🐛 Insetos

Cigarra-do-cafeeiro

Quesada gigas

Atualizado em

5 a 6,5 cm, envergadura até 15 cmTamanho
Seiva do xilema de raízes e ramosAlimentação
2 a 4 anos, maioria sob o soloCiclo de vida
Cafezais e matas do NeotrópicoHabitat
Não pica, não é venenosaPerigo para humanos
Cigarra-do-cafeeiro Quesada gigas de corpo inteiro sobre ramo de café

A cigarra-do-cafeeiro, Quesada gigas, é uma das maiores cigarras do Brasil, com 5 a 6,5 cm de corpo e envergadura que chega a 15 cm. O adulto chama atenção pelo canto extremamente alto, mas o verdadeiro impacto está debaixo da terra, onde a ninfa passa anos sugando a seiva das raízes do cafeeiro.

Apesar do barulho e do dano agrícola, ela não pica, não morde e não oferece risco direto a pessoas ou pets. É uma praga específica de lavouras, sobretudo de café, e seu controle depende mais de manejo do solo e de inimigos naturais do que de inseticida.

Também conhecido como: Cigarra-gigante, Cigarra-do-café, Chicharra gigante, Quesada gigas

Faz parte de: Insetos do Brasil, Insetos Voadores, Pragas de Jardim

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Galeria de fotos de Cigarra-do-cafeeiro

Cigarra-do-cafeeiro Quesada gigas de corpo inteiro sobre ramo de café
Adulto de Quesada gigas, a cigarra-do-cafeeiro, com asas transparentes e corpo robusto.
Close extremo da cabeça da cigarra-do-cafeeiro mostrando olhos compostos
Detalhe da cabeça com olhos proeminentes e aparelho bucal sugador.
Cigarra-do-cafeeiro com asas abertas em voo sobre cafezal
Voo curto e ruidoso do adulto durante a revoada.
Ninfa da cigarra-do-cafeeiro sugando raiz de café sob o solo
Ninfa subterrânea, fase que dura anos sugando raízes.
Exúvia vazia da cigarra-do-cafeeiro grudada no tronco do cafeeiro
Exúvia deixada após a última muda, usada para monitorar infestação.
Cigarra-do-cafeeiro ao lado de folha de café para comparação de tamanho
Comparação de tamanho: adulto mede 5 a 6,5 cm de corpo.

Perfil rápido de Cigarra-do-cafeeiro

Calendário

Revoada e canto dos adultosJFMAMJJASOND
Postura de ovos nos ramosJFMAMJJASOND
Eclosão e descida das ninfas ao soloJFMAMJJASOND
Ninfas ativas no soloJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica

Não pica, não morde e não tem veneno. Pode dar espetada superficial se manuseada com força, sem gravidade.

Vida útil

Na natureza
2 a 4 anos no total; adulto vive 30 a 60 dias
Como ninfa subterrânea
2 a 3 anos sugando raízes a 20-60 cm de profundidade

Reprodução

Acasalamento
Macho canta com timbales para atrair fêmea na copa das árvores
Postura
Fêmea corta ramos finos e deposita 200 a 600 ovos em fileiras
Padrão sazonal
Revoada e cópula na estação chuvosa, de setembro a janeiro
Desenvolvimento
Ovípara, hemimetabolia; ninfas caem ao solo e vivem enterradas por anos
Eclosão
30 a 50 dias após a postura, conforme temperatura e umidade

Habitat

Ambientes

  • Cafezais e solos com raízes perenes
  • Matas de galeria e cerradão
  • Pomares de citros e eucaliptais
  • Áreas agrícolas com árvores hospedeiras próximas

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Caatinga
  • Amazônia

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Seiva do xilema de raízes de cafeeiro (Coffea arabica e C. canephora)

Outros alimentos

  • Seiva de ramos de café, citros, eucalipto, mangueira e árvores nativas

Encontrado em 9 países

  • Brasil
  • Colômbia
  • Venezuela
  • Equador
  • Peru
  • Argentina
  • Paraguai
  • México
  • Estados Unidos

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Hemiptera
Família
Cicadidae
Gênero
Quesada
Espécie
Quesada gigas

Resumo

  • A cigarra-do-cafeeiro é a Quesada gigas, cigarra grande de 5 a 6,5 cm que passa 2 a 4 anos como ninfa subterrânea sugando raízes de café.
  • O adulto vive só 30 a 60 dias, canta muito alto na estação chuvosa para acasalar e não pica nem é venenoso para humanos e pets.
  • É considerada praga do cafeeiro por enfraquecer a planta, e seu manejo combina controle cultural, biológico e monitoramento da revoada.

Características

Ficha do inseto

OrdemHemiptera
FamíliaCicadidae
Origem e distribuiçãoNeotropical, do sul dos Estados Unidos ao Brasil e norte da Argentina
Tamanho5 a 6,5 cm de corpo; envergadura de 12 a 15 cm
Coresmarrom-escuropretoverde-olivabegeasas transparentes com veias escuras
Asas e vooDois pares de asas membranosas, voo rápido e ruidoso em distâncias curtas
AlimentaçãoFitófaga, suga seiva do xilema de raízes (ninfas) e ramos (adultos)
MetamorfoseIncompleta (hemimetabolia): ovo > ninfa > adulto
Expectativa de vida2 a 4 anos no total; adulto vive 30 a 60 dias
HabitatSolo de cafezais, cerrados, matas e pomares
Comportamento socialSolitária, mas emerge em grande número na revoada
Principais predadoresPássaros, vespas, louva-a-deus, morcegos e fungos entomopatogênicos

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
Importância para o ecossistemaMédio
Presença em casasMuito baixo
Benefício para a agriculturaMuito baixo
Dano às plantasAlto
Vida em grupoMédio

Como identificar a cigarra-do-cafeeiro sem confundir

A cigarra-do-cafeeiro é a Quesada gigas, a maior cigarra comum em cafezais brasileiros. O corpo é robusto, marrom-escuro a preto com manchas verde-oliva e bege, e as asas são transparentes com veias bem marcadas e escuras.

O tamanho entrega: 5 a 6,5 cm de comprimento e asas que abertas chegam a 15 cm. É bem maior que cigarrinhas verdes de lavoura e que a cigarra-ordinária menor. Os olhos são proeminentes e avermelhados em muitos indivíduos, e o macho tem o abdômen oco que funciona como caixa de ressonância.

A ninfa, que quase ninguém vê, é esbranquiçada a caramelo, sem asas, com pernas dianteiras em forma de pá para cavar. Ela fica enterrada a 20 a 60 cm de profundidade, agarrada às raízes. Se você arrancar um cafeeiro fraco e encontrar essas ninfas grudadas nas raízes, é sinal forte da espécie.

Onde vive e por que prefere o café

Quesada gigas é neotropical e ocorre do sul dos Estados Unidos e México até o Brasil e norte da Argentina. No Brasil está presente em Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga e bordas da Amazônia, sempre onde há árvores para os adultos cantarem e solo com raízes para as ninfas.

A ligação com o café não é por acaso. O cafeeiro oferece sistema radicular denso e perene, ideal para uma ninfa que precisa sugar seiva por anos sem trocar de hospedeiro. Solos mais argilosos e úmidos, com sombreamento parcial, favorecem a sobrevivência das ninfas.

Fora do café, ela usa citros, eucalipto, mangueira e árvores nativas como hospedeiros alternativos. Por isso lavouras próximas a matas ou a pomares velhos tendem a ter mais pressão da praga. Ela não vive dentro de casas e só entra por acidente atraída pela luz durante a revoada.

O que ela come e como prejudica o cafeeiro

Tanto ninfa quanto adulto são sugadores de xilema, o vaso que leva água e sais minerais. A ninfa espeta as raízes finas com o estilete e suga continuamente. O adulto suga ramos finos, mas o dano econômico vem quase todo da fase subterrânea.

Ao sugar por meses a fio, a ninfa reduz o vigor, amarela as folhas, provoca desfolha e queda de produção. Em infestações altas, de 30 a 50 ninfas por cova, o cafeeiro definha, seca ponteiros e pode morrer, sobretudo em anos secos quando a planta já sofre com falta d’água.

Outro problema é a postura da fêmea. Ela corta com o ovipositor a casca de ramos finos para inserir de 200 a 600 ovos em fileiras. Esses cortes causam rachaduras, seca de ponteiros e porta de entrada para fungos. Não é à toa que o produtor percebe primeiro os ramos secos no topo antes de desconfiar das raízes.

Ciclo de vida longo: anos embaixo da terra

O ciclo é hemimetábolo e longo, de 2 a 4 anos dependendo do clima e da disponibilidade de seiva. Tudo começa na estação chuvosa, quando machos cantam e fêmeas acasalam nas copas.

Após a postura nos ramos, os ovos eclodem em 30 a 50 dias. As ninfinhas caem no chão, se enterram e vão para as raízes. Ali passam por cinco estádios de ninfa, crescendo devagar e trocando de pele no escuro.

Quando completa o desenvolvimento, a ninfa madura cava um túnel até a superfície, geralmente após chuvas fortes entre setembro e novembro. Ela sobe em troncos ou estacas, fixa-se e faz a última muda: sai o adulto alado. A exúvia marrom, vazia e agarrada ao tronco, é o vestígio mais fácil de encontrar na lavoura.

  • Ovos: em ramos finos, 1 a 2 meses até eclodir
  • Ninfa subterrânea: 2 a 4 anos sugando raízes
  • Adulto: 30 a 60 dias para cantar, acasalar e morrer

O canto ensurdecedor: como e por que canta tanto

Só o macho canta, e a cigarra-do-cafeeiro é uma das mais barulhentas das Américas. O som vem dos timbales, membranas no abdômen que vibram até 400 vezes por segundo, amplificadas pelo abdômen oco. Pode passar de 90 decibéis a curta distância, audível a centenas de metros.

O canto tem duas funções: atrair fêmeas e marcar território contra outros machos. Cada espécie tem um padrão próprio, e o de Quesada gigas é um chiado contínuo, metálico e estridente, diferente do canto intermitente de outras cigarras menores.

O coro acontece nas horas mais quentes do dia, entre 10h e 16h, quando a temperatura favorece a vibração dos timbales. Por isso a revoada parece sumir de manhã cedo e no fim da tarde. Fêmeas são silenciosas e só se aproximam quando reconhecem o canto certo.

Pica, morde ou é venenosa? Riscos para pessoas e pets

Não pica, não morde e não tem veneno. O aparelho bucal é um estilete feito para perfurar planta, não pele. Acidentes são raríssimos e só ocorrem se alguém apertar o inseto contra a pele, podendo haver uma espetada superficial sem consequência médica.

Para cachorro, gato e pássaros domésticos, a ingestão acidental não é tóxica, mas pode causar engasgo ou irritação gástrica se o pet comer muitos adultos de uma vez, por causa das asas e pernas quitinosas. Não transmite doenças e não causa alergia relevante.

O único risco real é sonoro e de susto. O canto muito alto pode incomodar pessoas sensíveis a ruído, e o voo desajeitado assusta crianças. Se encontrar uma dentro de casa, basta apagar as luzes internas, acender uma externa e abrir a janela para ela sair sozinha. Em caso de espetada ou reação alérgica incomum, procure atendimento médico.

É praga mesmo? Papel no ecossistema e impacto na lavoura

Na mata, Quesada gigas tem papel ecológico: serve de alimento para aves, morcegos e vespas, e suas exúvias e adultos mortos devolvem nutrientes ao solo. As ninfas também arejam o solo ao cavar galerias. O problema surge na monocultura de café, onde há alimento farto e poucos predadores.

Em cafezais, é considerada praga-chave em Minas Gerais, São Paulo e Paraná, sobretudo em lavouras com mais de 4 anos e em solos onde o controle é difícil. O dano é silencioso porque acontece sob a terra, e o produtor só nota quando a planta já está fraca.

Por outro lado, ela não é polinizadora nem vetor de vírus como pulgões e cigarrinhas. Seu impacto é direto pela sucção. Em sistemas sombreados e com manejo biológico, a população costuma se manter baixa sem necessidade de intervenção química pesada.

Como conviver e fazer manejo sem matar outros insetos

Controle de cigarra-do-cafeeiro exige manejo integrado, porque a ninfa está protegida no solo. Não existe solução única e inseticida aplicado no adulto tem efeito muito limitado.

Medidas que funcionam melhor quando combinadas:

  • Monitoramento da revoada: conte exúvias nos troncos e observe o pico de canto entre setembro e janeiro para saber onde há foco.
  • Controle cultural: arranque e queime cafeeiros muito infestados e mortos, faça aração profunda em áreas para renovação e evite deixar raízes velhas no solo.
  • Controle biológico: preserve inimigos naturais e use fungos entomopatogênicos como Metarhizium anisopliae e Beauveria bassiana, aplicados no solo úmido no início das chuvas, que infectam as ninfas.
  • Manejo do solo: mantenha cobertura vegetal e matéria orgânica para favorecer predadores de solo e dificultar a localização das raízes pelas ninfas recém-eclodidas.

Evite aplicações preventivas de inseticida de amplo espectro na copa durante o canto: matam abelhas, vespas predadoras e não atingem as ninfas. Se precisar intervir, busque orientação técnica da Emater ou Embrapa Café para escolher produto e época com base em análise de raízes.

O que torna a cigarra-do-cafeeiro diferente

Diferente de cigarrinhas que vivem semanas, Quesada gigas aposta na longevidade subterrânea. Essa estratégia de ficar anos sugando a mesma planta explica por que o dano é cumulativo e por que a praga reaparece no mesmo talhão ano após ano se as raízes infestadas não forem eliminadas.

Outro traço singular é a sincronia da emergência. Após anos isoladas, milhares de ninfas sobem quase juntas nas primeiras chuvas fortes, criando a revoada barulhenta que marca o início da safra em muitas regiões cafeeiras. É um evento previsível e, por isso, a melhor janela para monitorar e agir.

Perguntas frequentes

Cigarra-do-cafeeiro pica ou morde?

Não. Ela suga seiva de plantas e não tem ferrão nem veneno. Só pode dar uma espetada leve se for apertada contra a pele.

Por que ela canta tão alto?

Só o macho canta, vibrando membranas chamadas timbales no abdômen para atrair fêmeas e afastar outros machos. O abdômen oco amplifica o som.

Quanto tempo vive a cigarra-do-cafeeiro?

De 2 a 4 anos no total. A maior parte é como ninfa enterrada sugando raízes; o adulto alado vive apenas 30 a 60 dias.

Qual o dano dela no café?

As ninfas sugam raízes, enfraquecem a planta, amarelam folhas e reduzem a produção. Em alta infestação, podem matar o cafeeiro.

Como acabar com a cigarra-do-cafeeiro?

Com manejo integrado: monitorar a revoada, eliminar plantas muito infestadas, preservar inimigos naturais e aplicar fungos como Metarhizium no solo úmido com orientação técnica.

Ela aparece dentro de casa?

Raramente e por acidente, atraída por luz na época da revoada. Não faz ninho dentro de casa e sai sozinha se você apagar luzes internas e abrir janelas.

Você sabia?

1

Canto de 90 decibéis

O macho de Quesada gigas pode ultrapassar 90 dB a curta distância, equivalente a um cortador de grama, e ser ouvido a mais de 400 metros na lavoura.

2

Anos sem ver a luz

A ninfa passa até 3 anos no escuro total, a 60 cm de profundidade, respirando por espiráculos e sugando seiva sem nunca subir à superfície.

3

Exúvia como armadilha de monitoramento

Produtores contam as cascas vazias grudadas nos troncos após a revoada para estimar a infestação sem precisar cavar as raízes.

4

Fungo que a infecta por dentro

O fungo Metarhizium anisopliae penetra a cutícula da ninfa no solo úmido e é hoje a principal alternativa biológica ao controle químico no café.

Fontes

  1. Embrapa Café
  2. GBIF - Quesada gigas
  3. Museu de Zoologia da USP - Cicadidae

Prós e contras: Cigarra-do-cafeeiro

Prós

  • Não oferece risco a pessoas, cachorros e gatos
  • Fácil de monitorar por canto e exúvias nos troncos
  • Tem controle biológico eficaz com fungos no solo
  • Serve de alimento para pássaros e outros predadores naturais
  • Ciclo previsível permite planejar manejo na revoada

Contras

  • Ninfa subterrânea causa dano silencioso e cumulativo no café
  • Difícil de controlar por estar protegida no solo
  • Fêmea corta ramos ao por ovos e abre porta para fungos
  • Revoada barulhenta incomoda em áreas próximas a lavouras
  • Pode matar cafeeiros jovens em infestações altas e seca
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a cigarra-do-cafeeiro é o exemplo clássico de praga silenciosa: o estrago acontece anos antes do canto aparecer. Por isso, vale mais monitorar raízes e exúvias do que tentar silenciar os adultos com veneno.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

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Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.