🦜 Aves e Pássaros

Pica-pau

Família Picidae

Atualizado em

15 a 36 cmTamanho
30 a 300 gPeso
4 a 12 anosExpectativa de vida
Tamborilar + gritos agudosCanto
Matas, cerrado e áreas urbanasHabitat
Pica-pau-verde-barrado pousado na vertical em tronco de árvore

O pica-pau não é uma única espécie, mas toda a família Picidae, com mais de 240 espécies no mundo e cerca de 50 no Brasil. O que todas têm em comum é o bico reto e forte, a língua extremamente longa e os pés com dois dedos para frente e dois para trás, feitos para se agarrar ao tronco na vertical.

No Brasil ele está em todo lugar, da Amazônia ao pátio do interior, e é fácil de reconhecer pelo tamborilar seco na madeira. Diferente do que muita gente pensa, ele não fura árvore à toa: cada batida tem função, seja para achar larvas, fazer ninho ou se comunicar.

Também conhecido como: pica-pau, picapau, pica-pau-verde, pica-pau-do-campo, joão-velho, woodpecker (inglês), carpintero (espanhol), pic (francês)

Explore a wiki

Galeria de fotos de Pica-pau

Pica-pau-verde-barrado pousado na vertical em tronco de árvore
Pica-pau-verde-barrado, uma das espécies mais comuns no Brasil.
Close da cabeça e bico do pica-pau mostrando detalhes da plumagem
Detalhe da cabeça e do bico em forma de cinzel.
Pica-pau em voo com asas abertas sobre a mata
Voo ondulado característico do pica-pau.
Pica-pau em habitat natural de cerrado com tronco seco
Habitat típico no cerrado brasileiro.
Pica-pau se alimentando retirando larva do tronco com a língua
Alimentação com a língua longa capturando larvas.
Ninho do pica-pau em cavidade de tronco com ovos brancos
Ninho em cavidade escavada no tronco.
Detalhe da plumagem colorida do pica-pau
Padrão de cores da plumagem.

Perfil rápido de Pica-pau

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Maioria das espécies com população estável, mas espécies especialistas estão ameaçadas.

População
estável para generalistas, em declínio para especialistas
Protegido por
Sim, fauna silvestre protegida por lei federal; captura e comércio são crime ambiental

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Maior atividade de tamborilarJFMAMJJASOND
Dispersão de juvenisJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
4 a 12 anos, variando por espécie e predação
Em cativeiro
Não se aplica, criação doméstica é ilegal e inviável

Reprodução

Acasalamento
Monogâmico sazonal, com corte por tamborilar e voos de exibição
Estrutura social
Par territorial que defende cavidade
Padrão sazonal
Sazonal, de agosto a janeiro no Brasil
Tipo de nascimento
Ovíparo, ovos brancos sem ninho forrado
Ninhada
2 a 5 ovos; incubação 11 a 14 dias; filhotes saem com 20 a 30 dias

Habitat

Ambientes

  • Florestas tropicais e subtropicais
  • Matas de araucária
  • Cerrado e caatinga
  • Capoeiras e bordas de mata
  • Parques urbanos e quintais com árvores antigas

Biomas

  • Amazônia
  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Caatinga
  • Pampa
  • Pantanal

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Larvas de besouros (brocas)
  • Formigas e cupins
  • Besouros adultos

Outros alimentos

  • Frutos e coquinhos
  • Seiva
  • Lagartas

Encontrado em 8 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Bolívia
  • Peru
  • Colômbia
  • Venezuela
  • Guiana

Como animal de estimação

Adequação como pet
Não adequado
Legalidade no Brasil
Criação proibida sem licença científica; venda de aves da natureza é crime ambiental (Lei 9.605/98)
Nível de cuidado
Extremamente alto e inviável em domicílio
Observação responsável
Prefira observação com binóculo e atração com árvores nativas e troncos mortos preservados

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Piciformes
Família
Picidae
Gênero
Múltiplos (Colaptes, Campephilus, Celeus, Dryocopus, entre outros)
Espécie
Família com 240+ espécies; ex.: Colaptes melanochloros

Resumo

  • O pica-pau é da família Picidae e se destaca pelo bico forte, língua longa e capacidade de martelar troncos até 20 vezes por segundo sem lesão cerebral.
  • No Brasil ocorrem cerca de 50 espécies, de 15 a 36 cm, que vivem em matas, cerrados, caatinga e até áreas urbanas, alimentando-se principalmente de larvas e formigas.
  • Faz ninho dentro de troncos ocos, se comunica por tamborilar e vocalizações agudas, e tem criação proibida como pet sem autorização do IBAMA.

Características

Ficha da espécie

FamíliaPicidae
Origem e distribuiçãoOcorre em quase todo o mundo, exceto Austrália e Antártida; cerca de 50 espécies no Brasil
HabitatMatas úmidas, araucária, cerrado, caatinga, manguezais e parques urbanos
Tamanho (comprimento)15 a 36 cm conforme a espécie
Envergadura26 a 54 cm
Peso30 a 300 g
Corespretobrancovermelhoamareloverde-olivabege
Expectativa de vida4 a 12 anos na natureza
AlimentaçãoInsetívora, com larvas, formigas, besouros e frutos
CantoGritos agudos, risadas e tamborilar territorial
Reprodução (ninho e ovos)Ninho em cavidade escavada no tronco; 2 a 5 ovos brancos incubados por 11 a 14 dias
Comportamento socialMajoritariamente solitário ou em pares, territorialista
Variedades no BrasilCerca de 50 espécies, como pica-pau-verde-barrado e pica-pau-de-topete-vermelho

Perfil e comportamento

SociabilidadeBaixo
Intensidade do cantoMuito alto
InteligênciaAlto
Facilidade de criaçãoMuito baixo
Necessidade de espaçoMuito alto
Nível de atividadeMuito alto
Capacidade de imitar sonsMuito baixo

O que é o pica-pau e por que ele não sente dor de cabeça

Pica-pau é o nome popular para as aves da família Picidae. Não é uma espécie só. Só no Brasil são quase 50, e no mundo mais de 240, variando do pequeno picapauzinho-anão de 15 cm ao pica-pau-rei de 36 cm.

O que intriga todo mundo é como ele bate o bico no tronco até 20 vezes por segundo e com desaceleração de 1.200 g sem ter lesão cerebral. A resposta está em três adaptações: osso hioide que envolve o crânio como um cinto de segurança, crânio esponjoso que absorve impacto e bico com camadas desiguais que distribuem a força. A língua também ajuda, ela é tão longa que contorna o crânio por dentro.

Outro detalhe pouco conhecido: a língua pode ter até 10 cm além do bico em espécies grandes e tem ponta pegajosa e com farpas, perfeita para fisgar larvas em túneis profundos. É ela, e não o bico, que faz a maior parte da captura.

Tamanho, cores e como identificar as espécies brasileiras

Todo pica-pau tem pés zigodáctilos (dois dedos para frente e dois para trás) e penas rígidas na cauda que funcionam como terceira perna de apoio. O voo é ondulado, com sequências de batidas rápidas e planeio de asas fechadas.

As cores são o melhor guia de campo. No Brasil, três padrões se repetem:

  • Verde-barrado: pica-pau-verde-barrado (Colaptes melanochloros), verde-oliva com barrado preto no peito e boné preto e vermelho. Muito comum em quintais e parques.
  • Topete vermelho: pica-pau-de-topete-vermelho (Campephilus melanoleucos), preto e branco com crista vermelha enorme. É o maior do Brasil.
  • Amarelo e preto: pica-pau-amarelo (Celeus flavus), amarelo-creme com asas escuras e topete arrepiado. Fácil de confundir com joão-velho.

Para não errar, olhe cabeça, dorso e voz. Machos quase sempre têm mancha vermelha na cabeça que fêmeas não têm. E cada espécie tem um tamborilar diferente em ritmo e duração.

Onde vive o pica-pau no Brasil: da Amazônia à sua rua

Pica-pau ocorre em todos os biomas brasileiros, da floresta amazônica à caatinga. Algumas espécies são generalistas e vivem no centro de São Paulo e Curitiba, como o pica-pau-do-campo (Colaptes campestris), que prefere chão e cupinzeiros em vez de troncos.

Outras são exigentes. O pica-pau-da-taboca (Celeus obrieni) só ocorre em bambuzais de taboca no Cerrado e foi considerado extinto por 80 anos até ser redescoberto em 2006 no Tocantins. Já o pica-pau-de-cara-canela depende de araucárias no Sul.

Ele precisa de árvores mortas ou doentes para ninho e alimento. Onde há manejo que remove toda madeira morta, a diversidade cai drasticamente. Em cidade, postes de madeira, coqueiros e até caixas-d’água viram substitutos.

O que o pica-pau come e por que martela a madeira

A base é larvas de besouros, formigas, cupins e besouros adultos. Uma única ave pode consumir milhares de larvas por dia, o que a torna um controlador natural de pragas florestais.

Nem toda martelada é para comer. Ele faz três tipos de batida:

  • Forrageio: batidas irregulares e escavação para expor galerias de insetos.
  • Escavação de ninho: trabalho de dias, retirando lascas grandes.
  • Tamborilar: sequência rápida e rítmica para marcar território e atrair parceiro, sem arrancar madeira.

Algumas espécies complementam com frutos, coquinhos e seiva. O pica-pau-de-banda-branca chega a seguir formigas-de-correição para capturar insetos espantados. E o pica-pau-do-campo, atípico, desce ao solo e usa o bico como pinça em formigueiros.

Tamborilar, canto e vida social: a linguagem do tronco

Pica-pau é pouco vocal e muito percussivo. O tamborilar substitui o canto em muitas espécies e funciona como RG: cada indivíduo e espécie tem cadência própria. Em mata fechada, o som viaja mais de 500 metros.

As vocalizações são gritos agudos, risadas e trilos. O pica-pau-verde-barrado solta um “pii-pii-pii” descendente, enquanto o pica-pau-anão-de-coleira emite um chiado fino quase imperceptível.

São aves territorialistas e majoritariamente monogâmicas na estação reprodutiva. Fora dela, vivem sozinhas ou em pares, defendendo o tronco-ninho com voos de intimidação e batidas sincronizadas do casal. Não formam bandos, mas podem se juntar a bandos mistos para forragear.

Como diferenciar tamborilar de obra em casa

Tamborilar é ritmado, curto (1 a 2 segundos) e repetido no mesmo ponto. Se o barulho for arrastado e com lascas caindo, é escavação de ninho ou forrageio.

Reprodução: o ninho dentro da árvore e os filhotes

A reprodução no Brasil vai de agosto a janeiro, pico em setembro-outubro. O casal escava uma cavidade oval de 15 a 50 cm de profundidade em tronco morto ou galho grosso, a 2 a 15 metros do chão. A entrada é circular e justa, só para o corpo passar.

Põem 2 a 5 ovos brancos e brilhantes, sem forro no ninho além de serragem. Ambos incubam por 11 a 14 dias e revezam alimentação. Os filhotes nascem pelados e cegos e ficam 20 a 30 dias na cavidade antes de voar.

Essas cavidades são cruciais para a floresta. Depois de abandonadas, viram casa para corujas, periquitos, tucanos-araçaris, abelhas e até morcegos. Por isso o pica-pau é chamado de engenheiro do ecossistema.

Curiosidade de campo: o casal bate o bico na borda da cavidade para chamar o parceiro para a troca de incubação, um código discreto que evita atrair predadores.

É possível ter pica-pau em casa? Legalidade e cuidados

Não. Pica-pau é ave silvestre e sua captura, compra ou criação sem autorização é crime ambiental pela Lei 9.605/98. O IBAMA não autoriza criação amadora de Picidae, apenas projetos científicos ou de conservação com licenciamento.

Além da lei, há impossibilidade prática. Ele precisa de troncos para martelar diariamente, dieta viva de larvas e espaço vertical grande. Em gaiola, desenvolve estresse, deforma o bico e morre cedo. Não se adapta a ração de pássaro nem aprende a cantar como canário.

Se você encontrou um filhote caído, não leve para casa. Contate CETAS, Polícia Ambiental ou órgão ambiental estadual. Manter em cativeiro irregular gera multa e apreensão, e a ave raramente sobrevive sem manejo especializado.

Na nossa avaliação, a melhor forma de “ter” um pica-pau é atraí-lo: mantenha árvores nativas, troncos mortos em pé e água à disposição. Em semanas, pica-paus urbanos começam a visitar.

Conservação e ameaças no Brasil

A maioria das espécies está como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, mas a perda de habitat pesa para as especialistas. O desmatamento, a retirada de árvores mortas e o uso de agrotóxicos que eliminam insetos são as maiores pressões.

Três casos merecem atenção:

Espécie Status IUCN Onde vive Ameaça principal
Pica-pau-da-taboca (Celeus obrieni) Em Perigo (EN) Cerrado com taboca (TO, GO, MA) Conversão do Cerrado em pasto e fogo
Pica-pau-de-cara-canela (Dryocopus galeatus) Vulnerável (VU) Mata Atlântica com araucária Fragmentação e corte de araucárias
Pica-pau-de-coleira (Celeus torquatus) Quase Ameaçado (NT) Amazônia oriental Desmatamento na Amazônia

Proteger pica-paus é proteger a floresta inteira, já que suas cavidades sustentam dezenas de outras espécies. Deixar árvores mortas em pé quando não oferecem risco é a medida mais simples e eficaz.

Espécies e variedades mais vistas: como não confundir

Com tanta espécie parecida, vale um comparativo rápido das mais registradas no WikiAves:

Espécie Tamanho Marca distintiva Habitat típico
Pica-pau-do-campo 32 cm Peito pintado, vive no chão Campos, pastos, cidades
Pica-pau-verde-barrado 23 cm Barrado preto no peito, boné vermelho no macho Matas, cerrados, quintais
Pica-pau-de-topete-vermelho 36 cm Crista vermelha enorme, corpo preto e branco Amazônia e Mata Atlântica
Pica-pau-anão-de-coleira 15 cm Coleira amarela, tamanho de pardal Matas baixas e capoeiras
João-velho (Celeus flavescens) 27 cm Topete amarelo espetado Mata Atlântica e cerrado

Erro comum é chamar todo pica-pau de “pica-pau” e achar que é um só. Observar tamanho, cor da cabeça e local onde está martelando já separa 90% dos casos sem precisar de binóculo potente.

Perguntas frequentes

Pica-pau sente dor de cabeça quando martela?

Não. Crânio esponjoso, osso hioide que envolve o cérebro e bico com absorção de impacto evitam lesão, mesmo com 20 batidas por segundo.

O que o pica-pau come?

Principalmente larvas de besouros, formigas e cupins que vivem dentro da madeira, além de frutos e seiva em algumas espécies.

Pica-pau faz mal para a árvore?

Não para árvores saudáveis. Ele prefere madeira morta ou doente e ainda controla pragas; a cavidade que abre vira abrigo para outras espécies.

Posso ter pica-pau em casa? É legalizado?

Não. É ave silvestre protegida por lei e o IBAMA não autoriza criação amadora. Comprar ou capturar é crime ambiental.

Qual a diferença entre pica-pau e joão-velho?

João-velho é um pica-pau do gênero Celeus, com topete amarelo espetado. Todo joão-velho é pica-pau, mas nem todo pica-pau é joão-velho.

Por que o pica-pau tamborila?

Para marcar território, atrair parceiro e se comunicar. O ritmo do tamborilar funciona como assinatura da espécie e do indivíduo.

Onde encontrar pica-pau no Brasil?

Em todos os biomas. Parques urbanos, cerrados e matas com árvores antigas ou mortas em pé são os melhores pontos para avistar.

Fatos surpreendentes sobre o pica-pau

1

Língua com amortecedor

A língua do pica-pau contorna o crânio e funciona como cinto de segurança para o cérebro durante as marteladas, além de ter saliva pegajosa para puxar larvas.

2

Bate 12 mil vezes por dia

Um pica-pau grande pode dar mais de 12 mil bicadas em um único dia e ainda escavar uma cavidade nova a cada temporada reprodutiva.

3

Pernas de alpinista

Os dois dedos traseiros virados para trás e as penas duras da cauda permitem que ele fique na vertical no tronco sem gastar energia, como um tripé natural.

4

Reapareceu após 80 anos

O pica-pau-da-taboca foi considerado extinto de 1926 a 2006, quando foi redescoberto no Tocantins vivendo exclusivamente em bambuzais de taboca.

Fontes

  1. IUCN Red List / BirdLife International
  2. WikiAves - Enciclopédia das Aves do Brasil
  3. CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos
  4. Cornell Lab of Ornithology - All About Birds

Prós e contras: Pica-pau

Prós

  • Controla pragas de madeira naturalmente
  • Fácil de observar em áreas urbanas e rurais
  • Cria cavidades que abrigam outras aves e mamíferos
  • Canto e tamborilar inconfundíveis para iniciantes em observação
  • Ocorre o ano todo no Brasil, sem depender de migração

Contras

  • Não pode ser criado como pet, é crime ambiental
  • Precisa de árvores maduras ou mortas, sensível ao desmatamento
  • Pode danificar postes e estruturas de madeira em áreas urbanas
  • Territorialista, não convive bem em viveiros com outras aves
  • Algumas espécies especialistas estão ameaçadas e são difíceis de ver
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o pica-pau é a ave mais subestimada do quintal brasileiro: fácil de ver, impossível de confundir e essencial para a floresta. Vale mais preservar um tronco morto em pé do que tentar criar qualquer ave silvestre em gaiola.

Continue explorando: Aves e Pássaros

Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.