🐋 Animais Marinhos

Craca

Infraclasse Cirripedia (ex.: Megabalanus tintinnabulum)

Atualizado em

1 a 5 cm (até 7 cm)Tamanho
5 a 30 g por indivíduoPeso
2 a 10 anosExpectativa de vida
Costões e zona entre-marésHabitat
Baixo (cortes)Perigo para humanos
Craca Megabalanus tintinnabulum fechada em costão rochoso submerso

A craca não é pedra, concha nem molusco. É um crustáceo parente do camarão e do caranguejo que, depois de uma breve fase larval nadadora, cola a cabeça na superfície e passa a vida adulta de pernas para o ar dentro de uma fortaleza de placas calcárias.

No Brasil ela domina costões rochosos, pilares de pontes, cascos de barcos e até a pele de tartarugas e baleias. É o animal da maré: fica horas fora d'água com as placas bem fechadas e, quando a água volta, abre e filtra o mar com movimentos ritmados.

Também conhecido como: Barnacle (inglês), Percebe (craca pedunculada), Bolota-do-mar, Picoroco (Chile)

Faz parte de: Animais dos Recifes de Coral, Animais Marinhos do Brasil, Crustáceos Marinhos

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Galeria de fotos de Craca

Craca Megabalanus tintinnabulum fechada em costão rochoso submerso
Craca séssil com placas calcárias fechadas no costão.
Close da abertura da craca mostrando cirros em forma de leque
Detalhe dos cirros que filtram plâncton.
Textura das placas calcárias da craca
Placas calcárias que protegem o crustáceo.
Colônia densa de cracas cobrindo rochas na maré baixa
Colônia densa na zona entre-marés.
Cracas pedunculadas percebe em rocha batida por ondas
Craca pedunculada percebe, com pedúnculo carnoso.
Larva cípris de craca em fase de fixação
Larva cípris que escolhe onde cimentar.
Cracas incrustadas na pele de baleia-jubarte
Cracas epibiontes na pele de baleia.

Perfil rápido de Craca

Estado de conservação

NE
Não Avaliada

Grupo extremamente abundante e cosmopolita, não avaliado individualmente pela IUCN na maioria das espécies.

População
Estável
Protegido por
Não

Calendário

Reprodução (pico tropical)JFMAMJJASOND
Recrutamento de larvas cíprisJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica

Sem veneno. Risco de cortes profundos nas bordas calcárias e de infecção secundária. Não consumir cracas de áreas portuárias poluídas.

Vida útil

Na natureza
2 a 10 anos; espécies grandes até 15 anos. Alta mortalidade na fase larval.

Reprodução

Sistema sexual
Hermafrodita simultânea na maioria; fecundação cruzada com pênis extensível
Tipo de desenvolvimento
Ovípara com larvas planctônicas (náuplio e cípris)
Desova
Centenas a milhares de ovos por postura, várias vezes ao ano em águas tropicais
Ciclo
Náuplio (alimenta-se) → cípris (explora e cimenta) → juvenil séssil → adulto

Habitat

Ambientes

  • Zona entre-marés de costões rochosos
  • Pilares, trapiches, cascos e bóias
  • Conchas, carapaças de tartarugas e pele de baleias

Biomas

  • Costão rochoso
  • Recifes e substratos consolidados
  • Mar aberto (incrustada em objetos flutuantes)

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Plâncton (fitoplâncton e zooplâncton)

Outros alimentos

  • Detritos orgânicos em suspensão
  • Larvas e ovos planctônicos

Encontrado em 8 países

  • Brasil
  • Portugal
  • Espanha
  • Estados Unidos
  • Austrália
  • África do Sul
  • Japão
  • Chile

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Subfilo
Crustacea
Classe
Thecostraca
Infraclasse
Cirripedia
Ordens principais
Balanomorpha (sésseis) e Lepadomorpha (pedunculadas)
Espécie exemplo
Megabalanus tintinnabulum

Resumo

  • Craca é um crustáceo séssil da infraclasse Cirripedia que vive fixo em rochas, cascos e animais marinhos e se alimenta filtrando plâncton.
  • Forma colônias densas na zona entre-marés e fecha suas placas calcárias para sobreviver horas fora d'água sem ressecar.
  • Apesar de não morder nem ter veneno, tem bordas cortantes, causa bioincrustação em embarcações e é considerada iguaria em Portugal e na Espanha como percebe.

Características

Ficha da espécie

GrupoCrustáceo (não é molusco)
OrdemInfraclasse Cirripedia
FamíliaBalanidae, Chthamalidae, Lepadidae e outras
Origem e distribuiçãoCosmopolita, em todos os oceanos
Tamanho0,5 a 5 cm; gigantes até 7 cm (Megabalanus tintinnabulum)
Peso5 a 30 g por indivíduo adulto
Coresbrancocinzabegerosadoarroxeado
Profundidade0 a 500 m (maioria entre 0 e 30 m)
HabitatZona entre-marés, costões, cascos, bóias e animais
AlimentaçãoFiltradora (plâncton e detritos)
ReproduçãoHermafrodita, fecundação cruzada, larvas náuplio e cípris
Expectativa de vida2 a 10 anos, até 15 em espécies grandes
Estado de conservaçãoNão Avaliada (NE) - muito abundante

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeMuito alto
InteligênciaMuito baixo
VelocidadeMuito baixo
Capacidade de migraçãoMuito baixo
Importância para o ecossistema marinhoAlto

O que é a craca e por que ela não é um molusco

A craca é um crustáceo séssil da infraclasse Cirripedia, parente de camarões e caranguejos. Por fora parece uma conchinha, mas por dentro tem antenas, pernas articuladas e carapaça quitinosa.

O erro é comum porque ela constrói placas calcárias ao redor do corpo. Só que essas placas não são concha de molusco, são partes da própria carapaça modificadas. Charles Darwin passou 8 anos estudando cracas e publicou quatro monografias sobre elas antes de A Origem das Espécies.

Adulto, o animal vive de cabeça para baixo. Ele cimenta a cabeça no substrato e usa as pernas torácicas, chamadas cirros, para capturar alimento. É o único crustáceo que faz isso.

Como identificar a craca: séssil ou pedunculada

Existem dois planos corporais bem diferentes e ambos ocorrem no Brasil.

  • Craca séssil (balanomorfa): parece um vulcãozinho ou cone truncado grudado direto na rocha. Tem 6 placas laterais e 2 a 4 placas móveis no topo (opérculo) que abrem e fecham. Exemplos: Megabalanus tintinnabulum (grande, rosada) e Chthamalus bisinuatus (pequena, acinzentada, a mais comum no entre-marés).
  • Craca pedunculada (lepadomorfa): tem um pedúnculo carnoso que parece um pescoço e um capítulo com placas. É a famosa percebe (Pollicipes pollicipes), muito valorizada na gastronomia ibérica.

Para diferenciar de mexilhão ou ostra, observe: craca não tem duas valvas simétricas e não se solta puxando. Ela está literalmente cimentada. Se tentar arrancar, quebra a rocha antes de soltar inteira.

Característica Craca séssil Craca pedunculada
Fixação Direto na rocha Por pedúnculo flexível
Formato Cone baixo Unha com haste
Tamanho comum 1 a 5 cm 3 a 8 cm com pedúnculo
Onde ver no Brasil Todo costão rochoso Costões expostos do Sudeste e Sul

Onde vive e por que gruda em tudo

Craca é cosmopolita. Ocorre do Ártico à Antártica, mas a maior densidade está na zona entre-marés, aquela faixa que ora está submersa, ora exposta ao sol.

No Brasil é onipresente do Amapá ao Rio Grande do Sul. Cobre costões, pilares, cordas, cascos de navios, bóias, conchas, carapaças de tartarugas e pele de baleias-jubarte. Uma baleia pode carregar centenas de quilos de cracas.

O segredo é o cimento de craca. A larva cípris produz uma cola proteica que cura debaixo d’água, resiste a bactérias e é um dos adesivos naturais mais fortes conhecidos. Estudos da NOAA e de universidades americanas mostram que ela supera muitas colas sintéticas em ambiente úmido. Depois de cimentada, só lixando ou com espátula.

O que come e como filtra o mar com as pernas

Craca é filtradora passiva. Não caça. Quando coberta pela maré, abre o opérculo e estende os 6 pares de cirros em forma de leque em movimentos rítmicos.

Cada batida varre a água e retém fitoplâncton, zooplâncton, larvas e detritos orgânicos. Em água com corrente forte, ela apenas abre os cirros como rede. Em água parada, faz o movimento ativo de vai e vem.

Essa filtração tem impacto local: um banco denso de cracas pode filtrar litros de água por hora por metro quadrado e ajuda a clarificar a água do costão. Por outro lado, compete por espaço com mexilhões, algas e corais.

Reprodução e ciclo de vida: do náuplio ao cimento

A maioria das cracas é hermafrodita simultânea, tem ovários e testículos ao mesmo tempo, mas precisa de fecundação cruzada. Como não pode se deslocar, estica o pênis extensível até o vizinho.

Esse pênis é proporcionalmente o maior do reino animal, chegando a 8 vezes o comprimento do corpo em algumas espécies. Se não há vizinho ao alcance, algumas espécies fazem autofecundação ou liberam esperma na água.

O ciclo tem duas larvas planctônicas:

  1. Náuplio: nada livre, se alimenta e troca de pele 6 vezes.
  2. Cípris: não se alimenta, tem olhos compostos e antenas exploratórias. Nada, testa o substrato com as antenas, avalia química, textura e presença de outras cracas, e só então cimenta a cabeça e sofre metamorfose.

Do ovo ao adulto fixo leva de 2 a 4 semanas em águas tropicais. Depois de fixada, a craca constrói as placas e não sai mais do lugar.

Craca faz mal? Corta, entope e pesa

Craca não morde, não pica e não tem veneno. O perigo real é físico e econômico.

Para banhistas e surfistas, o risco é o corte. As bordas das placas são afiadas como lâmina. Quedas em costão incrustado causam cortes profundos que inflamam fácil porque a placa abriga bactérias marinhas. Use sapatilha de neoprene em costões.

Para navegação, o problema é a bioincrustação (biofouling). Colônias aumentam o arrasto do casco em até 40%, elevam consumo de combustível e podem obstruir tubulações de refrigeração. Por isso navios usam tintas anti-incrustantes, hoje sem TBT por ser altamente tóxico.

Para tartarugas e baleias, poucas cracas são comensais normais. Infestações massivas indicam animal debilitado ou com pouca mobilidade.

Importância ecológica e uso humano

No costão, a craca é engenheira do ecossistema. Suas carapaças vazias viram micro-habitat para pequenos caranguejos, anfípodes, algas e larvas. Quando morre, libera cálcio para o sistema.

Também é bioindicadora. Como filtra muita água e acumula metais pesados, pesquisadores usam a química de suas placas para monitorar poluição costeira.

Na cozinha, a craca pedunculada é iguaria. Em Portugal e Galícia, o percebe chega a ser um dos mariscos mais caros, cozido rapidamente em água do mar. No Brasil, o consumo é raro e a coleta de cracas sésseis não tem valor alimentar relevante. A extração em costão é desaconselhada porque remove todo o micro-habitat.

Curiosidades que pouca gente sabe sobre cracas

Muita gente chama qualquer coisa grudada de craca, mas há confusões frequentes com vermetídeos, ostras e tubo de poliquetas. Vermetídeos formam tubos irregulares em espiral, ostras têm valvas assimétricas e poliquetas deixam tubos calcários finos e frágeis.

Outro ponto: craca fecha hermeticamente e sobrevive horas fora d’água mantendo um pouco de água do mar dentro. Por isso aguenta sol forte na maré baixa. Algumas espécies do supralitoral ficam mais tempo emersas do que submersas.

Na nossa avaliação, a craca é o melhor exemplo de como um animal considerado praga revela uma biologia sofisticada. Ela troca mobilidade por proteção extrema, filtra o oceano sem sair do lugar e produz uma cola que a indústria tenta copiar há décadas.

Perguntas frequentes

Craca é animal ou pedra?

É animal. É um crustáceo da infraclasse Cirripedia, parente do camarão, que constrói placas calcárias ao redor do corpo.

Craca morde ou tem veneno?

Não. Não morde, não pica e não tem veneno. O risco são cortes nas bordas afiadas das placas.

Como tirar craca da pele após corte?

Lave com água potável e sabão, remova fragmentos visíveis, desinfete e procure atendimento se o corte for profundo ou inflamar.

Craca pode ser comida?

A craca pedunculada (percebe) é iguaria em Portugal e Espanha. As cracas sésseis comuns do costão não são consumidas e podem acumular poluentes.

Como tirar craca do casco do barco?

Com espátula e lavagem com água doce, preferencialmente com barco fora d'água. Use tinta anti-incrustante regulamentada e descarte resíduos corretamente.

Qual a diferença entre craca e mexilhão?

Mexilhão é molusco bivalve com duas conchas, se fixa por fios (bisso). Craca é crustáceo com várias placas cimentadas e não se solta sem quebrar.

Você sabia?

1

O pênis recordista

O pênis da craca pode ter até 8 vezes o tamanho do corpo, o maior proporcional entre os animais, justamente porque o adulto não pode ir até o parceiro.

2

A cola que cura debaixo d'água

O cimento da larva cípris é à base de proteínas que polimerizam na água salgada e resiste a bactérias, sendo estudado para colas cirúrgicas e reparo naval.

3

Darwin e as cracas

Charles Darwin dedicou 8 anos apenas a dissecar e classificar cracas, trabalho que lhe deu prestígio científico antes da teoria da evolução.

4

Casa que vira berçário

Carapaças vazias de Megabalanus tintinnabulum viram abrigo para microcaranguejos, camarõezinhos e até peixinhos no costão.

Fontes

  1. WoRMS - World Register of Marine Species
  2. NOAA National Ocean Service
  3. IUCN Red List
  4. SeaLifeBase / FishBase

Prós e contras: Craca

Prós

  • Filtra plâncton e ajuda a clarificar a água costeira
  • Cria micro-habitat para dezenas de espécies no costão
  • Bioindicadora útil para monitorar poluição por metais
  • Cola natural inspira pesquisas de adesivos médicos e navais
  • Espécie pedunculada tem alto valor gastronômico na Europa

Contras

  • Bordas cortantes causam cortes e infecções em banhistas
  • Causa bioincrustação que aumenta consumo de combustível de embarcações
  • Compete por espaço com mexilhões, ostras e corais
  • Colônias mortas deixam costão áspero e escorregadio
  • Remoção mecânica danifica substrato e microfauna associada
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a craca é subestimada: tratada só como sujeira de casco, ela é um crustáceo engenhoso com a melhor cola natural do mar e papel central no costão. Vale observá-la na maré baixa com respeito, sem arrancar placas, porque cada colônia é um micro-recife.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.