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Camarão-branco

Litopenaeus schmitti

Atualizado em

15 a 20 cm (fêmeas até 23 cm)Tamanho
30 a 50 gPeso
1,5 a 2 anosExpectativa de vida
Costeiro e estuarinoHabitat
Inofensivo (risco de alergia)Perigo para humanos
Camarão-branco Litopenaeus schmitti de corpo inteiro em vista lateral subaquática

O camarão-branco (Litopenaeus schmitti) é um crustáceo decápode da família Penaeidae, nativo do Atlântico Ocidental e muito comum no litoral brasileiro. É uma das espécies mais pescadas e cultivadas no país, reconhecida pela carapaça clara e translúcida e pelo rostro serrilhado.

Vive entre estuários, manguezais e a plataforma continental rasa, com ciclo de vida que depende da ligação entre água doce e salgada. Fêmeas liberam centenas de milhares de ovos no mar, enquanto os filhotes crescem abrigados em águas estuarinas antes de migrar para o oceano.

Também conhecido como: Camarão-legítimo, Camarão-branco-do-atlântico, Camarão-branco-sul-americano, Southern white shrimp (inglês), Camarón blanco sureño (espanhol), Crevette blanche du Sud (francês)

Faz parte de: Animais Marinhos do Brasil, Crustáceos Marinhos

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Galeria de fotos de Camarão-branco

Camarão-branco Litopenaeus schmitti de corpo inteiro em vista lateral subaquática
Camarão-branco adulto com coloração clara translúcida característica.
Close da cabeça e rostro do camarão-branco mostrando olhos e dentes do rostro
Detalhe do rostro serrilhado, principal característica de identificação.
Detalhe da textura da carapaça e pleópodes do camarão-branco
Carapaça lisa sem sulcos profundos e pleópodes natatórios.
Camarão-branco em habitat estuarino com raízes de mangue e fundo lodoso
Habitat típico entre estuário e plataforma rasa.
Camarão-branco nadando à noite próximo ao fundo arenoso
Hábito noturno, quando sai do sedimento para se alimentar.
Grupo de camarões-brancos jovens em água rasa estuarina
Jovens crescem agregados em berçários de manguezal antes de migrar ao mar.

Perfil rápido de Camarão-branco

Estado de conservação

NE
Não Avaliada

Ainda não avaliada pela IUCN, mas considerada sobre-explotada em parte do litoral brasileiro.

População
estável com declínio local
Protegido por
Não há proteção integral; há defeso e tamanho mínimo por normativa do MAPA/IBAMA

Calendário

Reprodução (pico)JFMAMJJASOND
Recrutamento de jovens nos estuáriosJFMAMJJASOND
Defeso (varia por estado, exemplo Sudeste/Sul)JFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica

Sem veneno ou toxina, mas é alergênico para pessoas sensíveis a crustáceos. Espinhos do rostro podem causar arranhões leves.

Vida útil

Na natureza
1,5 a 2 anos, crescimento rápido e mortalidade alta nos primeiros meses
Em cultivo
4 a 6 meses até tamanho comercial (10 a 15 cm)

Reprodução

Acasalamento
Cópula no mar, com transferência de espermatóforo pelo macho para o télico da fêmea
Estrutura social
Não forma pares; agregações temporárias para desova
Padrão sazonal
Desova o ano todo com picos na primavera e verão (outubro a março)
Tipo de nascimento
Ovípara com liberação de ovos na água
Ninhada
100 mil a 500 mil ovos por desova; até 3 desovas por ciclo reprodutivo

Habitat

Ambientes

  • Estuários
  • Manguezais
  • Lagunas costeiras
  • Fundos lamosos e arenosos da plataforma continental rasa

Biomas

  • Marinho Costeiro
  • Mata Atlântica costeira
  • Amazônia costeira

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Detritos orgânicos
  • Microalgas e foraminíferos
  • Pequenos crustáceos

Outros alimentos

  • Poliquetas
  • Pequenos moluscos
  • Ovos e larvas de peixes

Encontrado em 12 países

  • Brasil
  • Estados Unidos
  • México
  • Cuba
  • Colômbia
  • Venezuela
  • Guiana
  • Suriname
  • Guiana Francesa
  • Belize
  • Honduras
  • Nicarágua

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Malacostraca
Ordem
Decapoda
Família
Penaeidae
Gênero
Litopenaeus
Espécie
Litopenaeus schmitti (Burkenroad, 1936)

Resumo

  • Camarão-branco (Litopenaeus schmitti) é um crustáceo do Atlântico Ocidental que vive entre estuários e mar raso até cerca de 45 metros.
  • Identifica-se pela cor branco-acinzentada translúcida, rostro com 7 a 9 dentes dorsais e ausência de sulcos profundos na carapaça.
  • Tem ciclo curto de 1,5 a 2 anos, com desova no mar e crescimento dos jovens em manguezais, sendo base da pesca artesanal no Brasil.

Características

Ficha da espécie

GrupoCrustáceo
OrdemDecapoda
FamíliaPenaeidae
Origem e distribuiçãoAtlântico Ocidental, da Flórida (EUA) ao Rio Grande do Sul (Brasil)
TamanhoMachos 15 a 18 cm; fêmeas 17 a 23 cm
Peso30 a 50 g (exemplares grandes até 70 g)
Coresbranco translúcidocinza-clarorosadoamarelado
Profundidade2 a 45 m, mais comum até 30 m
HabitatEstuários, manguezais e fundos lamosos ou arenosos costeiros
AlimentaçãoOnívoro detritívoro e predador oportunista
ReproduçãoOvípara, desova marinha com 100 mil a 500 mil ovos
Expectativa de vida1,5 a 2 anos na natureza
Estado de conservaçãoNão Avaliada (NE) pela IUCN

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeMédio
InteligênciaBaixo
VelocidadeMédio
Capacidade de migraçãoAlto
Importância para o ecossistema marinhoAlto

Como identificar o camarão-branco sem confundir com outras espécies

O camarão-branco é Litopenaeus schmitti, antes chamado Penaeus schmitti. No Brasil também é conhecido como camarão-legítimo.

A cor é o primeiro indício, mas engana. O animal vivo é branco-acinzentado translúcido, às vezes com tons rosados ou amarelados. Depois de cozido fica rosado-alaranjado, como outros peneídeos.

O detalhe que realmente distingue é o rostro. Ele é longo, fino e pontiagudo, com 7 a 9 dentes na borda superior e 2 a 4 na inferior. Os dentes são bem espaçados e o rostro ultrapassa levemente os olhos.

Outro ponto técnico: a carapaça do camarão-branco não tem sulcos gastrofrontais e cervicais profundos, diferente do camarão-rosa (Farfantepenaeus spp.), que tem sulcos bem marcados. As pernas são claras e sem manchas escuras.

Fêmeas são maiores que machos. Elas têm o télico fechado (estrutura reprodutiva no ventre), enquanto machos têm petasma. Em campo, pescadores separam pelo tamanho e pela forma do abdômen mais largo nas fêmeas.

Característica Camarão-branco Camarão-rosa Camarão sete-barbas
Cor vivo Branco translúcido Rosado a amarronzado Amarelado com barbas longas
Rostro 7-9 dentes dorsais 8-10 dentes dorsais Curto, 7-8 dentes
Sulco na carapaça Ausente ou raso Profundo e visível Raso
Tamanho adulto 15-23 cm 18-28 cm 7-12 cm

Onde vive e em que profundidade ocorre no Brasil

É uma espécie exclusiva do Atlântico Ocidental. Ocorre de Cuba e Flórida, passando por todo o Caribe, até o sul do Brasil, no Rio Grande do Sul.

No Brasil está presente em todos os estados costeiros, com maior abundância no Norte, Nordeste e Sudeste. É o camarão mais comum em estuários do Pará, Maranhão, Ceará, Bahia e Santa Catarina.

Vive em águas rasas da plataforma continental, de 2 a 45 metros. A maior concentração fica entre 5 e 30 metros, sobre fundos de lama, areia fina e areia-lamosa.

O ciclo depende de dois ambientes. Adultos ficam no mar. Pós-larvas e jovens crescem em estuários, manguezais e lagunas costeiras, onde a água é salobra e a proteção é maior.

Prefere águas com temperatura de 22 a 30°C e salinidade de 10 a 35. Por isso entra e sai de estuários conforme a maré e a estação chuvosa.

O que come e como se alimenta no fundo do mar

É onívoro oportunista e detritívoro. Passa a maior parte do tempo revirando o sedimento com os pereiópodes e peças bucais.

A dieta baseia-se em detritos orgânicos, microalgas, foraminíferos e pequenos crustáceos. Em estuários consome muito material vegetal em decomposição de mangue.

Complementa com poliquetas, pequenos moluscos, ovos de peixes e restos de animais mortos. Em cultivo aceita ração, mas na natureza caça pouco ativamente.

Alimenta-se mais à noite. Durante o dia fica semi-enterrado na lama, deixando só olhos e antenas expostos. À noite sai para forragear.

Esse hábito de revirar o fundo tem função ecológica: recicla nutrientes e oxigena o sedimento, beneficiando toda a cadeia do estuário.

Reprodução e ciclo de vida entre estuário e mar aberto

O ciclo é curto e intenso. Vive 1,5 a 2 anos e cresce rápido, o que explica sua importância pesqueira.

A reprodução ocorre no mar, em áreas mais afastadas da costa. Fêmeas maduras liberam os ovos diretamente na água, sem incubação no corpo.

Uma única fêmea pode liberar 100 mil a 500 mil ovos por desova, e pode desovar mais de uma vez na estação reprodutiva. Os ovos eclodem em menos de 24 horas.

As larvas passam por estágios de náuplio, protozoea e mysis em mar aberto. Depois viram pós-larvas e migram ativamente para dentro dos estuários.

Nos manguezais, os jovens crescem por 2 a 4 meses até atingirem 7 a 10 cm. Então retornam ao mar como subadultos, onde completam o crescimento e se reproduzem. Esse movimento estuário-mar é obrigatório.

Comportamento, hábitos noturnos e migrações

É um animal gregário, mas não forma cardumes organizados. Agrupa-se onde há alimento e condições favoráveis de salinidade e temperatura.

Tem atividade predominantemente noturna. Enterra-se de dia para evitar predadores como peixes, aves e outros crustáceos.

Nada com impulsos rápidos do abdômen, o famoso salto para trás. Também caminha sobre o fundo com as pernas. A velocidade é moderada, mas o escape é explosivo.

Faz migração ontogenética: pós-larvas entram no estuário, jovens saem para o mar. Não faz migrações oceânicas longas como baleias, mas deslocamentos costeiros de dezenas de quilômetros são comuns.

É sensível à luz, à salinidade e ao oxigênio. Em eventos de hipóxia ou poluição no estuário, abandona a área rapidamente, o que o torna bioindicador de qualidade ambiental.

É perigoso para humanos? Risco real e alergias

O camarão-branco não é perigoso. Não tem veneno, ferrão ou toxina. Não morde nem ataca.

O único risco relevante é alergia alimentar. Crustáceos contêm tropomiosina, proteína que desencadeia reações em pessoas sensíveis, que podem ir de coceira a choque anafilático.

Espinhos do rostro podem causar pequenos arranhões ao manusear o animal vivo, sem gravidade. Pescadores usam luvas para evitar perfurações.

Não há registro de toxina própria na carne. O risco de contaminação vem do ambiente: se capturado em área poluída, pode acumular metais pesados e bactérias. Por isso a procedência importa.

Pesca, ameaças e estado de conservação

É um dos três camarões mais pescados no Brasil, ao lado do rosa e do sete-barbas. A pesca é feita com arrasto de fundo com portas, arrasto duplo e gerival artesanal em estuários.

A principal ameaça é a pesca excessiva e a captura de jovens dentro de estuários antes da primeira reprodução. Isso reduz o estoque reprodutor no mar.

Outras pressões são a destruição de manguezais, aterros, poluição urbana, esgoto e carcinicultura mal manejada, que fecha o acesso de pós-larvas aos berçários.

A espécie ainda não foi avaliada pela IUCN, mas no Brasil é considerada recurso sobre-explotado em várias regiões. Há medidas como defeso, tamanho mínimo de captura e proibição de arrasto em berçários.

O cultivo de Litopenaeus vannamei (camarão-branco-do-pacífico), espécie exótica, também pressiona o nativo por fugas, doenças e competição em estuários.

Importância econômica e onde observar com responsabilidade

O camarão-branco sustenta milhares de famílias de pescadores artesanais no Norte e Nordeste. É vendido fresco, congelado e como isca viva para pesca esportiva.

Na aquicultura brasileira, o branco nativo foi substituído em grande parte pelo vannamei por crescer mais rápido. Ainda assim, o schmitti tem valor cultural e é preferido em mercados locais.

Para observar na natureza, procure passeios em manguezais e estuários com guias locais, sem arrasto. Em aquários públicos e centros de visitação de projetos de mangue é possível ver pós-larvas em tanques.

Se for consumir, prefira produto com origem certificada, respeitando o defeso (geralmente de março a maio, variando por estado) e tamanho mínimo. Evite comprar camarão miúdo de estuário.

Não solte camarão de cultivo na natureza e não colete pós-larvas sem licença. O equilíbrio entre estuário e mar é o que mantém a espécie.

Curiosidades que pouca gente sabe sobre o camarão-branco

Diferente de peixes, o camarão-branco respira por brânquias dentro da carapaça e precisa bombear água constantemente. Se ficar fora d’água, morre em minutos por asfixia, mesmo com o corpo úmido.

Ele troca de carapaça mais de 20 vezes ao longo da vida. Cada muda permite crescer. Logo após a muda fica mole e vulnerável, escondendo-se na lama até a nova casca endurecer.

O coração fica na região dorsal da cabeça, logo atrás dos olhos. E os olhos são compostos, com centenas de omatídeos que enxergam bem o movimento, mas pouca cor.

Apesar do nome, o camarão-branco pode ficar bem rosado quando estressado ou durante a maturação gonadal, o que confunde até pescadores experientes.

Perguntas frequentes

Camarão-branco e camarão-rosa são a mesma coisa?

Não. O branco é Litopenaeus schmitti, de carapaça lisa e cor clara. O rosa (Farfantepenaeus spp.) tem sulcos profundos na carapaça e cor mais rosada a amarronzada.

Qual o tamanho do camarão-branco?

Adultos medem 15 a 20 cm, com fêmeas maiores, até 23 cm e cerca de 50 a 70 g. Machos ficam em torno de 15 a 18 cm.

Onde o camarão-branco vive?

No Atlântico Ocidental, de Cuba e Flórida ao sul do Brasil, em estuários, manguezais e mar raso de 2 a 45 m sobre fundos lamosos ou arenosos.

O camarão-branco é perigoso para humanos?

Não. Não tem veneno nem ataca. O risco é apenas alergia alimentar a crustáceos e pequenos arranhões do rostro ao manusear.

Como o camarão-branco se reproduz?

A fêmea libera de 100 mil a 500 mil ovos no mar. As larvas viram pós-larvas, entram nos estuários para crescer e depois retornam ao mar como adultas.

Quando é o defeso do camarão-branco?

Varia por estado, mas geralmente entre março e maio no Sudeste e Sul e entre dezembro e fevereiro no Norte e Nordeste. Consulte a portaria vigente do MAPA.

Pode criar camarão-branco em casa?

Não é recomendado. Exige água salobra, sistema de recirculação e licença. O cultivo comercial no Brasil usa principalmente a espécie exótica Litopenaeus vannamei.

Você sabia?

1

Muda de casca mais de 20 vezes

O camarão-branco cresce por ecdise e fica completamente mole por horas após cada muda, precisando se enterrar para não ser predado.

2

Coração na cabeça

O coração fica na parte dorsal do cefalotórax, atrás dos olhos, e as brânquias funcionam como pulmões aquáticos dentro da carapaça.

3

Berçário obrigatório no mangue

Sem acesso a estuários e manguezais, as pós-larvas não completam o desenvolvimento. O desmatamento do mangue corta diretamente o recrutamento da espécie.

4

Confusão com o vannamei exótico

O camarão-branco nativo (L. schmitti) é diferente do branco-do-pacífico (L. vannamei), espécie introduzida para cultivo que hoje domina a carcinicultura brasileira.

Fontes

  1. WoRMS - World Register of Marine Species
  2. SeaLifeBase / FishBase
  3. NOAA Fisheries
  4. ICMBio - Instituto Chico Mendes

Prós e contras: Camarão-branco

Prós

  • Base da pesca artesanal e da segurança alimentar no litoral
  • Ciclo curto e alta fecundidade, com boa recuperação se o manguezal for preservado
  • Importante reciclador de nutrientes no fundo estuarino
  • Fácil de identificar pelo rostro e ausência de sulcos na carapaça
  • Carne muito apreciada e de alto valor comercial

Contras

  • Fortemente pressionado por arrasto de fundo e captura de jovens em estuários
  • Dependente de manguezais, que estão sendo desmatados e poluídos
  • Confundido com espécie exótica de cultivo (L. vannamei) que traz doenças
  • Sensível a poluição, hipóxia e variação de salinidade
  • Sem avaliação IUCN e com fiscalização de defeso ainda irregular
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o camarão-branco é o melhor exemplo de como manguezal e pesca são inseparáveis no Brasil. Protegê-lo exige menos foco no mar aberto e mais na conservação dos estuários, onde ele realmente nasce.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.