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Vieira

Nodipecten nodosus / Pecten spp. (Família Pectinidae)

Atualizado em

8 a 17 cm de conchaTamanho
80 a 250 g com conchaPeso
10 a 20 anosExpectativa de vida
Fundos de areia e cascalhoHabitat
InofensivaPerigo para humanos
Vieira Nodipecten nodosus sobre fundo arenoso no mar, com concha em leque

A vieira é um molusco bivalve marinho famoso pela concha em forma de leque, com valvas desiguais e estrias radiais bem marcadas. Ao contrário de ostras e mexilhões, ela não fica fixa: nada batendo as valvas e tem dezenas de olhos azulados brilhantes na borda do manto.

No Brasil, as espécies mais conhecidas são a vieira-brasileira (Nodipecten nodosus) e a vieira-tecelã (Euvola ziczac), encontradas em fundos de areia e cascalho da plataforma continental. É muito apreciada na gastronomia pelo músculo adutor, a parte branca e macia chamada de "noz", mas tem papel ecológico importante como filtradora de água.

Também conhecido como: Vieira-brasileira, Coquille Saint-Jacques, Scallop, Pé-de-leque, Concha de peregrino

Faz parte de: Animais Marinhos do Brasil, Polvos, Lulas e Moluscos

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Galeria de fotos de Vieira

Vieira Nodipecten nodosus sobre fundo arenoso no mar, com concha em leque
Vieira-brasileira com a concha em leque característica sobre areia.
Close-up dos olhos azuis da vieira na borda do manto
Detalhe dos olhos com espelho azulado na borda do manto.
Detalhe da textura da concha da vieira com costelas radiais
Textura da concha com costelas radiais e anéis de crescimento.
Vieira nadando a jato com valvas abertas
Vieira em nado a jato, batendo as valvas para escapar.
Vieira jovem fixada por filamentos de bisso em grama marinha
Filhote de vieira fixado por bisso antes da fase livre.
Vieira semi-enterrada e camuflada no fundo de cascalho
Vieira semi-enterrada e camuflada no fundo arenoso.

Perfil rápido de Vieira

Estado de conservação

NE
Não Avaliada

Maioria das vieiras comerciais ainda não tem avaliação individual na Lista Vermelha da IUCN.

População
desconhecida
Protegido por
Manejo por tamanho mínimo e defeso em estados do Sudeste e Sul; proibições locais de arrasto

Calendário

Reprodução - picoJFMAMJJASOND
Assentamento de larvasJFMAMJJASOND
Maior risco de biotoxinas (florações)JFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica por si, mas acumula biotoxinas de algas (PSP/DSP) se de área contaminada

Cozinhar não elimina saxitoxina. Consuma apenas produto inspecionado e respeite interdições sanitárias.

Vida útil

Na natureza
10 a 20 anos; até 22 anos em águas frias e profundas
Em cultivo
12 a 24 meses até tamanho comercial de 7 a 10 cm

Reprodução

Acasalamento
Sem acasalamento; liberação sincronizada de gametas na água
Estrutura social
Solitária, mas forma bancos esparsos em fundos favoráveis
Padrão sazonal
Desova principal na primavera-verão; picos entre setembro e fevereiro no Brasil
Tipo de nascimento
Ovípara com fecundação externa; larva véliger planctônica por 2 a 4 semanas
Ninhada
1 a 25 milhões de óvulos por evento; sem cuidado parental

Habitat

Ambientes

  • Fundos arenosos e cascalho
  • Areia grossa com conchas e rodolitos
  • Pradarias de fanerógamas marinhas
  • Plataforma continental costeira

Biomas

  • Zona nerítica
  • Plataforma continental
  • Sistema costeiro-marinho

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Fitoplâncton
  • Microalgas diatomáceas e dinoflagelados

Outros alimentos

  • Detritos orgânicos em suspensão
  • Bactérias e nanoplâncton
  • Pequeno zooplâncton ocasional

Encontrado em 10 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Uruguai
  • Chile
  • Peru
  • Estados Unidos
  • França
  • Espanha
  • Reino Unido
  • Japão

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Mollusca
Classe
Bivalvia
Ordem
Pectinida
Família
Pectinidae
Gênero
Nodipecten / Euvola / Pecten
Espécie
Nodipecten nodosus (vieira-brasileira), Euvola ziczac, Pecten jacobaeus (referência)

Resumo

  • Vieira é um molusco bivalve da família Pectinidae, com concha em leque, até 200 olhos azuis na borda do manto e capacidade única de nadar a jato batendo as valvas.
  • Vive em fundos arenosos e de cascalho entre 5 e 100 metros de profundidade, filtrando fitoplâncton, e é hermafrodita com fecundação externa e larva planctônica.
  • É inofensiva para humanos, mas pode acumular biotoxinas de algas se coletada em áreas contaminadas, e sofre pressão de pesca e degradação de habitat no Brasil.

Características

Ficha da espécie

GrupoMolusco bivalve
OrdemPectinida
FamíliaPectinidae
Origem e distribuiçãoCosmopolita; no Brasil do Amapá ao Rio Grande do Sul, além de Atlântico Norte e Pacífico
Tamanho8 a 17 cm de largura da concha (exceções até 23 cm)
Peso80 a 250 g com concha; 15 a 40 g só o músculo adutor
Coresbrancocremeamarelolaranjarosamarromroxo
Profundidade5 a 100 m; algumas espécies até 400 m
HabitatFundos arenosos, cascalho e pradarias marinhas
AlimentaçãoFiltradora: fitoplâncton e detritos orgânicos
ReproduçãoHermafrodita; fecundação externa com larva planctônica
Expectativa de vida10 a 20 anos na natureza
Estado de conservaçãoNão Avaliada (NE) para a maioria das espécies comerciais

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeBaixo
InteligênciaMuito baixo
VelocidadeMédio
Capacidade de migraçãoMuito baixo
Importância para o ecossistema marinhoAlto

Como identificar a vieira sem confundir com ostra ou mexilhão

A vieira tem concha em leque com duas valvas desiguais: uma mais plana e outra mais convexa, com costelas radiais bem marcadas que saem do umbo. A borda é ondulada e as famosas “orelhas” laterais, chamadas aurículas, são desiguais, detalhe que não existe em ostras.

Quando aberta, revela o manto com fileira de olhos azul-metálicos brilhantes, de 30 a 200 dependendo da espécie, e tentáculos sensoriais curtos. O músculo adutor é único, grande e central, diferente dos dois músculos de outros bivalves. A cor varia muito, de branco e creme a laranja, rosa e roxo, com manchas frequentes.

Na nossa avaliação, o erro mais comum é chamar qualquer concha em leque de vieira. Vieiras verdadeiras (Pectinidae) têm valvas que não se encaixam perfeitamente e nadam, enquanto pectens falsos e leques ornamentais são imóveis ou têm charneira diferente.

Onde vive e em qual profundidade encontrar no Brasil

No Brasil, Nodipecten nodosus e Euvola ziczac ocorrem de águas rasas até cerca de 100 metros, com maior abundância entre 10 e 60 metros em fundos de areia grossa, cascalho e perto de pradarias de fanerógamas. São animais de plataforma continental, não de recife fechado nem de mangue.

Globalmente, a família está em todos os oceanos, de águas tropicais a temperadas e frias. Espécies como Pecten maximus e Pecten jacobaeus dominam o Atlântico Nordeste e Mediterrâneo, enquanto Argopecten purpuratus é comum no Pacífico Sul. Todas preferem água limpa, bem oxigenada e com corrente moderada, onde o plâncton circula.

Elas vivem apoiadas sobre o sedimento ou levemente enterradas, nunca cimentadas como ostras. Em áreas de pesca intensa, formam bancos menos densos e mais esparsos do que antigamente.

Como nada: o molusco que bate palmas para fugir

A vieira é um dos poucos bivalves que nada ativamente. Ela abre e fecha as valvas com força, expelindo água em jatos e se impulsionando para trás em saltos curtos. É um nado desajeitado, mas eficaz para escapar de predadores como estrelas-do-mar e polvos.

Esse comportamento depende do músculo adutor estriado de contração rápida, o mesmo que vai para o prato, e do ligamento elástico que abre a concha. Quando ameaçada, pode dar 3 a 10 pulsos seguidos e depois se assentar novamente, muitas vezes girando no ar.

  • Visão: até 200 olhos com espelho de guanina que refletem luz, capazes de detectar movimento e sombra, mas sem formar imagem nítida.
  • Sensibilidade: tentáculos no manto detectam química e toque, ajudando a decidir quando nadar.
  • Fixação: jovens usam filamentos de bisso para se prender; adultos da maioria das espécies perdem o bisso e ficam livres.

O que come e como filtra o mar

A vieira é filtradora exclusiva. Bombeia água pela brânquia, que funciona como peneira, e retém fitoplâncton, microalgas, bactérias e detritos orgânicos. Uma vieira adulta pode filtrar 15 a 25 litros de água por hora em condições ideais.

Não caça nem persegue presas. O alimento é conduzido por cílios até a boca e o excesso é descartado como pseudofezes. Por isso, a qualidade da água determina diretamente o crescimento e a segurança para consumo: em florações de dinoflagelados tóxicos, ela acumula toxinas sem morrer.

Em cultivo, o crescimento é mais rápido onde há boa produtividade primária e pouca lama em suspensão. Lama excessiva entope as brânquias e reduz a filtração.

Reprodução e ciclo de vida: hermafrodita e extremamente prolífica

A maioria das vieiras é hermafrodita simultânea ou sequencial: a mesma gônada tem parte laranja (ovário) e parte creme-esbranquiçada (testículo). A liberação de óvulos e espermatozoides ocorre na água, com fecundação externa.

Uma fêmea grande pode liberar 1 a 25 milhões de óvulos por desova, com picos na primavera e verão no Brasil, entre setembro e fevereiro. Após 24 a 48 horas surge a larva véliger, que vive 2 a 4 semanas no plâncton antes de se assentar no fundo e sofrer metamorfose.

O crescimento é rápido no primeiro ano, 4 a 7 cm, e desacelera depois. A maturidade chega com 1 a 2 anos, mas a concha continua formando anéis de crescimento, usados para estimar idade, como em árvores.

Vieira é perigosa para humanos? Veneno, toxinas e alergias

A vieira não morde, não tem veneno e não ataca. O risco real é alimentar: como filtradora, pode concentrar biotoxinas paralisantes (PSP) e diarreicas (DSP) produzidas por algas, além de bactérias e metais pesados se a água estiver poluída.

Casos de intoxicação ocorrem quando há consumo de vieiras cruas ou mal cozidas de áreas sem monitoramento sanitário durante florações. O cozimento não destrói a saxitoxina. Por isso, no Brasil a coleta e comercialização devem seguir monitoramento de ficotoxinas e balneabilidade.

Outro ponto é alergia a moluscos, que pode ser grave em sensíveis, com reação cruzada entre vieira, ostra e mexilhão. Não há risco de corte pela concha se manuseada com cuidado, mas a borda pode ser afiada.

Ameaças, pesca e conservação no Brasil

As principais pressões são pesca de arrasto, dragagem, poluição costeira e aquecimento da água. O arrasto revolve o fundo, quebra conchas jovens e captura vieiras antes da primeira reprodução. No Sudeste e Sul, bancos de Nodipecten nodosus já mostraram declínios locais e defesos regionais foram adotados.

A maioria das espécies comerciais segue como Não Avaliada pela IUCN, o que não significa abundância, apenas falta de avaliação específica. Em escala global, espécies temperadas como Pecten maximus têm manejo com tamanho mínimo e cotas; no Brasil, o ordenamento varia por estado e inclui tamanho mínimo, período de defeso e proibição de arrasto em áreas sensíveis.

A maricultura de vieiras é vista como alternativa mais sustentável, mas exige licenciamento, controle de densidade e monitoramento sanitário constante. Soltar ou mover vieiras entre baías sem autorização pode espalhar doenças.

Característica Vieira (Pectinidae) Ostra Mexilhão
Fixação Livre, nada a jato Cimentada na rocha Presa por bisso
Músculo adutor 1 grande e central 1 grande 2 pequenos
Olhos Até 200 olhos com espelho Sem olhos Sem olhos
Concha Leque com aurículas desiguais Irregular e rugosa Alongada e lisa

Onde observar com responsabilidade

Mergulho autônomo ou livre em costões com fundo de areia e cascalho entre 8 e 30 metros é onde há mais chance de ver vieiras semi-enterradas, com a valva superior camuflada por algas e sedimento. Observe sem tocar: não vire a concha nem force a abertura, pois isso gasta energia vital e pode rasgar o manto.

Se encontrar uma nadando, mantenha distância e não persiga para provocar novos saltos. Fotos com luz natural, sem flash direto nos olhos, são suficientes. Nunca colete vieiras vivas para souvenir; conchas vazias já contam a história e são abrigo para ermitões.

Para consumo, prefira produto inspecionado, com rastreabilidade e SIF/SIE, e respeite defesos locais. Turismo de base comunitária que oferece degustação de vieiras de cultivo legalizado ajuda a reduzir pressão sobre bancos naturais.

Curiosidades que pouca gente sabe

A vieira tem olhos com espelho côncavo de guanina, mesmo princípio de telescópios, que foca luz na retina dupla. É um dos sistemas visuais mais sofisticados entre bivalves.

Na Idade Média, a concha de Pecten jacobaeus virou símbolo do Caminho de Santiago: peregrinos usavam a vieira como tigela, prova de peregrinação e até cantil. Daí o nome francês coquille Saint-Jacques.

O som de “palmas” que mergulhadores ouvem perto de bancos em fuga é real: o estalo das valvas se propagando na água. E a parte comestível não é a vieira inteira, apenas o músculo adutor e, em alguns países, a gônada coral; o resto é víscera e brânquia.

Perguntas frequentes

Vieira é peixe ou molusco?

É molusco bivalve da família Pectinidae, parente de ostras e mexilhões, não é peixe. Tem duas conchas articuladas e vive filtrando plâncton.

Vieira tem olhos?

Sim, de 30 a 200 olhos azulados na borda do manto, com espelho interno de guanina que detecta movimento e sombra.

Vieira nada?

Sim, é um dos poucos bivalves que nada. Bate as valvas e expele jatos de água para dar saltos para trás e fugir de predadores.

Qual parte da vieira se come?

Principalmente o músculo adutor branco, chamado noz. Em alguns países também se consome a gônada coral laranja; vísceras e brânquias não são consumidas.

Vieira pode dar intoxicação?

A carne em si não é tóxica, mas pode acumular toxinas de algas (PSP/DSP) se vier de área com floração. Só consuma produto inspecionado.

Onde encontrar vieira no Brasil?

Em fundos de areia e cascalho da plataforma continental, de 5 a 100 m, do Amapá ao Rio Grande do Sul, com destaque para Sudeste e Sul.

Vieira está ameaçada de extinção?

A maioria das espécies comerciais é Não Avaliada pela IUCN, mas bancos naturais sofrem com arrasto, poluição e aquecimento, com declínios locais já registrados.

Você sabia?

1

Até 200 olhos de espelho

Cada olho tem um espelho de guanina atrás da retina que reflete a luz como um telescópio. A vieira detecta sombras de predadores em 360 graus, mas não forma imagem nítida.

2

Nado de jato com palmas

Para fugir de estrelas-do-mar, bate as valvas e cospe jatos de água, dando saltos para trás. Consegue fazer até 10 impulsos seguidos antes de cansar.

3

Símbolo de peregrino

A concha de Pecten jacobaeus é o símbolo do Caminho de Santiago desde o século XII. Peregrinos a usavam como colher, tigela e comprovante da jornada.

4

Coral laranja é gônada

Na vieira aberta, a parte laranja-avermelhada não é ova estragada: é a porção feminina da gônada hermafrodita. Na França ela é iguaria, no Brasil costuma ser descartada.

Fontes

  1. WoRMS - World Register of Marine Species
  2. SeaLifeBase / FishBase
  3. IUCN Red List
  4. NOAA Fisheries

Prós e contras: Vieira

Prós

  • Filtra e limpa a água do mar, melhorando a qualidade ambiental
  • Ciclo de vida curto e alta fecundidade favorecem cultivo sustentável
  • Carne magra e valorizada, com bom aproveitamento do músculo adutor
  • Indicadora de saúde ambiental: presença indica água limpa e oxigenada
  • Comportamento único de nado e visão com espelhos fascina mergulhadores

Contras

  • Acumula biotoxinas de algas e exige rigoroso controle sanitário
  • Muito sensível a arrasto, dragagem e poluição de fundo
  • Bancos naturais esparsos e vulneráveis à sobrepesca
  • Larva planctônica longa sofre alta mortalidade natural
  • Transporte e manejo pós-colheita exigem cadeia de frio constante
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a vieira é o bivalve mais subestimado do litoral brasileiro: une sofisticação biológica real, com olhos de espelho e nado a jato, a um manejo que ainda é frágil. Vale mais como filtradora viva e produto de cultivo bem controlado do que como souvenir ou pesca oportunista de arrasto.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.