Resumo
- Bicho-bolo é o besouro Diloboderus abderus, cuja larva coró branca em C vive no solo e se alimenta de raízes de gramíneas.
- Adulto tem 1,5 a 2 cm, cor preta a marrom-escura, com macho chifrudo e voo noturno de verão; não pica nem é venenoso.
- É praga de pastagens e lavouras no Sul do Brasil, com ciclo de cerca de 12 meses e maior dano causado pelas larvas no outono e inverno.
Características
Ficha do inseto
| Ordem | Coleoptera |
|---|---|
| Família | Scarabaeidae |
| Origem e distribuição | América do Sul subtropical: Sul do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai |
| Tamanho | Adulto 14 a 20 mm; larva 25 a 35 mm |
| Cores | pretomarrom-escurocastanho-avermelhadobranco (larva) |
| Asas e voo | Com élitros; voo curto, pesado e noturno |
| Alimentação | Larva: raízes de gramíneas; Adulto: folhas e matéria orgânica |
| Metamorfose | Completa (ovo > larva > pupa > adulto) |
| Expectativa de vida | 10 a 12 meses no total; adulto vive 2 a 4 semanas |
| Habitat | Solo de pastagens, lavouras de inverno e gramados |
| Comportamento social | Solitário; larvas podem se concentrar em alta densidade |
| Principais predadores | Aves, besouros carabídeos, nematoides, fungos e vespas parasitoides |
Perfil e comportamento
| Periculosidade para pessoas | Muito baixo |
|---|---|
| Importância para o ecossistema | Médio |
| Presença em casas | Muito baixo |
| Benefício para a agricultura | Muito baixo |
| Dano às plantas | Alto |
| Vida em grupo | Baixo |
Como identificar o bicho-bolo sem confundir com outros corós
O bicho-bolo adulto é um besouro ovalado, preto a marrom-escuro bem brilhante, com 14 a 20 mm de comprimento. O macho se destaca por um chifre curto e bifurcado na cabeça e outro menor no pronoto; a fêmea não tem chifres e é um pouco mais larga e opaca.
A larva é o que a maioria encontra: um coró branco-amarelado em forma de C, com cabeça marrom-avermelhada bem dura, três pares de perninhas na frente e traseira mais escura e translúcida por causa da terra no intestino. Quando tocada, ela se enrola ainda mais, daí o nome bicho-bolo.
É fácil confundir com larvas de outros scarabeídeos, como o bicho-bolo-da-soja (Phyllophaga) ou o coró-das-hortaliças. O Diloboderus abderus se diferencia pela fileira de pelos curtos no último segmento abdominal e por ocorrer quase sempre em solo de gramíneas, não em horta ou composto.
Onde vive e por que é tão comum no Sul do Brasil
O bicho-bolo é nativo do Pampa e da Mata Atlântica do Sul, com maior ocorrência no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e também no Uruguai e centro da Argentina. Prefere solos com cobertura vegetal permanente, pastagens nativas, trigo, aveia, cevada e gramados urbanos.
Vive quase todo o ciclo enterrado de 5 a 20 cm de profundidade. Solos argilosos, úmidos e com palhada favorecem a sobrevivência das larvas, por isso o sistema de plantio direto, embora conserve o solo, aumentou a incidência da praga a partir dos anos 1980.
Dentro de casa ele quase não aparece. Adultos podem ser atraídos por luz à noite no verão, mas não formam infestações domésticas. Se você achou muitos corós no jardim, o foco está no solo do gramado, não dentro de casa.
O que o bicho-bolo come nas diferentes fases
A alimentação muda completamente entre as fases. A larva é rizófaga: corta e consome raízes finas de gramíneas como azevém, trigo, milho, cevada e grama-batatais. Uma única larva pode consumir várias raízes por dia e abrir galerias que deixam o solo fofo.
O adulto tem dieta bem mais leve. Alimenta-se de folhas de gramíneas e matéria orgânica, sem causar dano econômico relevante. Por isso o manejo foca sempre na fase larval.
- Larva (dano principal): raízes de trigo, milho, pastagens e gramados
- Adulto (dano secundário): folhas, raramente notado
- Não se alimenta de: raízes de hortaliças de folha larga, madeira ou ração animal
Ciclo de vida e reprodução: de ovo a besouro em 12 meses
O ciclo é anual e bem marcado pelas estações. Os adultos fazem revoada crepuscular e noturna entre dezembro e março, voam baixo, se encontram e acasalam no solo. Cada fêmea cava uma galeria vertical e deposita 20 a 40 ovos brancos e ovalados, isolados no solo.
Em 2 a 3 semanas nascem as larvas de primeiro ínstar, que passam por três ínstares crescendo até 35 mm. É no outono e inverno, de abril a setembro, que elas estão maiores e mais vorazes, quando o dano aparece.
No final do inverno a larva constrói uma câmara de terra lisa onde vira pupa marrom-clara. Após 20 a 30 dias emerge o adulto, que fica alguns dias na câmara antes de sair para a revoada de verão. No campo, é comum encontrar 20 a 30 larvas por metro quadrado em áreas infestadas, quando o limiar de dano já foi ultrapassado.
Comportamento: voo desajeitado, vida solitária e defesa simples
O bicho-bolo é solitário e noturno. O adulto voa mal, faz barulho e é fortemente atraído por luz branca, por isso aparece em varandas no interior. Durante o dia fica escondido sob palhada ou enterrado.
A larva não forma colônia organizada, mas pode se agregar onde há mais raízes. Ela se move escavando com as mandíbulas e o corpo em C, e quando perturbada se enrola como uma bola e fica imóvel, estratégia que reduz predação.
A defesa é passiva: sem ferrão, sem veneno e sem cheiro forte. A única proteção do adulto é a carapaça dura e se fingir de morto quando manipulado.
Bicho-bolo pica, morde ou é venenoso? Riscos para pessoas e pets
Não. O bicho-bolo não pica, não morde e não tem veneno. Larvas e adultos podem ser manuseados sem risco de envenenamento. Em pessoas com pele muito sensível, o atrito dos élitros ou das perninhas pode causar vermelhidão leve e passageira.
Para cachorros e gatos, a ingestão acidental de uma larva ou besouro não é tóxica, mas pode causar náusea ou vômito pelo exoesqueleto indigesto. Aves domésticas, como galinhas, comem os corós com avidez e ajudam no controle natural.
Atenção apenas para não confundir com insetos realmente perigosos, como lagarta-de-fogo (Lonomia) ou besouro cantárida. Se houver reação alérgica, dor forte ou ingestão em grande quantidade por pet, procure atendimento médico ou veterinário por precaução, mas não é o padrão do bicho-bolo.
É praga ou benéfico? O papel no ecossistema e na agricultura
Na natureza, o bicho-bolo tem papel duplo. Como decompositor, ajuda a aerar o solo e reciclar matéria orgânica em baixa densidade. Suas galerias melhoram a infiltração de água e suas fezes enriquecem o solo.
O problema começa quando o equilíbrio quebra. Em monoculturas de gramíneas e pastagens degradadas, sem predadores suficientes, a população explode e ele vira praga-chave de pastagens e cereais de inverno. O sintoma clássico são reboleiras amareladas que se soltam ao puxar, como se o gramado fosse um tapete sem raiz.
Por isso, na nossa avaliação, ele não é um inseto para erradicar totalmente, mas para manejar abaixo do nível de dano. Manter diversidade de plantas, rotação com leguminosas e inimigos naturais é mais sustentável que tentar zerar a população.
Como conviver e quando controlar sem veneno desnecessário
Em gramado doméstico ou horta pequena, raramente precisa intervir. Se notar falhas circulares, confirme antes: cave 30 x 30 cm com 20 cm de profundidade e conte as larvas. Até 5 larvas por m² em gramado ou 10 por m² em pastagem costuma ser tolerável.
- Manejo cultural: faça rotação com soja, feijão ou outras leguminosas; evite deixar palhada excessiva no inverno sem pastejo
- Controle biológico: incentive aves, use nematoides entomopatogênicos e fungos como Metarhizium e Beauveria quando recomendado por técnico
- Preparo do solo: aração pontual expõe larvas a predadores e ao sol, mas use com critério para não degradar o solo
Evite inseticida por conta própria. Produtos químicos no solo matam polinizadores, contaminam água e raramente alcançam as larvas profundas. Se a infestação for grande em lavoura, consulte um engenheiro agrônomo ou a Emater/Embrapa local para manejo integrado e produtos registrados.
Curiosidades que ajudam a entender o bicho-bolo
O nome popular não vem do adulto, mas da larva que se enrola como um bolinho quando tocada. Em algumas regiões do interior gaúcho, os antigos chamavam de pão-de-galinha porque as galinhas soltas seguiam o arado para comer os corós expostos.
Outra curiosidade pouco conhecida: o macho chifrudo não usa o chifre para se alimentar, mas para disputar fêmeas e cavar. Em laboratório, machos sem chifre ainda se reproduzem, mas perdem disputas por galeria.
Por fim, o bicho-bolo é um indicador de solo mal manejado. Áreas com alta infestação por anos seguidos quase sempre têm histórico de monocultura de gramíneas, compactação e falta de rotação. Corrigir o sistema costuma reduzir a praga mais que qualquer veneno.
Perguntas frequentes
Bicho-bolo pica ou é venenoso?
Não. Nem a larva nem o adulto picam, mordem ou têm veneno. O contato pode causar apenas irritação leve em pele sensível.
Bicho-bolo é o mesmo que coró?
Sim. Bicho-bolo é o nome popular do coró da espécie Diloboderus abderus, muito comum em pastagens e lavouras do Sul do Brasil.
Como saber se meu gramado tem bicho-bolo?
O gramado fica amarelado em reboleiras e se solta como tapete ao puxar. Cave 30x30 cm com 20 cm de profundidade e conte as larvas brancas em C.
Bicho-bolo faz mal para cachorro ou gato?
Não é tóxico. Se o pet comer um, pode ter náusea ou vômito pelo exoesqueleto, mas sem risco de envenenamento. Observe e procure veterinário se houver vômito persistente.
Qual a diferença entre bicho-bolo e bicho-bola (tatuzinho)?
Bicho-bola é um crustáceo isópode (tatuzinho-de-jardim) que se enrola e vive sob pedras. Bicho-bolo é larva de besouro que vive enterrada e come raízes.
Como acabar com bicho-bolo sem veneno?
Faça rotação com leguminosas, evite palhada excessiva, incentive aves e, em casos maiores, use controle biológico com fungos ou nematoides com orientação técnica.
Você sabia?
O nome vem da larva
Bicho-bolo não é o besouro adulto, mas a larva branca que se enrola como uma bola quando tocada, parecendo um pequeno bolinho.
Macho e fêmea são bem diferentes
Só o macho tem chifre bifurcado na cabeça; a fêmea é sem chifre, mais larga e com brilho menos intenso, o que ajuda na identificação no campo.
Galinhas são detectoras naturais
No passado, agricultores soltavam galinhas atrás do arado porque elas localizam e comem os corós com precisão, reduzindo a infestação sem química.
Dano em forma de tapete solto
O sintoma mais típico não é a planta comida por cima, mas o gramado que se solta inteiro ao puxar, porque as raízes foram cortadas por baixo.










