🐛 Insetos

Broca-das-axilas

Crocidosema aporema

Atualizado em

10 a 13 mm (adulto); lagarta até 15 mmTamanho
Lagarta broqueia soja, feijão e leguminosasAlimentação
30 a 45 dias, metamorfose completaCiclo de vida
Lavouras e áreas agrícolas do BrasilHabitat
Inofensiva, não pica nem transmite doençaPerigo para humanos
Broca-das-axilas adulta em repouso sobre folha de soja

A broca-das-axilas é uma pequena mariposa da família Tortricidae, conhecida no Brasil como praga da soja e do feijão. O nome vem do hábito da lagarta de perfurar as axilas e hastes das plantas, onde se abriga e se alimenta.

O adulto é discreto, de voo baixo e noturno, mas a fase larval é a que realmente importa: verde no início e rosada depois, ela interrompe o crescimento da planta e provoca brotações anormais. Apesar do dano agrícola, é totalmente inofensiva para pessoas e animais domésticos.

Também conhecido como: Broca-da-soja, Broca das axilas, Lagarta-das-axilas, Axillary borer, Epinotia aporema (sinônimo)

Faz parte de: Insetos do Brasil, Insetos Voadores, Pragas de Jardim

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Galeria de fotos de Broca-das-axilas

Broca-das-axilas adulta em repouso sobre folha de soja
Adulto da broca-das-axilas, pequena mariposa acinzentada de 10 a 13 mm.
Close extremo da cabeça e antenas da broca-das-axilas
Detalhe da cabeça e antenas filiformes do adulto.
Broca-das-axilas com asas abertas mostrando padrão das asas
Padrão das asas anteriores, acinzentadas com manchas marrons.
Lagarta da broca-das-axilas dentro da galeria na haste de soja
Lagarta verde-rosada dentro da galeria na axila da soja.
Pupa da broca-das-axilas dentro da haste
Pupa marrom-clara formada dentro da galeria.
Ponteiro de soja atacado pela broca-das-axilas com superbrotamento
Ponteiro murcho e superbrotamento típico do ataque.
Broca-das-axilas ao lado de folha de soja para escala de tamanho
Escala de tamanho do adulto ao lado de folha de soja.

Perfil rápido de Broca-das-axilas

Calendário

Maior atividade da lagartaJFMAMJJASOND
Pico de adultosJFMAMJJASOND
Período crítico para sojaJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica

Não pica, não morde e não possui cerdas urticantes. Contato direto não oferece risco relevante.

Vida útil

Em lavoura
30 a 45 dias de ciclo total; adulto vive 15 a 25 dias
Na entressafra
Sobrevive em plantas voluntárias e leguminosas alternativas por semanas

Reprodução

Metamorfose
Completa: ovo, larva, pupa e adulto
Ovos por fêmea
50 a 120, postos isolados em folhas novas
Período reprodutivo
Durante toda a safra de verão, com picos entre novembro e fevereiro
Comportamento
Acasalamento noturno mediado por feromônios; sem cuidado parental

Habitat

Ambientes

  • Lavouras de soja e feijão
  • Áreas agrícolas com leguminosas
  • Bordas de cultivo e plantas voluntárias

Biomas

  • Cerrado
  • Mata Atlântica
  • Pampa
  • Caatinga (áreas agrícolas)

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Folhas e hastes de soja
  • Folhas e hastes de feijão

Outros alimentos

  • Alfafa
  • Ervilha
  • Lentilha
  • Feijão-guandu
  • Tremoço

Encontrado em 8 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Uruguai
  • Bolívia
  • Chile
  • Colômbia
  • Costa Rica

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Lepidoptera
Família
Tortricidae
Gênero
Crocidosema
Espécie
Crocidosema aporema

Resumo

  • A broca-das-axilas (Crocidosema aporema) é uma mariposa praga cuja lagarta broqueia axilas e hastes de soja, feijão e outras leguminosas.
  • O ciclo é curto e completo, de 30 a 45 dias, com maior incidência na safra de verão, e o ataque causa superbrotamento e redução de produtividade.
  • Não pica, não morde e não é venenosa, mas exige manejo integrado na lavoura para evitar perdas sem uso indiscriminado de inseticida.

Características

Ficha do inseto

OrdemLepidoptera
FamíliaTortricidae
Origem e distribuiçãoAmérica do Sul e Central; amplamente distribuída no Brasil agrícola
TamanhoAdulto com 10 a 13 mm de envergadura; lagarta com 12 a 15 mm
Corescinzamarrombegemarrom-escuro
Asas e voo2 pares de asas, voo curto, baixo e noturno
AlimentaçãoLagarta fitófaga de leguminosas; adulto pouco se alimenta
MetamorfoseCompleta (ovo, larva, pupa, adulto)
Expectativa de vidaAdulto 15 a 25 dias; ciclo total 30 a 45 dias
HabitatLavouras de soja, feijão, alfafa e vegetação próxima
Comportamento socialSolitário, larvas isoladas dentro da planta
Principais predadoresVespas parasitoides (Trichogramma), joaninhas, crisopídeos, aranhas e pássaros

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
Importância para o ecossistemaBaixo
Presença em casasMuito baixo
Benefício para a agriculturaMuito baixo
Dano às plantasAlto
Vida em grupoMuito baixo

Como identificar a broca-das-axilas em cada fase

A broca-das-axilas adulta é uma mariposa pequena e discreta, fácil de confundir com outras traças. Tem 10 a 13 mm de envergadura, asas anteriores acinzentadas com manchas marrons e faixas transversais escuras, e asas posteriores mais claras.

Em repouso, mantém as asas em forma de telhado sobre o corpo. O voo é baixo, curto e noturno, por isso raramente é vista durante o dia, quando fica escondida na folhagem.

A fase que realmente identifica a espécie é a lagarta. Recém-eclodida é verde-clara com cabeça marrom-escura e mede cerca de 1,5 mm. Ao crescer, fica verde-amarelada a rosada, com até 15 mm, corpo cilíndrico e movimentos ágeis quando tocada.

  • Ovo: minúsculo, achatado, branco-amarelado, posto isolado na face inferior das folhas ou nas brotações.
  • Lagarta: cabeça marrom, corpo que muda de verde para rosado, vive dentro da haste.
  • Pupa: marrom-clara, de 7 a 9 mm, formada dentro da galeria na planta ou no solo.
  • Adulto: mariposa cinza-acastanhada, sem brilho metálico, antenas filiformes.

Não confunda com a broca-do-colo ou com lagartas desfolhadoras. A pista decisiva é a galeria úmida e escurecida na axila da folha, com serragem fina e excrementos.

Onde vive e por que é tão comum no Brasil

A espécie é nativa da América do Sul e foi descrita cientificamente como Crocidosema aporema (sinônimo Epinotia aporema). Hoje ocorre da Costa Rica ao sul da Argentina e Chile, acompanhando a expansão da soja.

No Brasil, está presente em praticamente toda a região produtora de soja: Sul, Sudeste, Centro-Oeste e partes do Nordeste e Norte. É mais abundante no Cerrado e no Sul, onde encontra hospedeiros o ano todo.

Vive quase exclusivamente em áreas agrícolas e bordas de lavoura. Não é inseto de mata fechada nem de cidades, e dificilmente entra em casas. Fora da safra, sobrevive em plantas voluntárias, feijão-guandu, alfafa, tremoço e outras leguminosas.

O que a lagarta come e como ataca a planta

A lagarta é oligófaga de Fabaceae. Prefere soja (Glycine max) e feijão (Phaseolus vulgaris), mas ataca também alfafa, ervilha, lentilha e feijão-guandu.

Logo após eclodir, a lagartinha raspa a folha e migra para a axila do broto ou ponteiro da haste. Ali perfura o tecido e abre uma galeria descendente dentro do caule, onde passa quase toda a vida.

Ao destruir o meristema apical, a planta perde a dominância e emite superbrotamento: vários brotos laterais finos e improdutivos. Em soja jovem, isso trava o crescimento; em plantas maiores, reduz vagens e grãos.

O ataque é interno, por isso pulverizações de contato têm baixa eficiência quando a lagarta já está abrigada. O sintoma mais visível no campo é o ponteiro murcho, escurecido e com furo lateral.

Ciclo de vida e reprodução: rápido e silencioso

A broca-das-axilas tem metamorfose completa e ciclo curto, o que permite várias gerações por safra.

A fêmea vive cerca de duas a três semanas e põe 50 a 120 ovos isolados, principalmente ao entardecer, nas folhas novas. A incubação leva 4 a 6 dias em temperatura de verão.

A fase larval dura 15 a 25 dias, com 5 ínstares. É a única fase que causa dano. No final, a lagarta transforma-se em pupa dentro da própria galeria ou cai ao solo, onde permanece 7 a 12 dias.

O adulto emerge ao anoitecer, acasala na mesma noite e reinicia o ciclo. Em condições quentes (25 a 28 °C), o ciclo total fecha em 30 a 35 dias; no frio, pode chegar a 45 dias. Por isso, infestações crescem rápido entre novembro e março.

Fase Duração média Onde fica
Ovo 4 a 6 dias Face inferior da folha
Lagarta 15 a 25 dias Dentro da axila/haste
Pupa 7 a 12 dias Galeria ou solo
Adulto 15 a 25 dias Folhagem, voo noturno

Comportamento: voo noturno e vida solitária

É um inseto solitário e de baixa mobilidade. Cada galeria abriga apenas uma lagarta, que defende o túnel com fios de seda e excrementos.

Os adultos são noturnos e atraídos por luz, mas voam pouco. Deslocamentos longos dependem mais do vento e do transporte de material vegetal do que de voo ativo.

A lagarta tem comportamento de retração rápida: se a haste é aberta, ela se contorce e tenta recuar para o fundo da galeria. Também tece um casulo leve antes de empupar, o que dificulta o controle biológico nessa fase.

Não forma colônias, não tem rainha nem operárias, e não apresenta cuidado parental. A comunicação é basicamente química, por feromônios sexuais liberados pelas fêmeas ao entardecer.

Pica, morde ou é venenosa? Riscos para pessoas e pets

A broca-das-axilas não pica, não morde, não tem ferrão e não é venenosa. Lagarta e mariposa são inofensivas para humanos, cachorros, gatos e pássaros.

O contato direto não causa alergia na maioria das pessoas, diferente de lagartas urticantes. Ainda assim, evite manusear lagartas com as mãos e lave bem as mãos após mexer em plantas atacadas, por higiene.

Para pets, o risco é praticamente nulo. Um cachorro ou gato que ingerir acidentalmente a lagarta pode ter leve irritação gástrica, mas sem toxicidade. Se houver vômito persistente, procure um veterinário por precaução.

O único risco real é indireto e econômico: perdas na lavoura. Não há necessidade de medo ou de dedetização doméstica por causa desse inseto.

Praga ou parte do ecossistema? O impacto na agricultura

Na natureza, a broca-das-axilas teria papel discreto como herbívora de leguminosas nativas, servindo de alimento para parasitoides e predadores. Em monocultura, torna-se praga-chave da soja.

Em alta infestação, pode atacar 30 a 60% das plantas no início do desenvolvimento, reduzindo estande, atrasando o fechamento da linha e abrindo porta para fungos. O dano é maior em soja semeada cedo e em cultivo de feijão das águas.

Por outro lado, a presença de inimigos naturais como Trichogramma pretiosum, Apanteles spp. e crisopídeos mantém a população sob controle em sistemas diversificados. Lavouras com rotação de culturas e refúgio de vegetação nativa sofrem menos.

Na nossa avaliação, tratá-la apenas com inseticida calendarizado é um erro comum. O manejo mais eficiente combina monitoramento do ponteiro, controle biológico e cultivares de crescimento determinado quando possível.

Como manejar sem desequilibrar a lavoura

O controle começa na inspeção semanal dos ponteiros a partir de V2 em soja. Procure ponteiros murchos e furos na axila. O nível de ação mais usado pela pesquisa é de 25 a 30% de plantas com ponteiro atacado até o florescimento.

  • Manejo cultural: elimine plantas voluntárias de soja e feijão na entressafra, faça rotação com milho ou gramíneas e evite semeadura muito escalonada na mesma área.
  • Controle biológico: preserve parasitoides evitando inseticidas de amplo espectro no início do ciclo; liberações de Trichogramma são usadas em algumas regiões com orientação técnica.
  • Controle químico quando necessário: use apenas produtos registrados para a cultura e com recomendação agronômica, priorizando aplicação no início da infestação, antes da lagarta se abrigar.

Em hortas domésticas de feijão, a melhor estratégia é remoção manual dos ponteiros atacados e descarte em saco fechado, sem necessidade de veneno. A planta geralmente se recupera emitindo brotos laterais.

Evite pulverizações preventivas sem monitoramento. Elas matam polinizadores e inimigos naturais e podem aumentar o problema na safra seguinte.

Curiosidades que pouca gente sabe sobre a broca-das-axilas

Apesar de pequena, ela tem histórias interessantes. Foi descrita em 1914 pelo entomologista Lord Walsingham a partir de exemplares da América do Sul, e por décadas seu nome científico mudou entre Epinotia e Crocidosema, gerando confusão em rótulos antigos.

A mudança de cor da lagarta de verde para rosada não é variação individual, mas parte do desenvolvimento: lagartas mais velhas acumulam pigmentos e ficam rosadas antes de empupar, o que ajuda técnicos a estimar a idade da infestação no campo.

Diferente de muitas mariposas-praga, o adulto da broca-das-axilas quase não se alimenta. Vive de reservas acumuladas na fase larval, por isso tem vida curta e depende de acasalar rapidamente.

Perguntas frequentes

Broca-das-axilas pica ou é perigosa?

Não. Não pica, não morde e não é venenosa. O dano é apenas agrícola, dentro de hastes de leguminosas.

Como saber se minha soja está com broca-das-axilas?

Procure ponteiros murchos ou secos com furo escuro na axila e galeria interna com serragem. Ao abrir a haste, há uma lagarta verde a rosada.

Qual a diferença para outras brocas da soja?

A broca-das-axilas ataca o ponteiro e a axila, causando superbrotamento. A broca-do-colo ataca a base da planta, próximo ao solo.

Quando a broca-das-axilas aparece?

Principalmente de outubro a março, durante a safra de soja e feijão, com pico entre novembro e fevereiro.

Precisa usar veneno para controlar em horta caseira?

Geralmente não. Remova e descarte os ponteiros atacados e faça rotação com milho ou outras não leguminosas.

A mariposa da broca-das-axilas é atraída por luz?

Sim, adultos são noturnos e podem aparecer em armadilhas luminosas, mas o monitoramento mais confiável é visual nos ponteiros.

Você sabia?

1

Mudança de cor reveladora

A lagarta nasce verde-clara e fica rosada nos últimos ínstares. Técnicos usam essa cor para estimar se a infestação é recente ou já avançada.

2

Nome que mudou de gênero

A espécie já foi chamada Epinotia aporema por décadas e hoje o nome válido é Crocidosema aporema, mas os dois ainda aparecem em bulas e artigos.

3

Adulto que quase não come

A mariposa vive de 15 a 25 dias praticamente sem se alimentar, usando a energia acumulada quando era lagarta.

4

Dano que parece outro problema

O superbrotamento causado pela broca é frequentemente confundido com deficiência nutricional ou efeito de herbicida, atrasando o diagnóstico correto.

Fontes

  1. Embrapa Soja
  2. GBIF - Crocidosema aporema
  3. Universidade Federal do Paraná - Entomologia Agrícola

Prós e contras: Broca-das-axilas

Prós

  • Ataca apenas leguminosas, não afeta gramíneas como milho
  • Fácil de diagnosticar pelo ponteiro murcho e furo na axila
  • Possui vários inimigos naturais que ajudam no controle biológico
  • Não oferece risco à saúde de pessoas e pets
  • Manejo cultural simples reduz muito a infestação

Contras

  • Pode causar superbrotamento e perda de produtividade em soja e feijão
  • Lagarta fica abrigada dentro da haste, difícil de atingir com contato
  • Ciclo curto permite várias gerações em uma mesma safra
  • Confundida com deficiência nutricional, atrasa o controle
  • Monocultura e plantas voluntárias favorecem surtos
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a broca-das-axilas é o exemplo clássico de praga pequena com estrago grande: invisível até o ponteiro murchar, mas capaz de travar uma lavoura inteira se ignorada no início. Vale mais monitorar ponteiros toda semana do que aplicar inseticida por calendário.

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Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

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Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.