🐋 Animais Marinhos

Quíton

Classe Polyplacophora

Atualizado em

3 a 12 cm (até 43 cm)Tamanho
10 g a 2 kgPeso
1 a 20 anosExpectativa de vida
Costões rochosos e entremarésHabitat
InofensivoPerigo para humanos
Close da cabeça e das placas do quíton com detalhes do cinturão

O quíton é um molusco marinho facilmente reconhecido pelas oito placas articuladas que cobrem suas costas, como uma armadura. Diferente de caracóis e polvos, ele não tem concha única nem tentáculos, mas um corpo oval e achatado feito para grudar com força em rochas batidas por ondas.

Vive em costões rochosos e recifes de quase todos os oceanos, da zona entremarés até mais de 6.000 metros de profundidade, onde raspa algas com uma rádula coberta pelos dentes mais duros do reino animal. É inofensivo para humanos, tem papel importante como controlador de algas e é um dos moluscos mais antigos ainda vivos.

Também conhecido como: Quíton, Chiton, Quitão, Polyplacophora, Sea cradle, Gumboot chiton (Cryptochiton stelleri)

Faz parte de: Animais dos Recifes de Coral, Animais Marinhos do Brasil, Polvos, Lulas e Moluscos

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Galeria de fotos de Quíton

Close da cabeça e das placas do quíton com detalhes do cinturão
Detalhe das placas e do cinturão que circunda o corpo.
Detalhe da textura da concha do quíton com olhos embutidos nas placas
Micro olhos de aragonita embutidos nas placas, únicos entre moluscos.
Quíton em seu habitat natural em costão rochoso com poça de maré
Habitat típico no costão rochoso entremarés.
Quíton raspando algas da rocha com a rádula durante a noite
Alimentação noturna raspando biofilme com dentes de magnetita.
Quíton raspando algas da rocha com a rádula durante a noite
Alimentação noturna raspando biofilme com dentes de magnetita.
Quíton juvenil pequeno sobre rocha
Juvenil, com placas já formadas e tamanho de poucos milímetros.

Perfil rápido de Quíton

Estado de conservação

NE
Não Avaliado

Maioria das espécies ainda não foi avaliada pela IUCN por falta de dados populacionais.

População
Desconhecida
Protegido por
Não, exceto quando dentro de unidades de conservação marinhas

Vida útil

Na natureza
1 a 20 anos, conforme a espécie e a temperatura da água
Em cativeiro
Raramente mantido; não se adapta bem a aquários comuns

Reprodução

Acasalamento
Fecundação externa com liberação de gametas na água
Estrutura social
Solitário, sem cuidado parental na maioria das espécies
Padrão sazonal
Primavera e verão, sincronizado por temperatura
Tipo de nascimento
Ovíparo
Ninhada
Dezenas a milhares de ovos por desova; larva trocófora livre

Habitat

Ambientes

  • Costões rochosos
  • Recifes de coral
  • Poças de maré
  • Fundos rochosos subtidais
  • Zona abissal rochosa

Biomas

  • Oceano Atlântico
  • Oceano Pacífico
  • Oceano Índico
  • Oceano Antártico

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Algas microscópicas
  • Biofilme rochoso
  • Diatomáceas

Outros alimentos

  • Algas calcárias incrustantes
  • Detritos orgânicos
  • Algas foliáceas

Encontrado em 10 países

  • Brasil
  • Estados Unidos
  • México
  • Austrália
  • Japão
  • África do Sul
  • Chile
  • Nova Zelândia
  • Reino Unido
  • Noruega

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Mollusca
Classe
Polyplacophora
Ordem
Chitonida
Família
Chitonidae
Gênero
Chiton (e outros 100+ gêneros)
Espécie
Mais de 900 espécies (ex.: Chiton tuberculatus)

Resumo

  • Quíton é um molusco de corpo oval com oito placas dorsais articuladas e pé musculoso que gruda em rochas do entremarés e recifes.
  • Vive em todos os oceanos, alimenta-se raspando algas e micro-organismos com dentes de magnetita, o biomineral mais duro conhecido.
  • É inofensivo, não tem veneno e se destaca por ter centenas de olhos de aragonita embutidos na própria concha e comportamento de retorno à sua toca.

Características

Ficha da espécie

GrupoMolusco
OrdemChitonida (Classe Polyplacophora)
FamíliaChitonidae, Acanthochitonidae e outras (13 famílias)
Origem e distribuiçãoTodos os oceanos, do Ártico à Antártica; mais de 900 espécies descritas
Tamanho0,5 a 43 cm; maioria entre 3 e 12 cm
Peso10 g a 2 kg (Cryptochiton stelleri)
Coresmarromverde-olivacinzapretovermelhobegecreme
Profundidade0 a 6.000 m; maior diversidade entre 0 e 30 m
HabitatCostões rochosos, recifes, poças de maré e fundos rochosos
AlimentaçãoHerbívoro raspador (algas, diatomáceas, biofilme)
ReproduçãoSexuada, ovípara com fecundação externa; larva trocófora
Expectativa de vida1 a 3 anos (pequenos) até 20 anos (espécies grandes)
Estado de conservaçãoNão avaliado (NE) para a maioria das espécies

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeMuito baixo
InteligênciaBaixo
VelocidadeMuito baixo
Capacidade de migraçãoMuito baixo
Importância para o ecossistema marinhoAlto

Como identificar um quíton: as 8 placas que não deixam dúvidas

O quíton não se confunde com nenhum outro animal marinho. Seu corpo é oval, achatado e com oito placas calcárias articuladas enfileiradas no dorso, cercadas por um cinturão carnoso chamado perinoto ou girdle. Essa articulação permite que ele se enrole como um tatu quando solto da rocha.

Por baixo, há um pé largo e musculoso que funciona como ventosa. Ele gruda com tanta força que é difícil soltá-lo sem machucar o animal. Ao redor do pé ficam as brânquias em sulcos laterais, visíveis apenas se você virar o animal — o que não deve fazer na natureza.

As cores são quase sempre crípticas: tons de marrom, verde-oliva, cinza e preto que imitam a rocha coberta de algas. Algumas espécies tropicais têm girdle com espinhos, cerdas ou escamas coloridas, mas o padrão de oito placas permanece. Se tem oito placas, é quíton.

Onde vive e em qual profundidade encontrar

Quítons ocorrem em todos os oceanos, de costões tropicais do Brasil a águas geladas da Antártica. A maior diversidade está na zona entremarés e no infralitoral raso, até 30 metros, grudados na face inferior de pedras e em fendas onde a onda bate forte.

No Brasil, são comuns em costões do Nordeste e Sudeste, como em Fernando de Noronha, Abrolhos, Arraial do Cabo e Ilhabela, sempre em substrato rochoso consolidado. Espécies como Acanthopleura granulata e Chiton tuberculatus dominam poças de maré no Atlântico.

Apesar da fama de animal raso, o grupo vai longe. Já foram registrados quítons a mais de 6.000 metros de profundidade em fundos abissais. O maior de todos, Cryptochiton stelleri do Pacífico Norte, chega a 43 cm e 2 kg e tem as oito placas totalmente cobertas pelo girdle avermelhado, parecendo uma almofada.

O que come e como raspa rochas com dentes de magnetita

O quíton é herbívoro raspador. Sua dieta principal é biofilme: algas microscópicas, diatomáceas, cianobactérias e algas calcárias incrustantes que crescem sobre a rocha. Algumas espécies maiores comem também algas foliáceas e detritos.

Para raspar, usa a rádula, uma língua com até 17 dentes por fileira que funciona como lixa. Os dentes principais são revestidos de magnetita, o mineral mais duro produzido por um ser vivo, mais resistente que esmalte dentário. A cada poucos dias, fileiras desgastadas são descartadas e substituídas por novas formadas atrás.

Essa raspagem constante controla o crescimento de algas e abre espaço para outros organismos do costão. Em recifes saudáveis, quítons são engenheiros discretos do equilíbrio, impedindo que algas sufoquem corais e mexilhões. Alimentam-se principalmente à noite, quando saem da toca para pastar e voltam antes da maré baixar.

Reprodução e ciclo de vida

A maioria dos quítons tem sexos separados e fecundação externa. Machos e fêmeas liberam gametas na água, geralmente no verão, sincronizados por temperatura e fotoperíodo. Ovos são liberados isolados ou em massas gelatinosas presas à rocha.

Do ovo nasce uma larva trocófora livre-natante que nada por horas a poucos dias antes de se assentar. Algumas espécies incubam os ovos sob o girdle até a eclosão. Após o assentamento, a larva sofre metamorfose e já forma as oito placas juvenis.

O crescimento é lento. Espécies pequenas vivem 1 a 3 anos, enquanto quítons grandes de águas frias podem viver mais de 20 anos, com anéis de crescimento visíveis nas placas, como em árvores. A maturidade sexual chega entre 1 e 2 anos na maioria das espécies tropicais.

Comportamento: o molusco que volta para casa

Quítons são solitários e noturnos. Durante o dia ficam imóveis, encaixados em depressões da rocha que eles mesmos escavam por erosão química e mecânica. Cada indivíduo tem sua home scar, a marca exata onde se encaixa.

À noite saem para se alimentar e demonstram homing: retornam com precisão milimétrica para a mesma depressão, mesmo após percorrerem mais de um metro. O retorno é guiado por pistas químicas e pela memória do relevo. Se outra espécie ocupar o buraco, há disputa por empurrão com o pé.

São extremamente fiéis ao local e quase não se deslocam na maré baixa. Quando ameaçados, aumentam a adesão do pé e travam as placas. Essa estratégia explica por que parecem imóveis para quem visita a praia de dia.

Quíton x lapa x chiton: não confunda

Animal Concha Placas O que o entrega
Quíton 8 placas articuladas Sim, visíveis Cinturão ao redor e corpo oval achatado
Lapa 1 concha cônica única Não Concha em forma de chapéu chinês
Caracol marinho 1 concha espiralada Não Concha enrolada e tentáculos

É perigoso para humanos?

Não. O quíton é totalmente inofensivo. Não morde, não tem veneno, espinhos venenosos ou toxinas conhecidas. O único risco é ecológico: arrancá-lo da rocha rompe seu pé e quase sempre o mata.

Em algumas culturas do Pacífico e do Caribe, espécies grandes como Acanthopleura e Cryptochiton são coletadas para consumo humano, mas no Brasil não há tradição de consumo e a coleta é desaconselhada. A carne pode acumular metais pesados se a água estiver poluída.

Para o mergulhador ou visitante do costão, a regra é observar sem tocar. A força de adesão é tão grande que tentar soltar o animal causa lesões internas irreversíveis.

Ameaças e estado de conservação

A maioria das mais de 900 espécies de quítons ainda é classificada como Não Avaliada (NE) pela IUCN, por falta de dados populacionais. Isso não significa que estão seguras. As ameaças são as mesmas de todo costão rochoso.

As principais pressões são pisoteio em poças de maré, coleta ornamental, poluição urbana, acidificação oceânica e aumento da temperatura. Como suas placas e dentes dependem de carbonato e magnetita, a acidificação pode afetar a formação da concha em larvas.

Em áreas urbanas do Sudeste, estudos já mostram redução de quítons onde o turismo desordenado é intenso. A proteção depende de unidades de conservação marinhas e de educação para não virar pedras no entremarés. Devolver a pedra à posição original é essencial, pois a comunidade que vive embaixo morre exposta ao sol.

Onde observar com responsabilidade

O melhor momento é na maré baixa de sizígia, quando poças se formam. Procure em costões protegidos, virando o olhar para a lateral e a parte inferior de rochas fixas, nunca soltando o animal.

Use sapatilha antiderrapante, não use ferramentas para soltar e nunca colete. Fotografe com luz natural e sem flash direto nas poças. Se virar uma pedra para observar, devolva exatamente como estava.

No Brasil, bons locais com manejo são Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, Reserva Extrativista de Arraial do Cabo e Parque Estadual da Ilha Anchieta. Prefira visitas com guias e respeite as regras de visitação.

Curiosidades que só o quíton tem

O quíton carrega centenas de olhos verdadeiros embutidos nas placas. São os estetas, com lente de aragonita capaz de formar imagem, algo único entre moluscos. Algumas espécies têm mais de mil olhos e conseguem detectar sombra de predador.

Seus dentes de magnetita são tão duros que inspiram pesquisas para materiais bioinspirados e lâminas de corte. A magnetita é depositada sobre um núcleo de apatita, criando um compósito mais resistente que muitas ligas industriais.

Fósseis de quítons datam de mais de 400 milhões de anos, do Devoniano. O plano corporal de oito placas quase não mudou, o que os torna fósseis vivos e referência para entender a evolução dos moluscos.

Apesar da aparência simples, quítons têm coração, brânquias múltiplas e sistema nervoso em anel sem cérebro centralizado, mas com gânglios bem desenvolvidos que coordenam o homing noturno com surpreendente precisão.

Perguntas frequentes

Quíton é perigoso para humanos?

Não. Não morde, não tem veneno e é inofensivo. O risco é para o próprio animal se for arrancado da rocha.

Quíton tem olhos?

Sim. Centenas de pequenos olhos com lente de aragonita ficam embutidos nas oito placas e detectam luz e sombra de predadores.

Qual o tamanho de um quíton?

A maioria mede 3 a 12 cm, mas o quíton gigante Cryptochiton stelleri do Pacífico chega a 43 cm.

Onde encontrar quíton no Brasil?

Em costões rochosos e poças de maré do entremarés, como em Fernando de Noronha, Abrolhos, Arraial do Cabo e Ilhabela, grudado embaixo de pedras.

O que o quíton come?

Raspa biofilme, algas microscópicas e diatomáceas da rocha com uma rádula de dentes de magnetita, o material biológico mais duro conhecido.

Pode tirar o quíton da pedra?

Não. A adesão é muito forte e removê-lo rompe o pé e mata o animal. Observe sem tocar e nunca vire pedras sem devolver à posição original.

Quíton é o mesmo que lapa?

Não. Lapa tem uma concha cônica única, quíton tem oito placas articuladas com cinturão ao redor.

Você sabia?

1

Olhos na armadura

Quítons têm até mais de 1.000 olhos com lente de aragonita embutidos nas próprias placas, capazes de detectar luz, sombra e até formar imagens para perceber predadores.

2

Dentes mais duros da natureza

A rádula do quíton é revestida de magnetita e é considerada o material biológico mais duro conhecido, três vezes mais duro que o esmalte humano e inspira engenharia de materiais.

3

Fóssil vivo de 400 milhões de anos

Fósseis de quítons do período Devoniano já mostravam as mesmas oito placas articuladas, provando que esse plano corporal quase não mudou em centenas de milhões de anos.

4

Volta sempre para casa

Mesmo após pastar por mais de um metro à noite, o quíton retorna exatamente para a mesma depressão na rocha, sua home scar, usando memória química e tátil do relevo.

Fontes

  1. WoRMS - World Register of Marine Species
  2. SeaLifeBase / FishBase - Polyplacophora
  3. IUCN Red List
  4. NOAA - National Ocean Service

Prós e contras: Quíton

Prós

  • Controla algas e ajuda no equilíbrio do costão e do recife
  • Inofensivo e sem risco para mergulhadores e banhistas
  • Fóssil vivo com enorme valor científico e evolutivo
  • Bioinspiração para materiais ultraduros a partir de seus dentes de magnetita
  • Fácil de observar com responsabilidade na maré baixa

Contras

  • Muito sensível ao pisoteio e à coleta em poças de maré
  • Morre facilmente se removido da rocha
  • Maioria das espécies sem avaliação de conservação e sem proteção específica
  • Não se adapta a aquários caseiros
  • Pode acumular poluentes se consumido em áreas contaminadas
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o quíton é o molusco mais subestimado do costão: discreto de dia, mas com biologia mais sofisticada que muitos peixes recifais. Sua combinação de armadura articulada, olhos na concha e dentes de magnetita o torna um caso único de evolução e biomateriais que merece mais atenção do que recebe.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.