🐛 Insetos

Tamanduá-da-soja

Sternechus subsignatus

Atualizado em

7 a 8 mm de comprimentoTamanho
Fitófago, hastes de sojaAlimentação
40 a 70 dias, metamorfose completaCiclo de vida
Lavouras de soja, solo com palhadaHabitat
Inofensivo, não picaPerigo para humanos
Tamanduá-da-soja adulto sobre haste de soja, vista macro de corpo inteiro

O tamanduá-da-soja (Sternechus subsignatus) é um besouro da família Curculionidae, considerado uma das principais pragas da soja no Sul do Brasil, Argentina e Paraguai. Apesar do nome, não tem relação com o mamífero tamanduá — o apelido vem do focinho alongado típico dos bicudos.

Ele mede apenas 7 a 8 mm, mas causa prejuízo desproporcional: o adulto raspa e anela a haste da soja e a larva se desenvolve dentro dela, interrompendo o fluxo de seiva e matando a planta. É inofensivo para pessoas e pets, mas exige manejo atento na lavoura.

Também conhecido como: Tamanduá-da-soja, Bicudo-da-soja, Bicudo da soja, Sternechus da soja

Faz parte de: Insetos do Brasil, Insetos Voadores, Pragas de Jardim

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Galeria de fotos de Tamanduá-da-soja

Tamanduá-da-soja adulto sobre haste de soja, vista macro de corpo inteiro
Adulto do tamanduá-da-soja sobre haste de soja, com rostro alongado característico.
Close extremo da cabeça e rostro do tamanduá-da-soja
Detalhe do rostro e antenas geniculadas do tamanduá-da-soja.
Tamanduá-da-soja com asas abertas sobre folha de soja
Tamanduá-da-soja com élitros abertos exibindo as asas membranosas.
Larva do tamanduá-da-soja dentro da haste de soja
Larva em forma de C dentro da galeria na haste de soja.
Lavoura de soja jovem com planta atacada pelo tamanduá-da-soja
Planta de soja murcha e anelada pelo ataque do tamanduá-da-soja.
Tamanduá-da-soja fingindo de morto sobre o solo com palhada
Adulto em tanatose, imóvel sobre o solo com palhada.

Perfil rápido de Tamanduá-da-soja

Calendário

Emergência e atividade de adultosJFMAMJJASOND
Postura e larvas na hasteJFMAMJJASOND
Pupas no soloJFMAMJJASOND
Diapausa / hibernação no soloJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica

Não pica, não morde e não possui veneno; risco apenas agrícola.

Vida útil

Na natureza
Adulto vive 30 a 50 dias; ciclo ovo-adulto 40 a 70 dias conforme temperatura

Reprodução

Metamorfose
Completa: ovo, larva, pupa e adulto
Postura
1 ovo por anel na haste de soja, 20 a 30 ovos por fêmea
Incubação
4 a 7 dias até eclosão da larva
Desenvolvimento larval
15 a 25 dias dentro da haste, 4 ínstares
Pupa
10 a 15 dias em câmara subterrânea a 5-10 cm de profundidade
Sazonalidade
Pico de adultos de outubro a fevereiro, diapausa na entressafra

Habitat

Ambientes

  • Lavouras de soja em estádio vegetativo
  • Solo com palhada e resteva de soja onde hiberna
  • Bordas de talhões e áreas com rotação soja-milho

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Pampa
  • Cerrado

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Hastes, pecíolos e brotos de soja (Glycine max)

Outros alimentos

  • Feijão, lab-lab e outras Fabaceae em menor escala

Encontrado em 5 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Uruguai
  • Bolívia

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Coleoptera
Família
Curculionidae
Gênero
Sternechus
Espécie
Sternechus subsignatus

Resumo

  • O tamanduá-da-soja é um besouro bicudo de 7 a 8 mm que ataca exclusivamente lavouras de soja e outras fabáceas, anelando hastes.
  • Sua larva amarelada se desenvolve dentro da haste e o adulto hiberna no solo, com pico de atividade entre outubro e fevereiro no Brasil.
  • Não pica, não é venenoso e não oferece risco a pessoas ou pets, mas é uma praga agrícola que pode causar morte de plantas e falhas no estande.

Características

Ficha do inseto

OrdemColeoptera
FamíliaCurculionidae
Origem e distribuiçãoAmérica do Sul; Brasil (Sul, Sudeste e Centro-Oeste), Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia
Tamanho7 a 8 mm de comprimento, 3 a 4 mm de largura
Corespretocastanho-escuromanchas amarelo-acinzentadas de escamas
Asas e vooPossui asas membranosas sob os élitros, voo curto e baixo, prefere caminhar
AlimentaçãoFitófago; hastes, pecíolos e brotos de soja (Glycine max)
MetamorfoseCompleta (ovo > larva > pupa > adulto)
Expectativa de vidaAdulto 30 a 50 dias; ciclo total 40 a 70 dias
HabitatLavouras de soja, solo com resteva e palhada onde hiberna
Comportamento socialSolitário, agregação apenas em áreas de hibernação
Principais predadoresFungos entomopatogênicos (Beauveria, Metarhizium), besouros carabídeos, aves e vespas parasitoides

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
Importância para o ecossistemaBaixo
Presença em casasMuito baixo
Benefício para a agriculturaMuito baixo
Dano às plantasMuito alto
Vida em grupoBaixo

Como identificar o tamanduá-da-soja sem confundir com outros bicudos

O tamanduá-da-soja é um besouro bicudo preto com manchas amareladas, de corpo oval e robusto, com 7 a 8 mm. O que mais chama atenção é o rostro alongado e curvado para baixo, como uma pequena tromba, que lhe deu o nome popular.

Os élitros (asas duras) são pretos e cobertos por escamas amarelo-acinzentadas que formam faixas irregulares. Com o tempo e o desgaste, essas escamas caem e o inseto parece mais preto e liso, o que confunde muita gente.

Para não confundir com o bicudo-da-soja menor (Promecops) ou com carunchos de grãos armazenados, observe três detalhes: tamanho maior, rostro bem evidente e comportamento de se fingir de morto. Quando tocado, ele recolhe as pernas e cai no solo, imóvel.

  • Antenas geniculadas (dobradas como cotovelo) inseridas no meio do rostro, típicas de Curculionidae.
  • Pernas com espinhos e fêmures mais grossos, adaptados para escalar hastes.
  • Larva bem diferente do adulto: branca-amarelada, ápodas (sem pernas), em forma de C, com cabeça castanha, encontrada sempre dentro da haste.

Onde vive e por que só aparece na lavoura de soja

No Brasil, o tamanduá-da-soja ocorre principalmente no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e sul de São Paulo, avançando para o Cerrado com a expansão da soja. Fora do país, é praga importante na Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia.

Ele não vive em casas, jardins urbanos ou matas fechadas. Seu habitat é agroecossistema de soja: lavoura em crescimento e, na entressafra, o solo sob palhada onde hiberna. Passa até 7 meses enterrado a poucos centímetros de profundidade.

A distribuição segue o calendário da soja. Adultos saem da hibernação com as primeiras chuvas e o preparo do solo, entre outubro e novembro. Se não houver soja, a população despenca, pois ele depende de fabáceas para completar o ciclo.

O que o tamanduá-da-soja come e como ataca a planta

É um inseto oligófago, quase exclusivo de soja (Glycine max). Em menor escala pode atacar feijão, lab-lab e outras leguminosas, mas o dano econômico relevante é só em soja.

O adulto se alimenta raspando a haste principal, os pecíolos e a base dos brotos. O dano mais grave não é a raspagem em si, mas o anelamento: ele faz um corte circular ao redor da haste para depositar o ovo, interrompendo vasos de seiva.

A larva, ao eclodir, perfura e consome o interior da haste de cima para baixo, formando uma galeria. A planta murcha, tomba com vento e morre. Uma única larva por planta já é suficiente para causar a morte em estádios iniciais (V1 a V4).

Sinais na lavoura que denunciam o ataque

  • Hastes com anel escuro e estreitamento a 5-15 cm do solo, com pequeno orifício de postura.
  • Plantas murchas e quebradiças mesmo com umidade adequada no solo.
  • Haste oca ao ser aberta, com serragem fina e larva em C no interior.
  • Falhas no estande em reboleiras, não em toda a área de forma homogênea.

Ciclo de vida completo: do ovo à fase adulta

O ciclo é de metamorfose completa e dura 40 a 70 dias, dependendo da temperatura. Em regiões mais quentes o desenvolvimento acelera.

A fêmea faz um anel na haste e deposita 1 ovo por orifício, raramente 2, protegido por uma secreção. Cada fêmea põe em média 20 a 30 ovos ao longo da vida. O ovo é minúsculo, branco-amarelado e eclode em 4 a 7 dias.

A larva passa por 4 ínstares dentro da haste por 15 a 25 dias, alimentando-se internamente. Quando madura, sai da haste, cai no solo e empupa em câmara subterrânea a 5-10 cm de profundidade.

A pupa é branca, imóvel, e dura 10 a 15 dias. O novo adulto emerge no solo, mas pode entrar em diapausa hibernal se for fim de safra, permanecendo enterrado até a próxima primavera. Essa capacidade de hibernar é o que torna o controle difícil.

Fase Duração média Onde fica
Ovo 4 a 7 dias Dentro da haste, no anel
Larva 15 a 25 dias Galeria interna da haste
Pupa 10 a 15 dias Câmara no solo
Adulto ativo 30 a 50 dias Sobre a planta e no solo

Comportamento: voo curto, queda e tanatose

O tamanduá-da-soja voa pouco e mal. Prefere caminhar entre plantas e só faz voos curtos e baixos quando perturbado ou para dispersar entre talhões. Por isso a infestação começa nas bordas da lavoura.

Sua defesa mais marcante é a tanatose: ao sentir vibração, ele se encolhe e se deixa cair, ficando imóvel entre torrões e palha. Essa estratégia dificulta a contagem em campo e faz o produtor subestimar a infestação.

É um inseto diurno, mais ativo nas horas mais quentes do dia. Não forma colônias ou grupos organizados, mas pode haver agregação de adultos hibernantes em áreas com muita palhada, onde dezenas se concentram no mesmo local.

Pica, morde ou é venenoso? Risco para pessoas e pets

Não pica, não morde, não tem ferrão e não possui veneno. O rostro serve apenas para perfurar tecido vegetal e se alimentar. O contato acidental com pele não causa dor, alergia ou intoxicação.

Para cachorros, gatos e outros pets, a ingestão acidental não é tóxica. O único risco seria engasgo se o pet tentar comer um besouro, mas sem gravidade. Não há registro de reações alérgicas relevantes.

A confusão vem do nome tamanduá e do aspecto de besouro escuro, que leva alguns a acharem que é barbeiro ou percevejo. Não é. Se encontrar um em casa durante a entressafra, basta coletar com papel e soltar fora. Não precisa de dedetização.

É praga ou tem algum benefício? Impacto econômico

Na nossa avaliação, o tamanduá-da-soja é 100% praga agrícola, sem benefício direto como polinizador ou predador. Seu papel no ecossistema natural seria controlar fabáceas nativas, mas em monocultura de soja o equilíbrio se perde.

O prejuízo vem da morte de plantas jovens e da redução do estande. Níveis de 1 a 2 adultos por metro linear já podem exigir controle, pois cada fêmea danifica várias plantas. Em áreas sem manejo, perdas de 30% a 50% do estande em reboleiras são relatadas pela Embrapa.

Diferente de lagartas desfolhadoras, o dano é irreversível: a planta anelada não se recupera. Além disso, a haste atacada fica frágil e quebra com vento, facilitando entrada de fungos.

Como lidar e fazer o manejo sem veneno desnecessário

Por hibernar no solo e ter a larva protegida dentro da haste, o tamanduá-da-soja não é controlado só com pulverização na parte aérea. O manejo integrado é mais eficaz e evita uso desnecessário de inseticida.

  • Monitoramento precoce: a partir da emergência da soja, bata o pano de batida e observe hastes com anel. Procure adultos no solo sob palha nas bordas.
  • Rotação de culturas: milho, trigo ou aveia na entressafra quebram o ciclo, pois o inseto não se alimenta dessas gramíneas.
  • Manejo da palhada: incorporação leve da resteva expõe pupas e adultos hibernantes a predadores e ao sol.
  • Época de semeadura: semeaduras muito precoces coincidem com pico de emergência dos adultos hibernantes; escalonar pode reduzir pressão.
  • Controle biológico: fungos como Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae têm eficácia sobre adultos no solo, e parasitoides de ovos ajudam naturalmente.

Quando o nível de ação é atingido, o controle químico deve ser localizado e com orientação agronômica, priorizando produtos seletivos e aplicação nas horas de maior atividade do adulto. Nunca aplique por calendário sem monitoramento.

Curiosidades e erros comuns ao falar do tamanduá-da-soja

Um erro comum é achar que o dano é de formiga ou de lagarta-rosca. A diferença é que o tamanduá deixa o anel característico e a haste oca com serragem, enquanto lagartas cortam rente ao solo e formigas carregam folhas.

Outro mito é que ele ataca grãos armazenados. Não ataca. Adultos e larvas só vivem em planta viva ou no solo; não infestam silos ou paióis.

Curiosidade de campo: produtores antigos chamavam a praga de “bicudo que derruba soja” porque a planta tomba inteira, como se tivesse sido cortada com canivete. O nome tamanduá só se popularizou nos anos 1980 com a expansão da soja no Sul.

Por fim, vale lembrar que o mesmo nome popular é usado em algumas regiões para outro inseto, o Sternechus pinguis, muito parecido. A identificação correta exige olhar as manchas dos élitros e, em caso de dúvida, enviar amostra para assistência técnica.

Perguntas frequentes

Tamanduá-da-soja pica pessoas?

Não. Ele não tem ferrão nem veneno e o rostro serve só para perfurar plantas. É inofensivo para pessoas e pets.

Como saber se minha soja foi atacada?

Procure hastes com anel escuro e estreitamento, plantas murchas que quebram fácil e, ao abrir a haste, galeria com serragem e larva branca em forma de C.

Qual a diferença para lagarta-rosca?

A lagarta corta a planta rente ao solo e fica no solo; o tamanduá anela a haste mais acima e a larva vive dentro da haste oca.

Quando aparece o tamanduá-da-soja?

Principalmente de outubro a fevereiro, da emergência ao início da floração da soja, com pico em novembro a janeiro no Sul do Brasil.

Como controlar sem veneno?

Monitore com pano de batida, faça rotação com milho ou trigo, maneje a palhada e preserve inimigos naturais como fungos Beauveria e vespas parasitoides.

Ele ataca grãos armazenados?

Não. Só ataca plantas vivas de soja e outras fabáceas no campo; não infesta silos ou despensas.

Você sabia?

1

Finge de morto por minutos

Quando ameaçado, o adulto pratica tanatose e fica imóvel de pernas encolhidas por até 3 minutos, confundindo-se com torrão de terra.

2

Um ovo por planta pode matar

Basta uma única larva dentro da haste jovem para interromper a seiva e matar toda a planta de soja, por isso o nível de ação é tão baixo.

3

Hiberna por 7 meses enterrado

Adultos recém-formados podem ficar em diapausa no solo da colheita até a próxima semeadura, sem se alimentar, esperando a nova safra.

4

Nome enganoso

Apesar de tamanduá, é um besouro bicudo de 8 mm; o rostro alongado lembra a tromba do mamífero, mas serve só para furar hastes.

Fontes

  1. Embrapa Soja
  2. GBIF - Sternechus subsignatus
  3. Universidade Federal do Rio Grande do Sul - Entomologia Agrícola

Prós e contras: Tamanduá-da-soja

Prós

  • Não oferece risco à saúde humana ou de pets
  • Fácil de identificar pelo anel na haste e tanatose do adulto
  • Manejável com rotação de culturas e controle biológico
  • Indicador de necessidade de manejo integrado na lavoura

Contras

  • Praga com alto dano: uma larva pode matar a planta jovem
  • Larva protegida dentro da haste dificulta controle químico
  • Hiberna no solo por meses, reinfestando a área na safra seguinte
  • Dano irreversível; planta anelada não se recupera
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o tamanduá-da-soja é o exemplo clássico de praga que parece inofensiva pelo tamanho, mas exige manejo mais inteligente que químico: sem monitoramento na emergência da soja e rotação com gramíneas, nenhum inseticida resolve sozinho. É uma praga para levar a sério no Sul, mas totalmente manejável com integração.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

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Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.