🐛 Insetos

Pulgão

Família Aphididae

Atualizado em

1 a 7 mmTamanho
Seiva de plantasAlimentação
7 a 30 diasCiclo de vida
Hortas, jardins e pomaresHabitat
Não pica e não é venenosoPerigo para humanos
Colônia de pulgões verdes na face inferior de uma folha

O pulgão não é uma espécie única, mas um grupo de mais de 5.000 espécies de insetos sugadores da família Aphididae. De corpo mole e tamanho minúsculo, entre 1 e 7 mm, ele vive em colônias densas na parte inferior das folhas e em brotos novos, onde suga a seiva com o aparelho bucal em forma de agulha.

Apesar de inofensivo para pessoas e pets, é uma das pragas mais importantes de hortas, jardins e pomares no Brasil. Sua reprodução por clonagem permite que uma única fêmea gere dezenas de descendentes em poucos dias, e sua relação com formigas e sua capacidade de transmitir mais de 200 vírus de plantas explicam por que é tão difícil de eliminar sem manejo correto.

Também conhecido como: Piolho-de-planta, Piolho-vegetal, Afídeo, Afídeos

Faz parte de: Insetos do Brasil, Pragas de Jardim

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Galeria de fotos de Pulgão

Colônia de pulgões verdes na face inferior de uma folha
Colônia de pulgões verdes agrupados na face inferior da folha.
Close extremo da cabeça do pulgão mostrando olhos e antenas
Detalhe da cabeça com antenas longas e olhos compostos.
Pulgão alado com asas transparentes abertas sobre folha
Forma alada que surge para colonizar novas plantas.
Pulgão adulto dando à luz ninfas por partenogênese
Reprodução vivípara: ninfas já nascem formadas.
Formigas pastoreando pulgões e coletando melaço
Formigas protegem pulgões em troca do melaço açucarado.
Larva de joaninha predando colônia de pulgões
Joaninha é o principal predador natural do pulgão.

Perfil rápido de Pulgão

Calendário

Maior atividade e infestaçãoJFMAMJJASOND
Pico de formas aladas (dispersão)JFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica

Não pica, não morde e não inocula veneno. Risco é apenas para plantas, por sucção de seiva e transmissão de vírus.

Vida útil

Na natureza
7 a 30 dias em média; até 40 dias em clima ameno
Ciclo ovo a adulto
7 a 10 dias no calor, 14 a 21 dias no frio

Reprodução

Tipo de reprodução
Partenogênese vivípara (clonagem) na maior parte do ano; sexuada com ovos em regiões frias
Nascimento
Vivíparo: ninfas já formadas, não ovos
Ninhada
30 a 80 ninfas por fêmea, 3 a 6 ninfas por dia
Maturidade sexual
5 a 10 dias após nascer
Estrutura social
Colonial e gregária; colônias com formas ápteras e aladas

Habitat

Ambientes

  • Face inferior de folhas e brotos novos
  • Hortas, pomares, jardins e vasos em varanda
  • Estufas e cultivos protegidos
  • Troncos e raízes em espécies subterrâneas

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Caatinga
  • Pampa
  • Amazônia
  • Pantanal

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Seiva do floema de plantas

Outros alimentos

  • Melaço excretado serve de alimento para formigas e abelhas, não é dieta do pulgão

Encontrado em 12 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Estados Unidos
  • México
  • Portugal
  • Espanha
  • França
  • Itália
  • África do Sul
  • Austrália
  • Japão
  • Índia

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Hemiptera
Família
Aphididae
Gênero
Aphis, Myzus, Macrosiphum, entre outros
Espécie
Mais de 5.000 espécies; ex.: Aphis gossypii, Myzus persicae, Brevicoryne brassicae

Resumo

  • Pulgão é um inseto sugador de seiva da família Aphididae, que forma colônias em brotos e folhas e se reproduz por clonagem em poucos dias.
  • Não pica pessoas nem é venenoso, mas deforma plantas, produz melaço que atrai fungo preto e transmite vírus graves como o mosaico.
  • O controle mais eficaz combina jato d'água, poda, inimigos naturais como joaninha e manejo integrado, evitando inseticida de amplo espectro.

Características

Ficha do inseto

OrdemHemiptera
FamíliaAphididae (principais gêneros: Aphis, Myzus, Macrosiphum)
Origem e distribuiçãoCosmopolita; presente em todos os continentes, muito comum em todo o Brasil
Tamanho1 a 7 mm de comprimento (a maioria entre 2 e 4 mm)
Coresverdepretoamarelomarromcinzarosadobranco
Asas e vooMaioria áptera (sem asas); formas aladas surgem quando a colônia fica lotada, voo curto e fraco
AlimentaçãoFitófago sugador de seiva (floema)
MetamorfoseIncompleta (hemimetabolia): ovo > ninfa > adulto, sem fase de pupa
Expectativa de vida7 a 30 dias em média, até 40 dias em clima ameno
HabitatFace inferior de folhas, brotos, hastes e botões florais
Comportamento socialGregário, vive em colônias densas que podem ter centenas de indivíduos
Principais predadoresJoaninha, crisopídeo, sirfídeo, vespas parasitoides (Aphidius spp.)

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
Importância para o ecossistemaMédio
Presença em casasMédio
Benefício para a agriculturaMuito baixo
Dano às plantasMuito alto
Vida em grupoMuito alto

Como identificar o pulgão sem confundir com outras pragas

O pulgão tem corpo mole em forma de pera, com 6 pernas finas, duas antenas longas e dois tubinhos nas costas chamados sifúnculos ou cornículos. É por eles que ele libera feromônio de alarme quando atacado.

As cores variam muito conforme a espécie e a planta hospedeira: verde-claro (Aphis gossypii e Myzus persicae), preto (Aphis craccivora), amarelo, marrom e até rosado. Tamanho raramente passa de 4 mm, por isso a infestação só chama atenção quando a colônia já está grande.

Muita gente confunde pulgão com cochonilha, mosca-branca e ácaro. A diferença prática: pulgão se mexe lentamente quando tocado, fica agrupado em brotos e na face inferior da folha e deixa as folhas meladas. Cochonilha tem carapaça ou cera branca fixa; mosca-branca voa em nuvem ao encostar na planta.

Onde vive e por que aparece tanto no Brasil

Pulgões são cosmopolitas e ocorrem o ano todo no Brasil, mas explodem na primavera e no verão, quando há brotação nova, calor e pouca chuva forte. Vasos em varanda, hortas urbanas, roseiras, citros, couve, alface e plantas ornamentais como hibisco são os alvos preferidos.

Ele prefere tecidos jovens e ricos em nitrogênio. Excesso de adubação nitrogenada, plantas estioladas por falta de sol e ausência de inimigos naturais favorecem o surto. Em ambientes fechados, como estufas e apartamentos, a ausência de joaninhas e de vento facilita ainda mais.

No campo, as formas aladas são responsáveis pela dispersão. Quando a colônia fica lotada ou a planta hospedeira enfraquece, fêmeas com asas surgem e voam para colonizar outra planta, às vezes a centenas de metros de distância.

O que o pulgão come e como suga a planta

O pulgão é fitófago sugador de floema. Ele insere um estilete fino entre as células até alcançar os vasos que transportam seiva elaborada, rica em açúcares.

Como a seiva tem muito açúcar e poucos aminoácidos, ele precisa sugar grande volume e excreta o excesso como honeydew, o melaço brilhante e pegajoso que pinga nas folhas. Esse melaço atrai formigas e permite o crescimento da fumagina, o fungo preto que cobre a folha e reduz a fotossíntese.

Essa alimentação explica por que o pulgão prefere brotos, botões e a face inferior das folhas: são pontos onde o floema é mais acessível e a cutícula é mais fina. Plantas estressadas por seca ou por poda drástica também ficam mais vulneráveis.

Ciclo de vida e reprodução: o clone que já nasce grávido

O ponto mais singular do pulgão é a partenogênese telescópica. Na primavera e no verão, fêmeas dão à luz ninfas já formadas, sem precisar de macho, por clonagem. Cada fêmea gera de 30 a 80 descendentes em uma a duas semanas.

O mais impressionante: uma ninfa já nasce com os embriões das netas dentro dela. É como se três gerações estivessem encaixadas uma dentro da outra, o que acelera a infestação de forma exponencial. Em condições quentes, o ciclo de ovo a adulto leva apenas 7 a 10 dias.

No outono e inverno de regiões frias, algumas espécies fazem reprodução sexuada e põem ovos resistentes. No Brasil tropical, a maioria se reproduz o ano todo por partenogênese vivípara, por isso não há pausa natural. A metamorfose é incompleta: a ninfa já nasce parecida com o adulto, só menor e sem asas.

Por que a colônia cresce tão rápido

  • Sem macho e sem ovo: nascimento direto acelera a multiplicação.
  • Simbiose obrigatória: a bactéria Buchnera aphidicola vive dentro do pulgão e produz aminoácidos essenciais que faltam na seiva.
  • Antese de asas: superlotação e queda de qualidade da planta disparam a produção de formas aladas.

Pulgão pica gente ou é venenoso? Riscos para pessoas e pets

Pulgão não pica, não morde, não tem ferrão e não é venenoso para pessoas, cachorros ou gatos. O aparelho bucal só perfura tecido vegetal e não consegue perfurar pele humana.

O contato pode causar irritação leve em pessoas muito sensíveis pelo melaço ou pela fumagina, mas não há risco toxicológico. Para pets, a ingestão acidental ao mordiscar uma folha infestada não causa envenenamento.

O risco real é indireto: formigas atraídas pelo melaço podem aumentar dentro de casa e o uso incorreto de inseticidas sem orientação é mais perigoso que o próprio pulgão. Em caso de alergia respiratória a mofo da fumagina, ventile e limpe as folhas com água.

Por que é considerado praga: danos diretos e vírus

O dano começa com folhas enroladas, brotos deformados, botões que não abrem e crescimento atrofiado. Em hortaliças, a seiva sugada reduz vigor e produção; em roseiras e orquídeas, compromete a floração.

O segundo dano é o melaço + fumagina. A camada preta cobre a folha, bloqueia luz e suja frutos, muros e calçadas sob árvores infestadas, como em infestação de pulgão-preto em citros.

O pior, porém, é invisível: pulgões são os maiores vetores de vírus de plantas do mundo, transmitindo mais de 200 vírus, como o mosaico do pepino, mosaico da alface e tristeza dos citros. Basta uma picada de prova de poucos segundos de um pulgão alado para inocular o vírus, mesmo que ele não colonize a planta.

Como controlar e prevenir sem acabar com polinizadores

Controle eficaz de pulgão é manejo integrado, não veneno preventivo. Comece sempre pelo método menos agressivo.

  • Jato d’água forte pela manhã na face inferior das folhas derruba 70% a 80% da colônia. Repita por 3 dias seguidos.
  • Poda e descarte: remova brotos muito infestados em saco fechado, sem deixar no chão.
  • Preserve inimigos naturais: joaninhas, larvas de crisopídeo e vespas Aphidius são os melhores aliados. Evite inseticida de amplo espectro que mata esses predadores.
  • Barreiras e manejo: use cobertura morta, faça rotação de culturas, evite excesso de nitrogênio e isole mudas novas por 7 dias antes de juntar à coleção.
  • Solução de sabão neutro: só como coadjuvante e com enxágue após 2 horas, para não queimar folhas. Nunca use receitas com óleo diesel, fumo ou vinagre concentrado.

Formigas protegem pulgões como se fossem gado, em troca do melaço. Se houver formigas subindo na planta, controle o acesso delas com barreira física no tronco e elimine o caminho, pois sem formigas os predadores trabalham melhor.

Se precisar de inseticida, prefira produtos seletivos à base de óleo vegetal ou sabão inseticida registrados para uso doméstico e aplique ao entardecer, quando abelhas não estão forrageando. Siga sempre a bula e a orientação de um engenheiro agrônomo.

Papel no ecossistema: praga na horta, alimento na natureza

Na nossa avaliação, o pulgão é praga na agricultura e no jardim, mas peça importante na cadeia alimentar natural. Sem ele, muitos predadores benéficos não existiriam.

Colônias servem de alimento para joaninhas, crisopídeos, sirfídeos, percevejos predadores e pássaros pequenos. O melaço alimenta abelhas, vespas e formigas em períodos de escassez de néctar.

Em ecossistemas equilibrados, a população é regulada naturalmente e raramente explode. O problema surge em monoculturas, vasos isolados e jardins sem diversidade, onde o controle biológico falha.

Curiosidades que pouca gente sabe sobre pulgões

Pulgões praticam autotomia de sifúnculo e liberam feromônio de alarme que faz a colônia inteira se dispersar em segundos quando um predador ataca. Alguns também chutam com as pernas traseiras para se soltar da folha.

Existe mutualismo obrigatório com formigas pastoras: formigas tocam o pulgão com as antenas para ordenhar o melaço, defendem a colônia contra joaninhas e até carregam pulgões para plantas melhores. Sem formigas, muitas colônias são eliminadas mais rápido.

O pulgão não tem como digerir completamente a seiva sem a bactéria Buchnera, que vive em células especiais e é passada de mãe para filha há mais de 100 milhões de anos. Se a bactéria morre com calor extremo, o pulgão não se reproduz.

Apesar do tamanho, algumas espécies produzem cera lanosa branca que as faz parecer algodão, como o pulgão-lanígero da macieira. Essa cera protege contra dessecação e confunde predadores.

Perguntas frequentes

Pulgão pica pessoas?

Não. O aparelho bucal do pulgão só perfura tecido vegetal e não consegue picar pele humana ou de pets.

Como acabar com pulgão de forma simples?

Jato d'água forte na face inferior das folhas por 3 dias seguidos + poda dos brotos mais infestados costuma resolver infestações leves sem inseticida.

Por que o pulgão volta tão rápido?

Porque se reproduz por clonagem telescópica, sem macho, gerando dezenas de ninfas em poucos dias e já nascendo grávido.

Pulgão preto, verde e branco são espécies diferentes?

Sim. A cor ajuda a identificar a espécie, como pulgão-preto (Aphis craccivora), pulgão-verde (Myzus persicae) e pulgão-branco lanígero, mas o manejo é semelhante.

O que é aquela meleca brilhante nas folhas?

É o honeydew ou melaço, excesso de açúcar excretado pelo pulgão. Ele atrai formigas e causa o fungo preto chamado fumagina.

Formiga ajuda ou atrapalha no controle?

Atrapalha. Formigas protegem pulgões contra predadores em troca do melaço; bloquear o acesso das formigas aumenta a eficácia do controle biológico.

Pulgão transmite doença para a planta?

Sim, é o principal vetor de vírus de plantas. Uma única picada de prova de um pulgão alado pode transmitir mosaicos e outras viroses incuráveis.

Você sabia?

1

Nasce grávido

Fêmeas partenogenéticas carregam dentro de si ninfas que já contêm os embriões da próxima geração, um fenômeno chamado geração telescópica.

2

Fazenda de formigas

Formigas pastoreiam pulgões, os protegem de joaninhas e os ordenham tocando o abdômen para coletar o melaço açucarado.

3

Bactéria indispensável

Todos os pulgões dependem da bactéria Buchnera aphidicola, herdada da mãe, para transformar seiva pobre em aminoácidos essenciais.

4

Transmissor de vírus relâmpago

O pulgão-verde Myzus persicae sozinho transmite mais de 100 vírus de plantas com apenas segundos de picada de prova.

Fontes

  1. Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
  2. GBIF - Global Biodiversity Information Facility
  3. ESALQ/USP - Entomologia Agrícola

Prós e contras: Pulgão

Prós

  • Base alimentar para joaninhas, crisopídeos e outros predadores benéficos
  • Indica desequilíbrio de manejo e ajuda a corrigir adubação e irrigação
  • Fácil de controlar mecanicamente com água e poda em infestações iniciais
  • Melaço serve de alimento para abelhas e formigas em períodos de escassez

Contras

  • Suga seiva e deforma brotos, folhas e flores
  • Excreta melaço que causa fumagina e reduz fotossíntese
  • Transmite mais de 200 vírus de plantas, muitas vezes incuráveis
  • Reprodução clonal explosiva dificulta erradicação total
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o pulgão é o melhor termômetro de desequilíbrio no jardim: onde falta diversidade e sobra nitrogênio, ele domina. Tentar erradicar com veneno forte só mata joaninhas e piora o problema na semana seguinte; o manejo com água, poda e controle de formigas resolve a maioria dos casos urbanos.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

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Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.