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Bicho-bolo

Diloboderus abderus

Atualizado em

1,5 a 2 cm (adulto); até 3,5 cm (larva)Tamanho
Raízes de gramíneas (larva) e folhas (adulto)Alimentação
Cerca de 12 meses, metamorfose completaCiclo de vida
Solo de pastagens e lavouras no Sul do BrasilHabitat
Não pica, não morde, não é venenosoPerigo para humanos
Bicho-bolo adulto, besouro preto brilhante Diloboderus abderus no solo

O bicho-bolo é o nome popular do besouro Diloboderus abderus, muito comum no Sul do Brasil, Argentina e Uruguai. O adulto é um besouro preto de voo noturno, mas quem causa prejuízo é a larva: um coró branco e gordinho que vive enterrado e se alimenta de raízes.

Apesar da fama de praga, ele não pica, não morde e não é venenoso para pessoas ou pets. O problema é agrícola: em alta densidade, as larvas falham pastagens, trigo e gramados, deixando manchas amareladas que se soltam como tapete.

Saber identificar o bicho-bolo e diferenciar de outros corós é essencial para não aplicar controle desnecessário e preservar o solo.

Também conhecido como: Coró, Coró-das-pastagens, Coró-do-trigo, Pão-de-galinha, Capitão

Faz parte de: Insetos do Brasil, Pragas de Jardim

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Galeria de fotos de Bicho-bolo

Bicho-bolo adulto, besouro preto brilhante Diloboderus abderus no solo
Adulto do bicho-bolo, besouro preto de 1,5 a 2 cm com carapaça brilhante.
Cabeça e chifre bifurcado do bicho-bolo macho em close extremo
Detalhe do chifre bifurcado do macho, ausente nas fêmeas.
Larva coró do bicho-bolo branca em forma de C no solo
Larva coró em C, fase que se alimenta de raízes e causa o dano.
Bicho-bolo com asas abertas em voo noturno
Voo curto e noturno dos adultos na revoada de verão.
Pastagem com falhas amareladas causadas por bicho-bolo
Sintoma típico: reboleiras amareladas que se soltam como tapete.
Comparação de tamanho da larva do bicho-bolo ao lado de folha
Tamanho da larva comparado a folha, até 3,5 cm quando bem desenvolvida.

Perfil rápido de Bicho-bolo

Calendário

Revoada e acasalamento dos adultosJFMAMJJASOND
Larvas ativas e com maior danoJFMAMJJASOND
Pupas no soloJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica

Não pica, não morde e não possui veneno. Pode causar apenas irritação mecânica leve em pele sensível.

Vida útil

Na natureza
10 a 12 meses no total; adulto vive apenas 2 a 4 semanas para reproduzir
Fase larval
6 a 9 meses, a mais longa e a que causa dano às raízes

Reprodução

Metamorfose
Completa: ovo > larva (3 ínstares) > pupa > adulto
Acasalamento
Revoada noturna de verão, no solo, entre dezembro e março
Ovos
20 a 40 ovos por fêmea, depositados isolados em galerias no solo
Pupa
Em câmara de terra a 10-20 cm de profundidade, por 20 a 30 dias

Habitat

Ambientes

  • Pastagens nativas e cultivadas
  • Lavouras de trigo, aveia, cevada e milho
  • Gramados urbanos e campos
  • Solos argilosos úmidos com palhada

Biomas

  • Pampa
  • Mata Atlântica

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Raízes de gramíneas

Outros alimentos

  • Folhas de gramíneas (adulto)
  • Matéria orgânica do solo

Encontrado em 4 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Uruguai
  • Paraguai

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Coleoptera
Família
Scarabaeidae
Gênero
Diloboderus
Espécie
Diloboderus abderus

Resumo

  • Bicho-bolo é o besouro Diloboderus abderus, cuja larva coró branca em C vive no solo e se alimenta de raízes de gramíneas.
  • Adulto tem 1,5 a 2 cm, cor preta a marrom-escura, com macho chifrudo e voo noturno de verão; não pica nem é venenoso.
  • É praga de pastagens e lavouras no Sul do Brasil, com ciclo de cerca de 12 meses e maior dano causado pelas larvas no outono e inverno.

Características

Ficha do inseto

OrdemColeoptera
FamíliaScarabaeidae
Origem e distribuiçãoAmérica do Sul subtropical: Sul do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai
TamanhoAdulto 14 a 20 mm; larva 25 a 35 mm
Corespretomarrom-escurocastanho-avermelhadobranco (larva)
Asas e vooCom élitros; voo curto, pesado e noturno
AlimentaçãoLarva: raízes de gramíneas; Adulto: folhas e matéria orgânica
MetamorfoseCompleta (ovo > larva > pupa > adulto)
Expectativa de vida10 a 12 meses no total; adulto vive 2 a 4 semanas
HabitatSolo de pastagens, lavouras de inverno e gramados
Comportamento socialSolitário; larvas podem se concentrar em alta densidade
Principais predadoresAves, besouros carabídeos, nematoides, fungos e vespas parasitoides

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
Importância para o ecossistemaMédio
Presença em casasMuito baixo
Benefício para a agriculturaMuito baixo
Dano às plantasAlto
Vida em grupoBaixo

Como identificar o bicho-bolo sem confundir com outros corós

O bicho-bolo adulto é um besouro ovalado, preto a marrom-escuro bem brilhante, com 14 a 20 mm de comprimento. O macho se destaca por um chifre curto e bifurcado na cabeça e outro menor no pronoto; a fêmea não tem chifres e é um pouco mais larga e opaca.

A larva é o que a maioria encontra: um coró branco-amarelado em forma de C, com cabeça marrom-avermelhada bem dura, três pares de perninhas na frente e traseira mais escura e translúcida por causa da terra no intestino. Quando tocada, ela se enrola ainda mais, daí o nome bicho-bolo.

É fácil confundir com larvas de outros scarabeídeos, como o bicho-bolo-da-soja (Phyllophaga) ou o coró-das-hortaliças. O Diloboderus abderus se diferencia pela fileira de pelos curtos no último segmento abdominal e por ocorrer quase sempre em solo de gramíneas, não em horta ou composto.

Onde vive e por que é tão comum no Sul do Brasil

O bicho-bolo é nativo do Pampa e da Mata Atlântica do Sul, com maior ocorrência no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e também no Uruguai e centro da Argentina. Prefere solos com cobertura vegetal permanente, pastagens nativas, trigo, aveia, cevada e gramados urbanos.

Vive quase todo o ciclo enterrado de 5 a 20 cm de profundidade. Solos argilosos, úmidos e com palhada favorecem a sobrevivência das larvas, por isso o sistema de plantio direto, embora conserve o solo, aumentou a incidência da praga a partir dos anos 1980.

Dentro de casa ele quase não aparece. Adultos podem ser atraídos por luz à noite no verão, mas não formam infestações domésticas. Se você achou muitos corós no jardim, o foco está no solo do gramado, não dentro de casa.

O que o bicho-bolo come nas diferentes fases

A alimentação muda completamente entre as fases. A larva é rizófaga: corta e consome raízes finas de gramíneas como azevém, trigo, milho, cevada e grama-batatais. Uma única larva pode consumir várias raízes por dia e abrir galerias que deixam o solo fofo.

O adulto tem dieta bem mais leve. Alimenta-se de folhas de gramíneas e matéria orgânica, sem causar dano econômico relevante. Por isso o manejo foca sempre na fase larval.

  • Larva (dano principal): raízes de trigo, milho, pastagens e gramados
  • Adulto (dano secundário): folhas, raramente notado
  • Não se alimenta de: raízes de hortaliças de folha larga, madeira ou ração animal

Ciclo de vida e reprodução: de ovo a besouro em 12 meses

O ciclo é anual e bem marcado pelas estações. Os adultos fazem revoada crepuscular e noturna entre dezembro e março, voam baixo, se encontram e acasalam no solo. Cada fêmea cava uma galeria vertical e deposita 20 a 40 ovos brancos e ovalados, isolados no solo.

Em 2 a 3 semanas nascem as larvas de primeiro ínstar, que passam por três ínstares crescendo até 35 mm. É no outono e inverno, de abril a setembro, que elas estão maiores e mais vorazes, quando o dano aparece.

No final do inverno a larva constrói uma câmara de terra lisa onde vira pupa marrom-clara. Após 20 a 30 dias emerge o adulto, que fica alguns dias na câmara antes de sair para a revoada de verão. No campo, é comum encontrar 20 a 30 larvas por metro quadrado em áreas infestadas, quando o limiar de dano já foi ultrapassado.

Comportamento: voo desajeitado, vida solitária e defesa simples

O bicho-bolo é solitário e noturno. O adulto voa mal, faz barulho e é fortemente atraído por luz branca, por isso aparece em varandas no interior. Durante o dia fica escondido sob palhada ou enterrado.

A larva não forma colônia organizada, mas pode se agregar onde há mais raízes. Ela se move escavando com as mandíbulas e o corpo em C, e quando perturbada se enrola como uma bola e fica imóvel, estratégia que reduz predação.

A defesa é passiva: sem ferrão, sem veneno e sem cheiro forte. A única proteção do adulto é a carapaça dura e se fingir de morto quando manipulado.

Bicho-bolo pica, morde ou é venenoso? Riscos para pessoas e pets

Não. O bicho-bolo não pica, não morde e não tem veneno. Larvas e adultos podem ser manuseados sem risco de envenenamento. Em pessoas com pele muito sensível, o atrito dos élitros ou das perninhas pode causar vermelhidão leve e passageira.

Para cachorros e gatos, a ingestão acidental de uma larva ou besouro não é tóxica, mas pode causar náusea ou vômito pelo exoesqueleto indigesto. Aves domésticas, como galinhas, comem os corós com avidez e ajudam no controle natural.

Atenção apenas para não confundir com insetos realmente perigosos, como lagarta-de-fogo (Lonomia) ou besouro cantárida. Se houver reação alérgica, dor forte ou ingestão em grande quantidade por pet, procure atendimento médico ou veterinário por precaução, mas não é o padrão do bicho-bolo.

É praga ou benéfico? O papel no ecossistema e na agricultura

Na natureza, o bicho-bolo tem papel duplo. Como decompositor, ajuda a aerar o solo e reciclar matéria orgânica em baixa densidade. Suas galerias melhoram a infiltração de água e suas fezes enriquecem o solo.

O problema começa quando o equilíbrio quebra. Em monoculturas de gramíneas e pastagens degradadas, sem predadores suficientes, a população explode e ele vira praga-chave de pastagens e cereais de inverno. O sintoma clássico são reboleiras amareladas que se soltam ao puxar, como se o gramado fosse um tapete sem raiz.

Por isso, na nossa avaliação, ele não é um inseto para erradicar totalmente, mas para manejar abaixo do nível de dano. Manter diversidade de plantas, rotação com leguminosas e inimigos naturais é mais sustentável que tentar zerar a população.

Como conviver e quando controlar sem veneno desnecessário

Em gramado doméstico ou horta pequena, raramente precisa intervir. Se notar falhas circulares, confirme antes: cave 30 x 30 cm com 20 cm de profundidade e conte as larvas. Até 5 larvas por m² em gramado ou 10 por m² em pastagem costuma ser tolerável.

  • Manejo cultural: faça rotação com soja, feijão ou outras leguminosas; evite deixar palhada excessiva no inverno sem pastejo
  • Controle biológico: incentive aves, use nematoides entomopatogênicos e fungos como Metarhizium e Beauveria quando recomendado por técnico
  • Preparo do solo: aração pontual expõe larvas a predadores e ao sol, mas use com critério para não degradar o solo

Evite inseticida por conta própria. Produtos químicos no solo matam polinizadores, contaminam água e raramente alcançam as larvas profundas. Se a infestação for grande em lavoura, consulte um engenheiro agrônomo ou a Emater/Embrapa local para manejo integrado e produtos registrados.

Curiosidades que ajudam a entender o bicho-bolo

O nome popular não vem do adulto, mas da larva que se enrola como um bolinho quando tocada. Em algumas regiões do interior gaúcho, os antigos chamavam de pão-de-galinha porque as galinhas soltas seguiam o arado para comer os corós expostos.

Outra curiosidade pouco conhecida: o macho chifrudo não usa o chifre para se alimentar, mas para disputar fêmeas e cavar. Em laboratório, machos sem chifre ainda se reproduzem, mas perdem disputas por galeria.

Por fim, o bicho-bolo é um indicador de solo mal manejado. Áreas com alta infestação por anos seguidos quase sempre têm histórico de monocultura de gramíneas, compactação e falta de rotação. Corrigir o sistema costuma reduzir a praga mais que qualquer veneno.

Perguntas frequentes

Bicho-bolo pica ou é venenoso?

Não. Nem a larva nem o adulto picam, mordem ou têm veneno. O contato pode causar apenas irritação leve em pele sensível.

Bicho-bolo é o mesmo que coró?

Sim. Bicho-bolo é o nome popular do coró da espécie Diloboderus abderus, muito comum em pastagens e lavouras do Sul do Brasil.

Como saber se meu gramado tem bicho-bolo?

O gramado fica amarelado em reboleiras e se solta como tapete ao puxar. Cave 30x30 cm com 20 cm de profundidade e conte as larvas brancas em C.

Bicho-bolo faz mal para cachorro ou gato?

Não é tóxico. Se o pet comer um, pode ter náusea ou vômito pelo exoesqueleto, mas sem risco de envenenamento. Observe e procure veterinário se houver vômito persistente.

Qual a diferença entre bicho-bolo e bicho-bola (tatuzinho)?

Bicho-bola é um crustáceo isópode (tatuzinho-de-jardim) que se enrola e vive sob pedras. Bicho-bolo é larva de besouro que vive enterrada e come raízes.

Como acabar com bicho-bolo sem veneno?

Faça rotação com leguminosas, evite palhada excessiva, incentive aves e, em casos maiores, use controle biológico com fungos ou nematoides com orientação técnica.

Você sabia?

1

O nome vem da larva

Bicho-bolo não é o besouro adulto, mas a larva branca que se enrola como uma bola quando tocada, parecendo um pequeno bolinho.

2

Macho e fêmea são bem diferentes

Só o macho tem chifre bifurcado na cabeça; a fêmea é sem chifre, mais larga e com brilho menos intenso, o que ajuda na identificação no campo.

3

Galinhas são detectoras naturais

No passado, agricultores soltavam galinhas atrás do arado porque elas localizam e comem os corós com precisão, reduzindo a infestação sem química.

4

Dano em forma de tapete solto

O sintoma mais típico não é a planta comida por cima, mas o gramado que se solta inteiro ao puxar, porque as raízes foram cortadas por baixo.

Fontes

  1. Embrapa - Coró-das-pastagens
  2. GBIF - Diloboderus abderus
  3. Universidade Federal do Rio Grande do Sul - Entomologia Agrícola

Prós e contras: Bicho-bolo

Prós

  • Não oferece risco a pessoas e pets
  • Indica qualidade do manejo do solo e ajuda a diagnosticar problemas
  • Larvas servem de alimento para aves e inimigos naturais
  • Fácil de identificar na fase larval
  • Ciclo anual bem conhecido facilita o manejo preventivo

Contras

  • Larvas cortam raízes e falham pastagens, trigo e gramados
  • Pode ocorrer em alta densidade (dezenas por m²) em monoculturas
  • Difícil de controlar quando já está profundo no solo
  • Adultos são atraídos por luz e podem entrar em casas no verão
  • Confundido com outros corós, levando a controle desnecessário
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o bicho-bolo é o exemplo clássico de praga que vira problema por desequilíbrio do sistema, não por ser um inseto agressivo. Vale mais investir em rotação de culturas e solo vivo do que em veneno preventivo, já que ele não oferece risco direto a pessoas ou pets.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

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Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.