🌳 Árvores

Velame

Guettarda viburnoides

Atualizado em

4 a 8 m de alturaTamanho
SemicaducifóliaFolhagem
Lento a moderadoCrescimento
Sol plenoLuminosidade
30 a 50 anosLongevidade
Folhas aveludadas e flores brancas tubulares do velame

O velame é uma árvore pequena do Cerrado e da Caatinga, muito conhecida no interior do Brasil pelas folhas grandes e aveludadas que deram origem ao nome. A espécie mais tratada como árvore é Guettarda viburnoides, da família Rubiaceae, diferente dos velames arbustivos do gênero Croton.

De porte baixo a médio, copa arredondada e flores brancas muito perfumadas, ela é valorizada na recuperação do Cerrado, na apicultura e como árvore de sombra leve em sítios e chácaras. Não é uma árvore de calçada para cidade grande, mas cumpre bem seu papel no paisagismo naturalista e rural.

Resistente à seca e pouco exigente em solo, o velame perde parte das folhas na estiagem e atrai abelhas, mariposas noturnas e aves frugívoras quando frutifica.

Também conhecido como: velame-branco, veludo, pau-de-velame, angélica-do-campo

Faz parte de: Árvores de Sombra, Árvores Pequenas

Explore a wiki

Galeria de fotos de Velame

Folhas aveludadas e flores brancas tubulares do velame
Folhas aveludadas e flores brancas perfumadas do velame.
Tronco e casca acinzentada e fissurada do velame
Tronco tortuoso e casca típica de árvore de Cerrado.
Copa do velame vista de baixo com luz filtrada
Copa aberta que gera sombra leve e mosqueada.
Velame plantado em paisagismo rural naturalista
Velame em sítio e projetos de restauração do Cerrado.
Frutos pretos maduros do velame no ramo
Drupas pretas e adocicadas que alimentam aves e lobo-guará.
Velame plantado em paisagismo rural naturalista
Velame em sítio e projetos de restauração do Cerrado.
Velame plantado em paisagismo rural naturalista
Velame em sítio e projetos de restauração do Cerrado.
Ideal para

Ideal para quem tem sítio, chácara ou quintal grande no Brasil Central e busca uma árvore nativa rústica, de baixa manutenção e que atraia abelhas e aves. Funciona muito bem em projetos de restauração do Cerrado, jardins naturalistas e como sombra leve para área de descanso, sem exigir solo fértil ou irrigação constante.

Pode não ser ideal para

Não é ideal para calçada estreita, quintal pequeno, apartamento ou para quem espera sombra densa e crescimento rápido. Também não funciona bem em áreas que alagam, com sombra o dia todo ou com geadas frequentes e fortes, onde o desenvolvimento fica muito prejudicado.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno, mínimo 6 horas diárias
Rega
Moderada no primeiro ano; baixa após estabelecida, sem encharcar
Solo
Bem drenado, arenoso ou latossolo, ácido, pobre a médio em matéria orgânica
Temperatura
Tropical de Cerrado; ideal 20 a 30 °C, sensível a geada forte
Adubação
Leve, anual, com composto orgânico no início das chuvas
Poda
Apenas de limpeza e formação no fim da seca
Propagação
Por sementes; germinação lenta de 30 a 90 dias com escarificação leve

Perfil rápido de Velame

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécie nativa com ampla distribuição no Cerrado e Caatinga e sem risco iminente de extinção.

População
Estável
Protegido por
Não possui proteção legal específica, mas é protegida em unidades de conservação do Cerrado

Calendário

FloraçãoJFMAMJJASOND
FrutificaçãoJFMAMJJASOND
Queda de folhasJFMAMJJASOND
Plantio no campoJFMAMJJASOND

Vida útil

Longevidade média
30 a 50 anos em ambiente natural

Habitat

Ambientes

  • Cerrado stricto sensu
  • Cerradão
  • Campo sujo
  • Transição Cerrado-Caatinga

Biomas

  • Cerrado
  • Caatinga
  • Mata Atlântica

Encontrado em 3 países

  • Brasil
  • Bolívia
  • Paraguai

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Gentianales
Família
Rubiaceae
Gênero
Guettarda
Espécie
Guettarda viburnoides

Resumo

  • Velame é o nome popular de Guettarda viburnoides, árvore pequena de 4 a 8 m do Cerrado e da Caatinga, de folhas aveludadas e flores brancas perfumadas.
  • É espécie rústica e muito resistente à seca, de crescimento lento a moderado, ideal para recuperação ambiental, sombra leve e atração de fauna.
  • Exige sol pleno e solo bem drenado, não tolera encharcamento nem geada forte e não é indicada para calçadas estreitas ou vasos.

Características

Ficha da árvore

Nome popularVelame, velame-branco, veludo
Nome científicoGuettarda viburnoides Cham. & Schltdl.
Família botânicaRubiaceae
OrigemBrasil Central - Cerrado e Caatinga
Tamanho4 a 8 m de altura; copa de 3 a 6 m de diâmetro
CopaArredondada, irregular e pouco densa
FolhagemSemicaducifólia a caducifólia na seca
CrescimentoLento a moderado
LuminosidadeSol pleno
RegaBaixa após pegamento; não tolera encharcamento
SoloBem drenado, arenoso a latossolo, ácido e pobre
UsosRecuperação do Cerrado, sombra leve, melífera, medicinal popular
Longevidade30 a 50 anos

Perfil e comportamento

Velocidade de crescimentoBaixo
SombraMédio
Resistência à secaMuito alto
Agressividade das raízesBaixo
Facilidade de cultivoMédio
Atrai faunaAlto

O que é velame e por que o nome confunde

Velame não é uma espécie só. No Brasil, o nome é usado para pelo menos dois grupos bem diferentes: o velame-arbóreo Guettarda viburnoides (Rubiaceae), que é uma árvore pequena do Cerrado, e os velames arbustivos do gênero Croton (Euphorbiaceae), como Croton heliotropiifolius e Croton blanchetianus, comuns na Caatinga.

Neste guia, tratamos do velame como árvore, ou seja, Guettarda viburnoides. É a espécie que atinge 4 a 8 m, forma tronco lenhoso e é plantada como arvoreta. Quando alguém fala em velame-branco, veludo ou pau-de-velame no Cerrado, geralmente é ela.

A confusão importa porque os Croton são tóxicos e com látex irritante, enquanto Guettarda não tem esse látex e tem outro uso e manejo. Se for comprar muda, confirme sempre o nome científico na etiqueta.

Como identificar o velame na natureza

O toque entrega. As folhas são grandes, opostas, ovaladas e muito aveludadas nas duas faces, cobertas por pelos finos que dão a sensação de veludo. Medem 8 a 18 cm de comprimento, com nervuras bem marcadas e cor verde-acinzentada.

O tronco é tortuoso, com casca acinzentada e fissurada, típica de árvore de Cerrado. Os ramos jovens também são pilosos. A copa é arredondada e irregular, nunca muito fechada, o que gera sombra leve e mosqueada.

As flores são o ponto alto: cachos terminais com flores brancas tubulares, de 1,5 a 2 cm, extremamente perfumadas, principalmente ao entardecer. Os frutos são drupas globosas de 1 a 1,5 cm, verdes e depois enegrecidas quando maduras, com polpa adocicada.

Como não confundir

  • Croton (velame da Caatinga): folhas menores, alternas, com glândulas na base e cheiro forte ao amassar; presença de látex.
  • Guettarda (velame do Cerrado): folhas opostas, sem látex, sem cheiro forte, flores brancas em forma de estrela tubular.

Onde o velame ocorre e onde pode ser plantado

É uma espécie nativa do Brasil central, com ocorrência natural no Cerrado, Caatinga e transição para Mata Atlântica. Aparece do Maranhão e Piauí até o Paraná, incluindo Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Bahia.

Cresce em cerrado stricto sensu, cerradão e campo sujo, em solos pobres, arenosos ou latossolos bem drenados, entre 300 e 1.100 m de altitude. É comum em áreas de regeneração e beira de estrada, onde resiste bem ao fogo rasteiro.

Fora da natureza, vai bem em sítios, chácaras, fazendas, parques naturalistas e recuperação de áreas degradadas. Não é árvore para avenida ou calçada estreita de cidade grande, pois tem crescimento irregular e não tolera poda drástica de formação urbana.

Tamanho, copa e raízes: o que esperar

Adulto, o velame fica entre 4 e 8 m de altura, raramente chegando a 10 m em cerradão mais fechado. O diâmetro do tronco costuma ficar entre 20 e 40 cm. É, portanto, uma árvore pequena dentro do padrão brasileiro.

A copa tem 3 a 6 m de diâmetro, arredondada e aberta. A sombra é leve a média, boa para criar um ponto de descanso, mas não para sombrear casa inteira como um ipê ou mangueira. Perde boa parte das folhas no auge da seca, entre julho e setembro.

As raízes são pivotantes e pouco agressivas. Não costumam levantar calçada como fícus ou sibipiruna, mas precisam de solo profundo e não compactado. Evite plantar a menos de 3 m de muros, fossas ou tubulações rasas.

Característica Velame (Guettarda viburnoides)
Altura adulta 4 a 8 m
Copa 3 a 6 m, aberta
Tronco Tortuoso, casca cinza fissurada
Raiz Pivotante, agressividade baixa (2/5)
Sombra Leve a média

Como plantar velame: sementes e mudas

A propagação é feita quase sempre por sementes. Os frutos devem ser colhidos quando ficam pretos e moles. A polpa precisa ser removida e as sementes lavadas, pois a fermentação prejudica a germinação.

A germinação é lenta e desuniforme, de 30 a 90 dias, com taxa mediana. A quebra de dormência com escarificação leve e embebição em água por 24 horas ajuda. Semeie em saquinhos com substrato arenoso, bem drenado, a 1 cm de profundidade.

O melhor período de plantio no campo é o início das chuvas, de outubro a dezembro na maior parte do Cerrado. Mudas com 40 a 60 cm já podem ir para o local definitivo. Faça cova de 40 x 40 x 40 cm, com mistura de terra, areia grossa e matéria orgânica, sem encharcar.

  • Espaçamento: 4 a 5 m entre plantas se for para bosque; 6 m se for árvore isolada.
  • Sol: pleno desde o início. Sombra atrasa muito o crescimento.
  • Primeiro ano: irrigue 1 a 2 vezes por semana se não chover. Depois, a planta se vira com a chuva.

Como cuidar: luz, solo, rega e poda

Luz é inegociável. Velame não cresce bem à meia-sombra. Em quintal sombreado por prédios ou outras árvores grandes, ele fica estiolado e quase não floresce.

Solo precisa drenar. O maior erro é plantar em área que alaga ou em vaso sem drenagem. Prefira solo arenoso, latossolo ou mistura com areia grossa. Tolera solo pobre e ácido, típico de Cerrado, e não exige adubação pesada. Uma adubação anual leve com composto orgânico no início das chuvas basta.

Rega é mínima após pegar. Depois de estabelecida, a árvore é extremamente resistente à seca e sofre mais com excesso de água do que com falta. Em regiões com estação seca definida, não precisa irrigar planta adulta.

Poda deve ser leve e de formação. Retire apenas galhos secos, cruzados ou muito baixos no final da seca. Não faça topiaria nem corte o topo: a arquitetura tortuosa faz parte da identidade da espécie e cortes drásticos abrem porta para fungos.

Usos no paisagismo e na natureza

No paisagismo, o velame funciona como árvore de segunda linha: para fundo de jardim, bosque ralo, cerca viva alta ou sombreamento leve de bancos e quiosques. Combina bem com ipê-amarelo-do-cerrado, pau-terra e cagaita, criando um conjunto de Cerrado autêntico.

Na ecologia, tem papel importante. As flores brancas, que abrem no fim da tarde e exalam perfume adocicado, são polinizadas por mariposas noturnas e abelhas nativas. Os frutos são consumidos por aves, morcegos e pelo lobo–guará, ajudando na dispersão.

O uso medicinal popular é antigo no interior: casca e folhas são usadas em chás como febrífugo e para problemas digestivos. Não há comprovação clínica robusta e o uso deve ser visto com cautela. A madeira é leve, clara e pouco durável, usada apenas para lenha, carvão ou pequenos objetos, não para construção.

Pragas, problemas comuns e limitações

É uma árvore rústica e com poucos inimigos. Ocasionalmente aparecem lagartas desfolhadoras e cochonilhas em mudas estressadas, mas raramente exigem controle químico. O controle manual e o fortalecimento da planta costumam resolver.

Os problemas reais vêm do manejo errado:

  • Encharcamento: causa amarelecimento, queda de folhas fora de época e podridão de raiz.
  • Sombra excessiva: leva a crescimento fraco e ausência de floração.
  • Geada forte: queima brotações jovens. Em sul do Brasil, plante em local protegido.
  • Fogo intenso: embora tolere fogo rasteiro de Cerrado, queimadas fortes matam mudas jovens.

Na nossa avaliação, o velame não é árvore para quem busca crescimento rápido, sombra densa ou copa simétrica. Se a expectativa é de uma árvore que cubra a casa em dois anos, ele vai frustrar. O valor dele está na rusticidade, no perfume noturno e no serviço ambiental.

Curiosidades que pouca gente sabe

O nome velame vem do toque aveludado das folhas, cobertas por tricomas estrelados visíveis na lupa. Essa pilosidade reduz a perda de água e reflete parte da radiação solar, uma adaptação clássica à seca do Cerrado.

As flores de Guettarda viburnoides têm antese crepuscular: abrem no fim da tarde e ficam mais perfumadas à noite para atrair mariposas. Durante o dia, o perfume quase some.

Em áreas de Cerrado bem preservado, o velame é considerado indicador de solo bem drenado e de ambiente pouco perturbado por agricultura intensiva, sendo usado em projetos de restauração como espécie de preenchimento.

Perguntas frequentes

Velame é árvore ou arbusto?

Depende da espécie chamada de velame. Guettarda viburnoides é árvore pequena de 4 a 8 m, enquanto os velames do gênero Croton são arbustos de 1 a 3 m da Caatinga.

Velame dá sombra boa?

Dá sombra leve a média, mosqueada. Não substitui árvores de copa densa como oiti ou mangueira, mas serve para bancos e áreas de descanso.

Velame cresce rápido?

Não. O crescimento é lento a moderado. Leva alguns anos para formar copa e florescer bem, em compensação é muito resistente à seca.

Pode plantar velame na calçada?

Não é recomendado. Tem copa irregular e perde folhas na seca, além de preferir solo profundo e bem drenado, não compactado de calçada urbana.

Velame precisa de muita água?

Só no primeiro ano. Depois de estabelecida, tolera bem a seca do Cerrado e sofre mais com solo encharcado do que com falta d'água.

Quando o velame floresce?

No Brasil Central, floresce entre agosto e novembro, no final da seca e início das chuvas, com flores brancas muito perfumadas à noite.

Velame atrai abelhas?

Sim. É considerada melífera e atrai abelhas nativas, mariposas noturnas e aves que consomem os frutos.

Você sabia?

1

O veludo que dá nome

O nome velame vem dos pelos estrelados que cobrem folhas e ramos jovens, criando textura aveludada que reduz a transpiração no Cerrado seco.

2

Perfume só à noite

As flores brancas abrem no fim da tarde e liberam perfume intenso à noite para atrair mariposas esfingídeas, ficando quase sem cheiro durante o dia.

3

Fruto do lobo-guará

As drupas pretas e adocicadas são alimento importante para aves, morcegos e para o lobo-guará, um dos principais dispersores no Cerrado.

4

Confusão com planta tóxica

O velame arbóreo Guettarda não tem látex, mas os velames arbustivos do gênero Croton têm látex irritante e são tóxicos se ingeridos, por isso a identificação correta é essencial.

Fontes

  1. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  2. Embrapa Florestas
  3. IUCN Red List

Prós e contras: Velame

Prós

  • Extremamente resistente à seca após estabelecida
  • Exige solo pobre e pouca manutenção
  • Flores brancas perfumadas que atraem polinizadores noturnos
  • Frutos alimentam aves, morcegos e fauna do Cerrado
  • Raízes pouco agressivas, bom para sítios

Contras

  • Crescimento lento a moderado, não dá sombra rápida
  • Sombra leve e perde folhas na seca
  • Não tolera solo encharcado nem sombra
  • Copa irregular, pouco ornamental para padrão urbano formal
  • Mudas e sementes nem sempre fáceis de encontrar no varejo
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o velame é uma ótima escolha para quem quer trazer Cerrado de verdade para a propriedade, não para quem busca árvore urbana perfeita. O charme está justamente na copa irregular, no perfume noturno e na rusticidade extrema, não na sombra densa ou no crescimento acelerado.

Continue explorando: Árvores

Feliciano Murene
Escrito porFeliciano MureneVeterinário

Feliciano Murene é professor e criador de conteúdo. Formado em Biologia, possui cerca de 5 anos de experiência em sala de aula e atua na produção de conteúdos…

Cacilda Massema
Revisão especializadaCacilda MassemaEngenheira Agrônoma

Com experiência no universo das plantas, dedica-se à pesquisa e produção de conteúdos sobre cultivo, identificação de espécies, plantas ornamentais, flores, árvores e frutíferas. Partilha conhecimentos práticos sobre…

Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.