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Leão-marinho-sul-americano

Otaria flavescens

Atualizado em

Machos até 2,6 m; fêmeas até 2,0 mTamanho
Machos até 350 kg; fêmeas até 150 kgPeso
18 a 25 anosExpectativa de vida
Costas rochosas e ilhas do Atlântico e Pacífico sulHabitat
Baixo, machos podem ser agressivos se provocadosPerigo para humanos
Leão-marinho-sul-americano macho adulto nadando de lado embaixo d'água

O leão-marinho-sul-americano (Otaria flavescens) é o maior leão-marinho do Hemisfério Sul e o único representante do gênero Otaria. Facilmente reconhecido pelo focinho curto e largo, orelhas externas visíveis e a juba dourada dos machos adultos, ele se destaca pelo forte dimorfismo sexual e pelo comportamento altamente social.

Vive em colônias numerosas ao longo de toda a costa sul-americana, do Peru ao sul do Brasil, ocupando ilhas, lajes e praias rochosas. Apesar do tamanho imponente, é ágil na água e em terra, onde consegue caminhar apoiado nas quatro nadadeiras, diferente das focas.

No Brasil é visitante regular no outono e inverno, especialmente no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde costuma descansar em refúgios costeiros. Não é considerado perigoso, mas exige distância: machos territoriais podem avançar se se sentirem acuados.

Também conhecido como: Leão-marinho-da-patagônia, León marino sudamericano (espanhol), South American sea lion (inglês), Otária

Faz parte de: Animais Marinhos do Brasil

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Galeria de fotos de Leão-marinho-sul-americano

Leão-marinho-sul-americano macho adulto nadando de lado embaixo d'água
Macho adulto de leão-marinho-sul-americano, note a juba dourada e as longas nadadeiras anteriores.
Close da cabeça do leão-marinho-sul-americano mostrando focinho curto e bigodes
Focinho curto e largo e vibrissas sensíveis são marcas da espécie.
Detalhe da pelagem e juba do leão-marinho-sul-americano
Pelagem espessa marrom-escura e juba característica dos machos.
Colônia de leões-marinhos-sul-americanos em ilha rochosa
Colônia em costa rochosa, habitat típico na Patagônia.
Leão-marinho-sul-americano caçando cardume de peixes
Caça ágil a peixes e lulas em águas costeiras rasas.
Filhote preto de leão-marinho-sul-americano ao lado da mãe
Filhotes nascem pretos e ganham tom marrom após o primeiro mês.
Grupo de leões-marinhos-sul-americanos vocalizando na praia
Extremamente sociais, formam haréns barulhentos no verão.

Perfil rápido de Leão-marinho-sul-americano

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População global acima de 400 mil indivíduos e em recuperação após o fim da caça comercial.

População
estável a crescente
Protegido por
Sim, protegido por lei no Brasil, Argentina, Chile, Peru e Uruguai

Calendário

Reprodução (acasalamento)JFMAMJJASOND
NascimentosJFMAMJJASOND
Muda de pelosJFMAMJJASOND
Maior presença no sul do BrasilJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
18 a 20 anos para machos e 20 a 25 anos para fêmeas
Em cativeiro
Até 30 anos com cuidados veterinários, raro no Brasil

Reprodução

Acasalamento
Poligínico, haréns defendidos por macho dominante
Estrutura social
Colonial, haréns de 3 a 15 fêmeas por macho
Padrão sazonal
Acasalamento e nascimentos de dezembro a fevereiro
Tipo de nascimento
Vivíparo
Ninhada
1 filhote (raramente 2), 11 a 15 kg ao nascer
Gestação
11 a 12 meses com implantação tardia de ~3 meses
Maturidade sexual
Fêmeas 3-4 anos, machos 5-6 anos (harém após 9 anos)

Habitat

Ambientes

  • Costas rochosas e ilhas costeiras
  • Praias de cascalho e areia
  • Águas costeiras rasas até 170 m
  • Estuários e desembocaduras

Biomas

  • Oceano Atlântico Sul
  • Oceano Pacífico Sul
  • Zona costeira

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Peixes (anchoveta, merluza, pescada, sardinha)

Outros alimentos

  • Lulas e polvos
  • Crustáceos (camarões, caranguejos)
  • Pinguins (ocasional)

Encontrado em 6 países

  • Argentina
  • Chile
  • Peru
  • Uruguai
  • Brasil
  • Ilhas Malvinas

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Mammalia
Ordem
Carnivora
Família
Otariidae
Gênero
Otaria
Espécie
Otaria flavescens (sin. Otaria byronia)

Resumo

  • O leão-marinho-sul-americano é um mamífero marinho de até 2,6 m e 350 kg, com marcada diferença entre machos com juba e fêmeas menores e esguias.
  • Vive em colônias costeiras do Peru ao sul do Brasil, alimenta-se de peixes, lulas e crustáceos e forma haréns poligínicos no verão.
  • No Brasil aparece principalmente no Sul e Sudeste entre junho e outubro e tem população em recuperação, classificada como Pouco Preocupante pela IUCN.

Características

Ficha da espécie

GrupoMamífero
OrdemCarnivora
FamíliaOtariidae (otariídeos)
Origem e distribuiçãoCosta da América do Sul: Peru, Chile, Argentina, Uruguai, sul do Brasil e Ilhas Malvinas
TamanhoMachos 2,0 a 2,6 m; fêmeas 1,4 a 2,0 m
PesoMachos 200 a 350 kg; fêmeas 100 a 150 kg
Coresmarrom-escuromarrom-clarodouradocinzapretobege (filhotes nascem pretos)
ProfundidadeAté 170 m; mais comum entre 20 e 50 m
HabitatCostas rochosas, ilhas, praias de cascalho e águas costeiras rasas
AlimentaçãoPeixes, lulas, polvos e crustáceos
ReproduçãoVivípara, 1 filhote por gestação de 11 a 12 meses
Expectativa de vida18 a 20 anos (machos) e 20 a 25 anos (fêmeas)
Estado de conservaçãoPouco Preocupante (LC - IUCN)

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasBaixo
SociabilidadeMuito alto
InteligênciaAlto
VelocidadeAlto
Capacidade de migraçãoBaixo
Importância para o ecossistema marinhoAlto

Como identificar o leão-marinho-sul-americano

O leão-marinho-sul-americano é robusto, de pescoço grosso e focinho curto e achatado, bem diferente do focinho fino e alongado do lobo-marinho-sul-americano (Arctocephalus australis). Machos adultos desenvolvem juba de pelos mais longos e dourados ao redor do pescoço e ombros, que dá origem ao nome “leão”.

Como todo otariídeo, tem orelha externa pequena e visível e nadadeiras anteriores longas em forma de remo. Consegue girar as nadadeiras traseiras para frente e caminhar em terra com apoio nas quatro patas, o que focas verdadeiras não fazem.

As fêmeas e jovens são bem menores, sem juba, com pelagem marrom-clara a dourada e corpo mais esguio. Os bigodes (vibrissas) são longos, claros e muito sensíveis, com até 50 unidades que ajudam a detectar vibrações de peixes na água turva. Filhotes nascem pretos ou marrom muito escuro e só após cerca de um mês ganham a cor marrom.

Onde vive: distribuição e profundidade

A espécie ocorre em toda a costa sul-americana, do Peru (5°S) no Pacífico até o sul do Brasil (cerca de 23°S) no Atlântico, incluindo Chile, Argentina, Uruguai e Ilhas Malvinas. As maiores colônias reprodutivas ficam na Patagônia argentina e chilena.

Prefere ilhas, lajes rochosas, costões e praias de cascalho próximas a áreas de ressurgência ricas em peixes. Raramente se afasta mais de 100 km da costa, embora machos jovens possam vagar mais.

No Brasil não forma colônias reprodutivas. Aparece como visitante de outono e inverno, entre junho e outubro, quando animais — principalmente machos jovens e subadultos — se deslocam para o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e até São Paulo e Rio de Janeiro para descansar e se alimentar. Mergulha comumente entre 20 e 50 m, mas pode atingir cerca de 170 m de profundidade e 8 minutos de apneia.

O que come e como caça

É um predador generalista e oportunista. A base da dieta são peixes como anchoveta, merluza, pescada e sardinha, complementados por lulas, polvos e crustáceos. Em áreas próximas a colônias de pinguins, pode predar aves ocasionalmente.

Caça principalmente com mergulhos diurnos e noturnos, usando as vibrissas e a visão para localizar presas. É capaz de fazer mergulhos em série com intervalos curtos na superfície, varrendo cardumes de forma cooperativa quando em grupo.

Em regiões de pesca intensa, aprendeu a seguir barcos e se alimentar de descartes, o que aumenta o risco de captura acidental em redes. Essa plasticidade alimentar ajuda a explicar por que a espécie se recuperou bem após a caça histórica.

Comportamento social e vocalização

Extremamente social, forma colônias que podem reunir centenas a milhares de indivíduos fora da estação reprodutiva. Em terra é barulhento: machos emitem rugidos graves e latidos altos audíveis a mais de 1 km, usados para marcar território.

Fora da reprodução, a hierarquia é mais relaxada e os animais dividem espaço para descanso e termorregulação. Na água são ágeis, atingindo cerca de 30 km/h em arrancadas curtas e fazendo manobras rápidas com as nadadeiras anteriores.

Possui comportamento de termorregulação curioso: em dias quentes, mantém uma ou mais nadadeiras fora da água para dissipar calor e se refresca entrando e saindo do mar constantemente.

Reprodução e ciclo de vida: haréns poligínicos

A estação reprodutiva vai de dezembro a fevereiro (verão austral). Machos chegam primeiro às praias, jejuam e lutam para estabelecer territórios. Um macho dominante pode controlar um harém de 3 a 15 fêmeas.

As fêmeas dão à luz a um único filhote, de 11 a 15 kg, poucos dias após chegarem à colônia. A gestação dura 11 a 12 meses com implantação tardia de cerca de 3 meses. O acasalamento ocorre cerca de uma semana após o parto.

O filhote mama por 8 a 12 meses, mas já começa a fazer mergulhos curtos com a mãe a partir do segundo mês. Fêmeas atingem maturidade com 3 a 4 anos, machos apenas com 5 a 6 anos, embora só consigam manter harém após os 9 anos. A mortalidade de filhotes no primeiro ano pode ser alta por pisoteio, tempestades e predação por orcas.

É perigoso para humanos?

O risco é baixo quando há distância respeitada. Não há registro de ataques predatórios a humanos. O perigo vem de machos territoriais de até 350 kg que podem avançar, morder e causar ferimentos graves se alguém se aproximar demais, tentar tocar, alimentar ou ficar entre o animal e o mar.

Em praias brasileiras, a maioria dos indivíduos avistados está apenas descansando e parece dócil, mas está estressada, cansada ou doente. A aproximação causa gasto energético desnecessário e pode levar o animal a fugir para a água antes da hora.

A regra é manter pelo menos 30 metros de distância, não cercar, não oferecer comida, manter cachorros longe e na guia, e nunca tentar devolver o animal ao mar à força. Mordidas podem transmitir bactérias e exigem atendimento médico.

Ameaças e conservação: recuperação após a caça

Durante os séculos XIX e XX, a espécie foi intensamente caçada por óleo, couro e para controle por pescadores, com declínio acentuado. Após proteção legal em quase todos os países, a população se recuperou para mais de 400 mil indivíduos e hoje é classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com tendência estável a crescente.

As ameaças atuais são captura acidental em redes de emalhe e arrasto, competição com pesca industrial, poluição por plástico e óleo, contaminação por esgoto e ruído submarino. Filhotes e juvenis são os mais vulneráveis a emaranhamento em detritos.

No Brasil, é protegido por lei e consta como espécie de interesse para o ICMBio. Encalhes são atendidos por instituições da Rede de Encalhes de Mamíferos Aquáticos (REMAB). A tendência no Atlântico sul-ocidental ainda inspira atenção, pois algumas colônias na Argentina mostraram flutuações recentes ligadas à disponibilidade de presas.

Onde observar com responsabilidade no Brasil

Os melhores locais são o Refúgio de Vida Silvestre da Ilha dos Lobos (Torres, RS), o Parque Nacional da Lagoa do Peixe (RS), Molhes da Barra (Rio Grande, RS) e costões de Santa Catarina como Florianópolis e Laguna, entre junho e outubro. Avistagens mais ao norte, até o Rio de Janeiro, são esporádicas.

Prefira observação com binóculos, sem flash e em silêncio. Se o animal levantar a cabeça repetidamente, vocalizar ou se arrastar em direção à água, você está perto demais. Recue.

Nunca alimente, toque ou jogue água. Se encontrar um animal encalhado, não tente empurrá-lo de volta ao mar: acione o órgão ambiental local, ICMBio ou instituição da REMAB e mantenha pessoas e cachorros afastados até a chegada da equipe.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre leão-marinho e lobo-marinho?

O leão-marinho-sul-americano é maior (até 2,6 m e 350 kg), tem focinho curto e largo e juba nos machos. O lobo-marinho é menor, tem focinho fino e alongado e pelagem mais densa. Ambos têm orelha externa, diferente das focas.

Leão-marinho-sul-americano aparece no Brasil?

Sim, como visitante de outono e inverno, principalmente no Rio Grande do Sul e Santa Catarina entre junho e outubro. Não se reproduz no Brasil, apenas descansa e se alimenta.

O leão-marinho-sul-americano é perigoso?

Não ataca por predação, mas machos territoriais podem morder se se sentirem ameaçados ou encurralados. Mantenha pelo menos 30 m de distância e mantenha cachorros afastados.

O que ele come?

Principalmente peixes como anchoveta, merluza e pescada, além de lulas, polvos e crustáceos. É oportunista e pode aproveitar descartes de pesca.

Quanto tempo vive?

Na natureza, machos vivem 18 a 20 anos e fêmeas 20 a 25 anos. Em cativeiro pode chegar a 30 anos.

Está em risco de extinção?

Não. É classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população global acima de 400 mil e tendência estável a crescente, embora sofra com captura acidental e poluição.

O que fazer ao encontrar um na praia?

Mantenha distância, não alimente, não toque, não tente devolver ao mar e afaste cachorros. Acione o órgão ambiental, ICMBio ou projeto local da REMAB.

Você sabia?

1

Filhote preto que muda de cor

Todos nascem com pelagem preta aveludada. Em cerca de 30 dias trocam para marrom-chocolate, o que confunde muita gente que acha se tratar de outra espécie.

2

Jejum de campeão

Machos dominantes podem ficar até 60 dias sem comer nem beber água doce enquanto defendem o harém, vivendo apenas da gordura corporal e perdendo até 25% do peso.

3

Anda como cachorro

Diferente das focas, o leão-marinho gira as nadadeiras traseiras para frente e caminha em quatro apoios, podendo até galopar curtas distâncias na areia quando precisa fugir.

4

Bigodes de alta precisão

Cada vibrissa é inervada com milhares de terminações nervosas e detecta o rastro hidrodinâmico de um peixe que passou até 30 segundos antes, mesmo no escuro total.

Fontes

  1. IUCN Red List
  2. NOAA Fisheries
  3. ICMBio - Instituto Chico Mendes
  4. SeaLifeBase / WoRMS

Prós e contras: Leão-marinho-sul-americano

Prós

  • Espécie carismática e fácil de observar no sul do Brasil no inverno
  • Indicador de saúde do ecossistema costeiro
  • População em recuperação, bom exemplo de conservação
  • Altamente social e vocal, ótimo para educação ambiental
  • Adapta-se bem a diferentes presas e ambientes costeiros

Contras

  • Machos grandes podem ser agressivos se provocados ou encurralados
  • Sofre captura acidental em redes de pesca
  • Vulnerável a poluição, plástico e ruído submarino
  • Pode competir com pescadores por recursos pesqueiros
  • Filhotes sensíveis a perturbações humanas nas colônias reprodutivas
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o leão-marinho-sul-americano é o melhor exemplo de como proteção legal funciona: de quase exterminado a 400 mil indivíduos em poucas décadas. É também a espécie que mais ensina a diferença entre leão-marinho e lobo-marinho — confundi-los é o erro mais comum no litoral brasileiro.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.