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Tartaruga-de-kemp

Lepidochelys kempii

Atualizado em

60 a 70 cm de carapaçaTamanho
35 a 45 kgPeso
30 a 50 anosExpectativa de vida
Costeiro raso, Golfo do MéxicoHabitat
Inexistente, dócilPerigo para humanos
Detalhe da carapaça e placas da tartaruga-de-kemp

A tartaruga-de-kemp é a menor e mais rara das sete tartarugas marinhas atuais, com carapaça entre 60 e 70 cm e peso médio de 35 a 45 kg. Reconhecida pela carapaça quase circular e coloração oliva-acinzentada, é a única que desova em massa durante o dia.

Quase toda a população se reproduz em poucas praias do Golfo do México, sobretudo em Rancho Nuevo, no estado de Tamaulipas, México. Fora da temporada reprodutiva, vive em águas costeiras rasas do Golfo e da costa leste dos Estados Unidos, migrando pouco em comparação a outras tartarugas marinhas.

Criticamente em perigo segundo a IUCN, sofreu colapso nos anos 1980 e ainda enfrenta captura incidental, poluição e eventos como o vazamento da Deepwater Horizon em 2010. É símbolo dos esforços internacionais de conservação de tartarugas marinhas.

Também conhecido como: Tartaruga-de-kemp, Tartaruga bastarda, Tortuga lora, Tortuga golfina, Kemp's ridley sea turtle, Atlantic ridley

Faz parte de: Tartarugas Marinhas

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Galeria de fotos de Tartaruga-de-kemp

Detalhe da carapaça e placas da tartaruga-de-kemp
Carapaça com cinco pares de placas costais e tom oliva-acinzentado.
Tartaruga-de-kemp em habitat costeiro raso com fundo arenoso e lamoso
Habitat típico: águas costeiras rasas e fundos lamosos do Golfo do México.
Arribada diurna de tartarugas-de-kemp desovando na praia de Rancho Nuevo
Arribada diurna em Rancho Nuevo, única entre as tartarugas marinhas.
Filhote de tartaruga-de-kemp cinza-escuro caminhando para o mar
Filhote recém-eclodido, de coloração cinza-escura, a caminho do mar.
Arribada diurna de tartarugas-de-kemp desovando na praia de Rancho Nuevo
Arribada diurna em Rancho Nuevo, única entre as tartarugas marinhas.
Filhote de tartaruga-de-kemp cinza-escuro caminhando para o mar
Filhote recém-eclodido, de coloração cinza-escura, a caminho do mar.

Perfil rápido de Tartaruga-de-kemp

Estado de conservação

CR
Criticamente em Perigo

População com área de desova extremamente restrita e risco muito alto de extinção na natureza.

População
Instável / em flutuação após recuperação parcial
Protegido por
Sim - protegida no México (NOM-059), nos EUA (Endangered Species Act) e pela CITES Apêndice I

Calendário

AcasalamentoJFMAMJJASOND
Desova (arribada)JFMAMJJASOND
Eclosão dos filhotesJFMAMJJASOND
Migração para norte (EUA)JFMAMJJASOND
Retorno ao sul do GolfoJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
30 a 50 anos, maturidade entre 10 e 15 anos
Em cativeiro
Raro em cativeiro permanente; apenas centros de reabilitação mantêm temporariamente

Reprodução

Maturidade sexual
10 a 15 anos
Estação reprodutiva
Abril a julho, pico em maio-junho
Tipo de reprodução
Ovípara com arribada diurna sincronizada
Ninhada
90 a 110 ovos por ninho, 1 a 3 ninhos por temporada
Incubação
50 a 60 dias, sexo dependente da temperatura
Intervalo entre temporadas
1 a 3 anos

Habitat

Ambientes

  • Águas costeiras rasas
  • Estuários e lagoas costeiras
  • Fundos lamosos e arenosos
  • Mar aberto nerítico até 50 m

Biomas

  • Marinho costeiro
  • Estuarino

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Caranguejos
  • Camarões
  • Moluscos gastrópodes e bivalves

Outros alimentos

  • Águas-vivas
  • Ouriços-do-mar
  • Pequenos peixes demersais
  • Algas e sargaço ingeridos acidentalmente

Encontrado em 10 países

  • México
  • Estados Unidos
  • Cuba
  • Bahamas
  • Reino Unido
  • Irlanda
  • Portugal
  • Espanha
  • França
  • Marrocos

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Reptilia
Ordem
Testudines
Família
Cheloniidae
Gênero
Lepidochelys
Espécie
Lepidochelys kempii

Resumo

  • A tartaruga-de-kemp é a menor tartaruga marinha do mundo, com 60 a 70 cm e até 45 kg, de carapaça circular oliva-acinzentada.
  • Vive em águas costeiras rasas do Golfo do México e Atlântico ocidental e faz a famosa arribada diurna em Rancho Nuevo, México.
  • Está criticamente em perigo e depende de proteção de praias, controle de pesca com TED e monitoramento constante.

Características

Ficha da espécie

GrupoRéptil
OrdemTestudines
FamíliaCheloniidae
Origem e distribuiçãoGolfo do México e Atlântico ocidental (México e EUA), com registros ocasionais no Atlântico nordeste
Tamanho60 a 70 cm de comprimento curvilíneo da carapaça
Peso35 a 45 kg (máx. ~50 kg)
Coresolivacinza-esverdeadocremeamarelo-pálido
Profundidade0 a 50 m (preferência); até ~400 m ocasionalmente
HabitatÁguas costeiras rasas, estuários, lagoas e fundos lamosos ou arenosos
AlimentaçãoCarnívora com tendência onívora: caranguejos, camarões, moluscos, peixes e águas-vivas
ReproduçãoOvípara, arribada diurna; 1 a 3 ninhadas por temporada, 90 a 110 ovos por ninho
Expectativa de vida30 a 50 anos na natureza
Estado de conservaçãoCriticamente em Perigo (CR) - IUCN

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeBaixo
InteligênciaMédio
VelocidadeMédio
Capacidade de migraçãoMédio
Importância para o ecossistema marinhoAlto

Como identificar a tartaruga-de-kemp sem confundir

A tartaruga-de-kemp é a menor tartaruga marinha do mundo e a mais fácil de reconhecer pelo formato. A carapaça é quase circular, larga e levemente achatada, com 5 pares de placas costais e coloração oliva a cinza-esverdeada nos adultos. O plastrão é creme a amarelo-pálido e a cabeça é relativamente grande e triangular.

Filhotes são cinza-escuros a pretos, o que os diferencia dos adultos e também da tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea), sua parente mais próxima. A oliva é ligeiramente maior, tem carapaça mais alongada e ocorre no Pacífico e Atlântico sul, enquanto a de Kemp é restrita ao Atlântico norte ocidental.

Outro detalhe útil: as nadadeiras têm uma unha visível em cada nadadeira anterior e às vezes duas. Em água, nada com batidas rápidas e curtas, típicas de espécie costeira, diferente do nado planado de tartarugas oceânicas como a cabeçuda.

Onde vive e por que quase só no Golfo do México

A distribuição é extremamente concentrada. Adultos e juvenis vivem principalmente no Golfo do México e ao longo da costa leste dos Estados Unidos até a Nova Inglaterra. É uma espécie de águas rasas, preferindo profundidades de até 50 m, sobre fundos de lama e areia onde encontra caranguejos.

Berçários importantes ficam em lagoas costeiras e estuários do Texas e da Louisiana. Juvenis podem ser levados pela Corrente do Golfo até o Atlântico nordeste, com encalhes ocasionais em Açores, Irlanda e Reino Unido, mas isso não indica população residente lá.

A fidelidade à região é tão alta que mais de 95% das desovas ocorrem em poucas praias de Tamaulipas, México, sobretudo Rancho Nuevo, Tepehuajes e Playa Dos. Esse gargalo geográfico explica por que um único desastre, como um vazamento de petróleo, pode afetar a espécie inteira.

O que come e como caça no fundo raso

É carnívora bentônica. A base da dieta são caranguejos-azuis e caranguejos-aranha, complementados por camarões, moluscos, águas-vivas, ouriços e pequenos peixes. A mandíbula forte e em forma de bico permite esmagar carapaças com facilidade.

Caça farejando o fundo com a cabeça baixa, remexendo sedimento com as nadadeiras. Em áreas estuarinas, aproveita descartes de pesca, o que aumenta o risco de captura incidental em redes de arrasto. Ao contrário de tartarugas herbívoras, raramente consome algas, embora possa ingerir sargaço acidentalmente.

  • Principal: caranguejos portunídeos
  • Secundário: camarões, gastrópodes, bivalves, águas-vivas
  • Ocasional: peixes demersais, ovos de peixe, detritos orgânicos

A arribada diurna: reprodução única entre as tartarugas marinhas

A tartaruga-de-kemp é a única tartaruga marinha que faz arribada diurna sincronizada: centenas a milhares de fêmeas saem juntas para desovar à luz do dia, empurradas por ventos fortes de sudeste. O fenômeno ocorre entre abril e julho, com pico em maio e junho.

Cada fêmea faz 1 a 3 ninhos por temporada, com intervalo de 14 a 28 dias, e volta a cada 1 a 3 anos. Cada ninho tem 90 a 110 ovos em média, incubados por 50 a 60 dias. A temperatura da areia define o sexo: acima de ~29,5 °C nascem mais fêmeas.

O acasalamento acontece no mar, em frente às praias de desova, entre março e junho. Machos nunca voltam à terra. Filhotes emergem juntos e correm direto para o mar, fase de altíssima predação por aves, caranguejos e peixes.

Por que a arribada importa

A sincronia satura predadores e aumenta a chance de sobrevivência dos ninhos. Mas também torna a espécie vulnerável: coletar ovos em um único dia de arribada podia eliminar milhares de ninhos, como ocorreu até os anos 1960.

Comportamento e migrações curtas

É uma tartaruga solitária e pouco migratória comparada à verde ou à de couro. Adultos fazem movimentos sazonais curtos: no verão sobem até a costa nordeste dos EUA e no inverno retornam ao sul do Golfo. Juvenis permanecem em águas costeiras e estuários, sem a longa fase oceânica de outras espécies.

Passa muito tempo no fundo, fazendo mergulhos de 10 a 30 minutos em águas rasas. Não forma grupos sociais, exceto na época reprodutiva. A velocidade de cruzeiro fica em torno de 5 a 8 km/h, com picos curtos maiores para fuga.

Tem forte filopatria: fêmeas retornam à mesma região onde nasceram. Estudos de marcação mostram que uma fêmea marcada em Rancho Nuevo pode ser recapturada anos depois na mesma praia, a poucos quilômetros do ponto original.

É perigosa para humanos?

Não. A tartaruga-de-kemp é dócil e não oferece risco. Não morde fora de situação de manuseio e não possui veneno, espinhos ou toxinas. Acidentes só ocorrem se alguém tentar conter o animal sem técnica, quando pode dar uma mordida defensiva.

O risco real é o inverso: humanos são perigosos para ela. Redes de emalhe e arrasto, anzóis, hélices, ingestão de plástico e iluminação artificial nas praias são ameaças constantes. Tocar, perseguir ou usar flash na desova estressa a fêmea e pode fazê-la abortar a postura.

Em observação responsável, mantenha pelo menos 10 metros, não alimente e nunca toque. No Brasil, o manuseio só é permitido a equipes autorizadas do ICMBio e Projeto TAMAR.

Por que é a tartaruga marinha mais ameaçada do mundo

Em 1947, um filme aéreo registrou cerca de 42 mil fêmeas desovando em um único dia em Rancho Nuevo. Em 1985, o total anual caiu para 702 ninhos em todo o México. Foi o colapso mais documentado entre tartarugas marinhas.

As causas foram coleta massiva de ovos, captura de fêmeas na praia e afogamento em redes de camarão. A partir de 1966, México e EUA criaram proteção integral, santuários e o uso obrigatório de dispositivos de exclusão de tartarugas (TED) nas redes. A população voltou a crescer até 2009, com mais de 21 mil ninhos.

Depois, o crescimento estagnou. O vazamento da Deepwater Horizon em 2010 atingiu o norte do Golfo, área-chave de alimentação, e coincidiu com aumento de encalhes. Hoje a espécie segue Criticamente em Perigo, com tendência instável e dependência total de manejo humano.

Ameaça Impacto
Pesca incidental sem TED Afogamento de juvenis e adultos
Coleta ilegal de ovos Perda direta de ninhadas
Poluição por petróleo e plástico Intoxicação e ingestão
Iluminação e ocupação costeira Desorientação de fêmeas e filhotes
Mudança climática Feminização das ninhadas e erosão de praias

Onde observar com responsabilidade

Não há arribada de tartaruga-de-kemp no Brasil. Para ver a espécie na natureza, os locais são Rancho Nuevo (Tamaulipas, México) durante a temporada de desova com acesso controlado, e centros de reabilitação no Texas, como o Sea Turtle Science Center em South Padre Island, que soltam filhotes marcados.

Nos EUA, avistagens no mar ocorrem no Golfo e na costa da Flórida a Massachusetts, mas são raras e imprevisíveis. Prefira passeios embarcados que sigam regras de distância e não ofereçam interação direta.

Se encontrar uma tartaruga encalhada ou ninho, não toque nem devolva ao mar. Acione órgãos ambientais locais. No México, a CONANP; nos EUA, a NOAA Stranding Network.

Curiosidades que só a tartaruga-de-kemp tem

O nome homenageia Richard Kemp, pescador e naturalista da Flórida que enviou o primeiro exemplar para descrição científica em 1880. Por décadas foi chamada de bastard turtle por não se saber onde desovava.

Sua arribada só foi redescoberta em 1947 graças a um filme amador do engenheiro Andrés Herrera. Até então, cientistas achavam que ela nem existia como espécie válida.

É a tartaruga marinha com menor área de desova e menor dispersão oceânica. Enquanto filhotes de outras espécies passam anos em alto-mar, os de Kemp permanecem em águas neríticas, o que facilita o monitoramento, mas aumenta a exposição à pesca costeira.

Perguntas frequentes

Qual o tamanho da tartaruga-de-kemp adulta?

Entre 60 e 70 cm de carapaça e 35 a 45 kg, podendo chegar a 50 kg. É a menor tartaruga marinha do mundo.

Onde a tartaruga-de-kemp vive?

Em águas costeiras rasas do Golfo do México e da costa leste dos EUA. Quase toda a desova ocorre em Rancho Nuevo, Tamaulipas, México.

O que a tartaruga-de-kemp come?

Principalmente caranguejos, além de camarões, moluscos, águas-vivas e pequenos peixes que encontra no fundo lamoso ou arenoso.

Por que ela faz arribada de dia?

É a única tartaruga marinha com arribada diurna sincronizada, associada a ventos fortes. A estratégia satura predadores e aumenta a sobrevivência dos ovos.

A tartaruga-de-kemp é perigosa?

Não. É dócil, sem veneno e não ataca. Só pode morder se for contida incorretamente.

Ela ocorre no Brasil?

Não há população nem desova no Brasil. Registros no Atlântico Sul são excepcionais e considerados errantes.

Qual o estado de conservação da tartaruga-de-kemp?

Criticamente em Perigo (CR) pela IUCN, com população instável e altamente dependente de proteção de praias e uso de TED na pesca.

Você sabia?

1

Arribada à luz do dia

É a única tartaruga marinha que desova em massa durante o dia, com ventos fortes. Todas as outras seis espécies fazem arribada ou desova solitária à noite.

2

Filme que salvou a espécie

Sua principal praia de desova, Rancho Nuevo, só foi encontrada em 1947 por um filme aéreo amador. Antes disso, a ciência não sabia onde ela se reproduzia.

3

Menor e mais leve

Com 60 a 70 cm e 35 a 45 kg, cabe facilmente no porta-malas de um carro. É quase metade do peso de uma tartaruga-cabeçuda adulta.

4

Nome de pescador

O epíteto kempii homenageia Richard Kemp, pescador da Flórida que enviou o exemplar-tipo em 1880. Por anos foi chamada de tartaruga bastarda por falta de dados.

Fontes

  1. IUCN Red List - Lepidochelys kempii
  2. NOAA Fisheries - Kemp's Ridley Turtle
  3. Sea Turtle Conservancy
  4. CONANP / Projeto de Conservação Rancho Nuevo

Prós e contras: Tartaruga-de-kemp

Prós

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Contras

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Nossa opinião

Na nossa avaliação, a tartaruga-de-kemp é o caso mais eloquente de como uma espécie pode depender de uma única praia: sem Rancho Nuevo e sem TED nas redes de camarão, ela já teria desaparecido. É também a prova de que manejo binacional funciona, mas não admite descuido por uma temporada sequer.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.