🐛 Insetos

Siriri

Casta alada de cupins (Isoptera) - ex. Nasutitermes spp., Syntermes spp., Coptotermes gestroi

Atualizado em

4 a 15 mm + asas até 20 mmTamanho
Não se alimenta na revoada; colônia consome celuloseAlimentação
Metamorfose incompleta; rainha vive até 25 anosCiclo de vida
Cupinzeiros no solo, árvores e estruturas urbanasHabitat
Não pica, não morde, não transmite doençaPerigo para humanos
Siriri, o cupim alado, visto de cima com as quatro asas translúcidas abertas

O siriri é o cupim em sua forma alada e reprodutiva, que sai em revoada para acasalar e fundar novas colônias. Não é uma espécie isolada, mas a casta de reis e rainhas virgens de diversas espécies de cupins, facilmente reconhecida pelas quatro asas longas e translúcidas e pelo voo desajeitado ao redor de luzes.

No Brasil, a revoada acontece principalmente na primavera e no verão, logo após as primeiras chuvas fortes e no fim de tarde. As asas caem em poucos minutos após o pouso e o inseto passa a caminhar, o que explica o chão forrado de asinhas em varandas e janelas. Apesar do incômodo, o siriri não pica, não morde e não transmite doenças.

Também conhecido como: aleluia, aleluia-de-chuva, cupim alado, siri-siri, formiga de asa (nome impróprio), flying termite (inglês), alates (inglês técnico)

Faz parte de: Insetos do Brasil, Insetos Voadores, Pragas de Jardim

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Galeria de fotos de Siriri

Siriri, o cupim alado, visto de cima com as quatro asas translúcidas abertas
Siriri adulto com as quatro asas membranosas iguais, típicas da revoada.
Close extremo da cabeça do siriri mostrando olhos e antenas retas
Detalhe da cabeça: antenas retas e cintura larga diferenciam o siriri da formiga.
Siriri em voo ao entardecer atraído por luz
Voo nupcial ao entardecer: siriris são fortemente atraídos por luz.
Siriri perdendo as asas após pousar, com asinhas soltas no chão
Após pousar, o siriri quebra as asas na base em poucos segundos.
Casal de siriris em caminhada em tandem no solo após a revoada
Casal em tandem: fêmea à frente e macho atrás buscam abrigo para fundar a colônia.
Siriri ao lado de folha para comparação de tamanho
Tamanho real: corpo de 4 a 15 mm, com asas que dobram a envergadura.

Perfil rápido de Siriri

Calendário

Revoada (maior atividade)JFMAMJJASOND
Fundação de novas colôniasJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica

Não pica nem morde; fragmentos de asas podem irritar olhos e vias respiratórias de alérgicos.

Vida útil

Na natureza
Operários 1-2 anos; soldados meses a 1 ano; rainha 15-25 anos; alado (siriri) horas a poucos dias fora da colônia

Reprodução

Metamorfose
Incompleta (hemimetabolia)
Reprodução
Sexuada; voo nupcial com formação de casal monogâmico (rei e rainha)
Fecundidade
Rainha põe de centenas a >20.000 ovos/dia conforme espécie
Maturidade da colônia
2 a 5 anos até produzir novos siriris
Sazonalidade
Revoadas crepusculares após chuvas, principalmente primavera-verão

Habitat

Ambientes

  • Solo e subsolo
  • Troncos e copas de árvores
  • Cupinzeiros epígeos (montículos)
  • Madeira seca em edificações
  • Serrapilheira e áreas urbanas iluminadas

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Amazônia
  • Caatinga
  • Pampa
  • Pantanal

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Celulose de madeira e serrapilheira (na colônia)

Outros alimentos

  • Húmus
  • Fungos simbiontes
  • Papel e papelão
  • Folhas secas

Encontrado em 1 país

  • Brasil

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Blattodea
Infraordem
Isoptera
Família
Termitidae (principal), Rhinotermitidae, Kalotermitidae
Gênero
Nasutitermes, Syntermes, Coptotermes, entre outros
Espécie
Diversas espécies - siriri é a casta alada, não uma espécie única

Resumo

  • Siriri é o nome popular da forma alada e reprodutiva dos cupins, que faz a revoada nupcial para fundar novas colônias.
  • A revoada ocorre no fim de tarde após chuvas da primavera e verão, com forte atração por luzes artificiais e queda das asas logo após o pouso.
  • Não pica nem é venenoso, mas indica presença de cupinzeiro próximo e pode iniciar infestação se o casal encontrar madeira úmida e abrigo.

Características

Ficha do inseto

OrdemBlattodea (Infraordem Isoptera)
FamíliaPrincipalmente Termitidae, Rhinotermitidae e Kalotermitidae
Origem e distribuiçãoNativa do Brasil; ocorre em todo o território nacional
TamanhoCorpo 4 a 15 mm; envergadura com asas 10 a 35 mm
Coresmarrom-escurocaramelopretobege-amarelado
Asas e voo4 asas membranosas iguais, voo curto e desajeitado; asas caem após revoada
AlimentaçãoCelulose de madeira, folhas secas, húmus e fungos (na colônia)
MetamorfoseIncompleta (hemimetabolia)
Expectativa de vidaOperários 1 a 2 anos; rainha 15 a 25 anos; siriri alado vive horas a dias
HabitatSolo, troncos, cupinzeiros arborícolas, montículos e madeiramento urbano
Comportamento socialEussocial; colônia com rei, rainha, operários e soldados
Principais predadoresPássaros, morcegos, formigas, lagartixas e aranhas

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
Importância para o ecossistemaMuito alto
Presença em casasMuito alto
Benefício para a agriculturaMédio
Dano às plantasBaixo
Vida em grupoMuito alto

O que é siriri e como identificar sem confundir

Siriri não é uma espécie, é uma fase. É o nome popular do cupim alado, a casta reprodutora de cupins que ganha asas apenas para a revoada nupcial. Depois do voo, ele perde as asas e vira rei ou rainha de uma nova colônia.

Na prática, você identifica o siriri por quatro asas longas, translúcidas e do mesmo tamanho, que ultrapassam o abdômen em até o dobro do corpo. As antenas são retas e moniliformes, bem diferentes das antenas geniculadas (dobradas) das formigas.

A confusão mais comum é com a formiga tananá ou içá. A diferença é clara: siriri tem cintura larga, quase sem afunilamento entre tórax e abdômen, e asas de tamanho igual. Formigas aladas têm cintura fina e dois pares de asas de tamanhos diferentes.

As cores variam conforme a espécie de origem: de caramelo-claro a marrom-escuro ou preto. Espécies de solo como Syntermes geram siriris maiores (até 15 mm), enquanto Nasutitermes e Coptotermes geram indivíduos menores e mais escuros.

Por que o siriri aparece em nuvem e quando isso acontece

A revoada é sincronizada. Após a primeira chuva forte da primavera, com ar úmido e temperatura abafada no fim de tarde, colônias maduras liberam milhares de alados ao mesmo tempo. É uma estratégia para saturar predadores e aumentar a chance de acasalamento.

O gatilho é ambiental: queda de pressão, umidade alta e luz baixa do crepúsculo. Por isso as ocorrências se concentram entre setembro e janeiro na maior parte do Brasil, com pico em outubro e novembro no Sudeste e Centro-Oeste.

O voo é curto e desajeitado. O siriri é fortemente atraído por luz branca e amarela, o que explica a invasão de casas, postes e janelas. Ele não está buscando sua casa, está buscando luz como referência de céu aberto.

Em poucos minutos após pousar, o inseto quebra as asas na base com movimentos bruscos. O chão cheio de asinhas soltas é o sinal clássico de que a revoada passou e os casais já estão procurando frestas para se abrigar.

Onde vive: do cupinzeiro ao forro da sua casa

A colônia-mãe pode estar em três lugares principais: subterrânea (solo), arborícola (árvores e postes) ou de madeira seca (móveis, forros, batentes). Cada tipo gera um siriri ligeiramente diferente e exige manejo distinto.

No Cerrado e na Mata Atlântica, montículos de terra e ninhos escuros em troncos de Nasutitermes são a fonte mais visível. Em áreas urbanas, Coptotermes gestroi, o cupim subterrâneo, é o mais preocupante porque constrói túneis de terra e ataca madeiramento estrutural.

O siriri em si não vive solto. Se não encontrar parceiro e local úmido e escuro em poucas horas, morre desidratado. Quando encontra, o casal se fecha em uma câmara nupcial e nunca mais sai.

  • Fora de casa: solo úmido, troncos ocos, montes de folhas e madeira empilhada.
  • Dentro de casa: frestas de janelas, ralos, forros de madeira, rodapés e caixas de luz.

Ciclo de vida e reprodução: de voo a rainha de 25 anos

O ciclo é de metamorfose incompleta. Do ovo nasce uma ninfa que já se parece com um adulto em miniatura e vai se diferenciando em operário, soldado ou alado, conforme feromônios da colônia.

Na revoada, machos e fêmeas voam, se encontram no chão e praticam o voo em tandem: a fêmea na frente e o macho atrás, tocando o abdômen dela com as antenas até achar um abrigo. Ali ocorre a cópula e a fundação da nova colônia.

Uma rainha fecundada pode viver 15 a 25 anos e pôr milhares de ovos por dia no auge – em Syntermes dirus há registros de mais de 20 mil ovos/dia. O rei permanece ao lado dela por toda a vida, algo raro entre insetos sociais.

A colônia só volta a produzir novos siriris quando está madura, o que leva 2 a 5 anos dependendo da espécie e da oferta de alimento. Por isso, uma revoada anual indica colônia bem estabelecida por perto.

O que o siriri come (e o que ele não come)

Durante a revoada, o siriri não se alimenta. Ele vive da reserva de gordura acumulada na fase de ninfa. Sua única missão é reproduzir.

Já a colônia que ele vai fundar se alimenta de celulose. Operários digerem madeira, papel, papelão, folhas secas e húmus com ajuda de protozoários e bactérias simbiontes no intestino. Algumas espécies cultivam fungos para pré-digerir o material.

É um erro achar que siriri come roupa ou cabelo. O que atrai o casal recém-pousado é madeira úmida, papelão e solo úmido, não tecido limpo. Se sua casa tem vazamento e madeira sem tratamento, o risco de fundação é maior.

Siriri morde, pica ou transmite doença?

Não morde, não pica e não tem veneno. O aparelho bucal do alado é mastigador, mas fraco e não usado para defesa. Soldados da colônia podem morder se manipulados, mas o siriri que entra em casa é inofensivo.

Também não transmite doenças a pessoas ou pets. O incômodo é alérgico e mecânico: asas e fragmentos podem irritar olhos, nariz e pele sensível, e a nuvem de insetos pode desencadear rinite em pessoas alérgicas.

Para cães, gatos e pássaros, comer alguns siriris não causa intoxicação. O risco é apenas engasgo ou irritação gástrica leve se ingerido em grande quantidade. Ainda assim, evite que pets cacem a nuvem.

Se houver contato massivo nos olhos, lave com água corrente e procure atendimento se houver vermelhidão persistente. Não é necessário antialérgico por conta própria.

Papel no ecossistema: praga ou engenheiro ambiental?

Na nossa avaliação, o siriri é o sinal mais visível de um dos engenheiros mais importantes do solo brasileiro. Cupins revolvem toneladas de terra, decompõem madeira morta e redistribuem nutrientes.

Em Cerrado e Caatinga, seus túneis aumentam a infiltração de água e a aeração do solo, e seus montículos concentram nutrientes que viram ilhas de fertilidade. Sem eles, a ciclagem de celulose seria muito mais lenta.

O lado praga aparece na cidade. Coptotermes e Cryptotermes (cupim de madeira seca) causam prejuízo estrutural silencioso, pois comem de dentro para fora. A revoada dentro de casa é um alerta: feche frestas e inspecione forros e móveis.

Do ponto de vista agrícola, a maioria das espécies é benéfica ou neutra. Poucas atacam cana, milho ou eucalipto jovem, e mesmo assim o dano é localizado e associado a solo degradado.

Como lidar com a revoada sem veneno desnecessário

Durante a nuvem, apague luzes externas e feche janelas. Se precisar manter iluminado, deixe apenas uma luz amarela do lado de fora, longe da porta, para desviar os insetos. Bacias com água e luz sobre ela funcionam como armadilha simples e sem química.

Após a revoada, aspire ou varra as asas e os insetos mortos e vede frestas com massa ou telas. Não adianta pulverizar inseticida na nuvem: o siriri morre sozinho em horas e o veneno mata também predadores naturais como aranhas e lagartixas.

Para prevenir fundação de colônia, elimine madeira úmida encostada na parede, corrija vazamentos, afaste lenha do piso e trate madeiramento com verniz ou cupinicida preventivo apenas onde há risco estrutural. Em caso de infestação ativa (túneis de terra, pó fino de madeira, som oco), chame controle profissional com manejo integrado.

Evite jogar siriris vivos no quintal. Se soltos perto de madeira úmida, o casal pode fundar nova colônia. Descarte em lixo fechado ou ofereça a galinhas e pássaros, que são predadores naturais eficientes.

Curiosidades que pouca gente sabe sobre o siriri

O siriri carrega nas asas um ponto de fratura pré-formado na base. É por isso que as quatro asas caem quase simultaneamente com um simples contorcer do corpo, sem precisar puxar.

Apesar do voo fraco, a revoada pode reunir dezenas de milhares de indivíduos de várias colônias na mesma noite, criando uma oferta de alimento que sincroniza a reprodução de pássaros e morcegos insetívoros.

Em algumas regiões do interior, a farofa de içá e siriri já foi iguaria sazonal. O inseto é rico em gordura e proteína, mas o consumo humano hoje é raro e não recomendado sem identificação correta da espécie.

Perguntas frequentes

Siriri é cupim?

Sim. Siriri é o cupim na fase alada e reprodutiva. Ele sai em revoada para acasalar e fundar nova colônia, depois perde as asas e vira rei ou rainha.

Siriri morde ou pica?

Não. O siriri não morde, não pica e não tem veneno. O incômodo é apenas a invasão em massa atraída por luz.

Qual a diferença entre siriri e formiga alada?

Siriri tem cintura larga, antenas retas e quatro asas iguais. Formiga alada tem cintura fina, antenas dobradas e asas de tamanhos diferentes.

Por que aparece tanto siriri na chuva?

A revoada é disparada por umidade alta e temperatura abafada após as primeiras chuvas da primavera e verão, sempre ao entardecer.

Siriri traz risco para a casa?

O inseto em si não causa dano, mas o casal que encontra fresta úmida e madeira pode iniciar um novo cupinzeiro. Vede frestas e elimine madeira úmida.

Como acabar com siriri sem veneno?

Apague luzes externas, feche janelas, use bacia com água sob uma luz para capturar e aspire as asas após a revoada. Corrija vazamentos e madeira exposta.

Siriri faz mal para cachorro e gato?

Não é tóxico. Se o pet comer alguns, pode ter apenas irritação leve. Evite ingestão em grande quantidade e mantenha o ambiente fechado na revoada.

Você sabia?

1

Asas com linha de corte

A base das quatro asas tem uma sutura de fratura que permite ao siriri descartá-las em segundos após pousar, sem se ferir.

2

Rainha que vive décadas

Enquanto o siriri vive horas fora da colônia, a rainha que ele origina pode viver até 25 anos pondo milhares de ovos por dia.

3

Cupim não é formiga

Apesar da aparência, cupins são parentes das baratas (ordem Blattodea) e não das formigas, com parentesco confirmado por genética.

4

Revoada marca o calendário

No Sudeste, a primeira revoada grande após a chuva de setembro é usada por agricultores como sinal de início da estação chuvosa.

Fontes

  1. Embrapa - Cupins
  2. GBIF - Isoptera
  3. Universidade de São Paulo - Museu de Zoologia

Prós e contras: Siriri

Prós

  • Indica ecossistema saudável e solo biologicamente ativo
  • Recicla madeira morta e devolve nutrientes ao solo
  • Serve de alimento para pássaros, morcegos e lagartixas
  • Ajuda na aeração e infiltração de água no solo
  • Revoada é previsível e fácil de manejar sem química

Contras

  • Revoada invade casas atraída por luz e suja o ambiente
  • Pode fundar nova colônia em madeira úmida e causar prejuízo estrutural
  • Asas e fragmentos podem irritar alérgicos
  • Difícil distinguir de formiga alada para leigos
  • Controle estrutural exige serviço profissional quando há infestação
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o siriri é injustamente tratado como praga urbana quando, na verdade, é um bioindicador de solo vivo e de chuva chegando. O manejo inteligente é apagar luzes na revoada e corrigir umidade e madeira exposta, reservando veneno apenas para infestação estrutural confirmada.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

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Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.