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Golfinho-listrado

Stenella coeruleoalba

Atualizado em

1,8 a 2,6 mTamanho
90 a 156 kgPeso
55 a 58 anosExpectativa de vida
Oceano abertoHabitat
MínimoPerigo para humanos
Golfinho-listrado de corpo inteiro nadando em oceano aberto, mostrando a listra preta característica

O golfinho-listrado (Stenella coeruleoalba) é um dos golfinhos mais abundantes do mundo, mas um dos menos vistos da costa brasileira porque vive em alto-mar. É inconfundível pela faixa escura que vai do olho até a nadadeira peitoral e daí até o ânus, como se tivesse sido riscado a pincel.

Altamente social e acrobático, forma grupos grandes e superagrupamentos de centenas de animais, caça lulas e peixes de profundidade com ecolocalização precisa e pode viver quase 60 anos. Apesar da ampla distribuição, sofre com captura acidental, poluição química e epidemias de morbilivírus.

Também conhecido como: Golfinho-riscado, Golfinho-azul, Striped dolphin (inglês), Dauphin bleu et blanc (francês), Delfín listado (espanhol)

Faz parte de: Animais Marinhos do Brasil, Baleias e Golfinhos

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Galeria de fotos de Golfinho-listrado

Golfinho-listrado de corpo inteiro nadando em oceano aberto, mostrando a listra preta característica
Golfinho-listrado adulto em vista lateral, com a listra escura nítida do olho à cauda.
Close da cabeça e do olho do golfinho-listrado mostrando o bico longo e a listra ocular
Detalhe da cabeça: bico longo e a dupla listra preta que identifica a espécie.
Detalhe da pele e do padrão de listras do golfinho-listrado
Textura da pele e contraste entre o dorso azul-acinzentado e o ventre claro.
Grupo de golfinhos-listrados nadando juntos em alto-mar
Grupo social em habitat pelágico, onde a espécie passa quase toda a vida.
Golfinho-listrado saltando acima da superfície do oceano
Salto acrobático, comportamento comum para comunicação e deslocamento rápido.
Filhote de golfinho-listrado nadando ao lado da mãe
Filhote de cerca de 1 metro, que permanece com a mãe por mais de um ano.

Perfil rápido de Golfinho-listrado

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécie amplamente distribuída e numerosa, mas com declínios locais por captura acidental e poluição.

População
Estável globalmente, em declínio no Mediterrâneo
Protegido por
Sim - Lei 7.643/1987 proíbe molestamento de cetáceos no Brasil

Calendário

Reprodução e acasalamentoJFMAMJJASOND
Pico de nascimentos (Atlântico)JFMAMJJASOND
Maior chance de avistagem em alto-mar no BrasilJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
55 a 58 anos
Maturidade sexual
5 a 13 anos, fêmeas mais cedo que machos

Reprodução

Tipo de reprodução
Vivípara
Gestação
12 a 13 meses
Filhotes por gestação
1 filhote de 90 a 100 cm
Intervalo entre crias
3 a 4 anos
Amamentação
12 a 18 meses
Pico de nascimentos
Junho a novembro no Atlântico/Mediterrâneo

Habitat

Ambientes

  • Oceano aberto pelágico
  • Talude continental e bacias oceânicas
  • Águas tropicais e temperadas

Biomas

  • Zona pelágica
  • Oceano Atlântico
  • Oceano Pacífico e Índico
  • Mar Mediterrâneo

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Peixes pelágicos pequenos (sardinhas, anchovas, peixes-lanterna)

Outros alimentos

  • Lulas oceânicas
  • Polvos pequenos
  • Crustáceos e krill

Encontrado em 12 países

  • Brasil
  • Estados Unidos
  • México
  • Portugal
  • Espanha
  • Itália
  • Grécia
  • África do Sul
  • Austrália
  • Japão
  • Chile
  • Argentina

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Mammalia
Ordem
Artiodactyla (Cetacea)
Família
Delphinidae
Gênero
Stenella
Espécie
Stenella coeruleoalba

Resumo

  • O golfinho-listrado é um mamífero pelágico de 1,8 a 2,6 m, identificado pela listra escura do olho à cauda e pelo dorso azul-acinzentado.
  • Vive em oceanos tropicais e temperados em alto-mar, em grupos de 25 a 100 indivíduos, e se alimenta de peixes pelágicos e lulas em profundidades de até 700 m.
  • Não é perigoso para humanos, está classificado como Pouco Preocupante pela IUCN e é protegido por lei no Brasil, com observação apenas por turismo responsável.

Características

Ficha da espécie

GrupoMamífero
OrdemArtiodactyla (Cetacea)
FamíliaDelphinidae
Origem e distribuiçãoCosmopolita em águas tropicais e temperadas entre 50°N e 40°S; no Brasil, mais comum no Sudeste e Sul em alto-mar
Tamanho1,8 a 2,6 m (fêmeas ligeiramente menores)
Peso90 a 156 kg, até 160 kg
Coresazul-acinzentadocinza-clarobrancopreto
Profundidade0 a 700 m, mais comum entre 100 e 300 m
HabitatPelágico oceânico, além da plataforma continental e no talude
AlimentaçãoCarnívora: peixes pelágicos, lulas e crustáceos
ReproduçãoVivípara, 1 filhote por gestação de 12 a 13 meses
Expectativa de vida55 a 58 anos na natureza
Estado de conservaçãoPouco Preocupante (LC) - IUCN

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeMuito alto
InteligênciaMuito alto
VelocidadeAlto
Capacidade de migraçãoAlto
Importância para o ecossistema marinhoAlto

Como identificar o golfinho-listrado sem confundir

O golfinho-listrado tem corpo esguio e bico longo e bem definido, separado da testa por um sulco discreto. O dorso é azul-acinzentado escuro e o ventre é branco ou rosado, com as laterais em degradê de cinza-claro.

O que realmente o distingue são as listras pretas finas. Uma vai do olho até a nadadeira peitoral e segue até o ânus, e outra menor vai do olho em direção à lateral. Nenhum outro Stenella no Atlântico tem esse padrão tão nítido e contínuo.

A nadadeira dorsal é alta, falcada e escura, e as nadadeiras peitorais são proporcionalmente pequenas. Adultos medem 1,8 a 2,6 m e pesam 90 a 156 kg, com fêmeas um pouco menores que machos.

Para não confundir: o golfinho-pintado-do-Atlântico (Stenella frontalis) tem pintas claras pelo corpo quando adulto, o que o listrado nunca tem. O golfinho-rotador tem bico ainda mais longo e focinho escuro uniforme, sem a listra ocular dupla.

Onde vive e por que quase não aparece na praia

É uma espécie estritamente oceânica e pelágica. Prefere águas profundas além da quebra da plataforma continental, sobre o talude e bacias oceânicas, onde a profundidade passa de 200 m.

Sua distribuição é cosmopolita em águas tropicais e temperadas, entre cerca de 50°N e 40°S, nos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico, incluindo o Mediterrâneo. Não entra em baías rasas nem em estuários.

No Brasil, os registros se concentram em alto-mar do Sudeste e Sul, especialmente entre o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul, e ao redor de ilhas oceânicas como Fernando de Noronha e Trindade. Avistagens costeiras são raras e geralmente ligadas a animais doentes ou desorientados.

Ele ocupa a coluna d’água de 0 a 700 m, mas a maior parte da alimentação ocorre entre 100 e 300 m, na zona onde peixes-lanterna e lulas fazem migração vertical noturna. É tolerante a águas de 10 a 26 °C.

O que come e como caça em águas profundas

A dieta é carnívora e oportunista, focada em presas de alto valor energético. Os itens principais são peixes pelágicos pequenos como sardinhas, anchovas e peixes-lanterna (Myctophidae), além de lulas oceânicas dos gêneros Ommastrephes e Todarodes.

Caça usando ecolocalização de alta frequência e costuma mergulhar por 5 a 10 minutos. Durante o dia fica mais profundo e à noite sobe para acompanhar a migração vertical das presas, o que explica por que se alimenta mais perto da superfície ao entardecer.

Vive em grupos cooperativos de 25 a 100 indivíduos que cercam cardumes e revezam ataques. Essa estratégia aumenta a eficiência e permite capturar presas rápidas que um animal solitário perderia.

Possui 40 a 50 dentes cônicos e finos em cada lado da mandíbula, ideais para segurar peixes escorregadios e lulas, não para mastigar. Engole a presa inteira.

Como vive em grupo e se comunica

É um dos golfinhos mais sociais que existem. Grupos estáveis se organizam por idade e sexo, mas se juntam em superagrupamentos de 500 a mais de 1.000 animais quando há muita comida ou durante deslocamentos.

A comunicação combina assobios tonais, estalos de ecolocalização e saltos acrobáticos. Os saltos altos, giros e batidas com a cauda servem tanto para sinalizar posição quanto para manter coesão social.

Nada rápido, com velocidade de cruzeiro de 20 a 30 km/h e picos maiores em perseguições curtas. É comum surfar na proa de embarcações em alto-mar, mas por pouco tempo, diferente do golfinho-comum que acompanha barcos por longos períodos.

Dentro do grupo há cuidado aloparental: fêmeas ajudam a proteger filhotes de outras mães enquanto elas mergulham para se alimentar. Isso aumenta a sobrevivência nos primeiros meses.

Reprodução e ciclo de vida

A maturidade sexual chega entre 5 e 9 anos para fêmeas e 7 a 13 anos para machos. O acasalamento é promíscuo e sem formação de pares fixos, com machos competindo por acesso às fêmeas.

A gestação dura 12 a 13 meses e resulta em um único filhote de 90 a 100 cm e cerca de 10 kg. Gêmeos são extremamente raros. O intervalo entre crias é de 3 a 4 anos, pois a amamentação se estende por 12 a 18 meses.

No Atlântico e Mediterrâneo, os nascimentos se concentram entre junho e novembro, com pico no fim do verão. No Pacífico, a sazonalidade é menos marcada. Filhotes já nascem com a listra visível, porém mais apagada.

É uma espécie longeva. Estudos de anéis dentários mostram indivíduos com 55 a 58 anos, e fêmeas podem se reproduzir até perto dos 30 anos. A taxa de crescimento populacional, porém, é lenta.

O golfinho-listrado é perigoso para humanos?

Não. Não há registros de ataques a pessoas na natureza. É arisco e evita contato próximo, mantendo distância de mergulhadores mesmo quando curioso.

Como todo golfinho selvagem, pode morder ou dar cabeçadas se for encurralado, perseguido ou se estiver protegendo filhote. O risco real não é agressão, mas acidentes por perseguição de barcos e estresse causado por turismo desordenado.

Em cativeiro não é uma espécie mantida com frequência e não deve ser tocada, alimentada ou nadada junto na natureza. A legislação brasileira proíbe o molestamento de cetáceos (Lei 7.643/1987).

Para observação segura, mantenha pelo menos 100 m de distância, nunca intercepte o grupo pela frente e desligue o motor se os animais se aproximarem por conta própria.

Principais ameaças e estado de conservação

A IUCN classifica o golfinho-listrado como Pouco Preocupante (LC) pela ampla distribuição e população estimada em mais de um milhão de indivíduos. A tendência global é considerada estável, mas com declínios regionais.

A maior ameaça é a captura acidental em redes de emalhe e de cerco, especialmente no Mediterrâneo e no Pacífico. A poluição química por PCBs e mercúrio se acumula na gordura e afeta reprodução e imunidade.

Epidemias de morbilivírus causaram mortandades massivas. Só no Mediterrâneo, entre 1990 e 1992, morreram milhares de golfinhos-listrados, e novos surtos ocorreram em 2006-2008. O ruído submarino de navios e sísmicas também interfere na ecolocalização.

No Brasil, é protegido e consta nos Planos de Ação para Mamíferos Aquáticos do ICMBio. A redução de redes derivantes e o controle de poluentes são as medidas mais eficazes para a espécie.

Onde observar com responsabilidade e curiosidades que poucos conhecem

No Brasil, a chance de avistagem é maior em saídas pelágicas de alto-mar a partir de Ubatuba, Paraty, Arraial do Cabo, Florianópolis e do arquipélago de Fernando de Noronha, com operadores licenciados. O mar calmo de primavera e verão favorece.

Prefira empresas que seguem as normas de observação de cetáceos: sem perseguição, sem nadar com o grupo e com tempo limitado de permanência. Binóculo e lente teleobjetiva valem mais que aproximação.

Se encontrar um animal encalhado, não tente devolver ao mar e acione imediatamente o ICMBio ou a rede de encalhes local. Golfinhos encalhados geralmente estão doentes e precisam de atendimento especializado.

Característica Golfinho-listrado Golfinho-pintado
Listra do olho Duas listras pretas nítidas e contínuas Sem listra dupla, focinho com capa escura
Pintas no corpo Nunca tem Adultos com pintas claras abundantes
Habitat no Brasil Alto-mar, talude Plataforma e alto-mar
Tamanho do grupo 25 a 100, supergrupos de 500+ 5 a 50, raramente supergrupos

Perguntas frequentes

Qual o tamanho do golfinho-listrado?

Adultos medem de 1,8 a 2,6 m e pesam de 90 a 156 kg, com fêmeas um pouco menores que machos.

Onde o golfinho-listrado vive no Brasil?

Em alto-mar, além da plataforma continental, mais frequente no Sudeste e Sul e ao redor de ilhas oceânicas. Quase não aparece em praias.

O golfinho-listrado é perigoso?

Não. É arisco, evita pessoas e não há registros de ataques. O risco é estressar o animal com aproximação excessiva.

O que o golfinho-listrado come?

Principalmente peixes pelágicos pequenos e lulas oceânicas, incluindo peixes-lanterna de profundidade, capturados com ecolocalização.

Qual a diferença para o golfinho-pintado?

O listrado tem duas listras pretas nítidas do olho à cauda e nunca tem pintas. O pintado desenvolve pintas claras pelo corpo quando adulto.

Quanto tempo vive o golfinho-listrado?

Vive de 55 a 58 anos na natureza, com maturidade entre 5 e 13 anos e gestação de 12 a 13 meses.

Pode nadar com golfinho-listrado?

Não é recomendado e a lei brasileira proíbe molestar cetáceos. Observe a pelo menos 100 m e sem perseguir o grupo.

Você sabia?

1

A assinatura da espécie

A listra escura que vai do olho ao ânus é única entre os golfinhos e funciona como camuflagem de contra-sombreamento, quebrando a silhueta vista por predadores de baixo.

2

Mergulho recorde

Embora cace mais entre 100 e 300 m, já foi registrado mergulhando a cerca de 700 m para capturar lulas de profundidade, ficando submerso por até 10 minutos.

3

Epidemia que marcou o Mediterrâneo

Entre 1990 e 1992, um surto de morbilivírus matou milhares de golfinhos-listrados no Mediterrâneo, um dos maiores eventos de mortalidade já documentados para a espécie.

4

Superpods de mil

Em áreas de alta produtividade, como o Pacífico oriental tropical, já foram observados superagrupamentos com mais de 1.000 indivíduos viajando juntos, algo raro entre os Stenella.

Fontes

  1. IUCN Red List - Stenella coeruleoalba
  2. NOAA Fisheries - Striped Dolphin
  3. WoRMS - World Register of Marine Species
  4. ICMBio - Mamíferos Aquáticos do Brasil

Prós e contras: Golfinho-listrado

Prós

  • Extremamente social e inteligente, com comportamentos acrobáticos fascinantes
  • Importante predador pelágico que ajuda a regular peixes e lulas oceânicas
  • Ampla distribuição e população grande, o que reduz risco imediato de extinção
  • Ótimo indicador de saúde do oceano aberto

Contras

  • Raramente visto da costa, exige saída pelágica cara e com mar calmo
  • Muito vulnerável a captura acidental em redes e à poluição por PCBs e mercúrio
  • Suscetível a surtos de morbilivírus com alta mortalidade
  • Baixa taxa reprodutiva, com apenas 1 filhote a cada 3 a 4 anos
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o golfinho-listrado é o melhor exemplo de golfinho verdadeiramente oceânico do Brasil: lindo, veloz e difícil de ver justamente porque não depende da costa. Vale mais protegê-lo reduzindo captura acidental e poluição química do que tentar aproximar barcos para fotos.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.