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Formiga-correição

Eciton burchellii

Atualizado em

3 a 12 mm (operárias)Tamanho
Carnívora predadoraAlimentação
Metamorfose completaCiclo de vida
Matas e áreas rurais, nômadeHabitat
Mordida dolorida, sem venenoPerigo para humanos
Formiga-correição Eciton burchellii de corpo inteiro sobre folhiço

A formiga-correição não é uma única espécie, mas o nome popular dado às formigas legionárias nômades das Américas, principalmente dos gêneros Eciton e Labidus. Diferente da maioria das formigas, ela não constrói formigueiro fixo e vive em deslocamento constante, formando colunas de caça que varrem o chão da mata.

É facilmente reconhecida pelo comportamento: anda em massa, em trilhas largas e organizadas, com operárias de tamanhos diferentes e mandíbulas em forma de foice bem visíveis. Apesar da fama de agressiva, sua mordida é dolorida mas não tem veneno importante e seu papel ecológico é altamente benéfico.

No Brasil é encontrada da Amazônia ao Pampa, sendo mais comum em áreas de mata e interior rural. Entender sua biologia evita pânico e mostra por que, na maioria dos casos, o melhor é deixá-la passar.

Também conhecido como: Formiga de correição, Tauoca, Formiga legionária, Formiga correição, Army ant (inglês), Fourmi légionnaire (francês)

Faz parte de: Insetos Benéficos, Insetos do Brasil

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Galeria de fotos de Formiga-correição

Formiga-correição Eciton burchellii de corpo inteiro sobre folhiço
Formiga-correição operária com mandíbulas em forma de foice.
Close extremo da cabeça da formiga-correição mostrando mandíbulas
Detalhe da cabeça e mandíbulas da correição.
Coluna de formigas-correição marchando em trilha densa na mata
Coluna de correição em marcha, típica varredura do solo.
Bivaque vivo de formiga-correição formado por operárias entrelaçadas
Bivaque vivo: ninho temporário feito com os próprios corpos.
Rainha da formiga-correição com abdômen dilatado cercada por operárias
Rainha fisogástrica protegida pelas operárias.
Macho alado da formiga-correição com asas âmbar
Macho alado visto na revoada nupcial, atraído por luz.

Perfil rápido de Formiga-correição

Calendário

Maior atividade de marchasJFMAMJJASOND
Revoada nupcial (machos e rainhas)JFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsBaixa
  • PessoasBaixa

Sem veneno relevante; mordida por mandíbula em forma de foice causa dor e pode prender na pele. Risco maior para alérgicos e animais presos. Lavar o local e buscar atendimento se houver reação forte.

Vida útil

Na natureza
Operárias 2 a 6 meses; rainha 2 a 4 anos
Em bivaque
Colônia nômade, muda de local a cada 2 a 3 semanas

Reprodução

Metamorfose
Completa: ovo, larva, pupa, adulto
Estrutura social
Monogínica (uma rainha), com castas de operárias e soldados
Reprodução
Fissão da colônia; revoada nupcial de machos e rainhas aladas
Fecundidade
Rainha põe até 30 mil ovos em poucos dias na fase estacionária
Sazonalidade
Revoada na estação quente e chuvosa

Habitat

Ambientes

  • Serapilheira de matas densas
  • Bordas de mata e capoeiras
  • Cerrados e áreas rurais sombreadas
  • Sob troncos, pedras e folhiço

Biomas

  • Amazônia
  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Caatinga
  • Pampa

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Insetos e larvas
  • Aranhas e escorpiões

Outros alimentos

  • Lacraias e cupins
  • Ovos de insetos
  • Pequenos vertebrados debilitados

Encontrado em 10 países

  • Brasil
  • Colômbia
  • Panamá
  • Costa Rica
  • Peru
  • Equador
  • Bolívia
  • Argentina
  • México
  • Guiana

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Hymenoptera
Família
Formicidae
Subfamília
Dorylinae
Gênero
Eciton / Labidus
Espécie
Eciton burchellii (espécie-tipo do grupo)

Resumo

  • A formiga-correição é um grupo de formigas nômades que não faz ninho fixo e se desloca em colunas com centenas de milhares de operárias.
  • É predadora voraz de outros artrópodes e pequenos animais, com mandíbulas fortes e operárias de 3 a 12 mm em tons de marrom e preto.
  • Não tem veneno perigoso, mas a mordida dói; é benéfica para o ecossistema e só exige cuidado se entrar em casas.

Características

Ficha do inseto

OrdemHymenoptera
FamíliaFormicidae
SubfamíliaDorylinae (formigas de correição)
Origem e distribuiçãoAméricas Central e do Sul, do México ao norte da Argentina
TamanhoOperárias 3 a 12 mm; rainha até 25 mm; machos até 20 mm
Coresmarrom-avermelhadomarrom-escuropretocaramelo
Asas e vooOperárias ápteras; machos e rainhas alados apenas na revoada nupcial
AlimentaçãoInsetos, aranhas, escorpiões, larvas e pequenos vertebrados
MetamorfoseCompleta (ovo, larva, pupa, adulto)
Expectativa de vidaOperárias 2 a 6 meses; rainha 2 a 4 anos
HabitatSerapilheira de matas, cerrados e bordas de mata; nômade, sem ninho fixo
Comportamento socialColônias de 100 mil a 700 mil indivíduos, com castas de operárias e soldados

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasBaixo
Importância para o ecossistemaMuito alto
Presença em casasBaixo
Benefício para a agriculturaAlto
Dano às plantasMuito baixo
Vida em grupoMuito alto

Como identificar a formiga-correição de verdade

A formiga-correição não é uma espécie única. O nome reúne várias espécies nômades, sendo Eciton burchellii e Labidus praedator as mais conhecidas no Brasil. Tentar identificar pela cor sozinha confunde, porque o grupo varia de caramelo-claro a preto brilhante.

O que realmente entrega é o conjunto de sinais. Primeiro, a coluna: uma trilha larga, densa e contínua, com milhares de indivíduos andando rápido e de forma organizada. Segundo, o polimorfismo: na mesma coluna você vê operárias pequenas e soldados bem maiores, com cabeça grande e mandíbulas em forma de foice.

Outro detalhe é que as operárias são cegas ou quase cegas e se orientam por feromônios e tato. Elas não têm ferrão funcional como as formigas lava-pés; a defesa é na mordida, que prende e não solta fácil. Se você vir uma trilha que parece um tapete em movimento e que desvia de luz forte, é correição.

Onde vive e por que está sempre em marcha

A formiga-correição ocorre de forma natural do sul do México até o sul do Brasil e norte da Argentina. Por aqui, é mais frequente na Amazônia, Mata Atlântica e Cerrado, mas aparece também em capoeiras, plantações sombreadas e até quintais próximos a fragmentos de mata.

Ela não constrói formigueiro subterrâneo permanente. Vive em bivaques, acampamentos temporários feitos com o próprio corpo das operárias entrelaçadas, geralmente sob troncos, entre raízes ou em ocos protegidos. A cada 2 a 3 semanas, na fase nômade, a colônia inteira se muda.

Na fase estacionária, quando a rainha põe ovos e as larvas crescem, o bivaque fica parado por até 20 dias. Depois, quando as larvas viram pupas e a fome aperta, a colônia volta a marchar. Uma colônia pode percorrer 100 a 300 metros por dia em busca de alimento.

O que a formiga-correição come

É estritamente carnívora e predadora. Não corta folhas, não cria fungo e não carrega açúcar como outras formigas. Sua dieta é baseada em outros artrópodes capturados vivos durante as varreduras.

A lista inclui baratas, grilos, larvas de besouros, aranhas, escorpiões, lacraias e até ninhos de vespas no chão. Quando encontram um ninho de outra formiga ou cupim, desmontam em minutos. Pequenos vertebrados como lagartixas e filhotes de roedores já debilitados também podem ser capturados, mas não é caça a humanos ou pets.

Essa voracidade tem um lado útil. Uma única colônia de Eciton burchellii pode coletar até 30 mil presas por dia em dias de pico, funcionando como um controle biológico natural muito eficiente.

Ciclo de vida e reprodução: a rainha que não anda sozinha

A colônia gira em torno de uma única rainha fisogástrica, com abdômen muito dilatado e incapaz de voar ou andar longas distâncias sozinha. Ela é carregada e protegida pelas operárias durante as migrações.

O ciclo tem duas fases que se alternam. Na fase estacionária, a rainha põe até 30 mil ovos em poucos dias, de forma sincronizada. As larvas são alimentadas com as presas trazidas pelas operárias e crescem rápido.

Quando as larvas empupam, a colônia entra na fase nômade e sai em expedições diárias. Os machos alados e as novas rainhas só aparecem na época de reprodução, fazem a revoada nupcial e fundam novas colônias por fissão: uma parte das operárias sai com uma rainha filha, não por voo solitário como em outras formigas.

Quanto tempo vive

Operárias vivem 2 a 6 meses. Machos vivem poucas semanas após a revoada. A rainha, bem protegida no centro do bivaque, pode viver 2 a 4 anos, mantendo a colônia coesa.

Comportamento em grupo: a coluna que varre a mata

O comportamento mais marcante é a caçada em leque. As operárias saem do bivaque em coluna e, ao encontrar área rica em presas, se espalham formando uma frente de até 15 metros de largura que varre a serapilheira. Tudo que não foge é capturado.

A comunicação é química e tátil. Como são cegas, seguem trilhas de feromônio deixadas pelas batedoras. Soldados ficam nas bordas da coluna, com mandíbulas abertas, protegendo o fluxo de operárias menores que carregam presas e larvas.

À noite, as operárias se agrupam e formam o bivaque vivo. A estrutura mantém temperatura e umidade estáveis para ovos e pupas. Na nossa avaliação, é um dos sistemas sociais mais impressionantes entre os insetos brasileiros, mais organizado que muito formigueiro fixo.

A formiga-correição morde? Riscos para pessoas e pets

Sim, ela morde e a mordida dói. As mandíbulas são desenhadas para perfurar e travar, como um alicate. Soldados podem deixar a mandíbula presa na pele mesmo depois de retirados. Não há injeção de veneno relevante como em formigas lava-pés ou vespas.

Para a maioria das pessoas, a reação é dor local, vermelhidão e coceira por algumas horas. O risco maior é para quem tem alergia a picadas de insetos, bebês, pets pequenos ou animais presos que não conseguem fugir da coluna. Cachorros e gatos curiosos podem levar várias mordidas no focinho e patas.

Não esmague a formiga sobre a pele. Retire com pinça ou com um papel, lave com água e sabão e observe. Procure atendimento médico se houver inchaço que se espalha, falta de ar, febre ou sinais de infecção. Em caso de invasão, retire pets e crianças do local e deixe a coluna passar.

Papel no ecossistema: praga ou benéfica?

É claramente benéfica e um dos principais predadores de artrópodes do chão da mata. Ao varrer a serapilheira, controla populações de baratas, escorpiões, carrapatos e lagartas que seriam pragas agrícolas.

Na mata, sua passagem cria um fenômeno famoso: aves formigueiras, como papa-formigas e chororós, seguem as colunas para capturar insetos que fogem da correição. Sem a formiga, essas aves perdem parte importante da alimentação.

Ela não danifica plantas, não ataca madeira e não armazena alimento em despensa. O incômodo é temporário e pontual. Por isso, agrônomos e biólogos a consideram indicadora de ambiente saudável, não praga.

Como agir se uma coluna entrar em casa ou no quintal

Primeiro, entenda que a visita dura pouco. A maioria das colunas atravessa o local em 4 a 12 horas e vai embora sozinha. Tentar matar com inseticida espalha a colônia e aumenta o risco de mordidas.

  • Não bloqueie a trilha com fogo, água fervente ou veneno. Isso desorienta milhares de operárias.
  • Remova o atrativo: retire restos de comida, ração de pets e insetos mortos do chão.
  • Isolamento simples: vede frestas de portas com pano úmido e mantenha pets e crianças longe até a passagem terminar.
  • Desvio gentil: se precisar, use um jato leve de água fria nas bordas para redirecionar a coluna para fora, sem jogar direto no centro do bivaque.

Se a coluna se instalou em bivaque no quintal, aguarde a fase nômade. Em 1 a 2 dias ela se desloca. O manejo integrado recomenda preservar e não exterminar, exceto em casos de risco real dentro de hospitais, creches ou canis, quando um profissional deve ser acionado.

Curiosidades que distinguem a correição de qualquer outra formiga

Diferente das formigas cortadeiras, a correição nunca carrega folhas. Se você vir formiga carregando pedaço verde, não é ela. Outro erro comum é confundir com formiga-carpinteira, que é solitária e faz ninho na madeira; correição sempre anda em massa.

Os machos de correição são tão diferentes que já foram descritos como outra espécie no passado. São grandes, com asas âmbar e abdômen alongado, e são atraídos por luz à noite na época de revoada, assustando quem acha que é vespa.

Indígenas e ribeirinhos já usaram a mordida da correição como ponto de sutura natural: colocavam o soldado para morder a borda de um corte e depois cortavam o corpo, deixando a cabeça com as mandíbulas fechando o ferimento. É um uso tradicional documentado, mas hoje não recomendado sem técnica médica.

Perguntas frequentes

Formiga-correição tem veneno?

Não tem veneno perigoso. Ela morde com mandíbulas fortes e a dor é por laceração, não por injeção de toxina. A reação costuma ser local e passageira.

Formiga-correição faz ninho em casa?

Não. Ela é nômade e não constrói formigueiro fixo. Se entrou em casa, está apenas de passagem e sai em poucas horas.

O que atrai formiga-correição para o quintal?

Abundância de presas como baratas, aranhas e cupins, além de áreas sombreadas com folhiço. Restos de comida e ração também podem desviar a coluna.

Como acabar com formiga-correição?

O recomendado é não matar. Isole o local, retire pessoas e pets e aguarde a passagem. Se houver risco real, chame controle profissional sem uso indiscriminado de inseticida.

Formiga-correição é perigosa para cachorro e gato?

Pode ser se o pet ficar preso no caminho da coluna e levar muitas mordidas no focinho e patas. Retire o animal do local e lave as áreas mordidas com água e sabão.

Qual a diferença entre correição e formiga cortadeira?

A cortadeira carrega pedaços de folhas e faz ninho fixo com fungo. A correição nunca carrega folhas, anda em massa e não tem ninho permanente.

Quanto tempo dura a passagem de uma coluna?

Geralmente de 4 a 12 horas atravessando um quintal ou casa, podendo levar até 1 a 2 dias se o bivaque estiver montado por perto.

Você sabia?

1

Bivaque vivo

O ninho da correição não tem parede: é feito com os corpos entrelaçados das próprias operárias, que regulam temperatura e umidade para proteger ovos e larvas.

2

Cega mas precisa

Operárias são praticamente cegas e marcham seguindo trilhas químicas. Se a trilha é interrompida, a coluna faz curvas em espiral até se reorganizar, fenômeno chamado de círculo da morte em outras legionárias.

3

Aves que seguem a correição

Na Amazônia, até 30 espécies de aves formigueiras acompanham colunas de Eciton burchellii para caçar insetos espantados, algumas dependem quase exclusivamente disso para se alimentar.

4

Sutura com mandíbula

Soldados já foram usados como ponto de sutura improvisado: a mandíbula mordia as bordas do corte e o corpo era removido, deixando a cabeça fechando o ferimento.

Fontes

  1. Embrapa - Formigas
  2. GBIF - Eciton burchellii
  3. Universidade de São Paulo - USP Entomologia

Prós e contras: Formiga-correição

Prós

  • Controle biológico poderoso de baratas, escorpiões e cupins
  • Não danifica plantas, madeira ou estruturas
  • Indica ambiente saudável e equilibrado
  • Passagem rápida e temporária, sem infestação fixa
  • Fascínio ecológico e educacional, atrai aves formigueiras

Contras

  • Mordida dolorida que pode prender na pele
  • Assusta moradores quando entra em massa em casas
  • Risco para pets e crianças se ficarem no caminho da coluna
  • Difícil de manejar sem conhecimento, inseticida piora a situação
  • Machos alados atraídos por luz podem ser confundidos com vespas
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a formiga-correição é uma das formigas mais incompreendidas do Brasil: temida pela mordida, mas extremamente útil como controle natural de pragas. Vale mais aprender a conviver e deixá-la passar do que tentar exterminar, porque o benefício ecológico supera de longe o incômodo temporário.

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Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.