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Amêijoa

Anomalocardia flexuosa (ex. Anomalocardia brasiliana) - grupo Veneridae

Atualizado em

3 a 8 cmTamanho
15 a 40 gPeso
3 a 10 anosExpectativa de vida
Areia e lama entremarésHabitat
BaixoPerigo para humanos
Amêijoa enterrada na areia com sifões expostos em estuário brasileiro

A amêijoa é um molusco bivalve marinho que vive enterrado em areia ou lama na zona entremarés e em estuários rasos. O nome popular reúne dezenas de espécies da família Veneridae, todas com duas conchas articuladas e sifões para filtrar água.

No Brasil a mais conhecida é a amêijoa-branca ou sarnambi (Anomalocardia flexuosa), abundante do Maranhão ao Rio Grande do Sul e base da pesca artesanal em muitas comunidades costeiras. É um animal filtrador, séssil na fase adulta e fundamental para a saúde da água e do sedimento.

Apesar da aparência simples, a amêijoa tem biologia complexa: respira por brânquias, se locomove com um pé muscular em forma de machado e pode filtrar dezenas de litros de água por dia.

Também conhecido como: Sarnambi, Berbigão (nome regional no Nordeste), Vôngole (uso comercial), Amêndoa-do-mar, Clam (inglês), Palourde (francês), Almeja (espanhol)

Faz parte de: Animais Marinhos do Brasil, Polvos, Lulas e Moluscos

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Galeria de fotos de Amêijoa

Amêijoa enterrada na areia com sifões expostos em estuário brasileiro
Amêijoa enterrada na areia, com sifões filtrando água.
Close-up da concha da amêijoa mostrando anéis de crescimento
Detalhe da concha com anéis de crescimento concêntricos.
Detalhe do pé muscular da amêijoa em forma de machado
Pé muscular em forma de machado usado para se enterrar.
Habitat natural da amêijoa em planície de maré na maré baixa
Habitat típico: planície entremarés de areia e lama.
Amêijoa juvenil pequena entre grãos de areia
Juvenil de poucos milímetros após assentar no sedimento.
Banco denso de amêijoas formando agregado natural
Banco denso, essencial para reprodução e filtração.

Perfil rápido de Amêijoa

Estado de conservação

NE
Não Avaliada

A maioria das espécies chamadas amêijoa ainda não foi avaliada individualmente pela IUCN.

População
estável em áreas manejadas, em declínio onde há sobrepesca e poluição
Protegido por
Manejo por tamanho mínimo e defeso em RESEX e normas estaduais, sem proteção global específica

Calendário

Reprodução (pico)JFMAMJJASOND
Recrutamento de juvenisJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica por si, mas acumula biotoxinas

Pode concentrar saxitoxina de maré vermelha, Vibrio e metais se a água estiver contaminada. Cozimento não elimina toxinas algais.

Vida útil

Na natureza
3 a 10 anos, até 15 em espécies maiores e de águas frias

Reprodução

Acasalamento
Fecundação externa na água, sem cópula
Estrutura social
Bancos densos, agregação aumenta sucesso reprodutivo
Padrão sazonal
Desovas na primavera e verão, sincronizadas com temperatura e maré
Tipo de nascimento
Ovípara, larva planctônica (véliger)
Ninhada
1 a 5 milhões de óvulos por fêmea por desova

Habitat

Ambientes

  • Praias arenosas entremarés
  • Bancos areno-lodosos
  • Estuários e lagunas costeiras
  • Planícies de maré de manguezais

Biomas

  • Marinho Costeiro
  • Manguezal
  • Estuário

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Fitoplâncton (diatomáceas e dinoflagelados)

Outros alimentos

  • Detritos orgânicos
  • Bactérias e protozoários
  • Matéria orgânica em suspensão

Encontrado em 10 países

  • Brasil
  • Portugal
  • Espanha
  • França
  • Itália
  • Estados Unidos
  • Japão
  • Chile
  • Argentina
  • Marrocos

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Mollusca
Classe
Bivalvia
Ordem
Venerida
Família
Veneridae
Gênero
Anomalocardia, Tivela, Venerupis, Ruditapes (grupo)
Espécie
Várias; ex.: Anomalocardia flexuosa, Tivela mactroides, Ruditapes philippinarum

Resumo

  • A amêijoa é um molusco bivalve da família Veneridae que vive enterrada em areia e lama de praias e estuários rasos.
  • Filtra fitoplâncton e matéria orgânica, reproduz-se por fecundação externa e forma grandes bancos naturais na costa brasileira.
  • Não é perigosa, mas pode acumular biotoxinas de maré vermelha e por isso só deve ser consumida com procedência segura.

Características

Ficha da espécie

GrupoMolusco bivalve
OrdemVenerida
FamíliaVeneridae (principal)
Origem e distribuiçãoCosmopolita; no Brasil do Maranhão ao Rio Grande do Sul
Tamanho3 a 8 cm de comprimento (até 12 cm em espécies maiores)
Peso15 a 40 g com concha
Coresbrancocremecinzamarrommanchas roxas ou marrons
Profundidade0 a 20 m, zona entremarés e infralitoral raso
HabitatFundos arenosos, areno-lodosos, estuários e manguezais
AlimentaçãoFiltradora (fitoplâncton, detritos e matéria orgânica)
ReproduçãoSexuada, ovípara, fecundação externa na água
Expectativa de vida3 a 10 anos (até 15 em espécies maiores)
Estado de conservaçãoNão Avaliada (NE) para a maioria; algumas como LC

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeAlto
InteligênciaMuito baixo
VelocidadeMuito baixo
Capacidade de migraçãoMuito baixo
Importância para o ecossistema marinhoMuito alto

Como identificar a amêijoa e não confundir com berbigão ou vôngole

A amêijoa tem duas conchas simétricas, ovaladas e bem fechadas, unidas por um ligamento elástico na charneira. A superfície costuma ter linhas concêntricas de crescimento e, em muitas espécies, costelas radiais suaves. Por dentro, o nácar é branco ou levemente arroxeado.

O que mais distingue a amêijoa é a ausência de sifões muito longos e separados como nos vôngoles verdadeiros. Os dois sifões são curtos, unidos na base e franjados na ponta, usados para puxar e expelir água quando o animal está enterrado. O pé é muscular, em forma de machado, e sai pela frente da concha para cavar.

No Brasil, a confusão é comum. A amêijoa-branca (Anomalocardia flexuosa), também chamada de sarnambi ou berbigão no Nordeste, tem concha triangular-arredondada, de 2 a 4 cm, com cor creme a marrom-clara e interior branco. Já a amêijoa-japonesa (Ruditapes philippinarum), introduzida para cultivo, é maior, até 7 cm, com desenhos em zigue-zague marrons.

Onde vive no Brasil e em que profundidade se enterra

A amêijoa é animal de fundo mole. Vive enterrada de 2 a 10 cm abaixo da superfície, na areia fina, areia lodosa ou lodo de estuários. Prefere locais com salinidade estável e boa circulação de água, como baías abrigadas, praias estuarinas e planícies de maré de manguezais.

No litoral brasileiro, os maiores bancos naturais estão no Nordeste e Sudeste, especialmente em estuários do Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia, Espírito Santo e Santa Catarina. A espécie Anomalocardia flexuosa domina áreas entremarés, enquanto Tivela mactroides prefere praias oceânicas mais expostas.

A profundidade é rasa. A maioria ocorre entre 0 e 5 metros, ficando exposta na maré baixa. Algumas espécies de Veneridae descem até 20 metros, mas nunca são de mar profundo. Essa vida rasa a torna muito acessível à pesca manual na maré seca.

Como se alimenta e por que é uma filtradora essencial

A amêijoa não caça. Ela filtra a água. Pelos sifões, puxa água com fitoplâncton, bactérias, detritos e matéria orgânica dissolvida. As brânquias retêm as partículas e cílios as levam até a boca. Um indivíduo adulto pode filtrar de 15 a 40 litros de água por dia, dependendo da espécie e temperatura.

Essa filtração tem efeito direto no ecossistema. Bancos densos de amêijoa clareiam a água, controlam florações de algas e estabilizam o sedimento com seus túneis e pseudofezes. É um serviço ecossistêmico comparável ao das ostras, mas menos divulgado.

  • Alimento principal: microalgas (diatomáceas e dinoflagelados)
  • Alimento complementar: detritos orgânicos, bactérias e pequenos protozoários
  • Como se alimenta: sifão inalante puxa água, brânquias filtram, sifão exalante devolve água limpa

Por ser filtradora, acumula o que está na água. Isso explica por que a qualidade da água determina se a amêijoa é segura para consumo.

Reprodução e ciclo de vida: do plâncton ao banco de areia

A amêijoa tem sexos separados na maioria das espécies, mas algumas populações de Anomalocardia flexuosa apresentam hermafroditismo sequencial. A fecundação é externa: machos e fêmeas liberam esperma e óvulos na água ao mesmo tempo, geralmente sincronizados com maré e temperatura.

Uma fêmea pode liberar de 1 a 5 milhões de óvulos por desova. Após a fertilização, surge a larva trocófora e depois a véliger, que vive no plâncton por 7 a 20 dias. Nessa fase, a larva é levada pelas correntes e se alimenta de microalgas.

Ao atingir cerca de 0,2 mm, a larva assenta no fundo, fixa-se, forma a conchinha e começa a vida enterrada. O crescimento é marcado por anéis concêntricos na concha, como anéis de árvore, que registram estações e até eventos de estresse. A maturidade sexual chega entre 1 e 2 anos, quando atinge 15 a 25 mm.

Comportamento: vida enterrada, sifões e deslocamento

Adultas, as amêijoas são sésseis com mobilidade limitada. Passam o dia enterradas, com apenas a ponta dos sifões exposta. Se desenterradas por onda ou predador, usam o pé para se enterrar de novo em poucos minutos, com movimentos de âncora.

Formam bancos densos que podem ter centenas a milhares de indivíduos por metro quadrado. Essa agregação não é social no sentido de mamíferos, mas aumenta o sucesso reprodutivo, já que a fecundação externa depende da proximidade.

Seus predadores naturais são siris, caranguejos, polvos, peixes como baiacu e aves como maçaricos. Para se defender, fecha as valvas com força usando dois músculos adutores e aprofunda-se no sedimento. Algumas espécies produzem bissos finos apenas na fase juvenil, depois perdem.

A amêijoa faz mal para humanos? Toxinas e cuidados no consumo

A amêijoa em si não é venenosa, não morde e não ataca. O risco para humanos é indireto e está no consumo de animais contaminados. Por filtrar muita água, ela bioacumula toxinas de algas (PSP, DSP), bactérias como Vibrio e metais pesados quando a água está poluída.

O problema mais conhecido é a maré vermelha. Dinoflagelados tóxicos florescem e as amêijoas concentram saxitoxina, que causa paralisia e pode ser fatal se ingerida. O cozimento não destrói essa toxina. Por isso, a coleta é proibida em períodos de floração algal decretados pela vigilância sanitária.

Para consumo seguro, compre apenas amêijoas de origem certificada, depuradas em água limpa por 24 a 48 horas e mantenha refrigeração. Descarte conchas que não se fecham quando tocadas ainda vivas ou que permanecem fechadas após o cozimento. No Brasil, o Ministério da Pesca e órgãos estaduais monitoram os bancos e emitem alertas.

Tabela: amêijoa x berbigão x vôngole

Característica Amêijoa Berbigão Vôngole
Concha Oval lisa, linhas concêntricas Arredondada com costelas radiais fortes Alongada, sifões longos
Tamanho comum 3 a 8 cm 2 a 5 cm 4 a 6 cm
Habitat Areia e lama entremarés Lama de estuário Areia mais profunda

Ameaças, pesca e conservação dos bancos naturais

A maior ameaça é a sobrepesca e a coleta desordenada. Como vivem rasas e são fáceis de catar na maré baixa, bancos inteiros podem ser esgotados em uma temporada sem manejo. A retirada de indivíduos pequenos, abaixo de 20 mm, impede a reposição.

Outras pressões são poluição urbana, esgoto sem tratamento, aterros de manguezal e dragagens. O assoreamento e a contaminação por esgoto elevam bactérias fecais nos tecidos e inviabilizam o consumo. Mudanças de salinidade por barragens também afetam a reprodução.

Na avaliação global, a maioria das amêijoas está como Não Avaliada (NE) pela IUCN por serem um grupo amplo. Localmente, há regras: defesos temporários, tamanho mínimo de captura e áreas de manejo comunitário, como as Reservas Extrativistas Marinhas do Nordeste. A aquicultura de Ruditapes e Anomalocardia vem crescendo como alternativa à extração selvagem.

Curiosidades que pouca gente sabe sobre a amêijoa

Apesar de parecer simples, a amêijoa tem adaptações sofisticadas. Ela não tem cérebro centralizado, mas possui três pares de gânglios que coordenam sifões, pé e brânquias. E consegue fechar a concha com força suficiente para manter água interna por horas fora d’água na maré baixa.

Outro ponto pouco conhecido é a longevidade subestimada. Enquanto a amêijoa-branca brasileira vive 3 a 5 anos, espécies temperadas como Mercenaria mercenaria passam de 20 anos e a islandesa Arctica islandica, parente distante, já teve indivíduo datado em 507 anos pelos anéis da concha.

Na nossa avaliação, a amêijoa é um dos melhores bioindicadores costeiros do Brasil. Onde há banco saudável e diverso, a água costuma estar em bom estado; onde o banco some, é sinal de alerta para todo o estuário. Valorizar o manejo comunitário é mais eficaz que apenas proibir a coleta.

Perguntas frequentes

Amêijoa é peixe ou molusco?

É molusco bivalve da classe Bivalvia, família Veneridae. Tem duas conchas articuladas, brânquias e pé muscular, sem espinha dorsal.

Qual a diferença entre amêijoa, berbigão e vôngole?

São todos bivalves, mas de formatos e habitats diferentes. Amêijoa tem concha oval lisa, berbigão tem costelas radiais fortes e vôngole tem sifões mais longos e concha mais alongada. No Brasil os nomes se misturam regionalmente.

Amêijoa pode ser comida crua?

Não é recomendado. Por ser filtradora, pode acumular bactérias e toxinas de algas. Consuma apenas depurada, bem cozida e de origem inspecionada.

Como saber se a amêijoa está estragada?

Viva, a concha deve se fechar ao toque. Após o cozimento, descarte as que permaneceram totalmente fechadas e qualquer uma com cheiro forte de amônia.

Onde encontrar amêijoa no Brasil?

Em praias arenosas e estuários rasos do Maranhão ao Rio Grande do Sul, visíveis na maré baixa enterradas a poucos centímetros. A coleta só é permitida onde não há defeso ou alerta de maré vermelha.

Quanto tempo vive uma amêijoa?

A amêijoa-branca brasileira vive 3 a 5 anos; espécies maiores de Veneridae vivem 8 a 15 anos e parentes de águas frias podem passar de 20 anos.

Amêijoa tem pérola?

Pode formar pérolas irregulares se um grão irritar o manto, mas são sem valor comercial, diferentes das pérolas de ostras perlíferas.

Você sabia?

1

Filtragem gigante

Uma amêijoa adulta filtra de 15 a 40 litros de água por dia, retendo microalgas com brânquias ciliadas e devolvendo água mais clara ao ambiente.

2

Anéis que contam a idade

As linhas concêntricas da concha são anéis de crescimento. Em regiões temperadas dá para estimar a idade e até identificar verões muito quentes ou poluição.

3

Pé em forma de machado

O pé muscular funciona como âncora: estica, incha com sangue, fixa no sedimento e puxa o animal para baixo em poucos minutos.

4

Parente da campeã de longevidade

A amêijoa pertence ao mesmo grupo da Arctica islandica, o animal não colonial mais longevo já registrado, com 507 anos contados nos anéis.

Fontes

  1. WoRMS - World Register of Marine Species
  2. IUCN Red List
  3. ICMBio - Instituto Chico Mendes
  4. NOAA Fisheries

Prós e contras: Amêijoa

Prós

  • Filtra e limpa a água, melhora a qualidade do estuário
  • Base alimentar para aves, peixes, siris e polvos
  • Sustenta pesca artesanal e aquicultura familiar
  • Bioindicadora sensível da saúde costeira
  • Ciclo de vida rápido permite manejo sustentável

Contras

  • Acumula toxinas e bactérias se a água estiver poluída
  • Bancos rasos são vulneráveis à sobrepesca
  • Sensível a aterros, dragagens e mudanças de salinidade
  • Confusão de nomes dificulta fiscalização e manejo
  • Depende de monitoramento constante de maré vermelha
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a amêijoa é subestimada como engenheira do ecossistema: filtra mais que muitas ostras e sustenta pesca artesanal inteira. O futuro dela no Brasil depende menos de proibição e mais de manejo comunitário, depuração e controle de esgoto nos estuários.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.