda sobre as nadadeiras e tem focinho curto em V. Leões-marinhos têm orelha visível, caminham sobre as quatro nadadeiras e focinho mais alongado.

Quanto tempo a foca-comum fica submersa?

A maioria dos mergulhos dura 3 a 7 minutos, mas pode chegar a 30 minutos e 500 metros de profundidade em situações excepcionais.

O que a foca-comum come?

Principalmente peixes costeiros como arenque e bacalhau, além de camarões, caranguejos, lulas e polvos, variando conforme a região.

Foca-comum é perigosa?

Não. É arisca e foge de pessoas. Mordidas só ocorrem se for encurralada ou manuseada, por isso mantenha pelo menos 100 metros de distância.

Quanto tempo vive uma foca-comum?

De 25 a 35 anos na natureza, com fêmeas vivendo mais que machos.

A foca-comum está em extinção?

Não. É classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estável, embora algumas populações locais estejam em declínio.

Você sabia?

1

Manchas como RG

O padrão de manchas da foca-comum é único em cada animal e permanente, permitindo identificar indivíduos por foto por mais de 20 anos sem precisar marcá-los.

2

Bigodes que sentem o passado

Suas vibrissas detectam o rastro hidrodinâmico de um peixe até 30 segundos depois que ele passou, mesmo no escuro total ou em água turva.

3

Filhote sem lanugo

Diferente da maioria das focas, o filhote perde a pelagem branca lanosa ainda dentro do útero e já nasce com pelo curto, pronto para nadar em poucas horas.

4

Coração em modo econômico

Em mergulho profundo a frequência cardíaca cai de cerca de 100 para 10 batimentos por minuto, permitindo ficar submersa por até 30 minutos.

Fontes

  1. IUCN Red List
  2. NOAA Fisheries
  3. WoRMS - World Register of Marine Species
  4. SeaLifeBase

Prós e contras: Foca-comum

Prós

  • Excelente indicadora de saúde costeira e qualidade da água
  • Ajuda a controlar populações de peixes e crustáceos
  • Permite observação responsável a distância, gerando turismo sustentável
  • Fácil de identificar por foto devido ao padrão único de manchas
  • Espécie bem estudada, com dados robustos para educação ambiental

Contras

  • Muito sensível a perturbação humana em bancos de descanso
  • Sofre captura incidental em redes de pesca costeira
  • Acumula contaminantes na gordura, afetando reprodução
  • Pode entrar em conflito com pescadores por competir por peixes
  • Exige grandes áreas costeiras protegidas e fiscalização constante
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a foca-comum é a porta de entrada ideal para entender focas verdadeiras: costeira, fiel ao local e fácil de observar com responsabilidade. Seu valor vai além do carisma, pois funciona como termômetro da saúde do litoral temperado e mostra como proteção de bancos de areia vale mais que qualquer intervenção direta.

Continue explorando: Animais Marinhos

Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.