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Estrela-do-mar

Asteroidea (classe) — ex.: Oreaster reticulatus

Atualizado em

10 a 30 cm de diâmetroTamanho
0,2 a 4 kgPeso
5 a 10 anosExpectativa de vida
Recifes e costões rasosHabitat
Baixo na maioriaPerigo para humanos
Estrela-do-mar vermelha Oreaster reticulatus vista de cima no fundo arenoso

A estrela-do-mar não é peixe e nem tem cérebro ou sangue. Ela é um equinodermo da classe Asteroidea, parente do ouriço-do-mar e do pepino-do-mar, que se move com centenas de pés ambulacrais hidráulicos e consegue virar o estômago para fora do corpo para digerir a presa.

No Brasil, é comum em costões rochosos, recifes de coral e fundos arenosos rasos, mas o grupo ocorre em todos os oceanos, do entremarés até mais de 6.000 m de profundidade. Apesar da aparência delicada, é uma predadora importante para o equilíbrio do recife e um dos animais com maior capacidade de regeneração do mar.

Também conhecido como: Estrela-do-mar-comum, Estrela-vermelha, Sea star, Starfish, Étoile de mer

Faz parte de: Animais dos Recifes de Coral, Animais Marinhos do Brasil

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Galeria de fotos de Estrela-do-mar

Estrela-do-mar vermelha Oreaster reticulatus vista de cima no fundo arenoso
Estrela-do-mar-vermelha (Oreaster reticulatus), comum no litoral brasileiro.
Close da ponta do braço da estrela-do-mar mostrando olho e pés ambulacrais
Detalhe da ponta do braço com o ocelo e os pés ambulacrais.
Detalhe da textura do dorso da estrela-do-mar com placas e espinhos
Textura do dorso com placas calcárias e espinhos.
Estrela-do-mar virando o estômago para fora para se alimentar de mexilhão
Alimentação com eversão do estômago sobre a presa.
Estrela-do-mar juvenil pequena sobre recife de coral
Juvenil recém-assentado no recife.
Grupo de estrelas-do-mar em recife raso durante maré baixa
Agregação temporária em recife raso.

Perfil rápido de Estrela-do-mar

Estado de conservação

NE
Não Avaliada

A maioria das espécies de Asteroidea ainda não foi avaliada globalmente pela IUCN.

População
Desconhecida globalmente; declínio local onde há coleta e turismo desordenado
Protegido por
Coleta proibida em unidades de conservação marinhas no Brasil; comércio de fauna nativa exige autorização

Calendário

Reprodução (desova)JFMAMJJASOND
Maior avistamento em maré baixaJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica para pets em contato casual; ingestão pode causar irritação
  • PessoasNão tóxica na maioria; coroa-de-espinhos é venenosa por espinhos

Manuseio causa mais dano ao animal que à pessoa; não toque nem retire da água

Vida útil

Na natureza
5 a 10 anos na maioria; até 20-35 anos em espécies de águas frias e em aquários bem mantidos

Reprodução

Tipo de reprodução
Sexuada com fecundação externa; assexuada por fissão em algumas espécies
Estrutura social
Solitária; agregações temporárias apenas por alimento ou reprodução
Padrão sazonal
Desova concentrada no verão, com liberação sincronizada na coluna d'água
Tipo de nascimento
Ovípara com larva planctônica (bipinária e braquiolária)
Ninhada
Milhares a milhões de óvulos por desova; sem cuidado parental

Habitat

Ambientes

  • Recifes de coral
  • Costões rochosos
  • Fundos arenosos e lodosos
  • Pradarias marinhas
  • Mar profundo

Biomas

  • Marinho Costeiro
  • Marinho Oceânico
  • Recifes de Coral

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Moluscos bivalves
  • Gastrópodes
  • Crustáceos

Outros alimentos

  • Esponjas
  • Poliquetas
  • Detritos
  • Carcaças
  • Biofilme

Encontrado em 10 países

  • Brasil
  • Estados Unidos
  • Austrália
  • México
  • Japão
  • África do Sul
  • Chile
  • Portugal
  • Indonésia
  • Nova Zelândia

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Echinodermata
Classe
Asteroidea
Ordem
Valvatida
Família
Oreasteridae
Gênero
Oreaster
Espécie
Oreaster reticulatus (exemplo representativo no Brasil)

Resumo

  • A estrela-do-mar é um equinodermo da classe Asteroidea que se locomove por sistema aquífero e digere presas com o estômago evertido, fora do corpo.
  • Vive em todos os oceanos, de praias rochosas a grandes profundidades, e se alimenta principalmente de moluscos, crustáceos e matéria orgânica.
  • A maioria não é perigosa para humanos, mas não deve ser manuseada nem retirada da água, pois morre em poucos minutos fora do ambiente marinho.

Características

Ficha da espécie

GrupoEquinodermo (não é peixe)
OrdemValvatida (principal; existem 7 ordens)
FamíliaOreasteridae (exemplo comum no Brasil)
Origem e distribuiçãoTodos os oceanos, do Ártico à Antártica; comum no litoral brasileiro
Tamanho5 cm a 1 m de diâmetro (maioria 12 a 30 cm)
Peso0,1 a 5 kg conforme espécie
Coresvermelholaranjaamarelomarrombegeroxoazulcinza
Profundidade0 a 6.000 m (maior ocorrência até 200 m)
HabitatRecifes de coral, costões rochosos, fundos arenosos e lodosos
AlimentaçãoCarnívora e detritívora (moluscos, crustáceos, esponjas, detritos)
ReproduçãoSexuada com fecundação externa e assexuada por fissão/regeneração
Expectativa de vida5 a 10 anos; algumas espécies até 35 anos
Estado de conservaçãoMaioria Não Avaliada (NE); algumas Vulneráveis localmente

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeBaixo
InteligênciaBaixo
VelocidadeMuito baixo
Capacidade de migraçãoMuito baixo
Importância para o ecossistema marinhoMuito alto

Como identificar uma estrela-do-mar de verdade

A estrela-do-mar não é peixe. Ela pertence à classe Asteroidea, dentro do filo Echinodermata, o mesmo de ouriços e bolachas-da-praia. O corpo tem simetria pentarradial em adultos, geralmente com 5 braços, mas há espécies com 6, 10, 20 e até mais de 40 braços, como a antártica Labidiaster annulatus.

O que parece pele lisa é um esqueleto interno de placas calcárias coberto por pele fina e espinhos curtos. Na face inferior de cada braço há um sulco com centenas de pés ambulacrais com ventosas. Na ponta de cada braço existe um olho simples que percebe luz e sombra, não imagens.

No Brasil, a mais reconhecível é a estrela-do-mar-vermelha (Oreaster reticulatus), grande, com dorso almofadado e espinhos claros. Já a coroa-de-espinhos (Acanthaster planci), do Indo-Pacífico, tem até 21 braços e espinhos venenosos — é a exceção perigosa do grupo.

Onde vive e em qual profundidade encontrar

Estrelas-do-mar ocorrem em todos os oceanos, de poças de maré a fossas abissais. A maior diversidade está em recifes de coral, costões rochosos e fundos de areia e cascalho entre 0 e 200 m.

Espécies de águas rasas, como Echinaster brasiliensis e Oreaster reticulatus, são vistas no entremarés do Nordeste e Sudeste. Outras vivem apenas no mar profundo, acima de 1.000 m, onde a temperatura é baixa e a luz não chega.

Elas não migram longas distâncias. Deslocam-se centímetros por minuto sobre o substrato. Em áreas com muita comida ou após tempestades, podem formar agregações temporárias, mas não são animais sociais.

O que come e como vira o estômago do avesso

A dieta é majoritariamente carnívora. Caçam mexilhões, ostras, caramujos, cracas, pequenos crustáceos e esponjas, além de carcaças e detritos. Algumas são predadoras de corais.

A estratégia mais famosa é a eversão estomacal. A estrela abraça a presa com os braços, abre levemente as valvas do molusco com força hidráulica dos pés e projeta o estômago cardíaco para fora, digerindo a vítima externamente antes de puxar o conteúdo liquefeito de volta.

Esse controle vem do sistema aquífero: água do mar entra pelo madreporito (placa porosa no dorso) e movimenta os pés ambulacrais por pressão. Sem esse sistema, ela não anda, não gruda e não se alimenta.

  • Principal: moluscos bivalves e gastrópodes
  • Outros: crustáceos, poliquetas, esponjas, detritos e biofilme
  • Frequência: pode ficar semanas sem comer após uma refeição grande

Como se locomove sem cérebro nem sangue

Estrela-do-mar não tem cérebro central nem sangue. Possui um anel nervoso ao redor da boca conectado a nervos radiais em cada braço e um sistema de circulação de água, não de sangue.

A locomoção é lenta: média de 10 a 15 cm por minuto em espécies costeiras. Os pés ambulacrais funcionam como ventosas hidráulicas que grudam e soltam em sequência. É o suficiente para escalar rochas e virar a presa.

Se virada de dorso, muitas espécies conseguem se desvirar sozinhas torcendo os braços e usando os pés como alavanca. A coordenação vem dos nervos radiais, sem necessidade de comando central.

Reprodução, regeneração e ciclo de vida

A reprodução mais comum é sexuada com fecundação externa. Machos e fêmeas liberam espermatozoides e óvulos na água, geralmente no verão, quando a água está mais quente. Uma fêmea grande pode liberar mais de 2 milhões de óvulos em uma única desova.

Do ovo nasce uma larva bipinária planctônica, que nada livre por semanas antes de se assentar no fundo e se transformar em estrela juvenil. A mortalidade nessa fase é altíssima.

Algumas espécies também se reproduzem por fissão: dividem o disco central e cada metade regenera o resto. A regeneração é famosa, mas tem limite. Um braço solto só vira nova estrela se levar parte do disco central; sem ele, apenas cicatriza.

Quanto tempo vive

Em ambiente natural, a maioria vive 5 a 10 anos. Espécies de águas frias, como Pisaster ochraceus, podem passar de 20 anos, e registros de aquário indicam até 35 anos em condições estáveis.

A estrela-do-mar é perigosa ou venenosa para humanos?

Para quem encontra na praia, o risco é muito baixo. A grande maioria não morde, não tem ferrão e não é venenosa. O contato pode causar apenas irritação leve na pele sensível devido a espinhos e muco.

A exceção é a coroa-de-espinhos (Acanthaster planci), coberta por espinhos longos com toxinas que causam dor intensa, náusea e inchaço se perfurarem a pele. Ela não ocorre no Atlântico brasileiro, mas é importante em mergulhos no Indo-Pacífico.

O maior perigo é inverso: para a estrela. Retirá-la da água, mesmo por segundos para foto, causa embolia gasosa e asfixia no sistema aquífero. O animal pode parecer vivo, mas morre horas depois. Observar sem tocar é a única forma segura para ambos.

Ameaças, conservação e por que não tirar da água

A maioria das cerca de 1.900 espécies ainda é classificada como Não Avaliada pela IUCN. No Brasil, Oreaster reticulatus já foi muito coletada para souvenir e artesanato, o que levou a restrições locais e queda populacional em pontos do litoral.

As ameaças atuais são coleta predatória, pisoteio em recifes, poluição, plástico, aquecimento e acidificação do oceano. Como predadoras de moluscos, sua remoção desequilibra o recife: sem estrelas, mexilhões e ostras podem dominar e sufocar corais.

No Brasil, a captura e o comércio de fauna marinha nativa sem autorização são ilegais. Em unidades de conservação marinha, tocar ou coletar é proibido. Se encontrar uma estrela na areia, não devolva jogando; se estiver viva e na zona de arrebentação, chame um monitor ambiental local.

Pressão Efeito direto na estrela-do-mar
Coleta para souvenir Remoção de adultos reprodutores e colapso local
Turismo desordenado Pisoteio, manuseio e embolia por exposição ao ar
Poluição e esgoto Mortalidade larval e deformidades
Aquecimento do mar Branqueamento de recifes e falta de alimento

Onde observar com responsabilidade no Brasil

Boas chances de avistamento em piscinas naturais de maré no Nordeste (Maragogi, Porto de Galinhas, Arraial do Cabo) e em costões do Sudeste com água clara. Mergulho com snorkel em recifes rasos, com guia credenciado, é a forma mais ética.

Regras práticas: não toque, não vire, não alimente e não retire da água. Mantenha distância, não use protetor solar antes de entrar no mar e não ancore sobre recifes. Fotos devem ser feitas sem flash a curta distância e sem mover o animal.

Curiosidades que pouca gente sabe

Estrelas-do-mar têm dois estômagos: o cardíaco, que sai do corpo, e o pilórico, interno, que completa a digestão. Elas também não têm sangue: o transporte de nutrientes é feito pela água do mar circulando no corpo.

Outra curiosidade é a síndrome do definhamento (sea star wasting syndrome), que desde 2013 matou milhões de estrelas na costa do Pacífico norte-americano, fazendo braços se retorcerem e se desprenderem em dias. O fenômeno está ligado a vírus, bactérias e estresse térmico.

Na nossa avaliação, a estrela-do-mar é um dos melhores indicadores de saúde do recife: onde ela some, o ecossistema já está em alerta. Protegê-la é mais útil do que colecioná-la.

Perguntas frequentes

Estrela-do-mar é peixe?

Não. É um equinodermo da classe Asteroidea, parente do ouriço-do-mar. Peixes têm espinha dorsal e brânquias; estrelas têm sistema aquífero e esqueleto calcário interno.

Estrela-do-mar pode ficar fora da água?

Não. Mesmo 30 segundos fora da água podem causar embolia e morte horas depois. Nunca retire para foto ou para levar como souvenir.

Quantas pernas tem a estrela-do-mar?

A maioria tem 5 braços, mas há espécies com 6 a mais de 40 braços. O que parecem pernas são braços com pés ambulacrais na face inferior.

Estrela-do-mar tem olho?

Sim, um olho simples na ponta de cada braço que percebe luz e sombra. Não forma imagens nítidas, mas ajuda a se orientar.

O que a estrela-do-mar come?

Principalmente moluscos como mexilhões e ostras, além de crustáceos, esponjas e detritos. Ela vira o estômago para fora para digerir a presa.

Estrela-do-mar é venenosa?

A maioria não. A exceção é a coroa-de-espinhos (Acanthaster planci), do Indo-Pacífico, com espinhos venenosos que causam dor intensa.

Se cortar um braço nasce outra estrela?

Só se o pedaço contiver parte do disco central. Um braço isolado não gera um novo indivíduo.

Você sabia?

1

Dois estômagos e digestão fora do corpo

Ela projeta o estômago cardíaco pela boca para digerir mexilhões e ostras por fora, depois puxa tudo de volta. O segundo estômago, pilórico, finaliza a digestão internamente.

2

Olhos na ponta dos braços

Cada braço termina em um ocelo com dezenas de lentes que detectam luz e sombra. É com eles que ela percebe aproximação de predadores e encontra áreas escuras para se abrigar.

3

Um braço não vira outra estrela sozinho

O mito da regeneração total é parcial: só há nova estrela se o fragmento contiver parte do disco central. Braços isolados apenas cicatrizam e morrem.

4

A estrela que come coral e tem veneno

A coroa-de-espinhos (Acanthaster planci) pode ter até 21 braços, comer 6 m² de coral por ano e possui espinhos com toxinas que causam dor forte em humanos.

Fontes

  1. IUCN Red List
  2. NOAA - National Ocean Service
  3. WoRMS - World Register of Marine Species
  4. SeaLifeBase

Prós e contras: Estrela-do-mar

Prós

  • Predadora essencial que controla populações de moluscos nos recifes
  • Grande valor educativo e para ecoturismo de observação
  • Capacidade notável de regeneração quando mantém o disco central
  • Ocorre em todos os oceanos e é fácil de observar com snorkel sem interferir

Contras

  • Extremamente sensível ao manuseio e à exposição ao ar
  • Vulnerável à coleta para souvenir e ao pisoteio em recifes
  • Larvas muito sensíveis à poluição e ao aquecimento do mar
  • Algumas espécies podem predar corais em surtos populacionais
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a estrela-do-mar vale mais viva no recife do que como enfeite: é predadora-chave que controla moluscos e indica saúde do ecossistema. O turismo que só observa, sem tocar ou retirar, é a forma mais inteligente de valorizar a espécie.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.