Resumo
- A estrela-do-mar é um equinodermo da classe Asteroidea que se locomove por sistema aquífero e digere presas com o estômago evertido, fora do corpo.
- Vive em todos os oceanos, de praias rochosas a grandes profundidades, e se alimenta principalmente de moluscos, crustáceos e matéria orgânica.
- A maioria não é perigosa para humanos, mas não deve ser manuseada nem retirada da água, pois morre em poucos minutos fora do ambiente marinho.
Características
Ficha da espécie
| Grupo | Equinodermo (não é peixe) |
|---|---|
| Ordem | Valvatida (principal; existem 7 ordens) |
| Família | Oreasteridae (exemplo comum no Brasil) |
| Origem e distribuição | Todos os oceanos, do Ártico à Antártica; comum no litoral brasileiro |
| Tamanho | 5 cm a 1 m de diâmetro (maioria 12 a 30 cm) |
| Peso | 0,1 a 5 kg conforme espécie |
| Cores | vermelholaranjaamarelomarrombegeroxoazulcinza |
| Profundidade | 0 a 6.000 m (maior ocorrência até 200 m) |
| Habitat | Recifes de coral, costões rochosos, fundos arenosos e lodosos |
| Alimentação | Carnívora e detritívora (moluscos, crustáceos, esponjas, detritos) |
| Reprodução | Sexuada com fecundação externa e assexuada por fissão/regeneração |
| Expectativa de vida | 5 a 10 anos; algumas espécies até 35 anos |
| Estado de conservação | Maioria Não Avaliada (NE); algumas Vulneráveis localmente |
Perfil e comportamento
| Periculosidade para pessoas | Muito baixo |
|---|---|
| Sociabilidade | Baixo |
| Inteligência | Baixo |
| Velocidade | Muito baixo |
| Capacidade de migração | Muito baixo |
| Importância para o ecossistema marinho | Muito alto |
Como identificar uma estrela-do-mar de verdade
A estrela-do-mar não é peixe. Ela pertence à classe Asteroidea, dentro do filo Echinodermata, o mesmo de ouriços e bolachas-da-praia. O corpo tem simetria pentarradial em adultos, geralmente com 5 braços, mas há espécies com 6, 10, 20 e até mais de 40 braços, como a antártica Labidiaster annulatus.
O que parece pele lisa é um esqueleto interno de placas calcárias coberto por pele fina e espinhos curtos. Na face inferior de cada braço há um sulco com centenas de pés ambulacrais com ventosas. Na ponta de cada braço existe um olho simples que percebe luz e sombra, não imagens.
No Brasil, a mais reconhecível é a estrela-do-mar-vermelha (Oreaster reticulatus), grande, com dorso almofadado e espinhos claros. Já a coroa-de-espinhos (Acanthaster planci), do Indo-Pacífico, tem até 21 braços e espinhos venenosos — é a exceção perigosa do grupo.
Onde vive e em qual profundidade encontrar
Estrelas-do-mar ocorrem em todos os oceanos, de poças de maré a fossas abissais. A maior diversidade está em recifes de coral, costões rochosos e fundos de areia e cascalho entre 0 e 200 m.
Espécies de águas rasas, como Echinaster brasiliensis e Oreaster reticulatus, são vistas no entremarés do Nordeste e Sudeste. Outras vivem apenas no mar profundo, acima de 1.000 m, onde a temperatura é baixa e a luz não chega.
Elas não migram longas distâncias. Deslocam-se centímetros por minuto sobre o substrato. Em áreas com muita comida ou após tempestades, podem formar agregações temporárias, mas não são animais sociais.
O que come e como vira o estômago do avesso
A dieta é majoritariamente carnívora. Caçam mexilhões, ostras, caramujos, cracas, pequenos crustáceos e esponjas, além de carcaças e detritos. Algumas são predadoras de corais.
A estratégia mais famosa é a eversão estomacal. A estrela abraça a presa com os braços, abre levemente as valvas do molusco com força hidráulica dos pés e projeta o estômago cardíaco para fora, digerindo a vítima externamente antes de puxar o conteúdo liquefeito de volta.
Esse controle vem do sistema aquífero: água do mar entra pelo madreporito (placa porosa no dorso) e movimenta os pés ambulacrais por pressão. Sem esse sistema, ela não anda, não gruda e não se alimenta.
- Principal: moluscos bivalves e gastrópodes
- Outros: crustáceos, poliquetas, esponjas, detritos e biofilme
- Frequência: pode ficar semanas sem comer após uma refeição grande
Como se locomove sem cérebro nem sangue
Estrela-do-mar não tem cérebro central nem sangue. Possui um anel nervoso ao redor da boca conectado a nervos radiais em cada braço e um sistema de circulação de água, não de sangue.
A locomoção é lenta: média de 10 a 15 cm por minuto em espécies costeiras. Os pés ambulacrais funcionam como ventosas hidráulicas que grudam e soltam em sequência. É o suficiente para escalar rochas e virar a presa.
Se virada de dorso, muitas espécies conseguem se desvirar sozinhas torcendo os braços e usando os pés como alavanca. A coordenação vem dos nervos radiais, sem necessidade de comando central.
Reprodução, regeneração e ciclo de vida
A reprodução mais comum é sexuada com fecundação externa. Machos e fêmeas liberam espermatozoides e óvulos na água, geralmente no verão, quando a água está mais quente. Uma fêmea grande pode liberar mais de 2 milhões de óvulos em uma única desova.
Do ovo nasce uma larva bipinária planctônica, que nada livre por semanas antes de se assentar no fundo e se transformar em estrela juvenil. A mortalidade nessa fase é altíssima.
Algumas espécies também se reproduzem por fissão: dividem o disco central e cada metade regenera o resto. A regeneração é famosa, mas tem limite. Um braço solto só vira nova estrela se levar parte do disco central; sem ele, apenas cicatriza.
Quanto tempo vive
Em ambiente natural, a maioria vive 5 a 10 anos. Espécies de águas frias, como Pisaster ochraceus, podem passar de 20 anos, e registros de aquário indicam até 35 anos em condições estáveis.
A estrela-do-mar é perigosa ou venenosa para humanos?
Para quem encontra na praia, o risco é muito baixo. A grande maioria não morde, não tem ferrão e não é venenosa. O contato pode causar apenas irritação leve na pele sensível devido a espinhos e muco.
A exceção é a coroa-de-espinhos (Acanthaster planci), coberta por espinhos longos com toxinas que causam dor intensa, náusea e inchaço se perfurarem a pele. Ela não ocorre no Atlântico brasileiro, mas é importante em mergulhos no Indo-Pacífico.
O maior perigo é inverso: para a estrela. Retirá-la da água, mesmo por segundos para foto, causa embolia gasosa e asfixia no sistema aquífero. O animal pode parecer vivo, mas morre horas depois. Observar sem tocar é a única forma segura para ambos.
Ameaças, conservação e por que não tirar da água
A maioria das cerca de 1.900 espécies ainda é classificada como Não Avaliada pela IUCN. No Brasil, Oreaster reticulatus já foi muito coletada para souvenir e artesanato, o que levou a restrições locais e queda populacional em pontos do litoral.
As ameaças atuais são coleta predatória, pisoteio em recifes, poluição, plástico, aquecimento e acidificação do oceano. Como predadoras de moluscos, sua remoção desequilibra o recife: sem estrelas, mexilhões e ostras podem dominar e sufocar corais.
No Brasil, a captura e o comércio de fauna marinha nativa sem autorização são ilegais. Em unidades de conservação marinha, tocar ou coletar é proibido. Se encontrar uma estrela na areia, não devolva jogando; se estiver viva e na zona de arrebentação, chame um monitor ambiental local.
| Pressão | Efeito direto na estrela-do-mar |
|---|---|
| Coleta para souvenir | Remoção de adultos reprodutores e colapso local |
| Turismo desordenado | Pisoteio, manuseio e embolia por exposição ao ar |
| Poluição e esgoto | Mortalidade larval e deformidades |
| Aquecimento do mar | Branqueamento de recifes e falta de alimento |
Onde observar com responsabilidade no Brasil
Boas chances de avistamento em piscinas naturais de maré no Nordeste (Maragogi, Porto de Galinhas, Arraial do Cabo) e em costões do Sudeste com água clara. Mergulho com snorkel em recifes rasos, com guia credenciado, é a forma mais ética.
Regras práticas: não toque, não vire, não alimente e não retire da água. Mantenha distância, não use protetor solar antes de entrar no mar e não ancore sobre recifes. Fotos devem ser feitas sem flash a curta distância e sem mover o animal.
Curiosidades que pouca gente sabe
Estrelas-do-mar têm dois estômagos: o cardíaco, que sai do corpo, e o pilórico, interno, que completa a digestão. Elas também não têm sangue: o transporte de nutrientes é feito pela água do mar circulando no corpo.
Outra curiosidade é a síndrome do definhamento (sea star wasting syndrome), que desde 2013 matou milhões de estrelas na costa do Pacífico norte-americano, fazendo braços se retorcerem e se desprenderem em dias. O fenômeno está ligado a vírus, bactérias e estresse térmico.
Na nossa avaliação, a estrela-do-mar é um dos melhores indicadores de saúde do recife: onde ela some, o ecossistema já está em alerta. Protegê-la é mais útil do que colecioná-la.
Perguntas frequentes
Estrela-do-mar é peixe?
Não. É um equinodermo da classe Asteroidea, parente do ouriço-do-mar. Peixes têm espinha dorsal e brânquias; estrelas têm sistema aquífero e esqueleto calcário interno.
Estrela-do-mar pode ficar fora da água?
Não. Mesmo 30 segundos fora da água podem causar embolia e morte horas depois. Nunca retire para foto ou para levar como souvenir.
Quantas pernas tem a estrela-do-mar?
A maioria tem 5 braços, mas há espécies com 6 a mais de 40 braços. O que parecem pernas são braços com pés ambulacrais na face inferior.
Estrela-do-mar tem olho?
Sim, um olho simples na ponta de cada braço que percebe luz e sombra. Não forma imagens nítidas, mas ajuda a se orientar.
O que a estrela-do-mar come?
Principalmente moluscos como mexilhões e ostras, além de crustáceos, esponjas e detritos. Ela vira o estômago para fora para digerir a presa.
Estrela-do-mar é venenosa?
A maioria não. A exceção é a coroa-de-espinhos (Acanthaster planci), do Indo-Pacífico, com espinhos venenosos que causam dor intensa.
Se cortar um braço nasce outra estrela?
Só se o pedaço contiver parte do disco central. Um braço isolado não gera um novo indivíduo.
Você sabia?
Dois estômagos e digestão fora do corpo
Ela projeta o estômago cardíaco pela boca para digerir mexilhões e ostras por fora, depois puxa tudo de volta. O segundo estômago, pilórico, finaliza a digestão internamente.
Olhos na ponta dos braços
Cada braço termina em um ocelo com dezenas de lentes que detectam luz e sombra. É com eles que ela percebe aproximação de predadores e encontra áreas escuras para se abrigar.
Um braço não vira outra estrela sozinho
O mito da regeneração total é parcial: só há nova estrela se o fragmento contiver parte do disco central. Braços isolados apenas cicatrizam e morrem.
A estrela que come coral e tem veneno
A coroa-de-espinhos (Acanthaster planci) pode ter até 21 braços, comer 6 m² de coral por ano e possui espinhos com toxinas que causam dor forte em humanos.









