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Lagarta-elasmo

Elasmopalpus lignosellus (Zeller, 1848)

Atualizado em

12 a 20 mm na fase larvalTamanho
Caule e colo de plântulasAlimentação
30 a 50 dias no totalCiclo de vida
Solo seco e arenosoHabitat
Não pica e não é peçonhentaPerigo para humanos
Lagarta-elasmo com corpo verde-azulado e listras marrons sobre o solo

A lagarta-elasmo é a fase jovem da mariposa Elasmopalpus lignosellus, uma praga subterrânea famosa por atacar o colo das plantas. Com apenas 15 a 20 mm, ela perfura a base do caule e interrompe a passagem de seiva, o que mata plântulas rapidamente.

Muito comum em solos arenosos e secos, aparece com força no início da safra de soja, milho, arroz, sorgo e amendoim em todo o Brasil. O adulto é uma mariposa pequena e discreta, mas a lagarta é responsável por falhas de estande e replantio.

Apesar do tamanho, é fácil de reconhecer pelo corpo verde-azulado com faixas longitudinais marrom-avermelhadas e pelo hábito de construir um casulo de seda misturado com terra junto ao colo da planta.

Também conhecido como: Lagarta-do-colo, Broca-do-colo, Broca-do-colo-do-amendoim, Lesser cornstalk borer (inglês), Barrenador menor del tallo (espanhol)

Faz parte de: Insetos do Brasil, Pragas de Jardim

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Galeria de fotos de Lagarta-elasmo

Lagarta-elasmo com corpo verde-azulado e listras marrons sobre o solo
Lagarta-elasmo em detalhe, com as faixas longitudinais características.
Close extremo da cabeça escura da lagarta-elasmo
Cabeça marrom-escura e mandíbulas que perfuram o colo da planta.
Mariposa adulta da lagarta-elasmo com asas cor de palha
Adulto da lagarta-elasmo, mariposa pequena de voo noturno.
Casulo de seda com terra da lagarta-elasmo no colo da soja
Abrigo de seda com terra construído no colo da plântula.
Plântulas de soja murchas atacadas pela lagarta-elasmo
Sintoma de coração morto em plântulas atacadas.
Comparação de tamanho da lagarta-elasmo ao lado de folha
Tamanho real da lagarta-elasmo, entre 12 e 20 mm.

Perfil rápido de Lagarta-elasmo

Calendário

Maior atividade da lagartaJFMAMJJASOND
Período de postura dos adultosJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão peçonhenta e não urticante

Não oferece risco por contato ou ingestão acidental; não requer atendimento médico por veneno.

Vida útil

Na natureza
30 a 50 dias do ovo ao adulto; adulto vive 7 a 14 dias

Reprodução

Metamorfose
Completa: ovo, lagarta, pupa e adulto
Ovos por fêmea
100 a 200, postos isolados no solo
Período de reprodução
Durante toda a safra quente, com picos após semeadura em solo seco
Pupa
Dentro do casulo de seda no solo, por 7 a 10 dias

Habitat

Ambientes

  • Solo arenoso e seco
  • Base do colo de plântulas
  • Áreas agrícolas e hortas
  • Restos culturais e palhada rala

Biomas

  • Cerrado
  • Caatinga
  • Mata Atlântica
  • Pampa
  • Amazônia agrícola

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Tecido interno do colo e caule de plântulas

Outros alimentos

  • Soja
  • Milho
  • Amendoim
  • Arroz
  • Sorgo
  • Feijão
  • Algodão
  • Cana-de-açúcar
  • Trigo
  • Hortaliças jovens

Encontrado em 6 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Estados Unidos
  • México
  • Colômbia
  • Paraguai

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Lepidoptera
Família
Pyralidae
Gênero
Elasmopalpus
Espécie
Elasmopalpus lignosellus

Resumo

  • A lagarta-elasmo é a larva da mariposa Elasmopalpus lignosellus, que perfura o colo de plântulas de soja, milho, amendoim e outras culturas e pode causar morte rápida da planta.
  • Tem corpo verde-azulado com listras marrons, cabeça escura e constrói um abrigo de seda com partículas de solo, onde se esconde durante o dia.
  • Ocorre em todo o Brasil, principalmente em solos secos e arenosos no início da estação chuvosa, e seu manejo depende de palhada, umidade do solo e controle biológico.

Características

Ficha do inseto

OrdemLepidoptera
FamíliaPyralidae
Origem e distribuiçãoAméricas, do sul dos EUA ao sul da América do Sul; presente em todo o Brasil
TamanhoLagarta: 12 a 20 mm; adulto: 15 a 22 mm de envergadura
Coresverde-azuladomarrom-avermelhadomarrom-escurobege
Asas e vooAdulto com duas pares de asas; voo curto e noturno
AlimentaçãoFitófaga; perfura colo e caule de plântulas
MetamorfoseCompleta (ovo, lagarta, pupa, adulto)
Expectativa de vidaAdulto: 7 a 14 dias; ciclo completo: 30 a 50 dias
HabitatSolo, base de plantas, áreas agrícolas com solo seco
Comportamento socialSolitária
Principais predadoresVespas, formigas, besouros predadores, fungos entomopatogênicos

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
Importância para o ecossistemaBaixo
Presença em casasMuito baixo
Benefício para a agriculturaMuito baixo
Dano às plantasMuito alto
Vida em grupoMuito baixo

Como identificar a lagarta-elasmo sem confundir

A lagarta-elasmo é pequena, ágil e muito característica quando vista de perto. O corpo mede de 12 a 20 mm, é verde-azulado ou amarelado com faixas longitudinais marrom-avermelhadas bem marcadas no dorso.

A cabeça é marrom-escura e brilhante, menor que a de outras lagartas de solo. Quando tocada, ela se contorce com rapidez e tenta fugir para dentro do seu abrigo.

O detalhe que entrega a espécie é o casulo de seda com terra e restos vegetais que ela constrói rente ao colo da planta. Esse tubo fica semienterrado e a lagarta se esconde ali durante o dia. Sem esse abrigo, a identificação fica mais difícil.

O adulto é uma mariposa de 15 a 22 mm de envergadura, de cor palha a marrom-clara. A fêmea é mais escura e tem as asas com tom acinzentado, o macho é mais amarelado. Voa baixo, à noite, e raramente é notado na lavoura.

Por que ela ataca exatamente o colo da planta

Diferente de lagartas que comem folhas, a elasmo é uma broca de colo. Ela raspa e perfura a região entre a raiz e o caule, logo acima ou abaixo da linha do solo, e se alimenta do interior do tecido.

Ao fazer isso, ela interrompe o fluxo de água e seiva. A plântula murcha, tomba e morre em poucos dias, mesmo que a parte aérea ainda esteja verde. É o famoso sintoma de “coração morto”.

Esse comportamento explica por que o dano é tão severo em plantas jovens. Uma única lagarta pode matar 3 a 5 plântulas em sequência enquanto se desloca no solo.

Ciclo de vida completo: de ovo a mariposa

A lagarta-elasmo tem metamorfose completa e o ciclo dura de 30 a 50 dias, dependendo da temperatura e da umidade. Em regiões quentes, pode ter várias gerações por safra.

  • Ovo: a fêmea põe de 100 a 200 ovos isolados no solo, perto do colo das plantas ou em restos culturais. São esverdeados e eclodem em 3 a 5 dias.
  • Lagarta: fase que dura 14 a 21 dias e tem 5 a 6 ínstares. É a única fase que causa dano econômico. Vive dentro do casulo de seda e sai para se alimentar, principalmente à noite.
  • Pupa: empupa dentro do próprio casulo, no solo, por 7 a 10 dias. A pupa é marrom-clara e fica protegida pela seda e terra.
  • Adulto: mariposa vive de 7 a 14 dias, acasala à noite e reinicia o ciclo. Não se alimenta de plantas cultivadas.

Períodos secos e solos com pouca cobertura aceleram o desenvolvimento. Chuva forte e solo úmido prejudicam ovos e lagartas jovens, que são sensíveis ao encharcamento.

Onde vive e quando aparece no Brasil

A espécie ocorre em todo o continente americano, do sul dos Estados Unidos à Argentina, e está presente em todos os estados brasileiros. É mais frequente no Cerrado, Caatinga e áreas de agricultura em solos arenosos.

Prefere solos leves, bem drenados e secos, com pouca palhada. Por isso, áreas de plantio convencional, com solo exposto, têm maior infestação que áreas com plantio direto bem manejado.

No Brasil, o pico populacional coincide com o início da estação chuvosa, entre setembro e janeiro, quando as culturas de verão são semeadas e as plântulas estão vulneráveis. Em veranicos, o ataque se intensifica.

O que come: culturas preferidas e sinais do ataque

É uma praga polífaga, mas tem preferência clara por gramíneas e leguminosas jovens. As culturas mais afetadas são soja, milho, amendoim, arroz, sorgo, feijão, algodão e cana-de-açúcar.

Em gramíneas, o sintoma típico é a folha central seca e facilmente destacável. Em soja e amendoim, a planta murcha, amarelece e tomba, com perfuração visível no colo.

Na nossa avaliação, o maior prejuízo não é a lagarta em si, mas a falha no estande. Como mata plântulas recém-emergidas, obriga o replantio e deixa a lavoura desuniforme, o que reduz a produtividade mesmo com baixa densidade da praga.

Como diferenciar de outras pragas de solo

Característica Lagarta-elasmo Lagarta-rosca
Tamanho 12 a 20 mm, fina 25 a 40 mm, robusta
Cor Verde-azulada com listras marrons Cinza-escura a marrom, sem listras
Abrigo Tubo de seda com terra no colo Enterrada no solo, sem tubo
Dano Perfura o colo por dentro Corta a plântula rente ao solo

Pica ou é venenosa? Riscos para pessoas e pets

A lagarta-elasmo não pica, não morde, não tem cerdas urticantes e não é peçonhenta. Pode ser manuseada sem risco de queimadura ou alergia, diferente de lagartas como a taturana.

Para cachorros, gatos e outros pets, a ingestão acidental não causa intoxicação. O único incômodo possível é irritação leve se o animal comer várias lagartas com terra junto.

Para humanos, não há necessidade de controle dentro de casa. Ela não infesta residências e só aparece em áreas agrícolas ou hortas. Se encontrar uma na horta doméstica, basta a remoção manual.

Papel no ecossistema: praga ou apenas mais um inseto?

No ambiente natural, a lagarta-elasmo tem papel limitado como decompositora e serve de alimento para predadores. Não é polinizadora e o adulto tem pouca importância ecológica.

Na agricultura, é classificada como praga primária de plântulas. A Embrapa a lista entre as principais pragas iniciais da soja e do milho, com potencial para causar perdas de 20% a 40% do estande se não manejada.

Seu dano é maior em sistemas com solo descoberto e seca. Em áreas com boa cobertura de palha, rotação de culturas e solo úmido, a população se mantém baixa naturalmente.

Como manejar e conviver sem desequilibrar o ambiente

O controle mais eficiente é preventivo e cultural, não químico isolado. Como a lagarta vive protegida no casulo, inseticida aplicado depois do dano tem baixa eficácia.

  • Mantenha palhada no solo: plantio direto com cobertura dificulta a postura e mantém a umidade, que desfavorece a lagarta.
  • Evite solo seco na semeadura: semear com boa umidade e fazer irrigação leve nos primeiros dias reduz a sobrevivência dos ovos.
  • Faça rotação e manejo de restos culturais: eliminar tigueras e plantas hospedeiras na entressafra quebra o ciclo.
  • Monitore o colo das plântulas: arranque plantas murchas e procure o tubo de seda. Nível de ação costuma ser de 5% a 10% de plantas atacadas na fase inicial.
  • Valorize o controle biológico: fungos como Beauveria bassiana e predadores naturais ajudam a manter a população baixa.

Quando necessário, o tratamento de sementes é mais eficaz que a pulverização. Em caso de infestação, procure um engenheiro agrônomo e não aplique inseticida por conta própria, para preservar inimigos naturais e polinizadores.

Curiosidades que poucos conhecem

A lagarta-elasmo é extremamente sensível à umidade. Pesquisas da Embrapa mostram que chuvas bem distribuídas nos primeiros 15 dias após a semeadura podem reduzir a infestação em mais de 70% sem nenhum outro controle.

Outro fato pouco divulgado é que ela não se alimenta de folhas. Se você vê desfolha, não é elasmo. O ataque é sempre interno, no colo, o que confunde muitos produtores que procuram lagartas nas folhas.

Apesar de ser chamada de lagarta, o nome correto para o adulto é broca-do-colo ou lesser cornstalk borer em inglês. O termo “elasmo” vem do gênero Elasmopalpus, que significa “palpo achatado”, referência às peças bucais da mariposa.

Perguntas frequentes

Lagarta-elasmo é perigosa para humanos?

Não. Ela não pica, não queima e não tem veneno. Pode ser retirada com a mão sem risco.

Como saber se o dano é de lagarta-elasmo?

A planta murcha e tomba com perfuração no colo e presença de um tubo de seda com terra grudado na base. A lagarta verde-azulada com listras marrons fica dentro desse tubo.

Qual a diferença entre lagarta-elasmo e lagarta-rosca?

A elasmo é fina, listrada e faz casulo de seda no colo; a rosca é maior, cinza e corta a planta rente ao solo sem fazer casulo.

Como acabar com a lagarta-elasmo na horta?

Mantenha o solo coberto com palha, irrigue para não deixar o solo seco e arranque plantas atacadas com o casulo. Evite inseticida sem orientação técnica.

Quando a lagarta-elasmo mais aparece?

No início da safra, de setembro a janeiro, principalmente em solos arenosos e secos e durante veranicos.

Ela ataca soja e milho?

Sim, são duas das culturas preferidas, junto com amendoim, arroz, sorgo e feijão, sempre na fase de plântula.

Você sabia?

1

O casulo de terra é a assinatura

Ela tece um tubo de seda e cola grãos de areia e restos vegetais. Esse abrigo a protege do sol e de predadores e fica colado no colo da planta, quase invisível.

2

Morre com solo úmido

Ovos e lagartas jovens não resistem a solo encharcado. Por isso, anos com veranico no início da safra têm surtos muito maiores que anos chuvosos.

3

Anda muito para uma lagarta tão pequena

Uma única lagarta pode se deslocar até 1 metro no solo e atacar várias plântulas em sequência, deixando um rastro de plantas murchas enfileiradas.

4

Adulto quase não é visto

A mariposa voa apenas ao entardecer e tem cor de palha seca, o que a camufla perfeitamente. A maioria dos produtores só conhece a fase larval.

Fontes

  1. Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
  2. GBIF - Global Biodiversity Information Facility
  3. ESALQ/USP - Entomologia Agrícola

Prós e contras: Lagarta-elasmo

Prós

  • Indica desequilíbrio de manejo do solo, ajudando a corrigir cobertura e umidade
  • Serve de alimento para predadores naturais como vespas e besouros
  • Não oferece risco à saúde humana ou de pets
  • Fácil de monitorar pelo sintoma de murcha e pelo casulo no colo

Contras

  • Pode matar plântulas e causar falhas graves no estande
  • Uma única lagarta ataca várias plantas em sequência
  • Vive protegida em casulo de terra, o que dificulta controle químico tardio
  • Surtos são mais intensos em solos secos e arenosos, comuns no Cerrado
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a lagarta-elasmo é o exemplo clássico de praga pequena com dano grande: subestimada por quem olha só a folha, mas decisiva na formação do estande. O manejo mais inteligente não é correr atrás com veneno, e sim manter solo coberto e úmido nos primeiros dias, que é o que realmente tira a vantagem dela.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

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Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.