🦎 Répteis e Anfíbios

Tartaruga-oliva

Lepidochelys olivacea

Atualizado em

60 a 75 cm de carapaçaTamanho
Réptil marinhoGrupo
50 a 60 anosExpectativa de vida
Oceano tropical e praiasHabitat
Vulnerável (IUCN)Perigo
Arribada de tartarugas-oliva na praia

A tartaruga-oliva é um réptil marinho e a menor das sete espécies de tartarugas marinhas do mundo, com carapaça em tom de verde-oliva que dá nome à espécie. Diferente de anfíbios, ela não faz metamorfose, respira por pulmões e passa a vida inteira no mar, só subindo à praia para desovar.

No Brasil, é conhecida pela impressionante arribada, quando centenas de fêmeas desovam juntas na mesma noite, principalmente em Sergipe e na Bahia. É uma espécie vulnerável, protegida por lei, e não pode ser criada como pet.

Também conhecido como: Tartaruga-oliva, Tartaruga-pequena, Olive ridley sea turtle, Tortuga olivácea, Tartaruga-olivácea

Faz parte de: Répteis do Brasil, Tartarugas, Jabutis e Cágados

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Galeria de fotos de Tartaruga-oliva

Arribada de tartarugas-oliva na praia
Arribada: desova sincronizada de várias fêmeas na mesma noite.
Close da cabeça e olhos da tartaruga-oliva
Detalhe da cabeça triangular e dos olhos da tartaruga-oliva.
Detalhe da carapaça da tartaruga-oliva
Padrão dos escudos costais assimétricos da carapaça.
Tartaruga-oliva nadando no oceano
Tartaruga-oliva em vida pelágica no oceano tropical.
Filhotes de tartaruga-oliva saindo do ninho
Filhotes recém-nascidos a caminho do mar após a eclosão.
Arribada de tartarugas-oliva na praia
Arribada: desova sincronizada de várias fêmeas na mesma noite.

Perfil rápido de Tartaruga-oliva

Estado de conservação

VU
Vulnerável

Risco alto de extinção na natureza se as ameaças continuarem.

População
Decrescente
Protegido por
Sim - protegida por ICMBio/Projeto Tamar e CITES Apêndice I, coleta proibida no Brasil

Calendário

Desova (arribada)JFMAMJJASOND
Eclosão dos filhotesJFMAMJJASOND
Migração pós-reproduçãoJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
50 a 60 anos
Em cativeiro
Raramente mantida; até 30 anos em centros de reabilitação

Reprodução

Maturidade sexual
10 a 15 anos
Tipo de reprodução
Ovipara com arribada sincronizada
Ovos por ninho
100 a 110 ovos
Ninhos por temporada
1 a 3, intervalo de 14 a 28 dias
Incubação
50 a 60 dias, dependente da temperatura
Período de desova no Brasil
Setembro a março, pico de novembro a janeiro

Habitat

Ambientes

  • Oceano pelágico tropical
  • Zona costeira e plataforma continental
  • Praias arenosas para desova

Biomas

  • Marinho
  • Costeiro
  • Restinga

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • crustáceos
  • moluscos
  • águas-vivas

Outros alimentos

  • pequenos peixes
  • ovos de peixe
  • algas
  • tunicados

Encontrado em 10 países

  • Brasil
  • México
  • Costa Rica
  • Índia
  • Austrália
  • Indonésia
  • Senegal
  • Estados Unidos
  • Suriname
  • Equador

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Reptilia
Ordem
Testudines
Família
Cheloniidae
Gênero
Lepidochelys
Espécie
Lepidochelys olivacea (Eschscholtz, 1829)

Resumo

  • A tartaruga-oliva é um réptil marinho, não anfíbio, e a menor tartaruga marinha do mundo com 60 a 75 cm de carapaça.
  • Vive em oceanos tropicais e desova em arribadas sincronizadas nas praias do Nordeste, sobretudo em Sergipe e Bahia entre setembro e março.
  • É onívora, migratória e está classificada como Vulnerável pela IUCN devido à pesca incidental, poluição e aquecimento das praias.

Características

Ficha da espécie

GrupoRéptil
OrdemTestudines
FamíliaCheloniidae
Origem e distribuiçãoOceanos tropicais e subtropicais; no Brasil do Amapá ao Rio Grande do Sul
Tamanho60 a 75 cm de comprimento curvilíneo da carapaça
Peso35 a 50 kg (adultos)
Coresolivacinza-esverdeadobege-clarocreme
HabitatMarinho pelágico e costeiro; praias arenosas para desova
AlimentaçãoOnívora
ReproduçãoOvipara, 100 a 110 ovos por ninho, incubação de 50 a 60 dias
AtividadeMigratória, diurna e noturna
Expectativa de vida50 a 60 anos na natureza
Estado de conservaçãoVulnerável (VU) - IUCN

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoas e petsMuito baixo
Facilidade de criação em cativeiroMuito baixo
Adaptação a casasMuito baixo
Importância para o ecossistemaMuito alto
Sensibilidade a temperatura e umidadeMuito alto
Vida na águaMuito alto

Como identificar a tartaruga-oliva: a menor tartaruga marinha

A tartaruga-oliva é a menor tartaruga marinha do mundo, o que já a diferencia das outras seis espécies. Adultos medem 60 a 75 cm de carapaça e pesam 35 a 50 kg, bem menos que a cabeçuda ou a verde, que passam facilmente de 100 kg.

A carapaça é quase circular, em forma de coração, com coloração verde-oliva a cinza-esverdeado e plastrão amarelado. O detalhe mais técnico para identificação são os escudos costais: 5 a 9 pares, muitas vezes assimétricos entre o lado esquerdo e direito. Nenhuma outra tartaruga marinha do Brasil tem essa variação.

A cabeça é média, triangular e com dois pares de escamas pré-frontais. Os filhotes nascem quase pretos, com bordas claras nas nadadeiras, e só ganham o tom oliva após alguns meses. Essa coloração escura ajuda na camuflagem em águas profundas.

Réptil ou anfíbio? Por que ela não é anfíbio

A tartaruga-oliva é réptil, não anfíbio. Essa confusão é comum porque ela vive entre água e terra, mas a biologia é totalmente diferente.

Como todo réptil, ela tem pele queratinizada com escamas, respira por pulmões a vida toda e não faz metamorfose. Anfíbios como sapos e rãs têm pele permeável, dependem de água doce e passam por fase larval com brânquias.

Outro ponto: seus ovos têm casca calcária flexível e são depositados na areia, sem necessidade de água para se desenvolver. Filhotes já nascem réplicas em miniatura dos adultos, prontos para o mar.

Onde vive e onde ocorre no Brasil

É uma espécie pantropical, presente nos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico, sempre em águas tropicais e subtropicais acima de 20 °C. Passa quase toda a vida em mar aberto e zona costeira, raramente se aproximando de recifes como a tartaruga-de-pente faz.

No Brasil, ocorre em toda a costa, do Amapá ao Rio Grande do Sul, mas a desova se concentra no Nordeste, especialmente Sergipe, Bahia, Espírito Santo e Rio Grande do Norte. A Praia do Pirambu (SE) é o principal ponto de arribada do Atlântico Sul.

Fora da temporada reprodutiva, migra por milhares de quilômetros para áreas de alimentação no norte e sudeste do país. Rastreamentos por satélite mostram indivíduos que saem de Sergipe e chegam ao litoral do Amapá em poucas semanas.

O que a tartaruga-oliva come no oceano

É onívora e oportunista, com dieta mais carnívora que a tartaruga-verde. Em mar aberto, caça na coluna d’água e no fundo.

  • Base da dieta: crustáceos (caranguejos e camarões), moluscos, águas-vivas e tunicados.
  • Complementos: pequenos peixes, ovos de peixe, algas e matéria orgânica em suspensão.
  • Filhotes: alimentam-se de plâncton e pequenos invertebrados até ganharem tamanho para mergulhos mais profundos.

Essa dieta variada a torna importante para controlar populações de águas-vivas e reciclar nutrientes entre o oceano e a praia. Ela pode mergulhar a mais de 150 metros para buscar alimento, embora a maioria dos mergulhos fique entre 20 e 50 metros.

Arribada: a reprodução sincronizada que só ela faz no Brasil

A reprodução é o traço mais famoso da espécie. Enquanto outras tartarugas desovam solitárias, a oliva faz a arribada, quando centenas a milhares de fêmeas sobem juntas na mesma praia e na mesma noite.

No Brasil, a temporada vai de setembro a março, com pico de novembro a janeiro. Cada fêmea cava um ninho de 40 a 50 cm de profundidade e deposita 100 a 110 ovos em média. Ela pode fazer 1 a 3 ninhos por temporada, com intervalo de 14 a 28 dias entre eles.

A incubação dura 50 a 60 dias e o sexo dos filhotes é definido pela temperatura da areia. A temperatura pivotal é de cerca de 30 °C: acima disso nascem mais fêmeas, abaixo mais machos. Com o aquecimento das praias, já se observa proporção de até 90% de fêmeas em algumas áreas monitoradas pelo Projeto Tamar.

Ciclo de vida do filhote ao adulto

Os filhotes nascem à noite, correm juntos para o mar e enfrentam alta mortalidade por aves e peixes. Atingem a maturidade sexual entre 10 e 15 anos, mais cedo que a maioria das tartarugas marinhas. Depois disso, as fêmeas retornam à mesma região onde nasceram para desovar.

Comportamento e migração: vida 100% marinha

Fora da desova, a tartaruga-oliva é pelágica e solitária. Passa meses sem tocar o fundo, dormindo na superfície e se deslocando com correntes oceânicas.

É altamente migratória e pode percorrer mais de 3.000 km entre áreas de alimentação e reprodução. Durante a migração, usa o campo magnético da Terra para se orientar, como outras tartarugas marinhas.

Na praia, é extremamente sensível a luz e barulho. Qualquer iluminação artificial desorienta fêmeas e filhotes, que seguem a luz mais brilhante em vez do reflexo do mar. Por isso, praias de desova precisam de manejo de iluminação.

É perigosa? Riscos para pessoas, cachorros e contaminação

A tartaruga-oliva não é venenosa, não tem toxina de pele e não ataca. Mordidas só ocorrem se o animal for manipulado, e mesmo assim são raras. O risco real é inverso: nós somos perigosos para ela.

Para cachorros e tutores, o perigo está nos ninhos. Cachorros soltos em praias de desova escavam ninhos, comem ovos e matam filhotes. Além disso, a ingestão de ovos ou filhotes pode causar obstrução intestinal e contaminação bacteriana no pet.

Para humanos, o consumo de carne e ovos é ilegal e arriscado. A carne pode acumular metais pesados e biotoxinas de algas, e a coleta é crime ambiental com multa e detenção. Nunca toque, alimente ou fotografe com flash uma tartaruga em desova.

Papel no ecossistema e por que está vulnerável

No oceano, controla populações de crustáceos e águas-vivas e transporta nutrientes da água para a areia através dos ovos que não eclodem. Os ninhos aeram a praia e alimentam micro-organismos, caranguejos e aves costeiras.

Apesar disso, está classificada como Vulnerável (VU) pela IUCN, com tendência de declínio. As principais ameaças são pesca incidental em redes de arrasto e espinhel, ingestão de plástico, poluição luminosa e aquecimento global que feminiliza os ninhos.

No Brasil, é protegida pelo ICMBio e pelo Projeto Tamar, com praias monitoradas, centros de reabilitação e proibição total de coleta. Está no Apêndice I da CITES, que proíbe o comércio internacional. A captura ou comércio é crime previsto na Lei de Crimes Ambientais.

Curiosidades e erros comuns de identificação

Muita gente confunde a oliva com a tartaruga-comum ou a aruanã. A oliva é menor, tem carapaça mais arredondada e número variável de escudos costais, enquanto a verde tem 4 pares fixos e a cabeçuda tem cabeça muito maior.

Outro erro é achar que toda tartaruga pequena na praia é filhote de outra espécie. Adultos de oliva são naturalmente pequenos e já estão em idade reprodutiva com 60 cm.

Na nossa avaliação, a tartaruga-oliva é a mais fascinante das tartarugas brasileiras justamente por causa da arribada. Ver centenas de fêmeas desovando juntas é um espetáculo que nenhuma outra espécie oferece por aqui, e explica por que a proteção de poucos quilômetros de praia em Sergipe tem impacto continental.

Perguntas frequentes

Tartaruga-oliva é réptil ou anfíbio?

É réptil. Respira por pulmões, tem carapaça com escamas, põe ovos com casca na areia e não passa por metamorfose, ao contrário dos anfíbios.

Qual o tamanho da tartaruga-oliva adulta?

É a menor tartaruga marinha: 60 a 75 cm de carapaça e 35 a 50 kg. Adultos já são menores que juvenis de outras espécies.

Onde a tartaruga-oliva desova no Brasil?

Principalmente em Sergipe (Pirambu), Bahia, Espírito Santo e Rio Grande do Norte, entre setembro e março, com pico de novembro a janeiro.

O que é arribada?

É a desova sincronizada em massa, quando centenas de fêmeas sobem juntas na mesma noite. No Brasil, só a tartaruga-oliva faz arribada.

Pode ter tartaruga-oliva como pet?

Não. É animal silvestre marinho protegido por lei, não pode ser criada em casa e sua captura ou comércio é crime ambiental no Brasil.

A tartaruga-oliva está em extinção?

Está classificada como Vulnerável pela IUCN, com população em declínio por pesca incidental, plástico, poluição luminosa e aquecimento das praias.

Como diferenciar a oliva da tartaruga-verde?

A oliva é menor, tem carapaça arredondada verde-oliva e 5 a 9 pares de escudos costais assimétricos; a verde tem 4 pares fixos e carapaça mais alongada.

Você sabia?

1

O recorde de arribada

Em Ostional, na Costa Rica, já foram registradas mais de 500 mil fêmeas desovando em uma única arribada de poucos dias. No Brasil, as arribadas são menores, com até 300 fêmeas por noite em Pirambu (SE).

2

Escudos que não combinam

É a única tartaruga marinha com número assimétrico de escudos costais, variando de 5 a 9 pares e frequentemente diferente entre o lado esquerdo e direito do mesmo indivíduo.

3

Sexo decidido pelo calor

A temperatura da areia define o sexo dos filhotes. Com areia acima de 31 °C, quase 100% dos nascimentos são fêmeas, o que preocupa cientistas com o aquecimento das praias.

4

Maturidade precoce

Atinge a fase adulta com 10 a 15 anos, quase metade do tempo da tartaruga-verde, que leva 25 a 35 anos. Isso permite ciclos reprodutivos mais rápidos, mas também maior exposição à pesca.

Fontes

  1. IUCN Red List - Lepidochelys olivacea
  2. Projeto Tamar / ICMBio
  3. Reptile Database
  4. Sociedade Brasileira de Herpetologia

Prós e contras: Tartaruga-oliva

Prós

  • Menor e mais leve que outras tartarugas marinhas, fácil de identificar pela cor oliva
  • Maturidade precoce (10 a 15 anos) permite recuperação populacional mais rápida
  • Dieta onívora ajuda a controlar águas-vivas e crustáceos
  • Arribada facilita monitoramento e proteção concentrada em poucas praias
  • Grande importância ecológica no transporte de nutrientes entre mar e praia

Contras

  • Extremamente sensível à luz artificial e ao aquecimento da areia
  • Alta mortalidade por pesca incidental em redes de arrasto e espinhel
  • Não pode ser criada como pet e sofre com interferência humana nas praias
  • Filhotes e ovos muito vulneráveis a predadores, cachorros e pisoteio
  • População classificada como Vulnerável e em declínio global
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a tartaruga-oliva é a tartaruga marinha mais subestimada do Brasil: pequena e discreta no mar, mas protagonista do único fenômeno de arribada do país. Protegê-la exige menos romantismo e mais manejo prático de luz, pesca e temperatura da areia.

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