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Broca-do-coleto

Eutinobothrus brasiliensis

Atualizado em

3 a 6 mm (adulto)Tamanho
Tecido do coleto e raizAlimentação
30 a 60 dias, metamorfose completaCiclo de vida
Lavouras, no solo e no coletoHabitat
Nenhum, não picaPerigo para humanos
Broca-do-coleto adulta Eutinobothrus brasiliensis em detalhe macro sobre coleto de algodão

A broca-do-coleto é um pequeno besouro da família Curculionidae, conhecido cientificamente como Eutinobothrus brasiliensis. Com apenas 3 a 6 mm, ela passa quase despercebida no campo, mas o estrago que faz no coleto — a região de transição entre raiz e caule — pode dizimar talhões inteiros de algodão e soja recém-germinados.

Diferente de lagartas que comem folhas, essa broca trabalha por dentro. A larva abre galerias no interior do caule, corta o fluxo de seiva e provoca o sintoma clássico de murcha súbita e tombamento da planta. Por viver escondida no solo e dentro da planta, é uma das pragas mais difíceis de detectar a tempo.

Também conhecido como: Broca-do-algodoeiro, Broca-da-raiz, Broca-do-coleto-da-soja, Coleto borer

Faz parte de: Insetos do Brasil, Pragas de Jardim

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Galeria de fotos de Broca-do-coleto

Broca-do-coleto adulta Eutinobothrus brasiliensis em detalhe macro sobre coleto de algodão
Adulto da broca-do-coleto, pequeno besouro acinzentado de 3 a 6 mm.
Close extremo da cabeça e antenas da broca-do-coleto
Detalhe do rostro curto e antenas geniculadas, típicas dos curculionídeos.
Larva branca em forma de C da broca-do-coleto dentro da galeria no coleto
Larva branca e ápodas dentro da galeria escavada no coleto.
Plântula de algodão murchando e tombando por ataque da broca-do-coleto no coleto
Sintoma clássico: murcha e tombamento da plântula com galeria no coleto.
Pupa da broca-do-coleto dentro da galeria no coleto
Pupa protegida por serragem dentro da própria galeria.
Broca-do-coleto comparada ao tamanho de folha para escala
Escala real do besouro, que cabe facilmente sobre uma folha jovem.

Perfil rápido de Broca-do-coleto

Calendário

Maior atividade de adultosJFMAMJJASOND
Postura e ataque a plântulasJFMAMJJASOND
Fase larval dentro da plantaJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica

Não pica, não morde e não possui veneno. Risco é exclusivamente agrícola.

Vida útil

Na natureza
Adulto vive 30 a 60 dias; ciclo completo de 45 a 90 dias conforme temperatura e umidade
Em laboratório
Até 80 dias como adulto com alimento e sem predadores

Reprodução

Metamorfose
Completa: ovo, larva (3 ínstares), pupa e adulto
Postura
40 a 80 ovos por fêmea, 1 a 3 ovos por planta em orifício no coleto
Incubação
4 a 8 dias para eclosão do ovo
Fase larval
15 a 30 dias escavando galeria interna no coleto e raiz
Pupa
7 a 12 dias dentro da galeria, protegida por serragem
Gerações
3 a 4 por safra em regiões quentes; pico na primavera e verão

Habitat

Ambientes

  • Interior do coleto e raiz pivotante de plântulas
  • Solo, palhada e torrões próximos à base da planta
  • Soqueiras e restos culturais de algodão e soja

Biomas

  • Cerrado
  • Mata Atlântica
  • Pampa

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Tecido interno do coleto e da raiz de algodoeiro

Outros alimentos

  • Soja, feijão, amendoim e plantas daninhas como guanxuma

Encontrado em 3 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Coleoptera
Família
Curculionidae
Gênero
Eutinobothrus
Espécie
Eutinobothrus brasiliensis

Resumo

  • A broca-do-coleto é o besouro Eutinobothrus brasiliensis, de 3 a 6 mm, que ataca o coleto de algodão, soja e outras culturas.
  • Sua larva abre galerias internas que interrompem a seiva, causam murcha, tombamento e morte de plântulas em poucos dias.
  • Não pica nem é venenosa para pessoas e pets, mas exige monitoramento precoce e manejo integrado na lavoura.

Características

Ficha do inseto

OrdemColeoptera
FamíliaCurculionidae
Origem e distribuiçãoAmérica do Sul; muito comum no Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil, Argentina e Paraguai
TamanhoAdulto: 3 a 6 mm; larva: até 7 mm
Coresmarrom-escurocinza-acastanhadopreto
Asas e vooPossui élitros; voo curto e baixo, prefere caminhar no solo
AlimentaçãoFitófaga; larva consome interior do coleto e raiz, adulto raspa casca
MetamorfoseCompleta (ovo, larva, pupa e adulto)
Expectativa de vidaAdulto 30 a 60 dias; ciclo total 45 a 90 dias conforme temperatura
HabitatSolo e base do caule de plantas jovens, principalmente algodão e soja
Comportamento socialSolitário, larvas isoladas dentro de galerias individuais
Principais predadoresFungos Beauveria bassiana, formigas predadoras, besouros carabídeos e nematoides

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
Importância para o ecossistemaBaixo
Presença em casasMuito baixo
Benefício para a agriculturaMuito baixo
Dano às plantasMuito alto
Vida em grupoBaixo

Como identificar a broca-do-coleto sem confundir com bicudo

A broca-do-coleto adulta é um besourinho de 3 a 6 mm, de corpo oval e robusto, coberto por escamas finas que dão aspecto acinzentado sobre fundo marrom-escuro. O rostro curto e largo, típico dos curculionídeos, e as antenas geniculadas são as marcas para não confundir com outros besouros.

A larva é bem diferente: branca, ápodas, em forma de C, com cabeça marrom-clara e até 7 mm quando totalmente desenvolvida. Ela fica sempre dentro da galeria, nunca exposta na folha.

O erro mais comum é confundir com o bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis). O bicudo tem bico mais longo e ataca botões florais; a broca-do-coleto tem bico mais curto e ataca a base do caule, rente ao solo. Se a planta jovem murcha e quebra facilmente no coleto, com serragem fina e galeria escura por dentro, é broca-do-coleto.

Onde vive e por que ataca justamente o coleto

Na prática, a broca vive no solo e nos restos culturais da safra anterior. Adultos se abrigam sob torrões, palhada e soqueiras de algodão, esperando a próxima semeadura.

Sua distribuição concentra-se no Cerrado e na Mata Atlântica agrícola, com maior pressão no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo, Paraná e também no Paraguai e norte da Argentina. É praga de clima quente e úmido, favorecida por plantio direto com muita palha.

O coleto é o ponto mais vulnerável da plântula: tecido tenro, rico em seiva e próximo ao solo onde o inseto já está. Ao perfurar ali, a larva garante alimento e proteção contra predadores e dessecação.

O que a broca-do-coleto come e quais culturas mais sofrem

A dieta é estritamente vegetal. O adulto faz raspagens superficiais na casca do coleto para se alimentar e para fazer a postura. O dano econômico real vem da larva, que consome o interior do caule e da raiz pivotante.

  • Algodão: hospedeiro preferencial. Ataques em plântulas de 5 a 30 dias podem matar mais de 50% do estande.
  • Soja: segundo hospedeiro mais importante, sobretudo em sucessão algodão-soja.
  • Outros hospedeiros: feijão, amendoim e plantas daninhas como guanxuma e caruru, que mantêm a praga na entressafra.

Plantas atacadas mostram engrossamento no coleto, galeria escura com excrementos e fibras roídas. Externamente, a folha amarelece, murcha ao meio-dia mesmo com solo úmido e depois tomba.

Ciclo de vida e reprodução: da postura à galeria

A broca tem metamorfose completa e ciclo dependente da temperatura. Em média, leva 45 a 90 dias de ovo a adulto.

A fêmea deposita 1 a 3 ovos por planta, isoladamente, em pequenos orifícios que ela mesma abre no coleto. Cada fêmea põe de 40 a 80 ovos ao longo da vida. O ovo é minúsculo, branco-amarelado e eclode em 4 a 8 dias.

A larva penetra imediatamente e passa 15 a 30 dias escavando a galeria. São 3 ínstares larvais. Ao final, empupa dentro da própria galeria, protegida por serragem. A pupa, branco-amarelada, dura 7 a 12 dias. O adulto emerge, sai pelo orifício e reinicia o ciclo. Pode haver 3 a 4 gerações por safra em regiões quentes.

Comportamento: voo curto, vida escondida e defesa

É um inseto discreto e pouco móvel. Adultos voam pouco, em voos baixos e curtos ao entardecer, e preferem caminhar pelo solo. Durante o dia ficam escondidos sob torrões.

Quando perturbado, o adulto pratica tanatose: recolhe pernas e rostro e finge-se de morto por alguns segundos, o que dificulta a catação manual. Não forma colônias; cada larva ocupa uma galeria individual.

A dispersão entre talhões ocorre principalmente por transporte de solo, máquinas e mudas, e pelo voo curto de adultos na bordadura. Por isso a rotação de áreas e a limpeza de equipamentos são tão importantes.

Pica, morde ou é venenosa? Riscos para pessoas e pets

Não pica, não morde e não possui veneno. A broca-do-coleto é inofensiva para humanos, cachorros, gatos e pássaros. Não transmite doenças e não causa alergia.

O contato acidental, mesmo se um cachorro cavar e ingerir solo com larvas, não oferece risco toxicológico. O único perigo é indireto: o uso excessivo de inseticidas para controlá-la pode contaminar ambiente e afetar polinizadores.

Se encontrar o besouro em casa, basta devolvê-lo para fora. Não há necessidade de atendimento médico ou veterinário por causa do inseto em si.

É praga ou tem algum benefício? Papel no ecossistema

Na agricultura, é praga primária e de difícil controle. Por atacar na fase de plântula, quando a planta não tem como se recuperar, pequenas populações já causam falha de estande e necessidade de replantio.

No ecossistema natural, seu papel é secundário como decompositor de tecidos vegetais e como presa para fungos entomopatogênicos e predadores de solo. Não é polinizadora e não tem importância como alimento para aves em larga escala.

Na nossa avaliação, o saldo é claramente negativo para sistemas produtivos e neutro para ambientes naturais preservados. Não há motivo para preservá-la em lavouras, mas também não faz sentido tentar erradicá-la regionalmente — o manejo visa manter a população abaixo do nível de dano.

Como monitorar e controlar sem envenenar polinizadores

O controle começa antes do plantio. Destruição de soqueiras e restos de algodão logo após a colheita quebra o ciclo e é a medida mais eficaz recomendada pela Embrapa.

  • Monitoramento: a partir da emergência, arranque 5 a 10 plântulas murchas por talhão e abra o coleto longitudinalmente. Presença de galeria e larva confirma o ataque. Armadilhas de solo com isca também ajudam.
  • Manejo cultural: rotação com gramíneas (milho, sorgo), manejo de plantas daninhas hospedeiras e plantio em época que evite coincidir pico de adultos com plântulas.
  • Controle biológico: fungos como Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae e nematoides entomopatogênicos têm mostrado eficiência sobre larvas e adultos no solo.
  • Controle químico: quando necessário, use apenas produtos registrados para a cultura e com tratamento de sementes ou jato dirigido ao coleto, sempre com receituário agronômico. Evite pulverização aérea ampla que atinge abelhas.

Evite a ideia de aplicar inseticida preventivo sem monitoramento. Isso seleciona resistência e mata inimigos naturais. O manejo integrado de pragas (MIP) é a abordagem que realmente reduz prejuízo a longo prazo.

Curiosidades e erros comuns ao lidar com a broca

Um erro clássico é achar que a murcha é falta d’água ou doença fúngica como damping-off. Agricultores chegam a irrigar mais, o que só favorece o fungo e não resolve a galeria interna. Abrir o coleto é o diagnóstico definitivo.

Outro mito é que a broca ataca plantas adultas. Ela até pode ser encontrada em plantas maiores, mas o dano letal ocorre quase exclusivamente até 30-40 dias após a emergência. Depois que o caule lignifica, a larva tem dificuldade de progredir.

Por ser tão pequena, muita gente subestima o prejuízo. Uma única larva por planta já é suficiente para matá-la, e como a postura é dispersa, o ataque parece aleatório no talhão, com falhas em reboleiras que são confundidas com falha de germinação.

Perguntas frequentes

Broca-do-coleto pica pessoas ou cachorros?

Não. Ela não pica, não morde e não tem veneno. É inofensiva para pessoas e pets; o dano é apenas em plantas.

Como saber se a murcha é broca-do-coleto e não falta d'água?

Arranque a planta murcha e abra o coleto no sentido do comprimento. Se houver galeria escura com serragem e larva branca em forma de C, é broca.

Quais culturas a broca-do-coleto mais ataca?

Principalmente algodão e soja, mas também pode atacar feijão, amendoim e plantas daninhas que servem de ponte na entressafra.

Quando a broca-do-coleto ataca?

Do plantio até cerca de 30 a 40 dias após a emergência, quando o coleto ainda é tenro. Depois o caule lignifica e o dano diminui.

Como controlar sem prejudicar abelhas?

Priorize manejo cultural (destruir soqueiras, rotação com milho/sorgo) e controle biológico com Beauveria. Se precisar de químico, use tratamento de sementes ou jato no coleto com receituário.

Uma planta atacada se recupera?

Raramente. Quando a galeria interrompe a seiva, a plântula tomba e morre. O foco deve ser evitar novas infestações e corrigir falhas de estande.

Você sabia?

1

Finge-se de morta

O adulto pratica tanatose quando tocado: encolhe as pernas e fica imóvel por segundos, estratégia que confunde predadores e dificulta a coleta manual no campo.

2

Galeria com assinatura

A galeria da larva tem formato irregular e é preenchida com serragem escura e excrementos compactados, diferente da galeria limpa de outras brocas, o que ajuda no diagnóstico.

3

Praga de entressafra

Pode sobreviver meses em soqueiras de algodão e em plantas daninhas como guanxuma, por isso a destruição de restos culturais é mais importante que qualquer pulverização.

4

Uma larva, uma planta

Basta uma única larva no coleto para interromper totalmente o fluxo de seiva e matar a plântula, o que explica perdas de estande mesmo com baixa infestação.

Fontes

  1. Embrapa Algodão
  2. GBIF - Eutinobothrus brasiliensis
  3. ESALQ/USP - Entomologia Agrícola

Prós e contras: Broca-do-coleto

Prós

  • Indica falhas de manejo que podem ser corrigidas com rotação e limpeza de restos culturais
  • Serve de hospedeiro para fungos entomopatogênicos úteis em controle biológico
  • Ciclo bem estudado, o que facilita monitoramento nos primeiros 30 dias
  • Não oferece risco à saúde humana ou de animais domésticos

Contras

  • Mata plântulas com apenas uma larva por planta, causando falha de estande
  • Vive escondida dentro do coleto, dificultando detecção precoce
  • Sobrevive em soqueiras e plantas daninhas na entressafra
  • Pode exigir replantio e aumenta custo de produção em algodão e soja
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a broca-do-coleto é o exemplo clássico de praga pequena com dano desproporcional: invisível até a planta tombar. O controle mais inteligente não é pulverizar mais, e sim destruir soqueiras e monitorar o coleto nos primeiros 30 dias.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

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Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.