🐛 Insetos

Gafanhoto-peregrino

Schistocerca gregaria

Atualizado em

6 a 8 cm (adulto)Tamanho
Herbívoro generalistaAlimentação
Metamorfose incompletaCiclo de vida
Regiões áridas e semiáridasHabitat
Não pica e não é venenosoPerigo para humanos
Gafanhoto-peregrino adulto em fase gregária com coloração amarela e preta, corpo inteiro em vista lateral

O gafanhoto-peregrino (Schistocerca gregaria) é o gafanhoto migratório mais famoso do mundo, conhecido por sair da fase solitária e formar enxames de dezenas de milhões de indivíduos capazes de atravessar países inteiros. É diferente do gafanhoto comum de jardim pelo tamanho maior, pelas asas longas e pela mudança drástica de cor e comportamento quando se agrupa.

Na fase solitária vive discreto e quase não chama atenção, mas quando as chuvas e a oferta de alimento concentram muitos indivíduos, ele se torna gregário, escurece, fica mais ativo e passa a voar em grupo. Na América do Sul, o equivalente ecológico é o Schistocerca cancellata, com biologia muito parecida e que já causou surtos no Brasil e na Argentina.

Apesar do impacto agrícola devastador, não pica, não é venenoso e não transmite doenças. O risco está na voracidade: um único enxame pequeno pode consumir em um dia o mesmo que 35 mil pessoas comeriam.

Também conhecido como: Gafanhoto-do-deserto, Gafanhoto migratório, Desert locust (inglês), Criquet pèlerin (francês), Langosta peregrina (espanhol)

Faz parte de: Insetos Voadores, Pragas de Jardim

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Galeria de fotos de Gafanhoto-peregrino

Gafanhoto-peregrino adulto em fase gregária com coloração amarela e preta, corpo inteiro em vista lateral
Adulto de gafanhoto-peregrino em fase gregária, com asas longas e coloração amarela e preta.
Close extremo da cabeça do gafanhoto-peregrino mostrando olhos compostos e antenas curtas
Detalhe da cabeça com olhos compostos e antenas curtas.
Gafanhoto-peregrino com asas abertas em voo sobre paisagem árida
Voo sustentado permite deslocamentos de mais de 100 km por dia.
Bando de ninfas de gafanhoto-peregrino pretas com manchas amarelas marchando no solo
Ninfas gregárias marcham em bandos antes de ganhar asas.
Gafanhoto-peregrino se alimentando de folhas verdes de cereal
Herbívoro generalista, consome cerca do próprio peso por dia.
Nuvem densa de gafanhotos-peregrinos formando enxame no céu da savana
Enxames podem reunir dezenas de milhões de indivíduos por quilômetro quadrado.

Perfil rápido de Gafanhoto-peregrino

Estado de conservação

NE
Não Avaliada

Espécie não avaliada pela IUCN por ser praga migratória cosmopolita e muito abundante.

População
estável
Protegido por
Não protegida; sujeita a controle fitossanitário quando em surto

Calendário

Maior atividade e risco de enxamesJFMAMJJASOND
Postura de ovos após chuvasJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica

Não pica, não tem ferrão e não é venenoso. Pode dar beliscão se pressionado. Risco maior é alergia à poeira de exúvias ou intoxicação por inseticidas usados no controle.

Vida útil

Em liberdade
3 a 6 meses em clima quente; até 10 meses se houver diapausa por seca ou frio

Reprodução

Tipo de metamorfose
Incompleta (hemimetábola)
Ovos por postura
80 a 160 em ooteca subterrânea
Tempo até eclosão
10 a 14 dias em solo quente e úmido
Estágios de ninfa
5 a 6 mudas em 30 a 40 dias
Maturidade sexual
3 a 4 semanas após virar adulto
Gerações por ano
2 a 3 em condições favoráveis

Habitat

Ambientes

  • Desertos e estepes áridas
  • Savanas semiáridas
  • Áreas agrícolas irrigadas
  • Pastagens e campos abertos após chuvas

Biomas

  • Deserto
  • Savana
  • Estepe
  • Área agrícola

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Gramíneas
  • Cereais (trigo, milho, sorgo, cevada)
  • Folhas de árvores e arbustos

Outros alimentos

  • Hortaliças
  • Pastagens
  • Plântulas e brotos

Encontrado em 11 países

  • Mauritânia
  • Marrocos
  • Senegal
  • Níger
  • Etiópia
  • Quênia
  • Arábia Saudita
  • Iêmen
  • Irã
  • Paquistão
  • Índia

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Orthoptera
Família
Acrididae
Gênero
Schistocerca
Espécie
Schistocerca gregaria

Resumo

  • O gafanhoto-peregrino é um gafanhoto migratório que alterna entre fase solitária discreta e fase gregária que forma enxames gigantescos.
  • Cada indivíduo consome cerca do seu peso em vegetação por dia e os enxames podem viajar mais de 100 km diários com vento a favor.
  • Não é venenoso nem pica pessoas ou pets, mas é considerado uma das pragas agrícolas mais destrutivas do planeta.

Características

Ficha do inseto

OrdemOrthoptera
FamíliaAcrididae
Origem e distribuiçãoNorte da África, Oriente Médio e sudoeste da Ásia; equivalente sul-americano (S. cancellata) na Argentina, Bolívia, Paraguai e sul do Brasil
Tamanho4,5 a 6 cm de corpo; 10 a 16 cm de envergadura com asas abertas
Coresverdemarromamarelopretocinza (varia entre fase solitáriagregária)
Asas e vooDuas pares de asas; voo forte e sustentado, até 150 km/dia com vento
AlimentaçãoFolhas, gramíneas, cereais e quase toda vegetação verde
MetamorfoseIncompleta (ovo > ninfa > adulto)
Expectativa de vida3 a 6 meses, até 10 meses em condições frias
HabitatDesertos, estepes, savanas e áreas agrícolas após chuvas
Comportamento socialSolitário ou gregário; forma bandos de ninfas e nuvens de adultos
Principais predadoresAves, lagartos, vespas, aranhas e fungos entomopatogênicos

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
Importância para o ecossistemaMédio
Presença em casasMuito baixo
Benefício para a agriculturaMuito baixo
Dano às plantasMuito alto
Vida em grupoMuito alto

Como identificar o gafanhoto-peregrino sem confundir

O adulto tem corpo alongado de 4,5 a 6 cm, pernas traseiras muito fortes para salto e asas que ultrapassam o abdômen quando fechadas. As antenas são curtas e filiformes, e os olhos são grandes e bem separados.

A cor entrega a fase. Na fase solitária ele é verde ou marrom-claro, bem camuflado. Na fase gregária o adulto fica amarelo intenso com manchas pretas e as ninfas ficam pretas com faixas amarelas ou laranjas. Essa mudança não é outra espécie, é o mesmo inseto reagindo à superlotação.

Diferença para gafanhotos de jardim e grilos: o peregrino tem pronoto (escudo atrás da cabeça) em forma de sela e asas membranosas bem desenvolvidas para voo longo. Grilos cantam esfregando as asas e têm antenas muito mais longas; gafanhotos comuns raramente voam mais que alguns metros.

Fase solitária e fase gregária: a transformação que cria as nuvens

Esse é o ponto mais singular da espécie. O gafanhoto-peregrino é polifênico: o mesmo genótipo produz dois fenótipos completamente diferentes.

Quando há pouca densidade, ele vive sozinho, evita outros indivíduos e se reproduz pouco. Quando chuvas concentram a vegetação e muitos gafanhotos se encontram, o toque repetido nas patas traseiras aumenta a serotonina e dispara a transformação.

Em poucas horas ele fica mais ativo, mais atraído pelo grupo e muda de cor. Em uma ou duas gerações, surgem bandos de ninfas que marcham juntos e depois nuvens de adultos que voam coordenados. Um quilômetro quadrado de nuvem pode conter 40 a 80 milhões de indivíduos.

Onde vive e por que migra tanto

A área nativa do Schistocerca gregaria vai do Sahel africano ao noroeste da Índia, passando pela Península Arábica e Irã. São regiões áridas onde a chuva é irregular. Ele sobrevive em áreas de recessão e explode quando chove.

Não é residente do Brasil. Por aqui, surtos históricos são causados pelo parente próximo Schistocerca cancellata, o gafanhoto sul-americano, com biologia quase idêntica. Entender o peregrino africano ajuda a entender o risco no sul do Brasil, Paraguai e Argentina, onde ventos quentes trazem enxames.

A migração não é por frio, é por vento e alimento. Adultos sobem a 1.000 a 2.000 metros e viajam 100 a 150 km por dia com ventos favoráveis, podendo cruzar o Mar Vermelho em um único voo. Parâmetros como umidade do solo e verde da vegetação, hoje monitorados por satélite pela FAO, preveem onde a próxima geração vai nascer.

O que come e quanto estrago faz

É herbívoro generalista extremo. Come gramíneas, folhas de árvores, cereais como trigo, milho, sorgo, cevada, além de hortaliças e pastagens. Quase não há planta que seja evitada quando a fome aperta.

Cada adulto consome cerca de 2 gramas de vegetação por dia, o equivalente ao seu peso. Parece pouco, mas multiplique por milhões. Um enxame de 1 km² come em um dia o mesmo que 35 mil pessoas.

O dano não é só pela quantidade. Ninfas em bando raspam plântulas rente ao solo e adultos cortam folhas, colmos e espigas, abrindo porta para fungos. Em surtos grandes, lavouras inteiras desaparecem em horas, por isso a FAO o classifica como a praga migratória mais perigosa do mundo.

Ciclo de vida e reprodução explosiva

Tem metamorfose incompleta. A fêmea põe 80 a 160 ovos em uma ooteca enterrada a 5 a 10 cm em solo úmido e arenoso. Em solo quente, os ovos eclodem em 10 a 14 dias.

Nascem as ninfas, chamadas de hoppers, sem asas. Passam por 5 a 6 mudas em 30 a 40 dias, formando bandos que marcham no chão e comem tudo pela frente. Depois da última muda surgem as asas e o adulto já pode voar.

Em condições quentes e úmidas, o ciclo completo leva 2 a 3 meses e pode haver 2 a 3 gerações por ano. Se o ambiente seca e esfria, os adultos entram em quiescência e vivem mais, esperando a próxima chuva. Uma única fêmea pode originar milhares de descendentes em uma temporada favorável.

Como reconhecer ovos e ninfas no campo

Ovos ficam em massas espumosas subterrâneas, difíceis de ver sem escavar. Ninfas gregárias são inconfundíveis: pretas com manchas amarelas, sem asas, andando em fila. Ninfas solitárias são verdes e isoladas.

Comportamento: voo, enxames e defesa

Ninfas gregárias marcham em bandos coesos de dia e se agrupam à noite. Adultos formam nuvens densas que voam de dia e pousam ao entardecer para comer. O voo é silencioso à distância, mas de perto o zumbido de milhões de asas é audível.

Não tem ferrão, não morde para se defender e não tem veneno. A defesa é numérica e química leve: quando manipulado, pode regurgitar conteúdo marrom e liberar odor para afastar predadores, mas sem risco relevante para gente.

Um detalhe pouco conhecido: gafanhotos solitários evitam o cheiro de outros gafanhotos, enquanto os gregários são atraídos por ele. Essa inversão olfativa é o que mantém a nuvem unida.

Pica, morde ou é venenoso? Riscos reais para pessoas e pets

Não pica, não tem ferrão e não é venenoso. A mandíbula é feita para mastigar folhas e só morde se for muito pressionado entre os dedos, causando no máximo um beliscão superficial.

Para cachorros e gatos, a ingestão acidental de um ou poucos indivíduos geralmente não causa intoxicação. O risco maior é gastrointestinal leve ou exposição a inseticidas usados no controle do enxame, não ao inseto em si.

Pessoas com asma ou alergia a ácaros e baratas podem ter irritação se houver muita poeira de exúvias e fezes em locais fechados após passagem de nuvem, mas isso é raro e passageiro. Em caso de contato com olhos ou ingestão grande por pets, lave a área e procure orientação veterinária ou médica.

Papel no ecossistema e por que vira praga

Em baixa densidade, é parte normal da cadeia alimentar. Serve de alimento para aves, répteis e insetos predadores e ajuda a reciclar biomassa vegetal em áreas áridas.

Vira praga quando o equilíbrio quebra: chuvas fora de época + vegetação verde concentrada + falha no monitoramento. A agricultura irrigada e o desmatamento que cria áreas abertas também favorecem a postura.

Na nossa avaliação, o erro mais comum é tratar todo gafanhoto verde de jardim como peregrino. A maioria dos gafanhotos brasileiros é solitária, territorial e benéfica, controlando plantas invasoras. Confundir e aplicar veneno indiscriminado mata polinizadores e predadores naturais que justamente segurariam um surto.

Como lidar e como é feito o controle oficial

Para quem encontra um ou poucos no quintal, não há necessidade de controle. Remova manualmente e mantenha a vegetação aparada. Telas em horta e rotação de culturas reduzem atratividade.

Enxames verdadeiros são caso de defesa fitossanitária, não de manejo doméstico. No Brasil, o controle é coordenado pelo MAPA e órgãos estaduais, com monitoramento aéreo, previsão por satélite e aplicação localizada e autorizada. Nunca use inseticida agrícola por conta própria contra nuvens.

  • Previna: elimine solo nu e úmido onde fêmeas gostam de pôr ovos, mantenha cobertura vegetal diversificada.
  • Monitore: aviste bandos de ninfas pretas marchando? Fotografe, anote local e avise a vigilância agropecuária municipal.
  • Preserve inimigos naturais: aves, vespas e fungos como Metarhizium acridum são usados em controle biológico em vários países africanos.

Medidas caseiras como fogo, fumaça ou barulho não dispersam nuvens e só aumentam o risco de acidentes.

Perguntas frequentes

Gafanhoto-peregrino pica ou é venenoso?

Não. Ele não tem ferrão, não pica e não tem veneno. Pode apenas beliscar se for apertado com a mão.

Qual a diferença entre gafanhoto-peregrino e gafanhoto comum?

O peregrino é maior, voa longas distâncias e muda de cor e comportamento para formar enxames. Gafanhotos comuns são solitários, menores e raramente voam longe.

Gafanhoto-peregrino existe no Brasil?

A espécie africana Schistocerca gregaria não ocorre aqui. No Brasil e países vizinhos o equivalente é o Schistocerca cancellata, com comportamento muito parecido.

O que atrai gafanhoto-peregrino?

Chuvas que deixam o solo úmido e vegetação verde concentrada. Vento e áreas de solo arenoso e descampado favorecem postura e agrupamento.

Como acabar com gafanhoto-peregrino em casa?

Se for um ou poucos, retire manualmente. Enxames são caso de defesa agropecuária oficial; não aplique inseticida por conta própria e avise o órgão local.

Gafanhoto-peregrino faz mal para cachorro ou gato?

Comer um ou poucos geralmente não intoxica, mas pode causar vômito leve. O perigo maior é se o inseto foi contaminado com inseticida.

Quanto tempo vive um gafanhoto-peregrino?

De 3 a 6 meses em clima quente, podendo chegar a 10 meses se o clima esfriar e ele entrar em pausa reprodutiva.

Fatos surpreendentes sobre o gafanhoto-peregrino

1

Muda de personalidade com serotonina

O toque nas pernas traseiras eleva a serotonina e em poucas horas o gafanhoto solitário e avesso a grupo passa a buscar ativamente outros indivíduos.

2

Enxames maiores que cidades

Nuvens já registradas cobriram mais de 1.000 km², com estimativas de 40 a 80 bilhões de insetos voando juntos.

3

Voo intercontinental

Com ventos favoráveis, adultos cruzam o Mar Vermelho e percorrem até 150 km em um único dia, a mais de 1.000 metros de altitude.

4

Come o próprio peso todo dia

Um adulto consome cerca de 2 g de matéria verde diária, e um enxame de 1 km² devora o equivalente à comida de 35 mil pessoas.

Fontes

  1. FAO - Desert Locust Information Service
  2. Embrapa - Gafanhotos e Manejo Integrado
  3. GBIF - Schistocerca gregaria
  4. Universidade Federal - Entomologia Agrícola

Prós e contras: Gafanhoto-peregrino

Prós

  • Faz parte da cadeia alimentar de aves e répteis em áreas áridas
  • Indica mudanças climáticas e de vegetação monitoradas por satélite
  • Em baixa densidade ajuda a controlar excesso de biomassa vegetal
  • Base para pesquisas sobre comportamento coletivo e serotonina

Contras

  • Praga agrícola mais destrutiva do mundo quando em enxame
  • Um único enxame pode destruir lavouras de milhares de hectares em horas
  • Controle exige ação governamental cara e coordenação internacional
  • Uso de inseticidas em larga escala pode afetar polinizadores se mal aplicado
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o gafanhoto-peregrino é o melhor exemplo de como um inseto inofensivo sozinho pode virar desastre coletivo quando o clima e o uso da terra se alinham. Tentar combatê-lo como se fosse um gafanhoto de jardim é inútil; o que funciona é monitoramento precoce e preservação de predadores naturais.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

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Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.