Resumo
- O besouro-pardo-da-videira é um scarabeídeo pardo de 13 a 15 mm cuja larva coró vive no solo e ataca raízes de videira, soja e pastagens.
- Adultos fazem revoada crepuscular entre outubro e janeiro, são atraídos por luz e se alimentam de folhas à noite, deixando bordas rendilhadas.
- Não oferece perigo para pessoas e pets, mas exige manejo integrado no parreiral para evitar falhas e morte de plantas jovens.
Características
Ficha do inseto
| Ordem | Coleoptera |
|---|---|
| Família | Scarabaeidae (subfamília Rutelinae) |
| Origem e distribuição | América do Sul; comum no Sul e Sudeste do Brasil |
| Tamanho | Adulto: 13 a 15 mm de comprimento; larva: até 25 mm |
| Cores | marrom-clarocaramelomarrom-amareladobrilho esverdeado discreto |
| Asas e voo | Possui asas membranosas sob élitros; voo crepuscular e atraído por luz |
| Alimentação | Adulto: folhas de videira e outras plantas; Larva: raízes e matéria orgânica |
| Metamorfose | Completa (ovo > larva > pupa > adulto) |
| Expectativa de vida | Adulto: 2 a 4 semanas; ciclo total: 10 a 12 meses |
| Habitat | Solo úmido e vegetado; parreirais, soja, milho e pastagens |
| Comportamento social | Solitário, mas forma agregações na revoada reprodutiva |
| Principais predadores | Aves, morcegos, besouros carabídeos, vespas e fungos entomopatogênicos |
Perfil e comportamento
| Periculosidade para pessoas | Muito baixo |
|---|---|
| Importância para o ecossistema | Baixo |
| Presença em casas | Baixo |
| Benefício para a agricultura | Muito baixo |
| Dano às plantas | Alto |
| Vida em grupo | Médio |
Como identificar o besouro-pardo-da-videira sem confundir
O adulto é marrom-claro a caramelo, com brilho quase envernizado e élitros (asas duras) lisos e levemente estriados. Mede de 13 a 15 mm, tem formato oval e pernas marrom-avermelhadas com espinhos finos.
A cabeça é pequena, com antenas em forma de lamela que se abrem como leque, típicas de escarabeídeos. De perto, nota-se um reflexo esverdeado muito sutil no pronoto, que ajuda a separar de outros besouros pardos.
A larva é o famoso coró: branca, com cabeça marrom, corpo em C e três pares de pernas curtas. Ela fica no solo e pode chegar a 25 mm. É muito parecida com larvas de outros scarabeídeos, por isso a identificação segura considera o raster (padrão de pelos na ponta do abdômen), avaliado por técnicos.
Onde vive e por que é tão comum em parreirais
No Brasil, ocorre principalmente no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Minas Gerais, justamente onde se concentra a viticultura. Também aparece em áreas de soja, milho e pastagens.
Vive em solos com cobertura vegetal e matéria orgânica, onde a fêmea põe ovos. Parreirais com solo descoberto entre linhas ou com excesso de palhada úmida favorecem a postura. Em vinhedos novos, o ataque é mais visível porque poucas larvas já comprometem o pegamento.
Adultos saem do solo na revoada de primavera e verão e ficam em folhagens próximas. Durante o dia se escondem sob folhas ou no solo; ao entardecer levantam voo. Essa ligação com áreas agrícolas explica por que a espécie é mais vista perto de luzes de galpões rurais.
O que come: o estrago duplo do adulto e da larva
O adulto se alimenta de folhas de videira, soja, feijão e plantas nativas, fazendo perfurações e rendilhados na borda da folha. O dano foliar raramente mata a planta, mas reduz área fotossintética e indica que há postura no solo.
A larva é o estágio que realmente importa economicamente. Ela consome raízes finas e radicelas, interrompendo absorção de água e nutrientes. Em videira, causa amarelecimento, definhamento e falha de brotação na primavera seguinte.
Em alta densidade, de 10 a 20 larvas por metro quadrado já podem causar perdas perceptíveis em mudas. Em soja e pastagens, o sintoma é de reboleiras com plantas murchas que se soltam facilmente ao puxar.
Ciclo de vida e reprodução: quando acontece a revoada
Tem metamorfose completa em cerca de 10 a 12 meses, com uma geração por ano na maior parte do Sul. A fêmea põe de 20 a 40 ovos brancos a poucos centímetros de profundidade no solo, preferindo locais úmidos.
A larva passa por três instares e se alimenta durante meses. No final do inverno e início da primavera, empupa em câmara de terra. O adulto emerge entre outubro e janeiro, com pico em novembro e dezembro após chuvas.
O acasalamento ocorre logo após a emergência, muitas vezes sobre a própria folhagem onde se alimentam. Machos e fêmeas são atraídos por luz artificial, por isso armadilhas luminosas capturam grandes números na revoada, mas não servem sozinhas para controle.
Comportamento: voo crepuscular, luz e defesa
É um besouro de hábito crepuscular e noturno. Voa baixo, de forma desajeitada e barulhenta, e é fortemente atraído por luz branca. Durante o dia fica imóvel, camuflado na face inferior das folhas.
Não forma colônias organizadas, mas pode aparecer em agregações de dezenas de indivíduos na revoada reprodutiva. Essa concentração é temporária e dura poucas semanas.
Como defesa, o adulto se finge de morto (tanatose) ao ser tocado e libera odor leve. Não tem ferrão, não pica e não morde. A larva se defende ficando enrolada e se aprofundando no solo quando perturbada.
Pica ou é venenoso? Riscos para pessoas, cachorros e gatos
Não pica, não morde e não é venenoso para pessoas, cachorros e gatos. O contato acidental não causa envenenamento. Em pessoas sensíveis, o contato prolongado com cerdas da larva pode causar irritação leve na pele, sem gravidade.
Cachorros que comem besouros podem ter náusea ou vômito passageiro pelo exoesqueleto quitinoso, mas não há toxina relevante. Gatos costumam ignorar o inseto por causa do gosto amargo.
Atenção apenas para alergias respiratórias em quem manuseia grandes quantidades de insetos secos, e para não confundir com besouros que liberam substâncias irritantes, como alguns cantarídeos. Em caso de ingestão grande, reação alérgica ou contato ocular, procure atendimento médico ou veterinário.
Papel no ecossistema: praga agrícola, mas não vilão absoluto
Na natureza, larvas e adultos ajudam a decompor matéria orgânica e arejar o solo ao escavar galerias. Servem de alimento para aves como quero-quero e anu-branco, morcegos e besouros predadores.
No agro, porém, é classificado como praga de solo. Em viticultura, o prejuízo vem da morte de mudas e da desuniformidade do parreiral, o que aumenta custo de replantio. Em soja e milho, pode reduzir estande inicial.
Na nossa avaliação, o erro mais comum é tratar todo coró como besouro-pardo-da-videira e aplicar controle generalizado. Cada espécie de coró tem biologia e nível de dano diferentes, e o manejo correto depende de amostragem de solo antes de qualquer decisão.
Como conviver e manejar sem prejudicar polinizadores
O manejo integrado começa com monitoramento. Antes do plantio, abra trincheiras de 25 x 25 cm até 20 cm de profundidade em vários pontos e conte larvas. A decisão de controle deve ser técnica, não por susto ao ver adultos na luz.
Medidas culturais são as mais eficazes a longo prazo: rotação de culturas, preparo adequado do solo e manejo da cobertura vegetal desfavorecem a postura. Evitar deixar o solo com excesso de palha úmida contínua na época de oviposição reduz a atração para fêmeas.
Evite armadilhas luminosas como controle principal: elas atraem mais besouros de áreas vizinhas. Prefira controle biológico com fungos como Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae e preservação de inimigos naturais. Não recomendamos marcas ou doses de inseticida; quando necessário, busque orientação de engenheiro agrônomo e da Embrapa Uva e Vinho local, priorizando produtos seletivos e aplicação localizada.
Curiosidades que pouca gente sabe sobre este besouro
O nome testaceipennis vem do latim e significa asas cor de tijolo, referência direta à cor dos élitros. A espécie foi descrita em 1851 e até hoje é confundida com outras Anomala muito semelhantes.
Apesar de parecer inofensivo, o adulto consegue detectar luz a centenas de metros e atravessa bairros inteiros em noites de revoada. É por isso que surge de repente em varandas e dentro de casas no interior, mesmo sem parreiral por perto.
As larvas se movem no solo fazendo galerias em forma de U e podem se aprofundar mais de 15 cm em períodos secos para não desidratar. Esse comportamento explica por que amostragens rasas subestimam a infestação.
Perguntas frequentes
Besouro-pardo-da-videira pica ou morde?
Não. Ele não tem ferrão e não morde pessoas ou pets; no máximo causa incômodo ao bater na luz.
Como saber se o coró no meu solo é dessa espécie?
Só pela aparência é difícil. A confirmação exige análise do raster da larva por técnico ou laboratório, pois vários corós são parecidos.
Quando aparece o besouro-pardo-da-videira?
Principalmente entre outubro e janeiro, em noites quentes e úmidas, com pico em novembro e dezembro no Sul e Sudeste.
Ele entra dentro de casa?
Pode entrar atraído por luz à noite durante a revoada, mas não infesta casas e sai sozinho ou pode ser solto do lado de fora.
Como acabar com o besouro-pardo-da-videira na videira?
Faça amostragem de solo antes de agir, use rotação, manejo da cobertura e controle biológico com fungos. Se precisar de químico, busque orientação agronômica para uso localizado e seletivo.
Armadilha de luz funciona?
Captura muitos adultos, mas isolada não controla a praga e pode atrair mais besouros para a área. Use apenas como monitoramento.
Você sabia?
Nome que entrega a cor
Anomala testaceipennis significa literalmente asas cor de tijolo, por causa do tom caramelo brilhante dos élitros.
Voo barulhento e desajeitado
Na revoada crepuscular ele bate forte nas lâmpadas e paredes, mas pousa e finge-se de morto se for tocado.
Larva que se esconde fundo
Em estiagem a larva coró desce mais de 15 cm no solo em galerias em U, escapando de amostragens superficiais.
Armadilha luminosa engana
Luz atrai adultos de longe e pode aumentar a infestação local se usada sem critério, em vez de controlar.










