🐛 Insetos

Burrinho-da-batatinha

Epicauta atomaria

Atualizado em

12 a 18 mm de comprimentoTamanho
Folhas de batata, feijão e sojaAlimentação
Metamorfose completa com hipermetamorfoseCiclo de vida
Lavouras e hortas do centro-sul do BrasilHabitat
Causa bolhas por cantaridina, não picaPerigo para humanos
Burrinho-da-batatinha Epicauta atomaria sobre folha de batata, visto de cima

O burrinho-da-batatinha é o besouro Epicauta atomaria, um meloídeo de 12 a 18 mm muito comum em hortas e lavouras do centro-sul do Brasil. Cinza-escuro e alongado, ele aparece em grupos grandes e desfolha rapidamente batatinha, feijão, soja e outras culturas.

Apesar do nome manso, ele se defende liberando cantaridina, substância que provoca bolhas e queimadura na pele e é tóxica se ingerida por pessoas e animais. Na fase larval, porém, tem papel oposto: é predador de ovos de gafanhotos, o que o torna ecologicamente ambíguo.

Também conhecido como: Burrinho, Vaquinha-da-batatinha, Bicho-da-batatinha, Vaquinha, Burrinho-da-batata, Potato blister beetle (inglês)

Faz parte de: Insetos do Brasil, Insetos Voadores, Pragas de Jardim

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Galeria de fotos de Burrinho-da-batatinha

Burrinho-da-batatinha Epicauta atomaria sobre folha de batata, visto de cima
Burrinho-da-batatinha adulto com corpo alongado e coloração cinza-escura aveludada.
Close extremo da cabeça e antenas do burrinho-da-batatinha
Detalhe da cabeça mais larga que o pescoço e das antenas filiformes.
Burrinho-da-batatinha liberando secreção amarelada pelas pernas
Defesa química: liberação de cantaridina pelas articulações das pernas.
Larva triungulina do burrinho-da-batatinha no solo
Larva triungulina, fase predadora de ovos de gafanhotos no solo.
Grupo de burrinhos-da-batatinha se alimentando em folhas de batata
Comportamento gregário: revoada concentrada causa desfolha rápida.
Burrinho-da-batatinha sobre luva ao lado de folha para comparação de tamanho
Tamanho real de 12 a 18 mm comparado à folha.

Perfil rápido de Burrinho-da-batatinha

Calendário

Maior atividade dos adultosJFMAMJJASOND
Postura de ovosJFMAMJJASOND
Fase larval no soloJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsTóxica se ingerida
  • PessoasCausa dermatite com bolhas por cantaridina

Não pica nem tem ferrão; a lesão vem do contato com a secreção liberada pelas pernas. Lave com água e sabão e procure atendimento médico se houver bolhas extensas, contato nos olhos ou ingestão por pet.

Vida útil

Na natureza (adulto)
2 a 4 meses
Ciclo total (ovo a adulto)
3 a 6 meses, conforme temperatura

Reprodução

Metamorfose
Completa com hipermetamorfose
Ovos
40 a 80 ovos por postura, no solo úmido
Larva
Triungulina ativa, predadora de ovos de gafanhotos; depois larva vermiforme
Pupa
No solo, em câmara subterrânea
Período reprodutivo
Primavera e verão, com pico após chuvas

Habitat

Ambientes

  • Lavouras de batata, feijão e soja
  • Hortas domésticas
  • Bordas de mata e capoeira
  • Campos nativos e pastagens

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Pampa
  • Caatinga (áreas agrícolas)

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Folhas de batatinha
  • Folhas de feijão
  • Folhas de soja
  • Folhas de berinjela e tomate

Outros alimentos

  • Flores de plantas cultivadas
  • Vagens tenras
  • Ovos de gafanhotos (fase larval)

Encontrado em 4 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Uruguai
  • Paraguai

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Coleoptera
Família
Meloidae
Gênero
Epicauta
Espécie
Epicauta atomaria (Germar, 1821)

Resumo

  • O burrinho-da-batatinha é o besouro Epicauta atomaria, praga gregária de 12 a 18 mm que ataca folhas de batata, feijão e soja em revoada.
  • Libera cantaridina quando se sente ameaçado, causando dermatite com bolhas em humanos e intoxicação em cachorros e gatos se ingerido.
  • Tem metamorfose completa e hipermetamorfose na larva, que vive no solo e preda ovos de gafanhotos antes de virar adulto desfolhador.

Características

Ficha do inseto

OrdemColeoptera
FamíliaMeloidae
Origem e distribuiçãoAmérica do Sul; comum no Brasil centro-sul, Argentina, Uruguai e Paraguai
Tamanho12 a 18 mm de comprimento, corpo alongado e estreito
Corescinza-escuropreto-acinzentadocinza-amarelado
Asas e vooCom asas; voo curto e desajeitado, anda mais do que voa
AlimentaçãoFitófago na fase adulta (folhas); larva predadora de ovos de gafanhotos
MetamorfoseCompleta com hipermetamorfose (larva passa por formas diferentes)
Expectativa de vidaAdulto vive 2 a 4 meses; ciclo total de 3 a 6 meses conforme clima
HabitatLavouras, hortas, bordas de mata e campo nativo
Comportamento socialGregário; forma revoadas de dezenas a centenas de indivíduos
Principais predadoresAves, aranhas, percevejos predadores e outros insetos de solo

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMédio
Importância para o ecossistemaBaixo
Presença em casasMuito baixo
Benefício para a agriculturaMuito baixo
Dano às plantasAlto
Vida em grupoMuito alto

Como identificar o burrinho-da-batatinha sem confundir

O burrinho-da-batatinha é o Epicauta atomaria, um besouro de corpo alongado, mole e levemente aveludado. Mede 12 a 18 mm, tem cabeça mais larga que o pescoço e antenas filiformes pretas.

A cor engana: não é verde-metálico como a vaquinha (Diabrotica speciosa). O burrinho é cinza-escuro a preto-acinzentado, coberto por pelos finos acinzentados que dão aspecto opaco. Os élitros (asas duras) são macios e cobrem todo o abdômen.

Outro detalhe útil é o comportamento. Ele anda devagar e se finge de morto quando tocado, mas libera um líquido amarelado pelas juntas das pernas. Esse é o sinal clássico de meloídeo com cantaridina.

Característica Burrinho-da-batatinha (Epicauta atomaria) Vaquinha (Diabrotica speciosa)
Tamanho 12 a 18 mm, alongado 5 a 7 mm, ovalado
Cor Cinza-escuro opaco Verde com manchas amarelas
Textura Aveludado, élitros moles Liso e brilhante
Dano Desfolha em revoada Rendilhamento e ataque à raiz (larva)
Defesa Cantaridina que queima a pele Não queima

Onde vive e por que aparece tanto em hortas no Brasil

É uma espécie sul-americana, com distribuição ampla no Brasil do Sudeste, Sul e Centro-Oeste, além de Argentina, Uruguai e Paraguai. No Brasil é mais frequente em áreas agrícolas de altitude média e clima subtropical.

Vive em lavouras, hortas domésticas, bordas de mata e campos. Não é inseto de interior de casas; quando entra em residência é por revoada atraída por luz ou por estar em plantas próximas.

Os surtos coincidem com primavera e verão, quando há brotação nova de batata, feijão, soja, berinjela e tomate. Em anos de muita oferta de alimento e de ovos de gafanhoto no solo (alimento da larva), a população explode.

O que o burrinho-da-batatinha come de verdade

O adulto é desfolhador polífago, mas tem preferência clara. Ataca sobretudo batatinha (Solanum tuberosum), feijão, soja, berinjela, tomate e pimentão.

Ele consome o limbo foliar pelas bordas, deixando folhas rendilhadas ou totalmente esqueletizadas quando o ataque é intenso. Em revoada, dezenas de besouros concentram-se numa mesma planta e desfolham em horas.

A larva tem dieta oposta: vive no solo e é predadora de posturas de gafanhotos (Acrididae) e, em menor grau, de ovos de outros insetos. Essa fase é benéfica e quase nunca vista pelo produtor.

  • Adulto: folhas, flores e ocasionalmente vagens tenras.
  • Larva triungulina: ovos de gafanhoto no solo.
  • Não come: madeira, raízes grossas ou frutos maduros.

Ciclo de vida e reprodução: por que surge em revoada

Tem metamorfose completa com hipermetamorfose, um detalhe raro entre besouros. A larva muda de forma e comportamento ao longo do desenvolvimento.

A fêmea põe 40 a 80 ovos em pequenos grupos no solo úmido, perto de áreas com gafanhotos. Em 10 a 15 dias nasce a larva triungulina, ágil e com pernas, que procura ativamente posturas de gafanhoto para se alimentar.

Depois de se alimentar, a larva passa por estágios mais parados e vermiformes, vira pupa no solo e emerge como adulto. O ciclo total leva 3 a 6 meses, dependendo da temperatura. O adulto vive 2 a 4 meses e é nessa fase que forma os grupos.

A vida em revoada não é por acaso. A agregação facilita o encontro para acasalar e dilui o risco de predação, já que todos liberam cantaridina juntos.

Comportamento: voo, vida em grupo e defesa com cantaridina

Apesar de ter asas, voa pouco e mal. Prefere caminhar entre folhas e faz voos curtos quando perturbado. O nome burrinho vem justamente desse andar lento e pesado.

É fortemente gregário. É raro achar um sozinho; o padrão é encontrar 20, 50 ou mais indivíduos na mesma fileira de batata ou feijão. Quando um é tocado, outros também liberam secreção.

A defesa é química. Pelas articulações das pernas ele exsuda cantaridina, um terpenoide que causa dermatite de contato com formação de bolhas em poucas horas. Não é ferroada nem mordida: é queimadura química.

Se for esmagado na pele, a lesão é maior. Por isso a recomendação é nunca esmagar com a mão nua e não levar à boca.

Pica, morde ou queima? Riscos para pessoas, cachorros e gatos

Ele não pica e não tem ferrão. Pode mordiscar se manipulado, mas a lesão relevante é a queimadura por cantaridina.

Em humanos, o contato provoca vermelhidão, ardor e bolhas que surgem de 2 a 8 horas depois. A área costuma coçar e arder por 2 a 4 dias. Lesão nos olhos é mais grave e exige lavagem imediata.

Para cachorros e gatos, o risco maior é a ingestão. Uma ou poucas unidades ingeridas ao lamber ou morder podem causar salivação, irritação na boca, vômito e dor abdominal pela ação da cantaridina na mucosa. Em casos raros com ingestão de muitos besouros, há risco renal.

O que fazer: lave a pele com água e sabão, não estoure a bolha e procure atendimento médico se a área for extensa, for no rosto/olhos ou se houver ingestão por pet. Leve um exemplar para identificação, sem esmagar.

É praga ou faz bem? Papel no ecossistema e dano na lavoura

Na nossa avaliação, o burrinho é um caso clássico de inseto ambíguo: útil como larva e praga como adulto. O saldo para a agricultura é negativo quando a população adulta explode.

Como praga, o dano é a desfolha rápida. Em batata e feijão, a perda de área foliar na fase de crescimento reduz fotossíntese e pode diminuir a produção de tubérculos e grãos. Em horta doméstica, pode acabar com folhagem de berinjela em um fim de semana.

Como benéfico, a larva ajuda a regular populações de gafanhotos, praga importante de pastagens e grãos. Por isso, o controle indiscriminado com inseticida de amplo espectro mata também esse controle natural.

Em ecossistema nativo, serve de alimento para aves e aranhas que toleram a cantaridina, e participa da ciclagem ao se alimentar de folhas.

Como conviver e fazer manejo sem acabar com polinizadores

Em horta pequena, o melhor é o manejo mecânico e cultural. Vistorie a plantação no início da manhã, quando os besouros estão mais lentos, e faça catação manual com luvas.

  • Use luvas e pote com água e sabão para coletar; não esmague na pele.
  • Remova plantas daninhas hospedeiras ao redor e faça rotação de culturas.
  • Instale barreira física (tela) em canteiros pequenos de batata e berinjela.
  • Preserve inimigos naturais: evite pulverizações amplas que matam predadores.

Em lavoura, o monitoramento é essencial. A Embrapa recomenda manejo integrado de pragas (MIP): só intervir quando a desfolha atinge nível de dano econômico e priorizar produtos seletivos. Nunca recomendamos marca ou dose de inseticida aqui; consulte um engenheiro agrônomo para recomendação local.

Evite coletar com aspirador ou queimar a área. A cantaridina permanece no inseto morto e a fumaça pode irritar vias aéreas.

Curiosidades que ajudam a entender o burrinho

O nome popular varia por região: no Sul e Sudeste chamam de burrinho, vaquinha-da-batatinha e bicho-da-batatinha. Em inglês, o grupo é chamado de blister beetle, besouro da bolha.

A cantaridina já foi usada historicamente como vesicante e afrodisíaco, mas é altamente tóxica e sem uso seguro doméstico. O besouro não produz a substância para atacar gente; é defesa contra predadores.

Um erro comum é achar que todo besouro cinza é burrinho. Besouros da família Chrysomelidae e Curculionidae são confundidos, mas só meloídeos como Epicauta causam bolha com o líquido das pernas.

Perguntas frequentes

Burrinho-da-batatinha pica ou morde?

Não pica e não tem ferrão. Ele pode mordiscar se for apertado, mas o problema real é a cantaridina liberada pelas pernas, que causa queimadura e bolhas na pele.

Burrinho-da-batatinha é venenoso para cachorro e gato?

Sim, se for ingerido. A cantaridina irrita boca e estômago e pode causar vômito e dor abdominal. Evite que o pet lamba ou coma o besouro e procure veterinário se houver ingestão.

Qual a diferença entre burrinho e vaquinha?

O burrinho (Epicauta atomaria) é cinza-escuro, alongado e causa bolhas. A vaquinha (Diabrotica speciosa) é verde com manchas amarelas, menor e não queima a pele.

Como acabar com burrinho-da-batatinha na horta?

Faça catação manual com luvas, coloque os besouros em água com sabão e reforce barreiras físicas e rotação de culturas. Em lavoura, use manejo integrado com monitoramento técnico.

Posso esmagar o burrinho com a mão?

Não. Esmagar aumenta o contato com a cantaridina e piora a bolha. Use luvas e não esfregue o inseto na pele.

Por que ele aparece em revoada?

É gregário por natureza. Os adultos se agregam para se alimentar e acasalar, por isso dezenas aparecem juntos na mesma planta.

Burrinho-da-batatinha voa?

Voa, mas prefere andar. O voo é curto e desajeitado, usado para se deslocar entre plantas quando perturbado.

Você sabia?

1

Hipermetamorfose rara

A larva do burrinho muda de forma radical: nasce ágil com pernas (triungulina) para caçar ovos de gafanhoto e depois vira larva gorda e imóvel antes de empupar.

2

Defesa que sai pelas pernas

A cantaridina não sai da boca. Ela é liberada por sangramento reflexo nas articulações das pernas, por isso esmagar o besouro na pele aumenta a queimadura.

3

Larva benéfica escondida

Enquanto o adulto desfolha, a larva passa a vida no solo comendo posturas de gafanhotos. Um único indivíduo pode consumir dezenas de ovos.

4

Revoada que desfolha em horas

Por ser gregário, o dano não é gradual. Um grupo de 30 a 50 burrinhos concentra-se numa mesma planta e pode deixá-la sem folhas em uma tarde.

Fontes

  1. Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
  2. GBIF - Global Biodiversity Information Facility
  3. ESALQ/USP - Entomologia Agrícola

Prós e contras: Burrinho-da-batatinha

Prós

  • Larva predadora de ovos de gafanhotos, ajudando no controle natural
  • Fácil de identificar pela cor cinza opaca e comportamento gregário
  • Pode ser manejado sem inseticida em hortas com catação com luvas
  • Serve de bioindicador de desequilíbrio quando há surto em monocultura

Contras

  • Adulto desfolha rapidamente batata, feijão, soja e hortaliças
  • Libera cantaridina que causa bolhas e dermatite em humanos
  • Tóxico para cães e gatos se ingerido
  • Ocorre em revoada, dificultando controle pontual
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o burrinho-da-batatinha é o exemplo perfeito de praga que não deve ser tratada com pânico nem com veneno preventivo. O manejo com luvas, catação e rotação resolve a maioria dos casos em horta, e preserva a larva que controla gafanhotos.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

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Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.