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Anêmona-do-mar

Actiniaria (ordem com cerca de 1.000 espécies)

Atualizado em

2 cm a 1,5 m de diâmetroTamanho
20 g a 5 kgPeso
30 a 80 anosExpectativa de vida
Recifes e costões rochososHabitat
Baixo a moderadoPerigo para humanos
Anêmona-do-mar Condylactis gigantea no recife de coral vista de corpo inteiro

A anêmona-do-mar não é planta nem flor, apesar do nome. É um animal cnidário da ordem Actiniaria, parente de corais e águas-vivas, que vive fixo ao substrato com o corpo em forma de cilindro e uma coroa de tentáculos urticantes ao redor da boca.

No Brasil é comum em costões rochosos, recifes de coral e piscinas naturais, de Fernando de Noronha a Santa Catarina, e se destaca pela simbiose com o peixe-palhaço e camarões. Apesar da aparência delicada, é uma predadora eficiente que pode viver décadas e se locomover lentamente quando precisa.

Também conhecido como: anêmona do mar, sea anemone (inglês), anémona de mar (espanhol), actínia

Faz parte de: Animais de Águas Profundas, Animais dos Recifes de Coral, Animais Marinhos do Brasil

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Galeria de fotos de Anêmona-do-mar

Anêmona-do-mar Condylactis gigantea no recife de coral vista de corpo inteiro
Anêmona-gigante Condylactis gigantea, comum no litoral brasileiro.
Close-up do disco oral e tentáculos da anêmona-do-mar
Detalhe do disco oral e dos tentáculos urticantes.
Detalhe do disco pedal da anêmona-do-mar fixado na rocha
Disco pedal que fixa a anêmona ao substrato rochoso.
Anêmona-do-mar em poça de maré no costão rochoso
Anêmona em poça de maré, habitat comum no entremarés.
Anêmona-do-mar em simbiose com camarão e caranguejo-porcelana
Simbiose com crustáceos que vivem entre os tentáculos.
Anêmona-do-mar juvenil Aiptasia em rocha
Juvenil de Aiptasia, espécie pequena e clonadora.

Perfil rápido de Anêmona-do-mar

Estado de conservação

NE
Não Avaliada

Maioria das espécies ainda não foi avaliada individualmente pela IUCN.

População
desconhecida
Protegido por
Não há proteção específica, mas recifes são protegidos por UCs no Brasil

Calendário

Reprodução sexuadaJFMAMJJASOND
Maior atividade larvalJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsTóxica
  • PessoasTóxica

Veneno por cnidócitos nos tentáculos causa queimadura, dor e vermelhidão; poucas espécies causam reações mais fortes. Não tocar.

Vida útil

Na natureza
30 a 80 anos, podendo passar de 100 anos em espécies de crescimento lento

Reprodução

Tipo
Sexuada e assexuada
Estrutura social
Solitária, mas pode formar agregações densas por clonagem
Fecundação
Externa na água ou interna com incubação
Desenvolvimento
Larva plânula planctônica que se fixa e vira pólipo
Ninhada
Dezenas a centenas de larvas; clones ilimitados por fissão

Habitat

Ambientes

  • recifes de coral
  • costões rochosos
  • piscinas naturais e poças de maré
  • fundos arenosos e lodosos
  • marinas e pilares

Biomas

  • costeiro marinho
  • recife de coral
  • entremarés
  • mar profundo

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • pequenos peixes
  • camarões e crustáceos
  • plâncton

Outros alimentos

  • larvas
  • detritos orgânicos
  • nutrientes de zooxantelas simbiontes

Encontrado em 8 países

  • Brasil
  • Estados Unidos
  • México
  • Austrália
  • Japão
  • África do Sul
  • Portugal
  • Indonésia

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Cnidaria
Classe
Anthozoa
Subclasse
Hexacorallia
Ordem
Actiniaria
Família
Várias (Actiniidae, Stichodactylidae entre outras)

Resumo

  • A anêmona-do-mar é um cnidário fixo da ordem Actiniaria que usa tentáculos com cnidócitos para capturar presas e se defender.
  • Vive em costões, recifes e fundos arenosos de todos os oceanos, do entremarés até mais de 10.000 m de profundidade, com grande diversidade no litoral brasileiro.
  • Forma simbioses famosas com peixes-palhaço e outros animais, pode se reproduzir por divisão e viver mais de 50 anos, mas é sensível à poluição e ao toque humano.

Características

Ficha da espécie

GrupoCnidário (Antozoário)
OrdemActiniaria
FamíliaVárias (ex: Actiniidae, Stichodactylidae, Aiptasiidae)
Origem e distribuiçãoTodos os oceanos, do Ártico à Antártica; comum no Atlântico ocidental incluindo Brasil
TamanhoMaioria com 3 a 30 cm de diâmetro; gigantes até 1,5 m
Peso20 g a 5 kg conforme a espécie
Coresbrancobegemarromverderosavermelholaranjaroxoazul
Profundidade0 a 10.000 m; maior diversidade entre 0 e 40 m
HabitatCostões rochosos, recifes de coral, fundos arenosos e lodosos, poças de maré
AlimentaçãoCarnívora: pequenos peixes, camarões, plâncton e detritos
ReproduçãoSexuada (ovípara e vivípara) e assexuada por fissão e brotamento
Expectativa de vida30 a 80 anos; algumas passam de 100 anos
Estado de conservaçãoMaioria Não Avaliada (NE) pela IUCN; vulnerável à degradação de recifes

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasBaixo
SociabilidadeBaixo
InteligênciaMuito baixo
VelocidadeMuito baixo
Capacidade de migraçãoMuito baixo
Importância para o ecossistema marinhoMuito alto

O que é a anêmona-do-mar e como identificá-la

A anêmona-do-mar é um cnidário antozoário sem esqueleto, da ordem Actiniaria. O corpo é um cilindro mole com três partes bem visíveis: disco pedal que fixa na rocha, coluna e disco oral com boca central rodeada por tentáculos.

Diferente do coral, ela é solitária e não forma colônia. E diferente da água-viva, não tem fase de medusa: vive toda a vida como pólipo fixo. Quando ameaçada, retrai os tentáculos e parece uma bola gelatinosa.

A identificação em campo observa número e forma dos tentáculos, cor da coluna e do disco e tamanho. Espécies comuns no Brasil como Condylactis gigantea (anêmona-gigante) têm tentáculos longos com pontas rosadas ou roxas e coluna clara. Já Bunodosoma caissarum tem coluna com verrugas coloridas e tentáculos curtos.

Onde vive e em qual profundidade ocorre no Brasil

Anêmonas ocorrem em todos os oceanos, do entremarés até fossas abissais. A maior diversidade está em águas rasas tropicais e subtropicais, entre 0 e 40 m, onde há luz, rocha e alimento.

No Brasil são encontradas em costões rochosos, recifes de coral, lajes, marinas e piscinas naturais, do Ceará a Santa Catarina, incluindo Fernando de Noronha, Abrolhos e Laje de Santos. Algumas vivem enterradas na areia com apenas os tentáculos expostos, como as do gênero Stichodactyla.

Espécies de poça de maré suportam exposição ao ar, variação de salinidade e temperatura por horas. Já as de profundidade vivem no escuro total, a mais de 3.000 m, presas a rochas ou conchas de caranguejo-eremita.

Como se alimenta e como usa os tentáculos para caçar

É carnívora e oportunista. A dieta inclui pequenos peixes, camarões, larvas, plâncton e detritos orgânicos que tocam os tentáculos. Não persegue presas: espera.

Cada tentáculo tem milhares de cnidócitos com nematocistos, cápsulas microscópicas que disparam um filamento urticante em milissegundos. O veneno paralisa a presa, que é levada à boca e digerida em uma cavidade gastrovascular.

Algumas espécies abrigam zooxantelas, microalgas simbiontes que fazem fotossíntese e fornecem parte da energia, como nos corais. Por isso, anêmonas de águas claras e rasas precisam de luz e água limpa para manter a coloração viva.

A simbiose famosa com o peixe-palhaço e outros parceiros

A relação mais conhecida é com o peixe-palhaço (Amphiprion spp.), que no Indo-Pacífico vive protegido entre os tentáculos sem ser picado graças a uma camada de muco especial. No Atlântico brasileiro essa dupla não ocorre naturalmente, mas aqui anêmonas se associam a camarões limpadores, caranguejos-porcelana e peixes-donzela.

O caranguejo carregador de anêmonas chega a segurar duas anêmonas pequenas nas pinças como luvas de boxe para se defender. Já o caranguejo-eremita transfere sua anêmona de concha para concha quando cresce.

Essa parceria é de mutualismo: a anêmona oferece abrigo e restos de alimento, e recebe limpeza, proteção contra predadores e até locomoção no caso dos eremitas.

Reprodução e longevidade: clones, ovos e divisão

A anêmona pode se reproduzir de dois jeitos. Na reprodução sexuada, libera óvulos e espermatozoides na água ou incuba larvas internamente. A larva plânula nada por dias até se fixar e virar um novo pólipo.

Na reprodução assexuada, faz fissão longitudinal (se divide ao meio), laceração pedal (deixa um pedaço do pé que vira clone) ou brotamento. Por isso, um aquário mal manejado pode ser tomado por clones de Aiptasia, considerada praga.

São animais excepcionalmente longevos. Em laboratório, exemplares de Actinia equina viveram mais de 60 anos, e há registros de anêmonas com mais de 100 anos em aquários públicos. Na natureza, o crescimento é lento e a idade é difícil de estimar, mas 30 a 80 anos é a faixa mais citada.

Como ela se move se é um animal fixo?

Apesar de séssil, pode deslizar lentamente sobre o disco pedal, a poucos centímetros por hora, para buscar luz ou fugir de predador. Também pode se soltar, inflar e flutuar com a corrente até encontrar novo ponto de fixação.

A anêmona-do-mar é perigosa para humanos?

Para a maioria das espécies, o perigo é baixo. O toque causa vermelhidão, coceira, queimação e bolhas leves, semelhante à queimadura de água-viva fraca. Lavar com água do mar e remover fragmentos com pinça ajuda; água doce e vinagre podem piorar em algumas espécies.

Poucas espécies oferecem risco maior. Stichodactyla gigantea, Heteractis magnifica e Phyllodiscus semoni têm toxinas mais potentes que podem causar dor forte, náusea e, raramente, reação alérgica grave. No Brasil, Condylactis gigantea e Bunodosoma spp. provocam queimadura dolorosa se manuseadas.

Na nossa avaliação, o risco real está na manipulação sem necessidade. Observar sem tocar é seguro. Crianças, pessoas alérgicas e mergulhadores com pele sensível devem manter distância e usar luvas e roupa de mergulho.

Ameaças, conservação e por que não tocar

A maioria das anêmonas ainda é Não Avaliada pela IUCN, mas todas dependem de recifes saudáveis. As ameaças são as mesmas dos corais: aquecimento e acidificação do oceano, poluição, pisoteio em poças de maré, coleta para aquariofilia e ancoragem sobre recifes.

Por abrigarem zooxantelas, sofrem branqueamento quando a água esquenta. Sem as algas, perdem cor, energia e ficam vulneráveis a doenças. A coleta desordenada para aquário remove indivíduos que demoram anos para crescer e se reproduzir.

Tocar, alimentar ou tentar soltar a anêmona da rocha causa estresse, lesões no disco pedal e gasto de veneno que ela precisa para caçar. Uma anêmona arrancada raramente sobrevive se recolocada.

Como observar e fotografar com responsabilidade

Prefira mergulho com cilindro ou snorkel com guia local em unidades de conservação como Parque Nacional Marinho de Abrolhos, APA Costa dos Corais e Parque Estadual da Laje de Santos. Mantenha flutuabilidade neutra e não apoie mãos ou nadadeiras no substrato.

Para fotos, use lente macro e luz lateral sem encostar. Nunca use bastão para cutucar, não alimente com peixe ou camarão e não tente fazer o peixe entrar na anêmona para a foto. Se vir anêmona branqueada ou com lixo, registre e informe o projeto local.

Em aquários marinhos, só mantenha anêmonas se tiver sistema maduro, iluminação forte, água estável e conhecimento avançado. Muitas morrem em poucos meses em aquários inadequados e podem matar peixes ao se deslocarem sobre bombas.

Curiosidades que pouca gente sabe

Anêmonas não têm cérebro nem olhos, mas têm rede nervosa difusa que percebe luz, toque e químicos. Algumas fecham em segundos ao sentir sombra de predador.

Elas travam guerras territoriais com tentáculos especiais chamados acrorhagi, carregados de veneno, que deixam cicatrizes brancas no rival. É comum ver duas anêmonas lado a lado com uma linha de guerra entre elas.

O nome anêmona vem da flor homônima, mas a semelhança é só visual. O registro fóssil de anêmonas é pobre porque não têm partes duras, porém parentes próximos já existiam há mais de 500 milhões de anos.

Espécie comum no Brasil Tamanho típico Habitat preferido
Condylactis gigantea 15 a 30 cm Recifes e fundos rochosos até 30 m
Bunodosoma caissarum 5 a 10 cm Entremarés e costões expostos
Bunodosoma cangicum 4 a 8 cm Poças de maré e lajes rasas
Aiptasia pallida 2 a 4 cm Áreas abrigadas, marinas e aquários

Perguntas frequentes

Anêmona-do-mar é planta ou animal?

É animal, um cnidário da ordem Actiniaria, parente dos corais. O nome vem da semelhança com a flor anêmona.

Anêmona-do-mar queima?

Sim. Os tentáculos têm cnidócitos que liberam toxina e causam queimação, vermelhidão e coceira. A dor varia conforme a espécie e a sensibilidade da pessoa.

Pode tocar na anêmona-do-mar?

Não é recomendado. O toque estressa o animal, pode machucar o disco pedal e ainda causa queimadura em quem toca.

Qual a diferença entre anêmona e coral?

A anêmona é um pólipo solitário e sem esqueleto calcário, enquanto a maioria dos corais forma colônias com esqueleto. Ambos são antozoários.

Anêmona-do-mar se move?

Sim, mas devagar. Desliza pelo disco pedal alguns centímetros por hora e pode se soltar para flutuar até outro local.

Onde encontrar anêmona-do-mar no Brasil?

Em costões e recifes de todo o litoral, com destaque para Abrolhos (BA), Costa dos Corais (PE/AL), Noronha (PE) e Laje de Santos (SP), do entremarés até 30 m.

Anêmona-do-mar vive quanto tempo?

Muitas vivem de 30 a 80 anos, e algumas ultrapassam 100 anos em condições estáveis, por crescerem devagar e se clonarem.

Você sabia?

1

Guerra de tentáculos

Anêmonas possuem tentáculos de combate chamados acrorhagi, usados só para atacar vizinhas da mesma espécie e garantir espaço na rocha.

2

Pode andar e nadar

Mesmo fixas, deslizam pelo disco pedal e algumas se soltam para flutuar com a corrente até achar um lugar melhor, além de inflar a coluna para se enterrar.

3

Clone que vira praga

Uma única Aiptasia pode gerar dezenas de clones por laceração pedal em semanas, motivo pelo qual é considerada praga em aquários marinhos.

4

Fóssil vivo centenário

Exemplares de Actinia equina mantidos em laboratório na Escócia viveram mais de 80 anos, e há relatos de anêmonas com mais de 100 anos em aquários públicos.

Fontes

  1. WoRMS - World Register of Marine Species
  2. NOAA - National Ocean Service
  3. IUCN Red List
  4. ICMBio - Instituto Chico Mendes

Prós e contras: Anêmona-do-mar

Prós

  • Fundamental para recifes, serve de abrigo para camarões e peixes
  • Ajuda a controlar plâncton e pequenos crustáceos
  • Indicadora de saúde do recife quando mantém zooxantelas e cor
  • Fácil de observar com snorkel sem precisar tocar
  • Longevidade impressionante para um animal sem esqueleto

Contras

  • Queimadura dolorosa se tocada, risco maior para alérgicos
  • Sensível a poluição, aquecimento e pisoteio em poças de maré
  • Pode virar praga em aquários (Aiptasia) por clonagem rápida
  • Exige aquário marinho muito estável e iluminado, não é para iniciantes
  • Crescimento lento dificulta recuperação após coleta
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a anêmona-do-mar é um dos melhores exemplos de que beleza e simplicidade escondem sofisticação: sem cérebro, ela caça, briga por território e mantém parcerias complexas. Vale mais observá-la com respeito no recife do que tentar mantê-la em aquário sem preparo.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.