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Lula-comum

Loligo vulgaris

Atualizado em

30 a 40 cm de manto (até 60 cm total)Tamanho
0,5 a 1,5 kgPeso
1 a 2 anosExpectativa de vida
Atlântico leste e Mediterrâneo, 20 a 250 mHabitat
InofensivaPerigo para humanos
Lula-comum adulta nadando de perfil com manto alongado e nadadeiras em losango

A lula-comum (Loligo vulgaris) é um molusco cefalópode da família Loliginidae, famosa pela capacidade de mudar de cor em segundos e pela natação extremamente rápida por jato-propulsão. É uma das lulas mais pescadas e estudadas do mundo, base importante da cadeia alimentar marinha.

Diferente do polvo, ela tem corpo alongado em forma de torpedo, nadadeiras triangulares que ocupam cerca de 60% do manto e dez apêndices bem distintos: oito braços curtos com ventosas e dois tentáculos longos e retráteis usados só na captura. Vive pouco, cresce rápido e forma grandes cardumes costeiros.

Também conhecido como: Lula-europeia, Lula-comum-europeia, European squid (inglês), Calamar (espanhol), Encornet (francês)

Faz parte de: Polvos, Lulas e Moluscos

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Galeria de fotos de Lula-comum

Lula-comum adulta nadando de perfil com manto alongado e nadadeiras em losango
Lula-comum adulta em natação de cruzeiro, com manto e nadadeiras característicos.
Close-up da cabeça e olho grande da lula-comum
Detalhe da cabeça e do olho grande, essencial para a caça visual.
Detalhe da pele e ventosas da lula-comum
Cromatóforos da pele e anéis denteados das ventosas do tentáculo.
Lula-comum sobre fundo arenoso em seu habitat costeiro
Habitat típico na plataforma continental, sobre areia e lama.
Lula-comum caçando peixe com tentáculos projetados
Momento do bote: tentáculos disparados para capturar a presa.
Cápsulas gelatinosas com ovos da lula-comum fixadas no fundo
Massas de ovos em forma de dedos gelatinosos, fixadas ao substrato.

Perfil rápido de Lula-comum

Estado de conservação

DD
Dados Insuficientes

População global não avaliada com precisão por falta de séries históricas padronizadas.

População
Desconhecida
Protegido por
false

Calendário

Reprodução (pico)JFMAMJJASOND
Maior disponibilidade costeiraJFMAMJJASOND
Recrutamento de juvenisJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
1 a 2 anos
Em cativeiro
Raramente mantida; não se adapta bem por exigir espaço e cardume

Reprodução

Acasalamento
Cópula com transferência de espermatóforos via braço hectocótilo do macho
Estrutura social
Cardumes mistos, sem par fixo; machos competem com exibições de cor
Padrão sazonal
Reprodução o ano todo com pico na primavera-verão
Tipo de nascimento
Ovípara com ovos em cápsulas gelatinosas fixas ao substrato
Ninhada
20.000 a 30.000 ovos por fêmea, em cachos de 20 a 100 ovos por cápsula

Habitat

Ambientes

  • Plataforma continental
  • Fundos arenosos e lamosos
  • Zona nerítica costeira
  • Mar aberto próximo à costa

Biomas

  • Bioma Marinho Nerítico
  • Bioma Marinho Oceânico

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Peixes pelágicos pequenos
  • Crustáceos (camarões e pequenos caranguejos)

Outros alimentos

  • Outras lulas e cefalópodes
  • Poliquetas e pequenos moluscos

Encontrado em 10 países

  • Portugal
  • Espanha
  • França
  • Itália
  • Grécia
  • Marrocos
  • Reino Unido
  • Irlanda
  • Turquia
  • Tunísia

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Mollusca
Classe
Cephalopoda
Ordem
Myopsida
Família
Loliginidae
Gênero
Loligo
Espécie
Loligo vulgaris

Resumo

  • A lula-comum é um molusco cefalópode de manto entre 30 e 40 cm, com oito braços e dois tentáculos retráteis, capaz de mudar de cor e textura instantaneamente.
  • Vive no Atlântico leste e Mediterrâneo, entre 20 e 250 metros de profundidade, formando cardumes que caçam peixes e crustáceos com visão muito apurada.
  • Tem ciclo de vida curto de 1 a 2 anos, com uma única grande reprodução e morte dos adultos logo após a desova, sem risco relevante para humanos.

Características

Ficha da espécie

GrupoMolusco cefalópode
OrdemMyopsida
FamíliaLoliginidae
Origem e distribuiçãoAtlântico leste (do Mar do Norte ao Golfo da Guiné) e Mar Mediterrâneo
TamanhoManto 30 a 40 cm; comprimento total com tentáculos até 60 cm
Peso0,5 a 1,5 kg (exemplares grandes até 2 kg)
Coresbranco translúcidorosa-acinzentadomarrom-avermelhadocom cromatóforos
Profundidade0 a 500 m, mais comum entre 20 e 250 m
HabitatPlataforma continental, fundos arenosos e lamosos, mar aberto costeiro
AlimentaçãoCarnívora: peixes, crustáceos e outras lulas
ReproduçãoOvípara, desova de 20.000 a 30.000 ovos em cápsulas gelatinosas
Expectativa de vida12 a 24 meses
Estado de conservaçãoDados Insuficientes (DD - IUCN)

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeAlto
InteligênciaMuito alto
VelocidadeMuito alto
Capacidade de migraçãoMédio
Importância para o ecossistema marinhoMuito alto

Como identificar a lula-comum sem confundir com outras lulas

A lula-comum tem corpo em forma de torpedo, manto alongado que termina em ponta e duas nadadeiras grandes em forma de losango que se unem na extremidade traseira. Essa nadadeira em losango é o melhor atalho para reconhecê-la.

Ela possui oito braços curtos com duas fileiras de ventosas e dois tentáculos muito mais longos, que ficam recolhidos em bolsas e só são projetados no bote. Nos tentáculos, as ventosas se concentram na clava terminal, larga e achatada.

A coloração base é branco translúcido a rosa-acinzentado, mas muda em segundos para marrom, avermelhado ou rajado graças a milhares de cromatóforos controlados pelo sistema nervoso. Os olhos são grandes, com íris bem visível e sem membrana córnea, típico das lulas Myopsida.

Diferença prática: a lula-comum europeia (Loligo vulgaris) é muito parecida com a lula-comum brasileira (Doryteuthis pleii), mas esta última tem nadadeiras em forma de coração mais curtas e ocorre no Atlântico oeste. Polvos têm oito braços sem tentáculos e manto arredondado, sem nadadeiras laterais grandes.

Onde vive e em que profundidade aparece

A distribuição natural vai do Mar do Norte e Ilhas Britânicas até o Senegal, incluindo todo o Mar Mediterrâneo. Não ocorre naturalmente no Brasil, onde é substituída por espécies do gênero Doryteuthis.

Prefere a plataforma continental, sobre fundos de areia e lama, e evita recifes muito fechados. Durante o dia fica mais perto do fundo, entre 50 e 250 metros, e à noite sobe para águas mais rasas para caçar.

Tolera variações de temperatura entre 13 e 24 °C e salinidade oceânica normal. Juvenis ficam em águas costeiras rasas, com menos de 50 metros, onde há mais alimento e menos predadores de grande porte.

O que come e como caça com tentáculos e bico

É carnívora ativa e visual. A dieta principal são peixes pequenos como sardinhas, biqueirões e juvenis de pescada, além de crustáceos (camarões, pequenos caranguejos) e outras lulas, inclusive canibalismo quando há alta densidade.

A caça é de emboscada e perseguição. Ela se aproxima com natação lenta usando as nadadeiras, mira com visão binocular muito precisa e dispara os dois tentáculos em menos de 0,1 segundo para grudar a presa com as ventosas da clava.

Depois traz a presa até os oito braços, que a seguram enquanto o bico córneo em forma de papagaio corta e a rádula raspa. A saliva contém enzimas que ajudam a imobilizar peixes pequenos.

  • Caça principalmente ao entardecer e à noite, quando peixes sobem na coluna d’água.
  • Consegue capturar presas de até 60% do seu próprio tamanho.
  • Em cardume, coordena ataques que encurralam cardumes de peixes.

Como se move: jato-propulsão, cores e inteligência

A lula-comum nada de dois jeitos. Para cruzeiro usa as nadadeiras que ondulam continuamente, com gasto baixo de energia. Para fuga, contrai o manto e expele água pelo sifão em jato-propulsão que pode passar de 40 km/h em curtos arranques.

É um dos invertebrados mais inteligentes. Tem cérebro grande, lóbulos ópticos enormes e aprendizado por observação. Em laboratório aprende a resolver labirintos, abrir recipientes e lembrar soluções por semanas.

A comunicação é quase toda visual. Além dos cromatóforos, controla iridóforos e leucóforos que criam brilhos metálicos e padrões de listras, pontos e ondas que passam pelo corpo para sinalizar para outras lulas, camuflar ou assustar predadores.

Quando ameaçada, solta uma nuvem de tinta rica em melanina que forma um pseudomorfo escuro enquanto foge na direção oposta. Se a tinta falhar, achata o corpo e imita a textura do fundo.

Reprodução e ciclo de vida curto e intenso

Vive rápido e morre jovem. O ciclo completo dura 12 a 18 meses nas populações do Mediterrâneo, podendo chegar a 24 meses no Atlântico mais frio. É semélpara: reproduz uma vez e morre pouco depois.

O macho transfere espermatóforos com um braço modificado, o hectocótilo, para dentro do manto da fêmea. A fecundação é interna e a fêmea armazena o esperma até encontrar local adequado.

A desova forma cápsulas gelatinosas com 20 a 100 ovos cada, agrupadas em massas que parecem cachos brancos e são fixadas em substratos duros ou algas no fundo, entre 20 e 80 metros. Uma fêmea pode liberar 20.000 a 30.000 ovos em poucos dias.

Os ovos eclodem em 25 a 45 dias conforme a temperatura, liberando paralarvas planctônicas de 3 a 4 mm que já caçam copépodes. Não há cuidado parental. O crescimento é explosivo: ganha até 3% do peso corporal por dia nos primeiros meses.

Migração e comportamento em cardume

Não faz migrações oceânicas longas como atuns, mas realiza migrações sazonais curtas entre águas profundas no inverno e rasas na primavera-verão para reprodução. No Mediterrâneo, aproxima-se da costa entre abril e julho.

É gregária. Forma cardumes de dezenas a centenas de indivíduos do mesmo tamanho, organizados por hierarquia visual. Dentro do cardume, mantém distância precisa usando padrões de cor e postura dos braços.

Durante o dia o cardume fica mais compacto e próximo ao fundo. À noite se dispersa verticalmente para caçar. Essa dinâmica explica por que pescarias com luzes à noite são tão eficientes para lulas.

Comportamento Quando ocorre Função
Cardume diurno compacto Manhã e tarde Proteção contra predadores
Subida noturna Crepúsculo e noite Caça a peixes e crustáceos
Exibição de listras pulsantes Encontros sociais e corte Comunicação e escolha de parceiro

É perigosa para humanos? Risco real

Não é perigosa. A lula-comum não ataca pessoas, não tem veneno relevante e seu bico só morde se o animal for manipulado fora d’água. Acidentes são raros e limitados a pequenos cortes.

O risco maior é inverso: mordidas podem infeccionar se não forem limpas, como qualquer ferida com muco marinho. Pescadores que manuseiam muitas lulas relatam irritação leve na pele pelo contato prolongado com a tinta e o muco.

Para mergulhadores, a interação é segura quando há observação sem toque, sem perseguição e sem uso de luzes fortes diretamente nos olhos. Luzes intensas desorientam o animal e quebram o comportamento do cardume.

Ameaças, pesca e estado de conservação

A principal pressão é a pesca comercial e artesanal. É capturada com arrasto de fundo, armadilhas e, sobretudo, com potes e jigs luminosos à noite. Por ter ciclo curto, a população responde rápido à sobrepesca e a variações ambientais.

Outras ameaças são poluição química, plásticos, ruído submarino e aquecimento da água, que afeta a sobrevivência dos ovos e a disponibilidade de presas. Como predadores, golfinhos, atuns, espadartes e aves marinhas dependem dela; sua escassez afeta toda a cadeia.

Na IUCN está como Dados Insuficientes (DD), justamente pela dificuldade de censos precisos em espécies de vida curta e ampla distribuição. No Mediterrâneo há períodos de defeso locais e tamanho mínimo de captura, mas sem cota internacional unificada.

Curiosidades que pouca gente sabe

O olho da lula-comum tem lente, íris e retina muito parecidos com o olho humano, resultado de evolução convergente, mas foca movendo a lente para frente e para trás como uma câmera, não mudando sua forma.

Ela possui três corações e sangue azul por causa da hemocianina, proteína que transporta oxigênio com cobre em vez de ferro. Isso ajuda a carregar oxigênio em água fria e com pouco oxigênio, mas torna o sangue menos eficiente em água quente.

Cada ventosa tem um anel córneo denteado que funciona como ventosa e garra ao mesmo tempo, permitindo segurar peixes escorregadios sem escorregar. A força combinada de centenas de ventosas supera o peso da própria lula.

Perguntas frequentes

Qual o tamanho da lula-comum?

O manto mede 30 a 40 cm na maioria dos adultos, com comprimento total de até 60 cm incluindo braços e tentáculos. Machos costumam ser ligeiramente maiores que fêmeas.

Lula-comum é perigosa para humanos?

Não. Não tem veneno perigoso nem comportamento agressivo. O bico pode beliscar se for manuseada, mas o risco é mínimo e limitado a pequenos cortes.

Qual a diferença entre lula e polvo?

A lula tem corpo alongado com nadadeiras laterais grandes e dez apêndices (oito braços + dois tentáculos). O polvo tem corpo arredondado, oito braços sem tentáculos e vive mais associado ao fundo.

Onde vive a lula-comum?

No Atlântico leste, do Mar do Norte ao Senegal, e em todo o Mediterrâneo, entre 20 e 250 metros de profundidade sobre fundos arenosos e lamosos.

Quanto tempo vive a lula-comum?

Entre 1 e 2 anos. Cresce muito rápido, reproduz uma única vez e morre logo após a desova.

O que a lula-comum come?

Principalmente peixes pequenos e crustáceos como camarões, além de outras lulas. Caça com visão aguçada e captura com os dois tentáculos retráteis.

Pode observar lula-comum mergulhando?

Sim, com mergulho noturno responsável e sem tocar. Use luz vermelha difusa, mantenha distância do cardume e nunca persiga ou alimente os animais.

Você sabia?

1

Sangue azul e três corações

Usa hemocianina com cobre para transportar oxigênio, por isso o sangue é azulado. Dois corações branquiais bombeiam para as brânquias e um coração sistêmico para o corpo.

2

Tentáculos que disparam como elástico

Os dois tentáculos ficam dobrados em Z dentro de bolsas e são projetados por pressão hidráulica em menos de 80 milissegundos, com ventosas que travam a presa instantaneamente.

3

Cérebro que edita o próprio RNA

Como outros cefalópodes, consegue editar o RNA mensageiro no sistema nervoso para ajustar proteínas ao frio, um mecanismo raríssimo no reino animal que aumenta a adaptação térmica.

4

Ovos que parecem dedos de luvas

As massas de ovos são chamadas de “dedos do mar” por pescadores mediterrâneos. Cada cápsula gelatinosa tem 6 a 9 cm e fica ancorada no fundo até eclodir.

Fontes

  1. IUCN Red List - Loligo vulgaris
  2. WoRMS - World Register of Marine Species
  3. SeaLifeBase / FishBase - Loligo vulgaris
  4. NOAA Fisheries - Squid Biology

Prós e contras: Lula-comum

Prós

  • Inteligência e comportamento visual fascinantes para observação
  • Crescimento rápido e alta fecundidade, o que dá resiliência se bem manejada
  • Papel central na cadeia alimentar, alimentando golfinhos, atuns e aves marinhas
  • Carne muito apreciada e de alto valor comercial quando pescada com artes seletivas

Contras

  • Vida muito curta dificulta censos e manejo por cotas tradicionais
  • Sensível a poluição, plásticos e aquecimento da água na fase de ovo
  • Captura incidental em arrastos de fundo que danificam o habitat
  • Facilmente desorientada por luzes fortes e manuseio fora d'água
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a lula-comum é o melhor exemplo de como inteligência não é exclusividade de vertebrados: rápida, social e com comunicação visual complexa, ela sustenta pescarias e ecossistemas inteiros. Justamente por viver pouco e crescer rápido, deveria ser gerida por controle de esforço sazonal, não por cotas anuais fixas como peixes longevos.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.