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Lula-colossal

Mesonychoteuthis hamiltoni

Atualizado em

9 a 12 m (total)Tamanho
400 a 500 kgPeso
2 a 3 anosExpectativa de vida
Oceano Austral profundoHabitat
MínimoPerigo para humanos
Lula-colossal de corpo inteiro nadando no Oceano Austral profundo

A lula-colossal (Mesonychoteuthis hamiltoni) é o maior invertebrado do planeta em massa e o cefalópode com os maiores olhos do reino animal, chegando a 27 cm de diâmetro. Mais pesada que a famosa lula-gigante, ela vive nas águas geladas e escuras do Oceano Austral e quase nunca é vista viva.

Descrita apenas em 1925 e conhecida por poucos espécimes intactos, ela concentra recordes extremos: ganchos que giram 360° nos tentáculos, bico capaz de cortar vértebras de peixes e um órgão luminoso embutido no olho. Entender o que a distingue, onde vive e como caça explica por que permanece um dos animais mais misteriosos do oceano.

Também conhecido como: Lula-antártica, Colossal squid (inglês), Calamar colosal (espanhol), Kolosskalmar (alemão)

Faz parte de: Animais de Águas Profundas, Polvos, Lulas e Moluscos

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Galeria de fotos de Lula-colossal

Lula-colossal de corpo inteiro nadando no Oceano Austral profundo
Lula-colossal adulta com manto largo e nadadeiras em forma de coração.
Close da cabeça e olho gigante da lula-colossal
Olho de até 27 cm com fotóforo luminoso embutido, o maior do reino animal.
Detalhe dos ganchos giratórios da lula-colossal
Ganchos que giram 360° nos tentáculos, únicos da espécie.
Lula-colossal em seu habitat profundo no Oceano Austral
Habitat pelágico profundo entre 1.000 e 2.200 m, em águas de -1,8 °C.
Filhote juvenil translúcido de lula-colossal
Juvenil translúcido, como o filmado vivo pela primeira vez em 2025.
Lula-colossal caçando merluza-negra-antártica
Caça por emboscada: projeta tentáculos para travar a presa com ganchos.

Perfil rápido de Lula-colossal

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População circumpolar aparentemente estável, mas com dados limitados por raridade de amostragem.

População
estável
Protegido por
Regulada pela CCAMLR no Oceano Austral

Calendário

Reprodução estimadaJFMAMJJASOND
Maior ocorrência de juvenis em superfícieJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
2 a 3 anos (estimativa por estatólitos; semélpara)

Reprodução

Estratégia
Semélpara, desova única e morte após reprodução
Tipo de reprodução
Ovípara com ovos em massa gelatinosa flutuante
Dimorfismo
Fêmeas bem maiores e mais pesadas que machos
Desenvolvimento
Direto, filhotes planctônicos transparentes

Habitat

Ambientes

  • Oceano Austral circumpolar
  • Zona mesopelágica e batipelágica (1.000 a 2.200 m)

Biomas

  • Pelágico profundo antártico
  • Águas geladas de -1,8 a 2 °C

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Merluza-negra-antártica
  • Peixes-lanterna (Myctophidae)
  • Outras lulas antárticas

Outros alimentos

  • Krill antártico
  • Camarões de profundidade

Encontrado em 6 países

  • Antártica
  • Nova Zelândia
  • Austrália
  • África do Sul
  • Chile
  • Argentina

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Mollusca
Classe
Cephalopoda
Ordem
Oegopsida
Família
Cranchiidae
Gênero
Mesonychoteuthis
Espécie
Mesonychoteuthis hamiltoni

Resumo

  • A lula-colossal é o invertebrado mais pesado do mundo, com manto de até 4 m e peso de 400 a 500 kg, maior em massa que a lula-gigante.
  • Vive exclusivamente no Oceano Austral entre 1.000 e 2.200 m de profundidade, com olhos de 27 cm e ganchos giratórios únicos para caçar no escuro total.
  • Quase nunca observada viva, é inofensiva para humanos e está classificada como Pouco Preocupante, mas depende de águas antárticas intactas.

Características

Ficha da espécie

GrupoMolusco (cefalópode)
OrdemOegopsida
FamíliaCranchiidae
Origem e distribuiçãoOceano Austral circumpolar, ao redor da Antártica
TamanhoManto 2,5 a 4 m; comprimento total estimado 9 a 12 m
Peso400 a 500 kg (fêmeas maiores que machos)
Coresrosa-avermelhadomarrom-escurovermelho-escuro
Profundidade1.000 a 2.200 m (adultos); juvenis de 0 a 1.000 m
HabitatPelágico profundo, águas de -1,8 a 2 °C
AlimentaçãoPeixes antárticos, outras lulas e crustáceos
ReproduçãoOvípara, semélpara (desova única)
Expectativa de vida2 a 3 anos (estimativa)
Estado de conservaçãoPouco Preocupante (LC - IUCN)

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeMuito baixo
InteligênciaAlto
VelocidadeMédio
Capacidade de migraçãoBaixo
Importância para o ecossistema marinhoAlto

Como identificar a lula-colossal sem confundir com a lula-gigante

A confusão é comum, mas são animais diferentes. A lula-colossal é mais curta e muito mais pesada que a lula-gigante (Architeuthis dux), com corpo em forma de barril e manto largo. A gigante pode ser mais longa pelos tentáculos finos, mas a colossal vence em massa e volume.

Três marcas não deixam dúvida. Primeiro, os ganchos giratórios: em vez de ventosas apenas, os dois tentáculos longos têm 25 a 27 ganchos afiados que giram 360° e travam na presa. Segundo, os olhos enormes com fotóforo: são os maiores do reino animal, com até 27 cm e uma lente de 12 cm, e possuem um órgão luminoso embutido que funciona como farol. Terceiro, o manto musculoso e nadadeiras largas em forma de coração na extremidade.

A coloração em vida é rosa-avermelhada a marrom-escura, com pele lisa e sem as longas nadadeiras laterais da lula-gigante. O bico é preto, curvo e extremamente forte, proporcionalmente maior que o da maioria das lulas. Se o exemplar tem ganchos nos braços e não só ventosas com anéis denteados, é colossal.

Qual é o tamanho real e por que os números variam tanto

Nenhum adulto foi medido vivo e intacto em seu habitat. As estimativas vêm de poucos espécimes congelados e de bicos encontrados em estômagos de cachalotes. O consenso atual é manto de 2,5 a 4 m e comprimento total de 9 a 12 m incluindo tentáculos, com peso de 400 a 500 kg.

O recorde mais confiável é a fêmea capturada em 2007 pelo barco San Aspiring no Mar de Ross: 495 kg e manto de 2,5 m, hoje preservada no museu Te Papa, na Nova Zelândia. Era um animal imaturo, o que sugere que adultos totalmente crescidos podem passar de 500 kg. Machos são menores e mais leves.

Muita divulgação exagera para 14 m. Esse número vem de extrapolações com tentáculos esticados após a morte, quando o tecido elástico se deforma. Na nossa avaliação, usar peso e tamanho do manto é mais honesto que comprimento total, porque tentáculos podem dobrar ou esticar mais de 2 m dependendo da conservação.

Característica Lula-colossal Lula-gigante
Massa máxima 400 a 500 kg 150 a 275 kg
Manto 2,5 a 4 m, largo 2 a 2,25 m, alongado
Tentáculos Grossos, com ganchos giratórios Finos, só ventosas denteadas
Olhos Até 27 cm com fotóforo Até 27 cm sem fotóforo

Onde vive: o Oceano Austral em profundidade extrema

A lula-colossal é endêmica do Oceano Austral, o oceano circumpolar que rodeia a Antártica. Ocorre ao sul da Convergência Antártica, entre 58°S e 78°S, em águas de -1,8 a 2 °C. Não existe no Brasil nem em águas tropicais.

Adultos vivem na zona mesopelágica e batipelágica, de 1.000 a 2.200 m, onde a luz não chega. Juvenis ficam mais rasos, entre 0 e 1.000 m, e são ocasionalmente trazidos à superfície por correntes. Essa estratificação por idade explica por que a maioria dos registros são de jovens capturados incidentalmente na pesca de merluza-negra.

Ela não migra longas distâncias como baleias. Faz migração vertical diária curta: sobe algumas centenas de metros à noite para caçar e desce de dia para se esconder. É um animal pelágico, que nunca toca o fundo e flutua na coluna d’água com ajuda de cloreto de amônio no músculo, que a deixa neutramente flutuante.

Olhos, bico e ganchos: as armas recordistas

O olho da lula-colossal é um caso extremo de adaptação. Com 27 cm de diâmetro e pupila de 7 a 9 cm, capta o mínimo de bioluminescência a 1.000 m. Dentro dele há um fotóforo intrínseco, um órgão que produz luz própria para iluminar a presa sem denunciá-la a predadores distantes. Nenhum outro cefalópode tem essa combinação.

Os oito braços curtos têm ventosas com ganchos pequenos, mas os dois tentáculos longos são a arma principal. Cada um tem uma clava com duas fileiras de ganchos em forma de foice que giram sobre a base. Quando cravam, não soltam. Isso permite segurar peixes grandes e escorregadios como a merluza-negra-antártica (Dissostichus mawsoni), coberta de muco.

O bico quitinoso é proporcionalmente o maior entre as lulas e corta como tesoura. Estudos de bicos regurgitados por cachalotes mostram marcas de corte em vértebras de peixes de 2 m. É esse bico, e não os ganchos, que mata a presa antes da ingestão.

O que come e como caça no escuro absoluto

A dieta é baseada em peixes antárticos de profundidade, sobretudo merluza-negra e peixes-lanterna (Myctophidae), além de outras lulas como Galiteuthis e crustáceos como krill. É uma predadora de emboscada, não de perseguição.

A estratégia combina flutuação imóvel e ataque explosivo. Com metabolismo baixo para economizar energia no frio, ela paira com tentáculos estendidos e usa os olhos gigantes para detectar silhuetas contra a fraca luz de cima ou flashes bioluminescentes. Quando a presa passa, projeta os tentáculos em frações de segundo, crava os ganchos e traz até o bico.

Por sua vez, é presa importante para cachalotes e tubarões-dorminhocos-antárticos. Cerca de 77% da dieta dos cachalotes do Oceano Austral é composta por lulas colossais, estimada por bicos em estômagos. Essa relação predador-presa a torna peça central na transferência de energia das profundezas para mamíferos de superfície.

Reprodução e ciclo de vida: o grande mistério

Quase nada foi observado diretamente. Sabe-se que é semélpara: reproduz uma única vez e morre logo depois, como a maioria dos cefalópodes. Fêmeas produzem ovos grandes e em grande número, liberados em massa gelatinosa flutuante, enquanto machos transferem espermatóforos com um braço modificado (hectocótilo).

O crescimento é extremamente rápido. Análises de estatólitos (estruturas de equilíbrio) sugerem que atinge 400 kg em apenas 2 a 3 anos, um dos crescimentos mais acelerados entre animais de grande porte. Isso exige alimentação constante e explica a musculatura rica em amônio, mais leve e menos energética que músculo puro.

Filhotes são planctônicos e transparentes, com poucos milímetros, e descem gradualmente à medida que crescem. Nunca houve registro de acasalamento ou desova na natureza. O primeiro vídeo de um juvenil vivo em seu habitat só foi obtido em março de 2025, a 600 m no Atlântico Sul, pela expedição do Schmidt Ocean Institute, mostrando um exemplar de 30 cm translúcido.

A lula-colossal é perigosa para humanos?

Não. Não há nenhum registro de ataque a humanos. Vive a mais de 1.000 m, em águas isoladas da Antártica, onde mergulho humano é impossível sem submersível. Encontros só ocorrem quando pescadores de profundidade a trazem morta ou moribunda.

Em teoria, os ganchos e o bico poderiam causar ferimentos graves se um exemplar grande fosse manipulado sem cuidado no convés. Mas o animal fora d’água fica letárgico rapidamente pelo choque térmico e pela descompressão. O risco real é para a lula, não para a pessoa.

Também não é tóxica nem venenosa. Ao contrário do polvo-de-anéis-azuis, não possui toxinas salivares perigosas para humanos. Sua carne, porém, é intragável por causa do cloreto de amônio, que a torna amarga e com cheiro forte.

Estado de conservação e por que quase nunca a vemos

A IUCN classifica a lula-colossal como Pouco Preocupante (LC), com população considerada estável. A avaliação é baseada na ampla distribuição circumpolar e na ausência de declínio detectado, mas os dados são limitados porque a espécie é raramente amostrada.

As ameaças reais são indiretas. A pesca de merluza-negra com espinhel captura juvenis como fauna acompanhante, e a mudança climática que aquece o Oceano Austral pode alterar a disponibilidade de presas e a estratificação térmica. Poluição por plásticos em profundidade ainda é pouco estudada para cefalópodes antárticos.

Ver um exemplar vivo exige expedição científica com ROV ou submersível no Oceano Austral, sob licenças da CCAMLR (Comissão para Conservação dos Recursos Vivos Marinhos Antárticos). Turismo para observar não existe e não é recomendado tentar aproximação. A melhor forma de ajudar é apoiar pesquisa antártica e consumo responsável de pescado com certificação CCAMLR.

Curiosidades que só a lula-colossal tem

O sangue usa hemocianina à base de cobre, azulada, que funciona melhor que hemoglobina no frio extremo e em baixa oxigenação. Isso explica a coloração rosada quando o sangue oxigena a pele translúcida.

Seus olhos têm lente com fotóforo embutido e “farol” próprio, mas também possuem um anel de cartilagem com 12 a 14 dentículos que protegem o globo ocular da pressão. Nenhuma outra lula tem essa armadura ocular.

Ao morrer, o corpo incha rapidamente porque o cloreto de amônio se expande. Por isso, medidas de peso e comprimento feitas horas depois da captura podem variar até 15%, um erro comum em notícias sensacionalistas.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre lula-colossal e lula-gigante?

A colossal (Mesonychoteuthis hamiltoni) é mais pesada (400 a 500 kg) e tem ganchos giratórios; a gigante (Architeuthis dux) é mais longa e fina, com apenas ventosas denteadas.

Qual o tamanho da lula-colossal?

Manto de 2,5 a 4 m e comprimento total estimado de 9 a 12 m. O maior exemplar pesado com precisão tinha 495 kg.

Onde vive a lula-colossal?

Exclusivamente no Oceano Austral ao redor da Antártica, entre 1.000 e 2.200 m de profundidade em águas de -1,8 a 2 °C.

A lula-colossal é perigosa para humanos?

Não. Vive em profundidade extrema e nunca houve ataque. Só ofereceria risco se manuseada sem proteção no convés por causa dos ganchos e do bico.

O que a lula-colossal come?

Principalmente merluza-negra-antártica e peixes-lanterna, além de outras lulas e krill. Caça por emboscada usando olhos gigantes e tentáculos com ganchos.

A lula-colossal está em extinção?

Não. É classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estável, mas dados são escassos e depende da conservação do Oceano Austral.

Já filmaram uma lula-colossal viva?

Sim, mas só em 2025 foi obtido o primeiro vídeo de um juvenil de 30 cm a 600 m no Atlântico Sul. Adultos nunca foram filmados vivos em habitat natural.

Você sabia?

1

O maior olho do reino animal

O olho da lula-colossal mede até 27 cm e tem um fotóforo luminoso dentro do próprio globo ocular, que funciona como lanterna para caçar no escuro total a 1.000 m.

2

Ganchos que giram como chave de fenda

Os ganchos dos tentáculos não são fixos: eles giram 360° sobre a base e travam na presa como um arpão, diferente das ventosas denteadas da lula-gigante.

3

Quase invisível até 2025

Apesar de conhecida desde 1925, o primeiro vídeo de um juvenil vivo em habitat natural só foi registrado em março de 2025, a 600 m de profundidade, por um ROV no Atlântico Sul.

4

Presa favorita do cachalote

Bicos de lula-colossal representam até 77% do conteúdo estomacal de cachalotes do Oceano Austral, sendo sua principal fonte de alimento em águas antárticas.

Fontes

  1. IUCN Red List
  2. NOAA Fisheries
  3. WoRMS - World Register of Marine Species
  4. Museu Te Papa Tongarewa

Prós e contras: Lula-colossal

Prós

  • Maior invertebrado em massa, com adaptações únicas ao frio extremo
  • Olhos recordistas com fotóforo embutido, referência para estudos de visão
  • Peça central da cadeia alimentar antártica, alimento-chave do cachalote
  • Indicadora da saúde do Oceano Austral e das profundezas

Contras

  • Quase impossível de observar viva, com pouquíssimos espécimes para estudo
  • Crescimento rápido e vida curta dificultam estimativas populacionais
  • Vulnerável à captura incidental na pesca de merluza-negra
  • Sensível a mudanças de temperatura e acidificação do Oceano Austral
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a lula-colossal é o exemplo perfeito de como tamanho não é sinônimo de monstro: é um predador de emboscada lento e frágil fora do frio extremo. Seu valor está menos no sensacionalismo e mais no que revela sobre a vida em condições-limite do Oceano Austral.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.