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Caranguejo-da-neve

Chionoecetes opilio

Atualizado em

até 15 cm de carapaça, 65 cm de envergaduraTamanho
0,5 a 1,4 kg nos machosPeso
15 a 20 anosExpectativa de vida
fundo frio de 20 a 1.400 mHabitat
muito baixoPerigo para humanos
Caranguejo-da-neve adulto visto de cima no fundo marinho frio

O caranguejo-da-neve (Chionoecetes opilio) é um crustáceo de águas frias do Atlântico Norte e do Pacífico Norte, famoso pelas pernas longas e pela carne adocicada. Machos são bem maiores que as fêmeas e podem ultrapassar 60 cm de envergadura.

Vive no fundo lodoso ou arenoso, entre 20 e 1.400 metros de profundidade, e depende de temperaturas próximas a 0 °C a 4 °C. É uma espécie de crescimento lento, com muda terminal na maturidade, e base de uma pescaria altamente regulada no Canadá, Alasca, Rússia e Japão.

Também conhecido como: caranguejo das neves, snow crab, crabe des neiges, zuwaigani (japonês), opilio crab

Faz parte de: Animais de Águas Profundas, Crustáceos Marinhos

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Galeria de fotos de Caranguejo-da-neve

Caranguejo-da-neve adulto visto de cima no fundo marinho frio
Caranguejo-da-neve adulto com carapaça arredondada e pernas longas e finas.
Close da cabeça e dos olhos do caranguejo-da-neve
Detalhe da cabeça com rostro curto e olhos pequenos.
Detalhe da textura da carapaça do caranguejo-da-neve
Textura granulada da carapaça e articulações das pernas.
Caranguejo-da-neve em seu habitat natural de fundo frio
Habitat típico em fundo lodoso da plataforma continental fria.
Fêmea de caranguejo-da-neve carregando ovos alaranjados sob o abdômen
Fêmea incubando milhares de ovos por até dois anos.
Juvenil de caranguejo-da-neve camuflado no sedimento
Juvenil ainda pequeno e críptico no sedimento.
Grupo de caranguejos-da-neve agregados no fundo marinho
Aglomeração sazonal, comum em áreas frias e profundas.

Perfil rápido de Caranguejo-da-neve

Estado de conservação

NE
Não Avaliada

Ainda não avaliada globalmente pela IUCN, com estoques regionais manejados por cotas.

População
variável por estoque, com declínios ligados ao aquecimento em partes do Pacífico
Protegido por
manejo por tamanho mínimo e cotas no Canadá, EUA e Noruega; sem proteção global específica

Calendário

AcasalamentoJFMAMJJASOND
Incubação dos ovosJFMAMJJASOND
Eclosão das larvasJFMAMJJASOND
Pesca comercial (pico no Atlântico Noroeste)JFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
15 a 20 anos; maturidade entre 5 e 8 anos conforme temperatura

Reprodução

Acasalamento
após muda da fêmea, macho guarda fêmea mole por dias
Estrutura social
agrupamentos segregados por sexo e tamanho
Padrão sazonal
inverno a primavera, com pico entre janeiro e maio
Tipo de nascimento
ovípara com larvas planctônicas (zoea e megalopa)
Ninhada
30.000 a 150.000 ovos por desova, incubação de 12 a 24 meses

Habitat

Ambientes

  • plataforma continental
  • talude continental
  • fundo lodoso e arenoso
  • mar de Barents como área invadida

Biomas

  • marinho nerítico
  • marinho bentônico de águas frias
  • oceano Ártico e subártico

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • poliquetas
  • pequenos crustáceos
  • bivalves

Outros alimentos

  • ofiúros
  • detritos e carcaças
  • ovos de peixes

Encontrado em 7 países

  • Canadá
  • Estados Unidos
  • Rússia
  • Japão
  • Noruega
  • Groenlândia
  • Coreia do Sul

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Malacostraca
Ordem
Decapoda
Família
Oregoniidae
Gênero
Chionoecetes
Espécie
Chionoecetes opilio

Resumo

  • O caranguejo-da-neve é um crustáceo de águas geladas do Atlântico e Pacífico Norte, com carapaça arredondada e pernas longas e finas.
  • Vive entre 20 e 1.400 metros de profundidade, migra em grupos e tem crescimento lento com muda terminal após a maturidade.
  • É alvo de pesca comercial de alto valor, com manejo por cotas e tamanho mínimo apenas para machos adultos.

Características

Ficha da espécie

Grupocrustáceo
OrdemDecapoda
FamíliaOregoniidae
Origem e distribuiçãoAtlântico Noroeste e Nordeste e Pacífico Norte (Ártico, Canadá, Alasca, Groenlândia, Rússia, Japão e Mar de Barents como invasor)
Tamanhocarapaça 7 a 15 cm; envergadura até 65 cm em C. opilio e até 90 cm em C. bairdi
Pesomachos 0,5 a 1,4 kg; fêmeas 0,2 a 0,5 kg
Coresmarrom-avermelhadocinza-clarobege
Profundidade20 a 1.400 m (mais comum entre 50 e 300 m)
Habitatplataforma continental e talude, fundo de lama, areia e cascalho em água fria
Alimentaçãoonívoro necrófago e predador oportunista
Reproduçãoovípara; fêmea carrega 30.000 a 150.000 ovos por até 2 anos
Expectativa de vida15 a 20 anos na natureza
Estado de conservaçãoNão Avaliada (NE) pela IUCN

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeMédio
InteligênciaBaixo
VelocidadeBaixo
Capacidade de migraçãoAlto
Importância para o ecossistema marinhoAlto

Como identificar o caranguejo-da-neve

O caranguejo-da-neve mais conhecido é o Chionoecetes opilio, chamado de snow crab em inglês. A carapaça é quase circular, levemente mais larga que comprida, com espinhos pequenos e superfície granulada.

As pernas são o traço inconfundível: longas, finas e achatadas, bem diferentes do caranguejo-real (king crab), que tem pernas grossas e espinhos grandes. A coloração varia de marrom-avermelhado a cinza-bege quando vivo, ficando vermelho-alaranjado após o cozimento.

Machos são até duas vezes maiores que as fêmeas. Machos adultos de C. opilio chegam a 15 cm de largura de carapaça e 65 cm de envergadura, enquanto fêmeas raramente passam de 9 cm. As garras são relativamente pequenas e delicadas.

Outro detalhe útil: o rostro é curto e os olhos são pequenos, com pedúnculos curtos. No fundo, ele caminha devagar e costuma se cobrir de sedimento quando jovem para se camuflar.

Onde vive: distribuição e profundidade

É um animal de águas frias boreais e árticas. Ocorre naturalmente no Atlântico Noroeste (Canadá, Groenlândia, Terra Nova e Labrador), no Pacífico Norte (Mar de Bering, Alasca, norte do Japão e Sibéria) e no Ártico.

Desde 1996, populações de C. opilio se estabeleceram como espécie invasora no Mar de Barents e ao redor de Svalbard, provavelmente transportadas em água de lastro. Lá a expansão tem sido rápida e preocupa gestores da Noruega e da Rússia.

Vive sobre fundos de lama, areia fina e cascalho da plataforma continental e do talude. A faixa mais comum é de 50 a 300 metros, mas há registros de 20 a 1.400 metros.

A temperatura é decisiva. Prefere -1 °C a 4 °C e evita água acima de 7 °C. Por isso, no verão migra para áreas mais profundas e frias, e no inverno pode se aproximar de águas mais rasas.

O que come e como caça no fundo gelado

É onívoro oportunista, mais necrófago que caçador ativo. Passa horas varrendo o sedimento com as pernas e quelas finas.

A dieta inclui poliquetas, pequenos crustáceos, moluscos bivalves, ofiúros, restos de peixes e detritos. Em áreas de pesca, aproveita descartes e carcaças no fundo.

Não persegue presas rápidas. Usa as quelas para quebrar conchas finas e raspar o substrato, e os maxilípedes para levar o alimento à boca. Juvenis se alimentam mais de anfípodes e pequenos vermes.

Esse hábito faz dele um reciclador importante do ecossistema bentônico, acelerando a decomposição e transferindo energia para predadores como bacalhau, halibute, focas e polvos.

Reprodução e ciclo de vida: a muda terminal

O ponto mais singular do caranguejo-da-neve é a muda terminal. Ao atingir a maturidade sexual, machos e fêmeas fazem a última muda e nunca mais crescem. A partir daí, investem toda energia em reprodução.

O acasalamento ocorre logo após a muda da fêmea, quando a carapaça ainda está mole. O macho, de carapaça dura, abraça a fêmea por dias e deposita espermatóforos. A fêmea pode armazenar esperma por mais de um ano e fertilizar mais de uma desova.

Cada fêmea carrega 30.000 a 150.000 ovos laranja-avermelhados sob o abdômen. Em águas muito frias, a incubação dura 12 a 24 meses, um dos períodos mais longos entre caranguejos comerciais. Fêmeas em água mais quente podem ter ciclo anual, e em água muito fria, bianual.

As larvas são planctônicas e passam por dois estágios de zoea e um de megalopa antes de assentar no fundo. A mortalidade é altíssima. O crescimento até o tamanho comercial leva 7 a 10 anos, o que explica a vulnerabilidade à sobrepesca.

Comportamento e migração

Não é um nadador. Desloca-se caminhando e pode fazer migrações sazonais de dezenas a centenas de quilômetros acompanhando a isoterma fria e a disponibilidade de alimento.

Forma aglomerações por sexo e tamanho. Machos grandes dominam áreas mais profundas e frias, fêmeas e juvenis ficam em áreas intermediárias. Essa segregação reduz canibalismo.

Juvenis têm comportamento críptico e se enterram parcialmente. Adultos são mais gregários no inverno e durante a época reprodutiva, quando machos competem e guardam fêmeas pré-muda.

Em laboratório e em campo, mostra boa capacidade de aprender labirintos simples e lembrar rotas alimentares por semanas, mas está longe da cognição de polvos. A orientação parece depender de pistas químicas e de temperatura.

Diferença entre as duas espécies comerciais

Característica C. opilio (snow crab) C. bairdi (Tanner crab)
Envergadura até 65 cm até 90 cm
Carapaça mais arredondada e lisa mais espinhosa nas bordas
Distribuição principal Atlântico e Pacífico Norte só Pacífico Norte (Alasca)
Valor comercial maior volume global carne mais valorizada por perna

É perigoso para humanos?

Para mergulhadores e pescadores, o risco é muito baixo. Não é venenoso, não ataca e as quelas são fracas comparadas às de caranguejos maiores.

O perigo real está no processamento. A exposição repetida a proteínas da carapaça e da carne pode causar asma ocupacional e dermatite alérgica em trabalhadores de frigoríficos, conhecida como asma do caranguejo-da-neve. É bem documentada no Canadá e na Noruega.

Para o consumidor, o cuidado é o mesmo de qualquer crustáceo: alergia a crustáceos pode ser grave e o animal deve ser mantido refrigerado e bem cozido. Não há toxina própria da espécie.

Em barcos de pesca, o risco é mecânico: cestos pesados, cabos e água gelada, não o animal em si.

Pesca, importância econômica e ameaças

O caranguejo-da-neve sustenta uma das pescarias de crustáceos mais valiosas do hemisfério norte. Canadá, Estados Unidos (Alasca), Rússia e Japão capturam centenas de milhares de toneladas por ano com armadilhas (covos) no fundo.

O manejo moderno permite apenas machos adultos acima de tamanho mínimo (geralmente 95 a 102 mm de largura de carapaça, conforme a região) e impõe cotas, temporadas curtas e devolução de fêmeas e juvenis. No Canadá, a pesca é certificada pelo Marine Stewardship Council em várias áreas.

As principais ameaças são sobrepesca histórica, aquecimento da água e acidificação. Anos quentes no Mar de Bering causaram colapsos recentes do estoque de C. bairdi e fechamento total da pesca no Alasca em 2022 e 2023.

Outros impactos incluem captura incidental, redes fantasmas, poluição e expansão invasora no Atlântico Nordeste, onde compete com espécies nativas do fundo.

Estado de conservação e manejo

Globalmente, Chionoecetes opilio é classificado como Não Avaliada pela IUCN, porque a avaliação formal ainda não foi concluída. Isso não significa abundância garantida.

Localmente, os estoques são avaliados anualmente por órgãos como NOAA (EUA) e DFO (Canadá). Alguns estão saudáveis e bem manejados, outros sobrepescados ou em declínio por causas climáticas.

Medidas eficazes incluem defeso reprodutivo, tamanho mínimo, escape para fêmeas nos covos e áreas fechadas. O descarte correto de covos perdidos também reduz mortalidade fantasma.

Na nossa avaliação, o caranguejo-da-neve é um exemplo claro de que pesca lucrativa e conservação só coexistem com ciência anual e cota flexível. Sem ajuste rápido ao clima, o colapso do Alasca pode se repetir em outras regiões.

Curiosidades que pouca gente sabe

O sangue é azulado por hemocianina, proteína que carrega oxigênio e funciona melhor no frio que a hemoglobina. É por isso que ele tolera água próxima a 0 °C.

Fêmeas podem fazer duas desovas com um único acasalamento graças ao esperma armazenado. Em laboratório, já se registrou fertilização 2 anos após a cópula.

Após a muda terminal, machos desenvolvem quelas proporcionalmente maiores, chamadas de machos de quela grande, mais competitivos para abraçar fêmeas. Pescadores distinguem visualmente esses machos.

No Japão, o mesmo animal tem nomes de luxo conforme a origem: echizen-gani e matsuba-gani podem atingir preços altíssimos em leilões de inverno, mesmo sendo a mesma espécie biológica.

Perguntas frequentes

Caranguejo-da-neve é o mesmo que caranguejo-real?

Não. O caranguejo-da-neve (Chionoecetes) tem pernas finas e carapaça lisa, enquanto o caranguejo-real (Paralithodes) tem pernas grossas, espinhos grandes e pertence a outra família.

Onde o caranguejo-da-neve vive?

Em águas frias do Atlântico Norte, Pacífico Norte e Ártico, de 20 a 1.400 m de profundidade, mais comum entre 50 e 300 m em fundos de lama e areia.

Qual o tamanho do caranguejo-da-neve?

Machos de Chionoecetes opilio chegam a 15 cm de carapaça e 65 cm de envergadura; fêmeas são bem menores, até cerca de 9 cm.

Caranguejo-da-neve é perigoso para humanos?

Não é venenoso nem agressivo. O risco principal é alergia e asma ocupacional em quem processa o animal, além de alergia alimentar em sensíveis.

Quanto tempo a fêmea carrega os ovos?

De 12 a 24 meses, dependendo da temperatura da água; em águas muito frias o ciclo é bianual.

Pode criar caranguejo-da-neve em aquário?

Não é viável. Exige água marinha gelada, pressão e espaço de fundo frio, além de ser espécie de pesca regulada e não ornamental.

Por que a pesca foi fechada no Alasca?

Estoques de Chionoecetes bairdi e C. opilio no Mar de Bering colapsaram após anos quentes, levando ao fechamento total nas temporadas 2022 e 2023 para recuperação.

Você sabia?

1

Muda que encerra o crescimento

Ao amadurecer, o caranguejo-da-neve faz a muda terminal e nunca mais cresce; toda energia passa a ir para reprodução, o que limita o tamanho máximo de cada indivíduo.

2

Ovos por até dois anos

Fêmeas carregam os ovos sob o abdômen por 12 a 24 meses em águas muito frias, um dos períodos de incubação mais longos entre caranguejos comerciais.

3

Invasor no Atlântico Nordeste

Detectado no Mar de Barents em 1996, o Chionoecetes opilio se espalhou por Svalbard e norte da Noruega, provavelmente via água de lastro de navios.

4

Sangue azul que ama o frio

Usa hemocianina à base de cobre para transportar oxigênio, mais eficiente que hemoglobina em água gelada e responsável pelo tom azulado da hemolinfa.

Fontes

  1. NOAA Fisheries
  2. WoRMS - World Register of Marine Species
  3. SeaLifeBase / FishBase
  4. IUCN Red List

Prós e contras: Caranguejo-da-neve

Prós

  • importante reciclador do fundo marinho frio
  • base de pescaria de alto valor com manejo seletivo por covos
  • indicador sensível de mudanças climáticas no Ártico
  • carne muito apreciada e de baixo teor de gordura

Contras

  • crescimento muito lento e vulnerável à sobrepesca
  • muda terminal impede recuperação rápida de tamanho
  • sensível ao aquecimento e à acidificação da água
  • espécie invasora no Mar de Barents com impacto sobre fauna nativa
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o caranguejo-da-neve é fascinante justamente por ser um gigante delicado: cresce devagar, vive no limite do frio e depende de manejo fino. É um recurso valioso, mas sua biologia de muda terminal o torna pouco resiliente a erros de cota e a invernos quentes.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.