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Besouro-pardo-da-videira

Anomala testaceipennis

Atualizado em

13 a 15 mm (adulto)Tamanho
Folhas (adulto) e raízes (larva)Alimentação
Metamorfose completa, ~12 mesesCiclo de vida
Solo e parreirais no Sul/SudesteHabitat
Não pica, não é venenosoPerigo para humanos
Besouro-pardo-da-videira adulto sobre folha de videira, vista macro

O besouro-pardo-da-videira (Anomala testaceipennis) é um besouro da família Scarabaeidae muito conhecido como praga de parreirais no Sul e Sudeste do Brasil. O adulto é marrom-claro e brilhante, com cerca de 13 a 15 mm, e aparece em revoada na primavera e verão.

O problema maior não é o adulto, que rendeia folhas, e sim a larva branca em forma de C, chamada de coró, que vive no solo e consome raízes. Por isso o dano costuma ser silencioso e só aparece quando a planta já está enfraquecida.

Apesar da fama de praga, ele não pica, não morde e não transmite doenças, e tem papel natural na ciclagem de matéria orgânica no solo.

Também conhecido como: Besouro-pardo, Besouro-da-videira, Coró-da-videira (larva), Anomala testaceipennis

Faz parte de: Insetos do Brasil, Insetos Voadores, Pragas de Jardim

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Galeria de fotos de Besouro-pardo-da-videira

Besouro-pardo-da-videira adulto sobre folha de videira, vista macro
Adulto de besouro-pardo-da-videira com coloração caramelo brilhante.
Close extremo da cabeça e antenas lameladas do besouro-pardo-da-videira
Detalhe da cabeça e das antenas em leque típicas de scarabeídeos.
Besouro-pardo-da-videira em voo com asas abertas ao entardecer
Voo crepuscular durante a revoada reprodutiva.
Larva coró branca em forma de C do besouro-pardo-da-videira no solo
Larva coró, fase que ataca raízes no solo.
Besouro-pardo-da-videira se alimentando de folha de videira com bordas rendilhadas
Adulto se alimentando à noite, deixando folhas rendilhadas.
Besouro-pardo-da-videira ao lado de folha para comparação de tamanho
Tamanho real do adulto, entre 13 e 15 mm.

Perfil rápido de Besouro-pardo-da-videira

Calendário

Revoada de adultosJFMAMJJASOND
Pico de oviposiçãoJFMAMJJASOND
Larvas ativas no soloJFMAMJJASOND
Pupa no soloJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxico
  • PessoasNão tóxico

Não pica nem morde; ingestão acidental pode causar irritação gástrica leve em pets sensíveis.

Vida útil

Na natureza
Ciclo de ~12 meses; adulto vive 2 a 4 semanas
Fase larval
6 a 9 meses no solo, 3 instares

Reprodução

Metamorfose
Completa: ovo, larva, pupa e adulto
Oviposição
20 a 40 ovos no solo úmido, poucos cm de profundidade
Período reprodutivo
Primavera e verão, pico de outubro a janeiro
Comportamento
Revoada crepuscular; acasalamento na folhagem após emergência

Habitat

Ambientes

  • Solo de parreirais, pomares, lavouras de soja e milho
  • Pastagens e áreas com matéria orgânica
  • Bordas de mata e áreas periurbanas com luz artificial

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Pampa
  • Cerrado

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Folhas de videira (adulto)
  • Raízes finas e radicelas (larva)

Outros alimentos

  • Folhas de soja, feijão e plantas nativas
  • Matéria orgânica do solo

Encontrado em 4 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Uruguai

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Coleoptera
Família
Scarabaeidae
Gênero
Anomala
Espécie
Anomala testaceipennis

Resumo

  • O besouro-pardo-da-videira é um scarabeídeo pardo de 13 a 15 mm cuja larva coró vive no solo e ataca raízes de videira, soja e pastagens.
  • Adultos fazem revoada crepuscular entre outubro e janeiro, são atraídos por luz e se alimentam de folhas à noite, deixando bordas rendilhadas.
  • Não oferece perigo para pessoas e pets, mas exige manejo integrado no parreiral para evitar falhas e morte de plantas jovens.

Características

Ficha do inseto

OrdemColeoptera
FamíliaScarabaeidae (subfamília Rutelinae)
Origem e distribuiçãoAmérica do Sul; comum no Sul e Sudeste do Brasil
TamanhoAdulto: 13 a 15 mm de comprimento; larva: até 25 mm
Coresmarrom-clarocaramelomarrom-amareladobrilho esverdeado discreto
Asas e vooPossui asas membranosas sob élitros; voo crepuscular e atraído por luz
AlimentaçãoAdulto: folhas de videira e outras plantas; Larva: raízes e matéria orgânica
MetamorfoseCompleta (ovo > larva > pupa > adulto)
Expectativa de vidaAdulto: 2 a 4 semanas; ciclo total: 10 a 12 meses
HabitatSolo úmido e vegetado; parreirais, soja, milho e pastagens
Comportamento socialSolitário, mas forma agregações na revoada reprodutiva
Principais predadoresAves, morcegos, besouros carabídeos, vespas e fungos entomopatogênicos

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
Importância para o ecossistemaBaixo
Presença em casasBaixo
Benefício para a agriculturaMuito baixo
Dano às plantasAlto
Vida em grupoMédio

Como identificar o besouro-pardo-da-videira sem confundir

O adulto é marrom-claro a caramelo, com brilho quase envernizado e élitros (asas duras) lisos e levemente estriados. Mede de 13 a 15 mm, tem formato oval e pernas marrom-avermelhadas com espinhos finos.

A cabeça é pequena, com antenas em forma de lamela que se abrem como leque, típicas de escarabeídeos. De perto, nota-se um reflexo esverdeado muito sutil no pronoto, que ajuda a separar de outros besouros pardos.

A larva é o famoso coró: branca, com cabeça marrom, corpo em C e três pares de pernas curtas. Ela fica no solo e pode chegar a 25 mm. É muito parecida com larvas de outros scarabeídeos, por isso a identificação segura considera o raster (padrão de pelos na ponta do abdômen), avaliado por técnicos.

Onde vive e por que é tão comum em parreirais

No Brasil, ocorre principalmente no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Minas Gerais, justamente onde se concentra a viticultura. Também aparece em áreas de soja, milho e pastagens.

Vive em solos com cobertura vegetal e matéria orgânica, onde a fêmea põe ovos. Parreirais com solo descoberto entre linhas ou com excesso de palhada úmida favorecem a postura. Em vinhedos novos, o ataque é mais visível porque poucas larvas já comprometem o pegamento.

Adultos saem do solo na revoada de primavera e verão e ficam em folhagens próximas. Durante o dia se escondem sob folhas ou no solo; ao entardecer levantam voo. Essa ligação com áreas agrícolas explica por que a espécie é mais vista perto de luzes de galpões rurais.

O que come: o estrago duplo do adulto e da larva

O adulto se alimenta de folhas de videira, soja, feijão e plantas nativas, fazendo perfurações e rendilhados na borda da folha. O dano foliar raramente mata a planta, mas reduz área fotossintética e indica que há postura no solo.

A larva é o estágio que realmente importa economicamente. Ela consome raízes finas e radicelas, interrompendo absorção de água e nutrientes. Em videira, causa amarelecimento, definhamento e falha de brotação na primavera seguinte.

Em alta densidade, de 10 a 20 larvas por metro quadrado já podem causar perdas perceptíveis em mudas. Em soja e pastagens, o sintoma é de reboleiras com plantas murchas que se soltam facilmente ao puxar.

Ciclo de vida e reprodução: quando acontece a revoada

Tem metamorfose completa em cerca de 10 a 12 meses, com uma geração por ano na maior parte do Sul. A fêmea põe de 20 a 40 ovos brancos a poucos centímetros de profundidade no solo, preferindo locais úmidos.

A larva passa por três instares e se alimenta durante meses. No final do inverno e início da primavera, empupa em câmara de terra. O adulto emerge entre outubro e janeiro, com pico em novembro e dezembro após chuvas.

O acasalamento ocorre logo após a emergência, muitas vezes sobre a própria folhagem onde se alimentam. Machos e fêmeas são atraídos por luz artificial, por isso armadilhas luminosas capturam grandes números na revoada, mas não servem sozinhas para controle.

Comportamento: voo crepuscular, luz e defesa

É um besouro de hábito crepuscular e noturno. Voa baixo, de forma desajeitada e barulhenta, e é fortemente atraído por luz branca. Durante o dia fica imóvel, camuflado na face inferior das folhas.

Não forma colônias organizadas, mas pode aparecer em agregações de dezenas de indivíduos na revoada reprodutiva. Essa concentração é temporária e dura poucas semanas.

Como defesa, o adulto se finge de morto (tanatose) ao ser tocado e libera odor leve. Não tem ferrão, não pica e não morde. A larva se defende ficando enrolada e se aprofundando no solo quando perturbada.

Pica ou é venenoso? Riscos para pessoas, cachorros e gatos

Não pica, não morde e não é venenoso para pessoas, cachorros e gatos. O contato acidental não causa envenenamento. Em pessoas sensíveis, o contato prolongado com cerdas da larva pode causar irritação leve na pele, sem gravidade.

Cachorros que comem besouros podem ter náusea ou vômito passageiro pelo exoesqueleto quitinoso, mas não há toxina relevante. Gatos costumam ignorar o inseto por causa do gosto amargo.

Atenção apenas para alergias respiratórias em quem manuseia grandes quantidades de insetos secos, e para não confundir com besouros que liberam substâncias irritantes, como alguns cantarídeos. Em caso de ingestão grande, reação alérgica ou contato ocular, procure atendimento médico ou veterinário.

Papel no ecossistema: praga agrícola, mas não vilão absoluto

Na natureza, larvas e adultos ajudam a decompor matéria orgânica e arejar o solo ao escavar galerias. Servem de alimento para aves como quero-quero e anu-branco, morcegos e besouros predadores.

No agro, porém, é classificado como praga de solo. Em viticultura, o prejuízo vem da morte de mudas e da desuniformidade do parreiral, o que aumenta custo de replantio. Em soja e milho, pode reduzir estande inicial.

Na nossa avaliação, o erro mais comum é tratar todo coró como besouro-pardo-da-videira e aplicar controle generalizado. Cada espécie de coró tem biologia e nível de dano diferentes, e o manejo correto depende de amostragem de solo antes de qualquer decisão.

Como conviver e manejar sem prejudicar polinizadores

O manejo integrado começa com monitoramento. Antes do plantio, abra trincheiras de 25 x 25 cm até 20 cm de profundidade em vários pontos e conte larvas. A decisão de controle deve ser técnica, não por susto ao ver adultos na luz.

Medidas culturais são as mais eficazes a longo prazo: rotação de culturas, preparo adequado do solo e manejo da cobertura vegetal desfavorecem a postura. Evitar deixar o solo com excesso de palha úmida contínua na época de oviposição reduz a atração para fêmeas.

Evite armadilhas luminosas como controle principal: elas atraem mais besouros de áreas vizinhas. Prefira controle biológico com fungos como Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae e preservação de inimigos naturais. Não recomendamos marcas ou doses de inseticida; quando necessário, busque orientação de engenheiro agrônomo e da Embrapa Uva e Vinho local, priorizando produtos seletivos e aplicação localizada.

Curiosidades que pouca gente sabe sobre este besouro

O nome testaceipennis vem do latim e significa asas cor de tijolo, referência direta à cor dos élitros. A espécie foi descrita em 1851 e até hoje é confundida com outras Anomala muito semelhantes.

Apesar de parecer inofensivo, o adulto consegue detectar luz a centenas de metros e atravessa bairros inteiros em noites de revoada. É por isso que surge de repente em varandas e dentro de casas no interior, mesmo sem parreiral por perto.

As larvas se movem no solo fazendo galerias em forma de U e podem se aprofundar mais de 15 cm em períodos secos para não desidratar. Esse comportamento explica por que amostragens rasas subestimam a infestação.

Perguntas frequentes

Besouro-pardo-da-videira pica ou morde?

Não. Ele não tem ferrão e não morde pessoas ou pets; no máximo causa incômodo ao bater na luz.

Como saber se o coró no meu solo é dessa espécie?

Só pela aparência é difícil. A confirmação exige análise do raster da larva por técnico ou laboratório, pois vários corós são parecidos.

Quando aparece o besouro-pardo-da-videira?

Principalmente entre outubro e janeiro, em noites quentes e úmidas, com pico em novembro e dezembro no Sul e Sudeste.

Ele entra dentro de casa?

Pode entrar atraído por luz à noite durante a revoada, mas não infesta casas e sai sozinho ou pode ser solto do lado de fora.

Como acabar com o besouro-pardo-da-videira na videira?

Faça amostragem de solo antes de agir, use rotação, manejo da cobertura e controle biológico com fungos. Se precisar de químico, busque orientação agronômica para uso localizado e seletivo.

Armadilha de luz funciona?

Captura muitos adultos, mas isolada não controla a praga e pode atrair mais besouros para a área. Use apenas como monitoramento.

Você sabia?

1

Nome que entrega a cor

Anomala testaceipennis significa literalmente asas cor de tijolo, por causa do tom caramelo brilhante dos élitros.

2

Voo barulhento e desajeitado

Na revoada crepuscular ele bate forte nas lâmpadas e paredes, mas pousa e finge-se de morto se for tocado.

3

Larva que se esconde fundo

Em estiagem a larva coró desce mais de 15 cm no solo em galerias em U, escapando de amostragens superficiais.

4

Armadilha luminosa engana

Luz atrai adultos de longe e pode aumentar a infestação local se usada sem critério, em vez de controlar.

Fontes

  1. Embrapa Uva e Vinho
  2. GBIF - Anomala testaceipennis
  3. ESALQ/USP - Entomologia Agrícola

Prós e contras: Besouro-pardo-da-videira

Prós

  • Não oferece risco para pessoas, cachorros e gatos
  • Fácil de reconhecer na revoada pelo tom caramelo brilhante
  • Indica necessidade de manejo do solo antes que o dano se espalhe
  • Serve de alimento para aves e morcegos insetívoros

Contras

  • Larva coró destrói raízes e pode matar mudas de videira
  • Revoada atrai dezenas de besouros para luzes de casas rurais
  • Confusão com outros corós leva a controle desnecessário
  • Dano radicular é silencioso e só aparece quando já avançado
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o besouro-pardo-da-videira é o exemplo clássico de praga silenciosa: o adulto chama atenção na luz, mas o prejuízo real está sob a terra. Vale mais amostrar o solo com calma do que correr para veneno ao ver besouros na varanda.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

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Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.