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Golfinho-de-dentes-rugosos

Steno bredanensis

Atualizado em

2,1 a 2,65 mTamanho
90 a 155 kgPeso
32 a 36 anosExpectativa de vida
Oceânico tropical profundoHabitat
MínimoPerigo para humanos
Golfinho-de-dentes-rugosos nadando em oceano aberto, corpo inteiro em vista lateral

O golfinho-de-dentes-rugosos (Steno bredanensis) é um mamífero marinho oceânico facilmente reconhecido pelo bico longo e cônico, sem a divisão marcada entre melão e rostro que a maioria dos golfinhos tem, e pelos dentes com sulcos verticais que dão nome à espécie.

Vive em águas profundas e quentes de todos os oceanos tropicais e subtropicais, incluindo o Brasil, e raramente se aproxima da costa. É um animal altamente social, inteligente e pouco conhecido, pois passa a maior parte da vida longe do litoral e mergulha em sincronia com o grupo para caçar peixes e lulas.

Também conhecido como: Golfinho-de-bico-estreito, Golfinho-de-dentes-ásperos, Rough-toothed Dolphin, Steno

Faz parte de: Animais de Águas Profundas, Animais Marinhos do Brasil, Baleias e Golfinhos

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Golfinho-de-dentes-rugosos nadando em oceano aberto, corpo inteiro em vista lateral
Golfinho-de-dentes-rugosos em águas oceânicas profundas, com corpo alongado e coloração acinzentada.
Close-up da cabeça do golfinho-de-dentes-rugosos mostrando bico longo e olho
Detalhe da cabeça cônica e do bico longo, marca registrada da espécie.
Detalhe dos dentes rugosos do golfinho-de-dentes-rugosos com sulcos verticais
Dentes com rugas verticais que dão nome ao golfinho-de-dentes-rugosos.
Golfinho-de-dentes-rugosos em seu habitat de oceano aberto profundo
Habitat pelágico em alto-mar, onde a espécie passa quase toda a vida.
Grupo de golfinhos-de-dentes-rugosos nadando em formação sincronizada
Grupo coeso em nado sincronizado, comportamento típico da espécie.
Fêmea de golfinho-de-dentes-rugosos com filhote nadando juntos
Fêmea com filhote, que permanece com a mãe por cerca de dois anos.

Perfil rápido de Golfinho-de-dentes-rugosos

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População global aparentemente estável, mas com dados insuficientes em muitas regiões.

População
Desconhecida
Protegido por
Sim, protegido por lei no Brasil; monitoramento pela REMAB/ICMBio

Calendário

Reprodução (pico)JFMAMJJASOND
NascimentosJFMAMJJASOND
Maior chance de avistagem em águas brasileiras oceânicasJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
32 a 36 anos

Reprodução

Acasalamento
Poligâmico, sem par fixo, com cópula na água
Estrutura social
Grupos coesos de 10 a 50 indivíduos com laços de longo prazo
Padrão sazonal
Reprodução ao longo de todo o ano, com leve pico no verão e outono
Tipo de nascimento
Vivíparo, 1 filhote por gestação
Ninhada
1 filhote de 1 a 1,2 m; intervalo de 2 a 3 anos entre crias
Gestação
Cerca de 12 meses
Maturidade sexual
5 a 10 anos

Habitat

Ambientes

  • Oceano aberto pelágico
  • Talude continental
  • Águas profundas tropicais e subtropicais

Biomas

  • Marinho pelágico
  • Oceano Atlântico tropical
  • Oceano Pacífico tropical
  • Oceano Índico tropical

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Peixes pelágicos (peixes-voadores, dourados)
  • Lulas oceânicas

Outros alimentos

  • Polvos
  • Peixes de profundidade

Encontrado em 12 países

  • Brasil
  • Estados Unidos
  • México
  • Japão
  • Austrália
  • África do Sul
  • Colômbia
  • Costa Rica
  • Filipinas
  • Indonésia
  • Portugal
  • Senegal

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Mammalia
Ordem
Cetartiodactyla
Família
Delphinidae
Gênero
Steno
Espécie
Steno bredanensis

Resumo

  • O golfinho-de-dentes-rugosos se distingue pelo bico afilado sem sulco frontal e pelos dentes com rugas verticais, únicos entre os delfinídeos.
  • Vive em alto-mar tropical e subtropical em profundidades de 500 a mais de 1.500 metros, formando grupos coesos de 10 a 50 indivíduos que caçam em equipe.
  • Está classificado como Pouco Preocupante pela IUCN, mas sofre com captura acidental, poluição e ruído oceânico, sendo melhor observado apenas com turismo responsável e à distância.

Características

Ficha da espécie

GrupoMamífero
OrdemCetartiodactyla (Cetacea)
FamíliaDelphinidae
Origem e distribuiçãoCosmopolita em águas tropicais e subtropicais quentes dos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico
Tamanho2,1 a 2,65 m (fêmeas ligeiramente menores)
Peso90 a 155 kg
Corescinza-escurocinza-clarobrancorosa-acinzentado
Profundidade500 a 1.500 m, raramente em menos de 100 m
HabitatOceânico, pelágico, sobre talude continental e águas profundas
AlimentaçãoCarnívora: peixes pelágicos e lulas
ReproduçãoVivípara, 1 filhote por gestação de cerca de 12 meses
Expectativa de vida32 a 36 anos na natureza
Estado de conservaçãoPouco Preocupante (LC) - IUCN

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeMuito alto
InteligênciaMuito alto
VelocidadeAlto
Capacidade de migraçãoMédio
Importância para o ecossistema marinhoMédio

Como identificar o golfinho-de-dentes-rugosos sem confundir

O traço que entrega a espécie está na cabeça. Enquanto o golfinho-nariz-de-garrafa tem o melão bem separado do bico, o golfinho-de-dentes-rugosos tem perfil cônico e contínuo, sem sulco entre testa e rostro. O bico é longo, estreito e esbranquiçado na ponta, o que lhe rende o apelido em inglês de narrow-snouted dolphin.

O corpo é robusto mas alongado, com nadadeira dorsal alta e falcada bem no meio do dorso. A coloração é cinza-escuro no dorso, clareando para cinza-claro e branco-rosado nos flancos e ventre, com manchas claras espalhadas que aumentam com a idade. Adultos mais velhos ficam bem salpicados de branco ao redor da boca e da barriga.

O detalhe definitivo são os dentes com rugas verticais. São 19 a 28 pares em cada mandíbula, com esmalte enrugado que só aparece em exame próximo. Na água, use o conjunto: bico sem degrau, cabeça afilada e nado em grupo compacto e silencioso, sem muitos saltos acrobáticos.

Onde vive: por que é um golfinho de alto-mar

Diferente dos golfinhos costeiros, o golfinho-de-dentes-rugosos é oceânico e pelágico. Prefere águas profundas sobre o talude continental e bacias oceânicas, geralmente onde a profundidade passa de 500 metros e a temperatura fica acima de 25 °C. Evita águas rasas e turvas.

Sua distribuição é circumtropical, entre aproximadamente 40°N e 35°S. Ocorre no Atlântico, Pacífico e Índico, incluindo todo o litoral oceânico do Brasil, do Nordeste ao Sul, mas quase sempre a dezenas ou centenas de quilômetros da costa. Avistagens costeiras são raras e geralmente ligadas a encalhes ou anomalias oceanográficas.

No Brasil, registros confirmados vêm de Fernando de Noronha, Atol das Rocas, cadeia Vitória-Trindade e águas oceânicas do Sudeste. Ele não é migrador de longa distância como as baleias, mas faz deslocamentos amplos dentro de áreas tropicais seguindo massas de água quente e concentração de presas.

O que come e como caça em equipe

A dieta é baseada em peixes pelágicos e lulas oceânicas, com destaque para peixes-voadores, dourados, serras e lulas da família Ommastrephidae. Em algumas regiões consome também polvos e pequenos peixes de profundidade que sobem à noite na migração vertical.

A caça é cooperativa e sincronizada. O grupo se espalha em linha, encurrala o cardume perto da superfície e se reveza em mergulhos de 2 a 4 minutos. Estudos com animais marcados no Pacífico mostraram mergulhos de até 70 metros e capacidade de ficar submerso por mais de 3 minutos sem esforço.

Um comportamento raro entre golfinhos ajuda na alimentação: o compartilhamento de presas grandes. Indivíduos carregam peixes grandes no bico e os despedaçam em conjunto, passando pedaços entre si, em vez de engolir tudo sozinhos. Essa divisão é mais comum em grupos com laços estáveis.

Comportamento social e inteligência em alto-mar

É um dos golfinhos mais sociais e coesos. Vive em grupos de 10 a 20 indivíduos, mas agregações de 50 a 100 já foram registradas em áreas de alta produtividade. Os grupos são estáveis, com associações que duram anos, e nadam muito próximos, quase se tocando, em formação cerrada.

Na superfície é discreto. Raramente faz saltos altos ou surfe na proa como o golfinho-pintado. Prefere nado lento e sincronizado, com respiros simultâneos e pouca espuma. Quando quer se deslocar rápido, faz o chamado skimming, deslizando com o bico fora d’água.

A inteligência aparece na sincronia vocal e comportamental. Pesquisas acústicas indicam repertório de assobios e cliques complexo, usado para manter o grupo unido em águas profundas onde a visibilidade é baixa. Em cativeiro, demonstrou rápida aprendizagem de tarefas e forte memória social, reconhecendo companheiros após longas separações.

Como se comunica

Usa cliques de ecolocalização para encontrar lulas em profundidade e assobios modulados para coesão do grupo. Diferente de espécies costeiras barulhentas, seu repertório é mais sutil e de menor amplitude, adaptado ao oceano aberto.

Reprodução e ciclo de vida: o que se sabe e o que falta

A reprodução é vivípara com um único filhote por gestação. A gestação dura cerca de 12 meses, e o intervalo entre filhotes é estimado em 2 a 3 anos. Não há estação reprodutiva marcada; nascimentos ocorrem o ano todo, com leve pico no verão e outono em algumas populações.

Filhotes nascem com cerca de 1 a 1,2 metro e 20 a 25 kg e permanecem junto à mãe por pelo menos 2 anos, aprendendo técnicas de caça cooperativa. A maturidade sexual chega entre 5 e 10 anos, com fêmeas amadurecendo um pouco antes que machos.

Muito do ciclo ainda é pouco conhecido porque a espécie é difícil de acompanhar em alto-mar. Dados de longevidade vêm de poucos indivíduos acompanhados e de análise de dentes: 32 a 36 anos é a estimativa mais aceita, com fêmeas vivendo um pouco mais.

É perigoso para humanos?

Não. O risco é mínimo. Não há registros de ataques a banhistas, mergulhadores ou embarcações. É um animal arisco a humanos, que mantém distância e evita contato direto quando livre na natureza.

Em situações de encalhe ou emaranhamento, como todo golfinho, pode morder ou bater com a cauda por estresse e defesa, mas são reações defensivas, não agressão. O manejo deve ser feito apenas por equipes autorizadas.

O perigo real é o inverso: humanos representam ameaça muito maior para a espécie do que ela para nós, por meio de redes de pesca, colisões e poluição sonora.

Ameaças reais e estado de conservação

A IUCN classifica o golfinho-de-dentes-rugosos como Pouco Preocupante (LC), com tendência populacional desconhecida. Isso não significa que esteja livre de pressões. Por viver em alto-mar, é menos estudado e suas populações podem estar em declínio silencioso.

As principais ameaças são captura acidental em espinhel pelágico e redes de deriva, ingestão de plástico e contaminantes químicos que se acumulam em predadores de topo, e ruído oceânico de sísmica e tráfego naval, que interfere na ecolocalização. No Pacífico, houve mortalidade em massa ligada a capturas dirigidas no passado.

No Brasil, a espécie é protegida por lei e consta nos planos de ação para mamíferos aquáticos do ICMBio. Encalhes são monitorados pela Rede de Encalhes de Mamíferos Aquáticos do Brasil (REMAB). A falta de dados populacionais é o maior obstáculo para medidas específicas.

Como diferenciar em alto-mar Golfinho-de-dentes-rugosos Golfinho-nariz-de-garrafa
Cabeça Cônica, sem sulco, bico longo e fino Melão arredondado com sulco nítido
Dentes Com rugas verticais Lisos
Comportamento Grupo compacto, poucos saltos Saltos e surfe frequentes
Habitat Oceânico profundo Costeiro e oceânico

Onde observar com responsabilidade no Brasil

Avistar o golfinho-de-dentes-rugosos exige ir para águas oceânicas. As melhores chances são em expedições pelágicas saindo de Fernando de Noronha, Atol das Rocas, Arquipélago de São Pedro e São Paulo e em cruzeiros de pesquisa no talude do Sudeste. Não é espécie de passeio costeiro comum.

Se avistar, mantenha distância mínima de 100 metros, nunca persiga, corte o caminho ou tente alimentar ou nadar com o grupo. Desligue o motor ou mantenha velocidade mínima e observação por no máximo 30 minutos. No Brasil, o avistamento de cetáceos é regulado e o assédio é crime ambiental.

Prefira operadoras com condutores capacitados e que sigam o turismo de observação responsável. Fotos de nadadeira dorsal ajudam projetos de foto-identificação. Se encontrar um animal encalhado ou emaranhado, não toque e acione o órgão ambiental local ou a REMAB.

Curiosidades que tornam a espécie única

O gênero Steno tem apenas uma espécie viva: o golfinho-de-dentes-rugosos. É um ramo isolado dentro da família Delphinidae, mais próximo do golfinho-de-bico-branco do Atlântico Norte do que dos golfinhos comuns tropicais.

Seus dentes rugosos não servem para mastigar, mas para segurar presas escorregadias como lulas. As rugas aumentam o atrito, como uma lixa natural, evitando que a presa escape antes de ser engolida inteira.

Apesar do nome, ele raramente mostra os dentes. É um dos golfinhos menos acrobáticos, mas um dos mais sincronizados: já foram filmados grupos inteiros emergindo e submergindo ao mesmo tempo, como se fossem um único organismo.

Perguntas frequentes

O golfinho-de-dentes-rugosos é perigoso?

Não. Não há registros de ataques a humanos e ele evita contato. O risco só existe se o animal estiver estressado, encalhado ou for manuseado sem técnica.

Qual a diferença para o golfinho-nariz-de-garrafa?

O de-dentes-rugosos tem cabeça cônica sem sulco entre testa e bico, bico mais longo e fino e dentes com rugas. O nariz-de-garrafa tem melão bem separado e dentes lisos.

Onde o golfinho-de-dentes-rugosos vive no Brasil?

Em águas oceânicas profundas, longe da costa, com registros em Fernando de Noronha, Atol das Rocas e talude do Sudeste e Nordeste.

O que ele come?

Principalmente peixes pelágicos como peixes-voadores e dourados, e lulas oceânicas, caçados em grupo com mergulhos sincronizados.

Quanto tempo vive?

Entre 32 e 36 anos na natureza, segundo estimativas por análise de dentes e foto-identificação.

Pode nadar com golfinho-de-dentes-rugosos?

Não é recomendado e pode ser ilegal se houver perseguição ou assédio. A observação deve ser feita à distância, sem alimentar, tocar ou cercar o grupo.

Ele está ameaçado de extinção?

É classificado como Pouco Preocupante pela IUCN, mas sofre com captura acidental em pesca oceânica, plástico e ruído submarino, e faltam dados populacionais.

Você sabia?

1

O único do gênero

Steno bredanensis é a única espécie viva do gênero Steno, um ramo evolutivo isolado entre os golfinhos oceânicos.

2

Dentes que funcionam como lixa

As rugas verticais no esmalte aumentam o atrito e ajudam a segurar lulas e peixes escorregadios sem precisar mastigar.

3

Caçador que divide a presa

Em vez de engolir sozinho, costuma carregar peixes grandes no bico e compartilhar pedaços com companheiros do grupo.

4

Mergulho sincronizado

Grupos inteiros mergulham e emergem em perfeita sincronia, mantendo formação cerrada mesmo em águas profundas e escuras.

Fontes

  1. IUCN Red List - Steno bredanensis
  2. NOAA Fisheries - Rough-Toothed Dolphin
  3. WoRMS - World Register of Marine Species
  4. ICMBio - Mamíferos Aquáticos do Brasil

Prós e contras: Golfinho-de-dentes-rugosos

Prós

  • Altamente social e com comportamento cooperativo fascinante de observar
  • Indicador de oceano saudável por viver em águas profundas limpas
  • Discreto e não agressivo, sem risco para humanos quando respeitado
  • Espécie única no gênero, com grande valor científico e evolutivo

Contras

  • Muito difícil de avistar por viver longe da costa em alto-mar
  • Pouco estudado no Brasil, com dados populacionais insuficientes
  • Vulnerável a captura acidental em pesca oceânica e a ruído submarino
  • Não se adapta a interação direta ou cativeiro inadequado
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o golfinho-de-dentes-rugosos é o golfinho mais subestimado do Atlântico tropical: discreto na superfície, mas extremamente sofisticado na vida social e na caça cooperativa. Justamente por viver longe da costa, depende de que o turismo oceânico no Brasil cresça com regra e ciência, não com assédio.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.