🐋 Animais Marinhos

Foca-da-groenlândia

Pagophilus groenlandicus

Atualizado em

1,6 a 1,9 mTamanho
120 a 140 kgPeso
30 a 35 anosExpectativa de vida
Gelo marinho do Atlântico NorteHabitat
Muito baixoPerigo para humanos
Foca-da-groenlândia adulta nadando sob o gelo marinho, com mancha em forma de harpa visível

A foca-da-groenlândia é um mamífero marinho do gelo do Atlântico Norte e do Ártico, famosa pela mancha escura em forma de harpa nas costas dos adultos e pelo filhote branco como neve. Passa quase toda a vida entre o gelo marinho e o mar aberto, formando colônias enormes na época de reprodução.

É uma das focas mais numerosas do mundo, com cerca de 7,6 milhões de indivíduos, e se destaca pelo desmame ultrarrápido: em apenas 12 dias o filhote triplica de peso com um leite com quase 50% de gordura. Excelente mergulhadora e migradora, percorre milhares de quilômetros por ano seguindo o gelo e os cardumes.

Também conhecido como: Foca-da-groenlândia, Foca harpa, Foca-de-crista-da-groenlândia, Harp seal (inglês), Phoque du Groenland (francês)

Explore a wiki

Galeria de fotos de Foca-da-groenlândia

Foca-da-groenlândia adulta nadando sob o gelo marinho, com mancha em forma de harpa visível
Adulto com a característica mancha em forma de harpa sobre o dorso cinza-prateado.
Close da cabeça da foca-da-groenlândia mostrando focinho estreito e cabeça preta
Cabeça preta e focinho estreito, traços que distinguem a espécie.
Detalhe da pelagem da foca-da-groenlândia com textura cinza e mancha preta
Pelagem curta e densa, impermeável após a muda do filhote.
Mãe e filhote branco de foca-da-groenlândia sobre o gelo marinho
Fêmea com filhote whitecoat durante os 12 dias de amamentação no gelo.
Filhote juvenil de foca-da-groenlândia na fase beater com pelagem cinza manchada
Juvenil em fase beater, após perder a pelagem branca.
Grande colônia de focas-da-groenlândia reunidas no gelo para reprodução
Colônia de cria com milhares de fêmeas e filhotes no gelo sazonal.

Perfil rápido de Foca-da-groenlândia

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População global grande e atualmente estável, mas dependente de gelo marinho.

População
estável
Protegido por
Caça regulamentada por cotas no Canadá, Noruega e Rússia; caça de filhote branco proibida desde 1987 no Canadá

Calendário

Reprodução e nascimentoJFMAMJJASOND
AcasalamentoJFMAMJJASOND
Muda de peloJFMAMJJASOND
Migração para o norte (alimentação)JFMAMJJASOND
Migração para o sul (formação do gelo)JFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
30 a 35 anos
Maturidade
5 a 8 anos conforme o sexo

Reprodução

Gestação
11,5 meses com diapausa embrionária
Ninhada
1 filhote por ano
Época de cria
Final de fevereiro a março sobre o gelo
Desmame
12 dias, o mais curto entre as focas
Muda anual
Abril a maio, em grupos sobre o gelo

Habitat

Ambientes

  • Gelo marinho sazonal (pack ice)
  • Mar aberto pelágico e costeiro frio

Biomas

  • Oceano Ártico
  • Atlântico Norte

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Capelim
  • Arenque
  • Bacalhau-polar
  • Krill

Outros alimentos

  • Anfípodes
  • Lulas pequenas
  • Outros peixes pelágicos

Encontrado em 6 países

  • Canadá
  • Noruega
  • Rússia
  • Dinamarca (Groenlândia)
  • Islândia
  • Estados Unidos (Alasca)

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Mammalia
Ordem
Carnivora
Família
Phocidae
Gênero
Pagophilus
Espécie
Pagophilus groenlandicus

Resumo

  • A foca-da-groenlândia é reconhecida pela mancha preta em forma de harpa e pelo filhote de pelagem branca que vive sobre o gelo marinho do Atlântico Norte.
  • Forma colônias de milhares de indivíduos, migra longas distâncias e mergulha até 275 metros para caçar capelim, arenque e krill.
  • Está classificada como Pouco Preocupante pela IUCN, mas depende do gelo estável e sofre com mudanças climáticas, caça e capturas acidentais.

Características

Ficha da espécie

GrupoMamífero
OrdemCarnivora
FamíliaPhocidae (focas-verdadeiras)
Origem e distribuiçãoAtlântico Norte e Ártico: Canadá, Groenlândia, Noruega, Rússia e Islândia
Tamanho1,6 a 1,9 m (fêmeas ligeiramente menores)
Peso120 a 140 kg, até 180 kg antes da muda
Coresbrancocinza-clarocinza-escuropreto
Profundidade0 a 275 m, mergulhos comuns entre 10 e 50 m
HabitatGelo marinho sazonal e mar aberto pelágico
AlimentaçãoCapelim, arenque, bacalhau-polar e krill
ReproduçãoVivípara, 1 filhote por ano, gestação de 11,5 meses
Expectativa de vida30 a 35 anos na natureza
Estado de conservaçãoPouco Preocupante (LC - IUCN)

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeMuito alto
InteligênciaAlto
VelocidadeAlto
Capacidade de migraçãoMuito alto
Importância para o ecossistema marinhoAlto

Como identificar a foca-da-groenlândia

A foca-da-groenlândia adulta é inconfundível quando vista de cima. O pelo cinza-prateado com duas manchas pretas que se juntam no dorso formando um desenho de harpa ou ferradura só aparece nos adultos com mais de 4 a 5 anos. Antes disso, o animal passa por várias pelagens.

Filhotes nascem com o famoso whitecoat: pelagem branca, longa e lanosa que dura cerca de 12 dias. Depois viram greycoat (cinza manchado), ragged-jacket (quando a muda parece um casaco rasgado) e beater (juvenil cinza com manchas irregulares). Adultos têm cabeça preta, focinho estreito e olhos grandes e escuros sem pavilhão auditivo externo, típico de focas-verdadeiras.

Comparada a outras focas do Ártico, é mais esguia e com nadadeiras dianteiras curtas e com garras fortes. Machos e fêmeas são parecidos, mas machos são um pouco maiores e com a harpa mais marcada e escura.

Onde vive e por que depende do gelo

Vive exclusivamente no Hemisfério Norte, entre o Ártico e o Atlântico Norte. Não ocorre no Brasil nem no Hemisfério Sul. Precisa de gelo marinho estável e plano (pack ice) para parir, amamentar e fazer a muda anual.

Existem três populações reprodutivas separadas: do Atlântico Noroeste (costa do Canadá, Golfo de São Lourenço e Newfoundland), do Mar da Groenlândia (entre Groenlândia e Jan Mayen) e do Mar Branco (noroeste da Rússia). Fora da época reprodutiva, dispersam-se pelo mar aberto.

No verão, seguem o recuo do gelo para o norte e vivem de forma mais solitária no mar. No inverno, voltam para o sul com o avanço do gelo. Sem gelo na primavera, não há berçário, por isso a espécie é considerada sentinela das mudanças climáticas.

O que come e como caça sob o gelo

A dieta é pelágica e oportunista, mudando conforme a região e a estação. A base são peixes pequenos como capelim, arenque, bacalhau-polar e bacalhau-do-ártico, além de krill, anfípodes e outros crustáceos.

Caça por mergulho ativo, geralmente entre 10 e 50 metros, mas pode chegar a 275 metros e ficar até 16 minutos submersa. Usa os bigodes (vibrissas) extremamente sensíveis para detectar vibrações de cardumes no escuro e sob o gelo.

Fora da reprodução, passa mais de 80% do tempo na água, caçando em pequenos grupos ou sozinha. No inverno, acumula uma espessa camada de gordura que pode representar 40% do peso, essencial para isolamento térmico e reserva de energia.

Migração em três populações e grandes deslocamentos

É uma das focas mais migradoras do mundo. Cada população faz um circuito anual de até 4.000 km entre áreas de reprodução, muda e alimentação.

Após o desmame, os animais seguem para o norte para se alimentar intensamente no verão ártico. No outono, descem novamente com a formação do gelo. A população do Atlântico Noroeste, a maior de todas com mais de 7 milhões de animais, migra entre o Ártico canadense e a costa de Newfoundland.

Durante a migração, podem formar agrupamentos de centenas de indivíduos na água, mas não mantêm hierarquia fixa. A navegação parece combinar memória de rotas, correntes e campo magnético, ainda em estudo.

Reprodução no gelo: desmame relâmpago de 12 dias

A reprodução é altamente sincronizada e acontece sobre o gelo entre final de fevereiro e março. As fêmeas chegam grávidas, parindo um único filhote por ano após gestação de cerca de 11,5 meses com implantação tardia.

O filhote nasce com 8 a 10 kg e pelagem branca que o camufla na neve e o mantém seco. A mãe o amamenta com um leite com 42% a 48% de gordura, um dos mais calóricos entre mamíferos. O filhote ganha cerca de 2,2 kg por dia e chega a 30 kg em menos de duas semanas.

Em apenas 12 dias a mãe abandona o filhote e acasala novamente no gelo. O filhote fica sozinho, faz jejum por até 6 semanas enquanto perde a pelagem branca e aprende a mergulhar, vivendo da gordura acumulada. A maturidade sexual chega aos 5 a 6 anos nas fêmeas e 6 a 8 anos nos machos.

Como as mães reconhecem o filhote

Em colônias com milhares de filhotes brancos idênticos, a mãe usa olfato e vocalização para encontrar o seu. Se houver perturbação humana e a mãe for afugentada nos primeiros dias, o abandono pode ser definitivo.

Comportamento e vida em colônia

É extremamente sociável na época de gelo e mais solitária no mar aberto. Nas áreas de cria, forma colônias densas com milhares de fêmeas e filhotes, onde o ruído de chamados é constante.

Fora da água, é relativamente imóvel para economizar energia, mas na água é ágil, veloz e capaz de saltos rasos. Machos competem por fêmeas com exibições na água, vocalizações subaquáticas e combates com mordidas.

A muda anual acontece entre abril e maio, quando os animais se reúnem novamente no gelo e perdem todo o pelo e parte da pele. Nesse período ficam mais vulneráveis e evitam entrar na água para manter o calor.

É perigosa para humanos?

Não é considerada perigosa. Não há registro de ataques predatórios a pessoas e a espécie é naturalmente arisca, fugindo para a água quando abordada.

O risco real é o inverso: mordidas defensivas podem ocorrer se o animal for encurralado, tocado ou se a mãe defender o filhote. Como todo mamífero selvagem, pode transmitir bactérias e o contato direto deve ser evitado.

Em passeios de observação no Canadá e na Noruega, a regra é manter pelo menos 30 a 50 metros de distância, nunca se interpor entre mãe e filhote e não tocar nos whitecoats, mesmo que pareçam abandonados.

Ameaças e conservação: gelo, caça e redes

Globalmente está avaliada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população total estimada em 7 a 8 milhões e tendência estável ou em leve aumento no Atlântico Noroeste. Isso não significa ausência de ameaças.

As pressões principais são mudanças climáticas e perda de gelo marinho na primavera, que aumentam a mortalidade de filhotes por afogamento ou esmagamento do gelo; caça comercial e de subsistência regulamentada no Canadá, Groenlândia, Noruega e Rússia; e captura acidental em redes de pesca, poluição, ruído submarino e derramamentos de óleo.

A caça de filhotes whitecoat para pele foi proibida no Canadá em 1987 e restrita na União Europeia, mas a caça de juvenis beater e adultos ainda é permitida sob cotas. A conservação depende de cotas científicas, proteção de áreas de cria e monitoramento do gelo por satélite.

Onde observar com responsabilidade

A melhor chance de ver a espécie é em expedições regulamentadas no Golfo de São Lourenço e Newfoundland (Canadá) em março, ou em cruzeiros no Mar da Groenlândia e Svalbard (Noruega) entre março e maio.

Prefira operadores licenciados que sigam código de conduta: embarcações a baixa velocidade, sem desembarque em colônias de cria e sem uso de drones baixos. No Brasil não ocorre naturalmente; só pode ser vista em material audiovisual ou, raramente, em instituições de pesquisa no exterior.

Se encontrar qualquer foca em litoral brasileiro, trata-se de outra espécie. Nunca alimente, toque ou tente devolver ao mar por conta própria; acione órgãos ambientais locais.

Perguntas frequentes

Foca-da-groenlândia vive no Brasil?

Não. Ela vive apenas no Atlântico Norte e Ártico. Focas vistas no Brasil são outras espécies errantes, como a foca-caranguejeira.

Por que o filhote é todo branco?

A pelagem branca e lanosa (whitecoat) camufla na neve e mantém o filhote seco e aquecido até acumular gordura suficiente para entrar na água.

Quanto tempo a mãe fica com o filhote?

Apenas 12 dias. É um dos desmames mais rápidos entre mamíferos, com leite extremamente gorduroso que faz o filhote ganhar mais de 2 kg por dia.

A foca-da-groenlândia é perigosa?

Não para humanos quando observada à distância. Pode morder se for encurralada ou se defender o filhote, por isso nunca deve ser tocada.

Qual a diferença para a foca-comum?

A foca-da-groenlândia tem focinho mais estreito, cabeça preta e, nos adultos, a mancha em forma de harpa no dorso, ausente na foca-comum.

Ela está ameaçada de extinção?

Não globalmente; é classificada como Pouco Preocupante (LC) com milhões de indivíduos, mas sofre com a redução do gelo marinho e caça regulamentada.

O que ela come?

Principalmente capelim, arenque, bacalhau-polar e krill, caçados em mergulhos que podem chegar a 275 metros.

Você sabia?

1

O leite mais gorduroso do gelo

O leite da foca-da-groenlândia tem até 48% de gordura, contra 4% do leite de vaca. É por isso que o filhote engorda mais de 2 kg por dia e triplica de peso em 12 dias.

2

A harpa demora anos para aparecer

Filhotes e juvenis não têm a mancha de harpa. Ela só se forma completamente entre 4 e 7 anos de idade, quando o animal já é adulto reprodutivo.

3

Jejum de mais de um mês

Após o abandono da mãe, o filhote fica sozinho no gelo por 4 a 6 semanas sem comer, vivendo só da gordura. Nesse período ele muda a pelagem branca para um pelo cinza impermeável.

4

Mergulho com economia de oxigênio

Antes de mergulhar fundo, ela expira parte do ar e colapsa os pulmões, usando oxigênio armazenado no sangue e nos músculos. Isso permite chegar a 275 metros sem doença descompressiva.

Fontes

  1. IUCN Red List - Pagophilus groenlandicus
  2. NOAA Fisheries - Harp Seal
  3. WoRMS - World Register of Marine Species
  4. SeaLifeBase / FishBase

Prós e contras: Foca-da-groenlândia

Prós

  • Espécie bem estudada e com população grande e monitorada
  • Indicadora excelente da saúde do gelo marinho
  • Filhote branco é ícone para educação ambiental sobre o Ártico
  • Migradora de longa distância, importante para o fluxo de nutrientes

Contras

  • Altamente dependente de gelo estável na primavera
  • Filhotes muito vulneráveis a perturbações humanas e a tempestades no gelo
  • Sofre captura acidental em redes de pesca pelágica
  • Caça comercial ainda gera forte debate sobre bem-estar animal
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a foca-da-groenlândia é o melhor exemplo de como o gelo não é apenas paisagem, mas berçário: sem gelo estável em março, não há espécie. Por isso, mesmo com milhões de indivíduos, tratá-la como inesgotável é um erro histórico que o clima está cobrando agora.

Continue explorando: Animais Marinhos

Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.