🐛 Insetos

Joaninha-de-sete-pontos

Coccinella septempunctata

Atualizado em

7 a 8 mmTamanho
Predadora de pulgõesAlimentação
4 a 8 semanas (ovo a adulto)Ciclo de vida
Campos, jardins e lavourasHabitat
Inofensiva, não picaPerigo para humanos
Joaninha-de-sete-pontos vista de cima sobre folha verde, mostrando os sete pontos pretos

A joaninha-de-sete-pontos é o besouro vermelho com sete pontos pretos mais conhecido do mundo, nativa da Europa, Ásia e Norte da África e hoje espalhada por quase todo o Hemisfério Norte. Facilmente reconhecida pelo padrão simétrico dos élitros, é uma predadora voraz de pulgões e um dos principais agentes de controle biológico na agricultura.

Apesar da aparência delicada, é um inseto resistente, que hiberna em grandes agregações e pode viver até 2 anos. No Brasil sua ocorrência é pontual e restrita a introduções, sendo muito confundida com a joaninha-asiática, mais comum por aqui.

Também conhecido como: Joaninha-de-7-pontos, Catarina (Portugal), Ladybug seven-spot (inglês), Mariquita de siete puntos (espanhol), Coccinelle à sept points (francês)

Faz parte de: Insetos Benéficos, Insetos Voadores

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Galeria de fotos de Joaninha-de-sete-pontos

Joaninha-de-sete-pontos vista de cima sobre folha verde, mostrando os sete pontos pretos
Joaninha-de-sete-pontos adulta com o padrão característico de sete pontos.
Close extremo da cabeça da joaninha-de-sete-pontos mostrando olhos e antenas
Detalhe da cabeça, olhos e antenas curtas da joaninha-de-sete-pontos.
Joaninha-de-sete-pontos com asas abertas em voo
Joaninha-de-sete-pontos com asas membranosas abertas durante o voo.
Larva e pupa da joaninha-de-sete-pontos sobre folha
Larva alongada e pupa da joaninha-de-sete-pontos, fases mais vorazes.
Joaninha-de-sete-pontos se alimentando de pulgões em caule de planta
Joaninha-de-sete-pontos predando pulgões, seu principal alimento.
Joaninha-de-sete-pontos ao lado da ponta do dedo para comparação de tamanho
Tamanho real da joaninha-de-sete-pontos, cerca de 7 a 8 mm.

Perfil rápido de Joaninha-de-sete-pontos

Estado de conservação

LC
Pouco preocupante

Espécie extremamente abundante e amplamente distribuída, sem risco de extinção.

População
Estável
Protegido por
Não

Calendário

Maior atividadeJFMAMJJASOND
ReproduçãoJFMAMJJASOND
Hibernação em agregaçãoJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsBaixa toxicidade
  • PessoasNão venenosa

Secreção de hemolinfa com alcaloides pode irritar pele, olhos e mucosa; ingestão por pets causa irritação leve e gosto amargo, sem risco grave. Lavar com água em caso de contato.

Vida útil

Na natureza
1 a 2 anos, com hibernação de 4 a 6 meses no inverno

Reprodução

Acasalamento
Sexuado, com cópula prolongada na primavera
Estrutura social
Solitária, gregária apenas na hibernação
Padrão sazonal
Reproduz na primavera e verão
Tipo de nascimento
Ovípara, ovos em grupos de 20 a 50
Ninhada
200 a 1.000 ovos por fêmea ao longo da vida

Habitat

Ambientes

  • Prados e pastagens
  • Campos agrícolas e pomares
  • Jardins urbanos
  • Bordas de mata e clareiras

Biomas

  • Pradaria
  • Mata temperada
  • Áreas agrícolas
  • Jardins urbanos

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Pulgões (afídeos)

Outros alimentos

  • Ácaros
  • Cochonilhas
  • Ovos de mariposas e borboletas
  • Pólen e néctar como complemento

Encontrado em 12 países

  • Portugal
  • Espanha
  • França
  • Alemanha
  • Reino Unido
  • Itália
  • Estados Unidos
  • Canadá
  • Japão
  • China
  • Marrocos
  • Brasil

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Coleoptera
Família
Coccinellidae
Gênero
Coccinella
Espécie
Coccinella septempunctata

Resumo

  • A joaninha-de-sete-pontos é um besouro predador de 7 a 8 mm, vermelho com sete pontos pretos, famoso por devorar milhares de pulgões ao longo da vida.
  • Tem metamorfose completa e ciclo rápido de 4 a 8 semanas de ovo a adulto, com adultos que hibernam em grupo durante o inverno.
  • É inofensiva para humanos e pets, não pica e não transmite doenças, mas libera secreção amarelada e malcheirosa quando ameaçada.

Características

Ficha do inseto

OrdemColeoptera
FamíliaCoccinellidae
Origem e distribuiçãoRegião Paleártica (Europa, Ásia e Norte da África); introduzida na América do Norte e registros pontuais na América do Sul
Tamanho7 a 8 mm de comprimento e 5 a 6 mm de largura
Coresvermelhopretobranco
Asas e vooÉlitros vermelhos com 7 pontos pretos, asas membranosas funcionais, voo ágil e curto
AlimentaçãoCarnívora, especializada em pulgões (afídeos)
MetamorfoseCompleta (ovo > larva > pupa > adulto)
Expectativa de vida1 a 2 anos
HabitatPrados, jardins, pomares, lavouras e bordas de mata
Comportamento socialSolitária na primavera/verão, forma agregações no inverno
Principais predadoresPássaros, aranhas, louva-a-deus e formigas

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
Importância para o ecossistemaMuito alto
Presença em casasBaixo
Benefício para a agriculturaMuito alto
Dano às plantasMuito baixo
Vida em grupoMédio

Como identificar a joaninha-de-sete-pontos sem confundir

A joaninha-de-sete-pontos tem corpo oval e convexo, vermelho vivo com exatamente sete pontos pretos. O padrão é fixo: três pontos em cada élitro e um ponto maior sobre a sutura, na junção das duas asas duras, o que totaliza sete.

O pronoto, a parte atrás da cabeça, é preto com duas manchas brancas laterais bem delimitadas. Cabeça pequena, preta, com antenas curtas e clavadas. Pernas e parte ventral são pretas.

O erro mais comum no Brasil é confundi-la com a joaninha-asiática (Harmonia axyridis), que varia de amarelo a vermelho e tem número variável de pontos. A asiática tem um desenho em forma de M ou W branco no pronoto, ausente na de sete pontos. Outra diferença é o tamanho: a de sete pontos tem 7 a 8 mm, ligeiramente menor e mais arredondada que a asiática.

Característica Joaninha-de-sete-pontos Joaninha-asiática
Pontos Sempre 7, padrão fixo 0 a 19, padrão variável
Pronoto Preto com 2 manchas brancas Branco com M preto ao centro
Cor Vermelho intenso Amarelo, laranja ou vermelho
Comportamento Raramente entra em casas Invade casas no outono/inverno

Onde vive e por que é tão espalhada pelo mundo

Nativa da região Paleártica, ocorre naturalmente de Portugal ao Japão e do sul da Escandinávia ao Norte da África. É a joaninha mais comum da Europa, presente em praticamente todos os países do continente.

Foi introduzida propositalmente nos Estados Unidos entre 1956 e 1971 para controle biológico de pulgões em lavouras. Estabeleceu-se, expandiu-se por todo o país e chegou ao Canadá. Na América do Sul os registros são pontuais e ligados a introduções acidentais ou experimentais, sem populações grandes como na Europa.

Prefere habitats abertos e ensolarados: prados, campos agrícolas, jardins, pomares e bordas de mata. Evita florestas densas e áreas muito úmidas. No inverno, migra para locais abrigados como fendas em troncos, sob cascas, em folhiço ou em construções rurais, onde forma agregações de dezenas a milhares de indivíduos para hibernar.

O que ela realmente come

É uma predadora estritamente carnívora na fase larval e adulta. A base da dieta são pulgões (afídeos), mas consome também ácaros, cochonilhas, ovos e pequenas lagartas de lepidópteros e psilídeos.

Uma larva consome 200 a 300 pulgões durante seu desenvolvimento e um adulto pode comer 50 a 60 pulgões por dia. Ao longo da vida, um único indivíduo elimina cerca de 5.000 pulgões, o que explica seu valor agrícola.

Quando faltam presas, complementa com pólen, néctar e fungos, mas não sobrevive apenas disso e não danifica plantas. Ao contrário de joaninhas fitófagas, como a Epilachna, não mastiga folhas.

Essa seletividade a torna altamente benéfica para hortas e pomares. Agricultores europeus a utilizam há séculos como indicador de equilíbrio biológico: muita joaninha significa controle natural funcionando.

Ciclo de vida: de ovo a adulto em poucas semanas

Tem metamorfose completa em quatro estágios. A fêmea põe 20 a 50 ovos amarelos e alongados, em grupos na face inferior de folhas, sempre perto de colônias de pulgões.

Em 3 a 5 dias eclodem larvas alongadas, pretas com manchas laranjas, aspecto de mini-jacaré e muito ativas. Passam por quatro ínstares em 10 a 15 dias, crescendo rapidamente. Nessa fase são ainda mais vorazes que os adultos.

A pupa é fixada na folha, laranja com pontos pretos, imóvel e em forma de cúpula. Em 7 a 10 dias emerge o adulto, inicialmente amarelo-pálido e sem pontos, que ganha cor e manchas em poucas horas. Do ovo ao adulto são 4 a 8 semanas, dependendo da temperatura.

Adultos vivem 1 a 2 anos. Os que nascem no final do verão não se reproduzem de imediato, acumulam gordura e entram em diapausa no inverno, retomando a reprodução na primavera seguinte. Uma fêmea pode pôr até 1.000 ovos ao longo da vida.

Como se defende e por que tem cheiro forte

Quando ameaçada, pratica sangramento reflexo: libera pelas articulações das pernas uma hemolinfa amarelada rica em alcaloides, principalmente coccinellina. O líquido tem cheiro forte, gosto amargo e mancha a pele.

Essa substância é irritante para predadores e tem efeito repelente. Pássaros aprendem rapidamente a associar o vermelho com preto ao gosto ruim, um caso clássico de aposematismo. A coloração viva não é por acaso, é aviso.

Outro comportamento é a tanatose, fingir-se de morta com pernas encolhidas. Larvas também são protegidas quimicamente e pouco predadas. O voo é a última linha de fuga, curto e ágil, mas raramente usado contra predadores.

Joaninha morde ou é venenosa? Riscos para pessoas e pets

A joaninha-de-sete-pontos não morde, não pica e não é venenosa. Não possui ferrão nem aparelho para inocular veneno. Mordidas defensivas são extremamente raras e, se ocorrerem, são apenas uma beliscada superficial sem importância médica.

A secreção amarela pode causar irritação leve em pele sensível, olhos e mucosa. Em pessoas alérgicas, o contato prolongado ou a inalação de agregações grandes pode desencadear rinite ou dermatite, mas são casos incomuns e ligados à joaninha-asiática em infestações domésticas.

Para cachorros e gatos, a ingestão de uma ou poucas joaninhas causa no máximo salivação, náusea ou irritação oral passageira devido ao gosto amargo. Não há risco de intoxicação grave. Se o pet ingerir muitas, observe e ofereça água; se houver vômito persistente, procure o veterinário. Em caso de contato com olhos, lave com água corrente.

O que fazer se encontrar em casa

Não há necessidade de controle químico. Basta coletar com um papel e soltar em plantas com pulgões. Evite esmagar para não liberar o odor e manchar superfícies.

Por que é considerada o melhor inseticida natural

Na nossa avaliação, a joaninha-de-sete-pontos é o predador de pulgões mais eficiente em clima temperado, superando crisopídeos e sirfídeos em constância. Sua especialização e alta taxa de consumo a colocam no topo dos programas de manejo integrado de pragas na Europa.

Estudos de campo na Inglaterra e Alemanha mostram que a presença de 2 a 3 adultos por planta pode reduzir colônias de pulgões em mais de 80% em uma semana, sem necessidade de inseticida. Por isso, é criada em biofábricas e vendida para soltura em estufas.

Além do controle direto, serve como bioindicadora de qualidade ambiental. Populações em queda indicam uso excessivo de agrotóxicos ou perda de habitat. Preservar faixas de flores e evitar inseticidas de amplo espectro são as melhores formas de atraí-la.

  • Evite inseticidas quando houver joaninhas ativas; prefira jato de água para pulgões.
  • Plante flores com pólen acessível como coentro, endro, calêndula e margaridas para alimentar adultos quando faltam pulgões.
  • Mantenha áreas de refúgio com folhiço e troncos para hibernação.

Curiosidades e confusões comuns no Brasil

No Brasil, a joaninha mais vista é a Harmonia axyridis e a Cycloneda sanguinea (joaninha-vermelha sem pontos), não a de sete pontos. Muitas fotos identificadas como de sete pontos na internet são na verdade da asiática. A verdadeira Coccinella septempunctata tem registro científico limitado e não forma grandes populações por aqui.

Na Europa, é símbolo de sorte desde a Idade Média. Agricultores medievais a chamavam de besouro de Nossa Senhora, acreditando que havia sido enviada pela Virgem Maria para salvar colheitas de pulgões. O nome inglês ladybird vem de Our Lady’s bird.

Outro mito é que o número de pontos indica a idade. Isso é falso. O número de pontos é fixo da espécie e definido na pupa; joaninhas não ganham pontos com o tempo. A idade se estima pelo desgaste dos élitros e pela coloração.

Perguntas frequentes

Joaninha-de-sete-pontos morde?

Não. Ela não morde nem pica. Pode dar uma beliscada defensiva raríssima se manuseada, mas sem ferir a pele.

Ela é venenosa?

Não é venenosa. Libera uma secreção amarelada com alcaloides que tem gosto ruim e pode irritar pele e olhos, mas não é veneno.

Quantos pulgões uma joaninha-de-sete-pontos come por dia?

Um adulto come de 50 a 60 pulgões por dia e uma larva consome 200 a 300 até virar pupa. Na vida toda, cerca de 5.000 pulgões.

Qual a diferença para a joaninha-asiática?

A de sete pontos tem sempre 7 pontos e pronoto preto com duas manchas brancas. A asiática tem número variável de pontos e um M preto no pronoto branco, além de invadir casas com frequência.

Joaninha-de-sete-pontos existe no Brasil?

Existem apenas registros pontuais de introdução. A joaninha mais comum no Brasil é a asiática (Harmonia axyridis) e a vermelha sem pontos (Cycloneda sanguinea).

O número de pontos indica a idade?

Não. O número de pontos é fixo da espécie e definido na fase de pupa. A joaninha não ganha pontos com a idade.

Como atrair joaninhas para a horta?

Evite inseticidas, mantenha plantas com pulgões e ofereça flores ricas em pólen como coentro, endro e calêndula. Deixe folhiço para abrigo no inverno.

Você sabia?

1

O ponto do meio é compartilhado

Os sete pontos não são 3+4. São 3 em cada élitro mais 1 grande exatamente sobre a linha central onde as duas asas se encontram, por isso parece que cada lado tem 3,5 pontos.

2

Larva parece jacaré e é mais voraz que o adulto

A larva preta com manchas laranjas consome até 300 pulgões em duas semanas e chega a praticar canibalismo, comendo ovos não eclodidos da própria postura quando há escassez de presas.

3

Hibernação em massa com feromônio

No outono, libera feromônios de agregação que atraem milhares de indivíduos para o mesmo abrigo. No sul da Inglaterra já foram registradas aglomerações com mais de 10 mil joaninhas-de-sete-pontos sob uma única casca de árvore.

4

Foi arma biológica na Guerra Fria

Entre 1956 e 1971, o Departamento de Agricultura dos EUA fez mais de 40 tentativas de introdução da espécie para controlar pulgões. Só depois de décadas ela se estabeleceu e hoje é uma das joaninhas mais comuns na América do Norte, deslocando espécies nativas em algumas regiões.

Fontes

  1. Embrapa - Controle Biológico
  2. GBIF - Coccinella septempunctata
  3. Universidade de São Paulo - Entomologia

Prós e contras: Joaninha-de-sete-pontos

Prós

  • Controle biológico excepcional de pulgões e ácaros
  • Totalmente inofensiva para humanos, pets e plantas
  • Indicadora de ambiente equilibrado e sem excesso de agrotóxicos
  • Ciclo rápido e alta voracidade já na fase larval
  • Fácil de identificar pelo padrão fixo de sete pontos

Contras

  • Rara no Brasil, pouco útil para controle local em larga escala
  • Pode ser confundida e eliminada por engano com joaninhas-praga
  • Secreção defensiva mancha e tem odor desagradável se esmagada
  • Larva tem aparência assustadora e é eliminada por quem não a reconhece
  • Em grande número na América do Norte, compete com joaninhas nativas
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a joaninha-de-sete-pontos é o exemplo perfeito de inseto benéfico que dispensa qualquer inseticida contra pulgões. Confundi-la com a joaninha-asiática é o erro mais comum no Brasil e esconde o fato de que a verdadeira de sete pontos é rara por aqui e ainda mais valiosa onde ocorre.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

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Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.