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Foca-de-ross

Ommatophoca rossii

Atualizado em

1,68 a 2,09 mTamanho
129 a 216 kgPeso
Até 20 anosExpectativa de vida
Gelo compacto antárticoHabitat
BaixoPerigo para humanos
Foca-de-ross nadando sob o gelo antártico, corpo inteiro

A foca-de-ross (Ommatophoca rossii) é a menor, mais rara e menos conhecida das quatro focas antárticas. Com olhos desproporcionalmente grandes, focinho curto e pelagem mais curta que a de qualquer outro focídeo, ela passa quase despercebida no gelo compacto da Antártida.

Extremamente solitária e silenciosa fora da época reprodutiva, depende do gelo marinho denso e raramente se aproxima de bases humanas. Seu canto melodioso, que lembra uma sirene, e sua capacidade de mergulhar a mais de 300 metros a tornam única entre os mamíferos marinhos antárticos.

Também conhecido como: Foca-de-ross, Ross seal (inglês), Phoque de Ross (francês), Rossrobbe (alemão)

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Galeria de fotos de Foca-de-ross

Foca-de-ross nadando sob o gelo antártico, corpo inteiro
Foca-de-ross em seu habitat de gelo compacto antártico.
Close-up da cabeça e olhos enormes da foca-de-ross
Detalhe dos olhos desproporcionalmente grandes, marca da espécie.
Detalhe da pelagem curta e dobras do pescoço da foca-de-ross
Pelagem mais curta entre as focas e dobras características do pescoço.
Foca-de-ross solitária descansando sobre gelo compacto antártico
Comportamento solitário típico sobre o gelo denso.
Fêmea de foca-de-ross com filhote no gelo antártico
Fêmea com filhote único durante a primavera austral.
Foca-de-ross mergulhando para caçar lulas em águas profundas
Mergulho profundo em busca de lulas e peixes mesopelágicos.

Perfil rápido de Foca-de-ross

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População estável mas com dados limitados devido à baixa densidade e habitat remoto.

População
Estável
Protegido por
Protegida pelo Tratado da Antártida e Convenção para Conservação das Focas Antárticas (CCAS)

Calendário

Reprodução e nascimentoJFMAMJJASOND
AmamentaçãoJFMAMJJASOND
Muda de pelagemJFMAMJJASOND
Vocalização intensa dos machosJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica

Não venenosa e não agressiva; risco apenas de mordida defensiva se encurralada, como em qualquer foca selvagem.

Vida útil

Na natureza
12 a 20 anos, fêmeas vivem ligeiramente mais
Em cativeiro
Não mantida em cativeiro; espécie exclusivamente selvagem antártica

Reprodução

Maturidade sexual
3 a 5 anos
Época reprodutiva
Novembro a dezembro
Gestação
Cerca de 11 meses com diapausa
Filhotes por gestação
1 filhote
Amamentação
4 a 6 semanas sobre o gelo compacto

Habitat

Ambientes

  • Gelo marinho compacto e denso (pack ice)
  • Águas pelágicas do Oceano Austral
  • Bordas de fendas e respiradouros no gelo

Biomas

  • Oceano Austral
  • Gelo marinho antártico

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Lulas antárticas
  • Peixes mesopelágicos (Pleuragramma antarctica)

Outros alimentos

  • Krill antártico
  • Outros cefalópodes

Encontrado em 1 país

  • Antártida

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Mammalia
Ordem
Carnivora
Família
Phocidae
Gênero
Ommatophoca
Espécie
Ommatophoca rossii

Resumo

  • A foca-de-ross é a menor foca antártica, com 1,68 a 2,09 m, olhos enormes e vocalização que lembra uma sirene.
  • Vive de forma solitária no gelo compacto circumpolar da Antártida e mergulha até 300 m para caçar lulas e peixes.
  • É classificada como Pouco Preocupante pela IUCN, mas segue pouco estudada por seu habitat remoto e densidade extremamente baixa.

Características

Ficha da espécie

GrupoMamífero
OrdemCarnivora
FamíliaPhocidae (focas-verdadeiras)
Origem e distribuiçãoCircumpolar antártica, no gelo compacto do Oceano Austral
Tamanho1,68 a 2,09 m (fêmeas ligeiramente maiores)
Peso129 a 216 kg
Corescinza-escurocastanho-acinzentadoprateadobranco
Profundidade0 a 400 m (comum até 300 m)
HabitatGelo marinho denso e águas pelágicas antárticas
AlimentaçãoCarnívora (lulas, peixes, krill)
ReproduçãoVivípara, 1 filhote por gestação
Expectativa de vida12 a 20 anos na natureza
Estado de conservaçãoPouco Preocupante (LC - IUCN)

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeMuito baixo
InteligênciaAlto
VelocidadeMédio
Capacidade de migraçãoBaixo
Importância para o ecossistema marinhoMédio

Como identificar a foca-de-ross sem confundir

A foca-de-ross é a menor das focas antárticas e a mais fácil de reconhecer de perto, mas a mais difícil de encontrar. O corpo é atarracado, com pescoço muito curto e grosso, cabeça pequena e focinho curtíssimo, o que lhe dá uma silhueta quase sem pescoço quando vista de lado.

O traço inconfundível são os olhos enormes, os maiores proporcionalmente entre todas as focas, com até 7 cm de diâmetro. A pelagem é a mais curta de qualquer foca, aveludada e brilhante, cinza-escura no dorso e prateada no ventre, com estrias mais claras nas laterais do pescoço e sem manchas como na foca-leopardo ou na foca-de-weddell.

Outro detalhe são as vibrissas muito curtas e as nadadeiras dianteiras proporcionalmente longas, com garras delicadas. Quando está em alerta, infla o pescoço e retrai a cabeça, formando dobras de pele solta — um comportamento único que nenhum outro focídeo antártico faz com tanta ênfase.

Onde vive: o fantasma do gelo antártico

A foca-de-ross é circumpolar e estritamente antártica, ocupando o cinturão de gelo compacto e pesado (pack ice denso) ao redor do continente, raramente vista em gelo solto ou em praias. Sua distribuição é extremamente dispersa, com densidade estimada em apenas 0,5 a 1 indivíduo por 100 km² de gelo, o que explica por que foi a última foca antártica a ser descrita.

Diferente da foca-caranguejeira, que forma grandes grupos, a foca-de-ross é pelágica e solitária, passando a maior parte do ano na água sob o gelo, longe da borda. Avistamentos são mais comuns no Mar de Ross, Mar de Weddell e costa da Terra da Rainha Maud, sempre em áreas de difícil acesso para navios.

Ela não migra para latitudes subantárticas como outras espécies. No inverno, permanece sob o gelo, usando fendas e respiradouros, e pode se afastar centenas de quilômetros da costa. Essa fidelidade ao gelo denso a torna altamente sensível a mudanças no gelo marinho.

O que come e como caça no escuro

A dieta é dominada por cefalópodes antárticos, que representam até 64% do conteúdo estomacal em alguns estudos, seguida por peixes mesopelágicos como o peixe-prata antártico (Pleuragramma antarctica) e, em menor proporção, krill. Essa preferência por lulas a diferencia das outras focas antárticas, mais dependentes de krill.

Caça principalmente em mergulhos profundos e silenciosos, usando a visão excepcional e as vibrissas para detectar presas no escuro total sob o gelo. Estudos com sensores mostram que ela faz mergulhos em forma de V, rápidos e verticais, capturando a presa na coluna d’água e não no fundo.

Os dentes são pequenos e pontiagudos, pouco especializados para filtrar krill, o que reforça seu nicho de caçadora de presas escorregadias. Na nossa avaliação, é a foca antártica com dieta mais especializada, o que pode ser uma vantagem onde a competição por krill é intensa, mas também um risco se as populações de lula mudarem.

Mergulho profundo e vida sob o gelo

Apesar do tamanho modesto, a foca-de-ross é uma mergulhadora notável. Registros confiáveis indicam mergulhos de 100 a 300 metros por 5 a 15 minutos, com máximo de cerca de 400 metros e 30 minutos em animais instrumentados. Isso é impressionante para um animal de 150 kg.

Ela possui alta concentração de mioglobina e sangue com grande volume, além de bradicardia acentuada durante o mergulho. Os olhos grandes não são por acaso: têm tapetum lucidum bem desenvolvido para enxergar em baixa luminosidade sob o gelo espesso.

Fora da água, é desajeitada e passa pouco tempo hauled out. Quando descansa no gelo, mantém-se perto da borda da fenda, pronta para escapar. Essa vida quase totalmente aquática explica por que censos aéreos subestimam drasticamente sua população, estimada entre 130 mil e 227 mil indivíduos com grande incerteza.

Reprodução e ciclo de vida solitário

A reprodução ocorre na primavera austral, entre novembro e dezembro, sobre o gelo compacto. As fêmeas dão à luz a um único filhote de 16 a 20 kg, com pelagem lanosa acinzentada, após gestação de cerca de 11 meses incluindo diapausa embrionária.

A amamentação dura apenas 4 a 6 semanas, uma das mais curtas entre as focas, e o filhote é desmamado rapidamente antes do gelo começar a quebrar. O acasalamento ocorre na água logo após o desmame, e os machos não formam haréns nem defendem território no gelo.

A maturidade sexual chega aos 3 a 4 anos para fêmeas e 4 a 5 anos para machos. Como são solitárias, o encontro entre macho e fêmea depende quase totalmente da vocalização subaquática, e não de agregações visuais como em outras focas.

Como o filhote sobrevive

O filhote nasce em gelo espesso e isolado, o que reduz predação por foca-leopardo, mas aumenta o risco de ficar isolado se o gelo se fragmentar cedo. Ele ganha peso muito rápido graças ao leite com até 50% de gordura e já entra na água com poucos dias.

Comportamento e vocalização: a sirene da Antártida

Se há algo que torna a foca-de-ross lendária, é o som. Machos e fêmeas emitem chamadas tonais longas, ascendentes e descendentes, que lembram uma sirene ou um apito eletrônico, audíveis tanto no ar quanto debaixo d’água a quilômetros de distância. São vocalizações entre as mais complexas dos pinípedes.

Durante a época reprodutiva, o animal na água projeta a cabeça para fora e emite sequências de trinados, gorjeios e assobios por até horas, com a garganta inflada. Acredita-se que o som sirva para atrair parceiros e manter distância entre indivíduos em um habitat onde a visibilidade é mínima.

Fora isso, é extremamente arisca e silenciosa. Quando abordada no gelo, não rosna como a foca-de-weddell; prefere recuar para a água ou exibir a garganta inflada e os dentes. Não forma colônias e raramente são vistos dois adultos juntos, exceto mãe e filhote.

É perigosa para humanos?

Não. A foca-de-ross não oferece perigo real para humanos. É a foca antártica mais dócil e menos defensiva, e encontros são raríssimos devido ao habitat remoto. Não há registros de ataques a pessoas.

O único comportamento de defesa é abrir a boca, mostrar os dentes pequenos e inflar o pescoço, mas ela quase sempre foge para a água. Como todo mamífero selvagem, pode morder se for encurralada ou manuseada, por isso aproximação deve ser evitada e é proibida sem licença pelo Tratado da Antártida.

Para pesquisadores, o maior risco não é a mordida, e sim o gelo instável onde ela vive. A observação deve ser feita a distância, sem perseguição ou uso de drones baixos que interfiram na vocalização.

Ameaças e conservação: por que continua pouco conhecida

A foca-de-ross é classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população considerada estável, mas com dados deficientes em muitas áreas. Sua raridade natural dificulta qualquer censo preciso.

As ameaças atuais são indiretas: mudanças climáticas e redução do gelo marinho denso, ruído submarino, pesca de krill e de peixes antárticos que competem por presas, e poluição química transportada para o polo. Por ser pelágica, também pode ingerir microplásticos via cadeia alimentar de lulas.

É protegida pelo Tratado da Antártida e pela Convenção para Conservação das Focas Antárticas (CCAS), que proíbe captura comercial. Na nossa avaliação, o maior risco para a espécie não é a caça, mas a invisibilidade científica: por ser tão difícil de estudar, mudanças populacionais podem passar despercebidas por anos.

Característica Foca-de-ross Foca-de-weddell Foca-caranguejeira
Tamanho 1,68 a 2,09 m 2,5 a 3,3 m 2,2 a 2,6 m
Pelagem Curta, lisa, sem manchas Manchada, cinza com manchas claras Clara, acinzentada
Olhos Enormes, proeminentes Médios Médios
Comportamento Solitária, pelágica Colonial, vocal no gelo Altamente gregária
Dieta principal Lulas e peixes Peixes e lulas Krill (quase exclusivo)

Curiosidades que só a foca-de-ross tem

O nome homenageia Sir James Clark Ross, explorador britânico que liderou a expedição antártica de 1839-1843 e coletou o primeiro exemplar. Durante quase um século, foi conhecida apenas por esse espécime.

Seu nome científico, Ommatophoca rossii, significa literalmente “foca de olho” (omma = olho, phoca = foca), referência direta aos olhos gigantes. É o único membro do gênero Ommatophoca.

Erros comuns incluem confundi-la com filhote de foca-leopardo por causa do tamanho, ou achar que é uma foca tropical por ter pelagem curta. Na verdade, a pelagem curta é compensada por camada espessa de gordura de até 5 cm.

Perguntas frequentes

Qual o tamanho da foca-de-ross?

Mede de 1,68 a 2,09 m e pesa entre 129 e 216 kg, sendo a menor das focas antárticas. Fêmeas são ligeiramente maiores que os machos.

Onde vive a foca-de-ross?

Exclusivamente no gelo marinho compacto e denso ao redor da Antártida, de forma circumpolar. É pelágica e solitária, raramente vista perto de bases ou navios.

O que a foca-de-ross come?

Principalmente lulas antárticas e peixes mesopelágicos como o peixe-prata antártico, complementando com krill.

A foca-de-ross é perigosa para humanos?

Não. É dócil, arisca e não há registros de ataques. Apenas pode morder se for encurralada, como qualquer animal selvagem.

Como diferenciar a foca-de-ross das outras focas antárticas?

Pelos olhos enormes, focinho muito curto, pescoço grosso sem definição, pelagem curta e lisa sem manchas e comportamento solitário.

Quanto tempo a foca-de-ross fica submersa?

Mergulhos comuns de 5 a 15 minutos até 300 m, podendo chegar a cerca de 30 minutos e 400 m em casos extremos.

A foca-de-ross está em extinção?

Não. É classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estável, mas é pouco estudada e protegida pelo Tratado da Antártida.

Você sabia?

1

Olhos de coruja antártica

Tem os maiores olhos proporcionalmente entre todas as focas, adaptados para caçar lulas a 300 m de profundidade no escuro quase total sob o gelo.

2

Canto de sirene

Sua vocalização subaquática é tão musical e prolongada que hidrofones a captam a vários quilômetros e já foi confundida com som de submarino.

3

Pescoço sanfonado

Consegue inflar e retrair o pescoço formando dobras de pele solta, exibição única que faz parecer que a cabeça some no corpo.

4

A foca invisível

Foi a última foca antártica descoberta pela ciência e até hoje é a menos avistada, com estimativas populacionais variando quase 100 mil indivíduos de incerteza.

Fontes

  1. IUCN Red List - Ommatophoca rossii
  2. NOAA Fisheries - Ross Seal
  3. SeaLifeBase / WoRMS
  4. Australian Antarctic Program

Prós e contras: Foca-de-ross

Prós

  • Menor e mais discreta foca antártica, com adaptação visual única para mergulho profundo
  • Vocalização complexa entre as mais sofisticadas dos mamíferos marinhos
  • Dieta especializada em lulas, com nicho ecológico pouco sobreposto a outras focas
  • Espécie-bandeira para conservação do gelo marinho denso antártico
  • Totalmente protegida por tratados internacionais, sem caça comercial

Contras

  • Extremamente difícil de avistar e estudar devido à baixa densidade e habitat remoto
  • Dependente de gelo compacto, vulnerável a mudanças climáticas
  • Dados populacionais com grande incerteza
  • Não forma colônias, o que limita oportunidades de ecoturismo responsável
  • Sensível a ruído submarino que interfere em sua comunicação
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a foca-de-ross é a antártica mais fascinante justamente por ser a menos espetacular à primeira vista: pequena, solitária e sem colônias fotogênicas, ela troca o show pelo mistério. É a espécie que melhor representa o Oceano Austral intocado — e por isso sua conservação depende menos de manejo direto e mais de manter o gelo denso que ela exige.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.