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Broca-da-raiz

Migdolus fryanus (principal espécie chamada de broca-da-raiz no Brasil)

Atualizado em

12 a 37 mm (adulto)Tamanho
Raízes (larva)Alimentação
1 a 3 anosCiclo de vida
Solo agrícolaHabitat
Não pica, inofensivaPerigo para humanos
Broca-da-raiz adulta Migdolus fryanus besouro marrom-avermelhado de corpo alongado sobre solo arenoso

A broca-da-raiz não é uma espécie única, mas o nome popular dado às larvas de besouros que vivem no solo e se alimentam de raízes. No Brasil, o termo se refere principalmente a Migdolus fryanus, besouro da família Vesperidae muito comum em canaviais do Centro-Sul, e também a Sphenophorus levis, bicudo da cana.

O adulto é pouco visto, voa apenas na época de revoada e quase não se alimenta. Já a larva, branca, robusta e com cabeça marrom, pode passar meses a anos debaixo da terra roendo raízes, causando falhas de brotação, tombamento de plantas e grandes prejuízos agrícolas. Não pica, não é venenosa e não oferece risco direto a pessoas ou pets.

Também conhecido como: Broca-da-cana (quando se refere a Migdolus), Bicho-da-raiz, Larva-da-raiz, Migdolus, Bicudo-da-raiz (para Sphenophorus levis)

Faz parte de: Insetos do Brasil, Pragas de Jardim

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Galeria de fotos de Broca-da-raiz

Broca-da-raiz adulta Migdolus fryanus besouro marrom-avermelhado de corpo alongado sobre solo arenoso
Adulto de Migdolus fryanus, a principal broca-da-raiz do Brasil.
Close extremo da cabeça e antenas serrilhadas da broca-da-raiz
Detalhe da cabeça e antenas curtas do besouro adulto.
Larva branca em forma de C da broca-da-raiz com cabeça marrom ao lado de raízes de cana danificadas
Larva branca, fase que rói as raízes e causa o dano agrícola.
Broca-da-raiz em voo durante revoada noturna sobre canavial
Revoada noturna após as primeiras chuvas, quando ocorre o acasalamento.
Raízes de cana-de-açúcar com galerias e orifícios causados pela broca-da-raiz
Galerias nas raízes: sinal típico do ataque da larva.
Broca-da-raiz ao lado de ponta de dedo e folha de cana para comparação de tamanho
Tamanho do adulto comparado a folha de cana, de 12 a 37 mm.

Perfil rápido de Broca-da-raiz

Calendário

Revoada e acasalamento de adultosJFMAMJJASOND
Oviposição no soloJFMAMJJASOND
Maior atividade de larvas nas raízesJFMAMJJASOND
Pupação no soloJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica

Não pica, não tem ferrão nem veneno. Mordida defensiva do adulto é superficial e rara.

Vida útil

Na natureza
Ciclo completo de 1 a 3 anos; adulto vive 5 a 15 dias, larva vive 12 a 24 meses no solo

Reprodução

Metamorfose
Completa: ovo, larva, pupa e adulto
Acasalamento
Sexuado, durante revoada noturna após chuvas de outubro a dezembro
Oviposição
20 a 40 ovos isolados no solo, próximos a raízes
Incubação
15 a 20 dias até eclosão da larva
Padrão sazonal
Uma geração por ano, com sobreposição de idades no solo

Habitat

Ambientes

  • Solo de áreas agrícolas, pastagens e bordas de mata
  • Profundidade de 10 a 50 cm, em solos arenosos a argilosos bem drenados

Biomas

  • Cerrado
  • Mata Atlântica
  • Caatinga (áreas agrícolas)

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Raízes vivas de cana-de-açúcar, mandioca e eucalipto (fase larval)

Outros alimentos

  • Raízes de pastagens, milho e plantas nativas; adulto quase não se alimenta

Encontrado em 1 país

  • Brasil

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Coleoptera
Família
Vesperidae (Migdolus fryanus)
Gênero
Migdolus
Espécie
Migdolus fryanus

Resumo

  • A broca-da-raiz é a larva subterrânea de besouros como Migdolus fryanus, que ataca raízes de cana, mandioca, eucalipto e outras culturas no Brasil.
  • O adulto é um besouro marrom de 12 a 37 mm que faz revoada após as primeiras chuvas, enquanto a larva branca pode viver até 2 anos no solo se alimentando de raízes.
  • Não pica nem é venenosa para humanos e animais, mas é considerada uma das pragas de solo mais difíceis de controlar por viver escondida e ter ciclo longo.

Características

Ficha do inseto

OrdemColeoptera (besouros)
FamíliaVesperidae (Migdolus fryanus) / Curculionidae (Sphenophorus levis)
Origem e distribuiçãoNativa da América do Sul, presente em todo o Centro-Sul do Brasil
TamanhoAdulto: 12 a 37 mm; larva: até 40 mm de comprimento
Coresmarrommarrom-avermelhadomarrom-escurobegebranco (larva)caramelo
Asas e vooAlado, voo curto e desajeitado, apenas na revoada reprodutiva
AlimentaçãoLarva: raízes vivas; Adulto: quase não se alimenta
MetamorfoseCompleta (ovo > larva > pupa > adulto)
Expectativa de vidaAdulto: 5 a 15 dias; ciclo completo: 1 a 3 anos
HabitatSolo de canaviais, mandiocais, eucaliptais e pastagens
Comportamento socialSolitário, subterrâneo
Principais predadoresFormigas, besouros predadores, nematoides, fungos entomopatogênicos e aves

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
Importância para o ecossistemaBaixo
Presença em casasMuito baixo
Benefício para a agriculturaMuito baixo
Dano às plantasMuito alto
Vida em grupoMuito baixo

Como identificar a broca-da-raiz: adulto e larva são bem diferentes

A confusão mais comum é achar que a broca-da-raiz é uma lagarta. Não é. Ela é a larva de besouro, e adulto e larva não se parecem em nada.

O adulto de Migdolus fryanus, a espécie mais chamada de broca-da-raiz no Brasil, é um besouro alongado, de 12 a 37 mm, cor marrom-avermelhada a marrom-escura, com corpo coberto de pelos finos e antenas curtas e serrilhadas. As fêmeas são maiores e mais robustas que os machos. Ele lembra um pequeno cascudo e tem élitros (asas duras) que cobrem todo o abdômen.

A larva é a fase que causa o dano. É branca ou bege-clara, em forma de C, com cabeça marrom bem dura, mandíbulas fortes e corpo enrugado e cilíndrico que pode chegar a 40 mm. Não tem pernas visíveis e fica sempre enrolada no solo, perto das raízes. É muito diferente da larva de Sphenophorus levis, que é menor, mais amarelada e sem cabeça tão escura.

Outro ponto de identificação é o orifício na raiz. A larva faz galerias irregulares e deixa serragem fina e fezes próximas ao dano. Raízes atacadas ficam ocas, escuras e quebradiças.

Onde vive e por que é tão comum no Brasil

A broca-da-raiz é nativa da América do Sul e está distribuída principalmente no Centro-Sul do Brasil: São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná e Bahia. Ocorre em áreas de Cerrado e Mata Atlântica convertidas para agricultura.

Vive quase toda a vida debaixo da terra, entre 10 e 50 cm de profundidade, em solos arenosos ou de textura média, bem drenados. Por isso é mais frequente em canaviais, mandiocais, eucaliptais e pastagens do que em jardins urbanos.

O inseto prefere áreas com cultivo contínuo da mesma cultura. Em cana-de-açúcar, por exemplo, onde a soqueira permanece por 5 a 6 cortes, a população se acumula ano após ano. Solos revolvidos com frequência tendem a ter menos infestação.

O que a larva come e quais culturas mais sofrem

A larva é rizófaga obrigatória: só se alimenta de raízes vivas. Ela rói a casca e o interior das raízes, interrompendo o fluxo de água e nutrientes.

  • Cana-de-açúcar: principal hospedeira de Migdolus fryanus. Ataca rizomas e raízes da soqueira, causando falhas de brotação e touceiras que arrancam fácil com a mão.
  • Mandioca: rói as raízes tuberosas, deixando galerias que inviabilizam a comercialização.
  • Eucalipto: em mudas e árvores jovens, pode matar a planta por anelamento da raiz principal.
  • Outros hospedeiros: pastagens, milho e até plantas nativas quando não há cultivo.

O adulto praticamente não se alimenta. Vive de reservas acumuladas na fase larval e sua única função é se reproduzir. Por isso, armadilhas alimentares não funcionam para ele.

Ciclo de vida e reprodução: a revoada depois da chuva

A broca-da-raiz tem metamorfose completa e ciclo longo, o que dificulta o controle.

Tudo começa na revoada. Após as primeiras chuvas fortes entre outubro e dezembro, os adultos saem do solo ao entardecer, voam baixo e se acasalam. O voo é curto, desajeitado e dura poucos dias. Fêmeas fecundadas voltam ao solo para pôr 20 a 40 ovos isolados, perto de touceiras.

Em 15 a 20 dias nascem as larvas, que imediatamente procuram raízes. Essa fase é a mais longa: de 1 a 2 anos em Migdolus fryanus, podendo chegar a quase 3 anos em condições desfavoráveis. A larva passa por vários ínstares crescendo lentamente.

Quando totalmente desenvolvida, constrói uma câmara de terra no solo (pupário) e se transforma em pupa por cerca de 30 dias. O novo adulto permanece enterrado até a próxima estação chuvosa, quando sai para recomeçar o ciclo.

Comportamento: voo curto, vida escondida e defesa

É um inseto noturno, solitário e subterrâneo. Fora da época de revoada, raramente é visto na superfície.

O adulto é atraído por luz durante a revoada, por isso aparece em lampiões e postes em áreas rurais. Durante o dia, fica escondido sob palhada ou enterrado. Não forma colônias nem tem comportamento social.

A defesa da larva é ficar enterrada. Quando exposta, ela se enrola e fica imóvel, contando com a coloração clara que se confunde com raízes. O adulto, se manuseado, pode liberar odor forte e acastanhado e tentar morder com as mandíbulas, mas sem força para perfurar pele humana.

Por viver no solo, tem poucos predadores naturais eficientes em altas infestações, o que explica por que a população explode em monoculturas.

Pica, morde ou é venenosa? Riscos para pessoas e pets

Não pica, não é venenosa e não transmite doenças. A broca-da-raiz é inofensiva para humanos, cachorros e gatos.

A larva não tem ferrão nem veneno. O adulto pode dar uma mordida de defesa se apertado na mão, mas é superficial e não exige tratamento, apenas higienização. Não há registro de alergia grave associada a essa espécie.

O risco real é indireto e agrícola: ao destruir raízes, a praga causa tombamento de plantas, perda de produtividade e pode levar ao uso excessivo de inseticidas se o manejo for mal feito. Para pets, o único cuidado é evitar que cachorros cavem e comam muitas larvas, o que pode causar desconforto gastrointestinal passageiro.

Em caso de contato, basta lavar as mãos. Não é necessário procurar atendimento médico, exceto se houver reação alérgica incomum ou ferida infeccionada.

É praga ou tem papel no ecossistema?

Na nossa avaliação, a broca-da-raiz é claramente praga agrícola e tem papel ecológico muito discreto fora de sistemas naturais.

Em vegetação nativa, em baixa densidade, suas larvas ajudam a revolver o solo e reciclar matéria orgânica, mas esse benefício é mínimo comparado ao dano em cultivos. Não é polinizadora, não controla outras pragas e não serve de alimento principal para nenhum animal.

O problema é que, em monocultura, sem rotação e sem inimigos naturais suficientes, ela se torna praga-chave de difícil controle. Uma única larva por metro quadrado já pode causar dano econômico em cana, segundo dados da Embrapa. Por viver protegida no solo, escapa de pulverizações comuns.

Como conviver e controlar sem desequilibrar o ambiente

Não existe solução caseira definitiva, e o controle exige manejo integrado. Evite aplicar inseticida por conta própria no solo: além de pouco eficaz, contamina lençol freático e mata inimigos naturais.

  • Monitoramento na revoada: entre outubro e janeiro, observe a presença de adultos em luzes e armadilhas luminosas. É o melhor momento para mapear talhões infestados.
  • Preparo do solo e rotação: aração e gradagem expõem larvas e pupas a predadores e sol. Rotacionar cana com soja ou amendoim quebra o ciclo.
  • Controle biológico: fungos como Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae e nematoides entomopatogênicos são as ferramentas mais promissoras e usadas em programas da Embrapa.
  • Mudas sadias e época de plantio: usar material livre de larvas e plantar fora do pico de oviposição reduz infestação inicial.

Para pequenos produtores e hortas, a melhor prevenção é manter solo coberto, diversificar culturas e não deixar soqueiras velhas no terreno. Se houver suspeita de ataque (plantas amarelando e arrancando fácil), procure um engenheiro agrônomo ou a extensão rural local para diagnóstico correto antes de qualquer intervenção.

Característica Migdolus fryanus (broca-da-raiz típica) Sphenophorus levis (bicudo-da-cana)
Família Vesperidae Curculionidae
Adulto Besouro marrom peludo, 12-37 mm Besouro preto com bico, 12-15 mm
Larva Branca, cabeça marrom, até 40 mm Branca-amarelada, sem pernas, até 15 mm
Dano Galerias grandes em rizomas Galerias finas no rizoma, orifício pequeno

Perguntas frequentes

Broca-da-raiz é a mesma coisa que broca-da-cana?

Não. Broca-da-raiz (Migdolus fryanus) ataca raízes e vive no solo. Broca-da-cana (Diatraea saccharalis) é uma mariposa cuja lagarta fura o colmo da cana. São pragas diferentes.

Broca-da-raiz morde ou pica pessoas?

Não. A larva não tem ferrão e o adulto só morde se for muito apertado, sem força para machucar. Não é venenosa.

Como saber se minha plantação está com broca-da-raiz?

Plantas amareladas, falhas de brotação e touceiras que arrancam facilmente com a mão, com raízes ocas e com galerias, são sinais típicos. Confirme cavando ao redor da raiz.

Qual a época que a broca-da-raiz aparece?

Adultos aparecem na revoada de outubro a janeiro, após as primeiras chuvas. As larvas ficam ativas no solo o ano todo, mas causam mais dano na seca.

Como acabar com broca-da-raiz?

Não há eliminação rápida. O manejo integrado combina preparo do solo, rotação de culturas, armadilhas luminosas na revoada e controle biológico com fungos como Beauveria e Metarhizium, sempre com orientação agronômica.

Broca-da-raiz ataca horta doméstica?

Raramente. Ela prefere grandes cultivos de cana, mandioca e eucalipto. Em horta, danos em raízes são mais comumente causados por larvas de vaquinha ou corós.

Você sabia?

1

O adulto vive menos de duas semanas

Enquanto a larva pode ficar até 2 anos comendo raízes no solo, o besouro adulto vive apenas de 5 a 15 dias, tempo suficiente só para voar, acasalar e pôr ovos. Ele quase não se alimenta nessa fase.

2

Só sai do solo quando chove

A revoada de Migdolus fryanus é sincronizada com as primeiras chuvas fortes da primavera. Em noites úmidas de outubro a dezembro, milhares de besouros emergem ao mesmo tempo, atraídos por luz.

3

Fêmeas são bem maiores que machos

O dimorfismo é evidente: fêmeas chegam a 37 mm e têm abdômen volumoso para carregar ovos, enquanto machos raramente passam de 20 mm e são mais ágeis no voo.

4

Já foi confundida com broca-do-olho

Por ter nome parecido, muita gente confunde a broca-da-raiz com a broca-da-cana (Diatraea saccharalis), que ataca o colmo. São insetos totalmente diferentes, de famílias distintas e com manejos opostos.

Fontes

  1. Embrapa - Broca-da-raiz da cana-de-açúcar
  2. ESALQ/USP - Entomologia Agrícola
  3. GBIF - Migdolus fryanus

Prós e contras: Broca-da-raiz

Prós

  • Não oferece risco direto a humanos e pets
  • Fácil de monitorar na época de revoada com armadilhas de luz
  • Pode ser controlada com inimigos naturais sem uso pesado de químicos
  • Indica necessidade de rotação de culturas, o que melhora o solo a longo prazo

Contras

  • Larva causa dano severo e muitas vezes irreversível às raízes
  • Ciclo longo e subterrâneo torna o controle muito difícil
  • Uma larva por metro quadrado já gera prejuízo econômico em cana
  • Confundida com outras pragas, levando a tratamentos errados
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a broca-da-raiz é o exemplo clássico de praga invisível: o estrago acontece todo debaixo da terra e o produtor só percebe quando a planta já tombou. Justamente por isso, insistir em veneno de superfície é desperdício; o manejo mais inteligente é monitorar a revoada e investir em controle biológico e rotação de culturas.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

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Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.