Resumo
- Besouros são coleópteros reconhecidos pelos élitros rígidos que protegem as asas membranosas e representam cerca de 40% de todos os insetos descritos.
- No Brasil ocorrem em todos os biomas, com dieta extremamente variada que vai de folhas e pólen a outros insetos, esterco e madeira.
- A maioria não morde nem é venenosa, mas algumas espécies são pragas agrícolas ou domésticas e outras são aliadas essenciais na polinização e decomposição.
Características
Ficha do inseto
| Ordem | Coleoptera |
|---|---|
| Família | Mais de 170 famílias (ex.: Scarabaeidae, Chrysomelidae, Curculionidae, Cerambycidae) |
| Origem e distribuição | Cosmopolita; presente em todos os continentes exceto Antártica, muito diverso no Brasil |
| Tamanho | 1 mm a 170 mm; maioria entre 5 e 30 mm |
| Cores | pretomarromverde-metálicoazulvermelhoamarelolaranjacom ou sem manchas |
| Asas e voo | Élitros rígidos + asas membranosas dobradas por baixo; voo varia de ágil a desajeitado |
| Alimentação | Fitófaga, predadora, detritívora, micófaga ou necrófaga conforme a espécie |
| Metamorfose | Completa (holometábola: ovo > larva > pupa > adulto) |
| Expectativa de vida | Semanas a 2–3 anos como adulto; larvas podem viver meses a anos |
| Habitat | Solo, folhagem, troncos, flores, água doce, esterco e interior de residências |
| Comportamento social | Predominantemente solitário; agregações temporárias em luz ou alimento |
| Principais predadores | Pássaros, morcegos, lagartos, anfíbios, aranhas e outros insetos |
Perfil e comportamento
| Periculosidade para pessoas | Muito baixo |
|---|---|
| Importância para o ecossistema | Muito alto |
| Presença em casas | Médio |
| Benefício para a agricultura | Alto |
| Dano às plantas | Médio |
| Vida em grupo | Baixo |
Como identificar um besouro de verdade
Todo besouro tem três segmentos bem marcados: cabeça, tórax e abdômen, seis pernas e um par de antenas. O que realmente o distingue de percevejos, baratas e moscas são os élitros, as asas anteriores endurecidas que se encontram no meio das costas formando uma linha reta.
Quando pousado, o besouro parece usar uma capinha brilhante. Por baixo dela ficam dobradas as asas membranosas de voo. Percevejos também têm asas duras na base, mas em forma de X, e baratas têm élitros mais coriáceos e corpo achatado.
As antenas entregam a família. Besouros escarabeídeos têm antenas em forma de leque, cerambicídeos (serra-paus) têm antenas muito mais longas que o corpo, e crisomelídeos têm antenas curtas e filiformes. O aparelho bucal é sempre mastigador, nunca sugador.
Outro erro comum é chamar qualquer bicho redondinho de besouro. Joaninhas são besouros, assim como carunchos, vaquinhas e rola-bostas. Já percevejo-fedido, cigarra e barata não são, mesmo que pareçam.
Onde vive o besouro e onde é mais comum no Brasil
Besouro ocorre em todos os biomas brasileiros, da Amazônia à Caatinga, do Cerrado ao Pampa e à Mata Atlântica. É o grupo de insetos com maior ocupação de nichos: solo, copa das árvores, flores, troncos em decomposição, esterco, carcaças e até água doce.
Na prática, você encontra besouros diferentes em cada ambiente. No solo e em esterco, os Scarabaeidae; nas folhas, os Chrysomelidae (vaquinhas); nos troncos, os Cerambycidae; nos grãos armazenados, os Curculionidae (carunchos); e atraídos por luz à noite, muitos besouros-marrom.
A maior diversidade está em florestas úmidas e quentes, mas áreas agrícolas e urbanas também concentram espécies. Luz branca e amarela durante a primavera e o verão aumenta muito a presença dentro de casas.
| Ambiente | Quem você costuma ver | Pista de identificação |
|---|---|---|
| Jardim e horta | Joaninha, vaquinha, besouro-metálico | Cor viva, tamanho 5–12 mm, sobre folhas e flores |
| Tronco e madeira | Serra-pau, broca | Corpo alongado, antenas longas, faz galerias |
| Despensa | Caruncho, besouro-castanho | 2–4 mm, marrom, dentro de farinha, feijão ou arroz |
| Luz noturna | Besouro-marrom, besouro-rinoceronte | Atração forte por luz, voo barulhento |
O que o besouro come: nem todo besouro é igual
Não existe uma dieta única. A ordem inteira inclui fitófagos, predadores, detritívoros, micófagos e necrófagos. Essa versatilidade explica por que alguns são praga e outros são aliados.
Fitófagos comem folhas, pólen, néctar, frutos, raízes e madeira. Vaquinhas e larvas de besouro-japonês raspam folhas; brocas perfuram troncos; carunchos se desenvolvem dentro de sementes. Já os predadores, como joaninhas e besouros-tigre, caçam pulgões, lagartas e outros insetos.
Detritívoros e coprófagos são fundamentais para o solo. Rola-bostas enterram esterco, arejam a terra e reduzem moscas e parasitas. Besouros que vivem em madeira morta aceleram a decomposição e liberam nutrientes.
- Folhas e flores: vaquinhas, besouros-verdes, cantáridas
- Madeira e raízes: serra-paus, larva-arame, larva-angorá
- Outros insetos: joaninhas, carabídeos, estafilinídeos
- Esterco e matéria em decomposição: rola-bostas, necróforos
- Grãos armazenados: caruncho-do-feijão, caruncho-do-arroz
Ciclo de vida e metamorfose completa
Todo besouro faz metamorfose completa: ovo, larva, pupa e adulto. É por isso que a larva não se parece em nada com o adulto e muitas vezes é ela quem causa o maior dano.
A fêmea põe ovos em local com alimento para a larva: solo, folha, dentro de semente, sob casca ou em esterco. As larvas variam de vermiformes e brancas (corós de solo) a achatadas e com pernas (larvas de joaninha). Elas se alimentam intensamente, trocam de pele várias vezes e depois viram pupa.
A pupa é imóvel e não se alimenta. Dentro dela o corpo é todo reorganizado. Depois emerge o adulto com élitros e asas formadas. Em espécies pequenas o ciclo fecha em 3 a 6 semanas; em besouros grandes pode levar 1 a 3 anos, com a maior parte da vida passada como larva dentro de madeira ou solo.
Sazonalidade no Brasil é marcada. A maioria dos adultos aparece na estação quente e chuvosa, de outubro a março, quando há mais folhas, flores e umidade para ovos e larvas. No inverno a atividade cai e muitos entram em dormência no solo.
Como o besouro se comporta, voa e se defende
O voo do besouro é característico: ele levanta os élitros como portas e desenrola as asas membranosas por baixo. Por isso o voo costuma ser barulhento e pouco manobrável, diferente de moscas e abelhas.
São quase todos solitários. Agregações acontecem por atração à luz, alimento abundante ou feromônio de acasalamento, não por vida em colônia. Durante o dia muitos ficam escondidos sob folhas, cascas ou enterrados.
As defesas são variadas e eficazes. A mais comum é a tanatose, se fingir de morto e cair no chão. Outros liberam odores fortes, líquidos amarelados irritantes ou substâncias químicas.
- Besouro-bombardeiro (Brachinus): ejeta jato quente a cerca de 100 °C com benzoquinonas, produzindo estalo audível.
- Cantarídeos e potós (Paederus): liberam cantaridina e pederina, que causam bolhas e queimadura química na pele, sem precisar morder.
- Besouro-rinoceronte e serra-pau: usam chifres e mandíbulas para briga entre machos e podem dar beliscão dolorido se manuseados.
Besouro morde, pica ou é venenoso? Riscos para pessoas e pets
A grande maioria não morde, não pica e não é venenosa. Besouros não têm ferrão e não inoculam veneno como abelhas ou escorpiões. O risco real vem de poucos grupos e de contato com substâncias químicas.
Mordidas acontecem por defesa quando o inseto é apertado na mão. Serra-paus e besouros-rinoceronte podem beliscar com as mandíbulas, causando dor local sem gravidade. Não há transmissão de doença por essa mordida.
O problema maior é a queimadura química. Se você esmagar um potó (Paederus) sobre a pele, a pederina causa dermatite linear com bolhas e ardor que dura dias. Cantáridas com cantaridina fazem o mesmo. Ingestão acidental por cachorro ou gato pode causar salivação, vômito e irritação na boca.
Para tutores, a orientação é simples: não esmague besouros sobre a pele, assopre ou use papel para retirar, lave a área com água e sabão e procure atendimento médico se houver bolhas extensas, dor nos olhos ou reação alérgica. Em caso de ingestão por pet, observe e contate o veterinário.
Besouro é praga ou aliado? Papel no ecossistema e na agricultura
Os dois. Cerca de um terço das espécies tem impacto agrícola, mas o saldo ecológico dos besouros é fortemente positivo. Sem eles, teríamos acúmulo de esterco, madeira morta e surtos de pulgões.
Como aliados, destacam-se três papéis. Polinização: besouros visitam flores de antúrio, magnólia, anonáceas e palmeiras, algumas dependentes deles. Controle biológico: uma joaninha consome até 5 mil pulgões na vida. Reciclagem: rola-bostas enterram toneladas de esterco por hectare ao ano, fertilizando e descompactando o solo.
Como pragas, os prejuízos são concentrados. Larvas de solo (corós) comem raízes de milho e pastagem, vaquinhas desfolham soja e feijão, brocas matam árvores e carunchos destroem grãos armazenados, com perdas que podem passar de 20% se não houver manejo.
Na nossa avaliação, o erro mais comum é tratar todo besouro como praga e aplicar inseticida de amplo espectro. Isso mata joaninhas e polinizadores e piora o problema na safra seguinte. Manejo integrado funciona melhor.
Como conviver e controlar besouros sem acabar com os polinizadores
Em casa, controle começa na prevenção. Telhas em janelas, luz amarela ou quente do lado externo e vedação de frestas reduzem a entrada de besouros noturnos. Para carunchos, guarde farinhas, arroz e feijão em potes herméticos e descarte pacotes infestados fora de casa.
Na horta e no jardim, prefira medidas culturais e mecânicas. Catação manual de vaquinhas ao entardecer, rotação de culturas, cobertura morta e incentivo a inimigos naturais como joaninhas e pássaros mantêm a população baixa. Armadilhas luminosas ajudam a monitorar, não a eliminar tudo.
Se precisar intervir, escolha manejo integrado de pragas (MIP): identifique a espécie, estime o nível de dano e use métodos seletivos. Evite pulverização preventiva em floração, aplique no fim da tarde e preserve faixas de vegetação nativa. Para infestações grandes em lavoura ou madeira, busque orientação técnica da Embrapa ou agrônomo local. Não recomendamos marcas ou doses de inseticida aqui.
Curiosidades que pouca gente sabe sobre besouros
Besouros são recordistas. O besouro-rinoceronte consegue carregar até 850 vezes o próprio peso, o maior desempenho relativo entre animais. O besouro-golias africano tem larvas de até 100 g, mais pesadas que muitos pássaros adultos.
Eles também dominam em números. Com cerca de 400 mil espécies descritas, um em cada quatro animais conhecidos é um besouro. No Brasil já são mais de 30 mil espécies catalogadas e estima-se que muitas ainda não foram descritas na Amazônia.
Outra curiosidade é a luz. Nem todo besouro que brilha é vagalume, mas todo vagalume é um besouro da família Lampyridae. A bioluminescência serve para atração sexual e aviso de gosto ruim a predadores.
Perguntas frequentes
Besouro morde ou pica?
A maioria não morde nem pica. Alguns podem beliscar se apertados (serra-pau, rinoceronte) e poucos causam queimadura química se esmagados na pele, mas não têm ferrão nem inoculam veneno.
Besouro dentro de casa é perigoso?
Geralmente não. São atraídos por luz e entram por frestas. Retire com papel sem esmagar, vede frestas e use luz amarela externa. Carunchos em alimentos devem ser descartados e os potes bem vedados.
Qual a diferença entre besouro e barata?
Besouro tem élitros rígidos que se encontram em linha reta nas costas e corpo mais compacto. Barata tem corpo achatado, antenas muito longas e élitros coriáceos que deixam parte do abdômen visível.
Quanto tempo vive um besouro?
Depende da espécie: adultos de vaquinhas e carunchos vivem semanas a meses; besouros maiores podem viver 1 a 3 anos. A fase de larva costuma ser mais longa que a de adulto.
Besouro é praga?
Alguns são, como vaquinhas, corós e carunchos. Outros são benéficos, como joaninhas que comem pulgões e rola-bostas que fertilizam o solo. Identificar a espécie evita controle desnecessário.
Como acabar com besouro sem matar joaninha?
Use manejo integrado: catação manual, rotação de culturas, potes herméticos e controle seletivo. Evite inseticida de amplo espectro na floração e preserve inimigos naturais.
Vagalume é besouro?
Sim. Vagalumes são besouros da família Lampyridae. A luz que emitem é bioluminescência usada para acasalamento e defesa.
Você sabia?
O animal mais diverso do planeta
Um em cada quatro espécies animais descritas é um besouro. A ordem Coleoptera tem cerca de 400 mil espécies válidas, mais que todas as plantas juntas.
Bombardeio químico a 100 °C
O besouro-bombardeiro mistura hidroquinona e peróxido em uma câmara abdominal e ejeta um jato quente e estalante que queima predadores sem se queimar.
Força desproporcional
O besouro-rinoceronte (Dynastes hercules) pode levantar até 850 vezes seu peso. Se fosse humano, equivaleria a carregar vários caminhões.
Vagalume é besouro
Vagalumes não são moscas, são besouros da família Lampyridae. A luz fria que emitem vem de reação química no abdômen e serve para acasalamento.










