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Concha-rainha

Aliger gigas

Atualizado em

15 a 30 cm de conchaTamanho
até 5 kg com conchaPeso
20 a 30 anosExpectativa de vida
Mar raso, recifes e grama marinhaHabitat
Inofensiva, não venenosaPerigo para humanos
Concha-rainha adulta sobre areia branca com grama marinha em água rasa do Caribe

A concha-rainha (Aliger gigas, sin. Lobatus gigas e Strombus gigas) é um molusco gastrópode gigante do Atlântico tropical, famoso pela concha pesada com interior rosa intenso e lábio bem expandido. É o maior caramujo comestível do Caribe e um dos mais coletados do mundo para alimentação e artesanato.

Vive em águas rasas e mornas, sobre fundos de areia, cascalho e pradarias de grama marinha, entre recifes e manguezais. Herbívora e de crescimento lento, só atinge a maturidade após 3 a 4 anos, quando o lábio da concha engrossa, o que a torna extremamente vulnerável à pesca antes de se reproduzir.

Também conhecido como: Concha-rainha, Caracol-rainha, Queen conch (inglês), Lambí (espanhol caribenho), Burgau-rainha

Faz parte de: Animais dos Recifes de Coral, Animais Marinhos do Brasil, Polvos, Lulas e Moluscos

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Galeria de fotos de Concha-rainha

Concha-rainha adulta sobre areia branca com grama marinha em água rasa do Caribe
Concha-rainha adulta com o característico lábio rosa expandido.
Close-up da cabeça da concha-rainha mostrando olhos em pedúnculos longos
Olhos em pedúnculos com lente e retina, capazes de regeneração.
Detalhe da textura da concha-rainha por fora e por dentro
Exterior espinhoso e interior rosa intenso que dá nome à espécie.
Concha-rainha em pradaria de grama marinha com recife ao fundo
Habitat preferencial: pradarias de grama marinha em águas rasas.
Concha-rainha saltando com o opérculo em forma de garra sobre a areia
Locomoção por saltos usando o opérculo como mola.
Concha-rainha juvenil com lábio fino ainda sem expansão
Juvenil de lábio fino, ainda imaturo e vulnerável à coleta.

Perfil rápido de Concha-rainha

Estado de conservação

NE
Não Avaliada

Não avaliada globalmente na IUCN, mas com populações em declínio e comércio internacional controlado.

População
Decrescente
Protegido por
Sim - CITES Apêndice II e pesca proibida no Brasil (ICMBio/IBAMA)

Calendário

Reprodução e desovaJFMAMJJASOND
Larvas no plânctonJFMAMJJASOND
Maior atividade de juvenis em berçários rasosJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica e não venenosa

Carne comestível, mas pode causar intoxicação se mal conservada ou coletada em área poluída. Concha pode cortar.

Vida útil

Na natureza
20 a 30 anos
Em cativeiro
Raramente mantida; não se adapta bem fora do habitat natural

Reprodução

Tipo de reprodução
Sexuada com fecundação interna
Estrutura social
Solitária na fase adulta; juvenis formam agregações
Época reprodutiva
Março a setembro, com pico no verão (águas mais quentes)
Tipo de desova
Ovípara; cordão gelatinoso em forma de crescente na areia
Ovos por postura
300.000 a 500.000 ovos
Desenvolvimento
Larva véliger planctônica por 18 a 26 dias antes de assentar no fundo
Maturidade sexual
3 a 4 anos, quando o lábio da concha engrossa (18 a 22 cm)

Habitat

Ambientes

  • Pradarias de grama marinha
  • Fundos arenosos e de cascalho calcário
  • Recifes de coral rasos
  • Áreas próximas a manguezais

Biomas

  • Marinho costeiro tropical
  • Recifes de coral
  • Pradarias marinhas

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Algas filamentosas e epífitas de grama marinha
  • Biofilme e microalgas do sedimento

Outros alimentos

  • Detritos vegetais
  • Folhas mortas de fanerógamas marinhas

Encontrado em 12 países

  • Brasil
  • Estados Unidos
  • México
  • Bahamas
  • Cuba
  • Jamaica
  • República Dominicana
  • Belize
  • Honduras
  • Colômbia
  • Venezuela
  • Bermudas

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Mollusca
Classe
Gastropoda
Ordem
Littorinimorpha
Família
Strombidae
Gênero
Aliger
Espécie
Aliger gigas

Resumo

  • A concha-rainha é um molusco gastrópode de até 30 cm e 5 kg, reconhecível pela concha com lábio largo e interior rosa forte.
  • Vive no Caribe, Golfo do México e litoral do Brasil em águas rasas de 0 a 30 m, associada a pradarias de gramas marinhas e recifes.
  • É herbívora, de crescimento lento e protegida pelo CITES, ameaçada pela pesca para carne, pérolas e souvenir.

Características

Ficha da espécie

GrupoMolusco gastrópode
OrdemLittorinimorpha
FamíliaStrombidae
Origem e distribuiçãoAtlântico tropical ocidental, do sul da Flórida e Bermudas ao Brasil
Tamanho15 a 30 cm de comprimento da concha (adultos)
Peso1,5 a 5 kg com concha; 300 a 700 g só de carne
Coresbegemarrom clarocreme por forarosa intensolaranjasalmão por dentro
Profundidade0 a 30 m, mais comum entre 5 e 15 m
HabitatFundos arenosos, cascalho, pradarias de grama marinha e recifes rasos
AlimentaçãoHerbívora detritívora (algas, epífitas e detritos)
ReproduçãoSexuada, ovípara, com larva véliger planctônica
Expectativa de vida20 a 30 anos na natureza
Estado de conservaçãoCITES Apêndice II; IUCN Não Avaliada globalmente, populações em declínio

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeBaixo
InteligênciaBaixo
VelocidadeMuito baixo
Capacidade de migraçãoMuito baixo
Importância para o ecossistema marinhoMuito alto

Como identificar a concha-rainha sem confundir com outras conchas

A concha-rainha adulta é inconfundível quando vista por dentro: o interior e o lábio expandido têm um rosa intenso, quase coral, que nenhum outro Strombus do Atlântico apresenta com a mesma intensidade. Por fora, a concha é pesada, bege a marrom-clara, com espira pontiaguda e fileiras de espinhos curtos e rombos.

O detalhe que entrega a idade é o lábio externo. Juvenis têm lábio fino e cortante, como uma concha comum. Adultos com 3 a 4 anos desenvolvem um lábio largo, grosso e evertido, com 1,5 a 2 cm de espessura. Sem esse lábio, o animal ainda não se reproduziu.

Outros traços úteis: olhos grandes em pedúnculos longos que se projetam da abertura, opérculo em forma de garra marrom-escuro usado para saltar, e abertura estreita e longa. Não confunda com a concha-rosa menor (Aliger costatus) ou o berbigão-de-leite (Lobatus costatus), que são menores, mais leves e com rosa mais pálido.

Característica Concha-rainha (Aliger gigas) Conchas parecidas do Caribe
Tamanho adulto 20 a 30 cm 10 a 18 cm
Lábio Muito largo e grosso, rosa forte Fino ou pouco expandido, rosa pálido
Espinhos Curtos e rombos na última volta Mais finos ou ausentes
Peso Até 5 kg Menos de 1,5 kg

Onde vive a concha-rainha e em que profundidade encontrá-la

A distribuição vai do sudeste da Flórida, Bermudas e Bahamas por todo o Caribe e Golfo do México até o Brasil, incluindo o litoral do Maranhão ao Espírito Santo. É uma espécie de água morna e rasa, típica do Atlântico tropical ocidental.

Vive entre 0 e 30 m, mas a maior densidade está entre 5 e 15 m, em fundos de areia branca, cascalho de alga calcária e, principalmente, pradarias de grama marinha (Thalassia testudinum e Syringodium). Juvenis preferem áreas mais rasas e protegidas, com algas e detritos; adultos ocupam áreas um pouco mais profundas próximas a recifes.

Ela não é de mar aberto nem de profundidade. Precisa de água clara, bem oxigenada e com boa cobertura vegetal para se alimentar e se enterrar parcialmente durante o dia. Em locais com pesca intensa, hoje só é encontrada em manchas isoladas e mais fundas.

O que a concha-rainha come e como se alimenta

É estritamente herbívora e detritívora. Não caça, não filtra e não é predadora. Usa uma probóscide extensível com rádula para raspar o substrato.

A base da dieta são algas filamentosas, epífitas que crescem sobre as folhas de grama marinha, detritos vegetais e microalgas do sedimento. Ao se arrastar lentamente, ela limpa o fundo e ajuda a manter as pradarias saudáveis, evitando o sufocamento das plantas por algas.

  • Principal: algas verdes e vermelhas filamentosas, biofilme e epífitas de grama marinha.
  • Secundário: detritos orgânicos, folhas mortas de fanerógamas e sedimento rico em matéria orgânica.
  • Comportamento: alimenta-se mais ao entardecer e à noite, enterrando-se parcialmente de dia para evitar predadores.

Essa função de pastoreio a torna engenheira do ecossistema: onde a concha-rainha desaparece, as pradarias tendem a ficar cobertas por algas e perdem produtividade, afetando peixes e tartarugas-verdes que também dependem desse habitat.

Reprodução e ciclo de vida: crescimento lento e larva viajante

A concha-rainha tem sexos separados e fecundação interna. O macho possui um órgão copulador e a fêmea armazena o esperma. A cópula ocorre no fundo, e a desova acontece na areia.

Cada fêmea produz uma massa em forma de cordão gelatinoso em crescente, com 300 mil a 500 mil ovos por postura, podendo fazer várias posturas na estação. Os ovos eclodem em 3 a 5 dias liberando larvas véliger planctônicas que ficam à deriva por 18 a 26 dias antes de assentar no fundo e se transformarem em mini-conchas.

O crescimento é lento. Leva 3 a 4 anos para formar o lábio grosso e atingir a maturidade sexual, com 18 a 22 cm. Depois disso, a concha quase não cresce em comprimento, só engrossa. Essa maturação tardia explica por que a pesca de juvenis de lábio fino é tão destrutiva: o animal é retirado antes de deixar descendentes.

Comportamento e deslocamento: o salto da concha-rainha

Apesar da concha pesada, ela não é imóvel. Move-se com um pé musculoso grande e um opérculo pontiagudo que funciona como uma mola. Em vez de deslizar, ela dá pequenos saltos bruscos, cravando o opérculo na areia e impulsionando a concha para frente.

É um animal mais ativo à noite, relativamente solitário quando adulto. Juvenis formam agregações de dezenas a centenas de indivíduos em berçários rasos, o que facilita a proteção mas também a captura predatória e humana.

Não faz migrações longas. Realiza apenas deslocamentos sazonais curtos, de algumas centenas de metros, entre áreas de alimentação e áreas de desova mais arenosas. Durante o dia, costuma ficar semienterrada na areia, com apenas os olhos e o sifão visíveis.

A concha-rainha é perigosa para humanos?

Não. É inofensiva e não possui veneno, ferrão ou toxina. Não morde, não ataca e não tem glândula de peçonha, ao contrário de cones marinhos.

O único risco é mecânico: a borda do lábio de um adulto é afiada e pode cortar a mão se manuseada sem cuidado, e o opérculo pode arranhar. A carne, se mal conservada ou coletada em áreas poluídas, pode causar intoxicação alimentar, como qualquer fruto do mar.

Para o animal, o perigo é o oposto: a coleta para consumo, souvenir e aquariofilia é a principal ameaça. Não compre conchas grandes de lábio grosso e nunca colete animais vivos na praia ou no mergulho.

Por que a concha-rainha está ameaçada e o que a protege

A concha-rainha é um caso clássico de sobrepesca por crescimento lento. Sua carne é muito apreciada no Caribe, as conchas são vendidas como enfeite e, raramente, produz pérolas rosas naturais muito valorizadas. Como demora anos para se reproduzir, populações inteiras colapsaram em décadas.

No Brasil, a pesca, coleta e comércio são proibidos por normativa do ICMBio/IBAMA, e internacionalmente a espécie está no CITES Apêndice II, que controla todo comércio exterior. Em muitos países do Caribe há cotas, tamanho mínimo de lábio e defeso na época de reprodução, mas a fiscalização falha.

Outras ameaças são a perda de pradarias de grama marinha por poluição, dragagem e turismo desordenado, a acidificação do oceano que enfraquece a concha e a coleta de juvenis que nunca chegam a repor o estoque. Onde há proteção efetiva, como em áreas marinhas de Bahamas e Flórida, as densidades voltam a subir lentamente.

Curiosidades que pouca gente sabe sobre a concha-rainha

Os olhos são surpreendentemente complexos para um caramujo: grandes, com córnea, lente e retina, ficam na ponta de pedúnculos que se regeneram se forem cortados por um predador. Ela enxerga movimento e sombra com nitidez.

Ela pode produzir uma das pérolas mais raras do mundo: a pérola rosa da concha-rainha, de brilho porcelanado e chama flamejada, que não é nacarada como a de ostras. Ocorre em apenas 1 a cada 10 mil indivíduos e não pode ser cultivada.

O som que se ouve ao encostar a concha no ouvido não é o mar, mas o ruído ambiente amplificado pela cavidade. E a concha vazia vira abrigo crucial para caranguejos-eremitas gigantes, polvos e peixes recifais.

Perguntas frequentes

Concha-rainha é perigosa ou venenosa?

Não. Ela não tem veneno, não morde e não ataca. O único cuidado é com a borda da concha, que pode cortar a mão.

Onde a concha-rainha vive no Brasil?

Em águas rasas e mornas do Nordeste e Sudeste, até o Espírito Santo, em fundos de areia, grama marinha e recifes entre 0 e 30 m.

Pode coletar concha-rainha na praia?

Não. A coleta de animal vivo é proibida no Brasil e o comércio internacional é controlado pelo CITES. Conchas vazias grandes também não devem ser compradas.

Quanto tempo a concha-rainha vive?

De 20 a 30 anos na natureza, mas só se reproduz após 3 a 4 anos, quando o lábio da concha engrossa.

O que a concha-rainha come?

Algas filamentosas, epífitas que crescem sobre grama marinha e detritos vegetais que raspa do fundo com a rádula.

Concha-rainha produz pérola?

Sim, raramente. Cerca de 1 em 10 mil produz pérola rosa porcelanosa com brilho flamejado, muito valorizada e impossível de cultivar.

Qual a diferença entre concha-rainha e outras conchas rosas?

A rainha é muito maior (até 30 cm), mais pesada e com interior rosa intenso e lábio grosso. As outras são menores e com rosa pálido.

Você sabia?

1

Pérola rosa flamejada

A concha-rainha produz uma pérola rosa natural com padrão de chama, sem nácar, que ocorre em cerca de 1 a cada 10 mil animais e não pode ser cultivada em fazenda.

2

Olhos que se regeneram

Tem olhos com lente e retina na ponta de pedúnculos longos e, se um olho for arrancado por predador, consegue regenerar completamente em poucas semanas.

3

Salto com garra

Em vez de rastejar, ela se locomove dando saltos: finca o opérculo em forma de foice na areia e impulsiona a concha pesada para frente.

4

Lábio indica maioridade

Só quando o lábio da concha engrossa e se expande, entre 3 e 4 anos de idade, ela está sexualmente madura; conchas de lábio fino são sempre juvenis.

Fontes

  1. IUCN Red List
  2. NOAA Fisheries - Queen Conch
  3. WoRMS - World Register of Marine Species
  4. ICMBio - Instituto Chico Mendes

Prós e contras: Concha-rainha

Prós

  • Fundamental para saúde de pradarias marinhas e recifes
  • Indicadora de qualidade ambiental em águas rasas
  • Concha vazia serve de abrigo para eremitas e polvos
  • Espécie bandeira para conservação marinha no Caribe

Contras

  • Crescimento muito lento e maturação tardia
  • Extremamente vulnerável à sobrepesca e coleta para souvenir
  • Dependente de habitats rasos ameaçados por poluição e turismo
  • Comércio ilegal ainda pressiona populações remanescentes
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a concha-rainha é o melhor exemplo de como um animal lento e herbívoro pode ser mais vulnerável que um predador: sua maturação tardia a torna incompatível com pesca sem controle. Protegê-la é proteger as pradarias marinhas inteiras que sustentam a pesca artesanal.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.