🐛 Insetos

Cigarrinha-do-milho

Dalbulus maidis

Atualizado em

3,7 a 4,3 mmTamanho
Seiva do milhoAlimentação
45 a 60 diasCiclo de vida
Lavouras de milhoHabitat
Não pica nem é venenosaPerigo para humanos
Cigarrinha-do-milho Dalbulus maidis de corpo amarelo-palha com duas manchas pretas na cabeça sobre folha de milho

A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) é um inseto sugador de apenas 3,7 a 4,3 mm, de cor palha a amarelo-clara, que vive exclusivamente do milho. Apesar do tamanho discreto, é hoje a principal praga da cultura no Brasil por transmitir patógenos sistêmicos.

Ela não causa dano direto significativo pela sucção, mas ao se alimentar da seiva inocula o enfezamento-pálido, o enfezamento-vermelho e o vírus da risca. Uma única cigarrinha infectada pode contaminar várias plantas em poucos dias e comprometer toda a lavoura.

Também conhecido como: Cigarrinha-do-milho, Cigarrinha do milho, Corn leafhopper (inglês), Chicharrita del maíz (espanhol)

Faz parte de: Insetos do Brasil, Insetos Voadores, Pragas de Jardim

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Galeria de fotos de Cigarrinha-do-milho

Cigarrinha-do-milho Dalbulus maidis de corpo amarelo-palha com duas manchas pretas na cabeça sobre folha de milho
Adulto de cigarrinha-do-milho com as duas manchas pretas características no vértice da cabeça.
Close extremo da cabeça da cigarrinha-do-milho mostrando olhos e manchas pretas
Detalhe da cabeça: as duas pintas pretas distinguem Dalbulus maidis de outras cigarrinhas.
Cigarrinha-do-milho com asas abertas em voo sobre lavoura
Asas membranosas permitem dispersão rápida entre lavouras.
Ninfas e ovos de cigarrinha-do-milho na face inferior da folha de milho
Ninfas sem asas vivem no cartucho e na face inferior das folhas jovens.
Colônia de cigarrinhas-do-milho agrupadas no cartucho do milho
Comportamento gregário: colônias se concentram no cartucho onde a seiva é mais acessível.
Cigarrinha-do-milho ao lado de nervura de folha de milho para escala de tamanho
Tamanho real de 3,7 a 4,3 mm, menor que um grão de arroz.

Perfil rápido de Cigarrinha-do-milho

Calendário

Maior atividade e risco para lavourasJFMAMJJASOND
Pico da safrinha e milho tigueraJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica

Não pica, não morde e não possui veneno. Inofensiva para pessoas e animais domésticos.

Vida útil

Em lavoura
Adulto vive 30 a 45 dias se houver milho disponível
Ciclo total
45 a 60 dias de ovo a adulto a 26-28 °C
Sem milho
Sobrevive apenas 3 a 5 dias sem se alimentar de milho

Reprodução

Metamorfose
Incompleta (ovo, 5 ínstares de ninfa, adulto)
Ovos
Postos inseridos no mesófilo foliar, 14 a 20 por dia, até 600 por fêmea
Incubação
8 a 10 dias
Ninfas
15 a 20 dias até virar adulto
Padrão sazonal
Reprodução contínua enquanto houver milho; picos na safra e safrinha

Habitat

Ambientes

  • Lavouras de milho em qualquer fase
  • Milho voluntário (tiguera) em beiras de estrada e carreadores
  • Milho de horta doméstica

Biomas

  • Cerrado
  • Mata Atlântica
  • Pampa
  • Caatinga
  • Amazônia (áreas agrícolas)

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Seiva do floema de milho (Zea mays)

Outros alimentos

  • Milho pipoca e milho doce
  • Teosinto (Zea spp., ancestral do milho)

Encontrado em 8 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Bolívia
  • Colômbia
  • México
  • Estados Unidos
  • Panamá

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Hemiptera
Família
Cicadellidae
Gênero
Dalbulus
Espécie
Dalbulus maidis (DeLong & Wolcott, 1923)

Resumo

  • A cigarrinha-do-milho mede cerca de 4 mm, é amarelo-palha com duas manchas pretas na cabeça e só sobrevive em milho.
  • Transmite três doenças graves: enfezamento-pálido, enfezamento-vermelho e virose da risca, que reduzem drasticamente a produção.
  • Tem ciclo rápido de 45 a 60 dias, voa longas distâncias e exige manejo integrado com eliminação de milho tiguera e controle de janela de plantio.

Características

Ficha do inseto

OrdemHemiptera
FamíliaCicadellidae
Origem e distribuiçãoNativa das Américas, do sul dos EUA ao norte da Argentina; presente em todo o Brasil agrícola
Tamanho3,7 a 4,3 mm de comprimento
Coresamarelo-palhapalhabege-clarocom duas manchas pretas no vértice da cabeça
Asas e vooDuas pares de asas membranosas; voo ativo e pode dispersar por quilômetros com ajuda do vento
AlimentaçãoFitófaga sugadora, seiva do floema do milho
MetamorfoseIncompleta (hemimetabolia: ovo > ninfa > adulto)
Expectativa de vidaAdulto vive 30 a 45 dias; ciclo completo 45 a 60 dias a 26-28 °C
HabitatExclusivo de lavouras de milho e milho voluntário (tiguera)
Comportamento socialGregária, forma colônias nas folhas mais jovens e no cartucho
Principais predadoresJoaninhas, tesourinhas, aranhas, vespas e fungos entomopatogênicos

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
Importância para o ecossistemaBaixo
Presença em casasMuito baixo
Benefício para a agriculturaMuito baixo
Dano às plantasMuito alto
Vida em grupoAlto

Como identificar a cigarrinha-do-milho sem confundir

A cigarrinha-do-milho adulta tem cor amarelo-palha a bege-clara e corpo alongado de 3,7 a 4,3 mm. O detalhe que mais ajuda na identificação são duas manchas pretas bem nítidas no topo da cabeça, entre os olhos.

As asas são transparentes e ficam dobradas em forma de telhado sobre o abdômen quando em repouso. As pernas traseiras são saltadoras, típicas de cigarrinhas, e permitem saltos rápidos quando perturbada.

As ninfas são menores, sem asas, de cor mais clara e quase translúcidas, e ficam na face inferior das folhas e dentro do cartucho do milho. É comum confundi-la com outras cigarrinhas verdes ou marrons, mas só Dalbulus maidis tem as duas pintas pretas no vértice e vive exclusivamente em milho.

Diferença para outras cigarrinhas

Cigarrinhas do gênero Empoasca ou Agallia são esverdeadas e polífagas. A cigarrinha-do-milho é sempre palha e monófaga. Se o inseto está em soja, pastagem ou jardim, não é ela.

Por que ela é tão perigosa para o milho: as doenças que transmite

O dano direto da sucção é irrelevante. O problema é que ela é vetora eficiente de três patógenos sistêmicos que circulam na planta e não têm cura depois da infecção.

Ao se alimentar por poucos minutos, uma cigarrinha infectada já inocula o patógeno. E ela permanece infectante por toda a vida, transmitindo para cada nova planta que visita.

Doença Agente Sintoma na planta
Enfezamento-pálido Spiroplasma kunkelii Folhas com estrias esbranquiçadas na base, encurtamento de entrenós, espigas pequenas
Enfezamento-vermelho Maize bushy stunt phytoplasma Avermelhamento das folhas, perfilhamento excessivo, espigas com grãos falhados
Risca ou rayado fino Maize rayado fino virus (MRFV) Pontos e riscas cloróticas finas nas folhas, planta raquítica

Em infecções precoces, até a fase V8, as perdas podem passar de 70% da produção e chegar à perda total em áreas com alta pressão. Por isso a Embrapa classifica Dalbulus maidis como praga-chave do milho safrinha.

Ciclo de vida e reprodução: rápida e contínua

A cigarrinha tem metamorfose incompleta. A fêmea insere os ovos dentro do tecido da folha, principalmente na nervura central, onde ficam protegidos e quase invisíveis.

Cada fêmea põe cerca de 14 a 20 ovos por dia e pode ultrapassar 600 ovos ao longo da vida. A 26 a 28 °C, os ovos eclodem em 8 a 10 dias.

As ninfas passam por cinco ínstares em cerca de 15 a 20 dias, sempre se alimentando na mesma planta. O adulto surge já capaz de voar e se reproduzir em poucos dias. O ciclo completo leva 45 a 60 dias, permitindo várias gerações dentro de uma mesma safra.

Sem milho vivo, o ciclo quebra. Ela não sobrevive mais que alguns dias em outras plantas e não tem fase de diapausa longa. É essa dependência que orienta o controle.

Onde vive e quando ataca no Brasil

Dalbulus maidis é nativa das Américas e ocorre do sul dos Estados Unidos até a Argentina. No Brasil, está presente em todas as regiões produtoras de milho, com maior pressão no Centro-Oeste, Sudeste, Paraná e no MATOPIBA.

Vive exclusivamente onde há milho: lavoura comercial, milho tiguera (voluntário que nasce de grãos perdidos na colheita), milho de beira de estrada e até milho de horta. Não coloniza mata ou pastagem.

A atividade é maior em temperaturas de 26 a 32 °C. No Brasil, há dois picos claros: no plantio da safra de verão (setembro a dezembro) e, principalmente, na safrinha (fevereiro a julho), quando o milho tiguera da safra anterior mantém a população na entressafra.

Adultos voam ativamente e podem ser carregados pelo vento por centenas de metros a alguns quilômetros em poucos dias, colonizando lavouras recém-emergidas. É por isso que o plantio escalonado na mesma região aumenta o risco.

O que a cigarrinha come e como se alimenta

É monófaga estrita: alimenta-se apenas de milho (Zea mays) e de seu ancestral teosinto. Não completa o ciclo em sorgo, milheto ou braquiária, embora possa pousar neles por engano.

Possui aparelho bucal picador-sugador. Insere o estilete no floema e suga a seiva elaborada. Prefere folhas jovens, ainda enroladas no cartucho, onde o tecido é mais tenro e a concentração de patógenos é maior.

Alimenta-se por longos períodos, de forma silenciosa. Não produz melada abundante como pulgões, por isso a infestação passa despercebida até o aparecimento dos sintomas das doenças, 20 a 30 dias depois.

A cigarrinha pica pessoas ou animais? Riscos reais

Não. A cigarrinha-do-milho não pica, não morde, não tem ferrão e não possui veneno. Ela é totalmente inofensiva para pessoas, cachorros, gatos e outros animais.

Não transmite doenças a humanos e não infesta casas. Se encontrada dentro de residência, foi trazida acidentalmente com roupas ou vento, e morre rapidamente sem milho para se alimentar.

O único risco é econômico e agrícola. Para quem tem horta doméstica com milho, a presença indica necessidade de manejo, mas sem perigo para a família ou pets.

Como controlar e conviver: manejo integrado na lavoura

Não existe controle curativo para as doenças depois que a planta é infectada. O foco é reduzir a população da cigarrinha e evitar que ela chegue infectada à lavoura jovem, que é a fase mais vulnerável (da emergência até V8).

  • Elimine o milho tiguera: faça vazio sanitário de pelo menos 30 dias sem milho vivo na região. É a medida mais eficaz e recomendada pela Embrapa.
  • Evite plantio escalonado: concentre a semeadura em janela curta de até 20 dias entre vizinhos para não criar ponte verde contínua.
  • Use sementes com tratamento inseticida: protege a plântula nos primeiros 20 a 30 dias, quando a infecção é mais danosa.
  • Monitore com cartão amarelo: armadilhas adesivas na borda da lavoura ajudam a detectar a chegada dos adultos antes dos sintomas.
  • Preserve inimigos naturais: joaninhas, tesourinhas, crisopídeos e fungos como Beauveria bassiana e Metarhizium reduzem ninfas.
  • Escolha híbridos mais tolerantes: nenhum é imune, mas alguns apresentam menor severidade de enfezamento.

Evite aplicações calendarizadas de inseticida sem monitoramento. O uso excessivo seleciona populações resistentes e mata predadores. Quando necessário, a aplicação deve ser direcionada ao cartucho e feita com rotação de modos de ação, sempre com orientação agronômica.

Em hortas pequenas, a remoção manual de plantas voluntárias e o plantio fora do pico da safrinha já reduzem drasticamente o problema.

Curiosidades e erros comuns sobre a cigarrinha-do-milho

Um erro frequente é achar que qualquer cigarrinha no milho é Dalbulus maidis. Na verdade, o milho hospeda dezenas de espécies, mas só ela transmite os enfezamentos. Identificar as duas pintas pretas evita pulverizações desnecessárias.

Outro mito é que ela vem da semente. Ela não é transmitida por sementes. A infecção vem sempre de uma cigarrinha que se alimentou em planta doente e depois voou para planta sadia.

Na nossa avaliação, a cigarrinha-do-milho é o exemplo mais claro de como um inseto minúsculo pode ter impacto desproporcional. O controle não depende de um produto milagroso, mas de organização regional entre produtores para quebrar a ponte verde. Sem ação coletiva, o controle isolado falha.

Por fim, apesar do nome, ela não canta como as cigarras. O nome cigarrinha vem apenas do parentesco distante na ordem Hemiptera e do hábito saltador, não do som.

Perguntas frequentes

Cigarrinha-do-milho pica gente?

Não. Ela tem aparelho bucal para sugar seiva de milho, não pica pessoas nem animais e não tem veneno.

Como saber se é a cigarrinha-do-milho?

Procure um inseto amarelo-palha de 4 mm com duas manchas pretas bem definidas no topo da cabeça e que está exclusivamente em milho.

Qual o dano que ela causa?

Transmite enfezamento-pálido, enfezamento-vermelho e vírus da risca, que deixam a planta raquítica, avermelhada ou com estrias e reduzem muito a produção.

Como acabar com a cigarrinha-do-milho?

Não há cura após a infecção. O manejo integrado combina eliminar milho tiguera, respeitar vazio sanitário, usar semente tratada e monitorar com cartão amarelo.

Inseticida resolve sozinho?

Não. Aplicações isoladas sem eliminar a ponte verde e sem rotação de princípios ativos têm baixa eficácia e selecionam resistência.

Ela ataca outras plantas além do milho?

Não completa o ciclo em outras culturas. Pode pousar em sorgo ou braquiária, mas só se reproduz e sobrevive em milho.

Quando a cigarrinha é mais perigosa?

Da emergência até 30 dias (até V8). Infecções precoces causam as maiores perdas, por isso a proteção inicial é crucial.

Você sabia?

1

Só vive em milho

Dalbulus maidis é uma das poucas cigarrinhas monófagas do mundo. Sem milho vivo, morre em 3 a 5 dias e não completa o ciclo em nenhuma outra cultura.

2

As duas pintas que entregam

As duas manchas pretas no vértice da cabeça são a marca registrada da espécie e visíveis com lupa de 10x, dispensando microscópio para identificação no campo.

3

Vetora por toda a vida

Depois de adquirir o Spiroplasma ou o fitoplasma, a cigarrinha fica infectante de forma persistente e propaga o patógeno para todas as plantas que visitar até morrer.

4

Voo com vento a favor

Embora tenha só 4 mm, adultos marcados já foram recapturados a mais de 1 km da origem em 24 horas, explicando a rápida colonização de lavouras recém-emergidas.

Fontes

  1. Embrapa Milho e Sorgo
  2. GBIF - Dalbulus maidis
  3. Esalq/USP - Entomologia Agrícola

Prós e contras: Cigarrinha-do-milho

Prós

  • Vetora altamente específica, o que facilita o manejo focado no milho
  • Serve de alimento para predadores benéficos como joaninhas e tesourinhas
  • Indicadora de falhas no vazio sanitário e no manejo regional
  • Ciclo dependente de milho vivo permite controle cultural eficaz sem veneno excessivo

Contras

  • Transmite três patógenos sistêmicos sem cura para a planta
  • Ciclo muito rápido e alta fecundidade geram explosões populacionais
  • Voa longas distâncias e coloniza lavouras jovens rapidamente
  • Infecção precoce pode causar perda total da lavoura
  • Controle exige ação coletiva entre vizinhos, difícil de coordenar
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a cigarrinha-do-milho é hoje o maior gargalo fitossanitário do milho no Brasil não pelo que suga, mas pelo que transmite. O manejo só funciona quando deixa de ser individual e passa a ser regional, com vazio sanitário e janela única de plantio.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

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Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.