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Golfinho-de-fraser

Lagenodelphis hosei

Atualizado em

2,0 a 2,7 mTamanho
160 a 210 kgPeso
18 a 20 anosExpectativa de vida
Oceânico tropical profundoHabitat
InofensivoPerigo para humanos
Golfinho-de-fraser nadando em oceano aberto mostrando corpo robusto e faixa escura lateral

O golfinho-de-fraser (Lagenodelphis hosei) é um dos golfinhos mais desconhecidos do mundo. Extremamente oceânico, vive longe da costa em águas tropicais profundas e só foi observado vivo pela primeira vez em 1971, embora seu crânio já fosse conhecido desde 1895.

Robusto, de bico muito curto e com uma faixa escura marcante que vai do olho à nadadeira, ele forma grupos que podem passar de 500 a 1.000 indivíduos. Rápido e acrobático quando está na superfície, passa a maior parte do tempo em mergulhos profundos atrás de peixes e lulas.

No Brasil, ocorre em águas oceânicas do Atlântico, mas avistamentos são raros e quase sempre durante travessias de mar aberto ou pesquisas embarcadas.

Também conhecido como: Golfinho-de-Sarawak, Golfinho de Fraser, Fraser's Dolphin (inglês), Dauphin de Fraser (francês), Delfín de Fraser (espanhol)

Faz parte de: Animais de Águas Profundas, Animais Marinhos do Brasil, Baleias e Golfinhos

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Galeria de fotos de Golfinho-de-fraser

Golfinho-de-fraser nadando em oceano aberto mostrando corpo robusto e faixa escura lateral
Golfinho-de-fraser em alto-mar, note o bico curtíssimo e a faixa escura do olho à nadadeira.
Close da cabeça do golfinho-de-fraser mostrando bico curto e faixa escura
Detalhe da cabeça: bico quase indistinto é a principal marca da espécie.
Detalhe da pele do golfinho-de-fraser com faixas de cor
Pele lisa com transição de cinza-escuro para creme no ventre.
Grupo de golfinhos-de-fraser nadando juntos em oceano profundo
Grupos de dezenas a centenas de indivíduos são típicos da espécie.
Golfinho-de-fraser caçando em profundidade
Caça peixes-lanterna e lulas em mergulhos de centenas de metros.
Golfinho-de-fraser na superfície do oceano
Na superfície aparece por poucos segundos entre mergulhos longos.

Perfil rápido de Golfinho-de-fraser

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécie de ampla distribuição oceânica com populações aparentemente grandes.

População
Desconhecida
Protegido por
Protegido no Brasil pela Portaria IBAMA 117/1996 e Lei 7.643/1987 que proíbe molestamento de cetáceos

Calendário

Reprodução (pico de nascimentos)JFMAMJJASOND
Maior chance de avistagem no Brasil (mar calmo)JFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
18 a 20 anos
Maturidade sexual
7 a 10 anos

Reprodução

Tipo de reprodução
Vivípara
Gestação
10 a 12 meses
Filhotes por gestação
1 filhote de 1 a 1,1 m
Sazonalidade
Ano todo, com pico na primavera-verão

Habitat

Ambientes

  • Oceano aberto pelágico
  • Águas tropicais profundas de 500 a 1.000 m
  • Entorno de ilhas oceânicas com talude abrupto

Biomas

  • Oceano Atlântico
  • Oceano Pacífico
  • Oceano Índico

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Peixes mesopelágicos (peixes-lanterna Myctophidae)
  • Lulas oceânicas
  • Crustáceos pelágicos

Outros alimentos

  • Peixes da família Sternoptychidae
  • Camarões de profundidade

Encontrado em 10 países

  • Brasil
  • Estados Unidos
  • México
  • Colômbia
  • África do Sul
  • Filipinas
  • Japão
  • Austrália
  • Sri Lanka
  • Senegal

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Mammalia
Ordem
Artiodactyla
Família
Delphinidae
Gênero
Lagenodelphis
Espécie
Lagenodelphis hosei

Resumo

  • O golfinho-de-fraser é um mamífero oceânico de 2 a 2,7 m que vive em águas tropicais profundas e forma supergrupos de centenas de indivíduos.
  • É identificado pelo bico curtíssimo, corpo robusto e faixas escuras laterais que lembram um contorno desenhado do olho à nadadeira.
  • No Brasil é raramente avistado em alto-mar, não oferece perigo para humanos e é classificado como Pouco Preocupante pela IUCN, mas sofre com captura acidental e poluição.

Características

Ficha da espécie

GrupoMamífero
OrdemArtiodactyla (Cetacea)
FamíliaDelphinidae
Origem e distribuiçãoOceanos tropicais entre 30°N e 30°S, águas oceânicas profundas
Tamanho2,0 a 2,7 m (fêmeas menores que machos)
Peso160 a 210 kg
Corescinza-escurocinza-clarocremebrancopreto
Profundidade500 a 1.000 m, raramente na plataforma continental
HabitatPelágico oceânico, águas profundas e quentes
AlimentaçãoPeixes mesopelágicos, lulas e crustáceos
ReproduçãoVivípara, 1 filhote por gestação de 10 a 12 meses
Expectativa de vida18 a 20 anos na natureza
Estado de conservaçãoPouco Preocupante (LC - IUCN)

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeMuito alto
InteligênciaMuito alto
VelocidadeAlto
Capacidade de migraçãoMédio
Importância para o ecossistema marinhoMédio

Como identificar o golfinho-de-fraser sem confundir

O golfinho-de-fraser é atarracado e de bico extremamente curto, quase inexistente comparado a outros golfinhos. Essa é a marca que mais ajuda na identificação à distância.

O corpo é robusto, com coloração em três faixas: dorso cinza-escuro a marrom-acinzentado, flancos cinza-claro e ventre creme a branco-rosado. Uma linha escura grossa vai do bico ao olho e do olho à nadadeira peitoral, como se fosse um contorno com caneta. Outra faixa escura mais fina corre ao longo do flanco.

As nadadeiras peitorais são pequenas e pontudas, a dorsal é alta, falcada e bem ereta. Adultos medem de 2,0 a 2,7 m e pesam entre 160 e 210 kg. Filhotes nascem com cerca de 1 m.

Diferenças para golfinhos parecidos

Muita gente confunde com o golfinho-pintado e o golfinho-listrado, mas o fraser tem bico muito menor e corpo mais encorpado. Veja o comparativo:

Característica Golfinho-de-fraser Golfinho-pintado-pantropical
Bico Curtíssimo, quase indistinto Longo e fino
Faixa lateral Faixa escura larga olho-nadadeira Manchas e pintas claras pelo corpo
Tamanho do grupo 100 a 1.000 indivíduos 10 a 50 indivíduos
Habitat Oceânico profundo Oceânico e costeiro

Onde vive: o golfinho mais oceânico do Atlântico

O golfinho-de-fraser é um dos cetáceos mais pelágicos que existem. Vive em águas tropicais e subtropicais entre 30°N e 30°S, nos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico, sempre longe da costa.

Prefere profundidades de 500 a 1.000 m e temperatura da água acima de 24°C. Raramente entra na plataforma continental e, quando aparece perto de ilhas oceânicas, é porque a profundidade cai abruptamente, como em Fernando de Noronha ou no Arquipélago de São Pedro e São Paulo.

No Brasil, os registros confirmados são de alto-mar do Nordeste e Sudeste, além de encalhes raros. A espécie não é residente costeira: aparece em travessias oceânicas e cruzeiros de pesquisa, o que explica por que poucos brasileiros já a viram.

O que come e como caça em profundidade

A dieta é baseada em presas mesopelágicas, aquelas que vivem na zona de penumbra do oceano. O cardápio principal inclui peixes-lanterna (Myctophidae), lulas pequenas e camarões pelágicos.

Ele caça em mergulhos que podem passar de 300 a 500 m de profundidade, onde a luz já não chega. Usa a ecolocalização para localizar cardumes no escuro e costuma se alimentar à noite, quando as presas sobem para camadas mais rasas na migração vertical diária.

Em grupos grandes, a caça é coordenada. O bando se espalha em linha e encurrala o cardume, facilitando a captura. Essa estratégia explica por que precisa de grupos tão numerosos: mais olhos e sonares trabalhando juntos.

Comportamento: grupos gigantes e natação explosiva

Se tem algo que distingue o golfinho-de-fraser é a sociabilidade extrema. Grupos de 100 a 500 animais são comuns, e já foram documentados supergrupos de mais de 1.000 indivíduos nas Filipinas e no Caribe.

Na superfície, é rápido, barulhento e muito ativo. Nada em formação cerrada, faz corrida em proa (bow-riding) por poucos segundos e pode saltar baixo com respingos fortes. Quando assustado, o grupo inteiro explode em corrida sincronizada, levantando muita espuma.

Também é conhecido por se associar a outras espécies, como golfinhos-de-dentes-rugosos, baleias-piloto e cachalotes-anões. Essa mistura de espécies em alto-mar ainda intriga pesquisadores.

  • Muito arisco a barcos pequenos, mas pode se aproximar de navios grandes em mar calmo.
  • Vocaliza muito: assobios e cliques agudos são constantes quando o grupo está coeso.
  • Mergulhos longos de 5 a 10 minutos intercalados com respiros rápidos na superfície.

Reprodução e ciclo de vida

A reprodução é vivípara com gestação de 10 a 12 meses e nascimento de um único filhote. Não há estação reprodutiva rígida nos trópicos, mas há pico de nascimentos na primavera e no verão austral.

Filhotes nascem com cerca de 1 a 1,1 m e 25 a 30 kg e mamam por pelo menos 12 meses. A maturidade sexual chega entre 7 e 10 anos, quando atingem cerca de 2,1 m.

As fêmeas têm intervalo de 2 a 3 anos entre gestações, o que torna a recuperação populacional lenta se houver mortalidade alta em redes. A estrutura social parece ser de bandos fluidos, sem haréns fixos, com fêmeas e filhotes no centro do grupo para proteção.

É perigoso para humanos?

Não. O golfinho-de-fraser é inofensivo para pessoas. Não há registro de ataques, e a espécie evita contato próximo. É um animal de alto-mar que raramente se aproxima de banhistas ou mergulhadores.

O risco real é o oposto: humanos são perigosos para ele. Como vive em áreas de pesca oceânica, pode se enroscar em redes de emalhe e espinhel. Ruído de navios e prospecção sísmica também atrapalham a ecolocalização.

Em passeios de observação, o manejo correto é não perseguir, não tentar nadar com o grupo e manter distância mínima de 100 m, conforme a legislação brasileira para cetáceos. Se o grupo mudar de direção ou acelerar, é sinal de incômodo.

Ameaças e estado de conservação

A IUCN classifica o golfinho-de-fraser como Pouco Preocupante (LC), pela distribuição ampla e populações aparentemente grandes. Mas o status esconde um problema: quase não há estimativas populacionais confiáveis justamente por ser tão oceânico.

As principais ameaças são captura acidental em redes de pesca oceânica, poluição por plástico e contaminantes químicos, ruído submarino e mudanças climáticas que alteram a distribuição de lulas e peixes-lanterna.

No Pacífico tropical, já foi capturado em pescarias de atum com rede de cerco. No Brasil, o risco maior está na pesca de espinhel pelágico e no aumento do tráfego marítimo em rotas oceânicas. Como encalhes são raros, muitos impactos passam despercebidos.

Onde observar com responsabilidade no Brasil

Ver um golfinho-de-fraser no Brasil é sorte grande e exige ir para mar aberto. Não é espécie de passeio costeiro. As melhores chances são em expedições pelágicas saindo de Natal, Recife, Salvador ou Santos, com equipes que navegam 50 a 200 milhas da costa.

Operadores sérios seguem regras do ICMBio e da Portaria IBAMA 117/1996: não cercar o grupo, não alimentar, manter motor em neutro quando os animais se aproximam e limitar o tempo de observação a 30 minutos.

Se você avistar um grupo, não entre na água para tentar nadar junto. A melhor experiência é observar o nado sincronizado e ouvir os sopros coletivos. Fotos de nadadeira dorsal ajudam pesquisadores a identificar indivíduos.

Curiosidades que pouca gente sabe

O golfinho-de-fraser foi descrito a partir de um crânio encontrado em Sarawak, Bornéu, em 1895, e permaneceu como um fantasma por 75 anos. Só em 1971 um exemplar vivo foi identificado com segurança no mar.

Ele é o único integrante do gênero Lagenodelphis, criado só para ele. Isso mostra o quanto é distinto geneticamente dos golfinhos do gênero Lagenorhynchus e Stenella, com quem já foi confundido.

Apesar do nome, não tem relação direta com o rio Fraser. O nome homenageia o cientista Francis Charles Fraser, do Museu Britânico, e não uma localidade.

Em inglês, pescadores o chamam de “Sarawak dolphin” justamente pela origem do primeiro crânio, e no mar ele é apelidado de “golfinho que ferve o mar” quando o supergrupo corre junto e deixa a superfície toda branca de espuma.

Perguntas frequentes

Golfinho-de-fraser é perigoso para humanos?

Não. É inofensivo, arisco e vive em alto-mar. Não há registros de ataques e ele evita aproximação com pessoas.

Qual o tamanho do golfinho-de-fraser?

Adultos medem de 2,0 a 2,7 m e pesam de 160 a 210 kg, com fêmeas um pouco menores que os machos.

Onde o golfinho-de-fraser vive no Brasil?

Em águas oceânicas profundas do Atlântico, longe da costa, com registros no Nordeste e Sudeste e perto de ilhas oceânicas como Fernando de Noronha.

O que o golfinho-de-fraser come?

Principalmente peixes-lanterna, lulas e crustáceos mesopelágicos que captura em mergulhos de centenas de metros.

Quantos filhotes o golfinho-de-fraser tem?

Apenas um por gestação, que dura de 10 a 12 meses, com intervalo de 2 a 3 anos entre crias.

Por que ele forma grupos tão grandes?

Grupos de 100 a 1.000 indivíduos ajudam na caça coordenada, na proteção contra predadores como orcas e na manutenção do contato acústico em oceano aberto.

É possível ver golfinho-de-fraser em passeio de barco comum?

É muito difícil. Só em expedições pelágicas a dezenas de milhas da costa, com mar calmo e equipe especializada.

Você sabia?

1

Ficou 75 anos invisível

Descrito em 1895 por um crânio achado em Sarawak, o golfinho-de-fraser só foi visto vivo em 1971. Por décadas os cientistas acharam que era uma espécie extinta ou um híbrido.

2

Gênero só dele

É o único membro do gênero Lagenodelphis. Seu DNA mostra que está isolado evolutivamente, não sendo parente próximo dos golfinhos-pintados com quem nada junto.

3

Bico mais curto entre os golfinhos oceânicos

O rostro mede apenas 3 a 5 cm de projeção visível, o menor proporcionalmente entre os Delphinidae de alto-mar, o que lhe dá cara de filhote mesmo quando adulto.

4

Ferve o mar quando corre

Supergrupos de 500 a 1.000 indivíduos nadando em sincronia levantam uma faixa de espuma de dezenas de metros, visível até de avião e chamada por observadores de “água fervendo”.

Fontes

  1. IUCN Red List
  2. NOAA Fisheries
  3. WoRMS - World Register of Marine Species
  4. ICMBio - Instituto Chico Mendes

Prós e contras: Golfinho-de-fraser

Prós

  • Forma supergrupos impressionantes de centenas de animais
  • Totalmente inofensivo e sem risco para banhistas
  • Indicador de oceano saudável e pouco impactado
  • Comportamento acrobático e nado sincronizado muito fotogênico
  • Distribuição ampla em todos os oceanos tropicais

Contras

  • Quase impossível de ver sem expedição oceânica cara e longa
  • Vulnerável a captura acidental em pesca de alto-mar
  • Poucos dados populacionais dificultam a conservação
  • Sensível a ruído submarino e tráfego intenso de navios
  • Baixa taxa reprodutiva com apenas um filhote a cada 2 a 3 anos
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o golfinho-de-fraser é o exemplo perfeito de como o oceano profundo ainda guarda mamíferos quase invisíveis: não é raro, é só extremamente difícil de ver. Sua conservação depende menos de protegê-lo na praia e mais de regular a pesca e o ruído em alto-mar, onde quase ninguém está olhando.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.