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Ascídia

Ascidiacea

Atualizado em

0,5 a 15 cm (colônias até 1 m)Tamanho
2 a 50 gPeso
1 a 10 anosExpectativa de vida
Costões e recifes rasosHabitat
InofensivaPerigo para humanos
Ascídia solitária fixada em rocha submersa com dois sifões visíveis

A ascídia é um animal marinho séssil que parece esponja ou planta, mas é um cordado, parente distante dos vertebrados. Na fase larval tem notocorda e cauda de girino; adulta, fixa-se em rochas, cascos de barco ou corais e vive filtrando água por dois sifões visíveis.

Existem cerca de 3.000 espécies no mundo, de 0,5 cm a 15 cm nas formas solitárias e até metros em colônias incrustantes. No Brasil são comuns em costões rochosos, recifes e marinas de norte a sul, onde formam manchas coloridas que muitos mergulhadores confundem com esponjas.

Também conhecido como: Ascídia, Sea squirt (inglês), Ascidie (francês), Ascidia (espanhol), Tunicado

Faz parte de: Animais dos Recifes de Coral, Animais Marinhos do Brasil

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Galeria de fotos de Ascídia

Ascídia solitária fixada em rocha submersa com dois sifões visíveis
Ascídia solitária com sifões inalante e exalante bem visíveis.
Close-up dos sifões de uma ascídia
Detalhe dos sifões que filtram a água.
Colônia de ascídias coloniais formando crosta branca sobre rocha
Colônia incrustante de ascídias coloniais.
Ascídias coloniais coloridas em recife de coral
Ascídias coloniais translúcidas em recife raso.
Larva girino de ascídia nadando com cauda
Larva girino, fase livre-natante com notocorda.
Ascídias expostas em costão rochoso na maré baixa
Ascídias no costão rochoso, habitat típico no Brasil.

Perfil rápido de Ascídia

Estado de conservação

NE
Não Avaliada

Maioria das espécies ainda não avaliada pela IUCN por serem pouco estudadas individualmente.

População
Desconhecida, com expansão de invasoras em áreas portuárias
Protegido por
Não há proteção específica no Brasil; coleta depende de licença ambiental

Calendário

Reprodução (pico)JFMAMJJASOND
Recrutamento larvalJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica por contato, mas ingestão pode irritar
  • PessoasNão venenosa; algumas espécies com compostos citotóxicos se ingeridas

Não consumir ascídias sem identificação. Lavar mãos após manuseio em marinas.

Vida útil

Na natureza
1 a 10 anos conforme a espécie e o ambiente

Reprodução

Acasalamento
Hermafrodita, fecundação externa ou interna com liberação de esperma na água
Estrutura social
Solitária ou colonial com dezenas a milhares de zoides clonais
Padrão sazonal
Contínua nos trópicos, com pico na primavera e verão
Tipo de nascimento
Ovípara, larva girino livre-natante
Ninhada
Dezenas a centenas de ovos por desova; brotamento contínuo em coloniais

Habitat

Ambientes

  • Costões rochosos
  • Recifes de coral
  • Manguezais
  • Marinas e pilares de píer
  • Cascos de embarcações e fazendas marinhas

Biomas

  • Zona entremarés
  • Infralitoral rochoso
  • Recifes de coral
  • Estuários

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Fitoplâncton
  • Bactérias e detritos orgânicos

Outros alimentos

  • Larvas microscópicas
  • Matéria orgânica dissolvida

Encontrado em 8 países

  • Brasil
  • Estados Unidos
  • Japão
  • Austrália
  • África do Sul
  • Portugal
  • Chile
  • México

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Subfilo
Tunicata
Classe
Ascidiacea
Ordens
Phlebobranchia, Aplousobranchia, Stolidobranchia
Família
Múltiplas (Didemnidae, Ascidiidae, Styelidae, Pyuridae)

Resumo

  • A ascídia é um tunicado filtrador com túnica de celulose e dois sifões, cordado na fase larval e séssil quando adulta.
  • Vive fixa em costões, recifes e estruturas artificiais de 0 a 500 m, filtrando fitoplâncton e matéria orgânica.
  • Não é perigosa para humanos, mas algumas espécies são invasoras e outras acumulam vanádio e compostos bioativos de interesse científico.

Características

Ficha da espécie

GrupoTunicado (cordado invertebrado)
OrdemPhlebobranchia, Aplousobranchia e Stolidobranchia
FamíliaVárias (Didemnidae, Ascidiidae, Styelidae, Pyuridae)
Origem e distribuiçãoCosmopolita, todos os oceanos
Tamanho0,5 a 15 cm (solitária); colônias de 5 cm a 1 m
Peso2 a 50 g por zoide
Coresbrancoamarelolaranjavermelhoroxoazulverdemarromtranslúcido
Profundidade0 a 500 m (maioria até 30 m)
HabitatCostões rochosos, recifes de coral, manguezais e estruturas artificiais
AlimentaçãoFiltradora (fitoplâncton e matéria orgânica)
ReproduçãoSexuada (hermafrodita) e assexuada por brotamento
Expectativa de vida1 a 3 anos (muitas espécies); até 10 anos em espécies grandes
Estado de conservaçãoNão Avaliada (NE) para a maioria

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeAlto
InteligênciaMuito baixo
VelocidadeMuito baixo
Capacidade de migraçãoMuito baixo
Importância para o ecossistema marinhoAlto

O que é a ascídia e por que ela não é esponja nem planta

A ascídia pertence à Classe Ascidiacea, dentro do Subfilo Tunicata. Apesar da aparência simples, é um cordado: a larva tem notocorda, tubo neural dorsal e cauda como um girino microscópico.

Depois de poucas horas a alguns dias nadando, a larva se fixa e reabsorve essas estruturas. O adulto perde a cauda e vira um saco filtrador séssil, envolto por uma túnica de tunicina, uma celulose animal rara no reino animal.

Diferente de esponjas, ascídias têm dois sifões bem definidos — um inalante e um exalante — e um sistema digestivo completo com faringe perfurada por fendas branquiais. É por essas fendas que filtram até dezenas de litros de água por dia.

Como identificar uma ascídia no costão ou no mergulho

Procure por um saco oval ou cilíndrico com dois orifícios no topo. Ao tocar levemente na água perto dela, os sifões se fecham rapidamente. Essa contração rápida é o melhor teste de campo.

Existem dois padrões principais:

  • Solitárias: zoide único, de 1 a 15 cm, carnoso e isolado. Ex.: Herdmania momus e Styela plicata, comuns em marinas brasileiras.
  • Coloniais: dezenas a milhares de zoides minúsculos (1 a 5 mm cada) unidos por túnica comum, formando crostas, almofadas ou cachos. Ex.: Didemnum, Botryllus e Clavelina.

As cores ajudam, mas enganam. A mesma espécie pode ser branca, amarela, laranja, roxa ou azulada conforme a profundidade e a exposição à luz. Coloniais de Didemnum são branco-acinzentadas com aspecto de queijo derretido e borda irregular. Clavelina oblonga forma cachos translúcidos com anéis brancos.

Característica Solitária Colonial
Tamanho do zoide 1 a 15 cm 1 a 5 mm
Aparência Saco isolado, dois sifões evidentes Crosta ou almofada com muitos poros
Toque Firme, coriáceo Gelatinoso a firme, quebra fácil
Exemplo no Brasil Microcosmus exasperatus Didemnum perlucidum

Onde vive e em que profundidade é encontrada no Brasil

Ascídias ocorrem em todos os oceanos, do entremarés ao talude, mas a maior diversidade está até 30 m em águas costeiras quentes e claras. No Brasil aparecem do Amapá ao Rio Grande do Sul, incluindo Fernando de Noronha e Abrolhos.

Preferem costões rochosos, recifes de coral, pilares de píer, cascos de embarcações e fazendas de mexilhão. São pioneiras em substrato artificial e por isso dominam marinas e portos.

Espécies de águas rasas toleram variação de salinidade e poluição moderada, o que explica seu sucesso em áreas portuárias. Já espécies de recife mais sensíveis vivem em paredões e cavernas entre 10 e 40 m, onde a competição por espaço é intensa.

O que come e como filtra a água

A ascídia é filtradora ativa. A água entra pelo sifão inalante, passa pela faringe cheia de fendas branquiais cobertas de muco, e sai pelo sifão exalante.

A dieta é composta por fitoplâncton, bactérias, detritos e larvas microscópicas. Cílios movem o muco com partículas até o estômago. Uma ascídia solitária de 5 cm pode filtrar até 10 litros por hora em água rica em plâncton.

Essa filtração torna as ascídias bioindicadoras. Elas acumulam metais, microplásticos e bactérias, e por isso são usadas para monitorar qualidade da água. Também competem com corais e mexilhões por espaço e alimento.

Como caça sem se mover

Não há caça. A estratégia é bombear água continuamente e selecionar partículas por tamanho nos cílios faríngeos. Quando a água está turva, reduzem o fluxo para não entupir as fendas.

Reprodução e ciclo de vida: o girino que vira saco

A maioria é hermafrodita simultânea, com ovário e testículo no mesmo indivíduo, mas a autofecundação é rara. A fecundação pode ser externa ou interna, com liberação de esperma na água e retenção dos ovos.

O ciclo tem duas fases bem distintas:

  • Larva girino: livre-natante por 2 a 36 horas, com notocorda, ocelo e otólito para escolher onde fixar. Não se alimenta.
  • Adulto séssil: após fixação, ocorre metamorfose radical em 24 a 48 horas, com reabsorção da cauda e formação dos sifões.

Coloniais também se reproduzem por brotamento, expandindo a colônia em centímetros por semana. Algumas, como Botryllus schlosseri, têm ciclos semanais de regressão e renovação de toda a colônia.

Em águas tropicais brasileiras a reprodução é contínua com picos no verão, quando a temperatura e a oferta de plâncton aumentam.

Comportamento: séssil, colonial e territorial sem sair do lugar

Adultas são sésseis e gregárias. Não migram, mas competem agressivamente por espaço. Coloniais crescem por cima de corais, esponjas e outras ascídias, liberando substâncias químicas para inibir vizinhos.

Colônias de Botryllus reconhecem parentesco por contato da túnica: se são da mesma colônia, fundem-se; se não, rejeitam e formam barreira escura. É um dos poucos casos de reconhecimento de colônia fora dos insetos sociais.

Quando perturbadas, fecham os sifões e podem esguichar jatos de água — daí o nome em inglês sea squirt. Esse jato ajuda a limpar detritos e afastar pequenos predadores.

Ascídia é perigosa ou venenosa para humanos?

Não oferece risco de ataque, mordida ou ferroada. Não tem veneno injetável e a maioria pode ser tocada sem irritação, embora o manuseio deva ser evitado para não danificar o animal.

O cuidado é químico. Algumas espécies acumulam vanádio em concentrações até 10 milhões de vezes maiores que a água do mar e produzem didemninas e trabectedina, compostos citotóxicos estudados contra câncer. Ingerir ascídias cruas ou sem identificação pode causar irritação gastrointestinal.

No Japão e na Coreia, Halocynthia roretzi (meongge) é consumida, mas passa por preparo específico. No Brasil não há consumo tradicional e não se recomenda coletar.

Ameaças, espécies invasoras e importância para a ciência

A maior ameaça às ascídias nativas é a competição com espécies invasoras transportadas por cascos de navios. Didemnum vexillum, Styela plicata e Clavelina oblonga já dominam marinas do Sudeste e Sul, cobrindo substratos e sufocando corais e bivalves cultivados.

Outras pressões são poluição, aquecimento e acidificação, que favorecem espécies tolerantes e reduzem as sensíveis de recife. Por serem filtradoras, também concentram microplásticos e contaminantes.

Por outro lado, são valiosas para a ciência. A túnica de celulose inspira biomateriais, e moléculas como a trabectedina (Yondelis), isolada de Ecteinascidia turbinata, já virou medicamento antitumoral. O genoma de Ciona intestinalis é modelo para estudar a origem dos vertebrados.

Para observar com responsabilidade, não arranque, não vire pedras e não colete. Fotografe os sifões abertos e fechados e anote profundidade e substrato. Em marinas, ajude limpando embarcações fora d’água para não espalhar invasoras.

Curiosidades que pouca gente sabe

Ascídias já foram classificadas como moluscos e até plantas por naturalistas do século XVIII. Só com estudos larvais se confirmou que são cordados.

Uma colônia colonial pode ser geneticamente um único indivíduo com milhares de bocas. Se fragmentada, cada pedaço pode regenerar uma nova colônia.

Perguntas frequentes

Ascídia é esponja?

Não. Esponjas são poríferos sem tecidos verdadeiros; ascídias são cordados com coração, intestino e dois sifões que se fecham ao toque.

Ascídia se mexe?

A larva nada por horas. O adulto é séssil e só se contrai ou esguicha água quando perturbado.

Pode tocar na ascídia?

Pode observar sem tocar. O toque fecha os sifões e estressa o animal; algumas espécies têm compostos que irritam mucosas se levadas à boca.

Ascídia é venenosa?

Não tem veneno injetável. Algumas acumulam vanádio e toxinas que tornam a ingestão arriscada, mas o contato casual não é perigoso.

Onde encontrar ascídia no Brasil?

Em costões e recifes de norte a sul, e muito comum em marinas, pilares e fazendas de mexilhão até 30 m de profundidade.

Por que ascídias cobrem cascos de barco?

São pioneiras em substrato artificial. Larvas se fixam rapidamente e colônias crescem por brotamento, competindo por espaço.

Ascídia faz mal ao coral?

Espécies invasoras podem crescer sobre corais e sufocá-los, especialmente em áreas portuárias e recifes próximos a marinas.

Você sabia?

1

O único animal que produz celulose

A túnica da ascídia é feita de tunicina, uma celulose idêntica à das plantas. É o único grupo animal capaz de sintetizar celulose em grande quantidade.

2

Sangue com vanádio

Algumas ascídias acumulam vanádio até 10 milhões de vezes acima da água do mar em células chamadas vanadócitos. A função ainda é debatida, mas pode estar ligada à defesa química.

3

Girino que se dissolve

A larva nada por poucas horas, fixa-se pela cabeça e em menos de 48 horas reabsorve cérebro, notocorda e cauda para virar um filtrador séssil.

4

Remédio contra câncer veio dela

A trabectedina, usada no tratamento de sarcomas, foi isolada da ascídia Ecteinascidia turbinata e hoje é produzida de forma semissintética.

Fontes

  1. WoRMS - World Register of Marine Species
  2. IUCN Red List
  3. NOAA - National Ocean Service
  4. SeaLifeBase

Prós e contras: Ascídia

Prós

  • Filtradora eficiente que melhora a qualidade da água
  • Bioindicadora de poluição e mudanças ambientais
  • Fonte de compostos bioativos para pesquisa médica
  • Modelo evolutivo para origem dos vertebrados
  • Fácil de observar em mergulho raso e costões

Contras

  • Espécies invasoras competem com corais e maricultura
  • Pode incrustar embarcações e estruturas, gerando bioincrustação
  • Confundida com esponja, dificulta identificação por leigos
  • Acumula contaminantes e microplásticos
  • Fragmentos de colônias se espalham facilmente se arrancadas
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a ascídia é o animal marinho mais subestimado do costão: parece simples, mas guarda a pista da nossa própria origem como cordados. Vale observá-la com lupa e respeito, não como praga de marina, mas como filtradora essencial e bioindicadora.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.