🐋 Animais Marinhos

Pepino-do-mar

Holothuroidea spp. (ex.: Holothuria grisea)

Atualizado em

10 a 30 cm (até 2 m em espécies gigantes)Tamanho
0,1 a 3 kg (maioria abaixo de 1 kg)Peso
5 a 10 anos (até 15 anos)Expectativa de vida
Fundos arenosos, recifes e mar profundoHabitat
Baixo, toxinas irritantes se manuseadoPerigo para humanos
Pepino-do-mar Holothuria grisea no fundo arenoso, corpo inteiro

O pepino-do-mar não é um verme nem um molusco, mas um equinodermo parente da estrela-do-mar e do ouriço. Tem corpo alongado, mole e cilíndrico, com boca cercada por tentáculos retráteis e pele coriácea coberta por pequenos pés ambulacrais.

Vive sobre o sedimento e funciona como o aspirador do oceano: engole areia e lama para extrair matéria orgânica e devolve o substrato limpo e oxigenado. Essa bioturbação é essencial para a saúde de recifes, pradarias marinhas e fundos costeiros.

No Brasil é comum em recifes e fundos arenosos rasos, mas o grupo ocorre de costões intertidais até fossas abissais com mais de 8.000 metros. Apesar da aparência inofensiva, algumas espécies liberam toxinas potentes quando ameaçadas.

Também conhecido como: Holotúria, Bêche-de-mer, Trepang, Sea cucumber

Faz parte de: Animais de Águas Profundas, Animais dos Recifes de Coral, Animais Marinhos do Brasil

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Galeria de fotos de Pepino-do-mar

Pepino-do-mar Holothuria grisea no fundo arenoso, corpo inteiro
Holothuria grisea, o pepino-do-mar mais comum no litoral brasileiro.
Close da boca do pepino-do-mar com tentáculos retráteis
Tentáculos ao redor da boca usados para varrer sedimento.
Close da boca do pepino-do-mar com tentáculos retráteis
Tentáculos ao redor da boca usados para varrer sedimento.
Detalhe da pele e pés ambulacrais do pepino-do-mar
Pele coriácea e pés ambulacrais para rastejar no fundo.
Pepino-do-mar em habitat de recife de coral e areia
Habitat típico: fundos arenosos entre corais e pradarias marinhas.
Pepino-do-mar liberando túbulos de Cuvier como defesa
Defesa com túbulos pegajosos e evisceração quando ameaçado.
Filhote de pepino-do-mar sobre a areia
Juvenil recém-assentado, com poucos milímetros de comprimento.
Filhote de pepino-do-mar sobre a areia
Juvenil recém-assentado, com poucos milímetros de comprimento.

Perfil rápido de Pepino-do-mar

Estado de conservação

NE
Não Avaliada

Classe com mais de 1.700 espécies; muitas ainda não avaliadas, mas espécies-alvo da pesca estão em declínio.

População
em declínio para espécies comerciais
Protegido por
CITES Apêndice II para algumas espécies; coleta restrita em UCs marinhas no Brasil

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Larva planctônicaJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsTóxica
  • PessoasTóxica

Libera holoturina e túbulos de Cuvier que irritam pele e olhos e podem intoxicar aquários fechados; tóxica se ingerida crua.

Vida útil

Na natureza
5 a 10 anos, até 15 em espécies maiores e protegidas

Reprodução

Acasalamento
Fecundação externa na água, sem cópula; desova sincronizada por lua e temperatura
Estrutura social
Solitário, forma agregações apenas na época reprodutiva
Padrão sazonal
Desova no verão, de novembro a março no Brasil
Tipo de nascimento
Ovíparo com larva planctônica (auricularia)
Ninhada
Milhares a milhões de óvulos por fêmea; sem cuidado parental

Habitat

Ambientes

  • Fundos arenosos e lodosos
  • Recifes de coral
  • Pradarias marinhas
  • Costões rochosos
  • Planícies abissais

Biomas

  • Marinho Costeiro
  • Recifes de Coral
  • Mar Profundo

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Detritos orgânicos
  • Matéria orgânica do sedimento
  • Biofilme bacteriano

Outros alimentos

  • Microalgas
  • Plâncton
  • Partículas orgânicas em suspensão

Encontrado em 8 países

  • Brasil
  • Austrália
  • Japão
  • Filipinas
  • Indonésia
  • Estados Unidos
  • México
  • Moçambique

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Echinodermata
Classe
Holothuroidea
Ordem
Aspidochirotida (representativa)
Família
Holothuriidae
Gênero
Holothuria
Espécie
Holothuria grisea (representativa no Brasil)

Resumo

  • O pepino-do-mar é um equinodermo detritívoro que se alimenta de matéria orgânica do sedimento e recicla nutrientes essenciais para recifes e fundos marinhos.
  • Respira pela cloaca por meio de árvores respiratórias internas e se defende com evisceração e túbulos de Cuvier pegajosos que imobilizam predadores.
  • No Brasil a espécie mais comum é Holothuria grisea, encontrada de recifes rasos a 30 metros, e o grupo está pressionado globalmente pela pesca para bêche-de-mer.

Características

Ficha da espécie

GrupoEquinodermo (não é peixe nem molusco)
OrdemAspidochirotida / Dendrochirotida (principais)
FamíliaHolothuriidae (mais comum no Brasil)
Origem e distribuiçãoCosmopolita, de recifes tropicais a fossas abissais; no Brasil de Norte a Sul
Tamanho10 a 30 cm na maioria; 2 a 200 cm no grupo
Peso100 g a 3 kg; espécies gigantes até 5 kg
Corespretomarromcinzaamarelovermelhobegemanchado
Profundidade0 a 8.000 m; mais comum entre 0 e 30 m no Brasil
HabitatFundos arenosos, lodosos, recifes de coral e pradarias marinhas
AlimentaçãoDetritívora e filtradora (matéria orgânica, bactérias, microalgas)
ReproduçãoSexuada, ovípara com fecundação externa; larva planctônica
Expectativa de vida5 a 10 anos na natureza
Estado de conservaçãoVariável por espécie: de Pouco Preocupante a Em Perigo (IUCN)

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeBaixo
InteligênciaMuito baixo
VelocidadeMuito baixo
Capacidade de migraçãoMuito baixo
Importância para o ecossistema marinhoMuito alto

Como identificar um pepino-do-mar de verdade

O pepino-do-mar tem corpo cilíndrico, mole e alongado, sem cabeça distinta, com boca em uma extremidade e cloaca na outra. A pele é coriácea, às vezes com papilas ou verrugas, e não tem concha ou escamas.

Ao redor da boca há 10 a 30 tentáculos retráteis que funcionam como mãos. Espécies detritívoras têm tentáculos em forma de pá para varrer sedimento; filtradoras têm tentáculos ramificados como árvores. Essa é a forma mais rápida de diferenciar grupos.

Na parte ventral existem pés ambulacrais enfileirados em três faixas, usados para rastejar lentamente. Na dorsal, muitas espécies têm papilas sensoriais. Se o animal parece uma linguiça escura com tentáculos na ponta, é pepino-do-mar.

Diferença entre os dois grandes grupos

Aspidochirotida são os clássicos de fundo arenoso, com tentáculos em pá e corpo liso, como Holothuria grisea, o mais comum no litoral brasileiro. Dendrochirotida são filtradores de recife, com tentáculos muito ramificados e corpo em forma de barril, fixos em rochas.

Característica Aspidochirotida Dendrochirotida
Tentáculos Em forma de pá, 15 a 20 Ramificados como árvore, 10
Alimentação Engole sedimento Filtra água
Habitat típico Areia e lama Costão e recife rochoso
Mobilidade Rasteja livre Mais sedentário

Onde vive e em que profundidade ocorre no Brasil

O grupo é cosmopolita e ocorre em todos os oceanos, do Ártico à Antártida. No Brasil vai do Amapá ao Rio Grande do Sul, com maior abundância no Nordeste e Sudeste recifal, como Abrolhos, Fernando de Noronha e recifes de Maragogi.

Vive principalmente entre 0 e 30 metros, em fundos arenosos, lodosos, bancos de algas calcárias e entre corais. Algumas espécies toleram exposição na maré baixa, escondidas sob rochas. Outras só aparecem abaixo de 100 metros.

Em águas profundas, pepinos-do-mar são dominantes. Nas planícies abissais representam até 90% da biomassa de megafauna em alguns locais, com espécies translúcidas e nadadoras como Enypniastes eximia, apelidada de galinha sem cabeça.

O que come e por que é o aspirador do fundo do mar

É um detritívoro e reciclador. Usa os tentáculos para levar sedimento à boca, digere bactérias, microalgas, restos de animais e matéria orgânica, e expele areia limpa. Um único indivíduo pode processar até 45 kg de sedimento por ano.

Essa bioturbação oxigena o fundo, libera nutrientes e controla a proliferação de cianobactérias. Sem ele, o sedimento compacta, a água fica turva e recifes sofrem. É por isso que sua importância ecológica é nota 5.

Espécies filtradoras estendem os tentáculos na corrente para capturar plâncton e partículas em suspensão. Ambas as estratégias tornam o pepino-do-mar um elo entre o detrito e a cadeia alimentar, servindo de alimento para peixes, caranguejos e estrelas-do-mar.

  • Principal: detritos orgânicos e biofilme bacteriano do sedimento
  • Secundário: microalgas, plâncton e partículas orgânicas em suspensão
  • Como se alimenta: varredura com tentáculos ou filtração passiva

Como respira pela cloaca e se defende eviscerando

O pepino-do-mar respira pela cloaca. A água entra pelo ânus e preenche duas árvores respiratórias internas muito ramificadas, onde ocorre a troca gasosa. O animal literalmente bombeia água pelo traseiro de 6 a 10 vezes por minuto.

Quando muito estressado, faz evisceração: expele intestino, gônadas e árvores respiratórias pela cloaca ou por ruptura da parede corporal. O predador se distrai com as vísceras enquanto o pepino foge. Em poucas semanas a maioria regenera todos os órgãos.

Algumas famílias, como Holothuriidae, lançam túbulos de Cuvier: filamentos brancos, pegajosos e tóxicos que grudam e imobilizam o atacante. Contêm holoturina, saponina que irrita pele, olhos e pode matar peixes pequenos em aquários fechados.

Outra defesa é a pele que muda de consistência. Possui tecido conjuntivo mutável que pode ficar rígido ou mole em segundos, dificultando a captura. É o mesmo colágeno que interessa à pesquisa biomédica.

Reprodução e ciclo de vida: de larva à vida no sedimento

A maioria é dioica com fecundação externa. Machos e fêmeas liberam esperma e óvulos na água, geralmente à noite e de forma sincronizada por sinais químicos e lunares. Uma fêmea pode liberar milhares a milhões de óvulos por desova.

Do ovo nasce a larva auricularia, planctônica e transparente, que deriva por semanas se alimentando de fitoplâncton. Depois vira larva doliolaria e se assenta no fundo, metamorfoseando em um juvenil de poucos milímetros com tentáculos já funcionais.

O crescimento é lento. A maturidade chega entre 2 e 5 anos, dependendo da espécie e temperatura. Algumas espécies também se reproduzem assexuadamente por fissão: partem-se ao meio e cada metade regenera um indivíduo completo.

O pepino-do-mar é perigoso para humanos?

Para mergulhadores, o risco é muito baixo. Não morde, não pica e não persegue. O perigo está no manuseio sem cuidado: ao ser apertado, pode liberar holoturina e túbulos de Cuvier que causam irritação na pele, vermelhidão e forte ardência ocular.

Ingerir cru ou mal preparado também é arriscado. A holoturina é tóxica se ingerida em quantidade e exige processamento longo de fervura e secagem para virar bêche-de-mer. Nunca colete ou prove na praia.

Em aquário, o maior problema é indireto: um pepino estressado pode intoxicar todo o sistema fechado ao liberar toxinas e eviscerar, matando peixes. Por isso não é recomendado para aquaristas iniciantes.

Ameaças, pesca do bêche-de-mer e conservação

Globalmente, a maior ameaça é a pesca para bêche-de-mer, iguaria e produto da medicina tradicional asiática que vale muito no mercado internacional. Espécies grandes e rasas foram dizimadas no Indo-Pacífico, com declínios de até 80% em 10 anos em algumas áreas.

No Brasil a pesca comercial é pequena e pouco regulamentada, mas há coleta ornamental e incidental em arrastos. Outras pressões são poluição, esgoto, plásticos, aquecimento e acidificação, que afetam larvas sensíveis e recifes onde vivem.

A IUCN lista várias espécies como Vulnerável e Em Perigo, como Holothuria whitmaei e Thelenota ananas. A CITES inclui algumas em Apêndice II. No Brasil, o ICMBio monitora populações recifais e a coleta é restrita em unidades de conservação como Abrolhos.

Deixar pepinos no fundo é proteger o recife. Sem eles, o sedimento acumula matéria orgânica, aumenta a anoxia e o coral sofre. Observar sem tocar é a melhor contribuição.

Onde observar com responsabilidade

No Brasil, a melhor chance é com snorkel em recifes rasos na maré baixa: procure formas escuras e alongadas entre areia e algas em Maragogi (AL), Porto de Galinhas (PE), Arraial do Cabo (RJ) e Abrolhos (BA). Mergulho noturno aumenta avistamentos, pois muitos saem para se alimentar.

Mantenha distância mínima de 1 metro, não toque, não vire e não retire da água. Luz forte direta e toque disparam evisceração, que pode matar o animal. Fotografe sem flash intenso e sem pisar no substrato.

Prefira operadoras com conduta responsável e que respeitem áreas de proteção. Se vir coleta ilegal ou venda de pepinos vivos na praia, avise o ICMBio ou órgão ambiental local.

Curiosidades que quase ninguém conta

O pepino-do-mar tem pérolas próprias: um peixe fino e translúcido chamado pérola-fish (Carapus) vive dentro da cloaca e das árvores respiratórias do hospedeiro, entrando e saindo pelo ânus sem ser digerido.

Algumas espécies abissais nadam batendo o corpo como uma água-viva, e outras são bioluminescentes. Já espécies rasas podem ficar anos sem se mover mais que alguns metros, quase sésseis.

O colágeno mutável do pepino inspirou pesquisas de materiais inteligentes e curativos. E seu papel de reciclador é tão grande que recifes sem pepinos acumulam até 10 vezes mais matéria orgânica no sedimento, segundo estudos no Pacífico.

Perguntas frequentes

Pepino-do-mar é peixe?

Não. É um equinodermo, parente da estrela-do-mar e do ouriço-do-mar, da classe Holothuroidea.

Pepino-do-mar faz mal para humanos?

O contato pode irritar pele e olhos por causa da holoturina e dos túbulos de Cuvier. Não toque e não leve à boca; ingerir cru é tóxico.

Pode pegar pepino-do-mar na praia?

Não é recomendado. O manuseio causa evisceração e pode matar o animal, além de ser proibido em áreas protegidas.

Como o pepino-do-mar respira?

Pela cloaca. A água entra pelo ânus e preenche árvores respiratórias internas onde ocorre a troca gasosa.

O que acontece se ele solta as tripas?

É a evisceração, uma defesa. Ele expele órgãos para distrair o predador e regenera tudo em semanas se ficar em ambiente tranquilo.

Quanto tempo vive um pepino-do-mar?

A maioria vive de 5 a 10 anos na natureza, podendo chegar a 15 anos em condições favoráveis.

Para que serve o pepino-do-mar no ecossistema?

Recicla sedimento, oxigena o fundo e libera nutrientes, mantendo a água clara e o recife saudável.

Você sabia?

1

Respira pelo bumbum

A água entra pela cloaca e enche duas árvores respiratórias internas. O pepino bombeia água pelo ânus até 10 vezes por minuto para respirar.

2

Se estripam para sobreviver

Na evisceração, expelem intestino e pulmões aquáticos para distrair o predador e depois regeneram tudo em semanas, inclusive órgãos internos completos.

3

Casa para peixe pérola

O peixe Carapus mora dentro do pepino-do-mar, entrando e saindo pela cloaca. Alguns chegam a roer as gônadas do hospedeiro por dentro.

4

Mais valioso que parece

Seco como bêche-de-mer, pode passar por até 20 etapas de fervura e secagem e valer centenas de dólares por quilo no mercado asiático.

Fontes

  1. IUCN Red List
  2. NOAA Fisheries
  3. WoRMS - World Register of Marine Species
  4. ICMBio - Instituto Chico Mendes

Prós e contras: Pepino-do-mar

Prós

  • Reciclador essencial que oxigena e limpa o sedimento
  • Indicador de saúde recifal e de qualidade da água
  • Inofensivo se observado à distância
  • Fascinante para educação ambiental e mergulho contemplativo
  • Base para pesquisas de colágeno e biomateriais

Contras

  • Muito sensível ao toque e ao estresse, pode morrer após manuseio
  • Pode liberar toxinas que contaminam aquários fechados
  • Crescimento lento e baixa recuperação após sobrepesca
  • Vulnerável à poluição, aquecimento e acidificação
  • Confundido com verme ou lesma, sofre coleta desnecessária
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o pepino-do-mar é o engenheiro sanitário mais subestimado do oceano: discreto, lento e feio para padrões humanos, mas insubstituível para manter areia limpa e recife saudável. Protegê-lo é mais eficaz que qualquer intervenção cara de restauração de fundo.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.