🦜 Aves e Pássaros

Guará

Eudocimus ruber

Atualizado em

56 a 61 cmTamanho
700 a 900 gPeso
15 a 20 anosExpectativa de vida
Grasnido áspero e baixoCanto
Manguezais e estuários costeirosHabitat
Guará de corpo inteiro em pé na água rasa do manguezal com plumagem vermelho-escarlate

O guará (Eudocimus ruber), também chamado guará-vermelho, é uma das aves mais inconfundíveis do Brasil. Com plumagem vermelho-escarlate intensa, bico longo e curvo e pernas vermelhas, ele habita manguezais e estuários do litoral, do Amapá a Santa Catarina.

Sua cor não é genética fixa: vem da alimentação rica em carotenoides de caranguejos e camarões. Sem esses crustáceos, o vermelho desbota. Vive em bandos grandes, voa em formação em V e faz um dos espetáculos mais fotografados da costa brasileira ao entardecer.

É uma ave silvestre protegida por lei. Não é pet e não pode ser criada em casa sem autorização do IBAMA, e a captura na natureza é crime ambiental. Na natureza pode viver 15 a 20 anos e é símbolo da recuperação de manguezais antes poluídos, como em Cubatão (SP).

Também conhecido como: Guará-vermelho, Guará-rubro, Ibis-escarlate, Scarlet Ibis (inglês), Ibis rouge (francês), Corocoro rojo (espanhol)

Faz parte de: Aves Aquáticas, Aves da Amazônia, Aves Migratórias

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Galeria de fotos de Guará

Guará de corpo inteiro em pé na água rasa do manguezal com plumagem vermelho-escarlate
Guará adulto com plumagem vermelho-escarlate e pontas das asas pretas.
Close da cabeça e bico longo e curvo do guará
Detalhe do bico longo e curvo usado para sondar a lama.
Bando de guarás voando em formação em V sobre o manguezal
Revoada de guarás em formação em V ao entardecer.
Guará se alimentando sondando a lama do mangue com o bico
Guará sondando a lama em busca de caranguejos.
Ninho de guará no mangue com ovos verde-azulados manchados
Ninho de gravetos do guará com ovos em mangue-vermelho.
Guará jovem acinzentado ao lado de adulto vermelho para comparação
Jovem acinzentado ao lado do adulto: o vermelho surge após 2 anos.

Perfil rápido de Guará

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População global estável, mas dependente de manguezais preservados.

População
estável
Protegido por
Sim, protegida por lei no Brasil; caça e captura proibidas

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Deslocamentos regionaisJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
15 a 20 anos
Em cativeiro
20 a 25 anos

Reprodução

Acasalamento
Monogâmico sazonal, com exibições de voo e oferenda de gravetos
Estrutura social
Colonial; colônias de dezenas a centenas de ninhos em mangues
Padrão sazonal
Sazonal, na estação chuvosa (set-mar no Sudeste; abr-jul no Norte)
Tipo de nascimento
Ovíparo, filhotes seminidífugos
Ninhada
2 a 3 ovos; incubação 21 a 23 dias; voo com 35 a 40 dias

Habitat

Ambientes

  • Manguezais
  • Estuários e deltas
  • Lagoas costeiras salobras
  • Apicuns e praias lodosas
  • Várzeas alagadas próximas ao litoral

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Amazônia
  • Caatinga (zona costeira)
  • Pampa (litoral)

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Caranguejos chama-maré (Uca spp.)
  • Caranguejo-uçá
  • Camarões de mangue

Outros alimentos

  • Moluscos
  • Pequenos peixes
  • Insetos aquáticos
  • Anfíbios

Encontrado em 8 países

  • Brasil
  • Venezuela
  • Colômbia
  • Guiana
  • Suriname
  • Guiana Francesa
  • Trinidad e Tobago
  • Panamá

Como animal de estimação

Adequação como pet
Não adequada; ave silvestre, gregária e de manguezal
Legalidade no Brasil
Protegida por lei; criar sem autorização do IBAMA é crime ambiental
Nível de cuidado
Muito alto; exige espelho d'água salobra, dieta com crustáceos e recinto coletivo
Observação responsável
Prefira observar revoadas em passeios guiados em manguezais protegidos

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Pelecaniformes
Família
Threskiornithidae
Gênero
Eudocimus
Espécie
Eudocimus ruber (Linnaeus, 1758)

Resumo

  • O guará é a ave totalmente vermelho-escarlate dos manguezais, com bico curvo e pontas das asas pretas, que fica vermelho por comer caranguejos ricos em carotenoides.
  • Vive em bandos nos manguezais e estuários do litoral brasileiro e do norte da América do Sul, voando em V e se alimentando sondando a lama com o bico.
  • Está classificado como Pouco Preocupante pela IUCN, mas depende de manguezais preservados e não pode ser criado como pet sem autorização legal.

Características

Ficha da espécie

FamíliaThreskiornithidae
Origem e distribuiçãoLitoral da América do Sul e Caribe, do Brasil ao norte da Venezuela e Trinidad
HabitatManguezais, estuários, lagoas costeiras e várzeas lodosas
Tamanho (comprimento)56 a 61 cm
Envergadura88 a 95 cm
Peso700 a 900 g (fêmeas menores)
Coresvermelho-escarlatepreto (pontas das asas)bico marrom-escuropernas vermelhas
Expectativa de vida15 a 20 anos na natureza; até 25 em cativeiro
AlimentaçãoCarnívora: caranguejos, camarões, moluscos e pequenos peixes
CantoGrasnidos ásperos, curtos e nasais; não é canto melodioso
Reprodução (ninho e ovos)Colonial em mangues; ninho de gravetos; 2 a 3 ovos verde-azulados com manchas; incubação 21 a 23 dias
Comportamento socialGregário, vive em bandos de dezenas a centenas; voo em V
SubespéciesNenhuma (espécie monotípica)

Perfil e comportamento

SociabilidadeMuito alto
Intensidade do cantoBaixo
InteligênciaMédio
Facilidade de criaçãoMuito baixo
Necessidade de espaçoMuito alto
Nível de atividadeAlto
Capacidade de imitar sonsMuito baixo

Como reconhecer o guará: vermelho que não existe em outra ave brasileira

O guará adulto é inteiramente vermelho-escarlate, com pernas e bico avermelhados e pontas das asas pretas que só aparecem quando voa. O bico é longo, fino e curvo para baixo, com 15 a 18 cm, ideal para sondar a lama.

O filhote não nasce vermelho. Nasce coberto de penugem cinza-escura e vai ficando rosado, depois alaranjado, até atingir o vermelho intenso com cerca de 2 anos. Juvenis de primeiro ano são acinzentados com manchas brancas e vermelhas, o que confunde muita gente.

Não confunda com colhereiro (Platalea ajaja), que é rosado e tem bico em forma de colher, nem com flamingo, que tem pescoço em S e bico quebrado ao meio. O guará tem pescoço esticado em voo e silhueta de íbis.

Onde vive o guará no Brasil e nas Américas

No Brasil, ocorre em todo o litoral, com concentrações maiores no Pará e Maranhão (Delta do Parnaíba e Baía de São José), Recôncavo Baiano, litoral de São Paulo e Paraná (Complexo Estuarino de Paranaguá) e no extremo sul até Santa Catarina. Também entra em várzeas amazônicas e no Pantanal costeiro.

Fora do Brasil, vai da Colômbia e Venezuela até as Guianas e Trinidad e Tobago, onde é ave nacional. Prefere manguezais preservados, estuários, apicuns e lagoas salobras com muita lama e caranguejo.

É uma ave essencialmente costeira. Raramente é vista longe do mar, exceto em deslocamentos sazonais curtos em busca de áreas com mais alimento. Onde o mangue foi destruído, o guará some.

Por que o guará é vermelho e o que ele come

A cor vem da comida. O guará se alimenta principalmente de caranguejos chama-maré (Uca spp.), caranguejo-uçá e camarões, que são ricos em astaxantina e outros carotenoides. No fígado, esses pigmentos são convertidos e depositados nas penas e na pele.

Em cativeiro ou com dieta pobre em carotenoides, a plumagem fica rosa-pálida ou até esbranquiçada. Na natureza, a intensidade do vermelho indica boa alimentação e saúde, e influencia na escolha do parceiro.

A dieta inclui ainda:

  • Principal: caranguejos e camarões de mangue
  • Outros: moluscos, insetos aquáticos, pequenos peixes, anfíbios e matéria vegetal ocasional

Ele se alimenta sondando a lama com o bico curvo, tateando sem ver a presa. Caminha em água rasa, em bandos alinhados, e pode voar até 30 a 40 km por dia entre o dormitório e a área de alimentação.

Comportamento e vida em bando: voo, canto e rotina

O guará é extremamente gregário. Passa o dia em grupos de 20 a 100 aves e se reúne ao entardecer em dormitórios coletivos nos mangues, que podem juntar milhares de indivíduos. É nesse momento que acontece a famosa revoada vermelha.

O voo é forte e elegante, com batidas rápidas e planeios curtos, sempre em formação em V ou linha diagonal. Essa formação economiza energia e mantém o bando coeso. Ao contrário de garças, voa com pescoço e pernas esticados.

O canto não é melódico. Emite grasnidos ásperos, nasais e curtos, do tipo “uh-uh-uh”, mais audíveis em colônias reprodutivas. Fora da reprodução é relativamente silencioso. A comunicação é mais visual que vocal.

Reprodução, ninhos e filhotes: do cinza ao escarlate

A reprodução é colonial e sazonal, geralmente na estação chuvosa, entre setembro e março no Sudeste e entre abril e julho no Norte, quando há mais caranguejos. Colônias se instalam em mangues isolados, junto com garças e colhereiros.

O ninho é uma plataforma rala de gravetos sobre ramos de mangue-vermelho (Rhizophora) a 1 a 4 metros da água. A fêmea põe 2 a 3 ovos verde-azulados com manchas marrons, incubados por 21 a 23 dias por ambos os pais.

Os filhotes são seminidífugos: nascem com penugem escura, ficam no ninho por 2 semanas e depois se agrupam em “creches” nos galhos próximos. Começam a voar com 35 a 40 dias, mas continuam sendo alimentados pelos pais por mais semanas. A maturidade sexual vem com 2 a 3 anos.

Guará e flamingo são a mesma coisa? Diferenças claras

É o erro mais comum. Ambos são vermelhos/rosados, mas são famílias diferentes e não ocorrem juntos no Brasil (flamingos selvagens não existem aqui, exceto o flamingo-chileno raro no Sul).

Característica Guará (Eudocimus ruber) Flamingo (Phoenicopterus spp.)
Tamanho 56 a 61 cm 110 a 130 cm
Bico Longo, fino e curvo para baixo Grosso, quebrado no meio, com filtro
Cor Vermelho-escarlate uniforme Rosa-claro a rosa-escuro
Pescoço em voo Esticado Esticado, mas com curva em S quando em repouso
Habitat no Brasil Manguezais costeiros Lagoas salinas andinas e sul do país (raro)

Na nossa avaliação, a confusão vem da cor, mas basta ver o bico: bico de foice é guará; bico de joelho é flamingo.

É possível ter guará em casa? Legalidade e por que não é pet

Não. O guará é ave silvestre nativa protegida pela Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98). Criar, capturar, vender ou manter sem autorização do IBAMA é crime, com multa e detenção.

Não existe criação comercial legal de guará como pet. Apenas instituições como zoológicos, centros de reabilitação e projetos de conservação com autorização técnica podem mantê-lo, e mesmo assim com recintos grandes com espelho d’água salobra, dieta especializada e manejo veterinário.

Além da ilegalidade, ele não se adapta à vida doméstica: precisa de mangue, bando e voos longos, tem dieta muito específica e sofre muito com estresse em gaiola. Observar a revoada no mangue é a forma correta de admirar a espécie.

Migração e deslocamentos: não migra longe, mas se move muito

O guará não faz migração continental como andorinhas. Faz deslocamentos regionais e sazonais seguindo a oferta de caranguejos e o nível da água. Na Amazônia, pode se mover entre litoral e várzeas interiores conforme a cheia.

Estudos com anilhas no Maranhão e Pará mostram que indivíduos podem percorrer centenas de quilômetros ao longo da costa entre estações. Esses movimentos são essenciais para a troca genética entre populações.

Por isso a conservação precisa ser em rede: proteger um único mangue não basta se os mangues vizinhos forem destruídos.

Conservação: de quase extinto ao retorno dos manguezais

Globalmente o guará é Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estável. No Brasil, porém, sofreu forte declínio no século XX por caça para uso das penas em adornos, captura e destruição de manguezais.

O caso mais famoso foi Cubatão (SP): o guará desapareceu na década de 1960 por poluição industrial. Com a recuperação do mangue e projeto de reintrodução a partir de 1990, voltou a se reproduzir e hoje a revoada de Cubatão é símbolo de recuperação ambiental.

As ameaças atuais são perda de manguezais para aquicultura, portos e especulação imobiliária, poluição por esgoto e plástico, e perturbação de dormitórios por turismo desordenado. Proteger manguezais, respeitar distância mínima de 100 metros de colônias e apoiar unidades de conservação são as medidas mais eficazes.

Perguntas frequentes

Por que o guará é vermelho?

Por causa da alimentação rica em carotenoides, principalmente astaxantina de caranguejos e camarões. O pigmento se deposita nas penas e na pele.

Guará e flamingo são a mesma ave?

Não. O guará é um íbis (Eudocimus ruber) de manguezal com bico curvo fino; o flamingo é maior, tem bico grosso e quebrado e filtra alimento na água.

Onde ver guará no Brasil?

Em manguezais bem preservados como Delta do Parnaíba (MA/PI), Baía de Guanabara e Guaratiba (RJ), Cubatão e Cananeia (SP) e Baía de Guaratuba (PR), sempre ao entardecer na revoada.

O que o guará come?

Principalmente caranguejos chama-maré e camarões de mangue, além de moluscos, pequenos peixes e insetos aquáticos capturados sondando a lama.

Pode criar guará em casa?

Não. É ave silvestre protegida por lei. Criar ou comprar sem autorização do IBAMA é crime ambiental. Só instituições autorizadas podem mantê-lo.

Quanto tempo vive o guará?

De 15 a 20 anos na natureza e até 25 anos em cativeiro sob cuidados especializados.

O guará está em extinção?

Globalmente é Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estável, mas localmente desaparece onde o manguezal é destruído ou poluído.

Você sabia?

1

Filhote cinza que demora para ficar vermelho

O guará nasce cinza-escuro e só fica totalmente vermelho-escarlate no segundo ano de vida. Juvenis manchados de cinza e vermelho são frequentemente confundidos com outra espécie.

2

A cor vem do caranguejo

Sem caranguejos chama-maré ricos em astaxantina, o guará desbota. Em zoológicos, a dieta precisa ser suplementada com cantaxantina para manter o vermelho vivo.

3

Ave símbolo de Trinidad e Tobago

O guará é a ave nacional de Trinidad e Tobago e aparece no brasão do país. Lá é chamado de scarlet ibis e é protegido no santuário de Caroni Swamp.

4

Sumiu e voltou em Cubatão

Extinto em Cubatão nos anos 1960 pela poluição, o guará só voltou a nidificar lá depois de 30 anos, com reintrodução e despoluição do manguezal — um dos maiores casos de retorno da espécie no Brasil.

Fontes

  1. IUCN Red List - Eudocimus ruber
  2. WikiAves - Guará
  3. CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos
  4. BirdLife International

Prós e contras: Guará

Prós

  • Plumagem vermelho-escarlate única no Brasil, fácil de identificar
  • Espetáculo da revoada em bando, ótimo para observação e fotografia
  • Indicador de manguezal saudável e de sucesso de recuperação ambiental
  • Vida social fascinante, com voo em V e dormitórios coletivos
  • Longevidade alta para ave costeira, até 20 anos na natureza

Contras

  • Não pode ser criado como pet; manutenção ilegal sem autorização
  • Depende totalmente de manguezais preservados e crustáceos específicos
  • Canto áspero e pouco melodioso, não é ave de canto
  • Exige grandes áreas alagadas e bando, não se adapta a espaços pequenos
  • Sensível à poluição e à perturbação humana em colônias
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o guará é a melhor prova viva de que manguezal preservado vale mais que qualquer cartão-postal: sem caranguejo não há vermelho. É uma ave para ser vista em revoada livre, não em gaiola, e seu retorno a áreas como Cubatão mostra que conservação dá resultado quando há continuidade.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.