🐋 Animais Marinhos

Krill

Euphausia superba

Atualizado em

1 a 6 cm (até 6 cm)Tamanho
0,5 a 2 gPeso
5 a 7 anosExpectativa de vida
Oceano pelágicoHabitat
NenhumPerigo para humanos
Krill-antártico de corpo inteiro nadando na coluna d'água com corpo translúcido rosado

O krill não é uma espécie única, mas todo um grupo de crustáceos da ordem Euphausiacea, com 86 espécies descritas. O mais famoso é o krill-antártico (Euphausia superba), um animal semitransparente de até 6 cm que vive em enxames tão densos que podem ser vistos do espaço e que representa a maior biomassa animal do planeta.

Apesar do tamanho discreto, ele é a base da cadeia alimentar antártica. Baleias-azuis, pinguins, focas, lulas e peixes dependem diretamente dele, e seu comportamento de migração vertical e bioluminescência o torna um dos organismos mais importantes para o ciclo do carbono nos oceanos.

Também conhecido como: Kril, Krill-antártico, Eufausídeo, Antarctic krill (inglês), Krill antarctique (francês)

Faz parte de: Animais de Águas Profundas, Crustáceos Marinhos

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Galeria de fotos de Krill

Krill-antártico de corpo inteiro nadando na coluna d'água com corpo translúcido rosado
Krill-antártico (Euphausia superba), crustáceo pelágico de até 6 cm.
Close da cabeça e olhos do krill mostrando olhos pretos grandes e antenas
Detalhe da cabeça com olhos compostos e fotóforos luminosos.
Detalhe da textura do exoesqueleto e pernas filtradoras do krill
Pernas torácicas plumosas que filtram fitoplâncton e funcionam como brânquias.
Enorme enxame de krill no oceano aberto com milhares de indivíduos
Superenxame de krill, que pode reunir milhões de toneladas.
Krill realizando migração vertical ao entardecer em direção à superfície
Migração vertical diária entre profundidade e superfície.
Krill juvenil em estágio de larva furcilia translúcido na água
Larva furcilia, estágio intermediário até a forma adulta.
Krill sob o gelo marinho antártico se alimentando de algas do gelo
Abrigo e alimentação sob o gelo marinho no inverno antártico.

Perfil rápido de Krill

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Euphausia superba avaliada como LC; ordem Euphausiacea como um todo Não Avaliada.

População
Estável globalmente, em declínio regional na Península Antártica
Protegido por
Manejo internacional pela CCAMLR; sem proteção específica no Brasil

Calendário

Reprodução (Antártica)JFMAMJJASOND
Maior abundância superficialJFMAMJJASOND
Migração vertical diáriaJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica, mas carapaça acumula flúor em níveis altos se consumida sem processamento

O risco não é por veneno, e sim por flúor no exoesqueleto. Óleo e farinha industrializados são seguros quando processados.

Vida útil

Na natureza
5 a 7 anos (E. superba até 11 anos em águas muito frias)
Em laboratório
Até 6 anos com alimentação controlada

Reprodução

Tipo de reprodução
Ovípara com fecundação externa e desova livre
Época reprodutiva
Verão austral (dezembro a março) na Antártica; variável em regiões tropicais
Número de ovos
2.000 a 10.000 por desova, até 3 desovas por temporada
Desenvolvimento
Ovos afundam a 700-1.000 m; larvas sobem por 2-3 semanas até a superfície
Maturidade sexual
2 a 3 anos

Habitat

Ambientes

  • Oceano pelágico
  • Zona epipelágica (0-200 m)
  • Zona mesopelágica (200-1.000 m)
  • Borda do gelo marinho antártico

Biomas

  • Mar aberto
  • Oceano Antártico
  • Zona pelágica tropical e subtropical

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Fitoplâncton (diatomáceas)
  • Microalgas do gelo marinho

Outros alimentos

  • Zooplâncton
  • Detritos orgânicos
  • Ovos e larvas de outros organismos

Encontrado em 12 países

  • Antártica
  • Chile
  • Argentina
  • África do Sul
  • Austrália
  • Nova Zelândia
  • Noruega
  • Japão
  • Coreia do Sul
  • Estados Unidos
  • Reino Unido
  • Brasil

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Malacostraca
Ordem
Euphausiacea
Família
Euphausiidae
Gênero
Euphausia
Espécie
Euphausia superba (espécie-referência)

Resumo

  • O krill é um crustáceo pelágico de 1 a 6 cm que vive em superenxames no oceano aberto, com destaque para o krill-antártico da ordem Euphausiacea.
  • Alimenta-se filtrando fitoplâncton e realiza migração vertical diária, além de produzir luz própria por fotóforos e servir de base alimentar para baleias e pinguins.
  • Não oferece perigo para humanos, mas enfrenta ameaças de mudanças climáticas e pesca industrial, sendo monitorado pela CCAMLR na Antártica.

Características

Ficha da espécie

GrupoCrustáceo
OrdemEuphausiacea
FamíliaEuphausiidae (principal)
Origem e distribuiçãoTodos os oceanos; maior biomassa no Oceano Antártico circumpolar
Tamanho1 a 6 cm (Euphausia superba até 6 cm)
Peso0,5 a 2 g por indivíduo
CoresTransparenterosadoavermelhadoalaranjado
Profundidade0 a 3.000 m (mais comum entre 0 e 200 m)
HabitatPelágico oceânico, epipelágico e mesopelágico
AlimentaçãoFiltradora: fitoplâncton (diatomáceas), zooplâncton e detritos
ReproduçãoOvípara com desova livre; até 10.000 ovos por ciclo
Expectativa de vida5 a 7 anos (até 11 em águas frias)
Estado de conservaçãoNão Avaliado para a ordem; E. superba: Pouco Preocupante (LC)

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeMuito alto
InteligênciaMuito baixo
VelocidadeBaixo
Capacidade de migraçãoAlto
Importância para o ecossistema marinhoMuito alto

O que é o krill e como identificá-lo

O krill não é um camarão, embora pareça. É um crustáceo da ordem Euphausiacea, distante de camarões e lagostas, com corpo segmentado, exoesqueleto fino e quase transparente.

A identificação é direta: corpo alongado e translúcido com tons rosados ou avermelhados, olhos pretos grandes e bem evidentes, e apêndices torácicos plumosos chamados toracópodes. Esses apêndices formam uma cesta filtradora e também funcionam como brânquias.

Outro detalhe exclusivo são os fotóforos, órgãos que emitem luz esverdeada na barriga, nas laterais e perto dos olhos. Nenhum camarão verdadeiro tem esse sistema de bioluminescência tão organizado.

O tamanho varia conforme a espécie. Espécies tropicais têm 1 a 2 cm, enquanto o krill-antártico (Euphausia superba) chega a 6 cm e 2 g. A fêmea costuma ser ligeiramente maior que o macho.

Onde vive: distribuição global e profundidade

Krill existe em todos os oceanos, do Ártico à Antártica, mas a abundância é desigual. Cerca de 70% da biomassa global está no Oceano Antártico circumpolar, ao redor do continente antártico.

No Brasil, ocorrem espécies de águas quentes e oceânicas, como Euphausia americana e Thysanopoda spp., mais comuns no talude e em alto-mar, longe da costa, entre o Nordeste e o Sul. Não formam os superenxames antárticos.

É um animal pelágico, que vive na coluna d’água sem contato com o fundo. Durante o dia fica entre 50 e 200 m e à noite sobe para a superfície. Algumas espécies descem a até 3.000 m na fase de ovo.

Como vive em enxames gigantes: comportamento e migração vertical

O traço mais marcante é a sociabilidade extrema. Krill forma enxames com 10 mil a 30 mil indivíduos por metro cúbico, que podem se estender por quilômetros e conter milhões de toneladas.

Esses enxames não são aleatórios. Os animais nadam sincronizados, mantendo distância precisa com as antenas e a visão. Essa coordenação confunde predadores e aumenta a eficiência de filtração.

Todo dia acontece a migração vertical diária: sobem ao entardecer para se alimentar de fitoplâncton na superfície e descem ao amanhecer para escapar de predadores visuais. O deslocamento pode passar de 100 m em poucas horas.

Em inverno antártico, quando o gelo cobre o mar, o krill se abriga sob o gelo marinho e raspa algas congeladas com as pernas filtradoras. Essa adaptação explica sua sobrevivência em águas de -1,8 °C.

O que come e por que brilha no escuro

A dieta é principalmente fitoplâncton, sobretudo diatomáceas, filtradas da água com a cesta torácica. Também consome pequenos zooplâncton, ovos de peixes e detritos orgânicos.

O estômago tem uma moela com dentes quitinosos que tritura as carapaças de diatomáceas. É um sistema raro entre crustáceos planctônicos e permite aproveitar sílica e lipídios com alta eficiência.

A bioluminescência vem dos fotóforos, que produzem luz por reação química com luciferina. A função mais aceita é a de contrailuminação: emitir luz ventral para apagar a própria sombra quando visto de baixo, camuflando-se contra a luz da superfície.

Essa luz também pode ter papel em comunicação dentro do enxame durante a noite, mantendo a coesão do grupo no escuro.

Reprodução e ciclo de vida: o ovo que afunda

A reprodução é por desova livre na água, sem cuidado parental. Na Antártica ocorre no verão austral, de dezembro a março, quando há explosão de fitoplâncton.

A fêmea libera até 10.000 ovos por desova, que afundam lentamente até 700 a 1.000 m. Durante a descida, o embrião se desenvolve e eclode como náuplio, uma larva minúscula com um olho só.

A larva então inicia uma ascensão de desenvolvimento: passa por estágios de calyptopis e furcilia enquanto sobe de volta à superfície, levando 2 a 3 semanas. Só perto dos 30 dias ela já se parece com um krill adulto em miniatura.

O crescimento é por mudas sucessivas. Em períodos de fome, o krill-antártico pode encolher de tamanho após a muda, algo raríssimo no reino animal, para economizar energia até a próxima floração de algas.

Por que o krill é a base da vida na Antártica

Nenhum outro animal transfere tanta energia na Antártica. A biomassa de Euphausia superba é estimada entre 300 e 500 milhões de toneladas, maior que a de qualquer outro animal do planeta.

Uma baleia-azul consome até 4 toneladas de krill por dia durante a alimentação. Pinguins-de-Adélia, focas-caranguejeiras, albatrozes, lulas e peixes-marmota também dependem dele quase exclusivamente.

Além da cadeia alimentar, o krill é um motor do ciclo do carbono. Suas fezes ricas em carbono afundam rapidamente, levando carbono da superfície para o fundo. Estima-se que enxames antárticos sequestrem cerca de 23 milhões de toneladas de carbono por ano.

Quando o krill diminui, todo o ecossistema sente. Anos com menos gelo marinho e menos krill coincidem com fracasso reprodutivo de pinguins e focas na Península Antártica.

É perigoso para humanos? Consumo e toxicidade

O krill não é perigoso para humanos. Não morde, não pica, não tem veneno e não ataca. O contato direto só ocorre em pesca científica ou industrial.

Para consumo, o cuidado é outro. O exoesqueleto acumula flúor em níveis altos, que pode ser tóxico se o animal for comido inteiro e sem processamento. Por isso, produtos de krill para humanos passam por remoção da carapaça.

O krill é pescado para óleo rico em ômega-3 fosfolipídico e astaxantina, além de farinha para aquicultura. No Brasil, o consumo direto é raro e o óleo é vendido como suplemento, não como alimento in natura.

A pesca é altamente regulada. Na Antártica, a CCAMLR estabelece cotas precautórias de cerca de 5,6 milhões de toneladas, mas a captura real fica em torno de 400 mil toneladas anuais, para evitar colapso do ecossistema.

Ameaças, pesca e conservação

A maior ameaça não é a pesca, e sim o clima. O aquecimento reduz o gelo marinho, berçário do krill, e a acidificação dificulta a formação de seu exoesqueleto.

Na Península Antártica, a densidade de krill caiu cerca de 80% desde a década de 1970 em algumas áreas, segundo séries de monitoramento. A recuperação é lenta porque o ciclo de vida é longo.

A pesca industrial, concentrada em poucos países, compete exatamente onde baleias e pinguins se alimentam. Por isso, há pressão para criar áreas marinhas protegidas e fechar áreas de pesca em torno de colônias de pinguins.

Para a IUCN, Euphausia superba é classificada como Pouco Preocupante (LC), mas a avaliação ressalta que a tendência depende da manutenção do gelo e do manejo da CCAMLR. A ordem como um todo é Não Avaliada.

Krill x camarão: diferenças que importam

Muita gente confunde, mas a anatomia entrega. Krill tem brânquias expostas sob o caparazão e fotóforos luminosos; camarões têm brânquias protegidas e nunca brilham.

Outra diferença é o comportamento: camarões são mais bentônicos ou nadadores solitários, enquanto krill é obrigatoriamente gregário e pelágico, incapaz de viver isolado por muito tempo.

Característica Krill Camarão
Ordem Euphausiacea Decapoda
Brânquias Expostas e plumosas Protegidas na câmara branquial
Bioluminescência Presente (fotóforos) Ausente na maioria
Vida social Super-enxames Solitário ou pequenos grupos

Onde observar com responsabilidade

Não há mergulho com krill como há com golfinhos. A observação ocorre em cruzeiros antárticos e expedições científicas, onde a água fica rosada de tão densa em krill.

No Brasil, o krill só aparece em coletas de plâncton em alto-mar feitas por universidades e pelo programa Antártico Brasileiro. Não é visível em praias ou recifes costeiros.

Se viajar à Antártica, escolha operadores certificados pela IAATO, que seguem regras de distância de fauna e proibição de descarte. Nunca tente coletar, tocar ou iluminar enxames com luz forte, que desorienta o comportamento.

Perguntas frequentes

Krill é camarão?

Não. Krill é da ordem Euphausiacea, com brânquias expostas e fotóforos luminosos. Camarão é Decapoda, sem bioluminescência e com brânquias protegidas.

Qual o tamanho do krill?

A maioria tem 1 a 2 cm. O krill-antártico (Euphausia superba) chega a 6 cm e pesa até 2 g.

Krill é perigoso para humanos?

Não. Não morde, não tem veneno e não ataca. O único cuidado é não comer a carapaça sem processamento por causa do flúor acumulado.

Onde o krill vive no Brasil?

Em alto-mar, em águas oceânicas e profundas do talude, não na praia. As grandes concentrações ficam no Oceano Antártico.

O que o krill come?

Principalmente fitoplâncton, sobretudo diatomáceas, além de microalgas do gelo, zooplâncton e detritos.

Quanto tempo vive um krill?

De 5 a 7 anos em média, podendo chegar a 11 anos em águas antárticas muito frias.

Por que o krill é tão importante?

É a base da cadeia alimentar antártica e um importante sequestrador de carbono, alimentando baleias, focas, pinguins e peixes e levando carbono para o fundo do oceano.

Você sabia?

1

Encolhe quando passa fome

Em jejum prolongado, o krill-antártico pode reduzir o próprio corpo a cada muda, voltando a crescer quando o alimento retorna, estratégia quase única entre crustáceos.

2

Fezes que combatem o aquecimento

As pelotas fecais do krill são densas e afundam até 300 metros por dia, levando carbono para o fundo e ajudando a sequestrar cerca de 23 milhões de toneladas de carbono ao ano.

3

Visível do espaço

Superenxames de Euphausia superba podem cobrir mais de 100 km² e deixar a superfície do mar avermelhada, a ponto de serem detectados por satélites.

4

Coração que brilha

Além dos fotóforos do corpo, algumas espécies têm órgãos luminosos tão próximos ao coração que o brilho parece pulsar junto com os batimentos.

Fontes

  1. NOAA Fisheries - Antarctic Krill
  2. IUCN Red List - Euphausia superba
  3. WoRMS - World Register of Marine Species
  4. CCAMLR - Commission for the Conservation of Antarctic Marine Living Resources

Prós e contras: Krill

Prós

  • Base da cadeia alimentar oceânica e do ecossistema antártico
  • Maior biomassa animal do planeta, essencial para baleias e pinguins
  • Importante no ciclo do carbono e no sequestro de CO₂
  • Fonte de ômega-3 fosfolipídico e astaxantina para pesquisa
  • Indicador sensível de saúde do oceano e das mudanças climáticas

Contras

  • Vulnerável à redução do gelo marinho e à acidificação
  • Pesca concentrada compete com predadores naturais
  • Acumula flúor na carapaça, exigindo processamento para consumo
  • Declínio regional já observado na Península Antártica
  • Difícil de observar ou criar fora do ambiente pelágico natural
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o krill é o animal marinho mais subestimado: invisível a olho nu para a maioria, mas sem ele não haveria baleias, pinguins nem pesca antártica. Protegê-lo é mais eficaz que proteger cada predador isoladamente, e o manejo da Antártica deveria priorizar o gelo marinho, não apenas cotas de pesca.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.