Resumo
- A cigarrinha-verde é um inseto sugador de 2,5 a 3 mm, verde-claro, que se alimenta da seiva e injeta saliva tóxica nas plantas.
- Muito comum em lavouras e jardins do Brasil, tem metamorfose incompleta, ciclo de 30 a 45 dias e explosões populacionais no calor úmido.
- Não oferece risco para pessoas, cachorro ou gato, mas é uma das principais pragas do feijoeiro por causar hopperburn e transmitir viroses.
Características
Ficha do inseto
| Ordem | Hemiptera |
|---|---|
| Família | Cicadellidae |
| Origem e distribuição | Américas, muito comum em todo o Brasil |
| Tamanho | 2,5 a 3 mm de comprimento |
| Cores | verde-claroverde-amareladoolhos esbranquiçados |
| Asas e voo | 2 pares de asas membranosas, voo curto e salto potente |
| Alimentação | Fitófaga sugadora de seiva (floema) |
| Metamorfose | Incompleta (hemimetabolia: ovo > ninfa > adulto) |
| Expectativa de vida | 30 a 60 dias como adulto |
| Habitat | Folhas, brotos e face inferior das folhas em lavouras e hortas |
| Comportamento social | Gregário, forma agregações em reboleiras |
| Principais predadores | Joaninhas, crisopídeos, aranhas e vespas predadoras |
Perfil e comportamento
| Periculosidade para pessoas | Muito baixo |
|---|---|
| Importância para o ecossistema | Médio |
| Presença em casas | Baixo |
| Benefício para a agricultura | Muito baixo |
| Dano às plantas | Muito alto |
| Vida em grupo | Alto |
Como identificar a cigarrinha-verde sem confundir
A cigarrinha-verde adulta é minúscula, alongada e verde-clara quase translúcida, com 2,5 a 3 mm. Vista de cima, parece uma cunha: cabeça mais larga que o abdômen afilado.
O detalhe que entrega é o comportamento. Ao encostar na planta, ela anda de lado como caranguejo e salta longe em vez de voar. Esse salto rápido, desproporcional ao tamanho, é típico das cigarrinhas.
- Ninfas: menores, sem asas, verde-pálidas, caminham rápido na face inferior da folha. Não saltam tão longe quanto o adulto.
- Ovos: invisíveis a olho nu, inseridos dentro das nervuras e pecíolos da folha.
- Confusão comum: pulgões são mais arredondados e lentos; mosca-branca voa em nuvem esbranquiçada; cigarrinha-verde é mais ágil e sempre verde.
Na lupa, repare nas pernas traseiras com fileiras de espinhos e nas asas anteriores em forma de telhado sobre o corpo. É o padrão da família Cicadellidae.
Onde vive e por que aparece tanto no Brasil
No Brasil, a espécie mais citada como cigarrinha-verde é Empoasca kraemeri, presente de norte a sul. Ocorre também em toda a América Central e parte da América do Norte.
Ela prefere áreas agrícolas, hortas, jardins e bordas de mata com plantas hospedeiras disponíveis o ano todo. Feijão, batata, amendoim, soja, algodão, berinjela, pimentão e diversas plantas ornamentais estão na lista.
A explosão populacional acontece no período quente e úmido, entre primavera e verão. Com temperaturas acima de 25 °C e brotações novas, o ciclo encurta e a população dobra em poucas semanas.
Dentro da planta, fica quase sempre na face inferior das folhas mais novas. É ali que suga, põe ovos e se protege do sol direto e de predadores.
O que ela come e como causa o hopperburn
A cigarrinha-verde é fitófaga sugadora. Com o aparelho bucal em forma de estilete, perfura o floema e suga a seiva elaborada.
O dano não é só pela perda de seiva. Ao se alimentar, ela injeta saliva com toxinas e enzimas que obstruem os vasos condutores. O resultado é o famoso hopperburn: bordas amareladas que evoluem para marrom, folhas encarquilhadas para baixo e encurtamento das nervuras.
Em feijoeiro, o ataque severo reduz o número de vagens, deforma grãos e pode causar perda total em cultivares suscetíveis. Em batata e amendoim, o sintoma é o amarelecimento em forma de V na ponta da folha.
- Sintomas iniciais: pontuações claras, leve enrolamento das folhas novas.
- Sintomas avançados: amarelecimento das bordas, necrose, superbrotamento e nanismo.
- Dano indireto: transmissão de vírus e fitoplasmas, além de excreção de honeydew que favorece fumagina.
Ciclo de vida e reprodução: rápida e explosiva
A cigarrinha-verde tem metamorfose incompleta. Não há fase de pupa: do ovo sai uma ninfa já parecida com o adulto, só que sem asas.
A fêmea insere 1 a 3 ovos por dia dentro do tecido vegetal, podendo chegar a 50 a 80 ovos ao longo da vida. Em temperaturas quentes, os ovos eclodem em 8 a 10 dias.
As ninfas passam por 5 ínstares em 10 a 15 dias, trocando de pele a cada fase e se alimentando sem parar. O adulto vive de 30 a 60 dias e já pode acasalar 2 a 3 dias após emergir.
Na nossa avaliação, é essa matemática que torna o controle difícil. Com ciclo total de 30 a 45 dias no verão, três gerações podem se sobrepor no mesmo talhão, com ovos, ninfas e adultos ao mesmo tempo.
Diferença para cigarras e outras cigarrinhas
Cigarras são muito maiores, cantam alto e vivem anos como ninfa no solo. A cigarrinha-verde é silenciosa para o ouvido humano, vive semanas e nunca canta. Outras cigarrinhas, como a marrom ou a cigarrinha-do-milho, têm coloração e hospedeiros diferentes.
Comportamento: salto, voo curto e vida agregada
O voo da cigarrinha-verde é curto, baixo e desajeitado. Ela prefere saltar usando as pernas traseiras hipertrofiadas. Esse salto pode alcançar até 30 a 40 vezes o comprimento do corpo.
Vive em grupo, mas sem organização social como abelhas. Forma agregações soltas em reboleiras, onde dezenas de indivíduos se concentram nas mesmas plantas mais tenras. Se a planta é tocada, todos saltam ao mesmo tempo.
É mais ativa nas horas mais frescas do dia, início da manhã e fim da tarde. No calor forte, se abriga na sombra da face inferior da folha.
Quando perturbada, excreta gotículas de honeydew açucarado. Essa substância atrai formigas e fungos e é um sinal indireto de infestação alta.
Cigarrinha-verde pica? Riscos para pessoas, cachorro e gato
Não pica, não morde, não tem ferrão e não é venenosa. O aparelho bucal só perfura tecido vegetal e não consegue perfurar pele humana ou de pets.
Não transmite doenças para pessoas, cachorro ou gato e não causa alergia relevante. O contato acidental é inofensivo, no máximo um susto pelo salto.
O único risco indireto é para quem aplica inseticida sem proteção. Se houver infestação em casa, evite veneno doméstico sem orientação e priorize manejo mecânico e biológico.
Se encontrar muitas cigarrinhas em vasos dentro de casa, não é infestação doméstica: elas vieram de plantas próximas. Leve os vasos para área ventilada e lave as folhas com jato de água.
É praga ou tem benefício? Papel no ecossistema
Para a agricultura, é praga secundária que vira primária quando o equilíbrio se quebra. Em sistemas com uso excessivo de inseticida de amplo espectro, seus predadores naturais somem e a população explode.
No ecossistema natural, tem papel de presa abundante. Serve de alimento para joaninhas, bicho-lixeiro (crisopídeo), aranhas, percevejos predadores e pequenas vespas. Sem ela, muitos predadores teriam menos recurso.
Também participa, em baixa densidade, da ciclagem de nutrientes ao devolver açúcares via honeydew para o solo e para outros insetos. O problema é sempre o desequilíbrio.
Por isso, na nossa avaliação, a cigarrinha-verde não deve ser vista como inimiga a ser exterminada a qualquer custo, mas como indicadora de manejo. Planta bem nutrida, com diversidade ao redor e controle biológico preservado, tolera níveis baixos sem perda econômica.
Como controlar sem acabar com polinizadores
O controle começa no monitoramento. Vistorie semanalmente a face inferior de 20 a 30 folhas novas por talhão. Nível de ação em feijão costuma ser de 1 a 2 ninfas por folha em cultivares suscetíveis, mas varia por região e estádio da planta.
- Manejo cultural: plante cultivares tolerantes, faça rotação de culturas, elimine plantas tigueras e restos culturais, e evite plantio escalonado contínuo que mantém alimento o ano todo.
- Controle mecânico: em hortas e jardins, jato forte de água nas folhas, poda de brotos muito infestados e uso de armadilhas adesivas amarelas para monitorar.
- Controle biológico: preserve joaninhas, crisopídeos e aranhas. Evite inseticidas de amplo espectro que matam esses aliados.
- Barreiras físicas: tela anti-inseto em estufas e mudas bem protegidas nos primeiros 30 dias, fase mais vulnerável.
Se precisar intervir quimicamente em lavoura, busque orientação agronômica local e prefira produtos seletivos dentro do manejo integrado de pragas. Nunca aplique em floração plena e sempre no fim da tarde para proteger abelhas.
Em jardim doméstico, raramente é necessário veneno. Adubação equilibrada sem excesso de nitrogênio, que deixa folhas muito tenras, já reduz a atratividade.
Curiosidades que pouca gente sabe
A cigarrinha-verde produz brochosomas, partículas ultrafinas que espalha sobre o corpo e ovos como capa protetora hidrofóbica. É uma exclusividade das cigarrinhas, descoberta só com microscopia eletrônica.
Apesar de pequena, sua saliva é tão potente que uma única ninfa pode causar sintomas visíveis em folíolos jovens de feijão em poucos dias de alimentação contínua.
Estudos da Embrapa mostram que a cigarrinha-verde prefere nitrogênio: lavouras com adubação nitrogenada excessiva têm até o dobro de infestação comparadas a áreas com adubação equilibrada.
Perguntas frequentes
Cigarrinha-verde pica pessoas?
Não. Ela só perfura plantas para sugar seiva e não consegue picar pele humana ou de pets.
Qual o dano da cigarrinha-verde nas plantas?
Causa hopperburn: bordas amareladas, folhas encarquilhadas e nanismo, além de transmitir vírus e fitoplasmas em feijão e batata.
Como acabar com cigarrinha-verde na horta caseira?
Lave a face inferior das folhas com jato de água, remova brotos muito infestados, use armadilha amarela para monitorar e preserve joaninhas.
Qual a diferença entre cigarrinha-verde e pulgão?
A cigarrinha é alongada, verde-clara, ágil e salta; o pulgão é arredondado, lento e forma colônias compactas, sem salto.
Quando a cigarrinha-verde aparece mais?
Na primavera e verão, com calor e brotações novas. No Brasil, o pico vai de setembro a abril.
Inseticida caseiro resolve?
Jato de água e manejo cultural resolvem infestações leves. Para lavouras, siga manejo integrado com orientação agronômica e evite produtos de amplo espectro na floração.
Você sabia?
Capa invisível de brochosomas
Ela fabrica bolinhas proteicas de 0,3 micra e espalha nas asas e ovos para repelir água e parasitas. Só aparece em microscópio eletrônico.
Saliva que entope a planta
Não é só sucção: a saliva tóxica bloqueia o floema e causa o hopperburn, com bordas amarelas em V que viram necrose.
Atração por nitrogênio
Folhas com excesso de nitrogênio ficam mais verdes e tenras e atraem até o dobro de cigarrinhas, segundo ensaios com feijoeiro.
Salto desproporcional
Com pernas traseiras espinhosas, salta mais de 30 vezes o próprio tamanho e anda de lado quando perturbada.










