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Lagosta-do-maine

Homarus americanus

Atualizado em

20 a 64 cm (comum 25-35 cm)Tamanho
0,5 a 4 kg (recorde 20,1 kg)Peso
50 a 100 anosExpectativa de vida
Atlântico Noroeste, fundos rochososHabitat
Baixo (beliscão forte)Perigo para humanos
Lagosta-do-maine adulta vista de lado em fundo rochoso submarino

A lagosta-do-maine (Homarus americanus) é um crustáceo decápode de garras grandes, nativo do Atlântico Noroeste, da costa do Canadá à Carolina do Norte. É a espécie mais pesada da família Nephropidae e a base de uma das pescarias mais valiosas do mundo.

Vive em fundos rochosos, cascalhos e áreas com tocas, entre 4 e 50 metros na maior parte do ano, mas pode descer a mais de 400 metros no inverno. Reconhecível pelas duas garras assimétricas e coloração marrom-esverdeada que só fica vermelha após o cozimento, pode viver mais de 50 anos e cresce por mudas sucessivas.

Também conhecido como: Lagosta-americana, Lagosta-do-maine, American lobster, Maine lobster, Homard américain

Faz parte de: Crustáceos Marinhos

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Galeria de fotos de Lagosta-do-maine

Lagosta-do-maine adulta vista de lado em fundo rochoso submarino
Lagosta-do-maine adulta com coloração natural marrom-esverdeada e garras assimétricas.
Close-up da cabeça e olhos da lagosta-do-maine
Detalhe da cabeça com rostro espinhoso e olhos em pedúnculos.
Detalhe das duas garras diferentes da lagosta-do-maine
Garra esmagadora e garra cortadora, a principal característica da espécie.
Lagosta-do-maine escondida em fenda rochosa no seu habitat
Habitat típico em fundos rochosos com tocas e fendas.
Fêmea ovada de lagosta-do-maine carregando ovos sob a cauda
Fêmea ovada incubando ovos por até 11 meses sob a cauda.
Filhote juvenil de lagosta-do-maine em fundo de cascalho
Juvenil ainda pequeno, fase mais vulnerável e escondida entre pedras.

Perfil rápido de Lagosta-do-maine

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População global estável com manejo rigoroso de pesca no Canadá e EUA.

População
estável no norte, em declínio no sul da distribuição por aquecimento
Protegido por
sim — tamanho mínimo, proibição de fêmeas ovadas e marcação em V obrigatória nos EUA e Canadá

Calendário

AcasalamentoJFMAMJJASOND
Fêmeas ovadas (incubação)JFMAMJJASOND
Eclosão das larvasJFMAMJJASOND
Muda (crescimento)JFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica (sem veneno; risco de alergia alimentar e beliscão)

Não possui veneno ou toxina. O perigo é mecânico (garras) e alergênico para sensíveis a crustáceos.

Vida útil

Na natureza
50 a 100 anos; maturidade entre 5 e 8 anos
Em cativeiro
raro fora de aquários públicos; pode viver décadas com água fria (12-18 °C) e filtragem intensa

Reprodução

Acasalamento
após muda da fêmea; macho guarda e protege a fêmea mole
Estrutura social
solitária e territorial; encontros só para acasalar
Padrão sazonal
cópula no verão, desova 9-15 meses depois, eclosão no fim da primavera/verão
Tipo de nascimento
ovípara com incubação externa sob a cauda
Ninhada
7.000 a 100.000 ovos por ciclo; larvas planctônicas por 6-8 semanas

Habitat

Ambientes

  • fundos rochosos e recifes
  • cascalho e pedras com fendas
  • substrato lamoso com tocas
  • costões e baías frias

Biomas

  • Atlântico Noroeste temperado
  • zona costeira e plataforma continental
  • zona sublitoral até talude superior

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • moluscos bivalves (mexilhões, amêijoas)
  • caranguejos e outros crustáceos
  • ouriços-do-mar e poliquetas

Outros alimentos

  • peixes mortos e detritos
  • algas e matéria orgânica
  • iscas de pesca (arenque)

Encontrado em 2 países

  • Canadá
  • Estados Unidos

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Malacostraca
Ordem
Decapoda
Família
Nephropidae
Gênero
Homarus
Espécie
Homarus americanus H. Milne Edwards, 1837

Resumo

  • A lagosta-do-maine é um crustáceo de garras do Atlântico Noroeste que atinge 20 a 64 cm e até 20 kg, com coloração marrom-esverdeada e duas garras diferentes.
  • Vive em fundos rochosos e frios entre 4 e 700 metros, é onívora oportunista e tem crescimento lento por mudas, com fêmeas que carregam milhares de ovos por até 11 meses.
  • É classificada como Pouco Preocupante pela IUCN, mas depende de manejo rigoroso de pesca, tamanho mínimo e proteção de fêmeas ovadas para se manter estável.

Características

Ficha da espécie

Grupocrustáceo
OrdemDecapoda
FamíliaNephropidae
Origem e distribuiçãoAtlântico Noroeste, de Labrador (Canadá) à Carolina do Norte (EUA)
Tamanho20 a 64 cm de comprimento total; carapaça 7 a 15 cm
Peso0,5 a 4 kg em adultos; recorde 20,14 kg
Coresmarrom-esverdeadopreto-esverdeadolaranja-acastanhadoraramente azulamarelo ou branco
Profundidade0 a 700 m, mais comum entre 4 e 50 m
Habitatfundos rochosos, cascalho, lodo com tocas e fendas
Alimentaçãoonívora oportunista (moluscos, caranguejos, peixes, ouriços, algas)
Reproduçãoovípara; fêmea incuba 7.000 a 100.000 ovos por 9 a 11 meses
Expectativa de vida50 a 100 anos na natureza
Estado de conservaçãoPouco Preocupante (LC) - IUCN

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeBaixo
InteligênciaMédio
VelocidadeBaixo
Capacidade de migraçãoBaixo
Importância para o ecossistema marinhoAlto

Como identificar a lagosta-do-maine sem confundir

A lagosta-do-maine é Homarus americanus, a lagosta de garras do Atlântico americano. O corpo é alongado, com carapaça lisa e rostro curto com espinhos laterais.

O detalhe que não falha são as duas garras grandes e diferentes. Uma é a garra esmagadora, mais grossa e com dentes arredondados para quebrar conchas. A outra é a cortadora, mais fina e com dentes afiados para rasgar carne.

A cor em vida é marrom-esverdeada a quase preta, às vezes com tons avermelhados nas pernas. O vermelho vivo só aparece depois de cozida, pela liberação da astaxantina. Exemplares azuis, amarelos ou brancos existem, mas são raríssimos e ligados a mutações genéticas.

Não confunda com a lagosta-europeia (Homarus gammarus), que é menor e tem coloração mais azulada, nem com lagostas-espinhosas (família Palinuridae), que não têm garras grandes e sim antenas muito longas.

Característica Lagosta-do-maine Lagosta-europeia
Garras Duas, enormes e assimétricas Duas, assimétricas, ligeiramente menores
Rostro Com espinhos ventrais Sem espinhos ventrais
Cor natural Marrom-esverdeado escuro Azul-escuro a preto-azulado
Tamanho máximo Até 64 cm e 20 kg Até 60 cm e 9 kg

Onde vive e em que profundidade ela realmente fica

A distribuição natural vai de Labrador, no Canadá, até a Carolina do Norte, nos EUA, com maior abundância no Golfo do Maine, Nova Escócia e Massachusetts.

Prefere água fria, entre 12 e 18 °C. Por isso é mais costeira no norte e mais profunda no sul, onde busca águas frias no verão.

O habitat típico é fundo consolidado: rochas, cascalho, recifes e áreas com lama onde escava tocas. Filhotes e juvenis se escondem em fendas e entre pedras para escapar de predadores.

Na maior parte do ano fica entre 4 e 50 metros. No inverno, parte da população migra para áreas mais profundas, de 100 a 400 metros, e pode chegar a 700 metros em registros extremos. Essa movimentação é curta, não é migração oceânica de longa distância.

O que come e como caça no fundo do mar

É onívora oportunista e necrófaga. Não é caçadora veloz, mas sim uma forrageadora noturna que usa olfato e tato para achar alimento.

A dieta inclui mexilhões, amêijoas, caranguejos, ouriços-do-mar, poliquetas, peixes mortos e algas. Em áreas onde o ouriço é abundante, ela ajuda a controlar a população e protege florestas de algas kelp.

As garras fazem o trabalho pesado. A cortadora segura e a esmagadora quebra. As peças bucais trituram e os pereiópodes levam o alimento à boca. Consegue quebrar conchas grossas com força de mais de 100 kg por cm² na garra esmagadora.

Em armadilhas de pesca, é atraída por iscas de peixe oleoso como arenque. Na natureza, também se alimenta de detritos, o que a torna importante recicladora do fundo marinho.

Reprodução e ciclo de vida: por que cresce tão devagar

O acasalamento ocorre logo após a fêmea fazer a muda, quando a carapaça ainda está mole. O macho deposita um espermatóforo e a fêmea pode armazenar o esperma por até 15 meses antes de fertilizar os ovos.

A fertilização é externa. A fêmea libera de 7.000 a mais de 100.000 ovos conforme o tamanho, e os carrega grudados nos pleópodes sob a cauda por 9 a 11 meses. Durante todo esse período ela é chamada de fêmea ovada ou “berried”.

As larvas nascem planctônicas e passam por três estágios nadando na coluna d’água por 6 a 8 semanas. Depois sofrem metamorfose para pós-larva e assentam no fundo. A mortalidade nessa fase é altíssima.

O crescimento é por mudas sucessivas. Para chegar ao tamanho mínimo legal de captura nos EUA (carapaça de 83 mm), leva 6 a 8 anos. Uma lagosta de 1 kg já trocou de carapaça cerca de 25 vezes. Depois de adulta, faz apenas uma muda por ano ou a cada dois anos.

Comportamento, territorialismo e deslocamentos

É um animal solitário e territorial. Cada indivíduo defende sua toca ou fenda, especialmente machos grandes. Disputas por abrigo são resolvidas com exibição das garras; lutas reais podem levar à perda de apêndices.

Tem hábitos predominantemente noturnos. Durante o dia fica escondida, saindo à noite para forragear. Possui boa memória espacial e consegue voltar à mesma toca após saídas.

Apesar da fama de sedentária, marcações mostram deslocamentos de dezenas de quilômetros em poucos meses, principalmente no outono para águas mais profundas e quentes. Não forma cardumes, mas pode haver agregações temporárias em áreas com muita comida ou abrigo.

Se perder uma garra ou pata, regenera na muda seguinte, embora menor. Curiosamente, pode inverter a função das garras: se perde a esmagadora, a cortadora pode se transformar em esmagadora na próxima muda.

A lagosta-do-maine é perigosa para humanos?

Não. É praticamente inofensiva se não for manuseada. O único risco real é o beliscão.

Uma adulta pode exercer pressão suficiente para cortar a pele e causar hematomas, mas não tem veneno, não morde e não ataca nadadores. Acidentes acontecem apenas com pescadores e cozinheiros ao manusear o animal vivo.

Para humanos, o risco maior é alergia a crustáceos, que pode ser grave, e o consumo de carne mal conservada. Não há registro de ataques a mergulhadores. Em mergulho, ela foge para a toca ou assume postura defensiva com garras abertas.

Para outros animais de estimação, a toxicidade é nula, mas a manipulação deve ser evitada. A lagosta não é animal de estimação e não deve ser mantida em aquário doméstico sem estrutura específica de água fria e salgada.

Pesca, ameaças e estado de conservação

A lagosta-do-maine sustenta a pescaria de lagosta mais valiosa da América do Norte, com mais de 50 mil toneladas por ano, principalmente no Maine e no Canadá. A captura é feita quase toda com covos (armadilhas) com anéis de escape para juvenis.

O manejo é considerado um dos mais rigorosos do mundo: tamanho mínimo e máximo de carapaça, proibição de captura de fêmeas ovadas, marcação em V na cauda de fêmeas reprodutoras e devolução obrigatória. Isso mantém o estoque como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com tendência estável no norte.

As ameaças atuais são aquecimento da água, acidificação, doenças da carapaça e emaranhamento em cabos de covos, que afeta baleias-francas. No sul da Nova Inglaterra, o estoque já declinou por estresse térmico e doenças.

Mudanças climáticas estão deslocando a distribuição para o norte. O Golfo do Maine é uma das áreas que mais aquece no Atlântico, o que preocupa cientistas sobre o futuro da espécie em sua área mais famosa.

Curiosidades que pouca gente sabe sobre a espécie

O sangue é azul translúcido, não vermelho. Ela usa hemocianina com cobre para transportar oxigênio, mais eficiente em água fria e pobre em oxigênio.

Antes de ser iguaria, foi comida de prisioneiros e adubo. No século XVII, em Massachusetts, havia leis que proibiam servir lagosta a empregados mais de duas vezes por semana, de tão abundante e desvalorizada que era.

A idade não se mede pelo tamanho. Como cresce por mudas, duas lagostas do mesmo peso podem ter idades muito diferentes. Pesquisadores hoje contam anéis de crescimento nos ossículos do estômago e já estimaram indivíduos com mais de 100 anos.

A lagosta de 20,14 kg capturada em 1977 na Nova Escócia continua sendo o recorde mundial. Tinha cerca de 64 cm e estima-se que tivesse entre 40 e 50 anos quando foi pescada.

Perguntas frequentes

Qual o tamanho máximo da lagosta-do-maine?

Até 64 cm de comprimento total e 20,14 kg, recorde registrado em 1977 na Nova Escócia. A maioria capturada tem 25 a 35 cm e 0,5 a 1 kg.

Por que a lagosta fica vermelha quando cozida?

A cor marrom-esverdeada vem da proteína crustacianina ligada à astaxantina. Com o calor, a proteína desnatura e libera o pigmento vermelho-alaranjado.

Lagosta-do-maine tem veneno ou é perigosa?

Não tem veneno e não ataca pessoas. O único risco é o beliscão forte das garras, que pode cortar a pele se manuseada sem cuidado.

Quanto tempo vive uma lagosta-do-maine?

Entre 50 e 100 anos na natureza. O crescimento por mudas é lento: leva 6 a 8 anos para atingir o tamanho comercial.

Onde vive a lagosta-do-maine no Brasil?

Não ocorre naturalmente no Brasil. É exclusiva do Atlântico Noroeste, do Canadá à Carolina do Norte. No Brasil só é encontrada congelada importada.

Qual a diferença entre lagosta-do-maine e lagosta-espinhosa?

A do Maine tem duas garras grandes e assimétricas e vive em água fria; a espinhosa (como a lagosta-vermelha brasileira) não tem garras grandes e tem antenas longas e espinhos na carapaça.

Pode criar lagosta-do-maine em aquário?

Não é recomendada como pet. Exige água salgada fria (12-18 °C), filtragem potente, tocas e alimentação específica, além de ser territorial e agressiva.

Fatos surpreendentes sobre a lagosta-do-maine

1

Sangue azul de verdade

O sangue é azul por causa da hemocianina, proteína com cobre que carrega oxigênio. Quando exposto ao ar, fica incolor e depois azulado.

2

Garras que trocam de função

Se perder a garra esmagadora, a cortadora pode virar esmagadora na muda seguinte. As duas garras são definidas ainda na fase juvenil pelo uso.

3

Fêmea que guarda esperma por um ano

Após acasalar com carapaça mole, a fêmea armazena o esperma por até 15 meses e só fertiliza os ovos quando as condições são ideais.

4

De comida de cadeia a luxo

No século 19 era servida em prisões e usada como fertilizante. Só virou iguaria cara após a popularização das conservas e do transporte refrigerado.

Fontes

  1. IUCN Red List - Homarus americanus
  2. NOAA Fisheries - American Lobster
  3. WoRMS - World Register of Marine Species
  4. SeaLifeBase / FishBase

Prós e contras: Lagosta-do-maine

Prós

  • Crescimento e longevidade impressionantes, com manejo bem estudado
  • Importante para o ecossistema como predadora de ouriços e recicladora
  • Pescaria com regras rígidas e rastreável no Canadá e EUA
  • Carne muito apreciada e de alto valor comercial
  • Boa espécie-bandeira para discutir aquecimento do Atlântico Norte

Contras

  • Crescimento muito lento, vulnerável à sobrepesca se o manejo falhar
  • Sensível ao aquecimento da água e à doença da carapaça no sul
  • Armadilhas causam emaranhamento de baleias-francas
  • Não se adapta ao Brasil nem a aquário doméstico
  • Alergia a crustáceos impede consumo por parte da população
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a lagosta-do-maine é o melhor exemplo de como manejo pesqueiro bem feito mantém uma espécie abundante e valiosa. É fascinante pelo crescimento absurdamente lento e pela longevidade, mas justamente por isso não é um recurso inesgotável e depende de regras rígidas.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.