🐛 Insetos

Cupim-subterrâneo

Coptotermes gestroi (principal espécie no Brasil)

Atualizado em

3 a 13 mm (operários 3-5 mm)Tamanho
Celulose de madeira e papelAlimentação
Hemimetabolia, colônia pereneCiclo de vida
Solo úmido, sem montículo visívelHabitat
Não pica, dano material altoPerigo para humanos
Cupim-subterrâneo operário de corpo claro sobre solo úmido com túnel de terra

O cupim-subterrâneo não faz montinho no quintal nem deixa pó fininho no móvel. Ele vive escondido no solo, constrói túneis de terra e ataca de dentro para fora, por isso é o cupim que mais causa prejuízo em casas e edifícios no Brasil.

A espécie mais comum por aqui é o Coptotermes gestroi, originário do Sudeste Asiático e hoje espalhado por quase todo o país. Uma única colônia pode ter mais de um milhão de indivíduos e forragear a mais de 100 metros do ninho, sem que o tutor perceba até o estrago estar avançado.

Apesar da fama de praga urbana, na natureza ele é um reciclador fundamental de celulose. Entender como ele vive, como se diferencia do cupim de madeira seca e quando acontece a revoada das aleluias é o primeiro passo para não confundir e não perder dinheiro com tratamento errado.

Também conhecido como: Cupim-de-solo, Cupim subterrâneo, Aleluiá (forma alada), Siriri (forma alada), Coptotermes

Faz parte de: Pragas de Jardim

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Galeria de fotos de Cupim-subterrâneo

Cupim-subterrâneo operário de corpo claro sobre solo úmido com túnel de terra
Operário de cupim-subterrâneo, de corpo claro e mole, responsável por construir túneis.
Cabeça de soldado de cupim-subterrâneo em close extremo mostrando mandíbulas
Soldado com cabeça escura e mandíbulas, defende a colônia com secreção química.
Aleluias de cupim-subterrâneo com asas translúcidas durante revoada
Aleluias na revoada, fase alada que funda novas colônias.
Túneis de terra de cupim-subterrâneo subindo por parede e rodapé
Túneis de terra são o principal sinal de infestação subterrânea.
Madeira oca e folheada danificada por cupim-subterrâneo com terra dentro
Madeira atacada fica oca em lamelas e preenchida com terra.
Colônia de cupim-subterrâneo no solo com operários, soldados e rainha
Colônia subterrânea com castas interligadas por galerias no solo.

Perfil rápido de Cupim-subterrâneo

Estado de conservação

NE
Não Avaliada

Espécies de cupim-subterrâneo urbano não possuem avaliação individual na IUCN.

População
estável
Protegido por
não

Calendário

Revoada (aleluias)JFMAMJJASOND
Maior atividade de forrageamentoJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxico
  • PessoasNão tóxico

Não pica, não morde e não é venenoso. Risco é material. Controle químico deve ser feito por profissional para não expor crianças e pets.

Vida útil

Na natureza
Colônia perene no solo, forrageia o ano todo, com pico na estação quente e úmida
Em área urbana
Ninho sob construções, ataca madeira de forma contínua e silenciosa por anos se não controlado

Reprodução

Tipo de desenvolvimento
Hemimetabolia (metamorfose incompleta: ovo > ninfa > adulto)
Estrutura social
Eussocial com castas: rainha, rei, operários estéreis e soldados
Reprodução
Sexuada; apenas casal real se reproduz, com reprodutores substitutos se necessário
Fecundidade
Rainha de Coptotermes gestroi põe centenas a cerca de 1.000 ovos por dia no auge
Revoada
Sazonal, entre agosto e março, pico de setembro a novembro, ao entardecer após chuva
Fundação de nova colônia
Casal de aleluias perde as asas, escava câmara inicial e cria primeiros operários

Habitat

Ambientes

  • Solo úmido sob edificações
  • Subsolo, porões e vãos de fundação
  • Troncos caídos e raízes em decomposição
  • Muros, juntas de dilatação e caixas de passagem

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Amazônia
  • Caatinga (áreas urbanas úmidas)

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Madeira (celulose)

Outros alimentos

  • Papel, papelão e livros
  • Compensado, MDF e aglomerado
  • Gesso com celulose e tecidos com amido

Encontrado em 10 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Estados Unidos
  • México
  • Índia
  • Malásia
  • Indonésia
  • Tailândia
  • Austrália

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Blattodea
Família
Rhinotermitidae / Heterotermitidae
Gênero
Coptotermes / Heterotermes
Espécie
Coptotermes gestroi (principal urbana) e Heterotermes tenuis (nativa)

Resumo

  • O cupim-subterrâneo vive no solo e forma túneis de terra para atacar madeira e papel sem ser visto, sendo o mais destrutivo em áreas urbanas no Brasil.
  • A colônia é dividida em rainha, rei, soldados e operários, com revoada de aleluias na primavera e verão para fundar novos ninhos.
  • Não pica nem é venenoso, mas causa prejuízos altos em estruturas; prevenção depende de eliminar umidade, contato madeira-solo e barreiras físicas.

Características

Ficha do inseto

OrdemBlattodea (Infraordem Isoptera)
FamíliaRhinotermitidae (principal) e Heterotermitidae
Origem e distribuiçãoCoptotermes gestroi é exótico do Sudeste Asiático, hoje em quase todo o Brasil; Heterotermes tenuis é nativo sul-americano
TamanhoOperários 3-5 mm; soldados 5-6,5 mm; aleluias 10-13 mm com asas
Coresbranco-amareladobegemarrom-claromarrom-escuro
Asas e vooApenas reprodutores alados voam na revoada; operários e soldados são ápteros
AlimentaçãoCelulose (madeira, papel, papelão, MDF)
MetamorfoseIncompleta (hemimetabolia)
Expectativa de vidaOperários e soldados: 1-2 anos; rainha: 10-20 anos
HabitatSubterrâneo, em solo úmido, sob pisos, paredes e troncos
Comportamento socialEussocial, colônia com castas (rainha, rei, soldados, operários)
Principais predadoresFormigas, tamanduás, tatus, pássaros, lagartixas

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
Importância para o ecossistemaAlto
Presença em casasMuito alto
Benefício para a agriculturaMuito baixo
Dano às plantasBaixo
Vida em grupoMuito alto

Como identificar o cupim-subterrâneo sem confundir com o de madeira seca

O erro mais comum é achar que todo cupim deixa aquele pó granulado embaixo do móvel. O subterrâneo não deixa grânulos. O sinal dele é outro: túneis de terra finos, como cordões de barro, subindo por paredes, rodapés, caixas de luz e troncos.

Operários são branco-amarelados, moles e cegos, com 3 a 5 mm. Andam sempre escondidos dentro da madeira ou dos túneis. Se você quebrar um pedaço de madeira atacada, ela parece estar oca e cheia de lamelas, como folhas, com terra dentro.

Soldados têm cabeça alongada marrom-amarelada e mandíbulas grandes, além de uma fontanela na testa que solta secreção leitosa de defesa. É por essa cabeça mais escura que muita gente os confunde com formigas.

Na época de revoada, surgem as aleluias ou siriris: insetos de 10 a 13 mm, marrom-escuros, com dois pares de asas longas e translúcidas do mesmo tamanho. Depois do voo, perdem as asas e deixam montinhos de asas soltas perto de janelas e luminárias. Esse é o alerta clássico de infestação próxima.

Onde vive e por que você nunca vê o ninho

O cupim-subterrâneo não constrói cupinzeiro visível como o cupim de montículo. O ninho principal fica no solo, sob o imóvel, em subsolos, poços de elevador, vãos e até em lajes com umidade. Dali partem galerias subterrâneas que podem chegar a mais de 100 metros.

Ele precisa de umidade constante. Por isso prefere áreas com vazamento, infiltração, madeira em contato direto com o solo e solo argiloso úmido. Em cidades, está presente em quase todos os estados, com maior pressão no Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste litorâneo.

Em mata, Heterotermes tenuis e outros subterrâneos nativos vivem sob troncos caídos e raízes. Já o Coptotermes gestroi, que domina o ambiente urbano, foi introduzido no Brasil no início do século 20 e se adaptou perfeitamente ao concreto e ao calor das cidades.

O que o cupim-subterrâneo come de verdade

A base é celulose. Madeira maciça, compensado, MDF, papel, papelão, livros, gesso com celulose e até tecido com amido entram no cardápio. Ele não come concreto ou plástico, mas perfura materiais macios para chegar à madeira.

Diferente do que se fala, ele não se alimenta de terra. A terra nos túneis serve como proteção contra luz e ressecamento, além de manter a umidade. Dentro da madeira, ele consome as partes mais macias e deixa as fibras mais duras, criando aspecto folheado.

Um detalhe pouco conhecido: o cupim não digere celulose sozinho. Ele depende de protozoários e bactérias no intestino que quebram a fibra. Sem essa simbiose, a colônia morre. É por isso que iscas com reguladores de crescimento funcionam tão bem.

Ciclo de vida e a revoada das aleluias

É um inseto de metamorfose incompleta. Do ovo nasce uma ninfa que já se parece com o adulto e vai se diferenciando em operário, soldado ou reprodutor conforme feromônios da colônia.

A colônia é perene e cresce por anos. A rainha de Coptotermes gestroi pode pôr cerca de 1.000 ovos por dia no auge e viver de 10 a 20 anos, sempre acompanhada do rei. Operários e soldados vivem 1 a 2 anos.

A reprodução para fora acontece na revoada. No Brasil, geralmente entre agosto e março, com pico de setembro a novembro, em dias quentes e úmidos após chuva, ao entardecer. Milhares de aleluias saem, voam pouco, caem, perdem as asas e formam casais. Só uma fração mínima consegue fundar nova colônia, mas basta uma para infestar um quarteirão.

Como funciona a colônia: quem faz o quê

A organização é eussocial e bem rígida. Cada casta tem função fixa:

  • Operários: 80% a 90% da colônia. São cegos, estéreis e fazem todo o trabalho: escavam, constroem túneis, alimentam os demais e cuidam dos ovos.
  • Soldados: 2% a 5%. Defendem com mandíbulas e com secreção química defensiva que sai pela fontanela. Não se alimentam sozinhos, dependem dos operários.
  • Rainha e rei: únicos reprodutores. Ficam em uma câmara real protegida no solo. Se a rainha morre, ninfas podem virar reprodutores de substituição.

A comunicação é química. Trilhas de feromônio marcam o caminho até a fonte de alimento e recrutam centenas de operários em poucas horas. É por isso que o ataque parece surgir do nada.

Por que ele é tão difícil de achar

Operários evitam luz e ar seco. Trabalham sempre por dentro da madeira, deixando uma casquinha externa intacta. Quando você bate e o som sai oco, o estrago já está grande. Essa estratégia explica por que vistorias precisam furar rodapés e bater em batentes.

Cupim-subterrâneo morde ou oferece risco para pessoas e pets?

Não pica, não morde gente e não é venenoso. Soldados podem beliscar se manuseados, mas sem importância médica. O risco real é estrutural e econômico, não sanitário.

Para cachorro, gato e outros pets, a ingestão acidental de operários ou de madeira com cupim não causa intoxicação. O problema para pets é indireto: iscas e produtos químicos mal aplicados. Por isso, controle deve ser feito com manejo integrado e profissional habilitado.

Pessoas alérgicas podem ter irritação com poeira de madeira infestada e com fungos associados à umidade, mas não há veneno no inseto. Em caso de reação, procure atendimento médico e não aplique inseticida doméstico por conta própria.

Qual o estrago que ele faz e por que é o mais caro do Brasil

É considerado o cupim urbano mais destrutivo do país. Ataca batentes, portas, forros, pisos de taco, móveis embutidos, caixotes, arquivos e até cabos elétricos ao perfurar capas para passar.

O prejuízo vem da forma de ataque: silencioso e contínuo. Uma colônia madura consome gramas de celulose por dia e mantém forrageamento o ano todo, sem pausa de inverno. Em edifícios, pode comprometer madeiramento de telhado e deixar estruturas ocas.

Diferente do cupim de madeira seca, que vive dentro da peça e tem colônia pequena, o subterrâneo traz reforço do solo. Mesmo que você troque a peça, se o ninho continuar no solo, ele volta.

Característica Subterrâneo Madeira seca
Sinal visível Túneis de terra, madeira oca com terra Pó granulado (fezes) e furos pequenos
Onde vive Solo, fora da peça Dentro da própria madeira
Tamanho da colônia Centenas de milhares a milhões Centenas a poucos milhares
Umidade Precisa de umidade alta Tolera madeira seca

Como prevenir e controlar sem envenenar tudo

Controle de subterrâneo não é com spray de supermercado. Borrifar inseticida no túnel mata alguns operários, mas a colônia fecha o trecho e abre outro caminho. O manejo correto mira a colônia.

  • Elimine a ponte: afaste madeira do solo, corrija vazamentos, impermeabilize, ventile porões e não acumule papelão e entulho encostado na parede.
  • Barreiras físicas: em obras, use barreiras de aço inox ou areia de granulometria específica e mantenha vãos de inspeção.
  • Vistoria anual: bata em rodapés e batentes, procure túneis em cantos escuros, caixas de inspeção e juntas de dilatação.
  • Controle profissional: empresas sérias usam iscas com inibidores de quitina ou barreira química no solo com aplicação técnica. Exija laudo, planta de aplicação e garantia.

Evite receitas caseiras com querosene, óleo queimado ou veneno agrícola. Além de ineficazes, contaminam solo e água e colocam crianças e pets em risco. Se encontrar revoada dentro de casa, aspire as aleluias, descarte as asas e chame vistoria; não é sinal de que já há ninho dentro, mas de que há colônias por perto.

Papel no ecossistema: praga na cidade, aliado na mata

Na natureza, o cupim-subterrâneo é reciclador de matéria vegetal. Ao decompor madeira morta, devolve nutrientes ao solo, melhora a aeração e a infiltração de água. Sem ele, florestas acumulariam troncos por décadas.

O problema é o desequilíbrio urbano: muita madeira disponível, pouca predação e umidade artificial. Aí ele vira praga. Na nossa avaliação, tratá-lo apenas como inimigo a ser exterminado é um erro; o manejo inteligente separa o que deve ser protegido na cidade do que deve ser preservado na mata.

Perguntas frequentes

Como saber se é cupim-subterrâneo ou de madeira seca?

Subterrâneo faz túneis de terra e deixa madeira oca com terra dentro, sem pó granulado. Madeira seca deixa montinhos de grânulos duros e fezes hexagonais.

Cupim-subterrâneo tem ninho visível?

Não. O ninho fica no solo, sob o piso ou fundação, e se espalha por galerias subterrâneas que podem ter mais de 100 metros.

Quando acontece a revoada das aleluias?

Entre agosto e março, com pico de setembro a novembro, em dias quentes e úmidos ao entardecer, após chuva.

Cupim-subterrâneo morde pessoas ou pets?

Não. Ele não pica nem é venenoso. Soldados podem beliscar se manuseados, sem risco médico.

Como acabar com cupim-subterrâneo definitivamente?

É preciso eliminar umidade, remover contato madeira-solo e fazer controle profissional com iscas ou barreira no solo. Spray doméstico não elimina a colônia.

O que atrai cupim-subterrâneo para dentro de casa?

Umidade, vazamentos, madeira encostada no solo, papelão acumulado e frestas que dão acesso do solo à estrutura.

Cupim-subterrâneo come concreto?

Não come, mas perfura materiais macios, como gesso e plástico fino, para alcançar madeira e papel.

Você sabia?

1

Ninho invisível e gigante

Uma colônia de Coptotermes gestroi pode ultrapassar 1 milhão de indivíduos e ocupar vários pontos no solo interligados por galerias, sem nenhum montículo externo para denunciar.

2

Soldado com arma química

O soldado tem um poro na testa chamado fontanela que esguicha uma secreção branca e pegajosa para travar formigas predadoras, além de usar as mandíbulas.

3

Asas que caem sozinhas

As aleluias perdem as quatro asas por uma linha de fratura na base logo após pousar. Encontrar asas soltas na janela é mais confiável que ver o inseto para confirmar revoada.

4

Viajante clandestino

O Coptotermes gestroi chegou ao Brasil por madeira infestada vinda da Ásia e se espalhou pelas cidades via transporte de móveis e madeiramento, não por voo longo.

Fontes

  1. Embrapa - Cupins
  2. GBIF - Coptotermes gestroi
  3. Universidade de São Paulo - Instituto de Biociências

Prós e contras: Cupim-subterrâneo

Prós

  • Recicla madeira morta e devolve nutrientes ao solo na natureza
  • Melhora aeração e infiltração do solo em ecossistemas naturais
  • Serve de alimento para predadores como formigas, aves e tamanduás
  • Indica pontos de umidade e infiltração quando aparece em casas

Contras

  • Causa prejuízos altos em portas, pisos, forros e móveis
  • Colônia grande e oculta, difícil de localizar sem vistoria técnica
  • Retorna se apenas a peça atacada for trocada sem tratar o solo
  • Controle exige serviço profissional e manutenção preventiva
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o cupim-subterrâneo é a praga urbana mais subestimada do Brasil: o estrago é silencioso e o tratamento caseiro quase sempre piora. Vale investir em prevenção contra umidade e em controle com isca e barreira técnica, em vez de veneno genérico que só espalha a colônia.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

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Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.